Tempo de encontro com Deus

Vera Akafo (Gana)
Mora em Accra, Gana. Está completando o mestrado em Recursos Humanos

Ela pensava que sua vida era normal, até assumir, por um ano, o trabalho compulsório na Universidade Adventista

(Peça a uma jovem que apresente este Informativo na primeira pessoa)

Apressadamente, abri a carta que tinha chegado do correio naquele dia. Estava esperando por aquela carta havia várias semanas. Seu conteúdo determinaria onde eu passaria o ano seguinte da minha vida. Estava ansiosa para ver o que a carta dizia.

Trabalho compulsório

Tinha acabado de me formar em Psicologia e Ciência Política na universidade, e esperava minha tarefa de trabalho voluntário, exigido de todos os formandos. O governo os escala para funções voluntárias, e normalmente tenta adequar as qualificações desses formandos com as posições disponíveis. Mas os formandos não escolhem o emprego que desejam assumir. Recentemente, alguns dos meus amigos haviam recebido cartas do governo e estavam decepcionados com os empregos públicos que tinham recebido.

Com os dedos trêmulos, rasguei o envelope. Meus olhos examinaram a carta rapidamente, e vi o nome “Valley View University”. Então, eu trabalharia em uma universidade. Que bom! Já tinha ouvido falar sobre esse lugar, sabia que era um lugar cristão e que era a primeira universidade particular em Gana. O emprego parecia interessante. Fiquei aliviada.

Perguntei aos meus amigos o que sabiam sobre a Valley View University e soube que era uma instituição adventista. Eu não sabia muito sobre os adventistas, a não ser que guardavam o sábado em vez do domingo. Eu me perguntava por que, mas não passava muito tempo pensando sobre isso. Estava muito ocupada empacotando as coisas a fim de me mudar para meu posto no serviço público.

Um novo emprego

Cheguei à Valley View University e fui recebida cordialmente por professores e alunos. Eles me mostraram o campus. Fiquei impressionada com a limpeza e com a educação e respeito dos alunos. Senti paz e calma, diferente do que sentia no campus da universidade onde estudei.

Fui designada para trabalhar no departamento de crescimento, com a função de promover a universidade e levantar fundos para projetos especiais. Também trabalhei junto aos alunos, e eles me fizeram sentir como se realmente fizesse parte da vida do campus.

Sempre que os professores me encontravam, paravam para conversar e perguntar sobre minha vida e planos para o futuro. Não raras vezes, fiquei surpresa com a bondade que demonstravam para comigo.

Certo dia, estava conversando com um professor, que me disse:

– Vou fazer de você uma adventista.

Sorri, pensando que ele estava brincando. Claro, eu estava impressionada com os adventistas que estava conhecendo e com a qualidade da universidade. Gostava do meu emprego e das pessoas que trabalhavam comigo. Mas estava feliz na minha igreja. Não sentia necessidade de mudar. Minha vida estava bem daquela maneira.

Nova visão de Deus

Eu gostava do meu trabalho e o fazia com dedicação. Logo fui transferida para o escritório do presidente, um homem cheio de responsabilidades, mas fiquei impressionada com sua bondade e seu interesse pelos alunos e por mim. Todas as semanas, ele ensinava em uma classe bíblica e me pediu para digitar as lições que preparava para essas aulas.

Certa semana, o presidente me convidou a participar do culto no sábado. Agradeci seu convite, mas eu morava a 45 minutos do campus e era difícil sair de casa para tomar um ônibus só para ir à igreja. Então, não fui. Fiquei aliviada na segunda-feira, pois o presidente não mencionou nada sobre o culto.

Poucas semanas depois, a universidade realizou uma Semana de Ênfase Espiritual. Todos: alunos, professores e funcionários freqüentavam os programas matutinos e vespertinos. Eu também fui, e fiquei feliz por isso.

O pastor falou sobre os eventos finais sob a perspectiva bíblica, focalizando a volta de Jesus. Falou sobre o passado, explicou a experiência de Noé, alertando as pessoas sobre a vinda do dilúvio e sobre a descrença delas. E, da mesma forma, disse ele, as pessoas de hoje não acreditam que Jesus voltará em breve.

Tempo de aprender

Certo dia, enquanto estava digitando as lições bíblicas daquela semana, prestei atenção ao que estava digitando. A lição falava sobre o sábado e provava que Deus não mudou o dia de guarda para o domingo. A lição explicava que o sábado é o dia separado para que os homens o passassem com Deus, separados do mundo, um dia santo. Enquanto lia a lição, parecia que as peças de um quebra-cabeça iam se encaixando, criando a figura maravilhosa de um Deus que eu ainda não conhecia. Percebi que esses adventistas tinham algo que a maioria dos cristãos tinha perdido, e eu queria o mesmo.

Comecei a ir à universidade aos sábados para participar do culto. Tirei minhas jóias e passei a viver de maneira simples, tendo Jesus como centro de tudo o que fazia. Alguns de meus amigos me acharam louca. Estudei a Bíblia com maior intensidade para poder responder às perguntas mais difíceis.

Meu ano de serviço gratuito terminou recentemente, mas eu não quis deixar a universidade. Sinto que estou em casa, e as pessoas aqui são como minha família. Pedi para continuar trabalhando como voluntária, até decidir o que fazer com meu futuro. Nessa época, continuei estudando a Bíblia e fui batizada.

Quando fui enviada à Valley View University para meu trabalho público, nunca sonhei que minha vida fosse mudar tão radicalmente. Louvo a Deus por ter-me encontrado, mesmo quando não imaginava estar perdida. Vejo uma nova face de Deus e desejo passar o resto da vida apresentando-O a outras pessoas.


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