Vitorioso na enfermidade

THORSTEN KRAUS
Vive no nordeste da Baviera, Alemanha

Para um jovem atleta, um passo em falso marcou o início de uma rotina que não estava em seus planos.

(Peça que um adolescente apresente este Informativo em primeira-pessoa.)

No Ensino Médio, os esportes eram parte importante de minha vida, especialmente ginástica, trilhas e jogos. Minhas especialidades eram arremesso de disco e salto em distância. Sempre treinava bastante para melhorar minhas habilidades nesses eventos. Embora os esportes fossem importantes na minha vida, nunca pretendi me tornar atleta profissional. Meu desejo era ser pastor, como meu pai. Passava muito tempo estudando a Bíblia e partilhando minha fé com os colegas da escola. Eu estava com 16 anos de idade, o seminário e o ministério ainda eram um sonho a longo prazo.

Um grande obstáculo

Então, certo dia, enquanto praticava ginástica, senti que tinha dificuldades em manter o equilíbrio. Algo parecia errado. Continuei meu treino em outro equipamento, mas percebei outros sinais que mostravam que meu equilíbrio não estava bom. Fiquei me perguntando o que estava acontecendo.

Falei com meus pais, e eles decidiram que eu deveria ir a um médico. O médico diagnosticou que eu poderia ter sido picado por um inseto que carregava um vírus. Mas, para ter certeza, ele me enviou a um hospital, para fazer um exame completo.

Diagnóstico devastador

Gastei metade do dia fazendo esses exames. Quando os resultados chegaram, o diagnóstico me atingiu como uma avalanche: tinha contraído esclerose múltipla (EM). O médico disse a mim e à minha mãe que EM é uma doença auto-imune incurável que destrói o sistema nervoso. Minha cabeça rodava enquanto o médico falava, e era difícil encontrar um foco.

O médico explicou que, primeiramente, a doença afetaria meu equilíbrio; então, lentamente, minha coordenação e habilidades motoras se enfraqueceriam. Depois de algum tempo, eu não conseguiria caminhar. Disse que dentro de algum tempo, eu também poderia perder a habilidade da fala, e as pessoas não conseguiriam me entender. Quando ele disse isso, percebi que meu sonho de me tornar pastor estava sendo jogado pela janela.

– Finalmente – ele concluiu – você não poderá fazer nada sem ajuda.

O diagnóstico do médico parecia uma sentença de morte para mim. Não poderia mais estudar Teologia, tornar-me pastor, casar, ou ter filhos?

Progredindo com vida

O médico não tinha idéia da velocidade com que a doença progrediria. Assim, voltei aos estudos. Entretanto, a doença progrediu rapidamente. Na época da formatura, já estava com problemas para caminhar. Felizmente, minha fala ainda não estava afetada e pude ser o orador da turma. Mas percebia que o tempo estava passando.

Visto que o médico disse que algumas vezes a doença estacionaria por meses ou anos, decidi matricular-me no seminário e tornar realidade meu sonho de ser pastor. Mas a doença não se desenvolveu tão lentamente como eu esperava. Em pouco tempo, tive que usar uma cadeira de rodas para me movimentar. Tornou-se muito difícil datilografar ou segurar os livros enquanto lia. Cansava-me rapidamente, mas permaneci no curso. Os professores e os colegas me apoiavam, e eu estava decidido a completar o curso. Mas, no fim do terceiro ano de faculdade, minha fala estava se tornando difícil de ser compreendida e eu não tinha forças para freqüentar as aulas. Percebi que não conseguiria terminar o curso.

Desapontado, voltei para casa. Não poderia ser um pastor tradicional, mas tinha certeza de que Deus me usaria, de alguma forma, em minha casa. Procurei realizar pequenas coisas que pudessem ajudar minha família e os outros. Continuo sendo uma testemunha de Deus.

 

Fé fortalecida e alegria

Eu não podia andar, não podia segurar um livro e ler, nem mesmo comer sem ajuda. Muitas pessoas encontravam dificuldade para entender o que eu falava. Eu não podia mudar meu corpo, mas aprendi a aceitar a enfermidade. Aprendi a ver as coisas positivas da minha vida, e sei que todas essas coisas “cooperam para o bem daqueles que amam a Deus” (Rm 8:28). Tenho aprendido lições que não aprenderia se fosse sadio.

Estudo a Bíblia constantemente e converso com meu pai sobre o discernimento que adquirimos dos nossos estudos. Mantenho uma lista de oração e oro diariamente pelos pedidos anotados. Essa é minha maneira de servir a Deus. Nunca duvidei de que Deus está comigo. Deus me tem dado felicidade e paz para encarar minha doença. Meu relacionamento com Deus se torna mais forte a cada dia que passa.

Três percepções

Desde que adoeci, aprendi três coisas importantes que desejo partilhar:

– Saúde física não é a coisa mais importante na vida.

– A fé não é confirmada pela saúde física. Se Deus escolheu não recuperar minha saúde, isso não significa que tenho que perder a fé. Significa que Ele tem um plano melhor para minha vida.

– Deus pode me usar porque estou doente; Ele pode me usar através da enfermidade para resgatar o máximo de pessoas possível. Desejo fazer o que for necessário, para o meu Salvador.

Deus me dá a força de que preciso diariamente para conviver com minha enfermidade. Sinto-me protegido em Suas mãos. Ele também chama você para ministrar a outras pessoas. Você pode ministrar com bondade, visitas e através das ofertas dadas fielmente. Essas ofertas ajudarão outras pessoas a vencer a batalha contra o mal. Por favor, continue ministrando.


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