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Subsídios Para a Lição da Escola Sabatina |
Lutando com toda a energia |
Willian Oliveira
Pastor e psicólogo
Dir. do Ministério da Família da Associação Bahia
willianwo@hotmail.com
“Para isso é que eu também me afadigo, esforçando-me o mais possível, segundo a Sua eficácia que opera eficientemente em mim” (Cl 1:29).
Vivemos em uma sociedade em que parece vigorar a lei do menor esfor-ço, todavia, a experiência que tenho é a de que também nunca as pessoas estiveram tão predispostas à fadiga. Parece que a mínima dificuldade é suficiente para cansar. Segundo o dicionário, na física, a fadiga é a carac-terística que descreve a “diminuição gradual da resistência de um material por efeito de solicitações repetidas”. Já na medicina, se refere à “condição em que um indivíduo acusa crescente desconforto e decrescente capacida-de física e/ou mental, decorrendo ambos de atividade prolongada ou ex-cessiva para a sua capacidade de tolerância”. Há duas formas de colocar alguém ou algo em fadiga: 1. Exigir desse material uma carga de trabalho repetitivo além da sua capacidade de tolerância. 2. Diminuir a tolerância da pessoa ou objeto.
Em nossos dias, o inimigo parece ter encontrado sucesso nas duas direções na vida de muitos. A correria das grandes cidades, as novas tecnolo-gias (mantendo-nos ligados ao trabalho por muito mais tempo), a solidão (nunca vivemos com tantas pessoas ao redor e, ao mesmo tempo, tão dis-tantes de nós), a fragilidade e fugacidade dos relacionamentos, a inversão de valores (o que tenho está à frente do que sou), são características de uma sociedade que adoece seus membros. Por outro lado, as facilidades e a pressa dos nossos dias nos tornaram mais impacientes, desinteressados, alienados e pouco motivados a enfrentar aquilo que dê muito trabalho.
Assim, parece que as palavras de Paulo vão na contramão do que deseja-mos: mais por menos. Na jornada cristã há um esforço a ser empreendido, o qual deve alcançar todos os aspectos da existência. Quando aceitamos a Cristo, deve ocorrer uma transformação em nossa vida, e isso não ocorre de forma passiva. Há a necessidade de dedicação pessoal, de interesse em mudar, crescer e se desenvolver. Mesmo durante as provações, nossa rela-ção com Cristo deve nos “constranger”, nos motivar a tal atividade.
O que posso fazer para desenvolver o caráter segundo a vontade de Deus para mim?
I. O Espírito de Verdade – Jo 16:5-15
O ministério de Cristo estava perto do fim. Eram as últimas horas com Seus discípulos. Logo em seguida, eles passariam pelo vale da dúvida e do temor. Neste contexto, foi somente em Seu último discurso que Jesus apresentou aos discípulos o ministério do Espírito Santo. O apóstolo João foi o único escritor bíblico que utilizou a palavra paracletos – advogado, intercessor, consolador, confortador – quatro vezes para o Espírito Santo e uma para Cristo. Nos tempos bíblicos, a idéia de advogado era um tanto diferente dos nossos dias. O advogado de defesa também era o juiz. Quando o juiz assumia a causa, também dizia que aquela pessoa estava sendo assistida em sua petição. Bastava lembrar a insistência com que uma viúva pedia ao juiz que considerasse a sua causa (Lc 18:3-5). Ela precisava de um advogado que se recusava a atendê-la e, somente por sua insistência tal aconteceu. Em João 14:16, Jesus prometeu enviar o Espírito Santo. Alguém da mesma natureza que a Sua assistiria os discípulos. Ele sabia que os discípulos se sentiriam desamparados, mas eles jamais estariam sozinhos.
Como posso descrever a obra do Espírito Santo em nosso favor?
Conforme apresentada em João, a obra do Espírito Santo se resume em duas palavras: ensino e missão. Ambas implicam, como veremos, em um convencimento, uma impressão consciente de que há uma necessidade de mudança:
O Espírito impressiona nossa consciência quanto a nós mesmos, mas tam-bém quanto à necessidade de sermos cooperadores de Deus. A transformação que Ele exerce em nós deve ser um elemento que impressione as pessoas que compartilham a vida conosco. Deve servir de manifestação do que o poder de Deus pode realizar na vida humana.
Por isso, o trabalho do Espírito Santo não é apenas intelectivo, mas expe-riencial. Ele nos guia a uma experiência transformadora, fundamentada no nosso relacionamento com Deus. Quando se fala que Ele nos guia a toda a verdade, isto não pode ser entendido apenas como sendo o conhecimento da doutrina verdadeira, mas no próprio relacionamento com a Verdade (Jo 14:6). Quando se fala do que há de vir, não podemos apenas pensar nos conteúdos proféticos que aprendemos, mas, essencialmente, encontrar esperança diante das provações e força para testemunhar diante do pouco tempo que resta e da grande obra a realizar.
Segundo Paulo, o fruto do Espírito, na vida do cristão, é descrito em Gá-latas 5:22-23. Abandonamos o que é da carne e passamos a exercitar o autocontrole, a bondade, a paciência, o amor, a perseverança e assim por diante. Ele não é descrito em termos de conhecimentos que adquirimos, mas pelas características que tal conhecimento é capaz de produzir em nossa vida.
II. A combinação Divino-humana Cl 1:28-29
Em geral, queremos os benfícios da salvação sem as mudanças que isso pode implicar em nossa vida. E esse é um grande equívoco. Nosso relaci-onamento com Cristo deve produzir mudança em nossa vida. Não falo aqui apenas das proibições exteriores, daqueles que cumprem as regras, simplesmente porque são membros de uma igreja, como o fazia o jovem rico em seu formalismo religioso.
Por outro lado, tão réprobos quanto este grupo são aqueles que, em nome da justificação pela fé ou salvação pela graça, acham que nenhuma mu-dança é necessária. “Siga sua vida, fazendo as mesmas coisas, desde que freqüente sistematicamente a igreja...” De fato, nosso relacionamento com Deus deve produzir frutos. A questão não é o que minha igreja proíbe. Se este fosse o caso, era só escolher uma ou outra igreja, segundo a conveni-ência pessoal. Quando aceito a Cristo, devo estar disposto a tomar deci-sões ao lado de Cristo. Se Ele diz que devo fazer isso ou deixar aquilo, faço-o porque já experimentei a salvação nEle e não porque isso ou aquilo é melhor para mim ou para minha família.
Em que devo dedicar meu esforço a fim de desenvolver um melhor rela-cionamento com Deus?
III. A vontade disciplinada – 1Pe 1:13
Deus nos criou com um coração que tem desejos (Sl 37:5). Temos sentimentos que são expressos pelas emoções. Estas dão cor à vida, são uma forma de responder ao ambiente, preparando-nos para a ação. As emoções básicas (que dão origem às demais) são: ira, alegria, medo, afeto e solidariedade. Em si, elas são neutras, mas, para muitos que simples-mente não conseguem se dominar têm sido a origem de sofrimento para si e para os outros (na família, no trabalho ou na igreja). Segundo a Bíblia, perder o equilíbrio emocional não é saudável. Ficar desgostoso e amargu-rado é loucura, é falta de juízo que leva à morte (Jó 5:2). Com sua raiva, você está ferindo a si próprio (Jó 18.4). A emoção, em si, não é pecado. Aliás, deve ser manifesta de forma sadia, com sinceridade e racionalidade. “A verdadeira grandeza do homem é medida pela força dos sentimentos que ele domina, e não pelos sentimentos que o dominam” (Patriarcas e Profetas, p. 568). Ter domínio próprio é fazer com que os sentimentos bons sejam fortalecidos e canalizados para que possam ser aperfeiçoados. As dificuldades para se lidar com as emoções podem aparecer de três formas:
Descontrole emocional. A manutenção de um descontrole emocional (a mágoa, a ira ou de um estado de stress crônico) provoca um desgaste do corpo, pode levar à culpa devido a decisões irrefletidas e atos impensados, tomados no momento da explosão emocional. Pode também produzir sofrimento para si e para os outros. Muitos não percebem que acabam ferindo as pessoas que estão ao seu redor. A Bíblia está cheia de exemplos de pessoas que, não sabendo lidar com as emoções, provocaram proble-mas para si e para os outros. Muitos foram mortos por conta da ira de Paulo, que respirava ameaças de morte contra os cristãos (At 9:1). Após a morte de Cristo, Maria se deixou dominar pela tristeza e foi incapaz de reconhecê-Lo ao seu lado. As lágrimas a cegaram (Jo 20:13 e 14). Pela alegria de Herodes, durante uma festa, sua sobrinha o fez tomar uma deci-são de morte contra João Batista (Mt 14:6-8). Pelo medo, Pedro negou Jesus (Lc 22:54-62). Pelo afeto, os cristãos de Corinto eram solidários com pessoas em pecado aberto e os mantinham na comunhão, mesmo provocando opróbrio contra a causa de Deus (1Co 5:1, 2). E hoje não é diferente!
Incapacidade de expressão emocional. É uma desordem que sofre em distinto grau uma de cada dez pessoas. Ela empobrece de diversas formas a vida, as relações e a saúde. A impossibilidade de lidar com as situações da vida, como a morte de um familiar, uma demissão ou luto, faz com que a pessoa desenvolva doenças desde úlceras e gastrite, até artrites reuma-tóides, lúpus, vasculitis ou nefrite. Ela pode ser relacionada com as toxi-comanias e transtornos alimentícios, como a anorexia e a bulimia, e tam-bém dificulta a convivência e é causa de muitos conflitos e rupturas con-jugais.
Dificuldade para lidar com as emoções dos outros. Isso pode ocorrer por duas formas: falta de percepção ou por não saber o que fazer quando se está na presença de alguém que esteja dominado pela emoção.
Como posso manter meus sentimentos sob controle?
“Por isso, cingindo o vosso entendimento, sede sóbrios e esperai inteira-mente na graça que vos está sendo trazida na revelação de Jesus Cristo” (1Pe 1:13). Pedro afirma que a mente deve estar no controle da nossa vida. Há algumas atitudes que podemos tomar por nós mesmos a fim de alcançar tal objetivo:
IV. Compromisso radical – Mt 5:29
“Se o teu olho direito te faz tropeçar, arranca-o e lança-o de ti; pois te convém que se perca um dos teus membros, e não seja todo o teu corpo lançado no inferno”.
Estas são palavras que realmente chocam à primeira vista. É um desafio radical, mas necessário. É claro que precisamos compreender as palavras de Jesus. Ele está afirmando que precisamos nos separar daquilo que nos conduz ao pecado e à separação com Deus. De fato, ao considerarmos mais profundamente, não é o corpo que nos faz pecar, mas os pensamen-tos, que podem ser estimulados por algo ou alguém em nosso ambiente imediato. Ou seja, a fim de vencer o pecado, devemos ser cirúrgicos em evitar as influências do ambiente a que estamos sujeitos. Se o fato de você ir a algum lugar ou estar com certos amigos lhe motiva a pecar, está na hora de tomar uma decisão sobre isso. Quanto mais cortarmos os vínculos com o pecado, mais distantes dele estaremos.
E isto é especialmente importante para aqueles que estão dando seus pri-meiros passos na fé. “Quando é apresentada diante deles a clara e pene-trante verdade bíblica, ela vai diretamente de encontro aos longamente acariciados desejos e hábitos arraigados. Sentem-se convictos, e é então, especialmente, que necessitam de seus conselhos, sua animação e orações. Muitas pessoas preciosas vacilam por algum tempo, tomando depois sua atitude ao lado do erro, em virtude de não terem recebido, a seu tempo, esse cuidado pessoal” (Evangelismo, p. 424, 425).
“A pessoa recém-convertida, sustenta muitas vezes lutas tremendas com hábitos arraigados ou tentações especiais e, se sucede ser vencida por uma paixão ou uma de suas inclinações mais fortes, incorre naturalmente na culpa de imprudência ou real injustiça. Nessas circunstâncias é preciso que os irmãos desenvolvam energia, tato e sabedoria, a fim de ser-lhe restituída a saúde espiritual” (Testemunhos Seletos, p. 247).
Por outro lado, precisamos aprender a lidar com o desejo. Desejamos coisas realmente necessárias e coisas que nos são impostas, especialmente pela mídia. Já não sabemos a diferença entre coisas básicas e coisas supér-fluas. O consumismo de nossos dias criou uma série de “necessidades”, bem como de comportamentos inadequados ao cristão. Como dizia Paulo: “Todas as coisas são lícitas, mas nem todas convêm; todas são lícitas, mas nem todas edificam” (1Co 10:23). O maior problema é quando um desejo se torna um vício, um hábito arraigado de que não se consegue despren-der. Mas o Senhor é capaz de libertar-nos. “E conhecereis a verdade e a verdade vos libertará” (Jo 8:32).
V. A necessidade de perseverar Gn 32
A história de Jacó lutando com Deus é boa ilustração do significado da perseverança. Jacó lutou por toda a vida para ser respeitado. Ele tinha um nome que já o levava a uma posição de suspeição. Afinal, quem gostaria de se associar com alguém que era chamado de usurpador (alguém que toma o que não é seu)? O pai privilegiava Esaú. Ele sentia-se menospre-zado. Lutou pela primogenitura e conseguiu apenas o ódio do irmão, a fuga da casa dos pais e o distanciamento destes por vinte e um anos. Na casa de Labão foi enganado por diversas vezes. O usurpador era constan-temente vítima da própria sina. Na noite de sua luta com Deus, lá estava Jacó, um guerreiro que não desistia. Mas ali venceu quando tudo parecia uma grande derrota. Ao contrário das outras ocasiões em que obteve algo, como a primogenitura, as esposas e os bens que conquistou, sua perseve-rança gerou-lhe um problema físico. Mas foi diante dessa situação menos provável que foi abençoado com a mudança de nome e a promessa de Deus. Daí para a frente, seu grande desafio seria o de fazer jus ao novo nome.
Como podemos manter e desenvolver as mudanças que o evangelho reali-za em nossa vida?
Um dos maiores desafios de qualquer processo de mudança é permanecer na mudança. Um exemplo bem comum são as promessas de início de ano. Certa vez, um conhecido meu afirmou que o livro da Bíblia que ele mais havia lido era Gênesis, porque todo ano ele começava o ano bíblico por esse livro e parava por aí mesmo.
É preciso permitir que os novos hábitos se solidifiquem e se cristalizem até se tornarem rotineiros em nossa vida. Se, antes, agíamos de determi-nada forma com nosso cônjuge e, depois, conseguimos encontrar uma forma menos agressiva de lidar com a situação, é também preciso estar atento para que o antigo costume errado não se levante.
Para tanto, é importante que haja um processo de ressignificação da vida. Os valores precisam ser reescritos, nossas prioridades precisam ser revis-tas, evitando cair nos mesmos erros do passado.
Todavia, isto não significa que recaídas não acontecerão. No entantgo, com paciência e esforço, essas recaídas diminuirão de frequência. E as-sim, gradualmente, pelas experiências de vitória, e mesmo com os erros, vamos encontrando a esperança de um futuro ainda melhor para a vida.
Precisamos também aprender a lidar com as circunstâncias. Devemos fazer tudo o que estiver ao nosso alcance, ainda que isto envolva sacrifí-cio, para mudar aquelas que nós podemos transformar. Quanto àquelas que não podemos alterar, temos que aprender a conviver com elas, para que não nos dominem. Adaptar-se não é aceitar de modo passivo as ad-versidades, mas saber que elas existem, mudá-las logo, mudá-las quando for possível e viver apesar delas.
Tribulações poderão surgir na forma de pequenos tropeços, mas persista. A vitória já está assegurada!
Dinâmica sugestiva
Material: Separe alguns pedaços de barbante finos o suficiente para se-rem partidos com as mãos (Você precisará de 7 pedaços de barbante de 20 cm para cada aluno que fizer o experimento). Se a corda que você esco-lheu for muito frágil, coloque mais barbantes entrelaçados a fim de difi-cultar o trabalho do aluno em romper a corda.
Desenvolvimento: Peça que um ou dois alunos sejam voluntários em um experimento. Os demais deverão observar a fim de fazerem suas conside-rações. Entregue a cada um deles um pedaço de 20 cm de barbante. A seguir, peça para que rompam este barbante com o uso das mãos. (Espera-se que não haja dificuldade para fazer esta tarefa). A seguir, ofereça os outros 6 pedaços de barbante entrelaçados entre si. Peça para que tentem agora romper os 6 barbantes de uma vez. Agora eles oferecerão mais re-sistência e não se conseguirá realizar o intento.
Perguntas: O que isto nos ensina sobre o processo de fortalecimento da vontade?
Como podemos aplicar esta ilustração sobre a necessidade de cuidar da-queles que nascem na fé e precisam lidar com grandes mudanças na vida?
Quais ssão os barbantes que fortalecem nossa vontade tornando-a uma corda mais difícil de romper-se?
Prossiga com a discussão da lição.