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Domingo 1º de abril

 

O Caminho Para a Amizade

 

A morte e a vida estão no poder da língua. Provérbios 18:21


Imagine por um momento que a amizade seja uma rua de mão dupla. Eu quero desfrutar sua amizade. Você quer ser meu amigo também. Nós dois começamos a andar por essa rua chamada amizade, esperando encontrar-nos, mas em certo ponto ela está bloqueada. Tentamos comunicar-nos, mas damos meia-volta desapontados.


Você já viveu essa experiência frustrante? Já tentou fazer amizade, só para enfrentar um bloqueio? Já tentou conversar com um amigo, só para descobrir que a conversa para de repente porque ele tem coisas diferentes a fazer?


Susana tinha esse problema sempre que tentava ser amiga de Tânia. Minutos depois de se encontrarem, Tânia começava a criticar o penteado de Susana ou a roupa que ela vestia.


– Não fica bem para você. Deve usá-lo para trás, assim. Deixe-me mostrar.


Ou então ela ria e comentava: – Onde foi que você arranjou esse suéter? Parece ter saído da arca de Noé!


– Sei por que você está dizendo isso – respondia Susana. – Está só querendo me irritar. Está com ciúme porque Miguel conversou comigo no piquenique.


E Tânia recomeçava:


– Você é paranoica! Não é de se admirar que não tenha amigos!


Algumas vezes Tânia assumia um ar autoritário: “Pare de tocar essa música horrível! Você sabe que não a suporto!”


Um dia Susana estava desanimada e tentava dizer a Tânia o que sentia. Tânia riu e disse: “Ei, Susana, corta essa! Você não deve permitir-se chegar a esse ponto. Afinal, a situação não é tão ruim como você pensa. Divirta-se e deixe suas preocupações para lá.

Amanhã você vai se sentir melhor.”


Algumas vezes Susana sorria e deixava passar. Outras vezes, ficava tão zangada que dizia: “Cale a boca!” e saía. Susana estava enfrentando bloqueios em seu relacionamento com Tânia.


Bloqueios são expressões que usamos para comunicar falta de aceitação. Há quatro tipos básicos de bloqueio: (1) julgar; (2) apresentar soluções; (3) ignorar as preocupações da outra pessoa, e (4) expressar expectativas injustas. Neste mês, aprenderemos a evitar o uso desses quatro bloqueios.

 

Mantendo a Amizade

Formamos bloqueios com as palavras que dizemos. A língua tem poder para dar vida ou causar a morte de uma amizade.


Segunda 2 de abril


Bloqueios

 

O tolo é aquela pessoa que está sempre pronta a entrar numa briga. […] Sim, as palavras do tolo acabam destruindo sua vida; ele arma armadilhas contra si mesmo com o que fala. Provérbios 18:6, 7 (A Bíblia Viva)


Bloqueios são palavras que usamos para comunicar nosso desejo de que a outra pessoa pense, sinta ou se comporte de modo diferente. Transmitem hostilidade e falta de aceitação.


1. Julgar. Os bloqueios dessa categoria são criticar, dizer nomes feios/palavras pesadas, diagnosticar, rotular, censurar e humilhar.
“Você não devia pentear seu cabelo desse jeito.” (Criticar)
“A culpa é sua!” (Censurar)
“Idiota! Você não passa de um delinquente.” (Usar palavras pesadas, rotular)
“Você está simplesmente com ciúme.” (Diagnosticar)


2. Apresentar soluções. Estes bloqueios são ordenar, comandar, exigir, ameaçar, discursar, moralizar, interrogar e aconselhar.
“Pare de cantarolar essa música!” (Ordenar)
“Ou você faz isso, ou não sou mais seu amigo.” (Ameaçar)
“Você não deve falar desse jeito. Os cristãos precisam ser mais tolerantes.” (Discursar, moralizar)
“Por que você fez isso? Não podia ter sido mais cuidadoso?” (Interrogar)
“Se eu fosse você, não me preocuparia com isso.” (Aconselhar)


3. Ignorar as preocupações dos outros. Os bloqueios desta categoria são mudar de assunto, distrair, argumentar, tranquilizar – as coisas que fazemos para que as pessoas que se sentem chateadas melhorem.
“Vamos falar de algo mais agradável, como a excursão da próxima semana.” (Distrair)
“Detesto discordar de você, mas isso que você está sugerindo não funciona.” (Argumentar)
“Garanto que você vai sentir-se melhor depois de uma boa noite de sono.” (Tranquilizar)


4. Expressar expectativas injustas. Alguns indicadores são: ser ciumento, possessivo, egoísta, jactancioso, queixoso, manipulador.

 

Mantendo a Amizade

Os bloqueios são um problema porque transmitem falta de aceitação. Dão a ideia de que você sabe melhor como seus amigos devem pensar, sentir ou agir.

 

Terça 3 de abril


Maçãs Furtadas

 

Não fique falando mal de todo mundo. Não faça acusações falsas. Levítico 19:16 (A Bíblia Viva)


Antes do início da aula, Júnia contou a sua amiga Silvana:


– Alguém furtou uma cesta de maçãs de nossa banca de frutas ontem à tarde.


– Mesmo? Bem, adivinhe o que vi ao voltar da escola para casa. Aquele garoto novo, o Filipe, estava carregando uma cesta de maçãs. Você acha que foi ele o ladrão?


Na hora do recreio, Júnia passou a história para Maria. “Acho que talvez o Filipe seja o ladrão. Alguém roubou uma cesta de maçãs de nossa banca de frutas, e Silvana viu Filipe ontem com uma cesta de maçãs.”


Maria cochichou a história para Cátia, e Cátia a passou para Betty. No fim das aulas, quase todos tinham ouvido que Filipe era o ladrão que roubara uma cesta de maçãs da banca de frutas da família de Júnia. Todos, com exceção de Filipe!


A essa altura, Filipe abriu um saco de maçãs. Deu uma para Betty. Ela virou-se, sem pegá-la.


– Ei, qual é o problema? – perguntou Filipe. – Você não gosta de maçã?


– Não quero saber de maçã roubada, seu ladrãozinho! – disse ela.


– Roubada? Ladrãozinho? Do que você está falando?


– Você por acaso não furtou uma cesta de maçãs da banca de frutas de Júnia? – perguntou Betty.


– Eu não! – Filipe estava bravo agora. Não gostou de ser rotulado de ladrão. – Eu trabalhei para conseguir estas maçãs. Ajudei o seu Brito depois da aula e ele me deu uma cesta de maçãs. Foi isso. Não sou nenhum ladrão!


A professora de Filipe ouviu a conversa e chamou todos para dentro da sala.


– Vamos lá, como foi que essa história começou? – perguntou ela para Betty. – Você viu Filipe furtando as maçãs?


– Não, quem me contou foi a Cátia, que ficou sabendo pela Maria. Júnia contou a Maria que Silvana tinha visto Filipe com a cesta de maçãs.


O rosto de Júnia ardia enquanto todos os olhares se dirigiam para ela.


– Desculpe-me, Filipe. Cheguei a uma conclusão falsa. Vou ser mais cuidadosa daqui para a frente. Por favor, me perdoe por tê-lo chamado de ladrão.

 

Mantendo a Amizade

É fácil rotular as pessoas quando conhecemos apenas alguns fatos. Se você quiser manter suas amizades, não faça mexericos e não tire conclusões apressadas.

 

Quarta 4 de abril

 

O Engano de Marjorie

 

Não julgueis segundo a aparência, e sim pela reta justiça. João 7:24


Era um dia lindo de verão. Marjorie Neagle resolveu dar um passeio de carro pelas estradinhas do campo. As terras estavam tomadas por ervas daninhas. Havia pilhas de lixo nos quintais, e crianças maltrapilhas brincavam ao redor de casas em ruínas.


Depois de uma curva, ela chegou ao que parecia a pior de todas as propriedades. O mato tomava conta de tudo. Uma cabana sem pintura parecia que estava a ponto de cair. Um velho de barba crescida, vestindo um macacão desbotado, estava capinando sentado numa cadeira, no meio da plantação de batatas.


“Que homem preguiçoso!” pensou Marjorie. “É o mais preguiçoso que já vi. Imagine sentar-se para capinar! Não é para menos que a plantação esteja tomada de ervas daninhas!”


Depois de percorrer mais alguns quilômetros, Marjorie voltou e passou de novo em frente da propriedade do homem indolente que se sentava para capinar. Ao passar lentamente, observou-o por outro ângulo, e o que ela viu mudou sua opinião acerca do homem.


Marjorie escreveu a respeito na revista National Enquirer. “Vi algo que me arrepiou. Do meu ângulo de observação, vi que estava apoiado na cadeira um par de muletas, e percebi também que uma perna do macacão balançava vazia. Naquele instante, o homem sem iniciativa e preguiçoso que eu vira se transformou numa figura de indomável coragem.”


Após aquela experiência, Marjorie decidiu nunca julgar uma pessoa depois de uma única impressão ou conversa.


“Graças a Deus, voltei para olhar de novo”, disse Marjorie.


Com demasiada frequência, julgamos com base nas aparências, e ao fazê-lo erigimos bloqueios que atrapalham a amizade.


C. L. Paddock escreveu: “Num tribunal do júri, o juiz e os jurados ouvem os dois lados do caso antes de tomar uma decisão. Devemos ser justos assim também.”

 

Mantendo a Amizade

O bloqueio do julgamento mostra nossa falta de aceitação. Se queremos manter amizades, precisamos eliminar o bloqueio do julgamento apressado.

 

Quinta 5 de abril

O Rótulo de Siegfried

 

Bem-aventurados sois quando […] vos injuriarem, e vos perseguirem. […] Regozijai-vos e exultai; […] pois assim perseguiram aos profetas que viveram antes de vós. Mateus 5:11, 12


Siegfried Horn era o único adventista do sétimo dia numa escola de judeus em Leipzig, Alemanha. Sua mãe o matriculou nessa escola para que ele não precisasse assistir a aula no sábado. Se ele se recusasse a frequentar as aulas aos sábados nas escolas públicas, sua mãe poderia ser mandada para a cadeia.


Siegfried achou difícil ser o único menino com cabelo claro e narizinho arrebitado entre tantos garotos de cabelo escuro e grandes narizes retos. Um dia ele chegou em casa chorando.


– Que aconteceu? Você se machucou? – perguntou a Sra. Horn.


– Não! – soluçou Siegfried. – Eles me chamaram de goy.


– E você sabe o que é um goy? – perguntou a mãe, levando-o para sentar-se no sofá.


– É alguém que é diferente – respondeu Siegfried, fungando.


– Goy é uma palavra hebraica que significa alguém que não é judeu. Você é cristão. Isso torna você um gentio ou um goy. Você não fica feliz por ser cristão?


– É; acho que sim – concordou Siegfried. – Mas eles riem de mim!


– E daí? – continuou a mãe. – São agressivos com você?


– Não – admitiu ele. – Não são malvados. Eles só dão risada porque sou diferente. Acho que não posso fazer nada, não é?


A Sra. Horn sorriu para o filho e continuou.


– Siegfried, você é como Moisés. Ele era o único hebreu no palácio egípcio. As pessoas o respeitaram e Deus o honrou porque ele ficou firme ao lado de suas crenças. Você é cristão num mundo de judeus. As pessoas o respeitarão e Deus o honrará se você tiver orgulho de ser o que é – um goy.


Siegfried não permitiu que aquilo o incomodasse mais. Para falar a verdade, chegou a gostar daquele nome, porque os garotos o diziam com amor e respeito. Ele pensou: “Goy é um distintivo que diz que eu sou eu, e ninguém mais. Você pode me aceitar ou rejeitar, mas não pode me mudar.”

 

Mantendo a Amizade

Não gostamos de ser rotulados. Mas um rótulo não muda o que somos realmente por dentro. Podemos escolher não permitir que isso nos incomode.


Sexta 6 de abril

 

Críticas Contra Deus

 

E o Senhor continuou falando com Jó: “Por acaso você ainda quer Me criticar? Ainda quer dizer que o Deus Todo-poderoso está errado?” Jó 40:1, 2 (A Bíblia Viva)


Jó não foi a última pessoa a criticar a Deus. Catherine Marshall também julgou a Deus.


Sua netinha Amy havia nascido com graves problemas genéticos nos rins, fígado e cérebro. “Ela não vai viver mais do que algumas semanas”, disseram os médicos aos pais da criança.


Mas a família não queria aceitar o veredicto. “Os médicos não têm todas as respostas”, disse o pai de Amy. “Deus tem. Vou pedir um milagre de cura para nossa filhinha.”


Membros da igreja e amigos participaram com a família de uma corrente de oração de quatro dias. No fim, Catherine acreditou que Deus curaria sua pequena neta.


Seis semanas mais tarde, ela segurava Amy no colo enquanto a enfermeira bombeava bílis do estômago do bebê. Amy gritava, protestando.


– Por favor, pare! – suplicou Catherine.


A enfermeira olhou para o monitor do coração.


– Está na hora de colocá-la de novo na incubadora aquecida – disse ela, tomando o bebê dos braços de Catherine. A enfermeira saiu correndo do quarto e num momento estava de volta com o médico. Ele curvou-se sobre a incubadora e disse:


– Lamento muito. O bebê faleceu.


“Não, Senhor! Não podes permitir que ela morra!” suplicou Catherine silenciosamente, enquanto contemplava a forma sem vida de Amy. “Não está certo, Senhor! Traze essa criança de volta à vida! Tu tens esse poder.” Mas o bebê não reviveu.


Catherine não podia crer que Deus Se houvesse recusado a atender as orações pedindo cura. Permitir a morte de sua netinha parecia tão cruel, tão injusto! Durante seis meses ela se sentiu infeliz, distante de Deus. Ele não era mais seu amigo.


“Não posso nem mesmo orar mais. Por quê?” queixava-se Catherine.


Uma amiga sugeriu que a razão devia ser porque ela havia erigido um bloqueio, ao julgar a Deus como injusto. Sua atitude crítica estava bloqueando qualquer comunicação com Ele.


Quando confessou o seu pecado, eliminando o bloqueio, Catherine sentiu que Deus Se tornara amigo outra vez.

 

Mantendo a Amizade

Quer ser amigo de Deus? Elimine o bloqueio da crítica. Entenda que Ele vê o fim desde o princípio e sabe o que é melhor para Seus filhos.

 

Sábado 7 de abril

A Primeira Luta de Albert

 

Fale o mínimo possível e tome sempre cuidado com suas palavras. Provérbios 21:23 (A Bíblia Viva)


Os garotos na vila de Gunsbach, Alemanha, participavam de uma partida de luta romana. Em um canto, o tímido Albert Schweitzer, da primeira série, observava a luta.


“Bem que eu queria que eles me convidassem”, pensava Albert. Mas ninguém o fez, e ele não podia deixar de ouvir os comentários dos meninos.


– Cuidado com o filho do pregador! – disse alguém com desprezo. – Ele não gostaria que a gente sujasse as suas finas roupas.


– É verdade! Ele acha que é melhor do que nós – observou outro.


Albert não gostava daqueles comentários. Geralmente não reagia, como seu pai lhe havia ensinado. Mas desta vez foi mais do que ele podia suportar. Dirigiu-se a George Nitschelm, um dos valentões da escola, e disse:


– Vou lutar com você, e aposto que ganho!


– Ah, você quer lutar? – George cuspiu nas mãos e as esfregou. Formou-se um círculo em torno dos dois. – Venha, meu delicado cavalheiro!


Albert estremeceu diante da palavra “cavalheiro”. Era uma expressão de desdém. Significava que ele não era considerado alguém do grupo, mas um menininho rico, incapaz de fazer qualquer coisa. “Vou provar que eles estão errados”, pensou ele. “Vou mostrar que não sou diferente dessa turma.”


Albert jogou-se em cima do garotão. Num piscar de olhos, George havia derrubado o menino no barro, mas Albert foi rápido e escapou das mãos de George. Este não estava preparado para a fúria de Albert. A multidão silenciou enquanto observava Albert tirando o fôlego de seu herói. Finalmente, Albert manteve George preso ao chão, e foi declarado o vencedor.


“Agora, com certeza, vão me aceitar como membro do grupo”, pensou ele. Albert ficou ali, com o rosto manchado de suor e barro, esperando a aprovação dos garotos.


Em vez disso, George lamentou-se:


– Bem, se nós tivéssemos tanta coisa para comer em casa como você, com certeza eu o teria derrubado com um tapa.


Os bloqueios continuavam. Durante vários meses Albert procurou fazer amizade com os meninos, antes que os bloqueios fossem eliminados, tanto da parte dele como do grupo.

 

Mantendo a Amizade

Fique em silêncio, em vez de acrescentar mais um bloqueio à estrada da amizade. Levantar seu próprio bloqueio não elimina o que os outros erigiram.

 

Domingo 8 de abril

Palavras Descuidadas

 

Quem fala demais sempre fala o que não deve. Provérbios 10:19 (A Bíblia Viva)


Carol cerrou os dentes enquanto esfregava a grelha do churrasco. “Este é o trabalho mais sujo, gorduroso e maçante que existe! Bem que eu gostaria de receber alguma ajuda!” pensava ela, enquanto aplicava mais sabão e força para esfregar.


O suor pingava do seu rosto. Parou um momento para relaxar os cansados músculos dos ombros. “Vamos receber hóspedes amanhã à noite, e preciso desengordurar essa grelha; caso contrário, teremos comida queimada ou um princípio de incêndio aqui. Eu queria que o Jaques viesse me ajudar!” pensou Carol. “Ótimo! Agora estou sem toalhas de papel. Espero que haja algumas na despensa.”


Carol saiu para procurar as toalhas de papel. Encontrou Jaques na sala, com os pés para cima como um sultão, relaxando após uma longa caminhada. Ele estava tentando voltar a um programa regular de exercícios.


– Ah, você está em casa – disse ela.


– E cheguei cansado! – respondeu ele. – Caminhei oito quilômetros. Bom, não é?


Pensando em como seus ombros estavam cansados de esfregar a grelha, Carol respondeu:


– Puxa, pensar em tudo o que você poderia ter feito com essa energia toda!


O sorriso desapareceu do rosto de Jaques.


Carol desceu para a despensa no porão para procurar as toalhas de papel. Enquanto estava lá, pensou: “Falei demais outra vez! Por que não penso antes de falar? Foi uma grosseria minha. Tirei de Jaques toda a alegria por sua proeza na caminhada. Fiz com que ele se sentisse mal. Como eu queria retirar aquelas palavras, mas agora é tarde!”


Subindo a escada, Carol desculpou-se:


– Jaques, perdoe-me pelas palavras descuidadas que falei há pouco. Sinto muito. Eu não refleti bem. Oito quilômetros é um bom trajeto. Você me perdoa?


– Claro que perdoo, querida! – sorriu Jaques.


Carol recomeçou a limpeza da grelha, decidida a tentar evitar palavras descuidadas no futuro, e a pensar antes de falar.

 

Mantendo a Amizade

Descortesias são bloqueios que devemos deixar de lado. Pensando antes de falar, evitamos dizer o que não devemos.

 

Segunda 9 de abril


Vingança

 

Eu, porém, vos digo: não resistais ao perverso. Mateus 5:39


Uma história em quadrinhos de Charlie Brown ilustra como muitos andam por aí reagindo a insultos.


– Será que eu não seria mais popular se tivesse outro nome? – diz Lucy. – O nome errado pode ser um verdadeiro obstáculo para a atuação da pessoa na sociedade. Acho que é importante ter um nome coerente com a personalidade. – E Lucy fica sentada pensativamente, com a cabeça entre as mãos.


– Que tal Superlíngua? – tenta ajudar Charlie Brown.


O quadrinho seguinte mostra Charlie Brown caído, vendo estrelas. Lucy se vingou!


Um repórter de jornal conta de um homem que matou duas pessoas com uma arma de fogo.


– Por que o senhor matou? – perguntou a polícia.


– Porque me chamaram por palavrões – respondeu o homem.


Usar a violência ajuda a desfazer os bloqueios? Na verdade, a violência não atinge os bloqueios, e sim a pessoa que os erigiu. Caminho errado.


Aqui estão alguns passos para lidar com ofensas que aparecem em nosso caminho. Encontrei-os num livro para adolescentes, chamado Friends Forever, de William L. Coleman. Experimente-os na próxima vez em que se sentir insultado.


1. Saiba classificar os insultos. Alguns têm a intenção de ser amigáveis. Podem machucar, mas a pessoa que os proferiu não pretendia causar nenhum mal. Talvez estivesse tentando dizer: “Gosto de você.”


2. Não se sinta atingido. Debite-o na conta de pessoas más. Não permita que o insulto o amargure e magoe. Você não pode impedir que uma pessoa diga certas coisas, mas pode escolher sua própria forma de reagir. Você não precisa sentir-se provocado.


3. Converse com a pessoa. Algumas vezes os amigos nos insultam sem perceber o que estão fazendo. Se isso acontece com frequência, você pode dizer com boas maneiras que tal coisa realmente o incomoda. Os amigos não têm a intenção de magoar-nos. Se souberem que não gostamos de algo, vão parar.

 

Mantendo a Amizade

Jesus ensinou-nos a lidar com os insultos. A coisa certa a fazer é ignorar o insulto. Quanto mais cedo aprendermos esse princípio da amizade, mais serena transcorrerá nossa vida.

 

Terça 10 de abril


Controlando os Outros

 

Quem toma cuidado com suas palavras protege sua própria alma porque quem vive falando tudo que pensa acaba arruinando sua própria vida. Provérbios 13:3 (A Bíblia Viva)


Qual é o traço da personalidade que recebe o prêmio por arruinar mais amizades do que qualquer outro? Segundo o Dr. Alan Loy McGinnis, autor de The Friendship Factor, é a tendência de controlar os outros. Esse traço é sempre destrutivo porque afasta as pessoas.


Os bloqueios mostram que estamos tentando mudar a outra pessoa, para que ela fique do modo como queremos que seja. Assim rotulamos, humilhamos, criticamos, mandamos e aconselhamos. E quando a pessoa não aprecia nossas tentativas de controlá-la, ficamos contrariados.


Os bloqueios são um modo de tentarmos manipular os outros, para que sejam diferentes do que são. No minuto em que começamos a querer controlar, a outra pessoa recebe a mensagem de não aceitação e se afasta.


D. L. Moody, um dos famosos evangelistas cristãos, entendia esse princípio da amizade. Era um homem compreensivo e tolerante, que se recusava a criticar as pessoas.


Uma das frases famosas de Moody, era: “Estou tendo tanto trabalho com D. L. Moody que não tenho tempo de achar defeitos no meu companheiro.”


Abraão Lincoln era outra pessoa que sabia que a crítica não conquista amizades. Certa vez, quando sua esposa falou asperamente contra alguns indivíduos, ele disse: “Não os critique, Mary; eles são exatamente o que seríamos em circunstâncias semelhantes.”


John F. Kennedy foi um dos mais populares presidentes dos Estados Unidos. Estava sempre rodeado de amigos. Uma das razões era sua tolerância para com os outros. Durante a noite das eleições, em 1960, Kennedy e seus amigos estavam diante da televisão assistindo ao noticiário. Quando Richard Nixon se recusou a reconhecer a derrota quando era óbvio que já havia perdido, os amigos de Kennedy ficaram bravos.


O próprio candidato, John F. Kennedy, permaneceu calmo. Simplesmente disse: “Se eu fosse ele, faria a mesma coisa.” Não é de estranhar que as pessoas gostassem dele. Kennedy se recusava a controlar os outros.

 

Mantendo a Amizade

Os bloqueios são uma tentativa de controle. Evitamos os amigos que tentam nos controlar. A chave para manter amizades é o autocontrole, e não o ato de controlar os outros.


Quarta 11 de abril


Bom Conselho

 

O insensato não tem prazer no entendimento, senão em externar o seu interior. Provérbios 18:2


Estêvão rabiscava a página do caderno em vez de escrever a redação que precisava entregar no dia seguinte. Sua mãe, que supervisionava seus deveres de casa, sentou-se à mesa ao lado dele.


– Qual é o problema? – perguntou ela. – Por que não está fazendo o trabalho?


Estêvão encolheu os ombros e olhou para fora, pela janela.


– Vamos lá, querido, conte-me o que está acontecendo. Sei que alguma coisa o preocupa. Diga-me o que é. Vou procurar entender.


– Não sei – disse Estêvão, usando uma evasiva. – A senhora vai achar que sou tonto.


– Não mesmo! – declarou a mãe. – Filhinho, eu o amo e me interesso em saber o que o perturba. Por que você está tão infeliz?


– Ah, não sei.


– Sim, você sabe – insistiu a mãe. – Agora abra o jogo!


– Quero encontrar emprego – desabafou Estêvão. – Estou cansado da escola. Não quero mais estudar.


– Você o quê?! – explodiu a mãe. – O que você quer dizer com não gostar da escola? Você vai estudar, quer queira, quer não. Você nunca será alguém sem estudos. Isso é muito importante. Eu gostaria que você se sentasse e estudasse tanto como sua irmã. Você é inteligente; o único problema é que não se concentra. Precisa esforçar-se mais! Concentre-se!


Estêvão ficou ali sentado, balançando a cabeça e olhando pela janela. “Eu sabia! Ela não me ouve. Não entende nada do que estou dizendo. De que adianta tentar?”


– Vamos lá, Estêvão – disse a mãe com voz mais suave, colocando o braço no ombro dele. – Não se feche desse jeito. Fale comigo.

Diga-me como se sente.


“Ah, é?” pensou Estêvão. “É melhor ficar quieto, porque quando falo você não me entende. Simplesmente fica brava e procura me dizer o que devo fazer.”


A mãe de Estêvão estava usando vários bloqueios do tipo “Achar Soluções”. Aconselhou, deu sermão, moralizou, argumentou e interrogou. Esses bloqueios interrompem qualquer comunicação. Ela estava tentando mudar Estêvão – e não entendê-lo.

 

Mantendo a Amizade

“Bons conselhos” não solicitados são ruins num relacionamento. Um importante princípio da amizade é: “Procure primeiro entender e só depois ser entendido”.

 

Quinta 12 de abril


A Fórmula ODP

 

Se você se apressa em dar sua opinião antes de ouvir os fatos, está mostrando que é um tolo. Você devia se envergonhar! Provérbios 18:13 (A Bíblia Viva)


Jenny Covey, de dois meses de idade, estava doente. Havia vomitado durante a manhã toda. Estava com diarreia e não queria alimentar-se. Seus pais, Sandra e Stephen Covey, ficaram preocupados.


– Querida, vamos precisar chamar o médico – decidiu Stephen. – Não podemos ficar simplesmente vendo-a sofrer. Não me interessa se o doutor está no jogo de futebol. Jenny precisa de ajuda.


– Certo. Vou ligar para o estádio e pedir que o chamem pelo alto-falante – disse Sandra.


O médico não gostou de ter sido chamado quando a partida estava “quente”.


– Alô! – disse ele bruscamente. – O que é?


– Aqui é a Sra. Covey – explicou Sandra. – O problema é nossa filha Jenny. Está muito doente. Não sabemos o que fazer.


– Fale mais – pediu o médico. – Como está reagindo?


– Está vomitando a manhã toda e não para. Não quer comer e a diarreia é violenta.


– Qual é a sua farmácia? – perguntou ele. – Vou telefonar para lá dando o nome do remédio.


Depois de desligar, Sandra sentiu-se apreensiva. Havia falado apressadamente. Esquecera de dizer a idade da criança. Aquele não era o médico da família, apenas o de plantão.


– Espero que ele saiba que ela tem só dois meses de idade – preocupou-se Sandra.


– E se ele não souber? – perguntou Stephen. – Será seguro dar o remédio a Jenny?


– Não. É melhor a gente telefonar de novo. Você faz a ligação.


Assim Stephen telefonou e pediu que chamassem o médico outra vez.


Ele não ficou mais feliz desta segunda vez, até que soube da idade da criança.


– Eu não tinha ideia de que era uma recém-nascida! – exclamou ele. – Foi bom que o senhor ligou. Vou mudar a prescrição imediatamente!


A fórmula ODP para a amizade é: Ouvir, Diagnosticar e depois Prescrever. Com demasiada frequência, diagnosticamos os problemas de nossos amigos e dizemos a eles o que fazer, sem ter mesmo tirado tempo para ouvir a fim de compreendermos a situação. Insensatez para um médico; insensatez também no caso de uma amizade.

 

Mantendo a Amizade

Diagnosticar e aconselhar são coisas que muitas vezes fazemos sem na verdade entender o problema. Quanto mais atenção prestarmos aos fatos, menos ergueremos bloqueios do tipo “achar soluções”.

 

Sexta 13 de abril


Conselhos Para Deus

 

O homem que luta contra o seu Criador está condenado! […] Por acaso o barro se atreve a dizer ao homem que faz os vasos: “Você está fazendo tudo errado!”? Isaías 45:9 (A Bíblia Viva)


Muitas vezes já argumentei com Deus, dando-Lhe meus conselhos sobre como Ele deveria fazer as coisas. Já fui muito eficiente em apresentar soluções para Deus, como se Ele próprio não pudesse enxergar o que precisava ser feito.


Enquanto morei na Índia, dirigia uma lambreta. Um dia, numa rua congestionada de carros, bicicletas, carros de boi e burro, um homem atravessou na frente de minha lambreta. Acionei o freio, mas não em tempo de evitar um acidente.


O homem, gravemente ferido, foi levado às pressas para o hospital, onde ficou inconsciente por oito dias. Inundei o Céu com minhas orações, dizendo a Deus o que Ele devia fazer. “Senhor, tens que salvar a vida daquele homem. Por favor, ajuda os médicos a fazerem as coisas certas para que ele possa viver!”


O homem morreu. Quando Deus não atendeu minhas orações, fiquei muito revoltada.


Agora, além dos bloqueios do tipo “achar soluções”, eu estava acrescentando o bloqueio do julgamento. “Senhor”, disse eu, “és muito cruel. Poderias ter curado o homem, e não o fizeste. Estou zangada, Senhor. Não vou mais falar contigo.” E não falei – por dois anos.


Ajoelhava-me ao lado da cama fingindo fazer oração, para que meu marido não soubesse como me sentia. Frequentava a igreja, mas sem relacionamento com Deus. Os bloqueios se acumulavam. Eu não orava.


Então, um dia, uma pedinte veio à nossa porta e eu a despedi com palavras grosseiras e cruéis. Meu esposo viu a cena e perguntou:


– Dorothy, o que há de errado?


– Nada! – respondi bruscamente.


Mas eu sabia muito bem o que estava errado. Ellen White diz que “as trevas do maligno envolvem os que negligenciam a oração” (Caminho a Cristo, p. 94). Eu precisava livrar-me dos bloqueios. Precisava da amizade de Jesus outra vez.


“Senhor”, orei, “sei quão tola fui quando tentei dar-Te conselhos. Daqui para a frente não vou mais argumentar. Vou confiar em Ti, sabendo que farás o que é certo. Ajuda-me a derrubar os bloqueios. Quero ser Tua amiga.”

 

Mantendo a Amizade

Quer permanecer amigo de Deus? Derrube os bloqueios do tipo “sugerir soluções”.

 

Sábado 14 de abril


Ensinando a Jovem Mamãe

 

Se eu te aconselhar, não me atenderás. Jeremias 38:15


A natureza humana continua hoje muito semelhante à que era há 2.500 anos. A maioria não gosta do conselho dos amigos, assim como aconteceu com o rei Zedequias.


Quando alguém apresenta muito rapidamente as respostas a nossos problemas, é como se estivesse dizendo: “Você é mesmo muito tolo por não perceber o que deve ser feito!”


Flávia tinha uma amiga assim quando era jovem mamãe. Flávia estava fazendo tudo o que podia para ajudar seu esposo pastor nas reuniões, e ainda cuidar da menininha recém-nascida que estava com cólica e chorava continuamente.


Todas as noites davam carona a uma senhora de mais idade até o local das reuniões. Essa mulher agia como se fosse especialista em crianças, embora não tivesse tido filhos.


“Você precisa fazer alguma coisa para o bebê parar com esse choro”, aconselhava a mulher. “Ela não está arrotando depois de mamar. Vou mostrar como se faz.


Noutro dia, a mulher deu um conselho diferente: “Flávia, você colocou muita roupa na criança, num dia quente como hoje. Não é para menos que ela está chorando!”


“A mamadeira não está na temperatura certa”, comentou ela em outra ocasião. “É por isso que a pobrezinha está chorando!”


Comentando acerca de sua frustração, Flávia diz: “O que eu podia fazer? A criança era minha e não veio com um manual de instruções. Eu fazia o meu melhor. Mesmo quando eu concordava em cumprir os conselhos da mulher, ela muitas vezes mudava o conselho. A mulher continuava suas ‘aulas’ até mesmo durante o dia, por telefone.”


Por mais que Flávia tentasse, nada estava certo. “Já chega!” decidiu Flávia. “Essa mulher acha que tem todas as respostas, mas seus conselhos não solicitados me causam só confusão e desânimo.”


Por fim, Flávia conversou com aquela mulher. Disse: “Sou a mãe da criança e vou decidir o que é melhor para ela.” Flávia resolveu continuar amiga daquela mulher, mas sem os seus conselhos.

 

Mantendo a Amizade

É difícil fazer amizade com pessoas que pensam saber todas as respostas. Elas nos desanimam. Conselhos não solicitados constituem um bloqueio para a amizade.

 

Domingo 15 de abril


A Festa da Patinação

 

Conheçamos entre nós o que é bom. Jó 34:4


Dulce releu o convite. “Você está convidada para uma festa com patinação na pista de gelo da Rua Independência, sexta-feira, das 19 às 22 horas.”


“Ai, não! Outro evento de sexta-feira à noite do qual não posso participar! Eu não queria ser tão diferente assim!” resmungou Dulce.


– Oi, você vai à minha festa? – perguntou Patrícia.


– Não sei – disse Dulce, querendo ganhar tempo. – Tenho vontade de ir, mas preciso pedir para minha mãe.


– Vá, sim, por favor! – insistiu Patrícia. – Sei que é sexta-­feira à noite, mas com certeza você pode abrir uma exceção para o meu aniversário.


– Vou tentar – respondeu Dulce. – Consigo mesma, pensou: “Mamãe vai dizer que não, e daí posso pôr a culpa nela. Então Patrícia vai ficar com raiva da minha mãe, e não de mim.”


Mas a história não funcionou desse jeito. A mãe não usou o bloqueio esperado. “Você decide”, disse ela. “Já tem idade suficiente para saber o que é certo e o que é errado. Isso fica entre você e Deus. Se você decidir ir, não vou dizer nada.”


Dulce ficou remoendo seu problema a noite toda. Já era tarde quando ela tomou a decisão.


No dia seguinte, disse a Patrícia:


– Resolvi não ir a sua festa. Não quero magoá-la, mas o meu dia de descanso começa na sexta-feira à noite. É o meu tempo com Deus e com minha família.


Depois das aulas, Dulce correu para casa e contou para sua mãe a decisão tomada.


– Sabe, mamãe, a senhora foi muito esperta em fazer com que eu mesma me decidisse – observou Dulce. – Se a senhora começasse a me dar um sermão e me mandasse ficar em casa, eu teria obedecido, mas ficaria emburrada uma semana inteira.


– Estou orgulhosa de você – disse a mamãe. – Eu sabia que você ficaria mais feliz se eu não lhe entregasse na bandeja uma solução pronta para o seu problema. Você tem uma boa cabeça sobre os ombros, e a usou!


– E eu tenho a melhor mãe do mundo! – disse Dulce com sinceridade, enquanto abraçava a mãe.

 

Mantendo a Amizade

Apresentar soluções – dar ordens, comandos e dar sermões – faz com que as pessoas se rebelem. Evite esse bloqueio se quiser conservar amizades em casa e na escola.

 

Segunda 16 de abril


O Solitário Gregório

 

“Você está querendo dizer que vai ser nosso rei?” […] Os irmãos [de José] foram ficando cada vez com mais ódio dele, por causa dos sonhos e das palavras dele. Gênesis 37:8 (A Bíblia Viva)


José tinha um temperamento colérico. Usava os bloqueios do tipo “apresentar soluções”. Era autoritário, agindo como se soubesse tudo.


Gregório tinha um temperamento semelhante. Tentava mudar as pessoas. Os outros garotos de sua classe não conseguiam suportá-lo, porque dizia coisas como as seguintes: “Você não devia ouvir isso!” “É melhor você ficar esperto; caso contrário, vai meter-se em problemas.” “Sei o que devemos fazer hoje à tarde. Escute o que vou dizer.”


Ele ficava realmente frustrado quando se dirigia a um grupo e este como que se desfazia, deixando-o plantado sozinho. Sentia-se magoado quando, na segunda-feira, ficava sabendo que tinha havido um passeio e ele não fora convidado. Ficava desapontado quando ninguém sentava perto dele na Escola Sabatina.


– Gregório, você tem um tempinho amanhã? – perguntou o pastor Jediel, líder dos jovens, num sábado de manhã.


– Tenho, sim! – alegrou-se Gregório. – O que vai acontecer?


– Estou pensando numa partida de tênis e num bate-­papo, simplesmente.


Depois do jogo, Gregório tomava um refrigerante, sentado na frente do pastor Jediel, à mesa da lanchonete. Por um instante, Gregório ficou quieto. Tinha um pressentimento de que a conversa seria sobre ele mesmo.


– Gregório – começou o pastor –, tenho observado que você não tem amigos. Acho que sei o motivo.


– Qual é? – quis saber Gregório, inclinando-se para a frente. – Tenho feito essa pergunta para mim mesmo. Garanto que me esforço para ser amigo.


– Essa é a questão – continuou o pastor. – Você se esforça demais. Você chega com um jeito muito autoritário e dominador. Ninguém gosta de uma pessoa que fica sempre dizendo o que se deve ou não fazer.


– Mas eu só digo isso para o bem da própria pessoa – insistiu Gregório.


– Eu sei, mas não está funcionando. Toda vez que você tenta comandar, cria um bloqueio. Seu comportamento afasta as pessoas. Tente aliviar um pouco a pressão. Pare de dar tantos conselhos. OK?


Gregório decidiu mudar. Não foi fácil, e vários meses passaram antes que alguém começasse a reagir positivamente. Quando as pessoas perceberam que os bloqueios já não existiam, deixaram de ignorar o amigo Gregório.

 

Mantendo a Amizade

O autoritarismo afasta as pessoas. Ninguém gosta de pessoas arrogantes que acham que sabem tudo.

 

Terça 17 de abril


Visita ao Hospital

 

Que ninguém procure somente os seus próprios interesses, mas também os dos outros. Filipenses 2:4 (NTLH)


É horário de visitas no hospital da cidade. A Srta. Paciente recupera-se de uma cirurgia. As quatro irmãs Dora vão ao hospital no sábado à tarde para visitá-la: Tranquiliza Dora, Argumenta Dora, Desvia Dora, Distrai Dora. Vamos ouvir a conversa.


Paciente: – A dor incomoda tanto depois da cirurgia! Achei mesmo que não iria sair dessa! Foi simplesmente…


Tranquiliza Dora: – Mas já está tudo bem, querida. Não é tão ruim como você pensa. Daqui a uns dias, já vai se sentir bem melhor.


Argumenta Dora: – O fato é que sua doença não envolve riscos. Outras doenças são muito piores. Sei do que estou falando, pois já fui enfermeira, como você se lembra.


Desvia Dora: – Ela tem razão! Há dez anos passei por uma cirurgia na Santa Casa para extrair a vesícula biliar. Aquilo sim, foi operação dolorida e perigosa! A dor que você está sentindo não é nada em comparação com o que eu passei.


Distrai Dora: – Foi para esse hospital que levaram meu neto quando ele fraturou o braço no mês passado. Foi o Dr. Beyer quem engessou o braço. Fez um péssimo trabalho. Minha filha precisou levá-lo a outro médico para engessar direito.


Paciente: – Ai, ai… gente, não estou me sentindo bem mesmo!


Tranquiliza Dora: – Antes que você perceba, vai estar novinha em folha!


Desvia Dora: – Por falar em Dr. Beyer, você sabia que ele mora na minha rua? Ouvi dizer que ele tem problema com alcoolismo!


Argumenta Dora: – Bom, mas o álcool não é tão perigoso como as drogas. O filho do nosso vizinho está viciado em drogas. Imagine! E também é membro da igreja…


O que aconteceu com as apreensões da Srta. Paciente? Todas as visitantes procuraram evitar o assunto da dor. Argumentaram, tranquilizaram, distraíram e desviaram-na daquilo que era sua maior preocupação. Acho que a Paciente se sentiu bem melhor – depois que as irmãs Dora saíram de seu quarto.

 

Mantendo a Amizade

“Apresentar soluções” é nossa maneira de fazer com que as pessoas sintam, pensem e atuem de modo diferente. Assim estamos comunicando nossa falta de aceitação em relação a elas e seus problemas.

 

Quarta 18 de abril


Dizer a Coisa Certa

 

É formidável poder dizer a coisa certa na hora certa! Provérbios 15:23 (A Bíblia Viva)


Certo dia, voltei da escola e disse para meu esposo:


– Ron, vou parar de lecionar. Tive um dia horrível. Sou uma péssima professora.


Ron sentou-se na cama ao meu lado e disse:


– Pare de falar desse jeito! [Ordenando] Você é ótima professora e sabe disso! [Argumentando]


– Não, eu não sou. Fiz um trabalho ruim. Quero deixar a escola. Nada deu certo hoje – choraminguei.


Ron respondeu:


– Você vai sentir-se melhor depois de uma noite bem dormida. A coisa não é tão ruim como você pensa. [Tranquilizando]


Mais lágrimas.


Ele tentou de novo:


– Escute esta piada que li no jornal de hoje. É boa.


[Distraindo]


Soluços mais fortes.


Ron desistiu e foi cortar a grama.


Enrolei-me na cama e desatei a chorar. “Ninguém me ama!” pensei. “Ninguém entende que dia horroroso eu tive!”


É claro que Ron estava tentando transmitir amor e amizade, mas erigiu bloqueios e não conseguiu me alcançar.


Enquanto eu chorava, Ron do lado de fora estava pensando: “Amontoei vários bloqueios. Não é para menos que ela está chorando. É melhor ir lá e começar de novo.”


Ele entrou.


– Querida – disse ele acima dos meus soluços –, acredito que você teve mesmo um dia terrível. Você acha que fez um trabalho ruim. Nada deu certo. Você quer parar de lecionar. Deve ter sido mesmo um dia pesado, porque sei como você gosta de lecionar.


Parei de chorar e me sentei. Os bloqueios não existiam mais! Ele havia entendido! Ele havia mesmo ouvido o que eu falava. E se importou comigo. Eu tinha um amigo que me amava e me senti muito melhor.


– Você quer falar sobre isso? – perguntou Ron.


– Talvez mais tarde – respondi, já sorrindo. Saí da cama e fui à porta do quarto. – Vou preparar o jantar.


Agora não me importava quão terrível tinha sido o dia, porque os bloqueios não existiam mais. Estávamos sintonizados. Amizade restaurada.

 

Mantendo a Amizade

É realmente possível aprender a dizer a coisa certa. Progrediremos muito na estrada da amizade, derrubando os bloqueios que ignoram as preocupações dos outros.

 

Quinta 19 de abril


Língua Afiada

 

Certas pessoas têm a língua afiada como uma espada, pronta para destruir outros, mas as palavras do homem sábio ajudam a estabelecer amor e paz. Provérbios 12:18 (A Bíblia Viva)


Carole Mayhall, autora do livro Words That Hurt, Words That Heal [Palavras que Ferem, Palavras que Curam] havia acabado de proferir sua palestra. Uma senhora, a quem daremos o nome de Vera, aproximou-se timidamente de Carole.


– Posso falar com a senhora por cinco minutos? – perguntou Vera.


Carole podia ver que Vera estava aflita. Por trás dos óculos, lágrimas brilhavam nos olhos dela.


– É claro! – respondeu Carole, conduzindo-a para um cantinho do auditório.


– Compreendi exatamente o seu tema – começou Vera. – Posso contar-lhe minha experiência com as palavras?


Carole assentiu com a cabeça.


– Há dois anos estive a ponto de sofrer um colapso nervoso depois de alguns golpes profundos em minha vida. Parecia que as mínimas coisas eram suficientes para me fazer chorar. Sempre fui ativa na igreja, mas precisei reduzir o ritmo porque não conseguia lidar com o estresse. Simplesmente não tinha forças, físicas e mentais, para prosseguir.


– Foi sábio de sua parte reduzir as atividades – encorajou Carole.


– Bem, o pastor da minha igreja não pensou assim! – continuou Vera. – Foi visitar-me depois que deixei os cargos, para me comunicar o que ele pensava a respeito.


– O que ele disse?


Os lábios de Vera começaram a tremer.


– Ele disse: “A menos que você se recomponha e saia dessa situação imediatamente, os irmãos da igreja vão parar de orar em seu favor.”


– Você deve estar brincando!


– Não estou. Honestamente. Foi isso que ele disse. – As lágrimas de Vera corriam livremente agora, enquanto recordava a ferida causada por aquela declaração cortante. – Fiquei tão deprimida que tive mesmo um esgotamento nervoso total. Estou há dois anos tentando me recuperar daquelas palavras daninhas.


As lágrimas agora molhavam a face de Carole também.


– Conte-me como Deus usou essa experiência em sua vida, Vera – pediu ela em voz suave.


– O pastor com certeza me deixou lá embaixo, mas Jesus não. Ele usou essa experiência para me fazer entender melhor o poder das palavras. Faço muitas visitas a hospitais. Semana passada, ainda, pude conduzir um paciente a Jesus. Não é emocionante?

 

Mantendo a Amizade

As palavras têm um poder tremendo para machucar ou curar. As palavras que usamos para ignorar o sofrimento alheio ferem muito.

 

Sexta 20 de abril


Pondo a Culpa em Deus

 

Um inimigo fez isso. Mateus 13:28


Roger Bandy fazia parte da equipe de paramédicos do Corpo de Bombeiros de Los Angeles. O dia 21 de outubro de 1984 estava calmo, até que à noite chegou um telefonema pedindo socorro num caso de acidente.


Um motorista bêbado, dirigindo a 120 km por hora, havia colidido com a lateral de outro carro. Este praticamente se dobrou pela metade e foi arrastado por uns 30 metros. O motorista do carro estava morto. Roger correu para o lado do passageiro.


– Ah, não, meu Deus! É você, Sherry? – gritou ele ao contemplar o rosto sem vida de sua filha única. Freneticamente aplicou nela seus conhecimentos de primeiros socorros até a chegada da ambulância e a acompanhou ao hospital. Estava morta ao chegar.


“Por que, Deus, por quê?” perguntava Roger. “Por que não lhe deste três segundos mais de tempo para livrar-se daquele carro? É Tua culpa, Senhor. Poderias ter feito algo, mas não fizeste!”


Roger não foi a primeira pessoa a fazer essa pergunta diante de uma tragédia. Dezenas de milhares de pessoas a fazem todos os dias. De quem é a culpa por todo sofrimento, dor e morte neste mundo?


Nosso texto diz que devemos pôr a culpa no inimigo, Satanás. Por enquanto, Satanás é o governante deste mundo. Mas Deus ainda está no controle do Universo. Por razões que achamos difícil entender, Ele não evita a maior parte das tragédias.


Roger Bandy agiu como nós, quando pensou que Deus poderia interferir e salvar os que O amam. Ele contou ao seu médico: “Pensei que se eu vivesse de modo correto e ajudasse os outros, minha família e eu estaríamos protegidos contra as tragédias pessoais. Fiquei furioso quando Deus não cumpriu Sua parte.”


Roger cometeu um engano comum. Mantinha expectativas irreais acerca de Deus. Deus não prometeu que teríamos sempre um céu azul e que não haveria tormentas em nossa vida. Mas prometeu que sempre estaria conosco em nossas aflições.

 

Mantendo a Amizade

Se quisermos manter as amizades, precisamos eliminar o bloqueio das expectativas irreais.

 

Sábado 21 de abril


Olhem Para Mim!

 

A soberba precede a ruína, e a altivez do espírito, a queda. Provérbios 16:18


Jerry, de dez anos de idade, era forte. Podia jogar uma bola mais longe, correr mais rápido e fazer um bocado de coisas melhor do que os outros garotos. O problema era que ele sabia disso e gostava de contar a todo mundo como era o tal. Esperava que as pessoas o elogiassem constantemente pelas coisas tremendas que podia fazer.


Certo dia, ele estava na praia, de férias. Descobriu logo que conseguia remar um barco mais rápido do que qualquer outro.


– Sou o melhor! – gabava-se Jerry. – Vejam só a minha rapidez!


Somente um menino o desafiou. Jerry não podia permitir que isso acontecesse, lógico, de modo que remou com mais força ainda para manter-se na dianteira. Enquanto avançava, gritou:


– Vejam só como vou ganhar dele! Só olhem a minha velocidade!


Nesse instante o remo do lado direito da canoa de Jerry escapou da alça. Isso fez com que ele caísse de costas no fundo da canoa, enquanto os pés ficaram aparecendo lá em cima. Na confusão, ele soltou o remo, que foi carregado pelas ondas para longe de seu alcance.


Mas Jerry não deixaria que uma coisa pequena como um remo perdido fosse a causa de sua derrota. Mudou uma das alças para a popa da canoa e usou seu único remo como um leme. A canoa disparou para a frente.


– Olhem para mim! – gritou ele de novo. – Vejam o que consigo fazer!


No mesmo momento, o remo lhe escapou da mão, impelindo Jerry por cima da borda da canoa para dentro do mar!


Vários barcos vieram para resgatar o garoto e seus remos perdidos. Um homem o pescou de dentro da água e o levou para a praia, onde uma pequena multidão já estava reunida. Quando ele saiu da água, encharcado, alguém gritou: “Olhem para mim!” Todos deram risada.


Jerry também riu com eles, já que não havia outra coisa para fazer. Você acha que ele aprendeu a lição a respeito da arrogância?

 

Mantendo a Amizade

É irreal esperar que as pessoas nos elogiem o tempo todo. Ninguém gosta de uma pessoa que está sempre pedindo que os outros vejam como é grande ou esperta.

 

Domingo 22 de abril


Amigas Queixosas

 

Aprendi a viver contente em toda e qualquer situação. Filipenses 4:11


Tive tempos atrás uma amiga a quem darei o nome de Lídia. Ela estava passando por uma situação difícil. Como não tinha familiares que pudessem ajudá-la, decidi fazer o possível para torná-la feliz.


Numa visita à cabaninha de Lídia, descobri que seu único lençol estava cheio de furos. Fui para casa ver o que tinha para lhe suprir a necessidade. Escolhi um jogo de lençóis com listras em tons pastel. “Ela vai gostar destes lençóis”, imaginei. “Como vai ficar agradecida! Mal posso esperar para ver o brilho nos seus olhos ao recebê-los!”


Levei-lhe o jogo no mesmo dia, de tão ansiosa que estava para ver a satisfação dela com meu presente! Lídia aceitou os lençóis sem um sorriso ou agradecimento. Apalpou o tecido macio. Finalmente olhou para mim com olhos que lhe revelavam sua decepção:


– Querida, eu esperava tanto que os lençóis fossem brancos!


Senti a raiva crescer dentro de mim. Como podia ela ter a coragem de reclamar, quando eu lhe havia dado o melhor que possuía? “Não se olham os dentes de um cavalo dado!” pensei eu.


– Mais alguma coisa que eu possa fazer por você, Lídia? – perguntei.


– Tenho muita vontade de comer queijo! – suspirou ela. – Você sabe que não posso comprá-lo com o dinheiro da minha pensão.


Meu coração se condoeu da velhinha. Deve ser duro não poder comprar as coisas que se deseja.


– Vou trazer queijo na próxima vez que vier visitá-la – prometi.


Você adivinhou! Quando cheguei com três embalagens de queijo curado, Lídia reclamou de novo:


– Ah, querida, eu esperava que você trouxesse queijo fresco!


Eu havia comprado propositalmente queijo curado porque sabia que se conservaria melhor no clima quente. Lídia não tinha geladeira.


Tanto Lídia quanto eu havíamos usado bloqueios de expectativas fantasiosas. Quando nossas expectativas não se cumpriram, queixamo-nos e nos sentimos frustradas.

 

Mantendo a Amizade

Queixar-se é resultado de expectativas irreais. Preferimos relacionar-nos com pessoas satisfeitas com o que recebem e que não ficam sempre desejando algo diferente.

 

Segunda 23 de abril


Amizades Possessivas

 

Quem reparte generosamente seus bens […] se tornará cada vez mais rico; quem procura segurar mais dinheiro do que necessita acabará perdendo tudo. Provérbios 11:24 (A Bíblia Viva)


A professora encontrou Sheila chorando no pátio da escola.


– Qual é o problema, Sheila? – perguntou a Sra. Vale. – Alguém a machucou?


– Foi a Cecília.


– Mas eu pensava que Cecília era sua melhor amiga! – observou a professora.


– Não é mais. Eu a odeio!


– Talvez você não tenha entendido direito – sugeriu a Sra. Vale. – O que ela lhe fez?


– Está brincando com a Dirce! – respondeu Sheila, começando a soluçar de novo. – Ela não gosta mais de mim. Agora a amiga dela é a Dirce!


– Entendo. – A Sra. Vale percebeu tudo num relance. – Você quer a Cecília só para você, não é?


Sheila concordou com a cabeça.


– Ela é minha amiga! Não tinha que ir brincar com a Dirce. Não sei por que ela não gosta mais de mim!


– Vamos descobrir – disse a professora, tomando a menina pela mão.


Sheila levantou-se e foi com a Sra. Vale até onde Cecília estava pulando corda com Dirce. As meninas pararam quando a professora chegou com Sheila.


– Cecília, é verdade que você não gosta mais da Sheila? – perguntou a Sra. Vale.


– Não! Não é verdade! – respondeu Cecília, balançando seus cachinhos dourados. – Eu gosto muito da Sheila. É minha melhor amiga, mas quer que eu só seja amiga dela. Gosto das outras meninas e quero brincar com elas de vez em quando.


– Isso me parece justo – concordou a professora. – Você disse a Sheila que não queria brincar com ela?


– Não! Dirce e eu insistimos para que ela viesse pular corda com a gente. Pular corda de três é melhor que só de duas, mas ela saiu correndo e não quis brincar.


– Obrigada, Cecília – disse a professora, levando Sheila para um cantinho do pátio. – Você sabe, Sheila, ser muito possessiva com os amigos faz com que eles se afastem de nós. Tenho a impressão de que você se apegou demais a Cecília. Não acha que seria bom às vezes “emprestar” sua amiga?


Sheila sorriu, concordou e saiu correndo para pular corda com as outras duas meninas.

 

Mantendo a Amizade

Querer apossar-se de uma amizade tem por base expectativas falsas. A possessividade é um bloqueio que impedirá o trânsito da amizade. Um apego exagerado pode afastar nossos amigos.

 

Terça 24 de abril


Exagero nas Visitas

 

Não exagere nas visitas a seu vizinho, senão ele já não ficará contente com a sua presença. Provérbios 25:17 (A Bíblia Viva)


Andreia mudou-se para um novo bairro e ficou encantada quando Sueli, vizinha mais próxima, lhe deu as boas-­vindas. Ambas tinham muito em comum. A idade das duas era aproximada, e tinham cada uma dois filhos pequenos. Foi interessante passar a manhã juntas, ouvindo música, assando pão e conversando.


Então aconteceu que o marido de Sueli arranjou um emprego no qual precisava viajar alguns dias cada semana. Sueli não gostava de ficar sozinha, de modo que pegou as crianças e foi passar a manhã com sua nova amiga, Andreia. Na hora do almoço, levou os filhos para casa, para dormirem um pouquinho. Depois de uma hora estava de volta, para passar a tarde com Andreia.


Após várias semanas nessa rotina, Andreia queixou-se para seu marido.


– Estou ficando atrasada com meu trabalho! Sueli esteve aqui o dia todo outra vez. Não posso fazer muita coisa com quatro crianças correndo pela casa.


– Diga-lhe o que você está achando – sugeriu seu marido Júlio.


– Já tentei! – disse Andreia. – Dou todo tipo de indiretas, mas ela parece não captar nenhuma.


– Então fale abertamente – insistiu Júlio.


– Não quero magoá-la – contrariou Andreia, ao mesmo tempo em que pensava na sugestão dele. Orou acerca do problema também. Por fim, sentiu-se preparada para falar.


– Sueli, você é minha melhor amiga, mas cheguei ao ponto em que me assusto quando a campainha toca, porque sei que provavelmente é você, e você vem para ficar o dia todo. Para falar com franqueza, preciso de tempo a sós em casa com minha família.

Tenho trabalho para fazer. Você precisa construir a própria vida e não depender totalmente de mim como seu apoio. Desculpe-me, mas é assim que me sinto. Você consegue entender?


Sueli começou a chorar.


– Eu não sabia que você não me queria aqui.


– Eu quero você… às vezes, mas não o tempo todo – respondeu Andreia.


– É, acho que tenho sido um bocado egoísta, não é mesmo? – perguntou Sueli. Depois de uma boa conversa, as duas decidiram ter uma amizade mais normal.

 

Mantendo a Amizade

Perdemos rapidamente os amigos se colocamos muitas exigências quanto ao seu tempo. Não compensa sermos cansativos nas nossas amizades.

 

Quarta 25 de abril


O Rei do Castelo

 

Seja outro o que te louve, e não a tua boca; o estrangeiro, e não os teus lábios. Provérbios 27:2


Carlos era o garoto mais alto da pequena escola da igreja. Estava apenas na terceira série, mas era maior que Davi, da quarta, e Marcos, da sexta. Era inclusive mais forte que Samuel, da sétima.


Os pedreiros haviam deixado um monte de terra em um canto do pátio da escola. Durante o recreio, Carlos subiu no monte. Agitando ambas as mãos, gritou:


– Eu sou o rei do castelo! Ninguém é forte o bastante para me derrubar. Ah, ah, ah! Sou o rei do castelo!


Os outros meninos correram até o recém-proclamado castelo de Carlos e, um por um, tentaram empurrá-lo para baixo.


– Você acha que é muito esperto – disse o rijo Samuel, avançando para o “rei”. Carlos pulou de lado com facilidade.


– Pare com essa gabolice! – gritou Marcos, enquanto agarrava a mão de Carlos para puxá-lo. Carlos livrou-se de Marcos.


– Vou mostrar-lhe quem é o rei! – disse Davi, correndo para pegar impulso e depois dando um salto. Caiu no topo do monte de terra, ao lado de Carlos. Os dois lutaram por um momento, e depois Carlos empurrou Davi de costas, para baixo do monte.


Os outros correram para o lado dele. Davi sentou-se furioso, mesmo vendo que não estava machucado.


– Vamos derrubar o esperto Alexandre, o Grande!


– Sim, vamos mostrar-lhe quem é o rei! – concordaram os demais.


– Dou conta de todos vocês! – sorriu Carlos pretensiosamente, no topo de sua montanha.


Davi, Marcos e Samuel atacaram o castelo de diferentes ângulos. Juntos, puxavam e empurravam Carlos de seu poleiro.


Carlos não saiu ferido, a não ser em seu orgulho.


– Três contra um não é justo! – lamuriou-se ele, enquanto corria para contar tudo à professora. – Eles me chamaram de esperto Alexandre. Gozaram de mim – reclamou.


Depois de ouvir os dois lados da história, a professora comentou:


– Carlos, parece que você pediu que eles o atacassem. Quem não gosta de ser chamado de esperto Alexandre, provavelmente não se mostraria tão arrogante, convencido e presunçoso. Certo?


– Acho que sim – disse Carlos, abaixando a cabeça.

 

Mantendo a Amizade

Uma forma rápida de perder amigos é mostrar-lhes que você é melhor que eles. Atos presunçosos e o louvor próprio são bloqueios pesados na estrada da amizade.

 

Quinta 26 de abril


O Invejoso Gilson

 

Cruel é o furor, e impetuosa, a ira, mas quem pode resistir à inveja? Provérbios 27:4


Era o aniversário de Ronaldo. Seus amigos reuniram-se perto da garagem para ver o presente de aniversário – uma bicicleta novinha. Ele saiu pedalando da garagem, exultante.


Ela era de um azul intenso, com as partes cromadas que brilhavam como se fossem de prata. Tinha um assento macio de couro com molas, bem como uma cestinha presa atrás. Todos acharam a bicicleta fantástica, menos Gilson, que até aquele momento tinha sido o melhor amigo de Ronaldo.


– Opa! – exclamou Martinho. – Que beleza!


– As vermelhas são mais bonitas – disse Gilson.


– Olhem só os cromados! – disse Breno, passando a mão sobre o guidom.


– Dentro de pouco tempo vão estar enferrujados e opacos – resmungou Gilson.


– A cestinha de couro é legal! – afirmou Cristiano.

 

– As de metal são muito melhores – desdenhou Gilson.


– Todos vocês podem dar uma voltinha com ela – informou Ronaldo. – O primeiro vai ser o Gilson. – Os outros concordaram. Esperavam mesmo que Gilson fosse o primeiro, porque era o melhor amigo de Ronaldo.


– Não, muito obrigado! – disse Gilson de modo hostil. – Não me interessa andar na sua bicicleta. – E foi embora, deixando Ronaldo e os outros garotos sem saber o que havia acontecido.


Depois daquilo, Gilson começou a andar mais com Miguel. Tornaram-se grandes amigos, até que Miguel ganhou um par de patins “in-line”, os melhores. Depois Gilson não quis mais brincar com Miguel.


Gilson tornou-se amigo de Pedro. Isso durou até que Pedro ganhou um uniforme completo do seu time preferido de vôlei, inclusive com joelheiras e tênis. Gilson fez pouco caso do uniforme e depois daquilo não se relacionou mais com Pedro.


Beto foi o novo amigo de Gilson. Tudo ia bem, até que o pai de Beto o levou para uma pescaria no lago da montanha. Depois disso, Gilson ignorou Beto.


Qual era o problema de Gilson? Ele era simplesmente invejoso. Invejou a bicicleta azul de Ronaldo. Cobiçou os patins de Miguel e o uniforme de Pedro. Ficou ressentido porque Beto foi levado para pescar, e ele não.

 

Mantendo a Amizade

A inveja é um modo seguro de arruinar os relacionamentos. A amizade não pode durar num clima de inveja. Ela destrói a confiança, a afeição e a liberdade entre amigos.

 

Sexta 27 de abril


Jesus e os Bloqueios

 

Aquele que diz que permanece nEle, esse deve também andar assim como Ele andou. 1 João 2:6


Você consegue imaginar Jesus amontoando bloqueios? Pode vê-Lo dizendo palavrões, humilhando, censurando e criticando? Por acaso Ele era autoritário, exigente e egocêntrico? Fez alguma vez com que as pessoas se sentissem burras ou ignorou o sofrimento delas?


Imagine só Jesus dizendo a Maria Madalena: “Você devia ter vergonha! Que coisa feia! Os fariseus têm razão em querer apedrejá-la. Você está recebendo o que merece!” [Palavras pesadas, censura, humilhação.]


Pense no que Jesus poderia ter dito a Nicodemos, naquela noite em que ele fez perguntas acerca de nascer de novo: “Não se preocupe com isso. Vamos jantar juntos. Amanhã pela manhã você já se sentirá melhor.” [Dando ordens, distraindo, desviando.]


Visualize a noite em que Pedro negou seu Senhor. Jesus grita para ele: “Seu estúpido! Idiota! Isso é jeito de algum discípulo Meu falar? Você devia se comportar um pouco melhor!” [Palavras pesadas, humilhação, crítica.]


Como reagiria Marta naquele dia em que desejava a ajuda de sua irmã na cozinha? Jesus diria: “Francamente, Marta! Pare de perturbar sua irmã. É você que está errada. Está simplesmente com ciúme.” [Exigindo, julgando, diagnosticando.]


O que Jesus poderia ter dito à mulher junto ao poço? “Mentirosa! Como se atreve a pronunciar o nome de Deus, sendo tão pecadora?” [Palavras pesadas, humilhação.]


Jesus não disse nenhuma dessas coisas. Ele amava demais as pessoas para erigir bloqueios. Veio para romper as barreiras que levantamos. Veio derrubar nossos bloqueios. Veio para restaurar relacionamentos, e não para destruí-los.


Os bloqueios destroem a amizade das seguintes maneiras:


1. Diminuem nosso senso de valor próprio.
2. Tornam-nos defensivos, resistentes e ressentidos.
3. Provocam em nós a tendência de nos retrairmos e nos sentirmos fracassados.
4. Impedem soluções reais para os nossos problemas.
5. Bloqueiam os sentimentos.

 

Mantendo a Amizade

Jesus viveu neste mundo sem julgar ou exigir. Não tentou ignorar o sofrimento das pessoas. Viveu sem queixas, inveja e jactância. Ele pode ajudar-nos a eliminar os bloqueios em nossos relacionamentos.

 

Sábado 28 de abril


O Dia de Miguel

 

Se alguém não tropeça no falar, é perfeito varão. Tiago 3:2


Observar um dia na vida de Miguel ilustra o efeito dos bloqueios. Tente imaginar como você se sentiria se estivesse no lugar dele.
Miguel ainda continuava deitado, cinco minutos depois de o despertador tocar. Sua mãe gritou:


– Miguel, seu preguiçoso, desça antes que eu mande seu pai buscá-lo!


Miguel levantou-se e foi ao banheiro para lavar o rosto e pentear o cabelo. Sua irmã mais velha estava lá dentro, trancada. Ela gritou:
– Agora espere! Cheguei aqui primeiro!


Ao sentar-se para o desjejum, o mingau de aveia já havia esfriado.


– É culpa sua! – disse a mãe. – Venha quando é chamado, se não quiser comer mingau frio.


Ele correu para tomar o ônibus, mas precisou voltar para pegar o lanche.


– Acho que você se esqueceria até da cabeça se ela não estivesse presa! – repreendeu a mãe.


– Ah, mãe, corta essa! – gritou Miguel enquanto corria para a calçada. O ônibus já havia ido sem ele. Precisou ir a pé para a escola.


Foi à diretoria por ter chegado atrasado, e o diretor observou:


– Rapaz, você precisa ser pontual nos compromissos, se quiser ter sucesso na vida!


Na aula de leitura, ele tropeçou numa palavra nova. A turma deu risada. Embaraçado, não encontrava a frase que estava lendo.


– Miguel, preste atenção ao que está fazendo! – ordenou a professora. – Qual é o problema? Ficou até tarde assistindo televisão?


Miguel fechou o livro com força, enquanto o rosto ficava vermelho de raiva. Fechou os olhos para evitar que as lágrimas corressem.


– Fique aqui na hora do recreio – ordenou a professora.


No recreio, Miguel queixou-se:


– Não é justo. Todo mundo pega no meu pé. Não fiz nada a ninguém.


Sem ter ideia dos bloqueios que Miguel já havia encontrado naquele dia, ela acrescentou mais um:


– Miguel, acho que você está exagerando. Vá tomar alguma coisa e respire ar fresco. Você se sentirá melhor quando se acalmar.


Tente encontrar estes bloqueios na história: tranquilizar, distrair, ordenar, xingar, humilhar, censurar, criticar, ameaçar e diagnosticar.

 

Mantendo a Amizade

Evite bloqueios se quiser manter os amigos! Nenhum de nós é perfeito, mas podemos melhorar com a ajuda de Deus.

 

Domingo 29 de abril


Vilões Verbais

 

Os lábios do justo sabem o que agrada, mas a boca dos perversos, somente o mal. Provérbios 10:32


Vilões Verbais são pessoas que usam palavras de maneira perversa, para ferir os outros e destruir amizades. Examine-­os. Você conhece algum Vilão Verbal? Já foi um deles?


1. Pintor de cartazes. Esse vilão precisa rotular tudo e todos. Usa palavras pesadas e humilha.
2. Carrasco. Esse deseja pôr a culpa em alguém. Uma vez sabendo de quem é a culpa, está pronto a punir a pessoa. Censura e castiga.
3. Detetive. Monopoliza toda a conversa, tentando conhecer os fatos e pormenores do que aconteceu. Costuma acusar.
4. Advogado. Está sempre com a razão. Argumenta e defende suas ideias.
5. Doutor. Acha que pode ler os pensamentos. Sabe exatamente por que alguém fez o que fez. Diagnostica.
6. Mágico. Tenta fazer você pensar que seu problema não existe ou que as coisas não são tão ruins como parecem. Tudo ficará melhor depois de uma boa noite de sono! Ele distrai, desvia e tranquiliza.
7. Pregador. Gosta de dizer o que é certo fazer. Diz o que você deve e não deve fazer. Muitas vezes ameaça, dizendo o que vai acontecer se você não fizer aquilo que ele sugere.
8. Sargento instrutor. Espera ser obedecido. Gosta de dar ordens. Manda e exige.
9. Editor. Critica tudo o que você diz e faz. Quer mudar o que você diz para torná-lo o que ele acha que deveria ser. Para um editor, você nunca está certo.
10. Profeta. O profeta sempre sabe exatamente o que vai acontecer com você. Faz predições e depois se senta para observar o cumprimento.
11. Florista. Quer tudo sempre bonito. Tem coisas floreadas para dizer, para fazer com que você pense que as coisas são melhores do que na realidade o são. Costuma ignorar o sofrimento dos outros.
12. Palhaço. Acha que tudo é divertido. Deseja evitar situações desagradáveis e costuma contar piadas para fazer com que você se esqueça dos seus problemas.

 

Mantendo a Amizade

Quais são os cinco tipos que usam os bloqueios de “julgamento”? Quais são os quatro que adotam o procedimento de “apresentar soluções”? Quais são os três que ignoram a dor alheia?

 

Segunda 30 de abril


Teste dos Bloqueios

 

Desejo que as minhas palavras e os meus pensamentos íntimos sejam sempre agradáveis a Ti, Senhor, minha Rocha e meu Libertador!
Salmo 19:14 (A Bíblia Viva)


Com que frequência você usa os seguintes bloqueios da comunicação? “Sempre” é mau sinal; “nunca” é ótimo. Em que áreas você precisa da ajuda de Deus para tornar suas palavras agradáveis a Ele e a seus amigos?

 

11. Costumo criticar as pessoas e seus atos.
( ) Nunca ( ) Às Vezes ( ) Geralmente ( ) Sempre
12. Tenho o costume de rotular as pessoas e dirigir-me a elas com palavras duras.
( ) Nunca ( ) Às Vezes ( ) Geralmente ( ) Sempre
13. Quando as coisas dão errado, ponho a culpa em outra pessoa.
( ) Nunca ( ) Às Vezes ( ) Geralmente ( ) Sempre
14. Gosto de descobrir por que as pessoas fizeram tal coisa. Digo-lhes por que acho que elas agiram daquela maneira.
( ) Nunca ( ) Às Vezes ( ) Geralmente ( ) Sempre
15. Gosto de dar conselhos aos outros. Acho que estou ajudando, ao oferecer soluções para os problemas deles.
( ) Nunca ( ) Às Vezes ( ) Geralmente ( ) Sempre
16. Acho que é meu dever informar os amigos sobre o que é certo e errado – aquilo que devem ou não fazer.
( ) Nunca ( ) Às Vezes ( ) Geralmente ( ) Sempre
17. Procuro ignorar o sofrimento dos outros, desviando-lhes a atenção para algo que aconteceu comigo ou com outra pessoa.
( ) Nunca ( ) Às Vezes ( ) Geralmente ( ) Sempre
18. Tranquilizando meus amigos, procuro fazer com que deixem de se concentrar em sua dor.
( ) Nunca ( ) Às Vezes ( ) Geralmente ( ) Sempre
19. Discuto com meus amigos.
( ) Nunca ( ) Às Vezes ( ) Geralmente ( ) Sempre
10. Sinto inveja quando meus amigos conseguem algo melhor do que aquilo que tenho ou fazem algo melhor do que eu. Sou ciumento.
( ) Nunca ( ) Às Vezes ( ) Geralmente ( ) Sempre
11. Não quero que meu amigo seja amigo dos outros. Sou possessivo em meus relacionamentos.
( ) Nunca ( ) Às Vezes ( ) Geralmente ( ) Sempre
12. Reclamo um bocado quando as coisas não saem do jeito que quero.
( ) Nunca ( ) Às Vezes ( ) Geralmente ( ) Sempre
13. Ponho a culpa em Deus quando as coisas dão errado na minha vida.
( ) Nunca ( ) Às Vezes ( ) Geralmente ( ) Sempre