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A Palavra de Deus permanece |
Mαrcio Dias Guarda
Editor na Casa Publicadora Brasileira
A última semana desta série de lições que discutiu a relevância e atualidade da Bíblia em nossos dias, focaliza o caráter perene da Palavra de Deus e analisa as razões para essa permanência. Não é impressionante que os escritos mais antigos que a humanidade possui (estou desconsiderando os fragmentos e documentos que têm apenas valor histórico) ainda estejam influenciando e transformando vidas?
Num mundo caracterizado pela transitoriedade, em que tudo envelhece e morre ou é descartado rapidamente, e mais ainda nos dias de hoje em que essa volatilidade é reforçada pelo caráter fútil e ânsia desmesurada pela inovação, além de marcado desprezo pelo antigo, e total desesperança quanto ao futuro, merece um estudo cuidadoso esse verdadeiro milagre que é a Palavra de Deus permanecer inabalável.
Certa vez, vi uma frase semelhante a esta: "O mundo que crucificou Cristo tem tentado crucificar a Bíblia também, mas sem sucesso." Ela prossegue firme, segura, eterna. E a lição desta semana demonstra muito bem o porquê dessa estabilidade e poder. Vale a pena conferir, ao longo da semana, e considerar essa mensagem, com profundidade e emoção, junto com sua Unidade, no próximo sábado.
I - A Palavra de Deus hoje
Na primeira parte, a lição começa lembrando algumas possíveis objeções contra a validade da Bíblia nos dias atuais: sua antiguidade, origem com um pequeno grupo de pessoas e diferenças entre a sociedade daqueles tempos e a de hoje. A seguir, pede uma resposta pessoal a essas objeções.
A nota da pergunta 1 menciona a mais importante qualidade, sem a qual a Bíblia jamais teria o poder e a aceitação de que desfruta hoje: sua origem divina. Todas as demais qualificações que possam ser acrescentadas decorrem dessa e a ela estão subordinadas, mas isso não impede que sejam relacionadas outras características.
A Bíblia trata dos princípios éticos nas relações pessoais, e a natureza dessas relações não muda com o tempo, porque têm a ver essencialmente com amor e ódio, lealdade e traição, fidelidade e infidelidade. Essas características são as mesmas, desde os tempos bíblicos. Amor, perdão, disposição de servir e respeito pela vida são valores comunitários básicos. Quando uma sociedade ignora tais princípios, se deteriora e logo deixa de existir, não importando qual seja o nível de educação, cor da pele ou influências culturais de seus membros.
Os textos apresentados na pergunta 2 da lição contêm bons exemplos desses princípios que correspondem aos anseios e necessidades mais fundamentais do ser humano:
Mq 6:8 Justiça e misericórdia
Jo 10:10 Vida plena, com saúde, boas relações
Jo 17:3 Vida eterna, imortalidade, o além da morte
At 17:31 Juízo, prestação de contas, solução de conflitos
Fp 4:7 Paz
Mesmo que inconscientemente, é isso o que todo ser humano mais busca e necessita. Visto que a Bíblia dá orientação e esperança de como satisfazer essas necessidades, ela permanece sempre atual e importante para as pessoas. A Bíblia cumpre essa finalidade de um modo bem natural, entretecendo os conceitos com histórias, personagens, ambientação, variedade, enfim uma mistura balanceada e interessante que atrai, impressiona e ensina, independentemente de tempo, lugar e experiência.
Algumas vezes, afirmei para auditórios formados por pessoas que tinham menos familiaridade com a Bíblia que ela se parece mais com um canal de TV do que com um livro. Tem romance (Rute, Ester); aventura (Jonas, Atos); guerra (Josué, Juízes); suspense (Davi e Bate-Seba, Ananias e Safira). Além disso, tem história, poesia, cartas, biografias, futurismo, a batalha do bem contra o mal (da mesma forma que o melhor do gênero policial!).
II - O plano eterno de Deus
"A Bíblia contém dados históricos, fornece datas precisas, relata como Deus criou o mundo, revela profunda moral, fixa normas de conduta, explica um plano de salvação que é outorgado por graça e destaca o amor de Deus. Em contraste com ela, a maior parte dos livros das religiões orientais são semi-lendários; revelam um mundo que surgiu por acidente, raras vezes apresentam dados concretos e datas acuradas, expõem uma ética regional, evidenciam o caráter acomodatício das normas de conduta, apresentam a salvação como retribuição de boas obras e atos de penitência, e descrevem os deuses como passionais, temíveis e implacáveis. A diferença essencial entre os livros de outras religiões e a Bíblia reside no fato de que esta foi inspirada pela Divindade que criou o Universo" (Daniel H. Dupuy, Guia Para o Estudo da Bíblia, p. 21).
Compare o verso 10 com o 11 do Salmo 33, que é citado nesta parte da lição. Enquanto que as nações, os costumes e as próprias verdades humanas, caducam, são suplantadas, contraditadas, passam, acabam, "o conselho do Senhor dura para sempre". Deus não muda. Seus planos não precisam de atualização. Ele sempre teve em vista a salvação de "todo aquele que nEle crê. Sua Palavra é a revelação desse plano eterno, portanto, tem uma missão importante e contínua, que precisa alcançar todos os povos, desde o começo até o fim do tempo. Os três textos da pergunta 4 tratam exatamente desse plano, da sua abrangência e eternidade.
III - A cruz eterna
O ponto central do plano da salvação é a cruz, que ocupa também o centro da revelação na Palavra eterna. Em torno desse fulcro gravitam todas as principais verdades eternas reveladas na Bíblia.
Não deixe de verificar os 8 textos destacados pela lição nesta parte. Note como eles tratam dos principais aspectos da salvação, para os quais nossa fonte de informações é exatamente a Bíblia.
Nota: A lição apresentou os 8 textos (como geralmente faz) na ordem dos livros da Bíblia, mas eu preferi colocá-los numa ordem mais lógica:
2Co 5:21 Encarnação
1Tm 1:15 Salvação através de Cristo
Ef 2:8 Justificação pela fé
Tt 1:2 Esperança da vida eterna
Mt 24:30 Volta de Jesus
1Ts 4:16 Ressurreição
1Co 6:3 Juízo
Is 65:17 Nova Terra
IV - Promessas infalíveis
A Bíblia não apenas trata dos assuntos que mais interessam aos seres humanos e facilitam sua vida em sociedade como apresenta o eterno plano de Deus para a redenção, revelando o Cristo, crucificado e todas as conseqüências benéficas para aqueles que aceitam a salvação. Mas a lição destaca também as infalíveis promessas divinas que fazem das Escrituras Sagradas uma fonte de ânimo, força e inspiração.
"As Escrituras estão abertas a nós como o jardim de Deus, e suas promessas são flores fragrantes que crescem em todo o jardim. Deus nos chama a atenção especialmente para as que são apropriadas. Nessas promessas podemos discernir o caráter de Deus e ler o Seu amor por nós. [...]
"Não deveríamos considerá-las com descuido ou com indiferença, mas sim, como examinamos flores que deleitam nossos sentidos com sua formosura e fragrância, também deveríamos tomar as promessas de Deus, uma a uma, e examiná-las atentamente por todos os lados, a fim de nos apoderarmos de sua riqueza e sermos aliviados, consolados e fortalecidos por elas" (Ellen G. White, Review and Herald, 11/10/1887).
"Não devemos olhar os espinhos e os cardos de nossa experiência. Devemos ir ao jardim da Palavra de Deus e colher os lírios e as rosas e os fragrantes cravos de Suas promessas" (Ellen G. White, Carta 97, 1895).
Grandfield, que foi missionário nas costas do Labrador, tinha o hábito de testar as promessas de Deus, conforme narradas na Bíblia. Quando a experiência dava certo, ele escrevia, na margem do texto: dá certo. Alguns anos mais tarde, dificilmente se podia encontrar uma página de sua Bíblia que não estivesse anotada com essa expressão curiosa.
Não foi só Grandfield que aceitou o desafio. Muitos outros o fizeram com igual sucesso. João Wesley, que leu a Bíblia muitas vezes, também se habituara a fazer anotações de todos os textos que, na sua vivência, foram confirmados. Outro que adotou o mesmo costume foi George Muller.
Entre os pioneiros adventistas, há um destaque para John Loughborough, pastor desde 1854. Até falecer, em 1924, leu a Bíblia 69 vezes e descobriu 3571 promessas de Deus, sendo 2527 para o presente e 1044 para o futuro.
A lição de quarta-feira destaca 3 textos:
Rm 4:21 Deus é poderoso para cumprir tudo o que promete.
Jo 16:33 Jesus nos relembra de que venceu o mundo, portanto, pode e deseja nos tornar vencedores.
Mt 28:20 Em quaisquer e todas as situações, Jesus promete estar conosco "até a consumação do século".
Outras promessas maravilhosas que a lição não mencionou:
1Jo 2:25 A maior promessa: a vida eterna. Note que não se trata apenas de uma vida sem fim, mas um tipo de vida com qualidade divina, e uma posse presente, além de esperança futura. Essa promessa inclui todas as outras. E o mais maravilhoso é que ela já começa a se cumprir em nós, a partir do momento em que aceitamos a salvação provida por Cristo.
2Pe 1:4 Esse é um texto para ser lido com 1Jo 2:25, pois aí Pedro explicita que "as grandíssimas promessas" (a idéia do superlativo está no original!) têm como objetivo nos fazer "co-participantes da natureza divina" (compartilhar algo da excelência moral de Cristo nesta vida e de Sua glória na vida futura. Esse é o ápice da expectativa humana!
V - A Bíblia permanece
Há muitas histórias de indivíduos que se voltaram contra a Bíblia profetizando sua destruição. A que segue é uma delas:
No fim do terceiro século, o imperador romano Diocleciano decretou morte a qualquer pessoa que possuísse uma cópia da Bíblia. Também condenava à morte os membros da casa de um preso por não delatarem sua desobediência. Deste modo, o poderoso romano planejou eliminar os escritos que condenavam sua própria vida corrupta e sua tirania. Dois anos depois, Diocleciano vangloriou-se dizendo: "Exterminei completamente os escritos cristãos da face da Terra".
Um século depois, outro imperador romano, Constantino, ficou impressionado com o cristianismo e desejou fazer cópias do Novo Testamento para todas as igrejas do seu império. Ofereceu uma recompensa substancial a qualquer pessoa que descobrisse e entregasse a seus oficiais uma cópia da Palavra de Deus. Dentro de vinte e quatro horas, cinqüenta cópias das Escrituras foram oferecidas ao imperador a despeito de Diocleciano ter declarado que havia destruído todas!
A última parte da lição de certa forma resume e reafirma o estudo da semana. E faz isso a partir de dois textos incisivos:
Mt 24:35 A Palavra de Deus tem durabilidade e permanência muito acima das obras criadas. Tudo o que é material passará, mas de maneira nenhuma (essa negação enfática está no original) se perderá a Palavra de Deus, que reflete a eternidade do próprio Deus. (Essa negação enfática está no original.)
1Pe 1:24, 25 Como uma extensão de Deus, a Palavra é viva e tem poder para vivificar, é imortal e incorruptível, em contraste com as instituições humanas, efêmeras e transitórias. Portanto, nossa viva esperança é alimentada pela Palavra viva, que vem do Deus vivo para todo o sempre.
Que faremos diante de uma providência tão grande e maravilhosa? Ellen G. White sugere:
"Que cada pessoa estude a Bíblia, reconhecendo que a Palavra de Deus é tão duradoura como o trono eterno. Quando alguém estuda as Escrituras com humildade, com sincera oração para ser dirigido, os anjos de Deus lhe desvendarão as vivas realidades; e, se houver aceitação dos preceitos da verdade, eles circundarão a pessoa com um muro de fogo para a proteger das tentações, desilusões e encantamentos de Satanás" (Signs of the Times, 18/10/1893)
Apesar dessas promessas e incentivos, muitos continuam dizendo que ainda não têm tempo para ler a Bíblia. Mas você já pensou que metade dos livros bíblicos podem ser lidos entre 10 e 45 minutos cada? E já pensou que para ler a Bíblia toda, Antigo e Novo Testamentos, você vai demorar menos de 80 horas? (A maioria das pessoas trabalha mais de 160 horas por mês!)
Como encontrar tempo para ler a Bíblia
Em um folheto da Sociedade Bíblica, encontrei as seguintes idéias:
Do livro Como Estudar a Bíblia Sozinho, de Tim Lahaye, respondendo à questão: O que a leitura diária da Bíblia fará por você, destacamos:
E para uma inspiração final... A poesia que segue foi escrita por um pastor que se destacou como um dos grandes estudiosos da Bíblia em tempos recentes:
A Bíblia
(Antônio de Campos Gonçalves)
Sei de um livro diferente, livro mesmo singular,
que fala de toda gente, com amor, sem vacilar.
Suas páginas, de fato, são lições de inspiração;
são palavras, são relato, são de Deus revelação.
Palavra eterna, divina, mensagem de amor e paz:
vem de Deus e nos ensina o que sempre Deus nos faz.
Nesse livro leio, agora, as mais sublimes lições:
lições que eu já lera outrora, com ferventes orações.
São lições que não dispenso, pois todas me fazem bem;
e quando nelas eu penso, logo penso em mais alguém.
Esse livro de que falo, a Bíblia, livro de luz,
comigo devo levá-lo: esse livro me conduz.
Devo levá-lo comigo, estudá-lo, progredir;
pois se com ele prossigo, tenho fianças do porvir.
Porvir seguro e ditoso, com Jesus, meu Salvador;
e com Deus, meu Pai bondoso, por bênçãos do Seu amor.
Meu livro, minha Escritura, meu roteiro mui feliz;
por ele tenho segura a posse do meu País.
Meu País, futuro ainda, mas nele, um dia, entrarei;
nele a bênção não se finda: eterna será, bem sei.