INFORMATIVO MUNDIAL DAS MISSÕES

A nova igreja

N. Baskar
Contador do Hospital Adventista em Tamil Nadu, Índia

A cura de uma enfermidade e uma nova igreja no vilarejo trouxeram uma nova fé
– e anos de perseguição

(Peça a um jovem que apresente este relato na primeira pessoa.)

Meu nome é Baskar. Venho de um vilarejo rural no oriente da Índia. Meu pai possuía um pedaço de terra, no qual criávamos gado, mas o vício da bebida alcoólica fez com que ele perdesse tudo: nossa terra, o gado e inclusive a casa. Minha mãe começou a trabalhar como doméstica para que pudéssemos ter alimento.

Procuramos ajuda de nossos deuses. Íamos regularmente aos templos e oferecíamos poojas – oferendas de flores, incenso ou alimento – enquanto orávamos por tempos melhores. Mas as coisas simplesmente pioravam.

Lutando com a enfermidade

Quando eu tinha 14 anos de idade, fiquei extremamente doente. Tinha febre, vomitava e contraí uma infecção respiratória. Achei que ia morrer. Minha família me levou ao templo, apresentando oferendas e pedindo minha cura, mas não melhorei. Alguns dias depois, minha família me levou para o hospital, um grande sacrifício para uma família que não tinha nada. Permaneci no hospital durante uma semana, mas não consegui melhorar.

Enquanto estive no hospital, minha avó foi me visitar. Ela contou à minha família que estava freqüentando uma igreja cristã a certa distância de nossa casa. Incentivou meus pais a me levarem à igreja cristã, dizendo que se essas pessoas orassem por mim, eu seria curado. Mais que isso, ela disse que nossos problemas financeiros seriam solucionados.

Uma semana depois, recebi alta e minha família me levou à igreja da minha avó. Pedimos às pessoas dali que orassem pela minha cura. Comecei a me sentir melhor, e em duas semanas estava bem. Ficamos convencidos de que o Deus dos cristãos é poderoso. Esse Deus tinha feito o que nossos deuses e os médicos do hospital não puderam fazer. Isso mudou nossa vida. Jogamos fora nossos ídolos.

A fé da minha avó

Continuamos freqüentando a igreja da vovó, que ficava cerca de 14 quilômetros distante de nossa casa. É uma longa distância, principalmente quando não se tem meio de transporte. Então, quando soubemos que uma nova igreja estava sendo construída perto de nossa casa, decidimos freqüentar ali.

Na época, não conhecíamos as diferenças entre as religiões, mas a nossa nova igreja realizava os cultos aos sábados, não aos domingos, como a igreja de minha avó. Mas não nos importávamos. Adoraríamos a Deus em qualquer dia da semana.

O líder da igreja pregava sobre temas que nunca tínhamos ouvido antes, como a Criação, os Dez Mandamentos e o sábado. Começamos a estudar com o pastor leigo, o qual nos explicou cada doutrina. Aceitamos, uma por uma, as verdades que o pastor nos mostrava na Palavra de Deus.

Compreendemos que essa era a igreja verdadeira, e nos unimos a ela pelo batismo. Inclusive meu pai, que era alcoólatra, foi capaz de deixar a bebida e unir-se conosco à igreja adventista. Em pouco tempo, mais 25 pessoas do vilarejo se tornaram membros da igreja. Foi então que as dificuldades começaram.

Perseguição

Muitas pessoas que viviam em nosso vilarejo e nas redondezas adoravam ídolos, como nós fazíamos antes. Ninguém parecia se importar quando freqüentávamos a igreja da minha avó. Mas quando começamos a freqüentar a Igreja Adventista – e levávamos outras pessoas conosco – começamos a experimentar forte oposição.

Primeiro, alguns moradores reclamaram aos moradores mais antigos que estávamos convertendo pessoas e separando famílias. Por isso, os moradores proibiram os cristãos de se misturarem com os demais cidadãos nas festividades da cidade. Em seguida, nos proibiram o uso de locais públicos do vilarejo, incluindo a fonte de água. Como cada vilarejo possuía apenas uma fonte em cada bairro, isso significava que tínhamos que caminhar uma longa distância para conseguir água. Quando essas novas restrições não fizeram com que desanimássemos de nossa fé, os moradores mais antigos se reuniram com os demais e perguntaram aos cristãos se eles continuariam a adorar o Deus cristão ou voltariam à sua antiga crença e adorariam os deuses nos diversos templos do vilarejo. Dissemos que continuaríamos a adorar o Deus vivo.

Quando os moradores mais antigos não conseguiram resolver o assunto, alguns foram até a polícia queixando-se de que os cristãos estavam dividindo o vilarejo. A polícia transferiu o problema para o governo. Oramos fervorosamente para que não fôssemos forçados a deixar nossa casa nem o emprego por causa de nossa fé. Mas nos encorajávamos mutuamente para que, se fôssemos forçados a abandonar o vilarejo, continuássemos ao lado de Jesus.

O representante do governo ouviu cada lado do caso. E então disse:

– Devemos deixar com cada um a decisão de adorar a Deus ou aos ídolos. Não incomodem essas pessoas só porque vocês não concordam com a religião delas.

Depois de três anos, os moradores do vilarejo mudaram de atitude para conosco, permitindo que os cristãos participassem das atividades comunitárias. Desde então, mais quatro famílias se uniram à nossa igreja. Muitos membros se mudaram do vilarejo, por isso, nosso grupo continua pequeno. Temos muito espaço para crescer, e queremos que todos os moradores sejam alcançados pelo amor de Deus.

Agradecemos de coração suas ofertas missionárias, que nos trouxeram um evangelista e tornaram possível a construção de nossa pequena igreja. Por causa da sua fidelidade, aprendemos sobre a verdadeira igreja de Deus e agora adoramos com vocês a cada sábado.


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