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CasaNet

Subsídios Para a Lição da Escola Sabatina
3º Trimestre de 2007


Oséias e Gômer, Infidelidade

Sonia Rigoli Santos
Diretora do Ministério da Mulher
e AFAM da Associação Sul-Paranaense
Graduada e Mestre em Teologia pelo UNASP

Oséias e o perdão nos relacionamentos

Quantas vezes sentimos o desgaste em nossos relacionamentos! Ignoramos alguns, fingimos não perceber outros e perdoamos aos que menor dor nos provocam. O que a história de Oséias ensina sobre o perdão nos relacionamentos?

Quando lemos a história dos Reinos do Sul e do Norte, muitas vezes pensamos que Deus teve muito mais amor e paciência para com os descendentes de Judá, por causa de Davi, com quem tinha feito uma aliança, que para com os descendentes das demais tribos de Israel. Mas seria isso verdade?

O primeiro rei do Reino do Norte foi Jeroboão I. Seu primeiro ato foi construir um bezerro para que as dez tribos que o seguiram não precisassem subir ao templo em Jerusalém a fim de adorar o Deus verdadeiro, o que poria em perigo seu trono. Porém, este ato abriu as portas para que, com o passar dos tempos, toda a nação viesse a assumir "um culto mais cruento e mais desumano que se oferecia em honra de Baal e Astarote: a horrível abominação do sacrifício de meninos e a inexplicável degradação de uma desenfreada sensualidade" (SDABC, p. 923). Portanto, a "prostituição" espiritual de Israel começou já no início de sua história.

Anos depois, nos dias de grande prosperidade, sob Jeroboão II "se derramava sangue em abundância, e se estimulava o luxo em todas suas formas, pervertia-se a justiça e oprimiam-se os pobres, e o adultério era uma prática religiosa" (SDABC, p. 923). É triste notar que a prostituição espiritual levou primeiro à prática de crimes e, depois, à legalização da prostituição física, tudo em nome do culto a Deus!

Qual seria a sua atitude diante de um povo como esse? Certamente, concordaríamos que Deus deveria eliminá-lo da Terra, uma vez que havia se tornado tão detestável quanto as demais nações idólatras. Mas não foi este o pensamento nem o desejo de Deus.

Deus amava Seu povo e o queria de volta. Foi essa a lição que Ele procurou ensinar através da experiência da vida do profeta Oséias.

O que deveria fazer um marido traído mais de uma vez pela mulher a quem amou em sua juventude, a mãe de seu primeiro filho? Receber de volta a infiel, imunda pela prostituição, escrava de seus amantes e desprezada pela sociedade? No mínimo, repudiá-la para sempre. Por isso a história de perdão de Oséias é tão comovente!

Oséias viveu nos piores dias da nação de Israel, e Deus enviou por meio dele Seus últimos apelos em favor de Seu povo pecador. A história de Oséias, o marido traído, é um protótipo da história de Israel em seu relacionamento com Deus.

À semelhança de Gômer, Israel havia se vendido à prostituição e, como Oséias, Deus ainda amava Seu povo e o queria de volta. Assim como o profeta pagou pelo resgate de sua esposa que caíra em escravidão, Jesus pagaria alto preço, com a Sua morte, pela liberdade de Seu povo! Que amor surpreendente!

A história de Oséias fala a cada um de nós também. Vivemos num mundo em que por um creme dental, casais se separam. Argumentam que são incompatíveis... Unem-se para sempre... "até que a raiva ou o divórcio os separe."

De todos os relacionamentos, o matrimônio é o mais íntimo e, por isso, o mais propenso a desentendimentos. Mas nenhum outro relacionamento pode nos ensinar mais sobre nós mesmos do que o casamento. Quem sou eu? Egoísta? Orgulhoso? Auto-suficiente? Discriminador? Punitivo? Acusador?

Em cada desentendimento, por mais simples que seja, as tendências de caráter de ambos os cônjuges ficam mais e mais patentes. Os desentendimentos ocorrem quando um dos cônjuges é ferido em seus sentimentos e, quase sempre, como resposta a esse desconforto, sentimentos negativos vêm à tona. Então, culpamos a outra pessoa por nossa reação ou transferimos para a outra pessoa os nossos defeitos.

Não é só no casamento que podemos ter dificuldades nos relacionamentos, mas, quanto mais próximo e mais tempo passamos junto de alguém, mais aumentam as possibilidades de atritos ou desentendimentos.

Assim, Deus foi extremamente paciente com o adúltero Israel e o amou até mesmo quando o deixou sofrer as conseqüências de sua rebelião. Assim como Oséias amou a esposa infiel, e até a recebeu de volta mesmo trazendo opróbrio e humilhação para si mesmo, Deus espera que não tratemos de forma diferente aqueles que nos magoam.

"Não se ponha o sol sobre a vossa ira" (Ef 4:26) é o conselho divino. Mágoas e ressentimentos não resolvidos podem crescer a ponto de explodir em ações e palavras que ferem. Segundo estudiosos, podem levar a desenvolver diferentes tipos de enfermidades psicossomáticas, desde alergias e gastrites até o temível câncer; e podem levar o magoado a encolher-se emocionalmente.

Portanto, a melhor cura para os desentendimentos é o amor e a paciência divinos implantados no coração humano, que leva a perdoar, do mesmo modo e com a mesma intensidade do amor e perdão divinos.

"Quantos desonram a Cristo e dEle fazem uma falsa representação no lar! Quantos deixam de manifestar paciência, longanimidade, perdão, verdadeiro amor! Muitos têm seus gostos e desgostos e sentem-se em liberdade de manifestar sua disposição perversa em vez de revelar a vontade, as obras, o caráter de Cristo. A vida de Jesus está repleta de bondade e amor. Estamos nós nos desenvolvendo segundo Sua divina natureza?" (Ellen G. White, O Lar Adventista, p. 178).