Este Comentário (completo) também é oferecido com uma formatação mais adequada para imprimir. Use seu processador de textos (de preferência MS/Word). Para leitura em Palm, você tem duas opções: o arquivo doc (padrão) lido pela maioria dos programas de leitura para Palm, e o arquivo em formato iSilo, que mantém as formatações do texto original.

Download do programa iSilo

Download do programa Acrobat Reader

Arquivo para Word

Arquivo para Palm, formato doc

Arquivo para Palm, formato iSilo

Arquivo formato PDF


CasaNet

Subsídios Para a Lição da Escola Sabatina
3º Trimestre de 2007


Adão e Eva: O ideal planejado

Profa. Meibel Mello Guedes
Especialista em Assessoramento Familiar
Mestre em Educação

Toda a narração da criação no primeiro capítulo de Gênesis é caracterizada por uma admirável sobriedade. Sem palavras complicadas, enumera os atos da criação por meio dos quais, passo a passo, Deus prepara o cenário para a vida humana. Tudo o que Deus faz é bom, porque se adapta perfeitamente ao propósito divino. E tudo aponta para um clímax que dá sentido a cada ato que precede a criação do homem e da mulher no sexto dia. Também os animais (com exceção dos peixes e das aves) correspondem ao sexto dia, o que põe em destaque a identificação do homem com o reino animal. Nem por isso, a criação do ser humano deixa de ser um ato especial de Deus.

Isto se percebe no contraste entre a forma verbal no versículo 24: "Produza a terra seres viventes" e a que aparece no versículo 26: "Façamos o homem à Nossa imagem, conforme a Nossa semelhança." Deus dialoga consigo mesmo e projeta criar o homem à sua própria imagem. Isso coloca a humanidade numa categoria distinta entre todos os seres criados: apresenta o seu caráter distintamente humano.

Ao lermos o livro de Gênesis, encontramos a primeira história de amor na Bíblia, que teve início na criação deste mundo. Deus, o Criador, fazendo seres à Sua imagem e semelhança, portanto, seres parecidos com Ele. Entende-se que Deus deixou algo de Si mesmo no ser humano, o que lhe dá uma dignidade pessoal. Ser feito parecido com Deus significa também que Criador e criatura participam de uma relação específica, como Pai e filho. Nesta condição, a relação entre Deus e o homem está mediada pela confiança (Gn 1:28-29) e pela aceitação (Gn 1:31). Ao entrar nessa relação, o objetivo de Deus era que o homem se realizasse e tivesse vida. Em Gênesis 1:26 e 27, encontramos o conceito bíblico da pessoa humana e de seu valor: homem e mulher feitos à imagem e semelhança de Deus. Esse conceito marca toda a diferença no que diz respeito à percepção da conduta e realização do ser humano.

Deve-se destacar também que Gênesis 26–28 não deixa lugar a dúvidas acerca da identidade dos dois membros do binômio como imagem de Deus e de sua vocação conjunta no mundo. As três verdades fundamentais para relação homem-mulher estão resumidas em poucas palavras:

Em primeiro lugar, o homem criado por Deus não é assexuado nem andrógino, mas o ser o humano masculino e o ser humano feminino. Em segundo lugar, tanto o homem como a mulher são criados à imagem de Deus. A dignidade humana dos dois deriva de sua semelhança com Deus. A imagem de Deus está na própria essência de seu ser, de maneira que nem mesmo o pecado pode destruí-la.

Em terceiro lugar, tanto o homem como a mulher recebem as tarefas de reprodução e mordomia da criação. Deus chama os dois a compartilhar a missão comum de representá-Lo no mundo. Ele também abençoa a ambos quando diz: "Sede fecundos, multiplicai-vos, enchei a Terra e sujeitai-a, dominai..." Como imagem de Deus, ambos compartilham uma humanidade e uma vocação comuns ao mundo. A dependência mútua dos sexos forma parte da própria estrutura da história humana. Nenhum dos dois pode cumprir a função do homem sem a contribuição de sua contraparte. Homem e mulher realizam-se igualmente como seres humanos, na medida em que exercem essa função em obediência a Deus e em estreita colaboração mútua.

A primeira história de amor

A primeira história de amor não fala de sentimentos, mas de necessidade. O ser criado pela própria mão de Deus precisava de uma companheira, um ser igual a ele, com quem ele pudesse compartilhar a beleza de um jardim criado para que eles vivessem felizes.

Deus tinha criado o homem como um ser individual. Como trabalhador, ele precisava cuidar da terra e cultivá-la. Porém, logo ficou bem visível que ele não podia viver sozinho. Seria muito triste para ele enfrentar a solidão. Afinal de contas, os animais tinham suas companheiras. Ele precisava de outro ser ao seu lado, alguém semelhante a ele, que o completasse e que fosse responsável como ele. Podiam os animais ajudá-lo? Ele olhou ao redor, a cada um, dando os seus nomes, porém nenhum deles podia lhe servir de companhia. E assim, Deus criou a mulher. Ela era parente bem próxima do homem.

O homem olhou para mulher e a contemplou: "Esta combina comigo! Esta me entende! Ela será minha companheira para todas as horas. Não sentirei solidão, e juntos usufruiremos as delícias do belo Jardim!" De fato, nesse primeiro momento, poderíamos dizer que houve o amor à primeira vista. Até podemos imaginar o coração de Adão batendo mais forte, porque essa tem sido a reação das pessoas de hoje, quando encontram a pessoa amada.

"Não é bom que o homem esteja só" disse Alguém que jamais erra. Esse diagnóstico divino revela que há, dentro de nós, o espírito de grupo, isto é, o desejo de viver com os semelhantes em associações de amizade, amor, respeito e cooperação.

Mais intenso, ainda, é anseio de eleger um ser especial, para com ele conjugar os destinos para sempre, pelo compromisso do casamento.

A queda e a rejeição do plano de Deus

Ali tudo era tão belo e perfeito que Adão e Eva tinham tudo para viverem felizes, eternamente, mas o intruso do pecado entrou em cena e as conseqüências chegaram até nós.

A pureza e a inocência foram quebradas quando a serpente entrou em cena. Eva escolheu acreditar na mentira de Satanás. Ela era livre para escolher, para pôr sua vontade acima da vontade de Deus, e o fez. Quando ofereceu a Adão o fruto, ele também desobedeceu.

Paulo explicou que Eva foi enganada, mas Adão comeu o fruto desobedecendo conscientemente (2Co 11:3) O casal cheio de culpa escondeu-se de Deus. Quebraram não apenas seu relacionamento com Deus, mas também o relacionamento entre si e com todas as gerações futuras, além da natureza da qual deveriam dominar.

As conseqüências foram trágicas: Deus amaldiçoou a serpente e a terra por culpa do homem e profetizou tristeza, trabalho e morte.

A sentença recebida pelo homem e pela mulher, na hora da queda, afetou não só o relacionamento entre o casal, mas também a relação com Deus e com a própria natureza. Mas Deus nunca abandonou Seus filhos e, sem dúvida alguma, já havia planejado o resgate.

Assim como Satanás tentou o primeiro casal, ele continua sendo um intruso nas famílias para destruir a harmonia e a unidade familiar.

"Satanás está sempre pronto para tirar vantagem quando surge qualquer ponto controvertido, e pondo em movimento os objetáveis traços hereditários de caráter no marido e na mulher, procurará levar à separação os que uniram seus interesses em solene concerto diante de Deus. ... Se a lei de Deus é obedecida, o demônio da contenda será conservado fora do lar, e não ocorrerá separação de interesses, nem será permitida alienação das afeições." – O Lar Adventista, p.106.

Embora o pecado tenha deturpado o plano original divino para o casamento, pela fé no poder restaurador de Cristo, os casais podem experimentar a felicidade que Deus tinha em mente quando criou o primeiro par. Basta permanecer unidos pela fé em Jesus Cristo, cientes da obediência pelo amor, e estarão tão fortalecidos que o inimigo não encontrará espaço nesse relacionamento.

A voz de Eva é como um aviso vindo do início da história da humanidade a toda a mulher para que siga o caminho da obediência a Deus. É como uma mensagem de esperança quando a mulher falha: ela encontra justiça de Deus, mas também experimenta sua graça.

O amor continua, apesar da queda

Tudo o que se refere à relação entre um homem e uma mulher até nossos dias já foi estabelecido por Deus, desde o princípio do mundo: Eles se parecem mas são diferentes. Por necessitarem um do outro para viver, eles se procuram. E por serem diferentes, eles têm conflitos um com outro. Por trás desta história que iniciou na criação do mundo, nasceu o sentimento mais poderoso do universo que é o amor.

O amor deve ser expresso não só em palavras, mas em ação: "Muitos há que consideram a expressão de amor como uma fraqueza e mantêm uma reserva que repele aos outros. Este espírito detém a corrente de simpatia. O amor não pode existir por muito tempo sem se exprimir. Não permitais que o coração do que se acha ligado convosco pereça à míngua de bondade e simpatia. ... Dê cada um amor, em vez de exigi-lo. Cultive aquilo que tem em si de mais nobre, e esteja pronto a reconhecer as boas qualidades do outro." – O Lar Adventista, p. 107.

O amor matrimonial deve ser altruísta, abnegado, desprendido. Somente ele pode permear todos os aspectos que envolvem o relacionamento a dois.

"Quando os princípios divinos são reconhecidos e obedecidos nesta relação, o casamento é uma bênção; preserva a pureza e felicidade do gênero humano e provê as necessidades sociais do homem, eleva a natureza física, intelectual e moral". – Patriarcas e Profetas, p. 29, 30.

Não sabemos quanto tempo o primeiro casal esteve no Jardim do Éden, gozando os privilégios matrimoniais, mas é importante saber que Deus não mudou de idéia acerca do que pretende para Seus filhos em termos de felicidade a dois.

Como cristãos, sabemos que os poderes das trevas pretendem destruir os característicos divinos postos na instituição do casamento e fazer com que percamos de vista o relacionamento com Deus. O Senhor honra a relação matrimonial, considerando-a uma parte importante e muito especial da vida humana.

O relacionamento físico, intelectual e espiritual entre marido e esposa representa a comunhão com Cristo e a unidade perfeita do casal.

Expressando amor

Deus nos fez diferentes nas maneiras pelas quais damos e expressamos amor. Para a mulher, o amor se manifesta e intensifica por meio de expressão de ternura, palavras de apreço, delicadeza, comunicação aberta e companheirismo genuíno. O marido, por sua vez, sente-se atraído pela aparência física da esposa, a afetuosidade manifesta em coisas palpáveis como um gostoso jantar com seu prato preferido, elogios dela à sua capacidade de prover o lar; as declarações de valorização pessoal e profissional.

Ele gosta de olhar o rosto da amada, de deleitar-se com seus atributos físicos e espirituais, tocá-la, abraçá-la, ser amparado e acariciado. Não foi por acaso que Deus criou o sexo feminino e o masculino. Ele nos fez diferentes e, no entanto, muito semelhantes no sentido emocional e físico, para que pudéssemos deleitar-nos nas diferenças um do outro e alegrar-nos no que compartilhamos.

O que há de diferente, na realidade, é a maneira de pensar e de entrar em contato com o mundo exterior. Enquanto o homem utiliza a razão e procura raciocinar em torno de fatos, a mulher utiliza a intuição, procurando sentir a realidade. Mas, perante Deus, eles são iguais e, diante da família e da sociedade, eles têm funções diferentes.

A igualdade entre os dois não significa identidade; é igualdade no contexto de complementaridade mútua, que se estende para além do meramente fisiológico, incluindo o psicológico.

Os propósitos de Deus

Quando Deus estabeleceu o primeiro casal, Ele tinha vários propósitos. O propósito básico é a procriação. Deus criou o primeiro casal à Sua imagem e depois disse: "Sede fecundos, multiplicai-vos, enchei aterra e sujeitai-a" (Gn 1:28). A procriação também envolve o cuidado e educação adequada. Mas o casamento abrange muito mais do que a procriação (Gn 2:18-25). Ele tinha diversos motivos em mente.

Deus criou o casamento para que ambos, marido e esposa, tivessem companheirismo. A solidão foi a primeira coisa que Deus mencionou não ser boa. A solidão contradiz o propósito do ato criador de Deus. Deus fez o homem para viver com outros, e o primeiro outro foi a sua própria mulher.

Falando sobre o propósito de Deus para o marido e a mulher, Ellen White, em seu livro O Lar Adventista, diz: "Do homem, Deus fez a mulher, para ser-lhe companheira e ajudadora, para ser uma com ele, para alegrá-lo, encorajá-lo e abençoá-lo, sendo-lhe ele por sua vez um forte ajudador. Todos os que se casam com santo propósito – marido para conquistar as puras afeições do coração da esposa; a esposa para abrandar e aperfeiçoar o caráter do seu esposo e ser-lhe complemento – preenchem o propósito que Deus tem para eles." (p. 99)

Deus também planejou que, no casamento, houvesse afinidades. A mulher deveria ser uma auxiliadora que lhe fosse idônea (Gn 2:18). Em sentido muito real, a esposa é a realização da vida do marido. Um marido amoroso está disposto a dar tudo o que for necessário para tornar feliz a vida da esposa, valorizando e respeitando-a.

A mulher ajuda o homem a tornar completa a vida dele. Participa da sua vida, usufrui o companheirismo responsável. O companheirismo e a vida completa se originam da comunicação. À medida que duas pessoas compartilham suas experiências, seus sentimentos, suas emoções, a vida a dois passa ter mais significado.

Nenhum casal começa a vida matrimonial com a comunicação bem desenvolvida. Não é algo que venha pronto, mas sim, algo que deve ser cultivado todos os dias.

A comunicação para um relacionamento saudável.

Falar, ouvir, ler, escrever, são formas de comunicação. Passamos boa parte de nosso tempo de vida ouvindo, falando, tentando externar aos outros o que somos, pensamos e sentimos. Ao conversar, transmitimos sentimentos e emoções, esclarecemos dúvidas e procuramos ampliar nossos contatos.

Mas, se em nosso relacionamento fora do lar, a comunicação é importante, dentro da família ela é a base para uma convivência mais saudável. Conversar é uma arte. Desenvolva-a sempre, levando em conta o interesse de seu cônjuge. Ao ouvir, demonstre interesse. Um bom ouvinte ouve e, depois que ouve, dá sua opinião, fala com voz agradável, suave e calma. Se nossas palavras forem confusas, dificilmente encontraremos quem nos queira ouvir. Quando falar, faça de forma positiva. Diga coisas agradáveis, sem críticas e outros elementos negativos. Mostre respeito e cortesia.

Quando estiver ouvindo, não tente adivinhar o que o outro esteja querendo dizer. Não faça da conversa um instrumento de ataque, exposição de mágoas e ofensas.

Para ser bom ouvinte, é necessário estar atento à linguagem das mãos, dos olhos, das expressões faciais, da postura. Tudo isso é importante na comunicação conjugal, mas a comunicação mais importante é ouvir com o coração.

O entendimento via diálogo é um exercício de percepção. É procurar ouvir e entender quando perceber que seu cônjuge está passando por problemas, ressentimentos, solidão e desânimo.

A comunicação do jardim do Éden, após a queda, foi seguida de acusação: Adão culpou Eva, e Eva culpou a serpente. Mas Adão, mesmo culpando Eva, preferiu manter o relacionamento com ela.

Nos dias de hoje, não temos serpentes sendo usadas por Satanás para arruinar o diálogo em nossos lares, mas Satanás usa outras táticas e uma porção de outras coisas que impedem um diálogo na família. Pode ser a televisão, o egoísmo, colocando os interesses pessoais acima da família, pode ser a própria vida profissional que absorve tanto tempo que a família fica em segundo plano.

Seja qual for o problema, pare e localize a serpente que está destruindo a comunicação de sua família.

No Reino de Deus somos um em Cristo

Hoje é o tempo do novo homem, o segundo Adão, por meio do qual Deus quer restaurar o propósito inicial da criação. A obra de Jesus Cristo, cumprida em Sua morte e ressurreição, dirige-se a toda raça humana.

Ele toca o ser humano, homem e mulher no próprio centro de sua personalidade e transforma todas as suas relações.

O apóstolo Paulo menciona o desaparecimento das divisões entre seres humanos, dizendo que não pode haver "judeu nem grego; nem escravo nem liberto; nem homem nem mulher; porque todos vós sois um em Cristo Jesus" (Gl3:28).

A idéia central é muito clara: a unidade da humanidade, baseada na criação, mas afetada pelo pecado, foi restaurada por Jesus Cristo. Portanto, as divisões raciais, sociais e sexuais que colocam alguns em situação de superioridade e outros em situação de inferioridade, perdem o significado.

De maneira surpreendente, Jesus Se atreveu a romper os cânones de Sua própria cultura e reconheceu a dignidade humana do sexo feminino. Jesus acabou com a maldição da queda, devolveu à mulher a nobreza que tinha perdido parcialmente e restituiu a bênção original da igualdade dos sexos na nova comunidade de seu Reino.

A exortação à mulher para que se submeta ao seu marido, como aquele que, no cumprimento do seu papel de cabeça, lhe oferece cuidado amoroso, não atribui à mulher o conceito de um ser inferior, mas o de um ser cuja natureza combina melhor com essa função no seio do matrimônio.

À medida que o marido se submete a Cristo, sua autoridade é transformada por Ele. Ele não impõe seus próprios sentimentos sobre a esposa a ponto de obscurecer os sentimentos dela. Ele não deve ser um ditador. O marido amoroso está disposto a dar tudo o que for necessário para tornar satisfatória a vida da esposa.

O amor dele é purificador. Jamais pede que a esposa faça algo que a rebaixe. Ele a ama por conveniência própria. Não considera a esposa um tipo de empregada que simplesmente cozinha, limpa a casa, dá-lhe nas mãos tudo o que ele precisa e educa os filhos. Mas vê a esposa como uma pessoa a quem deve valorizar e fortalecer. O amor do marido deve ser copiado do amor dedicado de Cristo. Ela desenvolve as atividades pertinentes à mulher porque se sente amada.

As famílias que desejam ser felizes devem eleger Deus como supremo Líder. Dele deve o casal procurar sabedoria, iluminação e amor.

O Criador designou que Adão devia ser o líder da família, e Eva, a idônea auxiliadora (Gn 2:28). A posição do Criador na organização do primeiro lar era que um complementaria o outro, mas não deveria ser superior ao outro e, sim, ambos teriam e assumiriam funções diferentes. Um completava o outro, e o casamento era um relacionamento de apoio interdependente.