Sábado, 6 de junho de 2009

Perigo na noite


Herman gosta muito de ajudar o pai durante as reuniões evangelísticas. Mas, certa vez, sua disposição para ajudar o colocou em uma tremenda enrascada.

Herman

Herman tinha seis anos de idade, e Angola, sua terra natal, estava em guerra. Algumas batalhas cruéis eram travadas não muito distante de onde ele vivia com a família. Era uma época assustadora para todos.

O pastor sabia que as pessoas precisavam de esperança em Jesus. Por isso ele realizou encontros evangelísticos em um vilarejo em que havia poucos adventistas e pediu que o pai de Herman operasse o sistema de som. O pai convidou Herman e sua irmã para acompanhá-lo.

Ali chegaram, e montaram a aparelhagem para a reunião. Muitas pessoas compreceram. Enquanto observava as pessoas caminhando e se acomodando dentro da tenda, Herman percebeu que alguns homens vestiam pesados sobretudos. Ele achou isso estranho, pois não era inverno. Foi nesse momento que o diácono sussurrou em seu ouvido:

– Peça que seu pai não mostre os slides. Aquelas pessoas estranhas têm armas.

Herman correu para contar ao pai o que o diácono havia dito.

Algumas pessoas deixaram o local quando viram os estranhos chegando, mas outras permaneceram para ouvir a mensagem do pastor.

Como a família de Herman não morava naquele vilarejo, eles não sabiam se aqueles estranhos eram moradores dali ou se tinham sido enviados para atrapalhar a reunião.

A reunião terminou sem nenhum problema, e o pai mandou Herman e sua irmã para a barraca, que ficava ao lado. Eles jantaram e foram dormir. Herman estava tão cansado que adormeceu rapidamente.

Tiros na noite

Herman  acordou assustado quando sentiu alguém agarrar seu pé e tirá-lo da barraca.

– O que.... ? – gritou, tentando entender o que estava acontecendo. Em seguida, ouviu tiros. As balas voavam pouco acima da barraca.

– Corra! – a irmã gritou para Herman.

Tropeçando, o menino correu atrás dela. Encontraram uma pequena escola perto dali e para lá correram. Havia outras pessoas se escondendo no local. Eles se encolheram no canto e permaneceram quietos. Os homens que os estavam perseguindo não conseguiram encontrá-los, mas eles podiam ouvi-los conversando. Estavam procurando os fugitivos.

As vozes desapareceram, mas ninguém se moveu. Sabiam que os soldados poderiam estar esperando-os do lado de fora. Permaneceram parados por um pouco e, em seguida, a irmã agarrou a mão de Herman e disse:

– Vamos correr!

Os dois saíram correndo da escola em direção a uns arbustos ali perto. De repente, ouviram alguém gritar:

– Ali estão eles!

Eles só conseguiam ouvir gritos e tiros. Perceberam que os homens que estavam atirando eram soldados rebeldes. Esconderam-se atrás de alguns arbustos e ficaram quietos. Quase não se moveram até o amanhecer. Assim que o Sol começou a despontar no horizonte, eles se encheram de coragem e foram procurar o pai.

Finalmente, seguros

Encontraram o pai e o abraçaram por alguns minutos. Ele agradeceu a Deus por seus filhos estarem bem. Souberam que ninguém havia sido assassinado ou ferido por um tiro. O gerador que estavam usando foi destruído e um alto-falante estava faltando, mas os outros pertences permaneceram no mesmo local em que haviam sido deixados. Era muito perigoso ficar nesse vilarejo; por isso, a família empacotou as coisas e voltou para casa.

Só depois que a guerra terminou, alguém pôde voltar àquele vilarejo. No tempo certo, o pastor voltou e realizou a série evangelística. Durante as reuniões, um homem se levantou e disse que fizera parte do grupo que atacara as reuniões durante a guerra. E agora, ele estava entre os interessados em ouvir o evangelho.

Hoje, naquele vilarejo, existe uma igreja com cerca de 200 membros. Herman é grato, pois Deus não abandonou a vila, a despeito da guerra. Foi grande o perigo que Herman passou naquela noite. Mas ele o faria novamente, se Deus pedisse.

Em Angola, existem muitos adventistas. Agora, voltou a paz, e todos querem reconstruir as escolas destruídas ou danificadas durante a guerra. Parte da oferta do décimo terceiro sábado ajudará na reconstrução de três escolas em Angola. Obrigado por ajudar a ensinar às pessoas sobre Deus.

Foi amedrontador, tanto para as crianças como para os adultos, viver em meio à guerra civil. A guerra foi mais difícil na região próxima a Huambo, onde Herman mora. Nesse lugar, também está localizada a sede da Igreja Adventista em Angola. Muitos prédios pertencentes à Igreja foram destruídos ou severamente danificados. Mas os soldados evitaram destruir igrejas, e muitos encontraram refúgio dentro delas nesse tempo difícil.

A Missão do Bongo, pioneira no trabalho adventista em Angola, foi seriamente danificada. Alguns prédios precisam ser demolidos e reconstruídos. Parte da oferta do décimo terceiro sábado ajudará a transformar o complexo missionário em sede da Universidade Adventista do Bongo.