INFORMATIVO MUNDIAL DAS MISSÕES – Lição 3
Filho da guerra, filho de Deus |
Carlos* tinha quatorze anos quando os soldados chegaram à sua casa. Eles o conduziram para fora da casa de sua mãe com as armas apontadas para ele e o levaram a um campo cheio de outros garotos assustados. Alguns eram mais novos do que ele. Moravam em Angola e todos foram recrutados para o exército.
Por quase 40 anos, os angolanos estiveram em guerra. Depois que conseguiram a independência de Portugal, eles lutaram entre si para conseguir o controle do país. Foi cruel a luta ao redor da cidade natal de Carlos, pois era base de uma das facções guerrilheiras.
Matar para viver
Carlos recebeu uma arma e foi ensinado a atirar. Aprendeu outras táticas militares e, durante quatro anos se locomoveu dentro da savana africana, comendo o que encontrava, atirando para matar e obedecendo às ordens a fim de continuar vivo. Ele não tinha permissão para visitar a mãe.
Então, logo após uma luta contra as tropas do governo, ele foi ferido quando sua unidade fugia. Alguém o socorreu e o levou até um vilarejo vizinho. Mas ali não havia hospital, nem mesmo uma pequena clínica para tratar seus ferimentos. Ele caiu junto à parede de um prédio, ao sol, onde um dos moradores o encontrou. O homem observou que Carlos era apenas um garoto. Ele o ajudou a ficar em pé e o levou para sua casa. A esposa tratou dos ferimentos e o alimentou com um caldo de legumes. Carlos bebeu ruidosamente, pois estava sem comer havia vários dias.
A família tratava Carlos mais como um filho do que como um soldado, embora soubesse que poderiam ser executados por acolher um soldado inimigo. Carlos se restabelecia e gostava muito de ouvir seus anfitriões falarem sobre o amor de Deus. As palavras daquele homem foram como um bálsamo para seu coração. Enquanto Carlos ouvia a família orar, ansiava pela paz e segurança que eles tinham e pediu que os novos amigos o ensinassem a orar.
A comida estava escassa e a família foi forçada a procurar algo para comer. Carlos sempre ouvia o pai orar:
– Senhor, ajuda-nos a encontrar alimento hoje e, por favor, prote ge-nos dos soldados.
Carlos percebeu o quanto era perigoso para eles mantê-lo em casa. Apesar disso, ele permaneceu com a família até o fim da guerra. Durante esse tempo, aceitou Jesus como seu Salvador, mas não podia frequentar a igreja. Tudo que ele sabia era o que a família ensinava.
Paz – e novos desafios
Quando a guerra terminou em 2002, Carlos voltou a sua terra natal. Ele soube que, durante a guerra, a mãe tinha se mudado para a capital. Mas encontrou um tio que o convidou a morar com ele. Carlos aceitou. Ele estava então com 19 anos de idade, mas só tinha estudado sete anos da escola . O tio decidiu pagar seus estudos.
Carlos gostava muito do tio, que estava fazendo de tudo para ajudá-lo, e desejava obedecer-lhe. Mas logo percebeu que sua nova fé poderia colocá-lo em desacordo, não somente com o tio, mas com toda a família.
Carlos frequentava a escola durante a semana, mas o tio esperava que trabalhasse nos fins-de-semana. Mas quando soube que o sobrinho desejava frequentar a igreja no sábado, ficou zangado e decidiu fazer Carlos desistir desse costume.
Carlos ainda não sabia muito sobre a Bíblia para responder às acusações que seu tio fazia contra os adventistas. Sentia saudade do culto com seus amigos , mas não sabia onde havia uma igreja adventista. Então, seu pai espiritual o visitou e mostrou-lhe onde havia uma igreja. Alegremente, Carlos passou a frequentá-la . Ele encontrou novos amigos e sentiu que estava em seu lar espiritual.
Muitas vezes, Carlos saiu da casa de seu tio antes do amanhecer e sem comer, para escapar da lista de trabalho de seu tio. Ele estava faminto, mas queria adorar a Deus. Como o tio não podia obrigá-lo a abandonar a fé, disse que deveria sair de casa. Carlos encontrou um pequeno quarto abandonado atrás de uma discoteca. Não era confortável, mas era de graça e poderia ir ao culto em paz.
Compartilhando as bênçãos
Em 2005, a mãe e os irmãos de Carlos voltaram para casa. Seu irmão quis morar com ele, por isso, dividiu o pequeno cômodo com o irmão. Carlos também partilhou sua fé com o irmão.
Foi uma longa e difícil jornada de fé, mas Carlos agradece a Deus a proteção e por tê-lo conduzido a Jesus.
– Deus não desistiu de mim – diz. – Agora, não quero desistir de meu irmão.
A paz voltou a Angola, um país com mais de 300 mil adventistas. Neste trimestre, parte da oferta do décimo terceiro sábado ajudará na reconstrução de três escolas que foram seriamente prejudicadas durante a guerra. Milhares de jovens como Carlos anseiam estudar. Não vamos decepcioná-los.
* Nome fictício.
Últimas notícias Huambo é a segunda maior cidade da Angola, com uma população de 400 mil habitantes. E stá localizada em um planalto no centro de Angola. A União-Missão Angolana está localizada em Huambo há 75 anos. Durante os anos de guerra, vários prédios da Missão foram danificados ou destruídos, mas o escritório da União e a igreja foram os menos atingidos. Mais de uma vez, bombas caíram próximas à igreja, matando alguns cidadãos, mas as pessoas que estavam dentro da igreja foram protegidas. |