Lições inesperadas

Eva Yeboaa (Gana)
Mora em Kumasi, Gana

Curiosa sobre o que os cristãos criam, ela entrou para o coral da escola a fim de observar os cultos sem levantar suspeita.

(Peça que uma jovem apresente este Informativo na primeira pessoa)

Cresci em uma família muçulmana em Gana. Eu era a oitava de dez filhos. Meu pai fazia o melhor para nos educar, mas era difícil. Minha professora dizia que eu tinha potencial e incentivava meu pai para que eu tivesse a melhor educação. O que mais poderia ele fazer a não ser concordar? Então, depois do Ensino Médio, ele me enviou para estudar pedagogia – a única menina da minha família a continuar os estudos depois do Ensino Médio.

Lições inesperadas

Na universidade em que eu estudava, todos os alunos tinham aula de religião. Os muçulmanos estudavam com um professor muçulmano, enquanto os cristãos estudavam com um professor cristão. Cresci pensando que os cristãos criam em tolices, como a que Jesus – que sabíamos ser apenas um profeta – na verdade, era Deus. Isso parecia loucura para mim, mas fiquei curiosa para saber como pessoas tão esclarecidas podiam acreditar em algo tão sem sentido.

Certo dia, perguntei ao meu professor de religião por que os cristãos declaravam que Jesus é Deus. Mas, em vez de responder à minha pergunta, ele ficou perturbado e insultou os cristãos. Pensei: “Por que esse homem não respondeu à pergunta? Será que existe alguma coerência no que os cristãos falam sobre Jesus?” Decidi encontrar por mim mesma as respostas a essas perguntas.

Eu não podia simplesmente começar a freqüentar as aulas de religião dos cristãos ou seus cultos. Se fizesse assim, meu pai me tiraria da faculdade. Então, entrei no coral da escola, que sempre participava dos cultos cristãos. Era aceitável para um muçulmano cantar no coral e, dessa maneira, eu poderia participar de alguns cultos sem que ninguém percebesse minha curiosidade.

Procurando respostas

Lembrei-me de que, certa vez, ouvi meu tio cristão falar sobre o sábado; mas o que era isso, na verdade? Tomei emprestada uma Bíblia e procurei na concordância todos os versos que mencionavam o Shabbath. Descobri que o Shabbath era o sétimo dia da semana. Lembrei que meu tio guardava o sábado, não o domingo. Os versos que li me conduziram a outras partes da Bíblia, e descobri mais e mais sobre Deus.

Por três anos, assisti secretamente a todos os cultos cristãos possíveis. E como o irmão de minha mãe era cristão, perguntei a ela sobre o que ele acreditava. Ela me incentivou a visitá-lo durante as férias e conhecer suas crenças. Nas férias seguintes, fui visitar meu tio, e ele me levou à igreja adventista do sétimo dia.

Fiquei surpresa, ao encontrar algumas coisas em comum entre os costumes adventistas e os muçulmanos, como o regime alimentar. Quanto mais aprendia, mais sentia que estava descobrindo algo precioso. Os membros foram amorosos e me receberam bem. Admirei-me do modo como os adventistas viviam sua fé em todos os aspectos da vida. Quanto mais aprendia, mais queria saber.

Minha independência

Completei meu curso de pedagogia e fui contratada pela escola de um vilarejo, a 60 quilômetros de onde meus pais moravam. Estava empolgada com minha independência e a chance de ganhar meu próprio dinheiro. Finalmente, poderia adorar a Deus abertamente. Mas, quando cheguei à vila, descobri que, como continuava oficialmente muçulmana, foi planejado que eu me hospedasse com uma família muçulmana. O que faria?

Em pouco tempo, o senhor muçulmano percebeu que eu não orava cinco vezes por dia. Melhor que esconder minha nova fé, decidi falar-lhe a verdade.

– Não sou muçulmana – disse, – sou cristã.

O homem ficou chocado e disse que tinha oferecido a casa de graça, porque eu era muçulmana. Pensou alguns minutos e disse:

– Você terá que encontrar outro lugar para morar.

Entendi e orei a Deus que me provesse um novo lugar. Mas, antes que o encontrasse, esse homem se aproximou e disse que tinha mudado de idéia. Eu poderia ficar, mas por pouco tempo.

A notícia de que eu era cristã se espalhou rapidamente, e alguns professores muçulmanos tentaram me convencer a voltar à religião do meu pai.

Eu falava às pessoas que era adventista, mas, na verdade, continuava sabendo muito pouco sobre a igreja, exceto o que o meu tio tinha explicado e o que tinha visto. Queria aprender mais, e me unir à igreja.

Reuniões evangelísticas

Durante as férias escolares, deixei a vila por algumas semanas. Quando voltei, fiquei surpresa ao ouvir que os adventistas estavam dirigindo reuniões em um prédio próximo à casa do meu anfitrião.

Fiquei empolgada e corri para o local das reuniões. Assim que entrei, fui recebida por um homem que recolhia o nome e endereço dos visitantes.

– Você precisa colocar meu nome na lista da igreja – eu disse. – Sou adventista.

– O que você sabe sobre os adventistas? – o homem perguntou.

Expliquei que freqüentava a igreja com meu tio em outra cidade, e queria ser membro. O homem sorriu e gentilmente me disse que ficaria muito feliz em colocar meu nome na lista de pessoas que estavam estudando a Bíblia e se preparando para o batismo.

Comecei a estudar a Bíblia com os adventistas e, alguns meses depois, fui batizada no primeiro grupo de novos membros daquela vila. Finalmente, fazia parte da família adventista!

Queria contar à minha família sobre a nova fé, mas estava preocupada com a opinião do meu pai. Porém, para minha surpresa, soube que minha irmã mais nova também se tornara adventista em uma de suas visitas ao meu tio. E meu irmão mais velho, que também era professor, tinha se tornado adventista quando fora enviado para lecionar em uma cidade onde a igreja adventista era muito forte. Por longo tempo, ele também manteve em segredo sua fé, temendo que nosso pai pudesse ficar nervoso e cortar os gastos dos meus estudos!

Os novos membros na vila em que moro começaram a freqüentar a escola na qual leciono. A congregação cresce lentamente, e hoje ela é uma igreja saudável, cheia de louvores alegres, de crianças e adultos. Minha maior alegria é partilhar com outros a fé que encontrei.


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