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Subsídios Para a Lição da Escola Sabatina
2º Trimestre de 2007


Lição 3 – PROFECIAS BÍBLICAS CUMPRIDAS

Amin A. Rodor Th.D.
Professor de Teologia no UNASP

A profecia como evidência da autenticidade da Bíblia

Uma das evidências mais fortes de que a Bíblia é a Palavra de Deus está nas suas profecias. Ao contrário de qualquer outro livro, a Bíblia oferece considerável quantidade de predições específicas, algumas delas feitas centenas de anos antes do seu cumprimento.

J. Barton Paine, em sua Encyclopedia of Biblical Prophecies (Enciclopédia das Profecias Bíblicas), relaciona 1.817 predições na Bíblia: 1.239 no Antigo Testamento e 578 no Novo Testamento (págs. 674, 675). É claro que, dependendo do método de avaliação, este número pode ser muito maior.

Dezessete dos trinta e nove livros do Antigo Testamento são proféticos, isto sem contar as numerosas predições contidas nos escritos de Moisés e nos Salmos. No Novo Testamento, capítulos inteiros nos evangelhos e muitas passagens nas Epístolas, além de todo o livro do Apocalipse, são devotados à profecia. Portanto, ao nos referirmos às profecias bíblicas, não estamos falando de algumas frases, com sentido dúbio, das quais se pode extrair qualquer significado que se queira, como é o caso dos conhecidos horóscopos.

Isto significa que a Bíblia é um tipo de manual de futurologia? É obvio que não. Como observado anteriormente, o profeta bíblico não é primariamente um vidente, preocupado exclusivamente com o futuro, mas alguém que "fala por Deus," ou "no lugar de Deus" e, na maioria dos casos, falando para o presente.

Contudo, como parte da mensagem bíblica, a antecipação do futuro, em termos de profecias, foi parte da missão profética.

Apenas Deus é onisciente

O argumento da profecia é baseado na onisciência de Deus. Apenas Deus é onisciente e, portanto, apenas Ele é capaz de predizer o futuro. Deus é eterno; o tempo não tem significado direto para Ele. Tanto o amanhã como a eternidade estão diante dos Seus olhos, hoje. Nenhum deus falso, nenhuma outra religião apresenta profecias comparáveis àquelas mencionadas nas Escrituras Sagradas. "Quem anunciou isto desde o princípio, para que possamos saber antecipadamente... para que digamos: É isso mesmo..." (Is 41:26-28).

Adivinhação e mágica, contudo eram prevalecentes no mundo antigo, como hoje, em nosso mundo moderno. Em todas as partes havia oráculos, pitonisas, astrólogos, médiuns, agoureiros e adivinhadores.

Deus havia advertido que os "falsos profetas" seriam reconhecidos pelo fato de que suas predições não se cumpriam (veja o texto clássico de Dt 18:20-22); ou por seus pronunciamentos ambíguos (como as predições de Nostradamus, e astrólogos).

As profecias bíblicas anteciparam significantes eventos, anunciados não apenas muito antes de seu cumprimento, mas com uma precisão absoluta de detalhes, que seria impossível confundir o seu significado. Assim, não é de surpreender que nenhuma profecia bíblica foi provada falsa.

Sem a revelação/inspiração, as profecias não têm nenhuma base válida e, curiosamente, os livros sagrados de religiões humanas não incluem nada semelhante ao que encontramos na Bíblia, em termos de predições.

Peofetas falsos e verdadeiros

Ao falar da existência de falsos profetas, Jesus estava afirmando a existência dos profetas verdadeiros. Em outras palavras, o falso dá testemunho da contrapartida verdadeira. Nunca ouvimos falar de notas falsas de quinze reais; é claro, elas não existem porque não existe a verdadeira nota de quinze reais. Mas sabemos da existência e uso de notas falsas de cinqüenta reais, obviamente, porque o falso é a contrafação do que é real.

Temas proféticos da revelação

Os grandes temas proféticos das Escrituras cobrem uma enorme variedade de eventos:

Os 4 impérios mundiais de Daniel 2

O capítulo 2 de Daniel é considerado o ABC da profecia bíblica, além do fundamento de toda escatologia. O extraordinário cumprimento desta profecia nos sucessivos impérios profetizados: Babilônia, Medo-Pérsia, Grécia e Roma, constitui um dos espetaculares cumprimentos da revelação. Em apenas algumas dezenas de palavras, toda história é coberta. Um a um, cada reino é esboçado em extraordinária síntese. A profecia, então, avança para afirmar que, depois de Roma, o mundo estaria dividido para sempre até o estabelecimento final do Reino de Deus, o próximo "Império Universal."

As profecias Messiânicas

Além de qualquer dúvida razoável, tais profecias anteciparam detalhes quanto ao primeiro advento de Cristo que se cumpriram com absoluta precisão. O evangelho de Mateus, escrito para judeus, utiliza com freqüência o argumento da profecia:

E assim, uma enorme quantidade de detalhes que seria impossível de se cumprirem por mera coincidência. Entre outros:

A entrada triunfal em Jerusalém em um jumento (Zc 9:9; Mt 21:4-5)

O perfeito louvor dos lábios infantis (Sl 8:2; Mt 21:16)

A rejeição da pedra de esquina (Sl 118:22; Mt 21:42)

O Messias a quem Davi chamou de Senhor (Sl 110:1; Mt 22:43-44)

As trinta moedas de prata: preço da traição (Zc 11:12-13; Mt 26:15; 27:3-10)

O templo comparado a um covil de ladrões (Is 56:7; Mt 21:13)

Jesus contado entre os transgressores, (Is 53:7, 9, 12; Mt 26:54, 56; 27:38)

Os insultos em Seu julgamento. Cuspiram-Lhe na face, Ele foi esbofeteado (Is 50:6; 52:14; Mt 26: 67; 27:30; Is 50: 6; 52:14); Vinagre misturado com fel Lhe foi oferecido (Sl 69:2, Mt 27:34; Jo 19:29); Na crucifixão, Seus pés e mãos foram transpassados (Sl 22:16; Mt 27:35); Sorte foi lançada sobre Suas vestes (Sl 22:14-18; Mt 27:35); O Seu brado na cruz (Sl 22:1; Mt 27:46; Seu sepultamento na tumba de um homem rico (Is 53:9; Mt 27:57-60); Sua ressurreição (Sl 16:8-9; Is 53:10; Mt 28:7). As boas novas levadas a todas as nações (Is 49:6; Mt 28:19).

Verdadeiramente, a vida de Jesus foi inseparavelmente unida às profecias. De fato, passo a passo, Sua vida é o cumprimento perfeito daquilo que dEle fora profetizado. Afirma-se que 333 profecias concernentes a Cristo se cumpriram (veja René Pache, The Inspiration and Authority of Scripture [Salem, Wisconsin: Sheffiel Publishing Company, 1992], p. 283). E, de acordo com a lei da probabilidade, haveria uma chance em 83 bilhões para que tais predições se cumprissem, por mera chance, em uma única pessoa. É desnecessário dizer que tal chance, aqui, não existe, e ninguém, senão o Deus onisciente poderia ter predito e agido desta maneira.

O Segundo Advento:

"Virei outra vez..." (Jo 14:1-3). Tal certeza vinda dos próprios lábios de Cristo repousa em Sua autoridade, e é escorada por centenas de outras predições quanto ao Seu retorno. Capítulos inteiros, como Mateus 24, Marcos 13, Lucas 21, além de dois livros completos, Daniel e Apocalipse, são essencialmente dedicados a esse tema dominante na Palavra de Deus. Sobre isto escreveram João, Pedro, Tiago e Paulo, em uma considerável variedade de contextos.

Por ocasião da ascensão de Jesus ao Céu, os próprios anjos afirmaram aos apóstolos que ainda observam atônitos a partida do Mestre: "Varões galileus, por que estais olhando para o céu? Este mesmo Jesus que dentre vós foi recebido em cima no céu, há de vir assim como para o céu o vistes ir" (At 1:11). Nesta breve passagem, além da reafirmação da promessa, temos os aspectos importantes a respeito do seu cumprimento: Jesus voltará de forma visível e literal. Nada secreto ou místico.

CONCLUSÃO: Da mesma forma que Jesus, a Palavra Encarnada, utilizou a profecia como evidência de Sua divindade (veja Jo 13:19 "Digo-vos isto agora, antes que aconteça, para que quando acontecer acrediteis que Eu sou," cf. Jo 14:29), as Escrituras Sagradas, a Palavra Escrita, tem sua origem divina confirmada pelas predições proféticas que nelas encontramos.

Para reflexão: Ellen White não apenas creu na suprema autoridade das Escrituras, mas também na suficiência delas: "A Palavra de Deus é suficiente para iluminar a mente mais anuviada e pode ser entendida por aqueles que têm algum desejo de entendê-la." – Testemunhos para a Igreja, Vol. 5, p. 663.