Deus caminha ao meu lado
Fatmata Conteh (Serra Leoa)
Compartilha sua fé em Freetown, Serra Leoa
Em meio a profundas provações e desespero, mais do que poderia imaginar, uma mulher aprendeu que Deus jamais a deixou.
(Peça a uma mulher que apresente este Informativo na primeira pessoa)
Eu pertencia a uma religião não cristã em Serra Leoa. Na escola, tínhamos aula de religião, e lembro de ter ouvido a história de Samuel, o bebê desejado. Achei a história muito bonita, mas quando contei para meus pais, eles ficaram zangados. Mamãe me alertou para nunca mais ouvir tal bobagem novamente!
Meus pais eram conservadores em sua religião, e meu pai era um importante professor de religião. Ele não queria que sua filha se interessasse pelo cristianismo. Mas sabia que histórias bíblicas faziam parte do currículo da minha escola, e eu não podia evitar. Eu achava as histórias interessantes, e mantinha segredo sobre o que aprendia nas aulas de religião.
Terminei o Ensino Médio e consegui um emprego. Conheci John, filho de amigos de meus pais. Minha família gostava de John e de seus pais, com exceção do fato de serem cristãos. John era adventista, e meus pais perceberam que eles seguiam os mesmos princípios de saúde que nós seguíamos. Então, não fizeram objeção à nossa amizade.
Em pouco tempo, John e eu nos apaixonamos. Quando contei aos meus pais que queríamos nos casar, eles não fizeram objeções.
Quando terminei os estudos, voltei para a África e viajei para o Senegal, onde John estava estudando. Casamo-nos poucos meses depois.
Estabelecendo um lar
Quando John terminou os estudos, voltamos para Freetown, Serra Leoa. Mas isso ocorreu no pior momento, porque, poucos meses depois da nossa mudança, a guerra começou em Freetown e perdemos nossa casa e tudo o que tínhamos. Escapamos com a roupa no corpo. Mudamo-nos para um pequeno cômodo na casa de minha irmã. Foi difícil, mas, apesar de tudo, meu marido nos manteve confiantes através da oração.
Eu estudava diariamente. Aprendia muitas coisas novas sobre Deus e Seus planos para nossa vida. John nunca me forçava a nada. Ele dizia que Deus me impressionaria no tempo certo. E foi o que aconteceu. Passo a passo, Deus me guiou até Ele.
Fiquei muito empolgada com o que estava aprendendo na Bíblia. Estava feliz em ir à igreja com meu marido e estudando a Palavra de Deus com ele. Orávamos e estudávamos juntos todos os dias. John conseguiu um emprego na ADRA e conseguimos nos mudar para nossa própria casa. Nossa alegria foi completa quando decidi ser batizada. John disse que minha família carnal poderia me renegar por causa da minha decisão, mas eu teria uma nova família – irmãos e irmãs em Cristo.
Uma tragédia surpreende
Em uma sexta-feira, meu esposo foi levar nosso filho de cinco anos para cortar o cabelo. No caminho para casa, John desmaiou. Alguém o levou ao hospital enquanto um gentil transeunte levou nosso filho até nossa casa. Quando ouvi o que tinha acontecido, corri até o hospital e encontrei alguns membros da igreja orando por meu esposo.
Então, vi John deitado, imóvel na cama. Chamei seu nome e vi seus olhos abrirem. Mas percebi que ele não conseguia me ver. Sentei-me ao seu lado, abalada e amedrontada.
Depois de um tempo, os médicos me incentivaram a ir para casa, pois não havia nada que eu pudesse fazer no hospital. Fui para casa, mas estava por demais preocupada para conseguir dormir. Passei a maior parte da noite orando. No sábado de manhã, voltei ao hospital. Perguntei à enfermeira sobre a condição do meu esposo, mas não obtive nenhuma informação. Perguntei ao médico, e novamente não obtive resposta. Então, o pastor chegou e me disse que meu marido tinha falecido durante a noite.
Fiquei arrasada. Não podia acreditar que o homem que tanto amava estava morto. Pedi aos médicos para ver John, mas eles não me permitiram entrar no quarto. Acho que eles temiam que eu morresse também.
Recomeçando
Depois do funeral, meus parentes quiseram me banhar com ervas, segundo sua tradição religiosa, mas recusei. Disse-lhes então:
– O sangue de Jesus lavou todos os meus pecados, e essa é a única limpeza de que eu preciso.
Eu sabia que eles desejavam que eu voltasse para a fé da minha infância, por isso lhes disse:
– Meu esposo morreu, mas minha fé em Jesus está viva. Nunca abandonarei minha fé cristã.
Meus parentes ficaram preocupados com minha subsistência depois da morte de John. E admito que foi difícil. Mas eu tinha tomado a decisão de seguir a Jesus, não importando o que a vida me reservasse, e continuei firme nessa decisão. Não tem sido fácil desde que John morreu. Tudo na igreja, cada detalhe do culto lembra meu amado esposo. Levar meu filho à Escola Sabatina, cantar hinos na igreja, mas não ouvir a voz forte do meu marido ao meu lado, orar e ler a Bíblia durante o culto familiar, tudo me lembra o que perdi. Algumas vezes, não consigo nem orar, simplesmente choro.
Lentamente – muito lentamente – a dor da perda vai se tornando suportável. Mas Satanás não desiste de nos atacar. Nosso filho adoeceu seriamente de malária e teve que ser hospitalizado. Depois, quebrei a perna em um acidente. Poucas semanas depois, ladrões entraram em nossa casa e roubaram tudo, inclusive o alimento da geladeira! Meu filho e eu estávamos dormindo quando tudo aconteceu, mas não ouvimos nada.
Orando através dos tempos difíceis
Perdemos tudo o que tínhamos, e não havia dinheiro para pagar o aluguel. Mas agradeço a Deus, pois não fomos atingidos fisicamente. Lembro que meu marido orava quando perdemos tudo, e encontro forças no seu exemplo de fé em tempos difíceis.
Quando as pessoas perguntam como consigo administrar a vida sem John, digo que confio em Deus, que satisfaz as minhas necessidades e me ajuda nos tempos difíceis. Aprendi que mesmo não entendendo a razão de aconteceram coisas ruins, posso descansar segura, pois Deus caminha ao meu lado e não me deixará sofrer sozinha.
Deus me deu um testemunho para partilhar com os outros, e desejo lhes falar que Deus é fiel, mesmo em meio à dificuldade e tristeza. Isso é tudo que posso dizer.

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