Sábado, 18 de abril de 2009
A melancia roubada |
Por Miriam Kashweka |
Calor e sede
Dois garotos, Mpô e Têndai*, estavam com calor e sedentos depois de brincar com os amigos. Eles pararam sob uma sombra para descansar.
– Estou com fome – Mpô disse.
– Eu estou com sede – Têndai respondeu.
Os dois garotos se assentaram à sombra por alguns minutos. Então, Mpô saltou e disse:
– Tem uma melancia eno-o-o-o-rme naquele campo ali perto. Vamos pegá-la!
Os meninos se dirigiram para o campo.
– Ali está! – Mpô disse correndo em direção aos pés de melancia. Ele quebrou o ramo e pegou a melancia; então, correu em direção a uns arbustos.
– Corra, Têndai! – ele gritou.
A melancia roubada
Têndai seguiu o amigo em direção aos arbustos. Queria pedir permissão antes de comer, mas, quando chegou aos arbustos, Mpô já tinha aberto a melancia. A aparência suculenta da fruta fez com que Têndai sentisse água na boca. Ele pegou uma fatia e a devorou.
Estava tão doce e tão suculenta! Em pouco tempo os garotos comeram toda a melancia, e se assentaram de braços cruzados, satisfeitos.
Estava ficando tarde e a mãe de Têndai o estava esperando.
– Preciso ir – disse levantando-se num salto.
Os dois garotos desceram pela estrada de terra em direção as suas casas. Encontraram água e lavaram o grudento suco de melancia das mãos, rostos e pernas.
Quando Têndai chegou em casa, foi recebido pela mãe.
– O jantar está quase pronto. – ela disse.
– Não estou com fome. – Têndai respondeu – comi com Mpô.
A mãe achou estranho, mas não deu importância.
– Ok – disse – Então, faça suas tarefas e, depois, venha fazer o culto.
Os três sonhos
Depois do culto, Têndai se deitou em sua esteira e logo adormeceu. Sonhou que sua família estava no Céu, mas ele não podia entrar porque tinha roubado a melancia. Acordou chorando. A mãe ouviu o choro e lhe perguntou o que estava acontecendo.
– Está tudo bem – disse – tive um pesadelo.
Na noite seguinte, ele sonhou novamente que a família estava no Céu, mas ele fora deixado para trás. Na terceira noite, teve o mesmo sonho. Então, na manhã seguinte, Têndai decidiu contar à mãe sobre o roubo da melancia.
– Precisamos visitar o homem de quem você roubou a melancia – a mãe disse. – Você precisa contar-lhe o que fez e pedir que lhe perdoe.
Têndai, acompanhado pela mãe, se dirigiu até a casa do fazendeiro. Ele sentia um nó na garganta, mas se encheu de coragem e disse:
– Desculpe senhor, ... mas meu amigo e eu estávamos com calor e com fome. Ele viu uma melancia grande no seu terreno e disse que ninguém a queria e nós a comemos. Agora, sei que agimos errado ao pegar sua melancia. Por favor, me perdoe.
Lição aprendida
O fazendeiro balançou a cabeça e disse:
– Você está certo. É errado pegar algo que não lhe pertence. Eu estava guardando aquela melancia para um encontro de família neste fim de semana. Agora preciso ir à cidade e comprar outra melancia. Você tem dinheiro para pagar a melancia?
Têndai balançou a cabeça negativamente.
– Então, você terá que trabalhar para pagar pela melancia – o fazendeiro disse.
A mãe concordou.
– O que o senhor gostaria que eu fizesse? – Têndai perguntou.
– Eu preciso de um novo buraco para colocar o lixo. Vou mostrar o local em que você pode cavar – disse o fazendeiro.
Têndai pegou a pá da mão do homem e o seguiu até o campo. Ali, começou a cavar. Era um trabalho árduo. O sol queimava suas costas. Sua vontade era deitar à sombra, mas continuou cavando até que o buraco ficou fundo e amplo suficientemente. Depois, colocou a pá no chão e varreu a sujeira que estava ao redor do buraco.
Agora Têndai sabe que Jesus Se entristece quando pegamos algo que não é nosso. Algumas vezes, quando se sente tentado a pegar alguma coisa que não lhe pertence, ele se lembra da melancia e do sol quente queimando suas costas enquanto cavava o buraco. Lembra-se também dos sonhos, e consegue vencer a tentação, pois não quer que nada o impeça de ir para o Céu!
Meninos e meninas, Jesus deseja que todos nós estejamos no Céu. Se fizermos algo errado, Ele se entristece. Mas se confessarmos nossos pecados, Jesus nos perdoa e nos ajuda a fazer a coisa certa da próxima vez. (Encerrar com oração)
* Foram usados pseudônimos em lugar dos nomes verdadeiros.
Mais da metade dos habitantes de Zâmbia trabalha na agricultura. E a maioria cultiva apenas o suficiente para sustentar a própria família. Isso se chama agricultura de subsistência. Quatro em cada cinco crianças se matriculam nas escolas de ensino fundamental, mas somente uma entre quatro completa o ensino médio. Muitos adultos não sabem ler nem escrever. Ore pelos habitantes de Zâmbia, especialmente os que ainda não sabem que Jesus os ama. |