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CasaNet

Subsídios Para a Lição da Escola Sabatina
4º Trimestre de 2007


Calor Extremo

Willian Oliveira
Pastor e psicólogo
Dir. do Ministério da Família da Associação Bahia
willianwo@hotmail.com


“Todavia, ao Senhor agradou moê-Lo, fazendo-O enfermar; quando der Ele a Sua alma como oferta pelo pecado, verá a Sua posteridade e prolongará os Seus dias; e a vontade do Senhor prosperará nas Suas mãos” (Is 53:10).

O aquecimento global tem preenchido as páginas dos jornais nos últimos tempos. O perigo que o aumento da temperatura do planeta representa para a vida tem produzido uma série de indagações acerca da forma como temos nos comportado em relação aos cuidados com o meio-ambiente. A situação extrema em que nos encontramos exige mudanças extremas nas relações industriais e econômicas e no estilo de vida das pessoas.

Em geral, longe das grandes dificuldades, permanecemos tranqüilos e nos acomodamos à rotina da vida. Parece que está tudo bem e dizemos: “Por que mudar? Afinal, tudo está em ordem!” Isto se chama “zona de conforto”. É uma acomodação que, em geral, é negativa. Quando nos permitimos ser dominados pela rotina e pelo formalismo, os relacionamentos sofrem, a vida espiritual enfraquece, no trabalho já não há desafios... É como o estado da igreja de Laodicéia, em mornidão. Assim, certa dose de estresse parece ser necessária para nos fazer entender que há algo a melhorar, que nossos relacionamentos (com Deus e com nossos queridos) podem se desenvolver. É preciso procurar novos desafios na vida estudantil e profissional. De fato, não fomos criados para viver em um mundo como este, dominado pelo mal e suas nefastas conseqüências. A mornidão laodiceana não era e não é o plano de Deus para Seus filhos. É no contexto da carta de Deus a essa igreja morna que João escreve em Apocalipse: “Eu repreendo e disciplino a quantos amo” (Ap 3:19). As situações de provação extrema pelas quais passamos podem ter um tremendo poder transformador em nossa vida a fim de descobrir e cumprir o propósito de Deus para nós.

Segundo Isaías 53:10, Jesus foi a uma situação extrema e a enfrentou por amor à humanidade. A enfermidade aí descrita pode ser compreendida como uma reação de estresse profundo. Basta lembrar o relato do quadro de sofrimento no Getsêmani e na crucifixão. E Jesus foi capaz de vencer toda essa situação. Acredito que podemos aprender algumas lições com nosso Salvador em como lidar com o estresse quando ele vai além da motivação de buscarmos algo melhor e se torna sofrimento.

O que é estresse?

A todo instante, estamos nos adaptando ao mundo que nos cerca. As exigências que estão à nossa volta se renovam a cada instante, e temos a tendência de agir buscando o equilíbrio. Assim, se estamos com sede, tomamos água; se estamos com sono, dormimos; se estamos incomodados por um problema financeiro, tentaremos solucioná-lo; se estamos nos sentindo sozinhos, procuramos alguém que preencha tal lacuna, e assim por diante. Jesus Se apresentou como aquele que é capaz de satisfazer essas necessidades. “Buscai, pois, em primeiro lugar, o Seu reino [do Pai] e a Sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas” (Mt 6:33). Com Cristo, reencontramos o equilíbrio que perdemos com o pecado, mas continuamos a viver em um mundo desequilibrado que, por vezes, nos apresenta situações extremas, resultantes das nossas próprias ações, ou da ação de outros. Quando isso acontece, chega um momento em que somos incapazes de responder a essas dificuldades e então, surge o estresse em sua forma negativa.

O médico canadense Hans Selye, criador da moderna conceituação de estresse, disse o seguinte em 1988: “o estresse é o resultado do homem criar uma civilização que ele, o próprio homem, não mais consegue suportar”.

Há pelo menos três categorias de acontecimentos estressantes:

a) Eventos que impõem a uma pessoa grandes exigências à capacidade de enfrentamento e ocorrem com pouca freqüência, como, por exemplo, a morte de um ente querido, a perda de um emprego, ser aprisionado, etc.

b) Pequenos acontecimentos estressantes, chamados de problemas do cotidiano, constituem a segunda categoria e acontecem com maior frequência na vida das pessoas.

c) Os conflitos contínuos da vida: repetidos problemas de casais, desemprego prolongado, dificuldade de educar os filhos etc.

Que princípios Jesus nos ensina a fim de enfrentarmos o estresse?

É claro que cada pessoa enfrenta essas situações de forma diferente e com níveis maiores ou menores de sofrimento. Jesus deixou alguns princípios que podem nos ajudar a enfrentar essas situações extremas.

1. Princípio de identificação: Preciso saber quem sou. Ele sabia quem era. Ele diz: “Eu sou a luz do mundo... sou [o Filho de Deus]... Eu sou o caminho, a verdade, e a vida... Eu sou o pão da vida...” (Jo 8:12; Mc 14:62; Jo 14:6; Jo 6:35, NVI). Se você não sabe quem é, se não tem resolvida a questão de identidade, outras pessoas determinarão isso para você. E elas o colocarão em uma caixa, e o moldarão, vão apertá-lo e vão fazê-lo conformar-se à imagem que elas desejam que você seja.

2. O Princípio de dedicação: Não apenas sei quem sou, mas devo saber a quem estou tentando agradar. A segunda causa de estresse na vida das pessoas é quando você está tentando agradar a todas as pessoas e, obviamente, você não consegue fazer isso. Pois, no momento em que você agrada a um grupo, o outro grupo fica aborrecido com você. Para que seja feliz, você não tem que ser amado por todo mundo, mas apenas saber a quem agradar e resolver essa questão. Com Jesus, esse era um assunto resolvido. Em João 5:30 (NVI), Ele diz: “Não procuro fazer a Minha própria vontade, mas a vontade daquele que Me enviou.”

3. Princípio de priorização: Significa saber o que estou tentando realizar. Você não tem tempo para todas as coisas. Então, tem que saber o que você quer fazer. Na vida, você será guiado por prioridades ou por pressões. “Sei de onde vim e para onde vou” (Jo 8:14 NVI).

4. Princípio de concentração: Nós o vemos de maneira tão bonita na vida de Cristo: Concentrar no que é importante. “Marta, porém, estava ocupada com muito serviço... Respondeu o Senhor: ‘Marta! Marta! Você está preocupada e inquieta com muitas coisas [isso descreve alguns de vocês? Você está preocupado e pensando em muitas coisas?]; todavia apenas uma é necessária’” (Lc 10:40-42, NVI). Jesus está dizendo: “Concentre-se em seu relacionamento comigo e em Minhas promessas.

5. Princípio de delegação: Deixar que outras pessoas me ajudem. Ficamos estressados porque pensamos que temos que fazer tudo sozinhos. Marcos 3:14 (NVI) diz: “[Jesus] escolheu doze, designando-os apóstolos, para que estivessem com Ele, e os enviasse a pregar.” Ele envolveu outras pessoas no ministério.

6. Princípio de meditação: Fazer da oração um hábito. Oração é uma grande aliviadora de estresse. “Mas as notícias a respeito de Jesus se espalhavam ainda mais, e muita gente vinha para ouvi-Lo e para ser curada... porém Jesus ia para lugares desertos e orava” (Lc 5:15-16, NTLH). Se Jesus sentia necessidade de estar sozinho para orar, certamente devemos fazer isso também.

7. Princípio de descontração: Tembém o vemos na vida de Jesus: Tomar tempo para aproveitar a vida. Descanso e recreação não são perda de tempo. Habitualmente, Jesus teve momentos de folga. “Havia ali tanta gente, chegando e saindo, que Jesus e os apóstolos não tinham tempo nem para comer [não sei se eu poderia ser um discípulo nessas condições]. Então, Ele lhes disse: ‘Venham! Vamos sozinhos para um lugar deserto a fim de descansar um pouco” (Mc 6:31, NTLH).

Reinold Bilboard, teólogo protestante muito famoso da 1ª metade do século XX, criou o que ele chamou de A oração da serenidade. Ela resume todas as maneiras de lidar com o estresse. Diz simplesmente:

“Senhor, dá-me a serenidade de aceitar as coisas que não posso mudar, força para mudar naquilo que posso e a sabedoria para saber a diferença entre uma coisa e outra.”

I. Abraão no Crisol (Gn 22)

Abraão construiu a vida em torno de seu filho, antes mesmo que este nascesse. Desde o primeiro chamado, esse patriarca sabia que o Senhor tinha um plano em sua vida que se prolongaria além de sua existência. Ele exigia continuidade, um filho que continuasse sua obra inconclusa. É desejo dos pais que os filhos consigam ir além de suas próprias realizações. No caso de Abraão, havia uma promessa de Deus. A obra de Abraão não terminaria em seus dias. Ele seria pai de uma grande nação em que todas as outras nações seriam abençoadas. E isso demandava um filho. Quando a promessa de Deus se demorou em cumprir (ter um filho), Abraão e Sara chegaram mesmo a tentar dar uma “ajuda” para Deus, gerando Ismael.

Mais tarde, o filho da promessa veio! A primeira dura escolha de Abraão foi quando teve que retirar Ismael de seu convívio. Acredito que esse tenha sido um golpe doloroso! Um pai mandar um filho embora do seu lar, escolher entre um e outro. Mas essa era uma pequena prova diante da que estava por vir.

Deus pediu que Abraão levasse seu filho para ser apresentado em sacrifício ao Senhor. Essa não era uma linguagem estranha para aquele homem. As nações pagãs pelas quais Abraão passara mantinham o hábito de sacrificar o primogênito, entregando-o aos deuses. Penso no dilema pelo qual passava Abraão. Já havia retirado do seu convívio o primeiro filho, e agora, teria que matar o segundo! Uma característica interessante é que os deuses pagãos exigiam apenas o primogênito. Isaque era o primogênito de Sara, mas não de Abraão. Mas este era o filho da promessa para Deus, e Ele o queria para si. Abraão precisava lembrar que aquele rapaz era do Senhor. Abraão era o fiel depositário daquela vida, e dela deveria dar conta a Deus. O filho não deve ser alguém que cumpra os propósitos do pai, mas de Deus. Antes de pertencer a Abraão, Isaque pertencia a Deus. Se o pai tem algum direito sobre o filho, Deus tem muito mais.

Para que criamos nossos filhos? Para cumprir nossos propósitos ou o plano de Deus?

Existem pais que desejam determinar a carreira profissional e, se possível, querem continuar a tomar as decisões que os filhos deveriam estar aprendendo a fazer, poupando-lhes grande sofrimento e frustração quando estes pais lhes faltarem. Antes de se preocuparem com as decisões estudantis, profissionais ou mesmo relacionais e religiosas de seus filhos, os pais devem se ocupar em ensinar-lhes os princípios da verdade que os nortearão em tais decisões.

Abraão nos ensina que precisamos assumir o desconforto do calor quando se persegue um propósito maior. O desconforto é superado pelo propósito que buscamos. Se desejarmos fazer uma trilha na natureza, o calor, os insetos, o terreno rude, farão parte do trajeto até chegarmos às cachoeiras e rios que nos refrescarão.

“Seres celestiais foram testemunhas daquela cena em que a fé de Abraão e a submissão de Isaque foram provadas. A prova foi muito mais severa do que aquela a que Adão havia sido submetido. A conformação com a proibição imposta aos nossos primeiros pais não envolvia sofrimentos. Mas a ordem dada a Abraão exigia o mais angustioso sacrifício. O Céu inteiro contemplava com espanto e admiração a estrita obediência de Abraão. O Céu todo aplaudiu sua fidelidade. As acusações de Satanás demonstraram-se falsas. Deus declarou a Seu servo: ‘Agora sei que temes a Deus [a despeito das acusações de Satanás], e não Me negaste o teu filho, o teu único.’ O concerto de Deus, confirmado a Abraão por um juramento perante os seres de outros mundos, testificou que a obediência será recompensada” (Ellen G. White, Patriarcas e Profetas, p. 155).

II. O Israel desobediente (Os 2:1-12)

Por diversas ocasiões, o povo de Israel fora infiel a Deus, e um ciclo se repetia desde a história dos juízes: o povo se afastava de Deus, mais tarde experimentava algum sofrimento e, nessa hora, o povo clamava a Deus, e este suscitava um libertador. Talvez até nos perguntemos: “Por que Deus insistiu tanto com um povo que Lhe era tão rebelde?”

A história de Oséias e seu ministério profético ilustra bem essa gangorra em que viviam os israelitas. Deus usou diversos meios para trazê-los para perto de Si, assim como Oséias o fez com sua mulher:

Amor incondicional (Os 1:2). Em primeiro lugar, os outros elementos só fazem sentido porque Oséias deveria amar a esposa, apesar do caráter que possuía já quando Oseías a conheceu. Ele não foi surpreendido por um mau casamento. Ele sabia exatamente com quem se casava.

Repreensão (Os 2:2). O uso de palavras que apontem a conduta apropriada e ao mesmo tempo nos avise do erro.

Ameaça (Os 2:3-4). As conseqüências do ato foram apresentadas. Se o procedimento permanecer, conseqüências virão. O grande problema é quando simplesmente perdemos a paciência sem indicar o que pode acontecer diante da desobediência.

Cerco (Os 2:5-7). Outra forma de proteger do pecado é construir um “muro” de proteção em volta dos filhos. Por exemplo, existem filtros de conteúdo que podem manter os filhos longe de muito “lixo” que circula na internet.

Punição (Os 2:8-9). O mau procedimento também pode fazer com que certas ações que aconteceriam em seu favor sejam retiradas, caso a pessoa insista no pecado.

Exposição pública (Os 2:10). Chega um momento em que a situação já não permite que algum assunto se mantenha na esfera privada. Quando chega a esse nível, é muito doloroso. Não gostamos da exposição pública, e as leis modernas protegem aqueles que se sentem ofendidos quando alguma situação, mesmo que verdadeira, é levada a público e que causa qualquer dano em sua vida social. Mas, em alguns casos, quando o pecado está extremamente arraigado, é na exposição pública que nos damos conta da real magnitude dos nossos atos e do quanto precisamos mudar.

A lição que Israel aprendeu com a experiência de Oséias é que o desconforto do calor produz ação, mudança. Deus pretende que nos afastemos do pecado. Em muitos casos, é o único meio pelo qual reconhecemos nossas faltas e voltamos para Deus.

“O tempo que precedeu o cativeiro das dez tribos de Israel foi de uma desobediência similar e similar impiedade. A lei de Deus era contada como de nenhuma importância, e isto abriu as comportas da iniqüidade sobre Israel. ‘O Senhor tem uma contenda com os habitantes da Terra’, declarou Oséias, ‘porque não há verdade, nem benignidade, nem conhecimento de Deus na Terra. Só prevalecem o perjurar, e o mentir, e o adulterar, e há homicídios sobre homicídios’ (Os 4:1 e 2)” (Ellen G. White, Profetas e Reis, p. 297).

III. Sobrevivendo pela adoração (Jó 1:6-2:10)

Jó manteve um comportamento coerente com suas crenças, mesmo diante da provação. Após as perdas que enfrentou, ele adorou a Deus (Jó 1:20 e 21). E continuou a adorar a Deus mesmo enquanto pior ficava seu estado. Jó não permanecia ao lado de Deus por simples capricho, porque tudo estava bem para si e para seus amados. Isto acontecia porque havia uma concordância entre seus atos e o que acreditava no íntimo do seu ser. Ele era dirigido por um grande senso de propósito na vida.

Não enfrentaremos a provação com base apenas em uma religião de conveniência: “Senhor me ajuda, e eu continuo do Teu lado”, “faze isso ou aquilo e eu não Te abandonarei”. Esta é uma relação com Deus que está em alta nos dias atuais. Queremos um Deus que atenda às nossas necessidades, mas sem compromissos de obediência radical. Neste caso, a provação é entendida apenas da ótica da maldição, da falta de fé e assim por diante. A prosperidade é a única forma de comprovar a bênção divina.

Quando Jó foi mais abençoado, em seu tempo de bonança ou na sua provação?

Foi somente após resistir ao seu período de provação que aconteceu uma experiência fantástica: o próprio Deus Se revelou a Jó e conversou com ele (Jó 38:1), diretamente com ele! “Depois disto, o Senhor, do meio de um redemoinho respondeu a Jó”. É claro que a multiplicação do que possuía primeiramente, antes de seu tormento, era algo importante, que poderia revelar seu estado restaurado à sua comunidade de amigos, mas falar com Deus era algo extraordinário. As maiores dádivas que obteve não poderiam, jamais, se comparar a este prêmio. Fico pensando nos amigos que acompanharam o sofrimento de Jó, que exigiram uma confissão de pecado por parte deste. Eles presenciaram o próprio Deus Se interessando em responder pessoalmente ao Seu servo fiel. Se a restauração de sua vida familiar, financeira e social falava do amor de Jó por Deus e vice-versa, os relatos dos amigos que presenciaram toda a trajetória de Jó, sua queda e ascensão, ainda falavam do dia em que ouviram Deus respondendo a um simples homem.

Foi na adoração que Jó manteve de forma consistente e sistemática que ele encontrou resistência para enfrentar seus piores dias. Na adoração ele encontrou uma proteção adquirida ao calor da provação – o filtro solar do cristão.

IV. Sobrevivendo na esperança (2Co 11:23-29)

Costumo comparar o capítulo 11 de 2 Coríntios ao livro de Jó do Novo Testamento. De vez em quando, ouço alguém dizer que, ao aceitar o Evangelho, sua vida “só andou para trás”. Ou “é uma provação atrás da outra”. Estas são frases ditas com sinceridade por novos na fé que partem de um coração que, em geral, ainda não está maduro para compreender muitos dos aspectos da vida cristã, especialmente o sofrimento. O apóstolo Paulo tinha tudo para ser um desses. Leia 2 Coríntios 11:23-29 e verifique a lista de situações que ele enfrentou desde que aceitara o evangelho. Desde que teve que fugir dentro de um cesto, em Damasco, para não ser morto, até sua prisão e martírio em Roma, sua vida esteve marcada por situações extremas.

Ele era um conceituado fariseu, um homem honrado em sua sociedade. Tinha o status de cidadão romano, o que lhe dava grandes privilégios em termos de direitos e sua liberdade no Império Romano. Tinha bom conhecimento, adquirido ao longo de anos de discipulado aos pés de Gamaliel e era portador uma fé rígida. Parecia que a ele nada faltava, tudo estava bem. Mas desde o encontro com Cristo sua vida mudou.

O que manteve Paulo de pé, mesmo em face à provação? O que pode nos defender do calor extremo das grandes crises de nossa vida?

Paulo era dirigido por um profundo senso de propósito. Mesmo na provação, continuava firme em sua missão. “Por meio da prisão de Paulo, o evangelho foi difundido, e pessoas ganhas para Cristo no próprio palácio dos Césares. Pelos esforços de Satanás para a destruir, a ‘incorruptível’ semente da Palavra de Deus, ‘viva e que permanece para sempre’ (1 Pe 1:23), é semeada no coração dos homens; mediante o sofrimento e a perseguição de Seus filhos, o nome de Cristo é magnificado, e muitos são salvos” (Ellen G. White, O Maior Discurso de Cristo, p. 34).

Em geral, quando as situações adversas aparecem e se prolongam, começamos a temer quanto ao futuro. A ansiedade se instala em nossa vida e começamos a duvidar que em algum momento as coisas possam melhorar. Então, desistimos de tudo. Parece que os problemas do presente nos impedem de enxergar que nosso futuro possa oferecer algo melhor. As angústias do presente impedem que enxerguemos alguma perspectiva de futuro. Isso acontece com muitos casamentos, quando os problemas freqüentes no presente nos fazem pensar que não há mais solução para o relacionamento, e que o futuro será apenas o prolongamento das agonias atuais.

O calor exige uma fonte. O Sol é a nossa maior fonte de calor. E não é bom que voltemos os olhos diretamente para ele. Sem proteção, nossa visão pode ser prejudicada. As pessoas que trabalham em siderurgia utilizam de proteção nos olhos e no corpo a fim de evitar ferimentos e seqüelas que possam incapacitar para o trabalho. Trabalhar em alta temperatura é uma condição extrema que exige proteção adicional.

Quando olhamos apenas as provações do presente, perdemos o foco daquilo que é primordial, a glória futura. A certeza da vitória final, conquistada por Cristo era o que dava forças a Paulo e é o que deve nos alentar a prosseguir, mesmo em face dos problemas presentes, porque a vitória futura já está assegurada. A questão passa a ser vista de outra forma: não é o problema presente que inviabiliza o futuro, mas é a esperança futura que dá forças para vencer as dificuldades do presente. A esperança é como óculos de proteção para a nossa visão contra os efeitos da fonte de calor. Mantém a visão correta e perfeita.

V. Calor extremo (Is 43:1-7)

Isaías apresenta algumas características interessantes sobre o cuidado do Senhor sobre o Seu povo:

1. Deus Se relaciona conosco pessoalmente. Ele Se apresenta como quem criou Jacó, quem formou Israel. Mais do que vindicar algum direito e posse, o Senhor está demonstrando o nível de interesse que tem nos Seus filhos, na atualidade: “Se sois de Cristo, também sois descendentes de Abraão e herdeiros segundo a promessa” (Gl 3:29). “Visto que foste precioso aos Meus olhos, digno de honra, e Eu te amei...” (Is 43:4).

2. A certeza da redenção deve afastar o temor de nossa vida. Como diz Jesus: “Estas coisas vos tenho dito para que tenhais paz em Mim” (Jo 16:33).

3. Deus pretende destruir o pecado, e não o ser humano. Só enfrentaremos a destruição se estivermos apegados a pecados não confessados. É a nossa insistência em manter-nos conectados ao pecado que nos distancia de Deus, e portanto, da vida. “Mas as vossas iniqüidades fazem separação entre vós e o vosso Deus...” (Is 59:2).

4. Ele quer nos reunir. Outro aspecto importante é que Deus quer congregar Seus filhos, reuni-los em torno de Si. A comunidade está no coração de Deus. É Ele quem reúne seu povo em torno de Si. O cabeça da igreja é Cristo. (1Co 12:27).

Dinâmica Sugestiva

Material: Uma pequena caixa que pode ser coberta por desenhos para simular um forno. Pedaços de papéis retangulares (2 X 7 cm), em duas cores: branco e vermelho. Cada aluno da classe receberá um papel de cada cor.

No papel vermelho, o aluno deve escrever um pecado a vencer, um defeito a ser corrigido ou um problema que está enfrentando. No papel branco, uma característica que gostaria de melhorar em seu caráter ou um dom que gostaria de desenvolver.

À medida que escreverem nos papéis, convide-os a colocá-los no “forno”. Na conclusão, convide-os a retirar os papéis, mas somente os brancos. Eles não precisam se preocupar em retirar o seu próprio papel. Indique que os papéis vermelhos devem ser “queimados” no forno e não mais lembrados. A seguir, peça que leiam o conteúdo do papel branco. Pergunte quantos desejam desenvolver essas características. A partir desse dia, faça-os ver que mesmo as provações podem ser ocasiões para que tais qualidades sejam acrescidas, e os pecados, deixados de lado. Convide-os a orar para que desenvolvam essas boas características na vida e que, pelo poder do Senhor, abandonem seus pecados, defeitos e problemas, deixando-os no forno divino da purificação.