O deus do trovão
Anna Agbanvor (Benin)
Vive perto de Cotonou, Benin, onde ela partilha sua fé.
Nuvens negras se acumularam no horizonte. Rapidamente, sem aviso, um relâmpago atingiu a árvore sob a qual ela estava sentada
Vodu é uma religião animista originada em Benin e disseminada entre as tribos do oeste da África. Imigrou com os escravos para o Brasil, Haiti e partes da América do Norte, onde continua sendo praticada. Seus rituais incluem tambor, danças, culto aos ancestrais e sacrifícios de animais. Os dançarinos são possuídos pelo demônio ou espírito e falam com a voz do demônio ou de um familiar falecido recentemente.
Eles acreditam que centenas de espíritos controlam a natureza – o vento, o mar, o céu – e trazem ou retiram a saúde, prosperidade e felicidade. Seus seguidores se dirigem ao sacerdote ou sacerdotisa em busca de conselho, algum favor ou ser liberto de uma maldição específica.
(Peça que uma mulher apresente este Informativo na primeira pessoa)
Meu pai era um poderoso sacerdote vodu no sudeste de Benin. Eu sabia, em primeira mão, como era grande o poder do vodu. Ele podia matar, curar e, aparentemente, mudar as leis da natureza.
Eu estava grávida além do que era considerado tempo normal, não entrava em trabalho de parto e meu bebê não nascia. Alguém tinha jogado uma maldição contra mim. Nenhum hospital moderno era capaz de me atender, e eu me sentia infeliz. Mas um grupo de adventistas soube da minha condição e orou por mim e pelo bebê. Logo após suas orações, entrei em trabalho de parto e o bebê nasceu. Desde então, percebi que o Deus dos cristãos é mais poderoso que os deuses vodus. Decidi adorar o Deus vivo. Meu marido e eu começamos a estudar a Bíblia com os adventistas, em preparação para o batismo.
Julgamento e tragédia
Meus parentes ficaram furiosos com minha decisão de abandonar os deuses da família, e nos alertaram que nossa decisão poderia custar nossa vida. Mas estávamos decididos a não retroceder para adorar as trevas. Uma vez longe do vodu, seria tolice voltar. Então, meu pai, sacerdote vodu, morreu. Esperava-se que toda a família comparecesse ao funeral, que envolvia muitas cerimônias vodu – dança, invocação de espíritos e consumo de álcool. Durante essas cerimônias, os sacerdotes vodu têm poder sobre as pessoas; então, evitei ir ao funeral do meu pai. Os sacerdotes e meus parentes ameaçaram minha família – meus filhos, meu esposo e a mim – caso não fôssemos, mas recusei pisar no terreno do inimigo.
Naquela noite, orei antes de ir para a cama. Durante a noite, acordei sentindo uma urgente necessidade de orar. Ajoelhei-me e orei, pedindo a proteção divina. De repente, escutei um trovão, como se uma grande tempestade se aproximasse. Então, sem nenhum sinal de aviso, a casa desmoronou ao nosso redor. Quando recobrei os sentidos, percebi que o telhado tinha caído sem se dividir, protegendo-nos de ser esmagados. Mas meus braços e pernas estavam queimando, pois um raio tinha caído sobre a casa. Gritei por socorro, mas as pessoas que viram o raio atingir nossa casa, que agora era uma cova, estavam certas de que estávamos mortos, e fugiram.
Encontrei uma enfermeira que me conduziu ao hospital para o tratamento. Meu esposo e eu sabíamos que os sacerdotes vodu tinham clamado ao deus do trovão para nos destruir. Nós prometemos não voltar aos deuses vodus e decidimos ser batizados assim que fosse possível.
Novo ataque
Alugamos nova casa e nos mudamos. Algum tempo depois, eu estava sentada sob uma árvore, descascando nozes, quando meu esposo viu nuvens negras se aproximando e me chamou para entrar em casa. Mas, antes que pudesse me mover, caiu um raio sobre a árvore e me atingiu. Caí no solo, quase inconsciente, junto ao meu esposo paralisado. Senti uma mão pressionando meu peito, como a forçar o ar para dentro dos meus pulmões. Em seguida, fortes braços nos carregaram para dentro de casa e nos colocaram no piso. Naquele dia, não soubemos quem tinha nos ajudado.
Os moradores correram até nossa casa para ver quem tinha morrido. Eles acreditam que quando o trovão soa, significa que o deus do trovão matou alguém, e então se apropriam dos bens do falecido. Eles esperavam encontrar um corpo sob a árvore queimada, mas não havia ninguém.
Quatro sacerdotes do deus do trovão entraram em nossa casa esperando encontrar nossos corpos. Mas encontraram, meu marido e eu deitados no chão, semi-conscientes. Com exceção de algumas queimaduras no braço e na perna, não havia nenhum outro machucado. Os sacerdotes perguntaram quem tinha morrido, e respondemos que ninguém tinha falecido. Eles tentaram nos levar para longe, mas alguns cristãos adventistas não permitiram que nos tocassem. Eles sabiam que poderíamos ser mortos.
Meu esposo e eu fomos levados até o hospital. Os médicos encontraram sete queimaduras em mim. Meu esposo não ficou muito machucado.
Morte na família
Quatro dias depois, recebemos alta do hospital. Em seguida, soubemos que meu filho mais velho, que vivia em outra vila, tinha morrido. Não ousei ir ao seu funeral, pois sabia que meu irmão mais velho, que tinha substituído meu pai como sacerdote vodu, poderia me matar por haver abandonado os deuses da família.
Não voltaremos atrás
A vida é um desafio para nós todos os dias. Alguns acreditam que sou bruxa, pois o deus do trovão não nos matou. Outros colocam “juju”, um símbolo do sacerdote vodu, em nossa porta. Eu jogo no lixo.
Outras pessoas opinam declarando que minha vida seria mais fácil se voltasse à religião do meu pai, mas decidimos não voltar. Partilho minha fé com outros e conto como Deus me salvou do deus do trovão. Quero que todos saibam que Deus é mais poderoso que qualquer vodu que as pessoas tentarem usar contra mim. Louvo a Deus pois Ele me levou à verdade e posso adorá-Lo.
Nossas ofertas missionárias semanais ajudarão a resgatar pessoas que estão cegas pela escuridão espiritual. Parte da oferta do décimo terceiro sábado ajudará a construir igrejas para membros como nós através da Divisão Centro-Oeste Africana.Ao dar sua oferta, lembre-se das necessidades de Benin e da África Ocidental.

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