INFORMATIVO MUNDIAL DAS MISSÕES – Lição 10

Luz na escuridão

(Convide três pessoas, um casal e um narrador, para apresentarem essa entrevista na primeira pessoa.)

Narrador: Harville e Ellen Valenciano, são missionários no Hospital Adventista de Yuka em Zâmbia (localize no mapa). Ellen Valenciano é médica e o esposo, contador formado, é supervisor de manutenção.

Recentemente, a equipe da Missão Global se encontrou com os Valenciano para uma entrevista sobre o trabalho deles nas savanas africanas. (Para o homem que representa Harville): Harville, descreva a região em que está localizado o Hospital Yuka.

HV: O Hospital se localiza em uma região remota, no oeste de Zâmbia, perto da fronteira com Angola (aponte Angola e Zâmbia no mapa). Para chegar a Lusaka, capital de Zâmbia, viajamos durante 24 horas, usando transporte público. Quando necessitamos comprar suprimentos para nós mesmos e para o hospital, vamos à cidade mais próxima, que é Mongu, cujo trajeto é feito por barco inflável.

N: Dra. Ellen, muitas pessoas acreditam que o serviço missionário é coisa do passado. Conte-nos como são as condições nas quais vocês trabalham.

EV: O hospital tem cerca de 50 anos. O teto de zinco está enferrujado e precisa ser substituído, mas não temos condições financeiras. Meu esposo conserta alguns furos no telhado, mas os furos aparecem da noite para o dia. Recentemente, caiu uma parte do teto da sala de cirurgia . Tivemos que transferir os pacientes mais graves para o hospital público, que fica a alguns quilômetros. As cirurgias menores foram feitas em outro cômodo do hospital.

A eletricidade é outro problema. Algumas vezes, a energia acaba, e temos que trabalhar à luz de um candelabro ou lanterna. Não podemos usar o gerador, a menos que desconectemos a energia vinda da cidade para o hospital. Por isso, fazemos tudo que podemos durante o dia. Ficar sem eletricidade no hospital pode significar colocar uma vida em risco, mas, graças a Deus, ninguém morreu devido à falta de eletricidade.

N: Você mencionou o hospital público. Porque a igreja inaugurou um hospital ali quando há um hospital próximo?

EV: Muitas vezes, as pessoas não vão ao hospital até estarem seriamente enfermas. Elas escolhem ir ao nosso hospital, em lugar do hospital público, porque sabem que nós oramos antes das cirurgias ou tratamentos. Isso parece insignificante, mas é muito importante para elas. E como não cobramos, as pessoas que não podem pagar o tratamento vêm até nós.

N: Os missionários têm histórias interessantes para contar. Conte-nos uma.

HV: A vida missionária é cheia de desafios e surpresas. Há alguns meses, durante a época de chuvas, viajei em nosso barco inflável até Mongo para comprar alguns suprimentos. A viagem para casa era contra a corrente e levava cerca de 12 a 15 horas, devido à quantidade de suprimentos e material de construção. Deixamos Mongo às 3h, mas tivemos um problema com o motor . Fomos forçados a parar várias vezes. Estava anoitecendo e continuávamos distantes do hospital. O local estava infestado de crocodilos. Amarramos o barco em uma árvore e meu assistente foi procurar ajuda em Yuka, enquanto eu esperava com o barco e a carga.

Alguns moradores nos trouxeram madeira para uma fogueira a fim de nos manter aquecidos. Dois homens tentaram me convencer a dormir em uma casa vizinha. Era um convite tentador, mas duas crianças se aproximaram e disseram: “Esses homens são ladrões. Eles vão roubar suas coisas”. Fiquei no barco até que alguns funcionários chegaram para rebocar o barco para casa. A viagem durou quase 24 horas, mas Deus nos protegeu bem como a nossa carga.

N: E você, Ellen, o que nos conta?

EV: O hospital está bem próximo do rio. Durante a estação chuvosa, aparecem cobras, hipopótamos e crocodilos. Às vezes, as cobras, principalmente as venenosas, aparecem no pátio do hospital, procurando uma galinha ou ovos frescos. Às vezes, elas entram no prédio, e os seguranças ou meu marido são obrigados a matá-las.

Certo dia, o Dr. Mangold, diretor médico de Yuka, encontrou uma cobra enroscada em seu galinheiro. Quando abriu a porta para matar a cobra, ela cuspiu o veneno nos olhos dele. Ele ficou cego por dois dias.

Normalmente, os hipopótamos deixam o rio à noite para pastar e podem ser muito perigosos. Certa noite, fui visitar um paciente que sofria de problemas respiratórios. Percebi que havia hipopótamos ali perto, mas não consegui vê-los. Orei pedindo a proteção de Deus e voltei para casa a salvo. Na manhã seguinte, percebemos que os hipopótamos tinham cruzado o terreno do hospital! Sou grato a Deus por Sua proteção.

HV: Poderíamos trabalhar em hospitais muito melhores em algum outro lugar do mundo, mas Deus nos chamou para Yuka. Sabemos que fazemos diferença na vida daquele povo.

N: Muito obrigado por servir a Deus e à comunidade. (Para a congregação): Com suas ofertas, a igreja mantém quase mil missionários em mais de cem países. Muito obrigado!

Notícias missionárias

Zâmbia é oficialmente uma nação cristã, e a Igreja Adventista do Sétimo Dia possui mais de 574.700 membros. Existe um adventista para cada 20 habitantes no país, a maior porcentagem de adventistas da Divisão Sul-Africana-Oceano Índico.

Entretanto, dez por cento dos habitantes segue as religiões tradicionais ou são ateus. Ore pelo povo de Zâmbia, especialmente por aqueles que ainda não sabem que Jesus os ama.