Este Comentário (completo) também é oferecido com uma formatação mais adequada para imprimir. Use seu processador de textos (de preferência MS/Word). Para leitura em Palm, você tem duas opções: o arquivo doc (padrão) lido pela maioria dos programas de leitura para Palm, e o arquivo em formato iSilo, que mantém as formatações do texto original.

Download do programa iSilo

Download do programa Acrobat Reader

Arquivo para Word

Arquivo para Palm, formato doc

Arquivo para Palm, formato iSilo

Arquivo formato PDF

CasaNet

Subsídios Para a Lição da Escola Sabatina
2º Trimestre de 2007


A BÍBLIA É CONFIÁVEL

Amin A. Rodor Th.D.
Professor de Teologia no UNASP

A confiança é ingrediente fundamental em qualquer relacionamento. Confiar significa aceitar algo ou alguém por aquilo que reivindica ser; agir em fé em relação a tal coisa ou pessoa. Um vendedor, por exemplo, deve confiar no seu produto, antes que possa persuadir outros a adquiri-lo. Relacionamento de confiança é fundamental para a felicidade e estabilidade das pessoas no círculo familiar. Da mesma forma, precisamos confiar na Bíblia antes de aceitá-la como Palavra de Deus. Devemos confiar nas Escrituras Sagradas como Palavra de Deus para submeter nossa obediência aos seus ensinos. Não é suficiente aceitar a Bíblia como boa literatura, ou como uma série de princípios interessantes e até recomendáveis. É necessário crer nela como revelação divina, que deve ser recebida e obedecida.

Não podemos "provar" a Bíblia, uma vez que "provas", dentro da compreensão do método científico, têm que ver com aquilo que se pode observar e repetir. Deste ponto de vista, também não se pode "provar" a História, uma vez que não se pode repetir a História. Contudo, tanto com a História como com a Bíblia, podemos reunir evidências que confirmam sua confiabilidade. Quando estudamos as evidências em relação à Palavra de Deus, para onde as evidências apontam? Cremos que tais evidências confirmam podermos confiar na Bíblia. Isto foi discutido na semana passada ao analisarmos as evidências providas pelas profecias. A lição desta semana discute a confiabilidade das Escrituras, colocando a questão dentro de um contexto mais amplo.

AS EVIDÊNCIAS

Quando os cristãos usam a Bíblia para provar a Bíblia, eles enfrentam a objeção de utilizarem um método de lógica circular. Isto é, para validar as Escrituras, dizem os críticos, seus defensores partem de uma pressuposição como um fato, para provar outra pressuposição, e então, utilizam esta segunda pressuposição estabelecida para provar a pressuposição original. Antes de tratarmos das evidências internas que confirmam nossa confiança na Bíblia como Palavra de Deus, devemos nos lembrar de alguns fatos básicos quanto ao lugar e validade da auto-validação.

Uma das leis básicas da jurisprudência é que cada testemunha é respeitada em seus méritos, a menos que seja desacreditada. Desde os tempos da antiga Roma até o presente, a cada pessoa é permitido apresentar sua própria defesa em um tribunal.

Assim, cada pessoa tem o direito de falar por si. De fato se os homens não fossem mentirosos, enganadores, preconceituosos, limitados e cegos, o seu testemunho acerca deles mesmos deveria ser suficiente em nossa busca da verdade, quando eles estão envolvidos. Não fosse pela mentira, quem melhor do que uma pessoa para falar dela mesma? Jesus, o homem perfeito, disse, em João 8:13 e 14: "Meu testemunho é verdadeiro".

Algumas verdades não poderiam ser conhecidas se aquele que as conhece de primeira mão não desse seu testemunho. Da mesma forma, a Bíblia revela verdades a respeito de Deus que não poderiam ser descobertas por recursos naturais. Para o conhecimento de tais verdades, somos inteiramente dependentes da revelação contida nas Escrituras Sagradas.

Se não pudermos, completa e plenamente, crer naquilo que a Bíblia diz sobre si mesma, não poderemos, então, crer naquilo que ela diz sobre qualquer outra coisa. Se temos que aceitar as Escrituras como nossa suprema regra de fé e entendimento em uma área, devemos de igual forma aceitá-la em outra. Em outras palavras, não podemos corretamente nos voltar para as Escrituras, para o testemunho sobre aquilo que não podemos descobrir por nós mesmos, se não aceitarmos também o que ela testemunha a seu próprio respeito

Se cremos que a Bíblia não apenas diz ser, mas é realmente o Livro de Deus, então, por trás de todos os seus autores humanos, Deus deve ser reconhecido como Seu verdadeiro autor, e Deus não pode mentir. Assim, o testemunho da Bíblia deve ser considerado autoridade decisiva, como a autoridade do próprio Deus.

Quando um homem deseja confirmar o seu testemunho, ele apela para alguém maior do que ele mesmo. Ele jura, então, por Deus. Similarmente, quando Deus deseja tornar o homem seguro de Sua Palavra, Ele confirma por juramento, mas como não há outro maior por quem jurar, Deus jura por Si mesmo (Hb 6:13). Ele então Se torna a garantia da verdade e fidedignidade de Sua Palavra. Isto, de forma suprema, ilustra a validade da auto-validação, como um principio legítimo em qualquer reino de atividade e conhecimento.

É impossível conseguir endosso ou confirmação das afirmações bíblicas apelando-se para uma autoridade maior. Assim, se a Bíblia é de Deus, e, portanto, possui autoridade suprema entre os homens naquilo que afirma, ela não pode ser outra coisa senão auto-comprobatória. A verdade é estabelecida com base naquilo que ela diz, em lugar de o ser com base naquilo que outros dizem a respeito dela, ou em crítica a ela. Calvino reconheceu isto ao perguntar: "Como sabemos que a Bíblia é a Palavra de Deus? Não é perguntando aos concílios, ou à tradição ou à Igreja". De forma retórica, então ele pergunta: ‘Como sabemos que o açúcar é açúcar ou que o sal é sal?’ – Provando."

Assim, com suprema autoridade, Deus, em Trindade, fala nas infalíveis palavras das Escrituras, confirmadas para aqueles que crêem, pelo testemunho da vida de Cristo, a Palavra encarnada de Deus, e no presente, pelo continuo testemunho e iluminação do Espírito Santo. Se Jesus, o próprio Deus entre nós, aceitou a autoridade e testemunho das Escrituras, dependeu delas e submeteu-Se a elas, de que outra forma poderiam viver os Seus discípulos?

O ANTIGO TESTAMENTO

Como já discutido anteriormente, os escritores da Bíblia atribuíram ao próprio Deus aquilo que escreveram. Através das páginas do Antigo Testamento, encontramos Deus falando diretamente às pessoas. Os Dez Mandamentos iniciam com a afirmação: "Então, falou Deus todas estas palavras" (Êx. 20:1). Posteriormente o povo apelou a Moisés: "Fala-nos tu, e te ouviremos; porém não fale Deus conosco, para que não morramos" (Êx 20:19). É claro que, inúmeras vezes, a narrativa bíblica apresenta Deus falando, distinta e claramente. Exemplos semelhantes são encontrados por todo o Antigo Testamento (por exemplo, Gn 1, 3, 12, 15, 17, 18), que se centralizam em apresentar comunicação direta entre Deus e as pessoas que Ele escolheu como Seus instrumentos. Os próprios episódios de apostasia de Israel são visto como falha em ouvir a voz de Deus.

Aquilo que é comunicado pelos profetas, como já mencionado, é visto como sendo originado em Deus. Daí as expressões tão comuns: "Assim diz o Senhor", refletindo a fórmula do decreto-real, freqüentemente usado no Oriente antigo para introduzir as palavras de um rei ao seus vassalos (veja Is 36–37). Tudo que era dito pelo profeta, em nome de Deus, era originado no próprio Deus.

Os autores do Antigo Testamento nunca se vêm como contando "estórias" com uma mensagem teológica. Realmente, história e teologia, não podem ser separadas. Assim, nas narrativas bíblicas, encontramos história e teologia combinados inseparavelmente.

O Salmo 105, por exemplo, reafirma a história das pragas no Egito (Êx 7–12); O Salmo 106 celebra o evento histórico da divisão das águas do Mar Vermelho. Isaías 28:21 e 1 Reis 16:34 afirmam, respectivamente, a historicidade da batalha de Gibeom e a queda dos muros de Jericó.

Portanto, as palavras das Escrituras são únicas e completas em autoridade. Autoridade além de qualquer "aperfeiçoamento" que os homens possam fazer. De fato Deuteronômio 4:12 e 12:32 proíbe acrescentar ou subtrair qualquer coisa à Palavra. O Salmo 12:6 diz que as palavras do Senhor são "puras... prata refinada... depurada sete vezes". O quadro é de algo absoluto em sua perfeição, totalmente isento de imperfeições. Textos semelhantes são encontrados ainda em Sl 18:30; 119:140; Pv 30:5; Sl 119:89.

O Salmo 119:160 afirma que "as Tuas palavras são em tudo verdade desde o princípio, e cada um dos Teus justos juízos dura para sempre", significando que a Palavra de Deus é verdade eterna. Como o próprio Deus, Sua Palavra revelada é imutável, de geração em geração. Provérbios 8:8 declara a mesma verdade em forma negativa: "São justas as tuas palavras, não há nelas nenhuma coisa torta, nem perversa."

Assim, no Antigo Testamento encontramos uma clara consciência quanto à absoluta confiabilidade das Escrituras.

O NOVO TESTAMENTO

Também, como já mencionado, o Novo Testamento trata o Antigo Testamento como a Palavra de Deus.

Para Cristo, bem como para os apóstolos, as Escrituras Hebraicas do Antigo Testamento não eram apenas algo inspirado no passado. Através dela, Deus fala ainda hoje. Por quarenta vezes, de acordo com R. Nicole, as citações do Antigo Testamento são introduzidas com o verbo no tempo presente: "Deus diz" em lugar de "Ele disse".

Por outro lado, Deus ou o Espírito Santo são vistos como o autor divino, como em Atos 1:16: "Irmãos covinha que se cumprisse a Escritura que o Espírito Santo proferiu anteriormente, por boca de Davi, acerca de Judas, que foi o guia daqueles que prenderam Jesus".

Quando quer que qualquer o escritor do Novo Testamento deseje apresentar um argumento final, ele apela para o Antigo Testamento. Qualquer alusão ao Antigo Testamento, na carta aos Hebreus, 1 Pedro ou Apocalipse, por exemplo, os quais são notáveis pelo numero de citações do Antigo Testamento, demonstram uma absoluta confiança e total aceitação dele como Palavra de Deus. Para Jesus, cada jota ou til (as menores unidades das Escrituras Hebraicas), são expressões de autoridade. Já mencionamos anteriormente uma enorme quantidade de fatos e narrativas do Antigo Testamento que são vistos como verdades históricas, tanto por Jesus como pelos autores do Novo Testamento.

Por outro lado, convém perguntar qual a compreensão que o Novo Testamento tem de si mesmo?

Em várias circunstâncias, temos no Novo Testamento o mesmo senso de inspiração que encontramos no Antigo Testamento. Não encontramos nas epístolas muitas citações de Jesus, mas aquelas que encontramos são significativas. E nestes textos, especialmente Paulo, de forma consciente, constrói sobre os ensinos de Jesus e lhes dá o status de igualdade com o Antigo Testamento. Veja 1 Tessalonicenses, uma das primeiras, se não a primeira carta de Paulo (dependendo da data de Gálatas). Muitos crêem que 2:14-16 contém alusões a Mateus 23:29-38; especialmente em referência ao assassínio dos profetas, a colheita desses atos e a vinda da ira de Deus. Mais explicito ainda é 4:13–5:11, seção que trata do retorno de Cristo. Em 4:15, Paulo diz que isso está "de acordo com a própria palavra do Senhor". E toda a passagem reflete o discurso no Monte das Oliveiras (Marcos 13 e os paralelos). Em Romanos, embora não encontremos citações diretas de Jesus, há varias alusões a Seus ensinos (ex. 12:14 e 17; 13:7-9; 14:10 e 14; 16:19). Em 1 Coríntios, por três vezes Paulo cita Jesus: 7:10 (dito contra o divórcio). 9:14, uma alusão a Lucas 10:7. Finalmente 11:12-25, uma alusão a Lucas 22:19-20. Claramente, Paulo utiliza os ensinos de Jesus como autoridade para aquilo que ele diz, em vários casos. Veja a declaração de 1 Timóteo 5:18, alusão a Lucas 10:7.

Em outras circunstâncias, Paulo atribui o que diz ao Espírito Santo: 1 Coríntios 7:40.

O Novo Testamento é construído sobre o fenômeno da revelação. Gl 1:11 e 12: O evangelho não é uma compilação de sentimentos pessoais ou a reflexão acerca de determinado evento. 2Ts 2:15: "Assim, pois irmãos, permanecei firmes, e conservai os ensinos que vos foram transmitidos, seja por palavra, seja por epístola nossa". O termo ensino, ou tradições, é o vocábulo grego paradosis, que significa corpo de ensinos, proclamado pelos apóstolos, pela palavra oral ou escrita. Aqui, vemos o mesmo modelo do Antigo Testamento sendo realizado.

Os apóstolos esperavam que seus escritos fosse lidos: 1Ts 5:27: "Conjuro-vos que esta epístola seja lida" Por quê? Porque aquilo que eles transmitiram era reconhecido como revelação.

Cl 4:16: "Providenciai por que seja também lida na igreja dos laodicenses"

2Ts 3:14: "Caso alguém não preste obediência à nossa palavra dada por esta epístola, notai-o; nem vos associeis com ele" Aqui vemos que os próprios limites da comunhão cristã eram determinados pela aceitação da carta de Paulo. Aquele que rejeitava essa carta não poderia mais ser considerado cristão.

Assim, a reação aos escritos dos autores do Novo Testamento foi a medida, exatamente como no Antigo Testamento, o "Assim diz o Senhor," determinava a Origem do que fora escrito, e a rejeição disto equivalia à rejeição do próprio Deus.

1Co 14:37: "Reconheça ser mandamento do Senhor o que vos escrevo".

Mais claramente ainda, o conceito de revelação é indicado no livro do Apocalipse:

Ap 1:1; 17:17; 19:9; 21:5; 22:6, 9. O livro é descrito como uma obra de profecia (Ap l:3; 22:18); Em Ap 21:5, temos a ordem: "Escreve... estas palavras são fiéis e verdadeiras"... O Espírito é reconhecido falando através do livro (2:7, 11, 17, 29; 3:6,13, 22, 19). ."Bem aventurado o que lê...". E, finalmente, em 22:18, a recomendação solene contra acrescer ou subtrair algo desta profecia.

EVIDÊNCIA INTERNA I e II

A ressurreição de Jesus é vista não apenas como a evidência principal de que Jesus era quem afirmava ser, Deus encarnado, mas uma evidência da exclusividade e fidedignidade das Escrituras.

A ressurreição de Jesus é algo absolutamente fora do reino natural das coisas. Realmente, ninguém conceberia ou inventaria uma história desta natureza.

Jesus mesmo profetizou Sua ressurreição: Mt 12:21; Mc 8:31; Lc 9:22; Jo 2:19-21. O sinal da ressurreição (Mt 12:39 e 40), coloca Jesus Cristo a milhões de anos luz de distância de todos os demais lideres religiosos. Sua ressurreição é igualada apenas por Sua entrada no mundo, através por meio do nascimento virginal.

De acordo com todo o capítulo 15 de 1 Coríntios, a ressurreição de Jesus é a base da fé cristã. De fato, o cristianismo permanece de pé ou cai com a ressurreição de Cristo. Se Ele não ressuscitou, é vã a nossa fé, permanecemos ainda em nossos pecados, não temos nenhum sermão para pregar, e absolutamente nada no que basear a nossa fé (1Co 15:13-14, 17).

As narrativas dos aparecimentos de Cristo estão registradas por testemunhas oculares, a quem Jesus apareceu vivo, por um período de 40 dias, depois de Sua crucifixão pública. De acordo com o próprio testemunho das Escrituras, "a estes também, depois de ter padecido, Se apresentou vivo, com muitas provas incontestáveis, aparecendo-lhes durante quarenta dias e falando das coisas concernentes ao reino de Deus". A linguagem desse texto é quase redundante: "provas incontestáveis".

Escrevendo ao redor do 56 d.C., o apóstolo Paulo menciona o fato de que mais de 500 pessoas haviam testemunhado a ressurreição de Cristo, muitos dos quais ainda estavam vivos quando ele escreveu (1Co 15:6). Tal afirmação pode ser considerada como um tipo de desafio àqueles que não criam, uma vez que Paulo estava dizendo que havia muitas pessoas ainda vivendo naquele tempo, que poderiam ser entrevistadas. Mas Paulo, o brilhante rabino convertido, treinado em todas as ciências rabínicas, que antes havia rejeitado o cristianismo precisamente por essa idéia fantástica da morte e ressurreição do Messias, afirma que "Cristo morreu... foi sepultado... e ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras; e apareceu a Pedro, e depois aos doze, Depois, foi visto por mais de quinhentos. Depois, foi visto por Tiago, e mais tarde por todos os apóstolos, e afinal depois de todos, foi visto também por mim".

Os evangelhos são unânimes em afirmar a ressurreição, com uma enorme variedade de testemunhas oculares.

A aparição a Maria Madalena (Jo 20:10-18) é um sinal inquestionável da autenticidade do registro. Em uma cultura dominada pelos homens, o registro de que Jesus aparecesse primeiro a uma mulher é forte uma sugestão de autenticidade. Na cultura judaica do primeiro século, alguém que inventasse o relato da ressurreição jamais teria feito essa abordagem, uma vez que o testemunho de uma mulher não era sequer aceito em um tribunal. Se a história fosse inventada, a narrativa teria dito que Jesus aparecera primeiro a um homem.

Maria Madalena viu Cristo com os seus olhos naturais: "Ela voltou e viu Jesus, ali, em pé" (Jo 20:14). O verbo viu (theoreo) é uma palavra normal para ver a olho nu (cf. Mc 3:11; 5:15; At 3:16; Mt 27:55; Jo 6:19). Maria também ouviu Jesus (v. 15, 16). A visão física, ligada à audição física, é evidência significativa da natureza material do que foi visto e ouvido. Maria ainda tocou no corpo do Cristo ressurreto (v. 17). "Não Me segure", Jesus lhe disse. O verbo segurar (aptomai), é um termo normal para descrever o toque físico de um corpo material.

Jesus apareceu a outras mulheres (Mt 28:1-10).

As mulheres viram o túmulo vazio, onde o corpo de Jesus permanecera (Mc 16:6).

Frank Morrison, jornalista agnóstico, tentou escrever um livro refutando a ressurreição de Cristo. Depois de muita investigação, mudou sua opinião e escreveu o livro que, segundo ele, "nunca deveria ter sido escrito": Who Moved the Stone? (Quem removeu a Pedra?). Morris descobriu que Jesus foi publicamente colocado na sepultura na sexta-feira, no domingo, pela manhã, o Seu corpo havia desaparecido. Se Ele não ressuscitou dos mortos, então alguém teria roubado Seu corpo. Então, Morris analisa com lógica irrefutável, que três grupos poderiam ter feito isso: Os romanos, os judeus ou os discípulos.

Os romanos não teriam nenhuma razão para roubar o corpo de Cristo, uma vez que eles queriam manter a paz na Palestina. O desaparecimento do corpo apenas teria piorado a situação e causado uma comoção em Jerusalém. De fato, foi para evitar isso que o selo romano foi colocado na pedra que pesava uma tonelada e meia, e uma guarda da maior máquina militar dos tempos, destacada precisamente para garantir que nada dessa natureza acontecesse.

O segundo grupo seriam os judeus... Mas isto seria a última coisa que eles desejariam. Foram precisamente eles que pediram a guarda romana, de acordo com Mateus 27. Se eles tivessem roubado o corpo de Cristo, seria fácil produzir um desfile do corpo pelas ruas de Jerusalém e abafar o tumulto.

Finalmente, o terceiro grupo, os discípulos. Os discípulos teriam uma razão para roubar o corpo de Cristo. Mas vários fatores devem ser analisados: o grupo estava devastado, escondido e amedrontado. Além disso, alguns nem creram na ressurreição (Mt 28:17) quando ouviram falar dela pela primeira vez, e mesmo quando O viram. Além do mais, e essa é uma grande evidência, quase todos os apóstolos foram mais tarde martirizados por suas convicções. Se eles tivessem roubado o corpo de Cristo, por que dariam a vida por aquilo que sabiam ser uma mentira? De fato, a transformação na vida dos discípulos, como registrada no livro de Atos, só pode ser explicada pela ressurreição de Cristo. Algo extraordinário aconteceu para transformar aqueles homens.

Os discípulos de Jesus podem não ter sido tão sofisticadas como o homem do século 21 no reino do conhecimento científico, mas eles certamente sabiam a diferença entre alguém que estava morto e alguém que estava vivo. Como Pedro testemunhou mais tarde, "Porque não vos demos a conhecer o poder e a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo, seguindo fábulas artificialmente inventadas, mas nós mesmos fomos testemunhas oculares de Sua majestade"(2Pe 1:16).

O testemunho das Escrituras quanto às narrativas da ressurreição apresenta um tipo de harmonia que desacredita qualquer teoria de "conspiração", isto é, que os discípulos tenham combinado entre eles para divulgar que Cristo tivesse ressuscitado. As narrativas e os testemunhos são independentes, mas todos os outros eventos se encaixam nesta lista geral da seguinte forma:

 

Mt

Mc

Lc

Jo

At

1Co

1.Maria Madalena

 

X

 

X

   

2.Maria e mulheres

X

X

       

3.Pedro

     

X

 

X

4.Dois discípulos

 

X

 

X

   

5.Dez apóstolos

   

X

X

   

6.Onze apóstolos

     

X

   

7.Sete apóstolos

     

X

   

8.Todos os apóstolos (Grande Comissão)

X

X

X

   

X

9.Quinhentos irmãos

         

X

10.Tiago

         

X

11.Todos os apóstolos (Ascensão)

X

     

X

 

12.Paulo

       

X

X

Um estudo cuidadoso das narrativas do Novo Testamento quanto à ressurreição de Jesus é suficiente para desacreditar as teorias que têm sido propostas para explicar, do ponto de vista naturalista, o desaparecimento do corpo de Jesus:

1. Que o corpo tenha sido furtado: Por quem? Como já vimos, não encontramos nenhuma alternativa provável.

2. Que Jesus realmente não morreu: Tal teoria enfrenta sérios obstáculos: a precisão macabra dos romanos em assegurar a morte dos seus condenados à cruz é uma delas. A lança que feriu o coração de Jesus, do qual saiu "água" e sangue, é evidência médica do óbito.

3. Que as mulheres tenham ido à sepultura errada: Essa teoria, proposta por Kirsopp Lake, assume que as mulheres erraram a sepultura onde Jesus estava. Neste caso, os discípulos também erraram a sepultura quando foram verificar o testemunho das mulheres. Isso poderia ter sido facilmente resolvido pelas autoridades judaicas, fazendo um desfile do corpo.

4. Que os discípulos tenham sofrido de alucinação: Tal teoria não é sustentada pelos princípios psicológicos que governam as aparências em alucinações; essa teoria exigiria alucinações coletivas, de muitas pessoas, em diferentes lugares e circunstâncias. Tome, por exemplo, Paulo, uma testemunha do aparecimento de Jesus, que inicialmente era hostil à possibilidade. Além disso, se este foi o caso, novamente, um desfile do corpo em Jerusalém seria o suficiente para desacreditar tais "alucinações".

Por outro lado, as evidências positivas são surpreendentes quanto à autenticidade dos registro do Novo Testamento, algumas das quais já mencionadas, indicando que a ressurreição é um fato. O Dr. Thomas Arnold, erudito autor do famoso History of Rome, observa: "Por muitos anos, tenho estado familiarizado com o estudo de histórias de outros períodos e examinado e pesado as evidências daqueles que escreveram acerca delas, e não conheço nenhum outro fato na história da humanidade, provada por melhores e mais amplas evidências de todos os tipos para a compreensão de um pesquisador honesto, do que o grande sinal que Deus nos deu: que Cristo morreu e ressuscitou dos mortos."

Brooke Foss Wescott, erudito britânico, diz: "Enumerando-se todas as evidências juntas, não é exagero dizer que não há nenhum incidente histórico melhor ou mais diversamente sustentado que a ressurreição de Cristo. Nada, a não ser uma pressuposição de que ela deve ser falsa, poderia sugerir que a noção é deficiente em prova."

Clark Pinnock, teólogo canadense, observa: "Não existe nenhum documento vindo do mundo antigo, testemunhado por tão excelente grupo de testemunhos históricos e textuais... O ceticismo referente às credencias históricas do cristianismo é baseado sobre um preconceito irracional."

F.F. Bruce, renomado erudito bíblico, indica: "Se o Novo Testamento fosse uma coleção de escritos seculares, a autenticidade deles seria, de modo geral, considerada além de toda a dúvida." Os manuscritos mais antigos registram precisamente as mesmas narrativas que temos em nossa Bíblia hoje.

C.S. Lewis, o brilhante professor de Literatura e Crítica Literária, na Universidade de Cambridge, inicialmente um agnóstico, mas convertido à fé cristã (Lewis também iniciou estudando os evangelhos sob um ponto-de-vista crítico, com o fim de desacreditá-los; o resultado, contudo, foi outro livro: Surprised by Joy – Surpreendido pela Alegria), concluiu que em nenhuma outra religião havia "tal coisa como as reivindicações históricas do cristianismo". Seu conhecimento de literatura o forçou a tratar as narrativas dos Evangelhos, inclusive as narrativas da ressurreição, como relatos confiáveis. "Eu era, agora, um especialista em crítica literária para considerar os Evangelhos como mito", diz ele. Compelido pelas evidências da autenticidade do registros dos Evangelhos, Lewis escreveu em palavras comoventes, descrevendo sua conversão:

"Você deve imagina-me sozinho, naquele quarto em Magdelen (Inglaterra), noite após noite, sentindo, quando minha mente se levantava por mesmo um segundo do meu trabalho, a constante e perturbadora presença dEle (Jesus Cristo), a quem eu tão zelosamente desejara não encontrar. Aquilo que eu tanto temera, finalmente acontecera comigo. Em 1929, finalmente admiti que Deus era Deus, ajoelhei-me e orei... Talvez, nessa noite, eu fossse o mais prostrado e relutante converso de toda a Inglaterra." (em Josh McDowell, A Ready Defense, p 218.