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Subsídios Para a Lição da Escola Sabatina |
Davi e Bate-Seba: adultério e conseqüências |
Marcos Faiock Bomfim
Pastor e Terapeuta de Casal e de Família
Ministério da Família/USB
Introdução
Tentação, queda, culpa, confissão, perdão e restauração poderiam ser alguns dos capítulos desta triste história que termina exaltando a graça do Senhor Deus. Por outro lado, este relato torna evidente o fato de que nenhuma consagração passada representa segurança espiritual para o futuro. Minha comunhão com Deus de ontem não serve para hoje, e a de hoje não serve para amanhã. Cada dia, precisamos orar como Davi: "Sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração, prova-me e conhece os meus pensamentos; vê se há em mim algum caminho mau e guia-me pelo caminho eterno (Sl 139:23 e 24).
De quem foi a culpa pelo episódio? Sem dúvida, como veremos, uma conjunção de fatores facilitou a queda de ambos. Sob a perspectiva de Bate-Seba, é bem possível, como afirma o texto da lição, que ela tenha se colocado em posição muito vulnerável. Estava ela planejando a tentação de Davi ou teria sido mero acaso? Durante a explanação da lição você pode destacar o fato de que existem hoje pessoas que ainda se colocam em situações de extrema vulnerabilidade, o que as predispõe à queda.
Para discussão:
Se você tem o desejo de saber o que Deus pensa sobre este assunto, leia:
Na Bíblia: Pv 1:29-33; 22:14; 4:23-27; 6:25-27, 29, 32-33; 11:3; 17:24; Jó 31:1, 2, 11 e 12; 1 Ts 5:22; Ef 4:29-31; Cl 3:1-3; Gl 5:16.
No Espírito de Profecia: O capítulo "Normas de Moral", em O Lar Adventista, p. 326-339; e o capítulo "A Aparência do Mal", em Testemunhos Seletos, v. 2, p. 233-245.
(Ao fim do comentário desta semana, você vai encontrar uma seleção de parágrafos dos últimos dois capítulos citados).
I – Antecedentes de uma queda
Dizem que entre os motivos mais poderosos para a queda de um homem estão o poder, o dinheiro e a mulher. Mas é interessante notar que justamente estes podem ser também os motivos para seu maior sucesso. Tudo depende de como ele vai lidar com estas variáveis.
Davi havia crescido em um lar simples, desempenhando deveres humildes. Subitamente, viu-se inserido nas mais altas rodas do poder e, posteriormente, ele mesmo representando o poder nacional. Pessoas em situações de poder correm o risco de perder de vista a perspectiva correta daquilo que realmente são e de onde vieram. E quando isto acontece, vêem-se a si mesmas como semi-deuses, tornado-se critério para si mesmas quanto a definir o que é apropriado ou não.
Reis das nações vizinhas costumavam ter muitas esposas para assegurar que um descendente assumiria o trono após sua morte. Ter seis esposas, como no caso de Davi, era considerado algo normal para os padrões de conduta da época. Mas será que os critérios do mundo podem nos servir como padrão de normalidade?
Talvez Davi nunca tivesse planejado chegar a essa situação. Foi levado a isso de modo muito gradual. Quando precisou fugir de Saul, sua esposa, Mical, foi dada a outro homem (1 Sm 25:43) e, por isso, Davi sentiu-se livre para casar-se novamente (1 Sm 25:42 e 43), aparentemente com Ainoam, a Jeezrelita. Até este ponto, sua conduta era irrepreensível. Como sua ex-esposa tinha outro marido, diante de Deus, Davi estaria livre para se casar.
Mas talvez a distância da família de origem e a familiaridade para com os costumes das nações por onde ele havia andado enquanto fugia de Saul, o influenciaram a dar mais um passo em direção à queda: o casamento com Abigail. Tinha sido atraído por sua beleza, evidente inteligência e forte caráter, e provavelmente tenha feito dessas coisas o critério a ser utilizado para a decisão. Algumas pessoas ainda hoje se enganam quando confundem com amor uma forte atração ou o bom caráter da outra pessoa. Imaginam ser isso evidência de que deveriam seguir em frente, e de que este seria o "amor verdadeiro". E se é o tal "amor verdadeiro", não poderia ter outra fonte, senão em Deus. Assim, pensam ingenuamente que até o Senhor aprovaria sua conduta equivocada. Sem perceber, estão aceitando estes dois mitos satânicos – da "tampa e da panela" e o da "alma-gêmea" – que os levam por fim a cair nesta terrível cilada, o adultério.
Mito da "tampa e da panela"- Para cada panela existiria uma tampa, e vice-versa. Quando alguém não está satisfeito com o casamento, imagina que sua união tenha sido um erro, simplesmente por ter encontrado a tampa errada. Por isso, fica predisposto(a) a procurar e encontrar aquela que seria a sua "verdadeira" tampa... Ao primeiro sinal de atração por outra pessoa, vê justificado o caminho para o adultério, imaginando que teria encontrado finalmente a "tampa" perdida. Alguns, em virtude deste mito, já estão no quarto ou quinto relacionamento.
O mito da "alma-gêmea"- Este mito atua de modo muito semelhante ao da "tampa e da panela", servindo, talvez até inconscientemente, como escusa para o adultério. Quando alguém que está casado encontra uma pessoa do sexo oposto, com quem percebe existir certa "sintonia" emocional e física, imagina que aquela seria sua verdadeira "alma-gêmea". Muitos filmes e novelas estão baseados neste mito. E as pessoas então raciocinam: como poderia alguém perder a oportunidade, deixando escapar aquela que seria sua "alma-gêmea"?
No entanto, o que essas pessoas ignoram é que não existem as tais almas-gêmeas (este mito teria que ver com a falácia da imortalidade da alma) nem tampas exatas para cada panela. Não existem no mundo duas pessoas que, emocionalmente falando, se encaixem perfeitamente. No contexto de pecado em que vivemos, Deus planejou que as imperfeições mútuas servissem para cada um de incentivo à busca de um novo coração, uma nova natureza, santificada pela presença de Cristo. Sem este milagre, dificilmente um relacionamento pode se manter. Para que um relacionamento perdure, mesmo entre pessoas imperfeitas como nós, é necessário que, pela comunhão com Deus (meditação, leitura da Bíblia, oração), recebamos diariamente o Espírito Santo, que há de produzir o fruto do Espírito: amor, alegria, paz,... (Gl 5:22, 23).
Inspirada por Deus, Ellen G. White afirma: "Embora possam surgir dificuldades, perplexidades e desânimo, nem o marido nem a esposa abrigue o pensamento de que sua união é um erro ou uma decepção. Resolva cada qual ser para o outro tudo que é possível. Continuem as primeiras atenções. De todos os modos, anime um ao outro nas lutas da vida. Procure cada um promover a felicidade do outro. Haja amor mútuo, mútua paciência. Então, o casamento, em vez de ser o fim do amor, será como que o seu princípio. O calor da verdadeira amizade, o amor que liga coração a coração, é um antegozo das alegrias do Céu" (Ellen G. White, A Ciência do Bom Viver, p. 360).
Ao relacionar-se com Abigail, é provável que Davi tenha se surpreendido ao perceber que havia uma sintonia imediata, uma "química perfeita", e pode ter imaginado ser isto evidência superior de que o "destino" os unia... Mas, "enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e desesperadamente corrupto. Quem o conhecerá?" (Jr 19:7). Se nosso coração, ou seja, nossos sentimentos, são enganosos, a única segurança está em submetê-los aos princípios divinos, como estão expostos na Bíblia e no Espírito de Profecia.
Casando-se com Abigail, foi aberto um precedente, o que levou Davi a casar-se com ainda pelo menos outras quatro mulheres, além de provavelmente várias concubinas. Neste aspecto da vida, Davi sentia-se quase onipotente, praticamente sem limites para os seus desejos.
Perguntas para discussão:
II – A queda
De algum modo, nos casamentos anteriores de Davi, mesmo em se tratando de poligamia, havia um componente de compromisso, de cuidado e de perenidade na relação. Ao desposar outras mulheres, Davi assumia o compromisso de sustentá-las, dar-lhes conforto, suprir suas necessidades e cuidar dos filhos. Mas nada disto valia no caso com Bate-Seba. Nesse episódio, sua maior motivação era a pura busca do prazer egoísta, sem nenhuma consideração para com as conseqüências que isto teria para com ela ou o marido. (Estude no capítulo 7 do livro O Lar Adventista a diferença entre amor verdadeiro e paixão).
Davi viu em Bate-Seba não um ser humano a ser cuidado, amado e protegido, mas apenas um ser vivo a serviço do seu prazer egoísta. Sendo o egoísmo "a essência da depravação" (Ellen G. White, Conselhos Sobre Mordomia, p. 24), Davi, com esta atitude, manifestou alguns dos próprios atributos do caráter de Satanás.
Sua posição como rei fazia dele naturalmente um homem cobiçado pelas mulheres, e aproveitou-se disto para seduzir a bela esposa do soldado. Mas esta posição de poder havia-lhe sido dada pelo Céu para que cuidasse e ministrasse ao povo de Deus, protegendo-o e cuidando dele, não para se aproveitar da herança do Senhor. Era representante de Deus e, como tal, cada ato deveria refletir a abnegação e amor sacrifical do Criador. Ao aproveitar-se das fragilidades de Bate-Seba, Davi havia representado mal o caráter de Deus.
O fato de que a Bíblia não apresenta nenhum tipo de resistência por parte dela pode indicar que o pecado também tenha sido desejado por ela. Será que ela realmente ignorava o fato de que poderia estar sendo observada enquanto se banhava? Se conhecia a possibilidade de ser observada pelo rei enquanto se banhava, então sua exposição teria sido proposital, o que poderia ter levado Davi a pensar que tudo seria muito, muito fácil, como de fato foi. Ou ainda pode ser que, distante do marido há já bastante tempo, e sentindo-se lisonjeada pela corte do homem mais importante do país, ela também não tivesse pensado nas conseqüências, que certamente lhe eram muito mais desfavoráveis.
De qualquer modo, Bate-Seba estava em uma situação de desvantajosa fragilidade emocional em relação a Davi, e ele tirou vantagem disto. Sobre este assunto de aproveitar-se de alguém para obter privilégios sexuais, a Palavra de Deus afirma em 1 Tessalonicenses 4:6, através do apóstolo Paulo: "Neste assunto, ninguém prejudique seu irmão nem dele se aproveite. O Senhor castigará todas essas práticas, como já lhes dissemos e asseguramos." (NVI).
Tomar partido da fragilidade ou fraqueza de outra pessoa para gratificar o egoísmo é crime grave aos olhos do Céu. "...Contra estas coisas o Senhor é vingador...", diz outra tradução do mesmo texto (ERAB). Quando alguém brinca com os sentimentos e fere as emoções de outra pessoa, está mexendo com o Criador desta pessoa! Muitos ainda se esquecem de que qualquer relação sexual pode implicar em geração de uma nova vida, e aqueles que a geram tornam-se responsáveis por ela diante de Deus, para criá-la e educá-la nos caminhos do Senhor.
"Brincar com corações não é um crime de pequena magnitude aos olhos de um Deus santo. E todavia alguns mostrarão preferência por moças e lhes despertarão as afeições, e depois vão-se embora e esquecem tudo quanto disseram e o efeito que isto causou. Um novo rosto os atrai, e eles repetem as mesmas palavras, dispensam a outra as mesmas atenções. Esta disposição se manifestará na vida de casados. A relação conjugal não torna sempre firme o espírito volúvel, constante o que vacila, e fiel aos princípios. (Ellen G. White, O Lar Adventista, p. 57).
Você já parou para pensar que grande parte da marginalidade e da criminalidade que hoje existem no mundo tem sua origem no sexo egoísta? Alguém se aproveita sexualmente de uma garota, sem a mínima intenção de ter algum compromisso com ela. Dessa relação surge uma gravidez e uma criança (quase não se pode dizer "um filho"), cujos "pais" não têm o mínimo interesse em sua existência. Quando sua vida não termina com um aborto, acaba na rua, "abortada" pelas drogas, pelo crime ou pela polícia.
A jovem que entrega o corpo em uma experiência sexual pré-marital (muitas vezes com esperança de conquista) e depois é abandonada pelo rapaz sente-se extremamente desvalorizada, e com a auto-estima em frangalhos. Pensa não ter sido atraente o suficiente, e geralmente acaba se envolvendo em outra situação, à procura de aceitação. Com muitas experiências sexuais em seu prontuário, "aprendeu" a vincular a idéia de sexo a "diversidade" de parceiros, e não a compromisso e fidelidade. Terá muito maior dificuldade para manter-se fiel ao marido, na eventualidade de casamento. Já o rapaz, que "aprende" a se aproveitar de mulheres apenas para desfrutar vantagens sexuais, além de futuramente ter muita dificuldade para manter o compromisso com uma só mulher, está fortalecendo o egoísmo em seu cérebro e torna-se praticamente incapacitado para o amor. Mesmo que se case, será um homem de muito difícil convivência, e pode terminar a vida sozinho.
Perguntas para discussão:
III – O encobrimento
Com o surgimento da gravidez, Bate-Seba não teve dúvidas de que o filho pertencia a Davi. Se o caso tivesse sido completamente secreto, Davi até poderia ter sido tentado a deixar que ela sofresse sozinha as conseqüências do pecado. Certamente, ela não teria como provar a paternidade do rei, e poderia ser morta em razão do adultério (Lv 20:10).
No entanto, existiam outras pessoas envolvidas no caso. Davi havia mandado perguntar quem era ela, e depois, enviou mensageiros que a trouxeram para o palácio. Ao se tornar pública a gravidez de Bate-Seba, provavelmente tenham surgido cochichos e mais cochichos a respeito de seu envolvimento com ela. E ele percebeu que não poderia guardar segredo por muito tempo. Até ali, seu reino havia sido marcado pela integridade, verdade e justiça. Negar seu envolvimento, fazendo com que ela sofresse sozinha, poderia até dar certo a princípio, mas, devido ao número de pessoas já envolvidas (e que certamente alimentavam suspeitas), seria um marco extremamente negativo em seu reino que até ali era marcado pela justiça e equidade. Destruiria sua reputação, e acabaria por solapar sua autoridade.
Foi então que, em desespero, resolveu correr o risco e envolver mais alguém: Joabe. Pediu que enviasse de volta Urias, o Heteu, que, fiel ao dever, recusou-se a dormir com a esposa. Posteriormente, ordenou a Joabe que Urias fosse morto em combate. Agora, além de tudo, Davi tornava-se refém de Joabe, um homem sem muitos escrúpulos. Em caso de algum erro de Joabe, Davi teria grande dificuldade para chamar-lhe a atenção.
IV – O salário do pecado
Imagine como se sentia Bate-Seba. Além da culpa pela traição ao seu fiel marido, sentia-se agora responsável pela morte dele. Esta é a natureza comunitária do pecado, que também acaba afetando e fazendo sofrer mesmo quem não tem nada que ver com ele. No caso de adultério, sofrem os cônjuges, sofrem os filhos, pais, sogros, apenas para ficar em um círculo mais restrito.
O fato de ter possuído várias mulheres, com muitos filhos, aparentemente fez de Davi um pai distante, quase omisso como educador e responsável pela formação espiritual dos filhos. Na verdade, uma das poucas referências que a Bíblia faz a este aspecto de sua vida familiar, além dos conselhos dados a Salomão (1Rs 2), deixa transparecer que poderia haver certa frouxidão na sua maneira de conduzir os filhos. Referindo-se a Adonias, o filho que tentou usurpar-lhe o trono no fim da vida, o texto diz: "E nunca seu pai o tinha contrariado, dizendo: Por que fizeste assim?..." (1Rs 1:6). Pais ausentes, à semelhança de Davi, geralmente tentam compensar sua falta procurando ser "bonzinhos", privando os filhos dos limites que seriam tão necessários à sua formação moral e espiritual. Cometem assim uma dupla falta: ausência e falta de cuidado. Outros ainda tentam atenuar a ausência imaginando dar aos filhos o que a seu ver seria um "tempo de qualidade", quando na verdade o que eles precisam é de "tempo de exposição", ou seja, precisam estar na companhia dos pais, expostos a eles, para absorver devidamente seus valores.
No caso de Davi, a maneira frouxa de criar os filhos, juntamente com o mau exemplo no que se refere à conduta sexual, acabou ocasionando a morte de dois filhos. Moralmente enfraquecido, foi incapaz de repreender e disciplinar seu filho Amnom, que, talvez influenciado pela conduta pecaminosa do pai, abusou sexualmente de sua meia-irmã, a bela Tamar. Consciente de que sua própria conduta tenha servido de álibi para o filho, Davi omitiu-se, deixando de discipliná-lo. Isto acendeu a fúria de Absalão, irmão de Tamar, que, depois de se haver vingado, matando Amnom, acabou também sendo morto pelos soldados de Davi, ao ser derrotado durante a subseqüente revolta para tomar o trono.
E que dizer do próprio Salomão, que, seguindo os mandatos familiares*, anos mais tarde também acabou sendo vencido pela luxúria, fazendo das mulheres o seu ídolo? Este foi mais além, inaugurando o jugo desigual na corte israelita, trazendo para Jerusalém toda sorte de influências pagãs, ocasionando a apostasia quase total da nação em gerações posteriores.
*Mandatos familiares são padrões de conduta ou de relacionamento adotados por uma família e que são transmitidos, muitas vezes de modo inconsciente, aos descendentes. Estes também os adotam, geralmente de forma inconsciente. É por isso que se diz que "a fruta não cai longe do pé". A convivência com esses padrões, sejam eles bons ou maus, exprimam eles virtudes ou vícios, faz com seja quase automático que os filhos os repitam, ainda que não exatamente de idêntica maneira. Por exemplo: o filho de um adicto em bebida alcoólica pode ser adicto em sexo, etc.
Como vencer tendências herdadas e cultivadas:
"Mas só podem fazer progressos por meio de lutas; pois há um inimigo que continuamente contende com eles, apresentando tentações que levem a alma à dúvida e ao pecado. Há tendências hereditárias e cultivadas para o mal que precisam ser vencidas. O apetite e a paixão devem ser postos sob o controle do Espírito Santo. Não há fim ao conflito do lado de cá da eternidade." (Conselhos aos Pais, Professores e Estudantes, p. 20).
"Ninguém precisa perder a esperança por causa das herdadas tendências para o mal, mas quando o Espírito de Deus convence do pecado, o malfeitor tem de arrepender-se e confessar e abandonar o mal." (Ellen G. White, Mente, Caráter e Personalidade, v. 1, p. 32).
"...A genuína conversão muda tendências hereditárias e cultivadas para o mal...." (Idem, p. 145).
Perguntas para discussão:
V - Davi e Bate-Seba: dias finais
Após ter confessado o pecado e se arrependido, Davi ainda sofreu a pena de perder o filho de Bate-Seba. Depois, ela teve ela outro "filho a quem Davi deu o nome de Salomão, e o Senhor o amou" (2 Sm 12:24). Quão profunda é a graça de Deus e o Seu perdão restaurador! Foi justamente o filho de uma relação vergonhosa o escolhido por Deus para suceder ao trono e perpetuar uma linhagem que daria à luz o próprio Filho de Deus – Jesus! Se Deus fosse vingativo, isso jamais teria acontecido. Longe de premiar o erro, isso revela como Deus atua para perdoar de maneira completa o pecador penitente.
Ao fim da vida, o monarca enfrentou mais um problema familiar, quando Adonias, seu filho, tentou usurpar o trono, prometido a Salomão. Davi mandou, então, chamar Bate-Seba e reafirmou a promessa de que seu filho seria o herdeiro. E não foi por acaso que, diante dela, ele iniciou a conversa com uma declaração muito marcante de sua confiança no poder perdoador, salvador e restaurador de Deus: "Tão certo como vive o Senhor, que remiu a minha alma de toda a angústia, farei no dia de hoje, como te jurei pelo Senhor... Teu filho Salomão reinará..." (1 Rs 1:28-31, grifo nosso).
Não há angústia da qual não possamos ser remidos pelo Senhor, mesmo aquelas nas quais nós mesmos nos metemos. Quando, à semelhança de Davi, aceitamos a repreensão do Senhor, confessamos o pecado, aceitamos as conseqüências e fazemos tudo que está ao nosso alcance para remediar o mal, o Senhor atua de modo a "remir" nossa "alma de toda a angústia". "Invoca-Me no dia da angústia; Eu te livrarei, e tu Me glorificarás" (Sl 50:15).
Conclusão:
Aprendemos nesta lição que, para Deus, não há pecado imperdoável, à exceção daquele que não é reconhecido e confessado. Por outro lado, Seu grande amor e bondade também não servem de encorajamento para o pecado.
Pergunta para discussão:
Por um pecado muito menor, Saul perdeu definitivamente o reino. Não teria Deus sido parcial? Qual foi a diferença?
Bônus:
Conforme sugerido na introdução do comentário desta semana, você encontra abaixo uma seleção de parágrafos dos seguintes capítulos do Espírito de Profecia: "Normas de Moral", de O Lar Adventista, p. 326-339; e "A Aparência do Mal", de Testemunhos Seletos, v. 2, p. 233-245.
(Ellen G. White, Testemunhos Seletos, v. 2 p. 233)
Perigo da exagerada intimidade: "Havia exagerada intimidade entre certos homens e mulheres. Apresentei-lhes a norma santa da verdade que nos cumpria seguir e a pureza de conduta que importava observar, a fim de termos a aprovação de Deus e estarmos sem mácula nem ruga diante dEle. As mais solenes ameaças vieram dirigidas de Deus a homens e mulheres cujos pensamentos não eram puros e que pretendiam estar sendo particularmente favorecidos pelo Senhor; mas essas mensagens foram desprezadas e rejeitadas.
(Ellen G. White, Testemunhos Seletos, v. 2 p. 234 )
"Se alguém, que pretende ensinar a verdade, se inclina a estar muito na companhia de uma moça ou mesmo de uma senhora casada; se em confiança, chega a pôr-lhe a mão, ou se se entretém a miúdo com ela em conversações íntimas, acautelem-se contra ele; os princípios puros da verdade não estão arraigados em seu coração. Essas pessoas não estão em Cristo, nem Cristo nelas. ...A verdade de origem divina jamais degradará ao que a recebe, jamais o induzirá a qualquer intimidade indébita; ao contrário, santifica o crente, educa-lhe o gosto, eleva-o e enobrece-o e põe-no em comunhão íntima com Jesus. Leva-o a atender à exortação do apóstolo, no sentido de evitar a própria aparência do mal, para que ‘Não seja, pois, vituperado o vosso bem. Rm 14:16."
(Idem)
Perigo da familiaridade suspeita: "Devemos fugir de tudo que tenha sinais de uma familiaridade suspeita. Deus o condena. É um terreno proibido e há perigo em pôr nele o pé. Cada palavra e ato devem elevar e enobrecer o caráter. É pecado pensar levianamente acerca destas coisas."
(Idem p. 236)
Não despertar pensamentos impróprios: "Quão circunspecto deve revelar-se [o marido e pai] quanto ao caráter, a fim de não despertar nas moças ou mesmo nas senhoras casadas pensamentos que não correspondam à elevada e santa norma – os mandamentos de Deus! Esses mandamentos, como Cristo os expôs, são muitíssimo amplos, atingindo até aos pensamentos e propósitos do coração. É aqui que se prova a delinqüência de muitos. A imaginação de seu coração não é de caráter puro e santo como Deus o requer..."
(Idem p. 237)
Proximidade indevida: "Não permitam que alguém os elogie, lisonjeie ou aperte sua mão como se não mais quisesse tornar a largá-la. Temam toda demonstração desse gênero. Quando moços ou mesmo pessoas casadas revelam inclinação para descobrir-lhes os segredos de família, acautelem-se! Quando manifestam o desejo de possuir sua simpatia, vocês devem saber que é hora de pôr-se de sobreaviso. Os que estão imbuídos do espírito de Cristo e andam com Deus, não manifestarão desejos não santificados de simpatia. Desfrutam da comunhão de Alguém que satisfaz neles plenamente todo o desejo do espírito e da alma. Homens casados que aceitam as atenções, elogios e lisonjas da parte de mulheres, podem estar certos de que o amor e simpatia dessas pessoas não merecem ser estimados."
(Idem p. 239 - 240)
Afastar-se do contato físico impróprio: "Se uma mulher lhe apertar a mão demoradamente, retire-a prontamente, salvando-a do pecado. Se ela lhe manifestar uma afeição indevida, queixando-se de que seu marido não a ama nem simpatiza com ela, não tente suprir essa falta. A única maneira sábia e segura de agir em tal hipótese é guardar para si mesmo a sua simpatia. Tais casos são muito freqüentes.
Conduza essas pessoas para Aquele que leva nossas aflições, e é o conselheiro único, sábio e verdadeiro. Se ela tiver escolhido a Cristo por seu companheiro, Ele lhe dará graça para suportar esse abandono sem murmuração... Quem desse modo busca a simpatia humana e aceita as atenções proibidas de quem quer que seja, não está limpo diante de Deus."
(Idem p. 243 - 244)
Alguns convidam o inimigo a tentá-los: "Não deviam as mulheres que professam a verdade pôr-se em estrita guarda, a fim de não darem o menor pretexto para qualquer intimidade indébita? Poderão fechar muitas portas à tentação observando perfeito recato e conduta exemplar. Que os homens se inspirem no exemplo de José, sustentando firmemente seus princípios, por mais tentados que sejam... Mas há pessoas que correm ao encontro da tentação como um louco que se mete a si mesmo em cadeias. Convidam o inimigo a tentá-las. Debilitam-se e enfraquecem-se em força moral, e a vergonha e a confusão são a conseqüência natural."
(Idem p. 243 - 245)
"Se uma mulher relata a outro homem suas dificuldades de família, ou se queixa do esposo, ela transgride seus votos matrimoniais; desonra seu esposo e derriba o muro erguido para preservar a santidade da ligação matrimonial; abre de par em par a porta e convida Satanás a entrar com suas tentações perigosas. Isso é exatamente o que Satanás deseja. Se uma mulher vai ter com um irmão cristão para lhe narrar suas mágoas, decepções e provas, ele deveria aconselhá-la, se é que ela precisa confiar a alguém suas dificuldades – a escolher irmãs como confidentes suas, e então não haverá aparência do mal, por cujo meio a causa de Deus possa sofrer opróbrio."
(Ellen G. White, O Lar Adventista, p. 326, 327)
Licenciosidade enfraqueceu Israel: "As práticas licenciosas dos hebreus conseguiram destes o que todas as guerras com as nações e os encantamentos de Balaão não puderam. Ficaram separados do seu Deus. Seu amparo e proteção foram removidos. Deus Se lhes tornou em inimigo. Tão grande foi o número de príncipes e do povo culpado de licenciosidade que isto se tornou um pecado nacional, pois Deus Se irou com toda a congregação."
(Idem p. 327)
Mesma tentação no tempo do fim: "Próximo ao fim da história da Terra, Satanás atuará com todo o seu poder da mesma maneira e com as mesmas tentações com que tentou o antigo Israel, justo antes de entrarem na Terra Prometida. Ele armará laços para os que declaram guardar os mandamentos de Deus, e que estão quase nos limites da Canaã celestial. Ele utilizará ao máximo as suas faculdades a fim de enredar os corações e apanhar o povo de Deus em seus pontos mais fracos. Os que não têm colocado as paixões subalternas em sujeição às faculdades mais altas do ser, que têm permitido seja sua mente um canal de condescendências carnais das paixões mais baixas, a estes Satanás está determinado a destruir com suas tentações, a poluir-lhes a mente com licenciosidade..."
(Idem p. 329)
Costumes do mundo não servem de critério: "As liberdades deste século de corrupção não devem ser tomadas como critério para os seguidores de Cristo. Essas costumeiras exibições de familiaridade não devem existir entre cristãos que se estão preparando para a imortalidade."
(Idem p. 330 - 331)
Corrupção da mente – processo gradual: "A mente de um homem ou mulher não decai num momento da pureza e santidade para a depravação, corrupção e crime. Leva tempo transformar o humano em divino, ou degradar o que foi formado à imagem de Deus em brutal ou satânico. Pela contemplação somos transformados. Embora formado segundo a imagem do seu Criador, o homem pode de tal maneira treinar sua mente que o pecado por ele outrora aborrecido se tornará um prazer. Deixando de vigiar e orar, deixa de guardar a cidadela – o coração – e empenha-se no pecado e crime. A mente é aviltada, e é impossível elevá-la da corrupção enquanto está sendo educada para escravizar as faculdades morais e intelectuais e levá-las em sujeição a paixões grosseiras."
(Idem p. 331)
Tentação não é desculpa para o pecado: "Somente os que mantêm íntima comunhão com Deus aprenderão a estimá-Lo acima dos homens, a reverenciar o que é puro, bom, humilde e manso. ...A mais forte tentação não é desculpa para o pecado. Não importa quão severa seja a pressão exercida sobre você, o pecado é ato seu. A sede da dificuldade é o coração não renovado."
(Idem p. 332)
Familiaridade imprópria ofende o Espírito Santo: "Mulheres que professam piedade toleram demasiados gracejos, anedotas e risos. Isto é impróprio e ofende o Espírito de Deus. Tais exibições revelam falta de verdadeiro refinamento cristão. Não fortalecem a confiança em Deus, mas redundam em grandes trevas; afastam os puros, refinados anjos celestiais e levam os que se entregam a esses erros a um baixo nível."
(Idem p. 335 e 336)
Se o pastor tenta: "A mais leve insinuação, venha de que fonte vier, convidando vocês a condescender com o pecado ou a permitir a menor liberdade ilícita com sua pessoa, seja rechaçada como o pior insulto à sua digna feminilidade. O beijo na face em lugar e ocasião impróprios, deve levar vocês a repelir com indignação o emissário de Satanás. Se parte de alguém colocado em posição elevada, no trato com coisas sagradas, então o pecado é dez vezes maior e deve levar a mulher ou jovem temente a Deus a retrair-se com horror, não apenas do pecado que teria cometido, mas da hipocrisia e violência de alguém a quem o povo respeita e honra como servo de Deus."
(Idem p. 336)
Insinuação de um pastor: "O fato de homens em posição de responsabilidade mostrarem-se familiares com o pecado não deve suavizar a culpa e enormidade do pecado na mente de ninguém. O pecado deve parecer justamente tão pecaminoso, tão repugnante como parecera até então; e a mente dos puros e elevados deve abominá-lo e fugir daquele que consente no pecado, como fugiriam de uma serpente de veneno mortal. Se as irmãs forem elevadas e possuírem pureza de coração, qualquer insinuação corrupta, mesmo do pastor, será repelida com tal firmeza que elas nunca a precisariam repetir."