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Vendo o Invisível |
Willian Oliveira
Pastor e psicólogo
Dir. do Ministério da Família da Associação Bahia
willianwo@hotmail.com
“Pela fé, ele [Moisés] abandonou o Egito, não ficando amedrontado com a cólera do rei; antes, permaneceu firme como quem vê aquele que é invisível” (Hb 11:27).
Há um elemento acerca da revelação de Deus que pouco é discutido nos meios teológicos. Em geral, nos detemos em um dos lados da questão, a saber, o do comunicador, que é Deus. Queremos saber tudo sobre o con-teúdo de Sua mensagem, desejamos esmiuçar os modelos de como Deus entra em contato conosco, as diferenças entre inspiração, revelação e ilu-minação, as diferenças entre revelação geral e revelação especial, e tantos outros temas. Damos pouca ou nenhuma atenção ao outro lado da revela-ção: o receptor da mensagem: o homem. Parece estranho levantar esta questão, mas pensemos: para que se complete a revelação, Deus tomou a iniciativa de Se comunicar com o homem: a vontade divina é expressa em linguagem humana, e o homem, por sua vez, deve compreender essa von-tade divina e cumpri-la.
A revelação é necessária para que o Ser infinito entre em contato com o homem finito, o Eterno com o homem mortal, o Onipotente com o ser em falta (aquele que tudo pode com o que necessita de tudo), o Onisciente com o ser em aprendizado (aquele que tudo conhece com o que tudo aprende), o Onipresente com o ser em constante movimento (o que está presente em todo lugar e o que está em constante deslocamento/movimento).
De fato, o processo revelativo sempre começa em Deus, por uma razão básica: nós fomos desconectados dEle em virtude do pecado. No Éden, nossos pais tinham comunicação direta com Deus. Mantinham contato diário com Ele no jardim (Gn 3:8), mas, naquele fatídico dia em que o pe-cado foi concebido, eles simplesmente se esconderam de Deus. O pecado nos separa dEle. O ser humano passou a se esconder de Deus e Sua presen-ça nos fulmina por causa dos nossos pecados. A partir de então, Deus foi sempre quem tomou a atitude de Se apresentar ao homem caído por meio de atos e palavras, de tal modo que Sua vontade e Seu caráter fossem ex-pressos ao ser humano, naquilo que é necessário para que fosse cumprido Seu plano de restauração da humanidade e deste mundo.
Para que isto aconteça, há alguns aspectos:
Deus fala e age em favor da salvação do ser humano. “Havendo Deus, outrora, falado, muitas vezes e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, nestes últimos dias, nos falou pelo Filho, a quem constituiu herdeiro de todas as coisas, pelo qual também fez o Universo” (Hb 1:1-2). O Senhor Se utiliza de uma multiplicidade de meios para falar ao homem a respeito de Seu plano.
Ações e palavras divinas têm finalidade salvífica. “O qual deseja que todos os homens sejam salvos...” (1Tm 2:4). O propósito de Deus em re-velar-Se ao homem é demonstrar-lhe Seu desejo de salvá-lo. A revelação só tem sentido quando colocamos o foco na salvação do gênero humano. Ele não é um Deus que quer apenas Se comunicar com o ser humano; Ele quer resgatá-lo.
Deus quer que o homem compreenda Sua vontade. “O qual deseja que todos os homens... cheguem ao pleno conhecimento da verdade” (1Tm 2:4). O fato é que Deus Se comunica com o homem e, para que isso ocorra, Ele precisa Se tornar compreendido pelo ser humano. Parece simples, mas lembre-se de que, em muitas ocasiões, é muito difícil a comunicação, e facilmente surgem os mal-entendidos, mesmo entre familiares.
A fé é resultado do conhecimento da revelação. “De sorte que a fé é pelo ouvir, e o ouvir pela Palavra de Deus” (Rm 10:17). Ao entrarmos em contato com a Palavra de Deus, expressa nas Escrituras, na vida de Jesus (o Verbo, conforme João) e nos atos de Deus pelo Seu povo, desenvolvere-mos a fé. Desse modo, é o conhecimento experiencial de Deus, a intimida-de com Ele e Sua palavra que são capazes de manter o ser humano conec-tado com Ele, mesmo em face às maiores provações que enfrentamos ao longo da vida.
O indivíduo se comporta da maneira que foi ensinado e por aquilo em que se demoram seus pensamentos. “Finalmente, irmãos, tudo o que é ver-dadeiro, tudo o que é respeitável, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se alguma virtude há e se algum louvor existe, seja isso o que ocupe o vosso pensamento.” (Fp 4:8). O modo como iremos lidar com as situações de nossa vida tem relação direta com os valores e regras estabelecidos para nossa vida. Somos capa-zes de controlar nosso comportamento, realizando o que consideramos certo ou deixando de fazer o que consideramos errado, a partir de estímulos verbais (nossos princípios, valores e regras expressos em palavras).
É a Palavra de Deus, é a ação do Verbo de Deus, que nos mantêm firmes, mesmo em face aos crisóis da vida. “Pela fé, ele [Moisés] abando-nou o Egito, não ficando amedrontado com a cólera do rei; antes, permane-ceu firme como quem vê aquele que é invisível” (Hb 11:27). Moisés aprendeu de Deus, contemplou os atos de Deus, mas, acima de tudo, apren-deu a confiar em Deus, e isso lhe dava segurança, mesmo em face dos mai-ores desafios. A revelação de Deus alimenta o crente e lhe dá força para vencer todo percalço.
I. A extravagância do nosso Pai (Rm 8:28-39)
“Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o Seu propósito” (Rm 8:28). Muitos utilizam este verso para dizer que as coisas que acontecem na nossa vida são da vontade de Deus porque cooperam para nosso próprio bem. Assim, entendem que estão confortando o coração sofredor. Este é um grande engano. Na realidade, o apóstolo Paulo tinha a plena certeza de que Deus poderia tomar as situações que acontecem na vida do crente, mesmo as resultantes de decisões equivocadas ou de ataques do inimigo, e revertê-las para seu bem. E isto se fundamenta em dois aspectos:
O amor a Deus. O amor de Deus por nós (Rm 5:8) deve produzir uma resposta em nós. O desejo de Deus em salvar-nos deve produzir em nós o desejo de ser salvos por Ele. Seu amor por nós é incondicional, mas Ele também pretende que amemos estar em Sua presença; afinal, Ele não obri-gará ninguém a viver em Sua presença se assim não desejar.
A aceitação do chamado de Deus para viver segundo Seu propósito. Muitos ficam tão preocupados em realizar seus planos pessoais e, quando estes não saem exatamente como desejam ou no tempo que pensam ser o ideal, ficam frustrados, perplexos e confusos. Podemos ter a certeza de que Deus guiará nossos passos a todo instante da nossa vida. Mesmo quando nossos planos não se tornam exatamente a realidade que nos cerca, isso não quer dizer que Deus não esteja presente, mas que precisamos da direção de Deus. Avançaremos nesta segurança, mesmo pelos caminhos que, talvez, jamais teríamos pensado.
De que modo a presença de Deus pode nos dar conforto e força para vencermos as provações da vida?
Deus nos amou de forma radical. Ele foi capaz de amar até a morte. Poucos de nós somos auto-motivados para o sacrifício. Muitos são capazes de abrir mão de algumas coisas para evitar conflitos. Há aqueles que vão além: não exteriorizam seus incômodos, mas ficam no íntimo pensando em como as pessoas são más e aproveitadoras. O Pai simplesmente ofereceu Seu Filho por amor a nós e o Filho a Si mesmo Se ofereceu para nos salvar. Quando passamos pelo sofrimento, nos tornamos co-participantes dos so-frimentos de Cristo.
Deus nos predestinou para a salvação. Ele deseja que todos nos sal-vemos, mas, como seres dotados de livre-arbítrio, podemos escolher ou não o destino que Ele nos oferece em Cristo. As situações da vida surgem e passam, mas a promessa do Senhor permanece. A esperança no nosso des-tino final nos dá forças para suportar a jornada pelo deserto.
Deus nos chamou. Onde estávamos ou quem éramos quando Ele nos chamou? Com certeza, alguns de nós vivíamos uma condição ímpar, uma prisão terrível em vícios e hábitos impuros. Outros, ainda que tivessem alguma coisa ou fossem equilibrados, sentiam um grande vazio. Outros, ainda, viviam as dores de alguma rejeição ou trauma familiar. Acredito que muitos de nós, ao olhar para trás e nos defrontar com quem éramos, vería-mos a nós mesmos como indignos do caminho em que hoje vivemos. A verdade é que Ele nos chamou como estávamos para nos elevar à altura do que Ele planeja para nós.
Deus nos declarou justos. Quando aceitamos a Cristo, Ele nos reveste com Sua justiça. Assim como Ele tomou nossos pecados sobre Si, Ele nos reveste com Sua justiça.
Deus nos glorificou. Não nascemos em berço real. De fato, nascemos em pecado. Ele nos glorifica e coloca nossa vida em um novo patamar. Diante das situações mais probantes, Ele ainda é capaz de honrar-nos como Seus filhos.
II. Em nome de Jesus (Jo 14:1-14)
Quando estamos passando por dificuldades, além de poder contar com a direção de Deus e saber que, pela fé, Ele fará com que as coisas se aco-modem em nosso favor (lembrando que isto não implica necessariamente em uma vida mais fácil, mas um direcionamento para a nossa salvação), podemos ainda contar com a oração. Uma das formas de lidar com nossas dificuldades é saber que Ele responde às nossas petições, quando as faze-mos em nome de Cristo.
O que deve significar orar em nome de Cristo?
Precisamos nos revestir de Cristo. Quando O aceitamos, além de ser-mos revestidos da justiça de Cristo, encontramos um canal aberto para nos comunicar com Deus. É através da oração que expressamos nossa vontade, a qual deve ser um reflexo da presença de Cristo em nós. Lembre-se: preci-samos nos revestir de Cristo. Em geral, queremos coisas de Deus, mas não queremos nos revestir dAquele que nos traz novamente em relação com Deus.
Nosso intercessor é Cristo. Muitos entendem que nossos pecados nos separam de Deus, portanto, visto que somos muito pecadores, precisamos do auxílio de pessoas mais santificadas que nós para que Ele nos ouça. Esse é um equívoco. Ele nos amou ainda quando éramos pecadores! De fato, não foi Deus que Se afastou do homem pecador, mas foi este que dEle se es-condeu (Gn 3:8). Nossa oração deve ser em nome de Cristo. É Ele quem restabelece nosso diálogo com os Céus.
O Pai equivale os pedidos de Cristo aos pedidos em nome de Cristo. Assim como Ele respondeu ao Filho, também responderá para nós. Jesus estava em constante comunicação com o Pai através da oração. E nós? Se Jesus, o Filho de Deus, tomava tempo em comunicação com o Pai, quanto nós mesmos devemos dedicar do nosso tempo para o mesmo fim? Jesus orava, pedia, mas sempre confiava na vontade do Pai. Isso não significa que tudo que desejamos, iremos obter. O próprio Jesus orou para que aquele cálice de dor se afastasse dEle, mas confirmou Seu desejo de ver estabelecida a vontade do Pai para Ele. Portanto, temos a confiança de que obteremos tudo de que precisamos.
Em nome de Cristo realizaremos grandes coisas. Ele poderá fazer grandes coisas por nós e através de nós, se procurarmos realizar grandes coisas para Ele. Em vez de simplesmente pedir aquilo que seja de Sua vontade, que tal orar para que a vontade de Deus se cumpra em sua vida?
“Orar em nome de Jesus, porém, é mais do que simplesmente mencio-nar Seu nome no começo e no fim da oração. É orar segundo o sentimento e o espírito de Jesus, ao mesmo tempo em que cremos em Suas promessas, descansamos em Sua graça, e fazemos Suas obras” (Caminho a Cristo, p. 100, 101).
III. O poder da ressurreição (Ef 1:18-23)
Uma das coisas que mais incomodam as pessoas diante das provações é o sentimento de nada poder fazer para reverter a situação. Sofremos por-que não conseguimos mudar aquilo que tanto nos incomoda. Quanto maior a dificuldade de encontrar alguma saída, tanto maior é o sofrimento. Nós, que fomos criados desde pequenos para buscar a independência, temos dificuldade em reconhecer nossa própria impotência. É muito difícil lidar com essa questão, e há um grau de incômodo elevado quando esse assunto é tratado. Queremos nos sentir capazes, mesmo quando temos algumas limitações. Mas o caminho inverso também é verdade: mesmo quando pensamos que não temos limitação alguma, ainda assim, não somos total-mente autônomos.
A ressurreição de Cristo O coloca acima de todo governo, autoridade, poder e domínio (Ef 1:18-23). Ainda assim, antes de recorrermos a Deus, quantas vezes passamos a vida dependendo de favores de outrem, mesmo a custo da venda da consciência. E isso não acontece simplesmente porque não acreditamos nEle. Este não é um problema de crença teórica, mas de prática. É como se estivéssemos dizendo: “Antes de confiar em Deus, pre-ciso esgotar todos os meus recursos; se nada der certo, então O procurarei”.
Quando estivermos passando por dificuldades, ou mesmo nas peque-nas questões do cotidiano que sentimos ser capazes de resolver facilmente, qual será o papel de Deus em suas escolhas? Será que Ele espera que lem-bremos dEle somente quando não mais temos opções?
“Para o crente, Cristo é a ressurreição e a vida. Em nosso Salvador é restaurada a vida que se perdera mediante o pecado; pois Ele possui vida em Si mesmo, para vivificar a quem quer. Acha-Se investido do poder de da imortalidade. A vida que Ele depôs na humanidade, retoma, e dá à hu-manidade” (O Desejado de Todas as Nações, p. 786, 787).
IV. Levando toda a nossa ansiedade (Mt 6:25-33)
Acreditamos que poderemos controlar as coisas quando nos preocu-pamos com elas, ou temos essa pretensão. Foi Jesus que afirmou: “Portan-to, não fiquem preocupados, perguntando: ’ Onde é que vamos arranjar comida?’ ou ’Onde é que vamos arranjar bebida?’ ou ’Onde é que vamos arranjar roupas?’ Pois os pagãos é que estão sempre procurando essas coi-sas. O Pai de vocês, que está no Céu, sabe que vocês precisam de tudo isso. Portanto, ponham em primeiro lugar na sua vida o Reino de Deus e aquilo que Deus quer, e Ele lhes dará todas essas coisas. Por isso, não fiquem preocupados com o dia de amanhã, pois o dia de amanhã trará as suas pró-prias preocupações. Para cada dia bastam as suas próprias dificuldades” (Mt 6:31-34, NTLH).
Este texto traz algumas questões interessantes nas quais precisamos nos deter de forma pessoal:
Como lidar com a ansiedade?
Relaxe. De todas as reações humanas, preocupar-se com situações in-solúveis é a menos produtiva. O salmista aconselha: “Entrega o teu cami-nho ao Senhor, confia nEle, e o mais Ele fará” (Sl 37:5)
Cuide melhor do seu corpo. Quanto mais saudável for o corpo, maior será sua capacidade de lidar com os problemas sem se deixar abater por eles. Uma forma rápida de destruir a saúde é viver com foco naquilo que ainda não conseguiu. “A esperança que se adia faz adoecer o coração, mas o desejo cumprido é árvore de vida” (Pv 13:12).
Seja confiante. A maior parte dos nossos temores nunca acontece. Nesse caso, a Bíblia nos diz: “Entreguem todas as suas preocupações a Deus, pois Ele cuida de vocês” (1Pe 5:7, NTLH).
Mantenha honestidade emocional. Reconhecer que está ansioso é o primeiro passo para vencer o problema. “Lançando sobre Ele toda a vossa ansiedade, porque Ele tem cuidado de vós” (1Pe 5:7).
Deixe seus problemas fora do seu quarto. Problemas são péssimos companheiros para o sono. Por isso, confiante, o salmista podia dizer: “Deito-me e pego no sono; acordo, porque o Senhor me sustenta” (Sl 3:5).
Concentre-se no que se passa hoje em sua vida. Assuma a atitude do apóstolo Paulo: “Esquecendo-me das coisas que para trás ficam e avançan-do para as que diante de mim estão, prossigo para o alvo, para o prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus” (Fp 3:13, 14).
Procure motivação para a mudança. Use as situações probantes como ocasiões para realizar mudanças. Diante das crises, você encontrará opor-tunidades para realizar ou aprender algo novo. “E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus” (Rm 12:2).
Use só os recursos internos para a mudança. Muitas pessoas ficam ansiosas porque confiam em elementos externos como única possibilidade de resolver seus problemas. Vivem pensando nas coisas que poderiam ter para suprir suas necessidades. Toda vez que tiver que lidar com uma mu-dança, em lugar de esperar em algo que não tem, busque em Deus e nas mudanças de sua própria atitude a possibilidade de manter o equilíbrio no presente. “Porque Deus é quem efetua em vós tanto o querer como o reali-zar, segundo a Sua boa vontade” (Fp 2:13).
“Não devemos permitir que o futuro, com seus difíceis problemas, su-as não satisfatórias perspectivas, façam nosso coração desfalecer, tremer-nos os joelhos, pender-nos as mãos. ‘Que se apodere da Minha força’, diz o Poderoso, ‘e faça paz comigo; sim, que faça paz comigo’ (Is 27:5). Os que submetem a vida à Sua direção e a Seu serviço, jamais se verão colocados numa posição para a qual Ele não haja tomado providências. Seja qual for nossa situação, se somos cumpridores de Sua Palavra, temos um Guia a nos dirigir no caminho; seja qual for nossa perplexidade, temos um seguro Conselheiro; seja qual for nossa tristeza, perda ou solidão, possuímos um Amigo cheio de compassivo interesse” (A Ciência do Bom Viver, p. 248, 249).
V. Fiéis mesmo quando não podemos ver a Deus (Is 40:27-31)
Tanto Isaías 40:27-41 quanto Ester têm em comum a narrativa de uma situação em que parecia que Deus não estava presente ou que não Se im-portava com Seu povo. Seu caminho parecia estar encoberto (Is 40:27). Esta é uma figura incomum nas ruas asfaltadas das grandes cidades. Um caminho encoberto era aquele no qual, aos poucos, o mato ocupava os es-paços. A areia do deserto também poderia fazer o mesmo efeito. De um jeito ou de outro, a questão é: o caminho está ficando mais difícil, não dá para divisar muita coisa sobre seu destino ou sobre o próprio caminho, a caminhada é mais difícil, a impressão que se tem é de abandono e esqueci-mento. Mas Deus tem Seus filhos em alta conta. Ele não deixa que nada passe despercebido. “Não sabes, não ouviste que o eterno Deus, o Senhor, o Criador dos fins da Terra, nem Se cansa, nem Se fatiga?” (Is 40:28).
E esta mesma força Ele oferece aos Seus filhos: “Faz forte ao cansado e multiplica as forças ao que não tem nenhum vigor... mas os que esperam no Senhor renovam as suas forças, sobem com asas como águias, correm e não se cansam, caminham e não se fatigam” (Is 40:29, 31).
“O Senhor não está distante da pessoa que O busca. O motivo pelo qual tantos são deixados à própria sorte em lugares de tentação é que não conservam o Senhor sempre diante de si. É aos lugares onde menos se pen-sa em Deus que vocês precisam levar a lâmpada da vida. Se Deus perma-necer fora da vista, se nossa fé e comunhão com Ele se rompem, podemos nos encontrar em positivo perigo” (Cristo Triunfante, [MM 2002], p. 47).
Dinâmica sugestiva
Materiais: algumas balas (segundo o número de alunos) e uma faixa para vendar os olhos.
Você pedirá que alguém se apresente como voluntário para fazer uma atividade sem explicar o que é. Indique que você espera um voluntário e não alguém que o grupo empurrou. Espere um pouco até que surja alguém; isto é importante. Após alguém se apresentar, vende os seus olhos para realizar a atividade. Em seguida, você pedirá que ele(a) abra a boca e mos-tre a língua. Neste ponto você colocará a bala em sua língua e orientará a pessoa para que, então, feche a boca e descubra o que recebeu.
Após este momento, interaja com o grupo:
Qual é a importância do chamado em nossa vida quando nos defron-tamos com oportunidades, mesmo quando não sabemos exatamente para onde isso nos dirigirá?
Qual é o nível de confiança exigido pela pessoa vendada quando abriu a boca? O que isso ensina sobre a confiança em Deus?
O que os demais, sentiram quando viram que o voluntário recebeu uma bala? O que isso ensina sobre os resultados da confiança em Deus diante das outras pessoas?
Quantos permitiriam que seus olhos fossem vendados se soubessem, de antemão, o que ganhariam? O que isso ensina sobre o modo como con-fiamos em Deus?
Após essas três perguntas, prossiga com o estudo da lição.
Quando estiver falando da oração em nome de Jesus, se desejar, ofere-ça uma bala para cada um quando já não mais estiverem esperando coisa alguma. O que isto ensina sobre o tempo de Deus e o nosso tempo?