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Subsídios Para a Lição da Escola Sabatina
2º Trimestre de 2007


LICÃO 2 – A Palavra Final

Amin A. Rodor Th.D.
Professor de Teologia no UNASP

Introdução

A Bíblia se coloca à parte da filosofia humana, suas máximas e opiniões. Muito mais que mero fenômeno da literatura universal, ela é a Palavra de Deus, vestida nas palavras dos homens. Frequentemente, menciona-se evidências em favor da autenticidade do Livro Sagrado:

Contudo, sua autoridade singular nunca se manifesta mais bela e majestosa, do que quando pelo poder da Palavra, vidas são transformadas para sempre. O poder da Palavra Deus, em confortar, consolar, desafiar, instruir, iluminar e dar sabedoria, torna as Escrituras um livro absolutamente especial e diferente de tudo o que conhecemos. Qual é a fonte de tal poder? O que, ou realmente, quem está por trás das páginas das Escrituras?

A Palavra do Senhor

1. Como mencionado no comentário da introdução geral, os autores bíblicos, em frases como: "Veio a mim a Palavra do Senhor," "Assim diz o Senhor," invariável e frequentemente atribuíram o conteúdo de suas mensagens ao próprio Deus. Veja a introdução de cada um dos profetas menores. Veja em Jeremias e Ezequiel a alta freqüência com que estes profetas atribuem a Deus aquilo que eles pronunciaram.

2. Acima de qualquer dúvida, os autores do Novo Testamento, identificam as Escrituras do Antigo Testamento com a Palavra de Deus. Aquilo que As Escrituras do AT dizem, é identificado como a própria voz de Deus, ou o que Deus diz é identificado como aquilo que as Escrituras dizem (veja por exemplo: Gn 12:1-3 comparado com Gl 3:8; Ex 19:13-16 comparado com Rm 9:17).

Por outro lado, os autores do Novo Testamento freqüentemente citam personagens e eventos do Antigo Testamento com a mais absoluta convicção de que suas narrativas são verdades históricas a serem aceitas. A carta aos Hebreus, por exemplo, foi destinada a ser uma ponte entre o AT e o NT. Inicia relembrando que Deus "falou no passado aos pais pelos profetas"(Hb 1:1). Esta epístola faz mais de 35 referências diretas ao AT, tiradas de 11 livros das Escrituras Hebraicas, confirmando grande número de fatos e episódios do AT: A criação e o repouso divino no sétimo dia (Hb 11:3; 4:4); O tabernáculo (caps. 8 e 9; Melquisedeque (7:1-10) O maná (9:4). Todo o capítulo 11, é uma lista de chamada dos grandes vultos da História Sagrada, dando testemunho a respeito de pessoas e eventos do AT: Abel, Enoque, Abraão, Moisés, a Páscoa, o Mar Vermelho etc. Esta epístola introduz o AT, referindo-se não aos seus autores humanos, mas diretamente a Deus como Aquele que falou: "Ele (Deus), disse" (Hb 1:5-6, 7, 8, 13), ou Ele (Deus) tem falado (Hb 4:4). "Falando através de Davi..."(Hb 4:7). De outra forma, o Espírito Santo é também indicado como o verdadeiro autor: "Como o Espírito Santo diz..."(Hb. 3:7-11) "...dando nisso a entender o Espírito Santo..." (Heb. 9:8). "O Espírito Santo no-lo testifica...: (Hb 10:15). Evidentemente, o uso e aplicação do AT, pelo autor da epístola está baseado numa estrita posição quanto à origem deste conjunto de escritos.

3. Nós encontramos a mesma abordagem em relação a Paulo, Pedro e Tiago. Na carta aos Romanos, considerada a mais sitemática exposição da doutrina cristã, encontramos que a expressão "está escrito" ocorre como um refrão 17 vezes (o mesmo é verdade em relação a outras cartas paulinas: 8 vezes em 1 Coríntios, 3 vezes em 2 Coríntios, e 4 vezes em Gálatas). Em Romanos, aquilo que o apóstolo escreve está profundamente enraizado no AT: A extensão e fonte do pecado (Rm 3:9-20); a justificaçao pela fé (Rm 4:3-25; 5:1-21); A eleição (Rm 9 a 11), e a validade da missão aos gentios (Rm 15:7-13). Todos estes fatos são argumentados em detalhes, com base no ensino do AT. Apenas na carta aos Romanos é impressionante o número de fatos e eventos registrados no AT, confirmados por Paulo: circuncisão (2:25); a entrega da lei (2:17); Adão (5:14), Davi (4:6), Abraão (4:1-3, 9-12, 9:6). Isaque e Rebeca (9:10), Elias (11:2), etc. Para Paulo, não há nenhuma dúvida quanto a autenticidade histórica deles. O apóstolo declara ainda que esses fatos "foram escritos para a nossa instrução para servir de exemplo para nós" (Rm 15:4, cf. 1Co 10:11).

Para Paulo, o AT é a Palavra de Deus, assim como para Tiago e Pedro, que demonstram a mesma confiança nas Escrituras do AT. Tiago afirma que os profetas "falaram no nome do Senhor" (Tg 5:10). Ele adverte seus leitores a receberem "com mansidão a Palavra implantada [neles] a qual é poderosa para salvar... almas" (Tg 1:21). Na perspectiva de Pedro, os antigos profetas foram "movidos pelo Espírito de Cristo" (1Pe 1:10-12). Tanto Pedro como Tiago insistem na veracidade dos fatos, histórias e personagens apresentados nas Escrituras do AT: Jó (Tg 5:11), Abraão (2:21), Raabe e os espias (2:25), Elias (5:17-18) etc. Para Pedro, Noé, o Dilúvio, a criação da Terra, a queda dos anjos, Sodoma e Gomorra, Ló e Balão, são considerados personagens reais e fatos reais (2Pe 2:4-8, 15-16, 3:5).

O livro de Atos reflete a posição adotada pelos cristãos primitivos quanto à inspiração e autoridade do AT (nesse período, o NT ainda não estava disponível). Deus mesmo é descrito falando pela boca de Davi (At 4:25; cf. 1:16; 28:25). Citações do AT são atribuídas diretamente a Deus: "Ele [Deus] falou deste modo (At 13:34, cf. Is 55:3). "Ele [Deus] diz também..."(At 13:47; Is 49:6). O Evangelho proclamado pela igreja primitiva foi plenamente admitido como tendo sido anunciado por Moisés e os Profetas, os quais tinham predito o Messias (At 3:33, 19), e anunciado o Seu dia (At 3:23-24). Todos os profetas prometeram perdão para os pecados através do Messias (At 10:43). Embora Cristo tivesse sido aceito como o Senhor deles, para os cristãos primitivos, as Escrituras do AT, foram aceitas como Sua palavra e a autoridade final. Cerca de metade dos grandes sermões encontrados no livro de Atos, são compostos de versos extraídos do AT: O discurso de Pedro, no Pentecostes, 12 versos de 23 (At 2:14-36). Os 49 versos do discurso de Estevão são, nada mais nada menos que uma enumeração dos fatos tomados do AT (At 7:2-50). O discurso de Paulo em Antioquia e Pisídia, 15 de 26 versos são fatos ou citações do AT (At 13:16-41). Veja ainda Atos 17:2-3, 28:23. Os apóstolos, representando a perspectiva da igreja primitiva, afirmaram sem reservas sua fé em toda a Escritura. "Eu sirvo ao Deus de nossos pais, acreditando em todas as coisas que estejam de acordo com a lei nos escritos dos profetas" insiste em suma Paulo (At 24:14).

No Apocalipse, referências ao Antigo Testamento, fazem parte da própria tecidura do livro: referências a trombetas, pragas, gafanhotos, bestas, períodos proféticos, o cântico de Moisés, Babilônia, e um incontável número de alusões, não são senão ecos dos livros do AT.

"ASSOPRADA POR DEUS"

4/5 O texto chave da doutrina bíblica da inspiração é 2 Timóteo 3:16. Esta passagem garante que "Toda Escritura é divinamente inspirada" (do grego theopeustos: composta de dois vocáculos – Theos = Deus, e pnew = assoprar, exalar). A palavra "inspirada," que aparece apenas uma vez na Bíblia, significa literalmente "assoprada por Deus." Para os familiarizados com o AT, logo vem à mente o sentido do termo. Esta é uma vívida metáfora, explícita na atividade divina, como já mencionado anteriormente (Sl 33:6; Jó:4, etc). O fôlego ou sopro de Deus é visto no AT como a causa de todas as coisas. Por exemplo, o próprio homem foi feito "alma vivente" quando Deus "assoprou em suas narinas"(Gn 2:7). As Escrituras são consideradas o produto da atividade de Deus. Elas devem sua existência à ação divina. Seu conteúdo, natureza e caráter são determinados pela ação de Deus. Esta é a razão pela qual, Paulo acrescenta "é útil e proveitosa."

A teologia faz distinção entre Revelação e Inspiração, como visto no comentário da introdução geral da lição deste trimestre. Revelação é o ato divino pelo qual Deus revela verdades a Seu respeito, ao profeta: Verdades que o homem não poderia descobrir de outra forma. A revelação é sempre teocêntrica, isto é, está centralizada em Deus, e seu propósito final é levar o homem ao correto relacionamento com Ele. Inspiraçao, por outro lado, é o ato divino pelo qual Deus habilita o profeta a comunicar de forma confiável e precisa, o conteúdo da revelação. Deus não comunicou aos autores bíblicos Suas idéias e verdades de infinito significado para, então, abandoná-los, deixando que eles comunicassem tais verdades de modo inadequado (Veja L. Morris, I Believe in Revelation, pág. 112)

2 Pedro 1:21 afirma que "homens santos da parte de Deus falaram movidos pelo Espírito Santo". Vários grupos evangélicos crêm que a inspiração caiu sobre as palavras (um dos significados da noção da inspiração verbal). Desde os dias dos pioneiros, os adventistas têm afirmado que a inspiração atua no profeta. E. White, observa: "A Bíblia é escrita por homens inspirados, mas não é a maneira de pensar e exprimir-se de Deus... Deus, como escritor não Se acha aí representado... A inspiração não atua nas palavras do homem nem em suas expressões, mas no próprio homen que, sob a influência do Espírito Santo é possuído de pensamentos. As palavras, porém, recebem o cunho da mente individual." Então, a voz profética aos adventistas conclui: "A mente divina, bem como Sua vontade é combinada com a mente e a vontade humanas; assim, as declarações do homem são a Palavra de Deus" (Mensagens Escolhidas, vol. 1. pág. 21). Leia, ainda, em Mensagens Escolhidas, vol. 1, às págs. 16-39, para uma ampla visão do fenômeno da inspiração.

Esta combinação entre o divino e o humano pode ser comparada à própria união do divino e do humno em Cristo, a Palavra encarnada.

Para uma ampla discussão sobre a teoria da inerrância das Escrituras, causa de discussão e divisão entre os evangélicos, busque no site do Unasp: www.unasp.edu.br/kerygma, na revista eletrônica do SALT, KERYGMA, o artigo "A Inerrância Bíblica," de Amin Rodor.

VISÃO DE CRISTO DAS ESCRITURAS

6/7. Para os seguidores de Cristo, a atitude dEle quanto às Escrituras é crucial. Jesus é a norma para os cristãos, e a maneira como Ele considerou as Escrituras é fundamental e definitiva.

Jesus freqüentemente reprova a leitura parcial, partidária e incompetente das Escrituras. "Errais não conhecendo as Escrituras..."(Mt 22:29).

No Seu confronto com o tentador, no deserto, "Está escrito" foi o único argumento que Ele empregou (Mt 4).

Para Ele, aquilo que os profetas predisseram haveria de acontecer: Jo 6:45; 15:24; Lc 18:31-11; Mc. 14:21, 27, 49; Lc. 24:5; 24:44, Mat. 21:16; Mat. 5:7-18; Lc. 16:17 etc.

Jesus aceitou sem reservas o AT, e colocou o Seu imprimatur nos eventos cruciais da história bíblica, precisamente aqueles que no futuro seriam questionados: Criação, casamento monogâmico, o sábado e a lei no Sinai, o Dilúvio, Sodoma e Gomorra, a história de Jonas, a purificação de Naamã. Ele apelou para a profecia de Daniel quanto à destruição de Jerusalém. Para Ele, os profetas, personagens e eventos do AT não são figuras ou quadros de ficção. Em João 10:35, Ele sintetiza Sua inquestionável aceitação das Escrituras Hebraicas, o que se torna normativo para os cristãos: "As Escrituras não podem ser anuladas."

OS APÓSTOLOS E AS ESCRITURAS

Para esta discussão, veja o comentário no número 3, acima.

UNIDADE NA DIVERSIDADE

As Escrituras compõem uma verdadeira biblioteca: É composta de sessenta e seis livros diferentes, escritos durante um período de dezesseis séculos (de, aproximadamente 1500 anos a.C., até o ano 100, d.C.). Este período de tempo seria comparável aproximadamente ao período que cobre desde o triunfo do Cristianismo, em 313 d.C., até os dias atuais. Os autores humanos do texto sagrado, cerca de quarenta e cinco, variaram grandemente entre si: Houve pastores, reis, estadistas, escribas, sacerdotes, eruditos, poetas, historiadores, um coletor de impostos, um médico, pescadores iletrados, além de outros escritores anônimos. Paralelamente a esta assombrosa diversidade, testemunhamos maravilhados a extraordinária unidade da inspiração, através da Bíblia, como visto em suas mensagens, ensinos, doutrinas, e mesmo em sua estrutura, e conteúdo geral.

A Unidade da Bíblia se manifesta de maneira surpreendente. É interessante, por exemplo, notar como as primeiras páginas da Bíblia encontram perfeito paralelo com suas últimas páginas:

PROTOLOGIA (as primeiras coisas) ESCATOLOGIA (as últimas coisas)
Criação dos céus e da Terra (1:1) Criação do novo céu e da nova Terra (21:1)
O primeiro Adão, e sua esposa no paraíso, chamados para reinar sobre a Terra (1:27-28). Cristo, o segundo Adão, com Sua esposa, a Igreja, no paraíso restaurado, onde reinará para sempre (21:9, 3:21).
No meio da jardim, está a árvore da vida e o rio para regar o paraíso (2:9-10). No paraíso restaurado está a árvore da vida E o rio da vida (2:7; 22-1-2)
Surgimento de Satanás, o tentador (Gn 3). O julgamento e subversão final de Satanás (12:9; 20:10).
Início do pecado, queda do homem e sua expulsão do paraíso, tornando-se sujeito à morte (Gn 3:19-21; Rm 5:12) O fim do pecado, a restauração do homem. As bodas do Cordeiro... e a vida eterna no paraíso (19:7, 22:1-5). A segunda morte para os impenitentes (20:14-15; 14: 10-11).
O primeiro julgamento universal, com o Dilúvio (Gn 6 - 9). O último julgamento por fogo (20:11, cf. 2 Pe 3:6-12).
Por ocasião da torre de Babel, Deus destrói a unidade da raça com a confusão das línguas (Gn 11). Diante do trono celestial, a unidade é selada pelo sangue do Cordeiro, reunindo pessoas de todas as línguas, raças e nações. (5:9)
O chamado de Israel, o povo eleito, para a salvação de outros (Gn 12). Desfecho da redenção. "O verdeiro beneficiários dos oráculos divinos Israel de Deus" em Cristo, encontra o seu lugar na Jerusalém celestial, herdeiro das promessas eternas, (21:12-14).

Apenas Deus, que vive acima do tempo, poderia planejar e executar o destino de todo o Universo dessa forma engenhosa e intrincada. E os exemplos dados são apenas uma pálida representação de algo profundo e complexo. De eternidade em eternidade Ele é Deus (Sl 90:2). Apenas Ele poderia prever e conduzir, tanto o passado como o futuro. Apenas Ele, Aquele que inspirou as Escrituras, poderia ter dado a elas a exclusiva perspectiva e unidade temática que elas apresentam.

Paralelismo de estrutura

Os escritos bíblicos não são um amontoado de linhas confusas. A estrutura do AT funciona em unidade de linhas com o NT.

  • No Antigo Testamento
  • Nos Evangelhos
  • No livro de Atos
  • Nas Epístolas
  • No Apocalipse
  • A salvação é preparada
  • A salvação é realizada
  • A salvação é propagada
  • A salvação é explicada
  • A salvação é consumada

A unidade dos livros da Bíblia, que embora não estejam organizados em ordem cronológica, sugere a direção da Mão invisível, realizando um propósito muito mais amplo do que aquilo que os olhos humanos podem perceber à primeira vista. Tempo e espaço não permitem uma exposição elaborada do caráter progressivo dos temas bíblicos. Tomando apenas os Evangelhos, observamos aspectos complementares que se unem para formar um quadro completo da pessoa do Senhor Jesus Cristo:

  • Mateus
  • Marcos
  • Lucas
  • João
  • Apresenta-nos o Rei
  • O Servo
  • Filho do Homem
  • O Filho de Deus

As chamadas epístolas gerais de Paulo, embora estejam aparentemente reunidas ao acaso, ao leitor atento elas parecem dar a impressão de que suas mensagens se projetam, de uma para outra, para formar um todo completo, como um belíssimo mosaico:

  • Romanos
  • Coríntios
  • Gálatas
  • Efésios
  • Filipenses
  • Colossenses
  • Tessalonicenses
  • Justificação
  • Santificação
  • Libertação
  • Ressurreição espiritual
  • Satisfação
  • Plenitude
  • Glorificação

As Escrituras revelam a eterna soberania de Deus, cuja mão governa o mundo das alturas do Seu trono exaltado. Do Gênesis ao Apocalipse, da queda da raça às bodas do Cordeiro, Ele tem um único propósito e uma mensagem para Suas criaturas: A vinda de Cristo ao mundo e Sua obra redentora Este é o grande tema unificador da BiÍblia. A partir desta perspectiva, tem-se dito dos dois Testamentos: O NT está escondido no AT, e, inversamente, o AT está revelado no NT. A unidade dos dois Testamentos pode ser vista no fato de que Mateus abre suas páginas como se ele fosse o próximo passo depois daquilo que foi dito no último livro do AT, embora os dois estejam separados por um per íodo de 400 anos.

Outro aspecto extraordinário nas Escrituras é a impressionante unidade de doutrinas. Os grandes temas das Escrituras se desdobram progressivamente, do Gênesis ao Apocalipse, com uma extraordinária coerência e força cumulativa.

1. Temas como: O homem, sua origem e queda; O pecado, seu início e punição subsequente; Satanás, o instigador do mal, mentiroso, pai da mentira e assassino; Israel, seu desenvolvimento social, sua idolatria, preservação e substituição; A Igreja, sua história, seu estabelecimento e vitória final.

2. A salvação e sua provisão, como mencionado: o NT está escondido no AT, enquanto o AT está revelado no NT.

3. Podemos identificar um elo temático entre o AT e o NT, apesar de haver, como vimos, 400 anos entre eles. Malaquias fecha a revelação do AT, com a predição da vinda do Messias e do Seu precursor, no "espírito e poder de Elias" (Ml 3:1-4; 4:5-6), enquanto, Lucas, ao escrever os primeiros fatos do NT, faz referência ao cumprimento desta promessa (Lc 1:16, 17).

4. No primeiro verso, Mateus introduz Cristo como o Filho de Davi, e Filho de Abraão, Herdeiro do trono e de todas as promessas feitas a Israel, desde Gênesis 12.

5. Lucas transporta a genealogia de Jesus até Adão, o homem universal, o pai da raça: "...filho de Adão, o filho de Deus" (Lc 3:38), cobrindo num arco hitórico toda a era da revelação.

6. O elo entre AT e NT é frequentemente reafirmado: Mateus, por exemplo, constantemente refere-se a antigas profecias sendo cumpridas em Cristo (Mt 1:22; 2:5, 15, 17, 23; 3:3, 4:14, etc) de acordo com o plano divino.

7. Temas tais como: Arrepedimento, salvação pela graça, fé, a vida de obediência, a oração, o serviço a Deus etc., são os mesmos no dois Testamentos.

8. Espírito Santo, Aquele que fala, ensina, corrige, exorta, testemunha, apela, intercede, convence... Aquele que está presente na Criação (Gn 1:2), é o mesmo que pronuncia a última oração das Escrituras (Ap. 22:17).

9. Deus, o mesmo para sempre, Sua soberania, Sua eternidade, Sua santidade, onipotência, Sua singularidade, Sua onisciência, onipresença, Sua justiça e amor.

10. Jesus Cristo, o tema por execelência de toda a revelação escrita. Para Ele convergem todos os símbolos, tipos, sombras e profecias... Ele está presente em cada página das Escrituras, na Lei, nos Salmos e nos Profetas, encarnando-Se afinal nas páginas do Novo Testamento.

Tais temas permanecem os mesmos, apenas desdobrados, ampliados e esclarecidos, mas nunca contraditórios ou em conflito.

A questão final é: A quem atribuir tal unidade que corre como um fio de ouro em toda a Bíblia? A quem atribuir sua unidade de visão, estrutura, mensagem e doutrina, apesar dos longos séculos e dos muitos personagens usados como instrumentos para a sua finalização? Para esta pergunta existe apenas uma resposta: Em realidade, as Escrituras tem apenas um Autor, o Espirito Santo. Para Ele, existe apenas uma revelação, uma vez que Ele fala de um único tema. Há apenas uma salvação, anunciada, efetuada e consumada por um único Salvador. A natureza humana permanece a mesma através de todas as eras, suas necessidades, fraquezas e potencial, dependendo sempre da revelação divina. A própria verdade é apenas uma, e não poderia ser diferente!

O leitor superficial pode, às vezes, ficar confuso com a diversidade e multiplicidade das Escrituras. Mas sob a iluminação do Espírito Santo, logo ele se torna consciente da estrutura da revelação e familiarizado com os elementos de conexão entre suas partes, ficará maravilhado com a profunda unidade e coerência de sua mensagem. Então será levado a adorar o Mestre e Soberano da Criação, o Deus dos Profetas, o Pai do Senhor Jesus Cristo, o qual habita no coração dos Testamentos, os liga e autentica. Será levado a adorar o Deus da encarnação, como pregado pelos apóstolos; Rei dos reis e Senhor dos Senhores, Aquele que é, que era e que há de vir. Assim as Escrituras, apresentando em sua unidade as marcas dAquele que a inspirou, desde a sua primeira até a última página, alcançarão o seu propósito final.