Bem-aventurados [felizes] os que choram, porque serão consolados. Mateus 5:4
O ar frio da noite convidava a um aconchego junto à fogueira no meio do pátio. Mas, e se descobrissem quem ele era? Poderiam prendê-lo? Ele se aproximou devagar, lembrando dos acontecimentos do dia. O que seria dele e de seus amigos dali para frente? Tudo o que esperaram e imaginaram havia sido ilusão. Alguém o reconheceu. Nervoso, ele respondeu:
– É claro que não sou amigo dEle.
Outra vez alguém chamou a atenção para ele. Talvez fosse melhor sair dali. Não conseguia esconder as marcas de uma vida diferente, uma vida ao lado de Alguém muito especial. E novamente alguém apontou para ele, reconhecendo-o.
– “Não sei do que você está falando” (Mateus 26:70, NTLH).
Nesse momento, ouviu um canto. Era o canto de um galo. Lembrou-se do que seu Amigo lhe falara. Procurou-O. Ele o olhava. Seu olhar era triste. Não era um olhar de reprovação, mas parecia que Sua alma estava chorando e muito. Como suportar? Traíra seu melhor amigo e Mestre com palavras rudes e mentirosas. Por que fizera tal coisa? Saiu correndo pelas ruas. Os olhos de Jesus o acompanhavam mentalmente. Seu pecado era terrível. Com certeza, não seria perdoado. Como poderia ter negado o amor que Ele lhe dera?
Correu até o jardim onde horas antes adormecera em vez de orar. Derramou seu coração diante de Deus e pediu-Lhe o perdão. Seu choro arrependido foi ouvido e era sincero. Cristo conhecia Pedro e o amava profundamente. Na primeira oportunidade, após Sua ressurreição, mostrou-lhe que o havia perdoado (Lucas 22:54-62).
Podemos levar nossos pesares a Jesus. Podemos nos desmanchar em lágrimas diante dEle. Ele entende e Seu maior desejo é nos dar alívio e paz. Se o que sentimos é pouco importante para os outros, para Jesus não é. Ele Se importa comigo e com minhas dores, e quer me consolar. Ele é o melhor Amigo que eu posso desejar!
Bem-aventurados [felizes] os mansos, porque herdarão a terra. Mateus 5:5
Jediel estava cansado. Andara muitos quilômetros e não encontrara água para o rebanho. Sabia que havia um poço por ali, mas estava seco.
Sentou-se sob uma árvore do caminho e suas ovelhas o cercaram. Aguentariam caminhar um pouco mais? As fontes que conhecia estavam secas e ele não sabia onde mais havia água. Não queria se distanciar muito. Mas também não podia voltar. Precisava encontrar água.
Teve a ideia de subir na árvore e ver se conseguia avistar algo. Parecia ter um lugar com algum verde mais à frente.
Estava certo. Havia um lugar com água e pasto. Não era muito, mas dava para saciar suas ovelhas por momentos, até acharem um outro lugar.
Enquanto elas pastavam, ele adormeceu. Acordou assustado com o balido de muitas ovelhas. Um enorme rebanho e seus pastores se aproximavam e expulsaram Jediel e suas ovelhas.
Era costume que o pastor que chegasse antes tivesse o direito de saciar primeiro o seu rebanho. Porém, Jediel reuniu seu rebanho e saiu. Estava muito quente e ele temeu por suas ovelhinhas. Ajoelhou-se na areia quente e orou, reclamando a promessa: “Deitar-me faz em verdes pastos, guia-me mansamente às águas tranquilas” (Salmo 23:2, ARC).
Deus ouviu sua prece e, próximo dali, ele encontrou um lugar escondido por entre as rochas, com uma fonte cristalina e pasto para suas ovelhas, além de segurança contra animais. Puderam ficar ali por alguns dias.
Jediel tinha direito sobre a primeira fonte encontrada, mas resolveu não criar encrenca. Mas Deus não desampara Seus filhos fiéis e justos e tomou o caso de Jediel em Suas mãos, providenciando-lhe um lugar muito melhor, que lhe daria pasto e água, não somente por uns momentos, mas por alguns dias.
É de corações como o de Jediel que Cristo quer encher a Terra. Corações que sabem amar e respeitar, que sabem esperar e confiar.
Bem-aventurados [felizes] os que têm fome e sede de justiça, porque serão fartos. Mateus 5:6
Elias parou debaixo de uma árvore sem folhas. Aproveitou a sombra de seu tronco. O sol vermelho como fogo abrasava a terra. O solo estava rachado pela falta de chuva. A poeira penetrava nas narinas, ferindo e sangrando.
Ele estava distante de sua terra havia três anos. Tudo parecia um imenso deserto, devido à longa estiagem. Sabia que era devido à maldade de seu povo e por adorarem a outros deuses. Precisavam daquela dura lição, pois não quiseram ouvir as advertências de Deus.
O povo estava reunido. Muitos ainda tinham dúvidas sobre o Deus verdadeiro e ele precisava mostrar a verdade. Alguns o olhavam com ódio, pois achavam que ele era o culpado do que estava ocorrendo. Outros mostravam dúvida. Outros estavam desejosos de que tudo acabasse. Outros estavam ali devido a curiosidade.
O altar a Baal fora levantado, mas seu deus não os ouvia. As pessoas esperavam alguma resposta; nada veio.
Calmamente, ele passou a arrumar o altar ao Deus do Céu. Quando tudo estava pronto, pediu que jogassem água até ficar totalmente molhado. Desperdiçariam a água que ainda restava? Daria certo a intenção daquele homem? Já não haviam perdido quase um dia todo com Baal, sem resultados? Mas obedeceram. Elias ajoelhou-se: “Responde-me, Senhor, responde-me, para que este povo saiba que Tu, Senhor, és Deus. […] Então caiu fogo do Senhor, e consumiu o holocausto, e a lenha, e as pedras, e a terra, e ainda lambeu a água que estava no rego” (1 Reis 18:37, 38). Leia novamente o verso de hoje.
Todos estavam boquiabertos. Aquilo fora impressionante demais.
Deus mostrou Sua justiça àqueles que desejavam a paz e a verdade: “O Senhor é Deus! O Senhor é Deus!” (v. 39).
Deus jamais desampara Seus filhos. E, por mais que tudo pareça nebuloso e sem solução, Ele está atento e, no momento certo, providencia o socorro. Seu amor nunca falha!
Bem-aventurados [felizes] os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia. Mateus 5:7
A notícia de que a criança de Eneias era um menino, se espalhou por toda a aldeia. O pai estava orgulhoso. Todo judeu esperava com ansiedade seu primeiro filho, e a alegria era incontida quando era um menino. Zerá seria seu nome e seria o orgulho da família.
Com o passar do tempo, a mãe percebeu que seu filho não conseguia firmar os pés. Procuraram ajuda e descobriram que ele jamais andaria. O futuro não seria bom para ele. Um aleijado jamais teria emprego.
Aquele menino, que havia sido uma alegria ao nascer, tornara-se um mendigo. Todo dia ia com dificuldade a um lugar movimentado – à porta do templo – a fim de receber alguma esmola, para sobreviver. Pobre Zerá. Suas roupas eram trapos. A carne de suas pernas era cheia de feridas e calos, por ter que se arrastar para se locomover. Estava muito magro. Sua aparência dava dó e muitos tinham nojo dele.
Certo dia, dois homens passaram por ele. Sem levantar os olhos, pediu sua esmola. Já ouvira muitas palavras indelicadas e sentia-se triste e desencorajado. Não queria ver os olhares de dó ou desdém que lhe lançavam. Os olhos de misericórdia daqueles dois homens, porém, viram nele um pobre necessitado, uma pessoa preciosa aos olhos de Deus.
– Olhe para nós – disseram (Atos 3:4).
Zerá percebeu que também eram simples, mas mostravam uma bondade sem igual. Seus olhos brilhavam com uma alegria que ele não conhecia. Um deles disse:
– “Não tenho prata nem ouro, mas o que tenho, isso te dou. Em nome de Jesus Cristo, o nazareno, levanta-te e anda” (v. 6).
Que dom precioso! Não era mais um miserável. Estava curado pelo poder e amor de Deus. Zerá não cabia em si de alegria. Entrou no templo com Pedro e João e louvou a Deus. Sua vida agora era de louvor, pois fora salvo pela graça misericordiosa de um grande Deus.
Bem-aventurados [felizes] os puros de coração, pois verão a Deus. Mateus 5:8, NVI
Muitas pessoas circulavam pelo pátio da igreja. Um sacerdote não queria aceitar os pombos de um casal pobre, porque já haviam levado desses animais no último sacrifício. O pobre casal saiu triste.
Estêvão gostava de estar na sinagoga e ouvir as histórias de seu povo. No entanto, percebia as atitudes dos líderes de sua igreja.
Entristecia-se ao ver como tratavam mal as viúvas e os pobres. Apesar de rapazote, conhecia muito bem as Escrituras e sabia que eles as interpretavam a seu modo. Isso o fez estudar com mais dedicação, pois precisava conhecer a verdade; não queria ser enganado.
Encontrou um novo “caminho”, que resgatava essas verdades. Eram chamados de Nazarenos, porque seguiam as doutrinas de um galileu de Nazaré, chamado Jesus Cristo, que havia morrido numa cruz e que diziam ser o Messias, o que viera como Cordeiro de Deus para tirar os pecados do mundo.
Estêvão pregava essas verdades com muito poder. Os líderes da sua antiga igreja não gostaram. Isso lhe custou a vida (Atos 7). Antes de morrer, pregou um sermão poderoso que impressionou um jovem fariseu chamado Saulo, que mais tarde se tornou um poderoso cristão.
Após seu sermão, Deus lhe concedeu um privilégio maravilhoso, que poucos mortais já receberam: “Eis que vejo os Céus abertos e o Filho do homem, em pé à destra de Deus” (v. 56). Deus lhe dava o conforto de Sua presença.
Estêvão pode não ter tido um fim digno neste mundo. Mas, com certeza, quando Cristo vier, ele será um daqueles que os anjos irão buscar em seu túmulo e levar a Jesus. Que grande dia será aquele! Quero estar lá e conhecer Estêvão e vê-lo abraçar Jesus, grato por sua salvação.
Bem-aventurados [felizes] os pacificadores, porque serão chamados filhos de Deus. Mateus 5:9
Jemima olhava assustada, enquanto seu irmãozinho de oito dias era circuncidado. Tratava-se de uma pequena cirurgia que consistia em cortar o prepúcio do órgão genital masculino. Ele chorava nos braços do pai. A menina perguntou à mãe por que precisavam fazer aquilo.
A mamãe explicou que esse era um ritual que Deus estabelecera como aliança entre Ele e Abraão e a sua descendência (Gênesis 17:10) Quem não cumprisse seria excluído do meio do povo de Israel.
Quando Jesus morreu na cruz e os judeus O rejeitaram como Senhor e Salvador, a nobre missão de povo escolhido para levar as boas-novas às pessoas passou a todos os que O aceitassem. Muitos gentios aceitaram. Os judeus cristãos acreditavam que os que se juntavam a eles deviam passar pelo mesmo ritual do irmãozinho de Jemima. Mas os gentios achavam que não deviam seguir os costumes dos judeus e que a salvação não dependia disso, mas de aceitar Jesus como Salvador. Isso criou uma enorme discussão entre eles (Atos 15).
Só porque pensamos diferente não quer dizer que os outros estejam errados. Devemos apelar para o Espírito de Deus para que nos dê sabedoria e discernimento. Então, Ele abrirá nossa mente para o que for correto. Para isso, precisamos de amor e humildade.
Um homem idoso levantou para falar e seu parecer era muito sábio (v. 7-11), e “toda a multidão silenciou” (v. 12). Você sabe quem era esse homem? Era Pedro, o que cortara a orelha do servo do sacerdote (João 18:10), que perguntou a Jesus quantas vezes deveria perdoar seu irmão (Mateus 18:21). Que diferença, não!? Um encrenqueiro e impulsivo se tornara um pacificador.
Cristo faz maravilhas em nós. Se você é briguento (a), Ele poderá torná-lo(a) uma pessoa mansa e humilde. Acredite e deixe-O transformar você.
Bem-aventurados [felizes] os perseguidos por causa da justiça, porque deles é o reino dos Céus. Mateus 5:10
Ele era um homem simples, mas suas palavras alcançavam o coração de todos, humildes e mais cultos. Levantava-se sem medo e, de maneira firme, falava àqueles que vinham ouvi-lo. Ninguém ousava interrompê-lo. Suas atitudes e maneira de viver impunham grande respeito. Era justo e reto. Isso lhe dava autoridade para falar e ser ouvido.
Certo dia, dirigiu-se à cidade de Cesareia e viu que a comitiva do rei Herodes estava passando. Apressou o passo e procurou chegar perto do rei e da rainha, que se chamava Herodias.
Ao se aproximar, os soldados quiseram detê-lo, pois ele parecia querer falar algo ao rei. Com um olhar penetrante, mirou-os, e eles baixaram as armas, deixando-o passar.
Chegou bem perto do casal real e, com firmeza e severidade, olhou para o rei e disse: “Não te é lícito possuir a mulher de teu irmão” (Marcos 6:18).
O casal ficou furioso. Como aquele homem ousava invadir sua privacidade e falar-lhes daquela maneira? Quem ele pensava que era?
Ele era o servo do Deus vivo. Aquele que preparava o caminho do Filho de Deus. Sua mensagem vinha do Céu a um governante que negligenciava obedecer a Deus pelo amor ao poder e aos prazeres.
Sua coragem lhe custou a vida (Marcos 6:24). Ele não temeu. João Batista sabia que sua recompensa estava em servir ao seu Senhor, e isso ele faria. Algo maior e melhor o esperava, e era isso que ele desejava.
Não devo temer por minha vida se estou no caminho da justiça. Jesus quer minha obediência às Suas leis e à Sua vontade. Se O seguir de coração, terei a vida eterna me esperando.
Bem-aventurados [felizes] sois quando, por Minha causa, vos injuriarem, e vos perseguirem, e, mentindo, disserem todo mal contra vós. Mateus 5:11
Com a cabeça rapada, entrou na igreja com sua oferta. Esperou com seus amigos os dias necessários até que todas as ofertas fossem apresentadas.
Alguns judeus estavam dizendo que ele ensinava coisas contrárias às leis do seu povo. Para provar que não era assim, ele assumiu tal compromisso.
Mas, ao verem-no no templo, “alvoroçaram todo o povo e o agarraram, gritando: […] Este é o homem que por toda parte ensina todos a serem contra o povo, contra a lei e contra este lugar, ainda mais, introduziu até gregos no templo e profanou este recinto sagrado” (Atos 21:27, 28).
Pobre Paulo! Já fora preso, apedrejado, açoitado e sofrido muitas injustiças por causa de seu amor a Cristo. Agora, seus irmãos judeus o jogaram para fora do templo e, se não fossem os soldados romanos, o teriam matado.
Veja de que eles o acusavam:
1. “Ensina todos a serem contra o povo”. Mas ele amava seu povo e queria que todos conhecessem o evangelho;
2. “Ensina a todos contra a lei”. Ao contrário, ele tentou, como Cristo, resgatar a lei de Deus no coração deles. Como rejeitassem, passou a ensiná-la aos gentios;
3. “Ensina a todos contra este lugar […] e profanou este recinto sagrado”. Não era verdade. Ele ensinou que o amor de Deus é para todos e não só para os judeus. Eles deveriam levar a mensagem de salvação a todos os povos. Ao eles rejeitarem Cristo, o direito de povo separado passou a todos os que aceitassem a Jesus.
Essas mentiras, levaram Paulo à prisão. Ele ficou dois anos preso em Roma, junto a um soldado. Mas Deus lhe deu poder para, mesmo em cativeiro, pregar sobre o amor de Deus e a salvação por meio de Jesus. E que privilégio tiveram os soldados que cumpriram turno junto a Paulo!
Não precisamos temer as injúrias e os sofrimentos. Jesus sofreu muito mais por mim e por você.
Pai nosso, que estás nos Céus, santificado seja o Teu nome. Mateus 6:9
Eu vi uma porta aberta e alguém, com a voz firme, convidou-me a entrar.
Era um grande salão, muito iluminado. O chão parecia de cristal, tão branco e transparente era. Havia também um grande trono bem no centro e, em volta desse trono central, mais vinte e quatro tronos.
Aquele que estava sentado no trono central tinha uma aparência tão majestosa, que nunca tinha visto nada igual. Parecia tão justo e íntegro e o Seu rosto brilhava como pedras preciosas. Impressionei-me. Ao redor do Seu trono havia uma luz muito forte e colorida, parecendo um arco-íris. Era muito bonito.
Em frente aos tronos havia sete lâmpadas acesas, cuja luz se refletia no chão de cristal. Efeitos especiais me fizeram olhar de volta ao trono central. Relâmpagos e estrondos como o de trovões, e outros sons muito fortes, saíam do trono. Tudo ali era muito solene.
Os que se assentavam nos outros tronos pareciam príncipes, pois tinham coroas na cabeça.
Algo mais me impressionou. Eu nunca tinha visto algo semelhante. Em volta do trono, havia um ser parecido com leão; outro com touro; outro parecia um homem; e um quarto se assemelhava a uma águia. O interessante é que eles tinham olhos por todo o corpo e cada um deles tinha seis asas. Pareciam guardiães e cantavam uma canção o tempo todo. Cada vez que eles cantavam, os que estavam nos tronos tiravam suas coroas e as colocavam diante do grande Rei, inclinando-se e adorando-O.
Era muito impressionante a forma como aqueles seres honravam o que estava sentado no trono central. Era o mais santo, justo, puro e magnífico que existia.
Essa foi a visão que João teve de Deus em Apocalipse 4. É de tirar o fôlego, não? Você já pensou que se aqueles seres que vivem diante dEle O respeitam assim, quanto mais nós, pecadores! Devemos ir até Ele com um respeito muito maior.
Venha o Teu Reino. Mateus 6:10
Um homem se aproxima, trazendo um rapaz que parecia muito doente.
– Onde está Jesus? Preciso falar com ele.
– Jesus não está. Em que podemos ajudá-lo? Somos Seus discípulos.
– Meu filho está muito doente e tem sofrido muito.
Um dos discípulos se aproxima do rapaz e solicita sua cura em nome de Jesus. O discípulo diz ao pai que tudo está bem e ele pode ir para casa. O homem sai feliz e agradecido. Mas, a pouca distância dali, o rapaz cai no chão e começa a se contorcer e espumar. Uma multidão se reúne e alguns comentam o acontecido.
O pai voltou arrasado para perto dos discípulos e, junto com ele, a multidão. Alguns escribas presenciaram a cena e aproveitaram para criticar. Diziam à multidão que aqueles homens e seu Mestre eram impostores. Os discípulos ficaram chocados. Jesus os havia capacitado a curar e já haviam feito isso antes. O que estava acontecendo? Deduziram que faltava ao pai mais fé e discutiam a respeito com os escribas. Nesse momento, Jesus Se aproxima com Pedro, Tiago e João.
– O que está havendo? – Ele pergunta.
– Senhor, meu filho está muito doente e eu o trouxe aos seus discípulos, mas nada puderam fazer. Se o Senhor puder fazer algo, ajuda-nos (Mateus 17).
– Ó geração de pessoas sem fé e cheias de maldade! Até quando estarei com vocês?
É claro que Jesus podia e fez. Entregou o rapaz curado ao seu pai.
Este é o mundo em que vivemos: cheio de violência, dor, desentendimentos, doenças, maldades, falta de fé. Cristo veio para mostrar que o mundo que Ele tem para nós é muito melhor, mas precisamos querer e confiar.
Os discípulos Lhe perguntaram o porquê de não terem conseguido curar o rapaz. Jesus lhes respondeu que só através de muita oração e jejum é que conseguiriam.
Se desejamos o reino de Deus, vamos pedir-Lhe insistentemente, acreditar e fazer de tudo para tê-lo. Então, começaremos a receber porções dele, ainda neste mundo.
Seja feita a Tua vontade, assim na Terra como no Céu. Mateus 6:10, NVI
–Natã, não me sinto confortável tendo uma casa como essa para morar e saber que a arca de Deus está numa tenda. Gostaria de fazer um grande templo; a mais imponente construção que os homens já viram. Mais formidável que os templos egípcios.
Naquela mesma noite, Deus visitou Natã e lhe pediu para dizer a Davi que Ele havia abençoado todos os seus passos e estabelecido seu nome e seu trono. Estaria com ele e lhe faria descansar em paz, e seu filho Salomão, que viria depois dele, é quem lhe construiria uma Casa. Mas Deus lhe deu graça e sabedoria a fim de que fizesse a planta do templo e a entregasse mais tarde a seu filho.
Antes de morrer, Davi fez a contabilidade de tudo o que havia preparado para a construção da Casa do Senhor: cem mil talentos de ouro, um milhão de talentos de prata, bronze e ferro em quantidade tão grande que não podiam ser pesados, muita madeira e pedras.
Fez um levantamento de todos os operários capacitados para fazer um trabalho de primeira qualidade. Chamou então seu filho Salomão e lhe entregou tudo. Ordenou-lhe fazer a Casa do Senhor, porque Deus havia lhe dado tal privilégio.
Davi abdicou do seu maior sonho porque Deus havia lhe dito que ele não construiria o templo. Ele obedeceu porque sabia que, se não tivesse as bênçãos de Deus, de nada adiantaria realizar o sonho de sua vida. Ele não viveu para ver seu projeto pronto, mas descansou sabendo que Deus aprovara suas intenções.
Deus disse que a obediência era muito mais importante que sacrifícios. Em outras palavras: mais importante que nossas ofertas, nossas boas intenções e vontade de fazer o bem. Se você não aprender a obedecer, nunca será um bom servo. E a obediência começa em casa, quando aprendemos a ouvir e atender nossos pais.
Esta foi uma importante lição que Jesus quis ensinar na oração do Pai Nosso: “Seja feita a Tua vontade”.
O pão nosso de cada dia dá-nos hoje. Mateus 6:11
A mulher estava fora de casa ajudando uma serva a moer o trigo quando viu que um homem se aproximava. Parecia cansado e desfalecido. Ao se aproximar, convidou-o a entrar e descansar um pouco. Preparou-lhe uma refeição e um lugar aconchegante para descansar. O homem refeito agradeceu e partiu. No entanto, ela percebeu que ele passava muitas vezes por ali e que era uma pessoa bondosa e especial.
– Querido, vejo que esse homem que passa por aqui é um homem de Deus. Por que não lhe fazemos um quarto? Assim, cada vez que passar, poderá ficar à noite para repousar.
O esposo concordou. O homem de Deus percebeu que eles não tinham filhos e orou a Deus para que lhes concedesse essa bênção. A oração foi ouvida e um menino nasceu. Porém, quando ele já estava grande, ficou doente repentinamente e faleceu. Coincidiu que Eliseu, o homem de Deus, passava por ali. Com tristeza, recebeu a notícia. Aquela era uma bondosa família e ele pediu a Deus que lhes devolvesse o filho. Deus ouviu sua oração.
Em outra ocasião, Deus avisou Eliseu que uma grande fome viria à terra de Israel e duraria sete anos. Eliseu pensou na querida família que sempre o acolhera com tanta bondade e amor e resolveu avisá-los a fim de que não sofressem.
– Mudem-se para outra região porque aqui haverá fome.
A mulher e sua família foram para a terra dos filisteus, onde tiveram alimento e uma boa condição de vida, enquanto muitos morriam de fome em sua terra.
Deus abençoou a bondade daquela família. Assim como haviam suprido as necessidades do Seu servo, Ele também supriu as necessidades dela.
Deus sabe do que necessitamos. Só precisamos confiar e deixar que Ele esteja no comando. Não precisamos duvidar de Sua bondade e amor por nós.
Perdoa-nos as nossas dívidas. Mateus 6:12
–Vamos seus preguiçosos, trabalhem!
– Já estou cansado desta vida de escravo. Se ao menos houvesse um jeito da gente fugir!
– Pra onde? Para o deserto? Para as montanhas cheias de animais ferozes? Estamos encurralados aqui.
– Quem é aquele lá?
– Um dos príncipes. Dizem que ele foi achado no rio Nilo pela filha de Faraó e foi criado por uma hebréia. Ele é um dos prediletos de Tutmés. Dizem que pode herdar o trono.
– Isso se aquela raposa não viver duzentos anos, só para não passar o trono a alguém!
– Ei, vocês dois, parem de conversar. Ou querem passar a noite trabalhando?
O oficial levantou o chicote para dar nos dois, mas um deles o segurou. Furioso, o oficial começou a surrá-lo com violência. O príncipe viu aquilo e correu para lá. Num golpe certeiro, matou o oficial egípcio. Era um canto isolado e ele, assustado, enterrou o corpo ali mesmo, para que ninguém descobrisse. No dia seguinte, viu dois hebreus brigando e foi separá-los. Um deles reclamou do seu senso de justiça: “Está querendo me matar como matou o egípcio?” (Êxodo 2:14, NTLH).
O príncipe Moisés sentiu que seria perigoso continuar no Egito e fugiu. Pensou quão tolo fora. Como pôde decepcionar a Deus? Não era digno da missão de livrar seu povo. Uma culpa atroz o perseguiu por muito tempo e, por mais que pedisse perdão, não conseguia sentir-se perdoado. Deus trabalhou em seu coração e mostrou-lhe o quanto queria aliviar-lhe a carga. Seu coração sentiu-se em paz e Deus pôde, então, chamá-lo para a grande missão.
A maior certeza que Moisés poderia ter recebido de que Deus perdoa não foi a de guiar o povo de Israel, mas de morar com Ele em Seu reino (Judas 9; Mateus 17). Isso mostra que, para Deus, não há pecado grande ou pequeno que não possa ser perdoado. Ele conhece o coração e deseja conceder o alívio necessário.
Perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores. Mateus 6:12, ARC
Jessé chegou em casa muito nervoso. Seu pai percebeu e o chamou.
– Eu odeio Eleazar. Nunca mais vou brincar com ele.
– O que houve?
– Ele novamente me empurrou e me derrubou. Suas brincadeiras são estúpidas e eu não gosto dele.
– Você deveria perdoá-lo por isso. Ele não recebeu a mesma educação que você.
– Eu já cansei de perdoá-lo. E ele não merece perdão.
– Venha cá, filho. Vou lhe contar uma história que ouvi de Jesus.
Um rei estava checando suas contas. O cofre real necessitava de entradas e era hora de cobrar os devedores. Encontrou um dos seus servos que lhe devia uma quantia bastante alta havia muito tempo. O rei mandou chamá-lo e cobrou-o. Este não tinha o dinheiro no momento. Então, o rei mandou colocá-lo na prisão até que a dívida fosse paga. Afinal, ele já tivera bastante tempo para pagar e não o fizera. O servo ajoelhou-se e suplicou misericórdia. Ele disse que pagaria tudo. O rei sentiu-se tocado e lhe perdoou a dívida. O servo saiu aliviado. Mas, ao chegar à rua, encontrou-se com alguém que lhe devia uma pequena quantia. Pegou a pessoa pelo pescoço e disse-lhe que, se não pagasse, iria mandá-lo para a prisão. O devedor implorou que o deixasse livre e ele pagaria tudo. Estava trabalhando para isso e, assim que reunisse o dinheiro, lhe levaria. Mas o servo do rei não quis ouvi-lo, antes o prendeu. Isso chegou aos ouvidos do rei.
Indignado, ele mandou chamar seu servo. Como ele não podia perdoar se recebera tão grande perdão? Por que tratara o outro com tanta injustiça? Não merecia o favor que o rei lhe dera. Por isso, o rei mandou prendê-lo até que lhe pagasse tudo o que devia.
O que você acha da atitude do rei e do servo que não soube perdoar?
Gostaria que, durante o dia de hoje, você pensasse sobre isso. Será que de alguma forma eu me encaixo nessa história?
Perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores. Mateus 6:12, ARC
– Então, Jessé, o que você achou da história?
– O rei foi duro, não foi, papai? Mas o servo mereceu. Afinal, se o rei havia lhe perdoado, por que ele não poderia perdoar a dívida do outro?
– Pois é, meu filho, quando você desobedece a Deus, briga com seu irmão, se desentende com seus colegas, você contrai uma dívida diante de Deus.
– Então, pai, estou como o servo da história! Devendo muito!
– Sim, mas Deus está disposto a nos perdoar tudo, basta Lhe pedirmos.
– Como o rei da história?
– Sim.
– Já entendi. Assim como Ele perdoa a minha dívida que é grande, por que não posso perdoar Eleazar por algo tão banal, perto de tudo o que eu faço?
– Vejo que você entendeu mesmo. Então, é só praticar.
– Puxa, pai, que bom que Deus não é como a gente!
– Mas você se lembra do fim da história? Quando o servo não perdoou seu devedor, o rei retirou sua bondade. Se nós não soubermos usar de misericórdia para com os outros, Deus também não a usará para conosco.
Às vezes, achamos difícil perdoar. Mas Deus quer que exerçamos esse dom, mesmo que pareça impossível fazê-lo. Mesmo que seu melhor amigo o tenha traído, que tenham falado mentiras sobre você, que tenha recebido algum castigo de seus pais que você acha ter sido injusto, que seu professor não lhe deu a nota que você merecia, que seu irmão implique com você constantemente e o deixe irritado.
Exercer misericórdia não é fácil por nós mesmos. Precisamos de ajuda e Deus nos oferece seu Espírito. Ele nos dará condições de ver as coisas de outra forma e também nos dará um coração manso e bondoso. Então, nem nos preocuparemos em contar quantas vezes nos ofenderam.
Não nos deixes cair em tentação, mas livra-nos do mal. Mateus 6:13
Tudo ali era diferente. Havia muitas praças e jardins. Os edifícios eram belos; as ruas amplas e o povo muito cordial. Não eram tratados exatamente como escravos. Foram morar no palácio real. O objetivo do rei era educá-los nos costumes do seu povo, a fim de que eles se sentissem parte desse povo e não provocassem insurreições.
Daniel, Misael, Ananias e Azarias eram muito jovens, adolescentes ainda. Estavam diante de uma nova civilização, novos costumes, outra religião. Estavam assustados porque não sabiam o que os esperava.
Eles ficaram impressionados: tinham as melhores roupas, cômodos luxuosos para morar, acesso a todas as comodidades dos melhores súditos do reino, e ainda tomavam as refeições na sala do rei. Até a comida era a mesma que ele comia. O que mais “escravos” poderiam querer? No entanto, o que nem todos perceberam era que essa era uma estratégia do rei para que eles se tornassem “obedientes”.
Daniel e seus três amigos, porém, perceberam e decidiram que não iriam fazer nada que pusesse em perigo sua saúde e salvação.
A primeira prova: a mesa estava farta, mas muito daquele alimento era impróprio para a saúde. Muita carne considerada imunda, comidas gordurosas e excessivamente temperadas, guloseimas sem fim, bebidas alcoólicas. Muitos daqueles pratos pareciam apetitosos, mas eles sabiam que o olho nem sempre tem bom-senso e a mente deve controlá-lo. Resolveram que não cederiam à tentação. Preferiram comer uma comida simples e saudável, mesmo que fosse contra a ordem do rei, e Deus os recompensou. Foram considerados muito mais sábios e preparados que muitos dos seus amigos que haviam frequentado com eles as mesmas escolas em Judá e em Babilônia (Daniel 1).
Isso pode parecer sem importância, mas quando cuidamos do nosso corpo e da nossa mente o Espírito Santo pode habitar em nós e é só dEle que vem a verdadeira sabedoria.
Porque Teu é o reino, e o poder, e a glória, para sempre. Mateus 6:13, ARC
–Mestre, olhe! É a nossa oportunidade! Temos conosco os melhores generais de todos os tempos. Podemos reuni-los todos sob seu comando e ninguém nos vencerá.
Ele olhou à sua volta e suas esperanças renasceram. Era esse o momento que esperara e agora podia vencer. Finalmente seu dia chegara. Reuniu todos os grandes e poderosos sedentos por poder e lhes revelou sua estratégia. Fora sob sua inspiração que aqueles homens conquistaram fama e espaço; e agora os tinha todos de uma só vez. Mente-lhes, pois é o “pai da mentira”, dizendo que foi seu poder que os tirou da sepultura e usa seu poder e energia para fazê-los acreditar nele. Mostra-lhes que será possível marchar contra a cidade que viram descer do Céu e contra seu Príncipe, e vencê-los.
– Eles estão em muito menor número que nós, e não será difícil a vitória. Vocês são experientes e já conquistaram muitas batalhas difíceis. Agora, juntos, poderemos facilmente vencer.
“Todos imediatamente começam a preparar-se para a batalha. […] Chefes militares […] arregimentam em companhias […] as multidões. […] Finalmente é dada a ordem de avançar, e o inumerável exército se põe em movimento. […] Satanás, o mais forte dos guerreiros, toma a dianteira. […] Com precisão militar […] avançam […] em direção à cidade de Deus” (Ellen G. White, O Grande Conflito, p. 664).
Mas, nesse momento, Cristo aparece em toda a Sua glória e a multidão de salvos se prepara para Sua coroação. Não há como descrever Seu poder e majestade. Ele passa diante dos ímpios toda a vida de pecados deles. Estes veem que foram enganados por Satanás e agora se voltam contra ele. “Nas chamas purificadoras os ímpios são finalmente destruídos, raiz [Satanás] e ramos [seus seguidores]” (ibid., p. 673).
Nada subsistirá ao poder de Deus. Ele reivindicará Seu lugar diante do Universo e o mundo reconhecerá Sua majestade. A Terra estará em paz para sempre. Amém!
Vós sois a luz do mundo. Mateus 5:14
–Milca, meu cabelo está bem? Meu vestido está bonito?
– Está tudo bem, Suá. Você já se olhou no espelho muitas vezes. Vamos, se não sairmos logo, chegaremos atrasadas.
Na festa, a conversa girou em torno de roupas, costureira, o tecido usado, arrumação dos cabelos, os presentes, a arrumação do salão, os rapazes, o namorado de fulana, a namorada de beltrano, etc. O tempo passava e os noivos não chegavam. O que teria acontecido?
Cada um acomodou-se para esperar. Suá ficou preocupada:
– Se eles demorarem mais, minha lâmpada se apagará. Você me apressou tanto que esqueci de pegar mais óleo para colocar nela.
– Não me culpe. Foi você quem se enrolou para sair.
Todos estavam cansados da demora. Cada um acomodou-se num canto. A maioria dormiu.
As damas de companhia também não aguentaram e adormeceram. Próximo à meia-noite, alguém entrou agitado no salão:
– Os noivos estavam chegando!
Suá acordou assustada. Seu vestido amassara todo; seu cabelo estava desajeitado. Procurou sua lâmpada. Onde estava? Achou-a, mas estava apagada. E o pior: não tinha mais óleo. Correu até sua amiga e pediu-lhe um pouco emprestado.
– Acabei de colocar o óleo reserva e é o suficiente para o trajeto que os noivos farão. Sara, Ana, Quezia e Hadassa vão tentar comprar no comércio aqui perto. Por que não vai com elas?
Quando voltaram, a festa já havia começado e não puderam entrar. Perderam o mais importante (Mateus 25:1-13).
Como nos parecemos com essas moças! Preocupamo-nos com tantas coisas, mas o que realmente importa, deixamos para trás. Se não soubermos colocar o mais importante em primeiro lugar, perderemos muitas coisas boas em nossa vida e a principal delas: o Céu; além de deixarmos muita gente no escuro.
O que é mais importante para você? Pense nisso.
Jesus é a nossa luz e, sem Ele, estaremos em plena escuridão, deixando outros na mesma condição.
Eu me alegrei em todo o meu trabalho; essa foi a recompensa de todo o meu esforço. Eclesiastes 2:10, NVI
Marcos passou o arado e a terra ficou fofa. Pegou as sementes e as espalhou pela terra.
Os pássaros logo vieram colher aquelas que caíam fora da terra preparada.
Descuidou-se e deixou algumas caírem entre as pedras que ele havia tirado e colocado do lado para não quebrar o arado.
Havia mato em volta da lavoura, onde cresciam ervas daninhas e espinheiros. Algumas sementes também foram se alojar ali.
Ao caírem as primeiras chuvas, os grãos se abriram e deixaram sair os brotos. Marcos ficou feliz em ver que as plantas nasciam uniformes.
Vez ou outra tinha que tirar algum mato que nascia, mas fazia isso com prazer, porque dali sairia o sustento da sua família.
Notou que as sementes que caíram entre as pedras também nasceram, mas mirradas e fracas, e não resistiram ao calor do sol. Ao capinar em volta da roça, para o mato não avançar para dentro dela, viu que muitos pezinhos de trigo estavam tentando romper as barreiras de espinheiros e ervas daninhas. Mas, como já estavam grandes quando as sementes caíram entre eles, não conseguiam desenvolver-se.
Marcos tirou o que pôde em volta delas, mas os espinheiros as sufocavam novamente. Ficou feliz, porém, ao olhar em volta e ver que as sementes que haviam caído na terra preparada estavam bonitas e prometiam uma ótima colheita.
Ele analisou seu trabalho: fora descuidado ao desperdiçar as sementes que caíram fora da terra preparada. Elas poderiam ter sido poupadas para o plantio seguinte. Decidiu que tomaria mais cuidado da próxima vez.
Muitas vezes somos relapsos ao fazer nossos trabalhos e não pensamos que o descuido pode trazer prejuízo para nós e para os outros.
Devemos analisar nossos métodos e a vontade em fazer as coisas e procurar melhorar sempre, para que os resultados sejam satisfatórios.
Quem tem ouvidos para ouvir, ouça. Mateus 13:9
Marcos se misturou à multidão e sentou-se. Havia ali donas de casa, comerciantes, pescadores, soldados, crianças e agricultores como ele. Queria muito ouvir o Mestre da Galiléia. Ele começou a falar: “Ouçam! O semeador saiu a semear. Enquanto lançava a semente, parte dela caiu à beira do caminho, e as aves vieram e a comeram. Parte dela caiu em terreno pedregoso. […] Mas quando saiu o sol, as plantas se queimaram e secaram, porque não tinham raiz. Outra parte caiu entre espinhos, que cresceram e sufocaram as plantas. […]
Outra ainda caiu em boa terra, germinou, cresceu e deu boa colheita, a trinta, sessenta e até cem por um” (Marcos 4:3-8, NVI).
Marcos lembrou-se do seu trabalho. Parece que o Mestre o observara. Mas o que Ele queria dizer com isso? Viu que os discípulos O procuraram, quando a multidão começou a sair. Iriam perguntar-Lhe sobre as sementes? Ele “esticou” o ouvido.
– O que o Senhor quis dizer com a história das sementes?
– “Bem-aventurados, porém, os vossos olhos, porque veem; e os vossos ouvidos, porque ouvem. Atendei vós, pois, à parábola do semeador. A todos os que ouvem a palavra do reino e não a compreendem, vem o maligno e arrebata o que lhes foi semeado no coração. Este é o que foi semeado à beira do caminho. O que foi semeado em solo rochoso, esse é o que ouve a Palavra e a recebe logo, com alegria. […] Em lhe chegando a angústia ou a perseguição por causa da Palavra, logo se escandaliza. O que foi semeado entre os espinhos é o que ouve a Palavra, porém os cuidados do mundo e a fascinação das riquezas sufocam a Palavra, e fica infrutífera. Mas o que foi semeado em boa terra é o que ouve a Palavra e a compreende; este frutifica e produz a cem, a sessenta e a trinta por um” (Mateus 13:16, 18-23).
Marcos entendeu a importância de ter o coração preparado para ouvir a Palavra de Deus. Não queria que os cuidados deste mundo, as facilidades, as dificuldades, atrapalhassem seu crescimento espiritual. Queria ser uma “terra bem preparada” e falar aos outros dessa verdade. Sabia, também, que essa “semente” era preciosa e não poderia desperdiçá-la com quem não quisesse recebê-la.
Que tipo de “solo” tem o seu coração? Está bem preparado para ouvir Jesus e dar muito fruto?
Ouça o sábio e cresça em prudência. Provérbios 1:5
Jesus sentou-Se e falou:
– Um fazendeiro com seus servos preparou o campo, separou a semente e plantou. Depois de árduo trabalho, exaustos se recolheram para dormir.
Na escuridão da noite, um vizinho invejoso e maldoso, jogou no campo do fazendeiro sementes de uma outra planta. Quando começaram a crescer, o fazendeiro percebeu que nem tudo ali era trigo e imaginou o que havia acontecido.
Seus servos também perceberam e perguntaram:
– Não plantamos sementes boas e selecionadas? Fomos enganados?
O fazendeiro explicou-lhes que a semente que plantaram era boa, mas um inimigo semeara uma semente ruim para atrapalhar a colheita.
Pediram-lhe, então, para arrancar a planta daninha. Mas ele lhes disse que deixassem crescer juntas, pois, se arrancassem agora, tirariam a boa também.
No tempo de colheita, mandou que os ceifeiros tirassem primeiro a planta intrusa, a ajuntassem em montões e a queimassem, e só então colhessem o trigo.
Você não acha que o fazendeiro foi prejudicado em sua colheita? A erva daninha crescendo junto com a planta boa rouba-lhe o alimento da terra, encobre-lhe o sol; enfim, enfraquece a planta. É difícil tirá-la, pois se enraíza com a planta boa. Ao puxarmos uma, vem a outra também.
Você consegue imaginar algo que seja parecido com isso? Eu lhe digo: é o pecado. Ele pode vir na forma de um amigo, prazer, etc. Sabe, às vezes, ele é tão sutil e enganador e se enraíza de tal forma em nosso coração, misturando-se com as coisas boas, que nem percebemos que ele está lá. Somente o Espírito Santo pode nos mostrar a “cara” do pecado e Cristo nos dar força para resistir-lhe. Portanto, peça força e sabedoria antes que o pecado o sufoque.
O justo florescerá como a palmeira, crescerá como o cedro no Líbano. Salmo 92:12
Você se lembra da história de ontem? Os discípulos pediram que Jesus a explicasse.
– O fazendeiro é o Filho do homem. O campo é o mundo. As boas sementes são os filhos do reino. As plantas intrusas são os filhos do maligno. E o inimigo que as semeou é Satanás. A ceifa é o fim do mundo. Os ceifeiros são os anjos. Assim como a planta intrusa é colhida e queimada, assim será no fim dos tempos. O Filho do homem mandará Seus anjos colherem aqueles que cometem iniquidade para serem lançados no fogo, enquanto “os justos resplandecerão como o sol” (Mateus 13:43).
Somos as plantas no grande campo. Na escola, na vizinhança, na Escola Sabatina, no clube de Desbravadores, há muitas plantas intrusas que o inimigo coloca no mesmo espaço que o nosso para tentar atrapalhar nosso crescimento espiritual. Ele quer que fiquemos fracos, sem raízes profundas, para não alcançarmos o alimento que precisamos. Mas temos que nos manter firmes em Jesus, nosso Sol. Se olharmos sempre para Ele, a sombra do pecado não nos definhará.
Um dia, essas plantas intrusas serão arrancadas e lançadas no fogo. Por que Deus não as tira antes que elas possam atrapalhar? Porque nossas raízes podem estar fracas e corremos o risco de sermos arrancados também, e isso Ele não quer.
Ele deseja que você seja forte em Sua graça. A Bíblia e a oração ajudarão você a se manter distante daqueles que podem atrapalhar seu crescimento nEle. Portanto, leia a Palavra de Deus e ore.
O desejo de Cristo é fortalecê-lo e lhe dar sabedoria. Ele é o dono do campo e quer o melhor para Suas plantas. Afinal, você não foi plantado por Ele? Então, confie. Ele o ajudará. Um dia, todas as coisas se esclarecerão e você terá a recompensa, se for fiel.
Quão doces são as Tuas palavras ao meu paladar! Mais que o mel à minha boca. Salmo 119:103
Misael achou que seria uma boa ideia arrendar o campo de seu vizinho, para ver se as coisas melhorariam. Colocou os bois no arado e lavrou o solo. Em dado momento, o arado parou de repente. Havia enroscado em algo.
– Ah, não! Mais uma daquelas imensas pedras! Assim meu trabalho não vai render.
Puxou os bois para o lado e foi verificar o local. Não parecia ser pedra e sim um baú. Rapidamente cavou em volta e, com dificuldade, o desenterrou. Abriu a caixa e, surpreso, viu que dentro havia um tesouro imenso. Não podia se conter. Levantou-se, andou de um lado para outro. O que faria? Precisava adquiri-lo. Compraria o campo. Mas como? Não possuía o dinheiro. Fez algumas contas rápidas e percebeu que, se vendesse o que tinha, poderia comprá-lo. Sua esposa achou que ele estava ficando louco. Mas ele sabia que lá estava o futuro de sua família, e foi em frente. Vendeu tudo o que tinha e comprou o campo. O tesouro agora era seu.
Cristo disse que “o reino dos Céus é semelhante a este tesouro escondido” (Mateus 13:44). Quem não gosta de sonhar com um tesouro? Pois temos um ao nosso alcance: é a Palavra de Deus. Mas, para obtê-lo, temos que procurar, cavar fundo, limpar em volta. Ah! E quão prazeroso é encontrar seu conteúdo! Que alegria ao coração! Que paz à alma! Quão ricos são seus ensinamentos!
Você já experimentou “cavar” na Palavra de Deus para encontrar os tesouros que ali estão escondidos para você? Sim, para você! Deus guardou ricas e preciosas gemas que você poderá encontrar, mas terá que buscar. Dá trabalho, mas vale a pena. Seu Espírito o ajudará, mas você terá que começar. Vá em frente e veja como é gostosa essa aventura!
O reino dos Céus é semelhante a uma rede lançada ao mar e que apanha toda qualidade de peixes. Mateus 13:47, ARC
Josiel viu seu pai se aproximar da praia. O barco vinha devagar. Sinal de que estava cheio. Teria bastante trabalho. Ajudou o pai a puxar o barco e tirar as redes. Começaram, então, a separar os peixes. Josiel falou:
– Bem que a rede poderia trazer somente peixes bons. Perdemos tanto tempo em tirar peixes que não nos servirão. E temos mais trabalho para levar o barco até a praia! Sem contar os peixes que machucam nossa mão com seus espinhos.
– Seria muito melhor se a rede já fizesse a separação. Mas temos que trabalhar, se quisermos que os nossos peixes tenham um bom preço no mercado. Por isso, mãos à obra.
– O senhor já tem tanto trabalho em ir de madrugada para o mar, chega cansado, tem que separar os peixes e levá-los à feira; e ainda ouvir seu filho reclamando. Sinto muito.
O pai abraçou Josiel e sentou-se ao seu lado.
– Filho, isso me lembra o último sábado. Você chegou da igreja chateado com o Joaquim. Disse que ele não era bom e que estragava tudo ao redor e que não deveria estar lá. Quando Jesus estava entre nós, Ele falou sobre isso (Mateus 13). Sabe, a igreja é como a rede. Ao lançá-la ao mar, não sei que peixes virão, mas preciso lançá-la. Tenho que pescar. Jesus nos deu a missão de levar essa mensagem a todo o mundo. Não sei que pessoas aceitarão. Algumas serão boas e nos ajudarão a crescer na fé, outras serão como uma pedra de tropeço. Mas eu preciso levar a mensagem a todos. Um dia, Cristo virá novamente e, então, Ele fará a separação. Até lá, terei que conviver com o que é bom e o que não é. Por isso, preciso ter a Palavra de Deus sempre diante de mim para saber o certo e o errado, para não cair e assim ser jogado ao mar, como os peixes que não nos servem.
– Quero ser o bom peixe, pai. Não quero que Jesus me jogue fora.
– Então, cumpra seu dever de bom filho do Pai celestial.
– Obrigado, pai! Foi uma ótima lição.
O reino dos Céus é semelhante a um que negocia e procura boas pérolas. Mateus 13:45
Alli vasculhou a área até quanto aguentou seu pulmão. Frustrado, subiu à superfície. Precisava encontrar uma pérola. Sua família dependia do seu trabalho. Mergulhou de novo. E assim fez até perceber que a maré subia. Voltou chateado para casa. Isso já acontecia havia alguns dias. E assim foi uma semana, duas, três. Sua esposa sugeriu que procurasse um outro emprego. Precisavam sobreviver. Alli prometeu que tentaria mais uma semana. Se não encontrasse, procuraria outro emprego.
No terceiro dia daquela semana, viu algo entre alguns corais. Sim, era uma ostra; e não era pequena. Colocou-a no pequeno saco que carregava à cintura e subiu à superfície. Nadou até a praia. Queria ver seu conteúdo. Era a mais bela pérola que já vira. Sua alegria era incontida. Um comerciante que entendia de pérolas pediu para analisá-la. Ele a mediu, a colocou numa forma, a examinou minuciosamente. Aquela pérola tinha características muito raras. Fazia muito tempo que ele não via uma assim; havia pouquíssimas pérolas tão diferenciadas. Resolveu fazer um sacrifício para adquiri-la. Vendeu seus bens e a comprou.
Os dons celestiais são como essa pérola, disse Jesus. Vale muito buscar insistentemente por eles, pois são os mais preciosos tesouros que o homem pode encontrar.
Cristo é a pérola de grande preço e seu valor é inestimável. Ele nos dá o privilégio de adquiri-Lo e, junto com Ele, as muitas e preciosas dádivas que o Céu tem para nós, mas precisamos buscá-Lo.
O que você tem hoje de mais precioso? Uma conta poupança, um computador, uma herança familiar, roupas de grife, um relógio, um instrumento musical? Como você avalia suas preciosidades? Elas realmente têm valor ou você está buscando tesouros que são falsos? Um bom comerciante sabe o que procura.
Foi, vendeu tudo quanto tinha e comprou-a. Mateus 13:46, ARC
Você sabe como se forma uma pérola? “É quando um grão de areia ou um parasita penetra em uma ostra perlífera, inflamando sua carne sensível. Por não conseguir expulsar o corpo estranho, combate a inflamação cobrindo-a com camadas de nácar, uma substância dura e lisa, que é depositada ano após ano sobre o corpo intruso” (Tudo – O Livro do Conhecimento).
Hoje há técnicas elaboradas de criação de pérolas. Algumas das reservas naturais já foram esgotadas e, pelo processo natural, uma pérola tem valor comercial muito grande. Algumas pérolas custam milhões de dólares. Seu valor é estabelecido de acordo com tamanho, brilho, forma, cor e perfeição. As raras pérolas negras são as mais procuradas em todo o mundo.
O processo de formação da pérola é doloroso para a ostra. Ela procura alívio, envolvendo o corpo estranho num processo lento e trabalhoso. Porém, se antes de acabar tal processo, abrirmos a ostra, veremos ali algo informe e sem valor. Não é senão depois de certo tempo que a tão preciosa pérola estará pronta. É preciso paciência e persistência.
Sabe, também somos pérolas para Cristo. Ele procura, como o comerciante da parábola, suas pérolas valiosas. Não se cansa e dá tudo o que tem de mais precioso para obtê-las: Ele mesmo “reuniu todas as riquezas do Universo e as ofereceu para adquirir a pérola” (Ellen G. White, Parábolas de Jesus, p. 118).
Às vezes, parece que tudo dá errado. As notas na escola estão baixas. Acontecem desentendimentos com os amigos ou brigas com os pais. Você não consegue estudar a Bíblia e a lição da Escola Sabatina, o grupo do qual gostaria de fazer parte não o aceita. Surgem dificuldades financeiras… e por aí afora. Mas, lembre-se: é através de um processo lento e doloroso que uma preciosa pérola se forma.
Cristo está à procura dessas preciosas joias de valor. Ele já deu tudo quanto tinha de precioso por você. Não desanime. Não deixe Satanás abrir sua ostra antes do tempo. Continue lutando. Só o tempo mostrará seu valor.
Todas as vezes que vocês deixaram de ajudar uma destas pessoas mais humildes, foi a Mim que deixaram de ajudar. Mateus 25:45, NTLH
–Querido, fico tão preocupada em saber que você vai viajar sozinho. Por que não leva um servo para acompanhá-lo?
– A viagem não é longa e quero estar de volta amanhã para almoçar com vocês. Tchau, querida! – Naasson se despediu com um abraço.
Mas, em certo trecho da estrada, seu jumento não quis avançar. Ele estava sendo vigiado e seu jumento percebera. Dois homens saíram detrás de uma rocha e o surpreenderam. Tentou em vão lutar, mas eles tinham vantagem.
Deixaram-no muito ferido. Tiraram suas roupas. Pegaram todo o seu dinheiro, sua mercadoria e sumiram.
A cabeça doía muito. Parecia estar todo quebrado e não conseguia levantar. Os olhos inchados viam imagens duplas. Naasson tentou arrastar-se, mas não conseguiu sair do lugar. E se ninguém percebesse que ele estava ali? Precisava chegar até o caminho para que o vissem. Esforçou-se até não poder mais e desmaiou a alguns metros da estrada.
Quando acordou, o sol ia alto. Quanto tempo estava ali? E se morresse? Pensou na esposa e no filhinho. O que seria deles? “Ó Senhor, tem compaixão de mim”, orou. “Ajuda-me. Não deixe minha família só.”
Pareceu avistar alguém. Deus ouvira sua prece. Era um homem bem vestido. Receberia ajuda, afinal?
O esforço por fazer-se notar foi demais para ele. Então, desmaiou novamente.
Você já esteve numa situação parecida com a de Naasson, precisando de ajuda e fazendo de tudo para chamar atenção? Ou você já viu alguém em necessidade e não ousou ajudar?
Muitas vezes não queremos nos arriscar assumindo compromissos. Mas será que estamos sendo corretos? Todos os outros atos de bondade que já fizemos vão nos livrar da responsabilidade daquele momento? Pense nisso.
Pois quem quiser salvar a sua vida, a perderá; mas quem perder a sua vida por Minha causa, este a salvará. Lucas 9:24, NVI
Jonatã tinha uma importante reunião no início da tarde, em outra cidade a alguns quilômetros dali. Atrasara-se com os sacrifícios da manhã. Uma viúva chegara na última hora e não o deixara em paz, até lhe dar ajuda.
Os pobres aumentavam. A culpa era dos romanos, arrazoava ele. E eles tinham que arcar com os problemas.
Saiu aborrecido, pois isso o atrasara muitíssimo. Não podia parar para nada, nem para beber água.
No caminho, ia pensando em como as coisas andavam difíceis. O número de ladrões e de assaltantes nas estradas havia aumentado consideravelmente. Isso trazia perigo a qualquer um que viajasse por elas. “Ainda bem que sou um homem de Deus e Sua proteção está sobre mim”, pensava ele.
Desde que os romanos haviam chegado, tudo parecia ir mal. Administravam com arrogância e usavam a força para obter a obediência. Os governantes eram devassos e os impostos altíssimos. Isso trouxera pobreza para seu povo. Esse era o pensamento dele.
Absorto, não viu que alguém estava caído junto à estrada. Ladrões. Assustou-se e acossou seu animal para andar mais rápido. E se o apanhassem também? Não poderia correr o risco. Afinal, o moribundo já devia estar morto. Os assaltantes são impiedosos.
Ele seguiu seu caminho e Naasson ficou no pó. Nem ouvira seu pedido de socorro.
Ele pensava que era um homem de Deus. Poderia um pastor deixar uma ovelha a perecer sem oferecer ajuda, sem aliviar seu sofrimento?
Também pertenço à família de Deus. Junto a mim estão muitas ovelhas do Senhor. O Senhor me tem abençoado e protegido. Tenho o direito de guardar tudo para mim? Se Ele reparte comigo, não devo repartir com os outros também?
Não abandone a lealdade e a fidelidade. Provérbios 3:3, NTLH
Manassés era um levita. Segundo a ordem, ele precisava ir a Jerusalém para dar seu turno no templo. Agora se arrumava para ir embora. Ele morava numa região próxima dali e a viagem até em casa não era longa, apesar dos perigos que ultimamente assombravam as estradas. Mas estava acostumado com o caminho e já sabia quais os horários em que convinha andar por ele.
Saiu animado. Gostava de prestar seu serviço no templo, mas sentia muita saudade dos filhos e da esposa e sabia que eles o aguardavam ansiosos. Imaginou a comidinha saborosa que o esperava. Sara sempre o esperava com algum prato especial. Davi, o mais velho, ajudava a cuidar das coisas na propriedade em que moravam. Ele se surpreendia cada vez com a maturidade dele. Estava muito mais responsável e ele nem precisava se preocupar em chegar, pois tudo estava a contento. Era um grande garoto.
A semana havia sido agitada e cansativa. Até parecia época de festas. Estava realmente cansado. Ainda bem que não era época de plantio ou colheita, pois ficaria morto.
Ih! Algo estava errado por ali. Havia um homem deitado na estrada. Os assaltantes podiam estar por perto. Ele estava em desvantagem, pois não tinha nenhum animal. Olhou com atenção em volta. Tudo estava muito tranquilo. Aquilo não era bom. Estudou qual o desvio mais seguro e distanciou-se o mais que pôde do homem no chão. Queria ter certeza de estar seguro. Apurou seu passo para obter alguma vantagem e ficou atento. Seu coração batia forte.
Seu medo e apreensão não lhe permitiram parar para socorrer Naasson. Seguiu adiante sem prestar-lhe socorro.
Engraçado como nos envolvemos com nossas necessidades e nos esquecemos dos outros! Como é fácil achar que nossas necessidades são mais importantes que a dos outros!
Observe à sua volta o que você pode fazer hoje para atender as necessidades de alguém.
Ame os outros como você ama a você mesmo. Mateus 22:39, NTLH
Naor arrumou seu cavalo.
– Cuidado, meu filho! Essas estradas são tão perigosas!
– Não se preocupe, mãe! Estarei de volta em uma semana. Até mais.
Ele era um jovem e próspero negociante. Seus negócios incluíam algumas cidades grandes e importantes de seu país e do país vizinho.
Por isso, viajava constantemente e não estava livre dos perigos que isso ocasionava.
Era atencioso para com todos e ajudava quem quer que fosse: um idoso, uma mãe com seu bebê, um deficiente físico, um servo, um pastor ao encalço de sua ovelha, uma criança chorando por causa de um ferimento. Isso, às vezes, o atrasava. Mas ele tinha prazer em ajudar.
Naquela viagem, viu ao longe, no caminho, alguém que parecia estar em necessidade. Aquele era um local visado por assaltantes e podia ser uma cilada. Ao chegar mais perto, porém, viu que um homem de meia-idade estava todo ferido e gemia meio inconsciente. Não poderia deixar um ser humano sem prestar-lhe o socorro que necessitava.
Ele desceu de seu cavalo e examinou o moribundo. Precisava de cuidados urgentes. Tomou sua bolsa de primeiros socorros e fez o que sabia. Colocou-o em seu jumento e foi o mais rápido que pôde para a cidade mais próxima. Levou-o para um pequeno hotel, no qual se hospedava frequentemente, onde sabia que aquele moribundo receberia boa atenção. No dia seguinte, o homem sentia-se melhor.
Pôde levantar-se e caminhar pelo quarto. Naor recomendou-o a ficar no hotel até que se restabelecesse, e só então partisse.
Deixou com o dono do hotel dinheiro suficiente para as despesas e também para o retorno do pobre homem ao lar.
Você acha que Naor se arriscou ao ajudar? Mas seu coração bondoso não se importou com isso. Você não acha que ele fez aquilo que Jesus faria se estivesse em seu lugar?
Faze isto e viverás. Lucas 10:28
Essa história, que você leu nos quatro últimos dias, foi contada por Jesus a um doutor da lei como resposta à sua pergunta: “Que farei para herdar a vida eterna?” (Lucas 10:25).
Então, qual você acha que foi a conclusão a que ele, o doutor da lei, chegou?
E você, o que acha? O que Jesus quis dizer com tudo isso?
Acho que podemos concluir o mesmo que o doutor da lei. Se pretendo herdar a vida eterna, preciso olhar à minha volta e procurar atender às necessidades dos outros. Cada vez que ignoro as necessidades do meu próximo, estou em falta. Posso não querer ver, como o sacerdote e o levita, mas isso não vai me impedir de ser cobrado um dia pela falta que cometi.
Há muitos à nossa volta, com a mão estendida, suplicando por um pedaço de pão, um sorriso, uma palavra amiga, consolo, uma oração, um aperto de mão, um abraço, ajuda na tarefa da escola, uma força para ir bem nos estudos, ajuda financeira, auxílio nas atividades em casa.
Será que não posso estender minha mão e alcançar a mão necessitada? Posso ser indiferente às necessidades dos outros? Jesus disse que, “por se multiplicar a iniquidade, o amor se esfriará de quase todos” (Mateus 24:12). Estou entre esses? Ou meu coração ainda se compadece ao ver outros pedindo ajuda? Vou em socorro, fazendo o que posso?
Tudo o que fizermos a um pequenino do Senhor, estaremos fazendo a Ele. Você gostaria de estender a mão a Jesus?
A mão de Jesus não se encolhe quando dela preciso. Ele deseja que a minha mão também seja estendida a quem necessitar. Assim, estarei sendo como o bom samaritano.