Por meio de você, Deus abençoará todos os povos. Gálatas 3:8 (NTLH)
Numa história em quadrinhos, Lucy pergunta a Charlie Brown:
– Para que você acha que somos colocados aqui neste mundo?
– Para tornar os outros felizes – diz Charlie Brown.
– Acho que não estou fazendo ninguém muito feliz, mas é lógico que os outros também não estão me fazendo feliz – replica Lucy.
Ela arma um tapa e atinge o desprevenido Charlie Brown, fazendo-o girar. E grita:
– Alguém aqui não está cumprindo a sua tarefa!
Com a mensagem desses quadrinhos, o autor Charles Schulz expressa a verdade de Gálatas 3:8. Embora Paulo esteja citando as palavras de Deus a Abraão, todos nós temos uma tarefa neste mundo – fazer os outros felizes. Há muitas pessoas infelizes, desanimadas e tristes; por isso, concluímos que alguém não está cumprindo sua tarefa!
Com muita frequência, focalizamos a nós mesmos, assim como Lucy: “Por que alguém não está me fazendo feliz?” O segredo da amizade não é esperar para ver o que nosso amigo vai fazer para tornar-nos felizes, mas sim procurar formas de fazer nosso amigo feliz.
Sílvia entendeu esse princípio da amizade. Provou ser amiga de Laura no dia do concurso da 4ª série. As meninas tinham decidido escolher quem era a garota mais simpática da sala. Doze meninas votaram. Seis deram seu voto a Sílvia e seis para Laura. Concluíram que teriam de votar outra vez.
Momentos antes de votar, Sílvia cochichou alguma coisa para Jéssica. Jéssica balançou a cabeça. Efetuou-se a votação. Desta vez, cinco votos foram para Sílvia, e sete para Laura.
– Estou feliz porque você ganhou – disse Sílvia a Laura, na volta para casa.
– Mas ganhei só porque você pediu que Jéssica votasse em mim – comentou Laura.
– Está certo, porque acho que você deve ganhar mesmo. Afinal de contas, gosto mais de você do que de mim!
Neste mês, vamos pensar sobre como tornar as outras pessoas felizes. Aprenderemos a fazê-las felizes com elogios, palavras de apreciação, cartões, telefonemas, um toque, um sorriso, uma oração, um olhar, nossa presença e nossos presentinhos.
Sendo Amigos
Ser amigo focaliza a felicidade de outra pessoa, e não nossas próprias necessidades. É pensar em formas de fazer com que nossos amigos se sintam bem.
Tenham uma conversa sensata e agradável. Colossenses 4:6 (A Bíblia Viva)
Na cidade de Nova York, Art Buchwald estava andando de táxi com um amigo. Quando desembarcaram, o amigo disse ao motorista do táxi:
– Muito obrigado. O senhor fez um excelente trabalho.
– Você é algum engraçadinho ou o quê? – perguntou o motorista.
– Não – respondeu o amigo de Art. – Estou falando sério. Admirei o modo como o senhor se manteve calmo nesse trânsito terrível.
O motorista resmungou alguma coisa e foi embora.
– Qual foi o “papo”? – perguntou Art.
– Estou procurando trazer o amor de volta a Nova York – respondeu o amigo.
Alguns metros adiante, os dois homens passaram por operários que comiam o lanche no canteiro de obras de uma construção. O amigo de Art parou para comentar:
– Que trabalho magnífico vocês estão fazendo!
Os homens continuaram a comer em silêncio, mas olharam para ele como se quisessem dizer: “O que você quer da gente?”
– Essa construção é impressionante – acrescentou o amigo de Art antes de continuar caminhando. – Vocês todos devem estar muito orgulhosos!
Depois de estarem a certa distância, o amigo de Art disse:
– Aqueles homens ficarão um pouco mais felizes com o que eu disse. E de alguma forma a cidade se beneficiará com a alegria deles.
Ellen White aconselha: “Não deixem passar desaproveitada a oportunidade de dizer palavras animadoras que inspirem confiança” (Testemunhos Para a Igreja, v. 5, p. 613).
“Devemos ser abnegados, procurando sempre oportunidades, mesmo nas pequenas coisas, para mostrar gratidão pelos favores que temos recebido de outros e procurando ocasião de alegrar a outros e aliviar-lhes as tristezas e as cargas por atos de amável bondade e pequenos atos de amor” (O Lar Adventista, p. 428).
Pense no “efeito dominó” de uma palavra bondosa. Suponha que dois daqueles homens a quem o amigo de Art elogiou tenham sido motivados a falar palavras bondosas para outras duas pessoas no dia seguinte. Se esse processo continuasse, no sétimo dia 120 pessoas teriam ouvido uma palavra bondosa. No décimo quarto dia, 16.000 vidas teriam sido tocadas pelo amor. Depois de três semanas, dois milhões de pessoas teriam sido abençoadas.
Sendo Amigos
Ser amigo significa apreciar os outros, procurando oportunidades de alegrá-los e aliviar-lhes os fardos com pequenos atos de ternura e amor.
Mandou Barnabé a Antioquia. Ao chegar […] ficou cheio de entusiasmo e de alegria, e animava os crentes. Atos 11:22, 23
(A Bíblia Viva)
A sineta tocou para o início da primeira aula. O professor de Bíblia, recém-formado no Seminário, colocou-se nervoso diante da turma da faculdade.
– Quero pedir a compreensão e o perdão de vocês por minhas falhas no preparo destas aulas – começou o professor. – Eu não tinha ideia de que lecionar Bíblia na faculdade fosse tão difícil. Sinto-me esmagado por minha carga horária. Fico acordado até tarde da noite para me preparar, mas o tempo nunca é suficiente. Preciso das orações de vocês.
Jane viu que as mãos dele tremiam quando ele colocou os óculos e começou a falar. Lembrou-se das vezes em que ela havia saído tarde da noite da biblioteca e tinha visto luz no escritório dele.
“O pobre homem está trabalhando demais”, pensou Jane. “Acho que precisa mais do que nossas orações. Necessita de encorajamento. Que poderíamos fazer?” Quando a aula terminou, Jane tinha ideia de algo que podia ser feito.
Durante os dias seguintes, Jane contou sua ideia a alguns amigos, e entre si organizaram aquilo que chamaram de “Comissão Barnabé”. Recebeu esse nome porque Barnabé foi o discípulo enviado a Antioquia para encorajar os novos crentes. Esse nome, na realidade, significa “filho do ânimo”.
A Comissão Barnabé concordou em orar por seu professor de Bíblia e pelos outros professores também. Mais do que isso, resolveram pensar em formas de animá-los através de atos secretos de bondade.
Pequenos bilhetes de incentivo começaram a surgir sobre a mesa dos professores. Às vezes havia algumas quadrinhas com rimas engraçadas e outras vezes uma lembrancinha em anexo, como biscoitos, bombons ou uma maçã. Os bilhetes vinham sempre assinados como “A Comissão Barnabé”.
Jane percebeu que a atmosfera no colégio se tornou positiva. Os professores sorriam mais. O professor de Bíblia começou a dar aulas melhores. Observou-se um espírito de amor e entusiasmo, causado pelos atos secretos da Comissão Barnabé.
Sendo Amigos
Você pode participar da Comissão Barnabé. Existe alguém a quem você poderia animar hoje através de um ato secreto de bondade?
Tu me fazes andar de cabeça erguida, apesar da minha vergonha. Salmo 3:3 (A Bíblia Viva)
Eduardo caminhava bem devagarinho pela rua, com a cabeça baixa. Na mão, agarrava com força o primeiro boletim de sua vida – e ele não era bom.
“O que a mamãe vai dizer?” preocupou-se Eduardo. Ele abriu o boletim outra vez e olhou suas notas. Observou o item que dizia: “Colocação na classe.” Numa classe de 15 alunos, ele ocupava o nono lugar. “Com certeza ela vai me xingar por eu não ser o primeiro da turma!” pensou Eduardo.
Adiou o momento fatal tanto quanto pôde, mas por fim chegou à sua casa. Lá estava a mamãe esperando por ele junto à porta.
– Então, Eduardo, como foi? – perguntou a mãe toda animada, estendendo a mão para ver o boletim.
Eduardo suspirou e entregou o relatório decepcionante.
Sua mãe estudou o boletim por alguns instantes, notando a colocação dele entre os colegas.
– Não se preocupe, Eduardo – disse ela em voz baixa. – Com certeza você vai melhorar da próxima vez. Além disso, aqui aparece uma coisa que me deixa muito feliz. Apesar de ser o nono aluno nas notas, você é o primeiro em bom comportamento. Isso significa muito mais para mim, filho, do que se você fosse o primeiro da turma, porém com uma nota baixa em conduta.
Eduardo ergueu os olhos para o rosto sorridente de sua mãe. Endireitou os ombros.
As palavras animadoras que ouvira fizeram com que se decidisse a melhorar. – Vou chegar ao primeiro lugar, mamãe – disse ele com determinação. – Só espere para ver!
Não demorou muito para que Eduardo Everett Hale se tornasse o primeiro da turma, nos estudos e no comportamento. Cresceu, tornou-se pastor e autor de muitos livros. Sua história mais famosa tem o título “O Homem Sem País”.
Tornou-se capelão do Senado norte-americano. Também dirigiu uma sociedade que buscava formas de encorajar os recém-chegados imigrantes. Seu lema transmitia ânimo: “Olhe para cima, e não para baixo; olhe para frente, e não para trás; olhe para fora, e não para dentro; ajude alguém.”
Sendo Amigos
Ao dizer palavras animadoras a seus amigos, você pode motivá-los a melhorar. Essas palavras podem dar-lhes a coragem de tornar-se tudo o que são capazes de ser.
Deus usará para julgar vocês a mesma regra que vocês usarem para julgar os outros. Marcos 4:24 (NTLH)
Francis tinha acabado de mudar-se para uma cidadezinha do interior. Queixou-se para sua vizinha Ester:
– Esta cidade precisa é de outra farmácia. Nunca fui tão mal-atendida como ontem. O farmacêutico aqui é lerdo e ineficiente. Acho que da próxima vez vou de carro até a cidade vizinha para mandar aviar minha receita.
– Ah, é mesmo? – disse Ester. – Eu não havia percebido.
– Na próxima vez, observe como ele trabalha – sugeriu Francis. – Não me importo se você contar o que eu disse. Ele precisa ficar esperto, se não quiser perder uma freguesa.
Algum tempo mais tarde, Francis precisou mandar aviar outra receita e decidiu dar mais uma oportunidade ao farmacêutico local.
– Bom-dia, dona Francis! – cumprimentou-a o farmacêutico com um largo sorriso. – Espero que já esteja bem adaptada à cidade e que tudo esteja correndo bem para a senhora. Se eu puder ajudar em alguma coisa, é só dizer!
Surpresa diante de tanta amabilidade, ela observou:
– Hoje é só esta receitinha.
– Sem problemas! – disse ele. – Vamos prepará-la num instante. Se quiser esperar, posso providenciá-la em cinco minutos.
Naquela tarde, Francis apresentou o relatório a Ester.
– Ele foi muito amigável e eficiente hoje. Você deve ter dito o que lhe comentei acerca do atendimento na última vez.
– Bem, não exatamente – respondeu Ester com um sorrisinho. – Disse a ele que você ficou admirada diante da forma como ele estabeleceu aquela farmácia numa cidade pequena. Contei também que você a considera uma das farmácias mais bem administradas que conhece.
– Não acredito que você o elogiou depois daquele atendimento da primeira vez! – exclamou Francis.
– Bem, funcionou, não foi? – riu Ester. – Apenas sei que o elogio consegue muito mais do que a crítica. “O mel atrai mais do que o vinagre”, como minha mãe costumava dizer. Procuro valorizar as pessoas sempre que tenho essa oportunidade.
Sendo Amigos
Um elogio é um modo maravilhoso de valorizar os amigos. No elogio há certa mágica que incentiva as pessoas a fazerem seu melhor. Ninguém pode ser amigo de verdade sem valorizar os outros.
Rendei graças ao Senhor, porque Ele é bom. Salmo 118:1
Dezessete filhos reuniram-se ao redor daquela rústica mesa de madeira numa casa de Boston. “Vamos orar”, disse Josias Franklin.
Benjamin, o caçula dos 17 irmãos, agitava-se em sua cadeira enquanto o pai orava. “Pai que estás no Céu, inclinamo-nos diante de Ti hoje para reconhecer Tua bondade para com os filhos dos homens. Sabemos que toda boa dádiva e todo dom perfeito vêm de Ti. A Ti pertence o gado sobre milhares de montanhas. Tu nos permites plantar, cultivar e colher uma farta messe de alimentos.” E o pai prolongou-se na oração, como costumavam fazer os pais no século dezoito.
Benjamin sentia o cheirinho da sopa de legumes e do pão, e seu estômago roncava. “Depressa, papai, termine de dar graças”, pensava o garotinho. “A sopa está esfriando.”
“Louvamos-Te, Senhor, por Tua bondade para conosco, por suprires nossas necessidades, por dar-nos liberdade para adorar-Te neste país, pela vida, saúde e forças para o dia de hoje. Faze-nos verdadeiramente agradecidos por Tua ilimitada bondade. Abençoa este alimento e as mãos que o prepararam. Amém.”
– Amém! – disseram em coro os 17 filhos, cada um pegando sua colher.
– Papai, a oração foi muito longa – disse o pequeno Benjamin.
As colheres dos outros irmãos pararam no meio do caminho. Como ousava o pequeno Benjamin falar daquele jeito com seu pai? Ele era um homem que não permitia o desrespeito.
– Por que, Benjamin? – perguntou o pai.
– Porque é perda de tempo ficar dando graças todos os dias antes de cada refeição – respondeu o menino. – O senhor sempre diz a mesma coisa, e a sopa esfria.
– O que você acha que deveríamos fazer? – perguntou Josias.
– Pedir a bênção sobre toda a comida na casa inteira – sugeriu Benjamin. – Então estaria tudo incluído e não precisaríamos fazer isso cada vez.
– Não é má ideia – riu o Sr. Franklin. – Mas duvido que Deus fique cansado de ouvir-nos agradecer Suas bênçãos.
Sendo Amigos
Veja se consegue pensar em uma bênção que comece com cada letra de seu nome. Tire um momento para ser grato a Deus por essas bênçãos.
Uma pessoa delicada e amável no falar ajuda os outros a viver; quem é grosseiro e implicante desanima qualquer um. Provérbios 15:4 (A Bíblia Viva)
Certo dia, um homem caminhava por uma estrada da Irlanda do Norte, quando pela janela aberta de uma escola ouviu o som de vozes infantis. O homem sorriu ao ouvir que repetiam a tabuada de multiplicar. Aquilo fez com que ele recordasse seus tempos escolares. “Acho que vou entrar e dar uma olhada”, pensou ele.
Em pé junto à porta aberta, percebeu que tudo continuava como no seu tempo de criança – a lousa cheia de pó de giz, as filas de carteiras e um menino parado no cantinho do castigo.
O professor aproximou-se do visitante.
– Em que posso ajudá-lo, senhor?
– Ouvi os alunos repetindo a tabuada e isso me fez recordar meu tempo de escola – disse o homem. – Posso assistir por um momento?
– Sinta-se à vontade – respondeu o professor.
– O que aconteceu com o menino parado ali no canto? – perguntou o visitante.
– Aquele lá é Adam Clarke, o menino mais burro da escola – explicou o professor. – Ou ele não consegue aprender ou não quer aprender a tabuada de multiplicar. Duvido que se torne alguém na vida.
O visitante percebeu que o queixo do menino tremia diante das palavras cortantes do professor. O homem sentiu pena dele e, na primeira oportunidade, foi até lá conversar com ele. Colocou a mão no ombro do garoto e disse:
– Não pode ser verdade que você não aprende as lições. Continue tentando, e vai conseguir. Acho que você é um aluno inteligente e vai aprender a lição se não desistir.
Adam Clarke sorriu enquanto o idoso senhor lhe dava um tapinha no ombro. Endireitou-se um pouco e tentou recordar a multiplicação por nove. Não era fácil, mas continuou até conseguir.
“Quando me sentia tentado a desistir, lembrava-me das palavras daquele velhinho”, disse Adam anos mais tarde, quando já era o Dr. Adam Clarke, autor de um comentário bíblico. “Foram as palavras mais bondosas que alguém já me disse, e colocaram em mim o desejo de ser bem-sucedido.”
Sendo Amigos
Palavras positivas de elogio farão mais do que qualquer outra coisa para ajudar alguém a ter bom êxito.
Quem critica um homem acabará ganhando um amigo, mas quem faz elogios mentirosos será desprezado. Provérbios 28:23 (A Bíblia Viva)
Dois incidentes na vida de Pablo Casals, o famoso violoncelista, ilustram a diferença entre bajulação e elogio.
Certo dia, pediram que o jovem violoncelista Gregor Piatigorsky tocasse uma sonata de Beethoven diante do famoso músico. Ele estava nervoso e tocou mal.
– Bravo! Maravilhoso! Tremendo! – aplaudiu Casals. Ele estava querendo encorajar Gregor, mas acabou desanimando-o. Por quê? Porque Gregor achou que não merecia o elogio. Pareceu-lhe insincero, e o rapaz o rejeitou porque soava como bajulação. Foi embora sentindo-se embaraçado.
Vários anos mais tarde, os dois violoncelistas se encontraram outra vez. Agora experiente, Gregor não teve medo de contar a Casals como havia se sentido com a bajulação do primeiro encontro.
– Não, não! – Casals ficou bravo. Correndo para o instrumento, tocou um trecho da sonata que Gregor havia tocado naquela noite. – Não foi esse o dedilhado que você usou?
– Sim, foi – concordou Gregor.
– Para mim, foi um dedilhado novo – disse Casals. – Achei que o seu uso dos dedos foi excelente, um dedilhado que eu nunca tinha usado antes. Gostei dele.
Casals então tocou outra passagem da sonata.
– E você não usou o arco deste jeito assim?
Gregor concordou.
– Isso também me agradou particularmente. Revelou uma habilidade muito especial que você tem para interpretar a música de forma criativa. Fiquei muito impressionado com seu talento.
– Mas, e meus erros? Toquei muito mal.
– É verdade, mas eu não estava prestando atenção aos seus erros. O que observei foi a sua interpretação e a técnica do dedilhado. Você fez muito bem ambas as coisas. Foi por isso que o aplaudi naquela noite.
Gregor disse mais tarde: “Saí daquele encontro com a sensação de ter estado com um grande artista e amigo.”
O que fez a diferença entre os dois encontros? Na primeira vez, Casals usou palavras que expressavam avaliação, como “maravilhoso” e “tremendo”. Na segunda vez, o músico usou palavras descritivas que explicaram exatamente o que ele estava elogiando na apresentação da sonata.
Sendo Amigos
Evite avaliar um amigo quando você faz um elogio. Descreva o comportamento que você aprecia e diga por que gosta dele. Concentre-se no comportamento, mais do que na pessoa.
Um olhar amigo alegra o coração e uma boa notícia dá mais ânimo de enfrentar a vida. Provérbios 15:30 (A Bíblia Viva)
Você se lembra da história da “Dama Raio de Sol” de San Diego, Califórnia (O Segredo de Bianca, texto do dia 21 de maio)? Esta semana fiquei sabendo de outra “Dama Raio de Sol”, desta vez na cidade de Jackson, estado de Ohio, nos EUA. Não posso contar o nome dela, embora saiba qual é. Estaria estragando seu anonimato. Vamos chamá-la de Telma.
Telma leu a história da Dama de San Diego num dos livros que escrevi. Ela havia pedido a Deus que lhe mostrasse alguma coisa especial que pudesse fazer para ajudar sua igreja. Concluiu que Deus desejava que ela fosse outra Dama Raio de Sol.
Todos os sábados, Telma anota os nomes dos membros que não estiveram presentes na igreja. Durante a semana, envia um bilhetinho dizendo que sentiu a falta deles. E assina cada um como “A Dama Raio de Sol”.
Telma conta: “Nem dá para acreditar nas reações que têm surgido! Cinco pessoas para quem escrevi começaram a frequentar a Escola Sabatina regularmente outra vez”.
A igreja de Telma é pequena. A maioria de seus membros é de aposentados. Telma, uma pessoa jovem, provocou um zunzum na igreja inteira. Todos perguntam uns aos outros: “É você a Dama Raio de Sol?” Telma provavelmente seria a última pessoa de quem suspeitariam.
Telma conta ainda: “Quando comecei esse projeto, nunca imaginei que produziria tanto efeito. Há semanas em que mando dez cartõezinhos. Uma senhora, cujo esposo está doente a maior parte do tempo, recebe um bilhetinho de duas em duas semanas. Agora, o assunto dela quando vai à igreja é a forma como a Dama Raio de Sol a está ajudando. Acho que todas as igrejas deveriam ter a sua Dama Raio de Sol.”
Não é emocionante? Telma descobriu uma forma de ser uma bênção em sua pequena igreja. Está gostando tanto de animar as pessoas que não consegue parar mais! Mal pode esperar para ir à igreja no sábado pela manhã, para observar o entusiasmo daqueles que receberam seus bilhetinhos durante a semana.
Animemo-nos e nos admoestemos uns aos outros. Hebreus 10:25 (A Bíblia Viva)
As palavras têm um poder tremendo. Uma palavra dita no momento certo pode mudar até o curso da vida de uma pessoa.
Veja como exemplo o caso de Larry Crabb. Enquanto cursava o colegial, teve de proferir um juramento diante de todos os alunos da escola. Na plataforma, seus joelhos batiam um contra o outro, as mãos estavam suadas, a boca seca, e ele começou a gaguejar. “Eu, L-L-L-L-Larry C-C-Crabb, p-p-p-prometo…”
“Foi como se eu morresse mil vezes”, conta Larry. “Concluí naquele instante e lugar que falar em público não era coisa para mim.” Prometeu a si mesmo que não se tornaria palhaço outra vez em público.
Pouco depois dessa experiência, foi chamado a fazer oração durante o culto em sua igreja. Sob pressão, resolveu dar-se mais uma chance. Mas logo percebeu que aquilo tinha sido um erro. Não apenas gaguejou, mas também expressou uma teologia confusa.
“Lembro-me de ter dado graças a Deus por estar pendurado na cruz”, conta Larry, “e de ter louvado a Jesus por chamar o Espírito para fora do sepulcro.”
Finalmente, Larry conseguiu dizer “amém” e sentar-se. Sabia que tinha desempenhado papel de bobo, e prometeu nunca mais fazer oração em público ou falar diante de um auditório.
Quando a reunião acabou, Larry disparou porta afora, mas não foi rápido o suficiente. Um dos anciãos, Jim Dunbar, interceptou-lhe a fuga.
Larry engoliu em seco. “Ai, não! Agora vou ouvir!”
Jim colocou o braço no ombro de Larry e pigarreou: “Larry, quero que você saiba de uma coisa. Seja o que for que você fizer para Deus, pode contar com 1.000% do meu apoio.”
Hoje Larry é professor universitário e exerce um vasto ministério público. Muitas vezes conta aos outros as palavras de ânimo de Jim, mas nunca as relata sem um nó na garganta, de tão poderoso que foi o impacto daquelas poucas palavras de ânimo.
Sendo Amigos
Encorajar é apoiar um amigo 1.000%. É crer nele e deixá-lo saber que o apreciamos. Nossas palavras podem colocar esperança no coração e brilho no olhar de nossos amigos.
Este é o Meu Filho amado, em quem Me comprazo. Mateus 3:17
Valorizar é simplesmente fazer o que Deus fez por Seu Filho no rio Jordão, falando palavras de sincero apreço. Em outras palavras, fazer um elogio. Há poder nisso.
As pessoas que recebem um elogio se sentem bem. Seu respeito próprio cresce e milagres podem ocorrer. Um desses milagres foi Charlie Blake.
Charlie era conhecido como “o homem mais doente na Bretanha”. Não fazia nada o dia inteiro, além de ficar sentado numa cadeira. Poucas vezes se mexia e nunca falava. Um empregado chamou-o de “Sr. Zero”. Charlie não havia proferido uma única palavra em 30 anos.
A essa altura, a Dra. Irene Kassorla decidiu testar o poder da valorização. Visitava-o todos os dias e recompensava qualquer movimento ou som com uma palavra positiva de apreço. Ela dizia coisas do tipo: “Muito bom, Sr. Blake” ou “Gosto do som que o senhor está emitindo”. Depois de 31 dias, Charlie estava falando, lendo jornal e respondendo a perguntas.
A Dra. Irene tem usado muitas vezes o poder do elogio para provocar mudanças positivas na vida de crianças autistas e esquizofrênicas. Ela garante que sua ferramenta mais valiosa é o elogio.
Sobre seu uso da apreciação, diz a Dra. Irene: “Os resultados têm sido tão notáveis que um observador menos atento poderia perguntar se estive administrando uma nova e potente droga. Mas minha ‘droga’ muitas vezes não foi mais do que dizer palavras simpáticas de apreço.”
Palavras simpáticas de apreço. Não precisamos ter um título de doutorado para usá-las. Qualquer pessoa pode aprender a dizer palavras que valorizem os outros.
Se o sorriso de alguém lhe ilumina o coração, diga-o à pessoa. Se lhe fez bem ouvir o sermão do pastor, diga isso a ele. Se recebeu ajuda de um amigo, externe seu apreço. Se alguém cantou ou tocou bem, escreva-lhe uma frase para expressar o que você sentiu.
Ellen White diz o seguinte: “Palavras bondosas, olhares de simpatia, expressões de apreciação, seriam para muitas pessoas lutadoras e solitárias como um copo de água fria a uma alma sedenta” (O Maior Discurso de Cristo, p. 23).
Sendo Amigos
Com que frequência tem você retido um elogio a um amigo que precisa de palavras bondosas e simpáticas? A quem você poderia elogiar hoje?
Detenham-se nas coisas boas e belas que há em outras pessoas. Filipenses 4:8 (A Bíblia Viva)
Era um dia quente e mormacento, e o treino da equipe de futebol americano não estava indo bem. O técnico Vince Lombardi concluiu que a culpa era de um dos zagueiros – Jerry Kramer.
– Jerry, você é um jogador medíocre. Não está cortando, não está defendendo. Não está fazendo o que lhe corresponde. Para falar a verdade, está dispensado. Vá tomar seu banho de chuveiro – ordenou Lombardi. – Neste time não quero mais ninguém que não dê tudo de si.
Uma hora mais tarde, quando Lombardi entrou no vestiário, viu Jerry sentado na frente do chuveiro, ainda de uniforme. Estava curvado, com a cabeça entre as mãos, chorando em silêncio.
Lombardi encaminhou-se até Jerry e colocou o braço ao redor de seus ombros. Jerry preparou-se para outro sermão.
– Eu lhe disse a verdade lá fora – falou o técnico. – Você é um jogador relapso. Não está cortando, não está defendendo. Não está fazendo o que lhe corresponde. Mas ainda preciso contar o restante da história.
Jerry olhou para o técnico, querendo saber o que ouviria a seguir. Viu um grande sorriso no rosto de Lombardi e relaxou.
O técnico prosseguiu:
– Dentro de você, Jerry, há um grande jogador de futebol. Vou ficar ao seu lado até que esse grande jogador dentro de você tenha a oportunidade de sair e mostrar-nos o que é capaz de fazer!
– Obrigado, técnico! – disse Jerry. – Vou fazer o que me corresponde!
Jerry Kramer acabou se tornando um dos maiores jogadores de todos os tempos. Não demorou muito para que fosse considerado o melhor zagueiro em cinquenta anos de futebol profissional.
Vince Lombardi produziu alguns grandes jogadores porque via o ponto forte em seus atletas e os ajudava a desenvolver seu potencial e habilidades.
Nenhum de nós já é o melhor que pode ser. Todos temos capacidades maravilhosas, ocultas dentro de nós. Precisamos de um amigo que reconheça e elogie essas excelentes qualidades.
Sendo Amigos
Se quiser ser amigo, procure as qualidades das outras pessoas. Elogie-as; deixe que saibam que características apreciáveis você enxerga nelas.
Cumpre-me bendizer-Te enquanto eu viver. Salmo 63:4
Era o mês de maio de 1967 quando Joni Eareckson, de 17 anos de idade, foi nadar e mergulhou imprudentemente em água rasa. Bateu a cabeça no fundo, quebrou a coluna e ficou paralisada do pescoço para baixo.
Durante semanas, Joni ficou deitada no hospital, tendo como perspectiva uma vida sem o uso das mãos e das pernas. A vida lhe pareceu totalmente inviável naqueles dias. Joni chorou, com raiva de Deus: “Isso não é justo! Não vou suportar viver deste jeito!”
Certa noite, sozinha na escuridão do quarto do hospital, Joni jazia imóvel e chegou ao fundo do poço de sua vida. Durante vários dias, havia suplicado que amigos a ajudassem a cometer suicídio. Todos se haviam recusado a fazê-lo. Ficou ali deitada, sentindo-se totalmente impotente, incapaz até mesmo de tirar a própria vida.
Naquela noite, nas trevas de seu desespero, ela clamou a Deus: “Senhor, se não posso morrer, por favor mostra-me como viver!”
Escrevendo acerca dessa experiência, Joni diz: “As coisas não se transformaram da noite para o dia, mas com aquela simples oração as minhas perspectivas começaram a mudar. Percebi que ‘crescimento’ era alguma coisa que eu teria de aprender. Teria de aprender a fazer o impossível – lidar com a vida numa cadeira de rodas.”
Já se passaram 44 anos desde o acidente de Joni. Hoje ela é uma hábil artista, que pinta quadros com uma caneta na boca. É oradora famosa e escritora de livros. Numa apresentação na TV, partilhou sua crença de que Deus tem um motivo para conservá-la na cadeira de rodas. Disse ela: “Quero que Ele seja glorificado por meu intermédio.”
Na margem inferior de cada gravura que desenha, Joni escreve as iniciais P.T.L. Fica feliz quando as pessoas lhe perguntam o significado dessas letras. (Em inglês: Praise the Lord. “Louvado Seja o Senhor.”) Isso lhe dá a oportunidade de contar-lhes por que ela deseja louvar ao Senhor. “A vida se resume nEle”, diz ela. A maneira como Joni aprendeu isso é outra história.
Sendo Amigos
Ser amigo de Deus significa louvá-Lo em todas as circunstâncias da vida, boas ou más.
Em tudo, dai graças, porque esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco. 1 Tessalonicenses 5:18
Joni não conseguia entender como um Deus bom podia permitir que algo tão terrível como aquele acidente pudesse acontecer com um de Seus filhos. Ela estava deprimida, ressentida e zangada.
Durante aqueles meses de frustração, um amigo, Steve Estes, passava muitas vezes algum tempo ao seu lado. Ele trazia pizza ou rosquinhas e lia a Bíblia para ela. Joni escutava porque gostava da companhia dele, mas não estava muito interessada nas palavras que ele lia.
Então chegou o dia em que ele leu 1 Tessalonicenses 5:18: “Em tudo dai graças.”
Fechou a Bíblia e disse:
– Bem, Joni, você não acha que já está na hora de dar graças a Deus por aquela cadeira de rodas?
– De jeito nenhum! – respondeu Joni. – Não me sinto grata e não vou dizer que estou agradecida. Não vou agradecer quando não tenho vontade.
– Epa! – respondeu Steve. – Preste atenção ao verso. Ele não diz que você precisa sentir-se agradecida. Diz simplesmente que você deve dar graças em todas as circunstâncias, boas ou más, quer você tenha vontade, quer não.
– Mas como vou agradecer a Deus, sendo que não entendo por que tudo isso aconteceu comigo? – choramingou Joni.
– Nós nunca entenderemos os caminhos de Deus – continuou Steve. – Você não precisa entender o porquê; precisa apenas ser grata porque Deus está presente em sua vida, conduzindo e ajudando você.
Depois disso, Joni cerrou os dentes e, através das lágrimas, orou: “OK, Senhor, eu Te agradeço esta cama de hospital. Bem que eu gostaria de comer pizza, mas se quiseres que eu coma mingau de aveia, está bem. E obrigada, Senhor, porque a fisioterapia está me ajudando. Sinto-me grata porque, ao tentar escrever o alfabeto hoje com um lápis entre meus dentes, as letras não saíram como garranchos.”
Não aconteceu da noite para o dia, mas Joni finalmente mudou. Ela escreve: “Sentimentos de gratidão começaram a avolumar-se. Foi como se Deus me recompensasse por eu ter obedecido e dado graças.”
Sendo Amigos
Ser amigo de Deus significa agradecer-Lhe todas as circunstâncias da vida, boas e más, com ou sem vontade.
Amo o Senhor, porque Ele ouve a minha voz. Salmo 116:1
Imagine que Melissa esteja apaixonada por Natanael e lhe escreva uma carta mais ou menos assim:
Querido Natanael:
Preciso de sua ajuda no meu exercício de matemática. Por favor, troque o pneu do meu carro e, já que estará com a mão na massa, dê uma lavada nele também. Preciso de alguém para tomar minha lição de francês. Você pode fazer isso hoje à noite? Também preciso de alguns livros da biblioteca. Faça a gentileza de trazê-los para mim.
Com amor,
Melissa
Meu palpite é que esse relacionamento não vai durar muito. Natanael quer alguém que não apenas deseje sua ajuda, mas alguém que o admire, aprecie e valorize. Gostamos de pessoas que nos incentivam e nos levam a sentir-nos bem em relação a nós mesmos.
E nosso relacionamento com Deus? Será que Deus precisa de encorajamento? Será que deseja ser valorizado, apreciado, com palavras de afeição? Como é que elogiamos a Deus?
Elogiamos a Deus com nosso louvor e palavras de amor e adoração. Nós O apreciamos quando Lhe damos graças por Suas bênçãos. Com demasiada frequência, minhas orações têm sido desequilibradas, cheias de pedidos. Deus deseja que Lhe peçamos ajuda, mas também quer nosso equilíbrio, com palavras de louvor e apreço.
Aqui está um guia para ajudar-nos a escrever uma carta de amor a Deus ou a proferir uma oração equilibrada.
Adoração – Escreva um parágrafo de louvor e adoração. Expresse admiração pelo que Deus é. Diga-Lhe por que O ama. Conte-Lhe o que aprecia a Seu respeito.
Confissão – Escreva um parágrafo de confissão. Seja específico, e não genérico. Diga exatamente quais foram os atos errados que você praticou. Descreva os pensamentos pecaminosos que teve. Peça o perdão de Deus.
Gratidão – Escreva um parágrafo de agradecimento. Expresse gratidão por coisas específicas que o Senhor fez por você.
Súplica – Escreva um parágrafo acerca de suas necessidades. Do que você está precisando, para si mesmo e para seus amigos? Seja específico.
Sendo Amigos
Se realmente amamos a Deus, desejaremos expressar-Lhe nosso apreço através do louvor e da gratidão.
Sem cessar, me lembro de ti. 2 Timóteo 1:3
As bolsas de valores tinham despencado. Bancos faliram.
O desemprego era elevado. Havia muitos famintos e sem lar. A ameaça de guerra pairava sobre a Europa. E aproximava-se o Dia de Ação de Graças. Era esse o tema da conversa após o jantar.
– Não vejo muitos motivos para dar graças – comentou um homem.
– Não seja tão negativo! – observou alguém. – Sempre existe alguma coisa pela qual agradecer.
– Como o quê? – replicou o homem.
– Como a Sra. Wendt – atalhou William Stidger. – Ela foi minha professora de inglês há 30 anos. Foi ela quem me ensinou a apreciar as obras de Tennyson, e desde aquela época tenho sido grato. Uma excelente professora! Ela me enriqueceu a vida, e sinto-me agradecido.
– E ela sabe disso? – perguntou alguém.
– Não – admitiu William.
– Então, por que não lhe manda um cartãozinho? – sugeriu um amigo.
– Está certo, vou mandar mesmo – concordou William. Naquela noite, ele escreveu uma carta para a professora Wendt.
Depois de algum tempo, recebeu a resposta com caligrafia tremida, dizendo entre outras coisas: “Talvez você se interesse em saber, Willie, que lecionei durante 50 anos e, nesse tempo todo, a sua carta de apreço é a primeira que recebo. Chegou numa fria e limpa manhã, e me alegrou o velho coração solitário mais do que qualquer outra coisa em muitos anos.”
“Chorei quando li aquela carta”, conta William Stidger. “Seu êxito foi tão grande, que fiz uma lista de 50 pessoas a quem tive vontade de agradecer por alguma contribuição que fizeram para minha vida.”
Só duas pessoas deixaram de responder. Essas duas tinham morrido, mas seus familiares enviaram cartas de agradecimento pela consideração de William.
Esse foi o princípio do hábito que o Dr. William Stidger cultivou ao longo de sua vida – escrever cartas de agradecimento às pessoas que lhe haviam tocado a vida. Através dos anos, ele colecionou mais de 500 respostas de pessoas que sentiram emoção por terem sido lembradas.
Uma frase que se repetia em muitas cartas era: “Você nunca saberá o quanto sua carta me animou o espírito. Passei o dia alegre por causa dela.”
Sendo Amigos
Escrever cartas é uma forma de manifestar apreço pelos amigos. Um bilhetinho é especial porque pode ser lido repetidas vezes.
[…] Vos escrevi resumidamente. Hebreus 13:22
A maior parte do Novo Testamento é uma coleção das cartas que Paulo escreveu a amigos em diferentes cidades. Paulo nos deu um bom exemplo de como ser amigo de verdade.
Cristine estava indo da escola para casa, quando uma repórter do jornal da pequena cidade a chamou:
– Oi, Cristine! Preciso de sua ajuda. Venha posar aqui, na frente deste salgueiro. Vou colocar sua foto no jornal. Vai mostrar aos leitores que a primavera chegou. Você não se importa?
– Comigo, tudo bem! – disse Cristine, seguindo a repórter até a árvore. Segurou um ramo do salgueiro nas mãos e tocou os sedosos botõezinhos. Deu o seu sorriso especial e a repórter tirou a foto.
Alguns dias depois, Cristine viu sua foto na primeira página do jornal. Depois, pelo correio, chegou um envelope endereçado a Cristine. Dentro havia uma foto em papel brilhante para ela.
– Essa repórter foi muito atenciosa em lhe mandar uma cópia de sua foto – observou a tia Jane. – Por que você não lhe manda um bilhetinho de agradecimento?
Cristine correu para buscar o bloquinho de papel de cartas e canetas coloridas. Tia Jane ajudou Cristine com algumas ideias e a ortografia; em pouco tempo o bilhete estava pronto. Na margem inferior, Cristine desenhou uma flor muito bonita. Dobrou o bilhete e colocou-o num envelope. Correu para a sede do jornal e deixou lá a cartinha para a repórter.
Alguns dias mais tarde, as palavras de Cristine foram publicadas no jornal. “A carta de Cristine me iluminou o dia!”, comentou a repórter.
Expressões escritas de agradecimento são muito significativas para quem as recebe. Adquira o hábito de escrever bilhetes a pessoas que fizeram coisas boas para você, convidando-o para uma refeição, dando-lhe um presente ou ajudando-o em algum projeto. Você ficará contente por fazer isso.
Sendo Amigos
Os amigos têm o cuidado de expressar gratidão àqueles que fizeram algo de bom em seu favor. Uma notinha escrita leva alegria especial ao coração de um amigo.
E [Josias] os animou a servirem na casa do Senhor. 2 Crônicas 35:2
Prezado Irmão Taylor:
Um irmão idoso, que conhece o Senhor há 44 anos e escreve este bilhete, afirma para seu encorajamento que Deus nunca falha. Nas maiores dificuldades, nas mais pesadas provações, nas profundezas da carência e da necessidade, Ele nunca falhou comigo. Fui capacitado por Sua graça a confiar nEle. Deus sempre apareceu para ajudar-me. Deleito-me em falar bem de Seu nome.
Sinceramente,
George Müller
Essa carta foi escrita há mais de cem anos por George Müller, o homem que fundou orfanatos em Bristol, Inglaterra. Ele orava a Deus diariamente expondo as necessidades dos milhares de órfãos aos seus cuidados, e Deus lhes supria essas necessidades de modo miraculoso.
O destinatário da carta foi Hudson Taylor, fundador da Missão Chinesa. Vestia-se como um chinês, inclusive rapando a cabeça e usando aquele longo rabo de cavalo preto. Ele confiou completamente em Deus e Sua ajuda para a obra missionária na China.
Você pode imaginar que conforto foi para Hudson Taylor receber essa carta por navio, depois de alguns meses? Ela deve ter feito seu coração cantar, deixando-o alegre por muitos dias.
Os missionários constituem um grupo de pessoas que precisam de cartas de encorajamento. Pense bem. Conhece alguém que trabalha em outro país e apreciaria receber um bilhete ou um cartão seu?
Os pastores raramente recebem palavras de animação pela obra que realizam. Por que não ser como Josias e animar alguém que trabalha para Deus e Sua igreja?
Os professores formam outro grupo que geralmente deixa de receber manifestações de apreço. Lembra-se de algum que tenha exercido influência marcante em sua vida? Por que não surpreender esse professor com uma frase de apreciação?
Quantas vezes deixamos de reconhecer os esforços de nossos pais! Eles fazem muitas coisas bondosas e abnegadas em nosso favor todos os dias. Por que não escrever um bilhetinho e prendê-lo no espelho do banheiro? Com certeza levaríamos até eles o brilho do sol!
Sendo Amigos
Uma forma de mostrar amizade é escrever uma carta de apreço a alguém que raramente recebe palavras carinhosas.
Recomendando-nos somente que nos lembrássemos dos pobres. Gálatas 2:10
Lorena teve uma dor de dente, daquelas terríveis. Foi ao dentista, só para descobrir que era um caso de abscesso. Precisava de tratamento de canal e de uma coroa.
– Quanto tempo vai demorar? Quanto vai custar? – perguntou Lorena.
– Uns dois meses e 500 dólares – respondeu o dentista.
– Ai, não vejo como pagar à vista! – exclamou Lorena. – O senhor aceita pagamento parcelado?
– Por mim, aceito – concordou o dentista. – Mas há um outro dentista envolvido. Terá de perguntar a ele.
O segundo dentista insistiu em que a sua parte da conta teria de ser paga por completo dentro de 90 dias. A quantia era de 305 dólares – uma impossibilidade para Lorena, que era estudante universitária e pagava seus próprios estudos. Sua mãe era viúva e não tinha dinheiro para ajudar.
Lorena ficou preocupada. Precisava daquele tratamento dentário. Começou o tratamento, sem ideia de como iria pagá-lo. Num retiro espiritual de fim de semana, partilhou sua preocupação com seu grupinho de oração, pedindo que orassem por ela e seu problema.
Mais tarde, um membro do grupo de oração lhe entregou um pedaço de papel dobrado. Dentro dele havia uma nota de cinco dólares.
Alguns dias depois, uma amiga lhe deu 102 dólares, que seu grupo de estudos bíblicos havia coletado para ela. Lorena pôde pagar a primeira mensalidade ao dentista.
– Achávamos que você não tinha o dinheiro – disse a recepcionista do consultório dentário.
– E não tenho mesmo – explicou Lorena –, mas tenho um Amigo especial que cuida de mim.
No dia seguinte, ela encontrou um envelope em sua caixa postal do dormitório. Continha 200 dólares. Lorena nunca descobriu quem lhe enviou aquele dinheiro. Começou a chorar; estava tão aliviada! Deus havia usado amigos para suprirem aquela necessidade.
Depois de concluir os pagamentos, ela disse ao dentista:
– Creio que Deus cuida de nós, e uma das maneiras é através de pessoas que creem nEle.
– Menina, seus amigos gostam mesmo de você! – disse o dentista.
“É verdade”, pensou Lorena ao sair do consultório. “Meus amigos gostam mesmo de mim!”
Sendo Amigos
Você gosta mesmo de seus amigos, a ponto de ajudá-los quando surge uma necessidade real?
Porque, na esperança, fomos salvos. Romanos 8:24
Soljenitzyn, famoso escritor russo, esteve numa prisão onde ninguém podia falar. Não havia livros para ler, programas de TV para assistir nem música para animar o espírito.
Nessas circunstâncias deprimentes, Soljenitzyn sentiu-se muito sozinho e sem esperança. “Nunca conseguirei sair daqui”, pensou ele. “Talvez deva pensar em alguma forma de suicídio, mas como poderei fazê-lo? Talvez seja melhor tentar escapar. Daí os guardas me matariam, e isso acabaria com minha desgraça.”
Alguma coisa, entretanto, impediu que Soljenitzyn fizesse qualquer tentativa naquela noite. Na manhã seguinte, foi levado para fora, para trabalhar. Mais tarde, naquela manhã, os prisioneiros puderam descansar um pouco, e Soljenitzyn sentou-se com as costas apoiadas numa árvore. Na verdade, ele estava com uma das mãos atrás das costas, pronto para saltar e correr para a liberdade, pois então o tiro que esperava lhe encerraria a vida.
Outro prisioneiro caminhou em silêncio até a árvore e sentou-se na grama ao lado de Soljenitzyn. Era um homem novo, que havia sido trazido pouco tempo antes para a prisão. O homem sentou-se sem dizer palavra. Simplesmente olhou para Soljenitzyn e sorriu.
– Vi algo que nunca tinha visto em qualquer outro rosto na prisão – disse Soljenitzyn mais tarde. – Vi uma mensagem de amor e interesse.
O prisioneiro tomou um graveto, deu um passo para a frente e desenhou uma cruz no chão com a ponta do graveto.
O coração de Soljenitzyn começou a bater rapidamente. Segurou o fôlego e sorriu. Pensou: “Jesus me ama. E está no controle. A situação ainda oferece esperança!”
Três dias mais tarde, Soljenitzyn foi libertado. Soube, então, que muitas pessoas ao redor do mundo haviam estado orando por ele. Deus atendera àquelas orações, enviando alguém ao encontro dele num momento de profundo desespero, a fim de levar-lhe ânimo e esperança.
Sendo Amigos
Talvez Deus chame você hoje para dar esperança a alguém. Você pode fazê-lo com palavras, com uma carta, ou talvez com um simples sorriso ou gesto de interesse.
A amabilidade produz frutos para o homem. Provérbios 19:22 (Moffatt)
A bondade é uma semente que plantamos no coração de outra pessoa. Nunca sabemos onde criará raízes, crescerá e nos encontrará de novo para encher-nos a vida com alegria inesperada.
John Morel, prefeito de Darlington, Inglaterra, era uma pessoa amável que gostava de andar pelas ruas de sua cidade e cumprimentar amigos e vizinhos. Num desses passeios, encontrou um homem que havia acabado de ser libertado da prisão, onde estivera por furtar dinheiro da empresa onde trabalhava.
– Olá, amigo! – disse o Sr. Morel com o costumeiro tom cordial. – Que bom vê-lo! Como está?
Constrangido, o homem partiu apressado depois daquele breve encontro. Mas não se esqueceu da bondade na voz do Sr. Morel.
“Imagine só! O próprio prefeito falando comigo!” pensou o ex-presidiário enquanto andava pela rua. “Talvez ainda haja esperança para mim, afinal de contas. Talvez consiga começar a vida outra vez e ser bem-sucedido, para fazer jus à bondade do prefeito!”
Vários anos mais tarde, o Sr. Morel encontrou o mesmo homem em outra cidade. Desta vez, o homem dirigiu-se até ele, saudando-o com gentileza. Foi então a vez de o Sr. Morel ficar surpreso.
– Quero agradecer o que o senhor fez por mim quando saí da prisão – disse o homem.
– O que quer dizer? – perguntou o Sr. Morel. – Não me lembro de ter feito nada por você. Deve estar me confundindo com outra pessoa de Darlington.
– Lembro-me muito bem, Sr. Morel – insistiu o homem. – O senhor não foi prefeito de Darlington?
– Fui sim, é verdade – admitiu o Sr. Morel.
– Eu tinha acabado de ser libertado da cadeia e andava pela rua sentindo muita pena de mim mesmo – declarou o homem. – O senhor falou de maneira bondosa comigo, e isso mudou minha vida. Muito obrigado por ter-me dado coragem para enfrentar o mundo outra vez!
Sendo Amigos
Muitas vezes, uma palavra bondosa é suficiente para mudar a vida de uma pessoa. Você pode fazer isso por alguém hoje.
Então, tomando-as nos braços e impondo-lhes as mãos, as abençoava. Marcos 10:16
O toque dá uma mensagem mais forte do que aquela transmitida pelas palavras. Nada pode expressar mais carinho do que um cálido abraço. Um aperto de mãos faz com que a pessoa se sinta aceita. Um tapinha nas costas transmite ânimo. Um toque na face diz: “Eu te amo!”
“O tato é o mais importante, e contudo o mais negligenciado de nossos sentidos”, diz a conselheira Helen Colton em seu livro The Gift of Touch [O Dom do Toque]. “Não podemos sobreviver sem ele.”
Não é de admirar que Jesus tenha tocado nas pessoas com tanta frequência! Há um poder operador de milagres no toque de amor. Faça uma lista das pessoas a quem Jesus tocou. Será uma surpresa ver quantas vezes o toque acompanhou um milagre.
Paulo Cassel, missionário entre os judeus alemães, é outro exemplo do poder num toque de amor. Paulo foi criado num lar judeu, mas seus pais o enviaram à escola pública, para que recebesse uma educação imparcial.
Certa vez, num fim de ano, o professor pediu que os alunos memorizassem a história do Natal para contá-la na classe.
– Cassel, você está dispensado, já que é judeu – disse o professor em voz baixa.
– Não me importo de aprendê-la – respondeu Paulo. E quando chegou sua vez de contar a história, ele o fez com perfeição e muito sentimento.
– Muito bom, Paulo! – exclamou o professor, encantado. Então fez algo surpreendente: beijou o menino na face!
“Nunca me esquecerei daquele beijo”, disse Cassel anos mais tarde. “O fato de que um cristão beijasse um menino judeu causou em mim uma impressão muito profunda.”
Daquele momento em diante, Cassel guardou um lugarzinho especial no coração para os cristãos, e um interesse muito real no cristianismo. Depois de vários anos de cuidadoso estudo, Paulo Cassel aceitou Jesus como seu Salvador pessoal. A partir do momento de sua conversão, Paulo tornou-se um zeloso missionário, batizando 262 judeus apenas em Berlim, como resultado de seus esforços.
“Onde quer que haja um impulso de amor e simpatia, onde quer que o coração se comova para abençoar e amparar os outros, é revelada a operação do Santo Espírito de Deus” (Parábolas de Jesus, p. 385).
Sendo Amigos
Podemos animar os outros com um toque gentil que transmita nosso interesse. Um leve toque serve como elo de amizade.
E Deus fazia milagres extraordinários pelas mãos de Paulo. Atos 19:11 (A Bíblia Viva)
Deus ainda opera milagres de cura pelo toque das mãos de certas pessoas. Vejamos como exemplo a experiência de Marta Korwin, de Varsóvia, Polônia.
Há mais de 60 anos, os nazistas invadiram a Polônia e cercaram a cidade de Varsóvia. Milhares foram feridos, deixando os hospitais superlotados. As enfermeiras eram poucas, e voluntários de todas as áreas foram convocados para o serviço. Uma enfermeira voluntária foi Marta Korwin, concertista de piano.
Ela escolheu o turno da noite, período em que os enfermos e moribundos parecem sentir de modo especial a falta de um amigo. Ela passava pelas alas das enfermarias, procurando encontrar pequenas formas de levar conforto aos sofredores. Por vezes, era simplesmente ficar ali ouvindo enquanto o paciente falava, ou então segurando um copo enquanto a pessoa tomava água.
Uma vez, tarde da noite, Marta caminhava entre os leitos quando observou um soldado com o rosto enterrado no travesseiro, soluçando. O choro ficava abafado, mas os largos ombros eram sacudidos por causa da agonia.
Marta parou aos pés da cama, perguntando-se o que poderia fazer. Olhou para as próprias mãos. “Estas mãos podem produzir música num piano, fazendo com que as cordas vibrem harmoniosamente”, refletiu ela. “Quem sabe estas mesmas mãos poderiam de alguma forma aquietar a turbulência dessa alma e trazer harmonia e paz em meio à dor. Vou tentar.”
Aproximou-se mais do soldado e tomou a cabeça dele entre as mãos, esperando levar-lhe um pouco de conforto ou cura. Ele agarrou as mãos dela rapidamente com as suas, enterrando as unhas na palma da mão de Marta.
“Ah, Senhor, ajuda para que um pouco de harmonia possa aliviar a dor desta alma”, orou Marta em silêncio.
Os soluços do soldado foram diminuindo gradualmente. As mãos relaxaram a tensão. Dentro de instantes ele adormecia. Sua respiração era regular e serena. Marta sabia que Deus havia usado suas mãos para levar o milagre do repouso e o alívio para a dor.
Sendo Amigos
Quando um amigo está sofrendo e você não sabe o que dizer, tente um toque suave no ombro ou um aperto de mão. Deus pode operar milagres através de nossas mãos.
Porque se caírem, um levanta o companheiro. Eclesiastes 4:10
Tônia deu uma olhada pelo refeitório, à procura de sua amiga Sandy. Estava quase saindo quando reconheceu o cabelo loiro de Sandy curvado sobre a mesa, num canto. Tônia foi direto para a mesa e sentou-se de frente para Sandy. Esta olhou para cima com os olhos vermelhos.
– As coisas ainda estão difíceis em sua casa? – perguntou Tônia.
Os olhos de Sandy encheram-se de lágrimas.
– Muito difíceis – disse ela. – Mamãe continua arrasada, e eu não estou muito melhor que ela.
– Já faz meses que seus pais se separaram – disse Tônia. – Sei que você sente falta dele e sofre com isso tudo, mas já é tempo de seguir em frente com sua própria vida. Venha comigo ao jogo de basquete hoje à noite. – Tônia estendeu o braço sobre a mesa e apertou a mão da amiga.
– Ah, não sei – suspirou Sandy. – Não quero me divertir e não confio em mais ninguém.
– Ei! Você sabe que pode confiar em mim. Já a decepcionei alguma vez? Passo no seu quarto às seis da tarde. Nada de desculpas. E sem joguinho de esconde-esconde, certo?
– Certo – disse Sandy, dando a sua amiga um sorrisinho desanimado. – Eu vou, mas não prometo me divertir.
– Para mim, tudo bem – disse Tônia. – Simplesmente vá junto.
Aquele foi o início da recuperação de Sandy, depois do divórcio de seus pais. Foi uma recuperação lenta, e às vezes ela se sentia abalada, mas com a ajuda de Tônia começou a aprender a confiar novamente nas pessoas. Não mais chorava tanto à noite, e ocasionalmente até ria das brincadeiras de Tônia. De vez em quando ainda tentava esconder-se das pessoas, mas aos poucos foi achando novos interesses na vida. Conseguiu um emprego de meio expediente e passou a participar de atividades ao ar livre. A vida se tornava boa novamente.
– Obrigada por ter ficado ao meu lado – disse Sandy a Tônia durante uma excursão a pé. – Você é amiga de verdade.
Sendo Amigos
Se alguém leva uma queda na vida e se parte em mil pedaços, precisa de um amigo que o auxilie a recompor-se outra vez. Você pode ser esse amigo. Pode ajudar a juntar os pedaços.
Este é o Meu Filho querido, que Me dá muita alegria. Mateus 17:5 (NTLH)
João Ritter estava visitando seus pais. Um dia, ele e seu pai foram dar um passeio de carro. O pai, com chapéu e jaqueta de caubói, estava dirigindo.
João olhou para aquele homem na direção e pensou: “Gosto mesmo de você, papai. Você é uma pessoa legal. Estou contente porque você é meu pai. Já passamos bons momentos juntos.” João sorriu ao lembrar-se de alguns daqueles momentos.
“Conte a seu pai que o ama”, parecia dizer uma voz interior. “Diga-lhe o quanto o aprecia.”
“Não consigo fazer isso”, pensou João. “Nunca conversamos sobre coisas como essas. Ele sabe que o amo. E sei que ele me ama.”
“Diga a seu pai que o ama”, insistia a voz interior. “Conte-lhe como gosta dele.”
João respirou fundo. Aquilo exigia um pouco de coragem.
– Papai – começou ele. – Quero agradecer-lhe por ser meu pai. Creio que você é o melhor homem que conheço, e eu o amo.
O pai sorriu, como se estivesse procurando palavras para responder. Por fim, disse:
– Sim, filho, você disse uma coisa bonita.
– Papai, eu gostaria de ouvi-lo também – disse João.
– O quê? – perguntou o pai.
– Você gosta de mim, papai?
– Bem… eu o amo.
– Preciso ouvir isso, papai.
– Filho, eu o amo – repetiu o Sr. Ritter, um pouco embaraçado.
– Obrigado, papai – disse João. – Eu também o amo.
Três semanas depois, o pai de João estava morto. João ficou contente por ter dado ouvidos à voz interior, que insistira para que ele contasse a seu pai que o amava. Guardou com carinho a lembrança daquele encontro por muito tempo.
Leo Buscaglia lecionou na universidade uma matéria sobre o amor. Uma das lições de casa dos alunos era dar um abraço no pai e dizer: “Eu o amo, papai.” Quase todos empacavam na hora de fazê-lo. Mas quando o faziam, tinham uma surpresa.
“A experiência mais comum era que a maioria dos pais se sentia muito emocionada com a experiência, e retribuía as palavras”, escreve Buscaglia.
Sendo Amigos
Os membros de nossa família precisam ouvir palavras de amor e apreço.
E Jesus, fitando-o, o amou. Marcos 10:21
George Butler, o quarto presidente mundial da Igreja Adventista do Sétimo Dia, passou pela experiência tocante de ver o amor nos olhos de alguém.
George, aos 22 anos de idade, era infiel, duvidando da verdade da Bíblia. Embora seus pais fossem adventistas, ele por vários anos fora cético.
Então, num dia gelado, George passava pelo campo coberto de neve quando encontrou o pastor e a Sra. White, que retornavam de uma viagem.
Os dois trenós pararam. George desceu e foi cumprimentar o casal White.
– Olá! – disse George, estendendo a mão para Ellen. – Que bom vê-los por aqui, irmão e irmã White!
Ellen White apertou a mão dele e sorriu bondosamente para o jovem.
– E para nós é uma alegria vê-lo, George!
Apesar do vento cortante, George sentiu bem-estar e conforto por dentro, quando fitou os olhos da Irmã White. Era um olhar bondoso e amigo, um tipo de olhar maternal de amor e interesse, do qual George nunca mais se esqueceria.
Não muito tempo depois daquele encontro, George decidiu ler a Bíblia toda para concluir se era verdadeira ou não. Finalmente colocou-se de joelhos e entregou o coração a Deus.
Quando mais tarde encontrou Ellen White, mencionou aquele momento no campo congelado. Contou como fora animado a tornar-se cristão por causa da maneira bondosa e amigável com que ela havia olhado para ele. Disse ainda: “Fui muito tocado por seu olhar bondoso e maternal. Suponho que a senhora não se lembre disso, mas eu me lembro.”
Eu me pergunto se George se tornaria mesmo cristão se o pastor e a Sra. White tivessem olhado para ele com indiferença, talvez advertindo-o com o rosto fechado: “É melhor você dar um jeito, rapaz, e entregar seu coração a Deus.”
O que você acha?
Sendo Amigos
O encorajamento é comunicado não só pelas palavras que proferimos, mas também por nosso olhar e expressão facial.
Não temas, porque Eu sou contigo; […] Eu te fortaleço, e te ajudo. Isaías 41:10
Nien Cheng, uma cristã, foi aprisionada pelos guardas vermelhos durante a revolução cultural chinesa. Ela passou seis anos e meio na prisão, sozinha mas não abandonada. Certa ocasião, Deus enviou uma aranha para animá-la.
Um dia, Nien olhava para a janela quando viu uma aranha do tamanho de uma ervilha. Subia lentamente por uma das barras enferrujadas da janela. Quando chegou à parte superior, balançou-se para fora da barra num fio prateado que havia tecido.
Cuidadosamente, a aranha prendeu o delgado fio numa barra inferior e depois subiu pelo fio para o topo. Soltou-se e veio descendo por outro fio que tecera, prendendo-o a outra barra. A aranha trabalhou até que a teia estivesse pronta, enchendo a janela com seu desenho rendado.
Nien ficou sentada em seu catre a maior parte daquele dia, observando a aranha. O sol que se punha cintilou na teia completa, colorindo-a com todas as cores do arco-íris. “Que maravilha!” pensou Nien. “Obrigada, aranhazinha, por ter colocado beleza nesta cela feia.”
Na manhã seguinte, a aranha ainda estava lá. Ficou durante muitos dias, como uma companheira enviada por Deus para trazer esperança à cela solitária. Então, certa manhã, Nien despertou e viu que a teia não mais estava na janela. Tinha sido destruída pelo vento durante a noite.
“Ai, não!” chorou Nien. “Que é que vou fazer sem minha corajosa aranhazinha? Ela foi minha mensageira de esperança, enviada por Deus, e agora sumiu! Como posso viver sem esperança?”
Então, naquele momento de trevas e desespero, ela olhou para cima, para a janela vazia. A um canto do teto, viu a aranha. “Ah, você está aí!” disse ela. “Voltou a trabalhar numa teia nova! Como você é valente! Agora sei que Deus a enviou para mim. Sua mensagem é: Nien, não desista!”
Nien Cheng sobreviveu porque Deus lhe trouxe coragem.
Sendo Amigos
É impossível ir a algum lugar aonde Deus não possa ir conosco. Ele nos dará forças e ânimo nos momentos mais tenebrosos da vida, porque é nosso Amigo.
O coração alegre é bom remédio. Provérbios 17:22
Cristina e Kelly encontraram Júnia na sala, lendo. Vestia uma camiseta velha e a calça de um agasalho. O cabelo estava em desalinho. As duas garotas tomaram posição, uma de cada lado da amiga.
– Venha conosco! Agora mesmo! – ordenou Cristina.
– De jeito nenhum! Estou um espantalho. Deem-me uma hora para que eu possa tomar banho e arrumar o cabelo, está bem? – disse a assustada menina.
– Não dá tempo! – Kelly procurou falar em tom áspero. – Se eu fosse você, levantaria e caminharia pacificamente até o carro. Caso contrário, teremos de tomar medidas drásticas.
– Como o quê? – riu Júnia. – Vocês não me assustam.
– Como isto – disse Cristina. Ambas as meninas cercaram Júnia, cada uma segurando um braço dela. – Você não nos dá outra escolha. Teremos que sequestrá-la.
Júnia esperneou e lutou para livrar-se das meninas. Todas caíram no chão enquanto riam e se debatiam.
– Socorro! – gritou Kelly. – Precisamos de ajuda!
O pai de Júnia, que tinha sido alertado quanto ao “sequestro”, entrou na sala e ajudou as garotas a levarem Júnia para o carro.
– Mas o que é que está acontecendo? – perguntou Júnia rindo, enquanto se punham a caminho. – Por que estou sendo sequestrada?
– É seu aniversário! – disse Kelly. – Está esquecida? Planejamos uma festa surpresa para você. Desculpe nossos maus modos lá dentro, mas não podíamos permitir que você estragasse nossa diversão.
Foi uma gloriosa comemoração de aniversário para Júnia. A notícia do sequestro foi o assunto da cidade durante o restante da semana.
Você não acha que foi uma forma interessante de festejar o aniversário de Júnia? Com certeza ela nunca mais se esqueceu daquele dia. Júnia estava passando por algumas experiências desanimadoras, e a surpresa e as risadas do sequestro foram o toque de que estava precisando para levantar o ânimo e sentir-se feliz outra vez. Cristina e Kelly encontraram um remédio que teve o efeito de curar a tristeza.
Sendo Amigos
Bons amigos procuram formas de provocar risos naqueles por quem se interessam. O riso é um modo maravilhoso de animar os amigos.
Que Ele me ouça como faria um homem com seu amigo. Jó 16:21 (A Bíblia Viva)
Arthur Daniells tinha dez anos de idade quando entregou o coração a Deus. Procurava ser um bom cristão, mas muitas vezes falhava. “É inútil tentar”, pensava Arthur. “Acho que vou desistir.” E foi o que fez. Deixou de ler a Bíblia. Parou de orar. Não se levantava mais na igreja para dar seu testemunho.
Num sábado, Arthur saiu rapidamente da igreja após a bênção final, antes que alguém tivesse a oportunidade de falar com ele. Dobrou a esquina e ocultou-se na sombra.
Nesse instante, um ancião de cabelos brancos virou a esquina do prédio e sorriu ao ver Arthur.
– Que bom, aí está você, Arthur! Eu andava à sua procura.
Arthur não ficou feliz ao ver o ancião. Procurou algum meio de escapar, mas viu que o homem estava preocupado.
– Tenho interesse em você, Arthur – disse o idoso senhor. – Percebi que você deixou de falar na reunião há três semanas. Algum problema?
– Não há jeito para mim – resmungou Arthur, olhando para os próprios sapatos. – Não sou o tipo de garoto que vai ser cristão. Não consigo ser. Já tentei e fracassei, e por isso desisti de tentar.
– Você não deve desistir! – declarou o ancião. – Vou orar por você todos os dias desta semana. Não quer tentar outra vez? Vai me acompanhar em oração todos os dias da semana?
– Sim, senhor. Se orar por mim, vou tentar – concordou Arthur.
O ancião colocou o braço ao redor dos ombros de Arthur e aproximou-se mais dele. Sussurrou:
– Arthur, vou orar por você todos os dias. Ore você também, e sei que o Senhor vai ajudá-lo.
Arthur manteve a promessa e cumprimentou o velhinho com um sorriso no sábado seguinte.
– Funcionou! – disse ele. E não teve dificuldade para encontrar um motivo de agradecimento na hora dos testemunhos daquela reunião.
Arthur cresceu e tornou-se o pastor A. G. Daniells, missionário e o sétimo presidente mundial dos adventistas do sétimo dia.
Sendo Amigos
A oração é outra forma de encorajar os amigos. Os cristãos oram uns pelos outros.
Consolai-vos, pois, uns aos outros e edificai-vos reciprocamente. 1 Tessalonicenses 5:11
Guilherme tinha sido reprovado na 1ª e na 4ª série. Em sua escola, as classes eram divididas em seções, de acordo com o desempenho dos alunos nas notas. A seção A era para os melhores alunos: a seção D, para os piores. Guilherme estava na seção D.
– Guilherme não está bem – disse a professora à mãe dele. – Não consegue dar conta das lições. Acho que ele deveria voltar para a 3ª série.
– Faça o que achar melhor para ele – disse a mãe.
Mas, antes de efetuar-se a mudança, chegou um visitante à 4ª série. Era o superintendente das escolas, o Sr. Silva. Chegou exatamente na hora em que os alunos iam começar uma prova. Quando viu o Sr. Silva, Guilherme se esqueceu de tudo o que pudesse ter aprendido.
A professora fez a primeira pergunta. Guilherme não sabia a resposta. Em geral, quando não sabia responder, ficava na carteira sem escrever nada. Mas desta vez estava tão assustado com a presença do superintendente que começou a escrever com o maior empenho, para que o Sr. Silva não desconfiasse de nada. Escreveu a primeira coisa que lhe veio à mente.
O Sr. Silva parou ao lado da carteira dele e levantou a folha da prova, lendo as respostas. Mais tarde, o Sr. Silva disse à professora:
– Acho que Guilherme merece uma segunda oportunidade para melhorar. Vamos colocá-lo na seção C.
Com surpresa, a professora disse:
– Guilherme, passe para a segunda fila, na carteira atrás de Mariana.
Guilherme não conseguia crer na sua boa sorte. Nunca na vida estivera em outra seção que não fosse a D. Correu para casa depois das aulas para contar a boa notícia à mãe:
– Mamãe! O Sr. Silva me pôs na seção C!
– Por quê? Você nunca esteve na seção C!
– Ele disse que mereço uma segunda oportunidade.
– Bem, se você vai sair agora para jogar, troque de roupa – disse a mãe. – Vou falar mais tarde com sua professora.
– Não posso jogar agora – respondeu Guilherme. – Tenho muita lição de casa.
Guilherme nunca mais foi reprovado. Incentivado pela confiança que o Sr. Silva depositou nele, estudou bastante e venceu.
Sendo Amigos
Incentivamos os amigos quando expressamos a confiança que temos de que podem fazer um bom trabalho.
Encorajem-se mutuamente. 1 Tessalonicenses 4:18 (A Bíblia Viva)
Use as perguntas abaixo para avaliar seu desempenho na área do encorajamento. Você transmite ânimo aos seus amigos? De que maneira poderia incentivá-los mais?
11. Concentro-me na felicidade dos meus amigos, e não nas minhas necessidades. Procuro encontrar maneiras de fazer com que meus amigos se sintam felizes.
( ) Nunca ( ) Às Vezes ( ) Geralmente ( ) Sempre
12. Costumo demonstrar o apreço que sinto por meus amigos, procurando maneiras de alegrá-los com pequenos atos de amor.
( ) Nunca ( ) Às Vezes ( ) Geralmente ( ) Sempre
13. Pratico atos secretos de bondade.
( ) Nunca ( ) Às Vezes ( ) Geralmente ( ) Sempre
14. Valorizo as pessoas, fazendo elogios a elas.
( ) Nunca ( ) Às Vezes ( ) Geralmente ( ) Sempre
15. Procuro elogiar um comportamento específico da pessoa, em vez de fazer uma avaliação elogiosa da própria pessoa.
( ) Nunca ( ) Às Vezes ( ) Geralmente ( ) Sempre
16. Fico feliz ao levar alegria aos outros, através de palavras e pequenos atos de bondade.
( ) Nunca ( ) Às Vezes ( ) Geralmente ( ) Sempre
17. Acredito nos meus amigos e faço questão de que eles saibam que lhes dou 1.000% de apoio.
( ) Nunca ( ) Às Vezes ( ) Geralmente ( ) Sempre
18. Consigo louvar a Deus em todas as circunstâncias da vida, boas ou más.
( ) Nunca ( ) Às Vezes ( ) Geralmente ( ) Sempre
19. Escrevo para as pessoas, expressando meu apreço e admiração.
( ) Nunca ( ) Às Vezes ( ) Geralmente ( ) Sempre
10. Tenho disposição para ajudar meus amigos em suas necessidades, dando algo concreto para supri-las.
( ) Nunca ( ) Às Vezes ( ) Geralmente ( ) Sempre
11. Costumo tocar as pessoas para animá-las, quando estão precisando.
( ) Nunca ( ) Às Vezes ( ) Geralmente ( ) Sempre
12. Digo palavras de ânimo e apreço aos membros de minha família.
( ) Nunca ( ) Às Vezes ( ) Geralmente ( ) Sempre
13. Uso a oração para encorajar as pessoas.
( ) Nunca ( ) Às Vezes ( ) Geralmente ( ) Sempre