Lição 2
6 a 13 de janeiro

Nada de novo debaixo do Sol?

Liηγo 212007


Sábado à tarde

Ano Bíblico: Gên. 20–22


VERSO PARA MEMORIZAR: "O que foi é o que há de ser; e o que se fez, isso se tornará a fazer; nada há, pois, novo debaixo do Sol" (Eclesiastes 1:9).

Leitura da semana: Eclesiastes 1

Conta-se que um filósofo grego, chamado Diógenes, caminhava pelas ruas de Atenas com uma lanterna; seu objetivo era encontrar um homem honesto. De acordo com uma versão da história, finalmente encontrou alguém que ele cria ajustar-se às suas expectativas. Mas Diógenes estava enganado. O cidadão roubou sua lanterna e o pobre Diógenes teve que procurar o caminho para casa na escuridão.

Verdadeira ou não, esta história revela como é fácil ser descrente a respeito da vida; como é fácil pôr uma interpretação negativa nas coisas.

Naturalmente, em certo sentido, não é difícil entender isso. O mundo pode tornar uma pessoa descrente, negativa, deprimida. Pergunte a Salomão, pelo menos ao Salomão que aparece no capítulo de abertura de Eclesiastes. Ele encara a natureza e vê razão para desespero; busca sabedoria e descobre que é deprimente; olha para a vida como um todo e a considera sem sentido. E para seres que clamam por significado e propósito na vida, vemos isso como uma conclusão difícil de aceitar. Talvez seja por isso que, mesmo nos países industrializados, com muita riqueza, as pessoas são deprimidas. Por que mais seriam gastos milhões e milhões de dólares em antidepressivos? Porque as pessoas são felizes?

O capítulo 1 introduz o livro. Começa com um exame do vazio e da falta de sentido da vida sem o conhecimento de Deus.


Domingo

Ano Bíblico: Gên. 23–25

Kohelet em Jerusalém

"Palavra do Pregador, filho de Davi, rei de Jerusalém" (Eclesiastes 1:1).

A palavra comumente traduzida por "pregador" aqui, kohelet, é da raiz hebraica kahal, que significa "ajuntar", "reunir". No grego, kohelet é traduzida por uma palavra semelhante à palavra grega "igreja", ekklesia; evidentemente, foi daí que obtivemos o nome Eclesiastes. Os judeus acabaram chamando o autor e o livro, Kohelet.

Tem havido muito debate ao longo dos séculos quanto ao que significa exatamente a palavra kohelet. O autor está reunindo as pessoas a fim de expor sua grande sabedoria? Ou é um colhedor de sabedoria, como ele próprio sugere (Ec 1:13, 16 e 17)? Vamos precisar chegar ao Céu a fim de saber com certeza.

1. Leia Eclesiastes 1. Escreva um pequeno resumo do que Salomão parece estar dizendo. Não se preocupe em compreender cada expressão (ninguém consegue!); sua ênfase deve ser na mensagem e no tom geral. Que argumento ele traz, e como entender essas palavras sob a perspectiva cristã? E, conforme ler, tenha em mente quem escreveu, quando, e por quê.

Na superfície, estas são palavras de um homem amargurado, cínico, pessimista. Tudo o que ele vê é repetição, inutilidade e falta de significado para a vida. Tomadas isoladamente, suas palavras soam como muitos filósofos ateus modernos que lamentam a inutilidade e futilidade da existência. Evidentemente, não pode ser dito assim a respeito de Salomão. Em vez disso, lembremo-nos de que precisamos encarar esse livro tendo em conta a Bíblia toda. A amargura e ceticismo vêm de uma vida sem Deus, vida de desobediência, tendo em vista apenas as coisas terrestres imediatas, e não o quadro maior de Deus e da promessa de salvação. Tomadas em seu contexto, estas palavras se ajustam perfeitamente ao tema global da Escritura, embora sejam apresentadas aqui de maneira diferente.

Quanta amargura ou descrença você vê em sua vida? O que provocou isso? Como essas coisas podem ser eliminadas antes que envenenem toda a sua existência?


Segunda

Ano Bíblico: Gên. 26 e 27

Vaidade de vaidades

"Vaidade de vaidades, diz o Pregador; vaidade de vaidades, tudo é vaidade" (Eclesiastes 1:2).

A maioria das traduções deste verso usa a palavra vaidade. A palavra hebraica, hebel, significa literalmente "vapor" ou "respiração"; também traz a idéia de vazio, sem sentido e futilidade. A palavra aparece numerosas vezes em Eclesiastes.

2. Quando você pensa em "vapor" ou "respiração", o que vem à sua mente? Por que Salomão usou essa imagem para falar da vida em geral? Veja também Sal. 144:4.

Pense, novamente, sob a perspectiva na qual ele estava escrevendo: os anos de sua vida, tão cheios de potencial e promessas, foram desperdiçados em coisas que não duram, coisas sem valor permanente. Quando a maior parte de sua vida é feita de hebel, de vapor, ao chegar ao fim dessa vida, tudo pode parecer como um vapor, porque passou muito depressa e é tão cheio de coisas sem sentido.

3. Que idéia expressam os versos seguintes?

a. Isa. 52:3

b. Mat. 6:19 e 20

c. Mar. 8:36

d. Tiago 4:14

O que torna tão poderosas as palavras de Salomão é que ele era um homem que tinha tudo que este mundo pode oferecer. Talvez, ao contrário de muitos outros, ele teve sua medida de prazeres mundanos. Como ele próprio disse mais tarde, tudo o que ele desejou, conseguiu (Ec 2:10). Mas, no fim, ele chama isso tudo de coisas sem sentido, vapor ou respiração vazios.

Que lição para todos nós sobre o que é importante na vida e o que não é!

Faça um inventário de sua vida. Quanto do que você está fazendo pode ser julgado como hebel? Por que coisas você realmente está se esforçando? Que coisas você acha que são realmente importantes? Se conseguir o que você procura, você poderia um dia considerá-las também como hebel?


Terça

Ano Bíblico: Gên. 28–30

O Sol também nasce

Em seus primeiros anos, Salomão aparentemente foi um estudioso entusiasta da natureza, e nela aprendeu muitas lições espirituais (veja, por exemplo, Pv 1:17-19; 6:6-9; 17:12; 26:1-3, 11; 31:10). Também em seus últimos anos, ele ainda estudava a natureza; no entanto, por causa do seu humor, não podemos estar muito certos sobre as lições que ele tirou do que viu.

4. Leia Eclesiastes 1:4-11. Que idéia Salomão estava defendendo? Essas conclusões eram corretas?

Salomão estava fazendo o que freqüentemente se chama de "teologia natural", a tentativa de discernir a verdade sobre Deus, sobre a realidade e sobre a vida a partir da natureza. O que é bom. A natureza foi considerada o "segundo livro de Deus". Veja, por exemplo, Sl 19:1-7, Is 40:26 e Hb 11:3.

5. Como a natureza fala conosco sobre Deus? Sal. 19:1. Quais são os limites do que ela pode ensinar, especialmente em um mundo caído?

Por mais poderosa que seja a mensagem desse segundo livro, você pode pôr o texto mais brilhante e maravilhoso à frente de alguém que não saiba ler, e não terá significado algum para ele. Não importa o que você puser à sua frente, se ele não estiver disposto a aceitar o que lê, se seu coração estiver voltado para outra direção, ele não só rejeitará o que o texto ou o que a natureza diz, como pode chegar a conclusões erradas. Aqui, Salomão, lamentando sua vida, olha para a natureza e tira uma conclusão que não é necessariamente a lição que deve ser aprendida. Ele está derramando sobre a natureza sua própria visão negativa e seu ceticismo.

É fácil fazer isso. Um escritor do século 18 afirmou que, sendo que a natureza – por intermédio de fomes, pestes e inundações – é tão destrutiva, "o homem segue impulsos naturais quando comete homicídio". Em outras palavras, se a natureza mata, podemos matar também. Conclusão errada! Novamente, isso mostra como é fácil projetar nossas más atitudes sobre o que está ao nosso redor.

Você é capaz de olhar as coisas "objetivamente"? Com que freqüência você deixa seu mau-humor ou atitudes negativas influenciar suas ações e palavras? Por que a morte para o eu é tão importante para nos impedir de projetar nossas atitudes errôneas sobre as outras coisas?


Quarta

Ano Bíblico: Gên. 31–33

Além dos ciclos

Salomão investigava a natureza e via uma repetição infinda e aparentemente sem sentido. O Sol sobe e se põe, o vento sopra, os rios correm, e assim continua, geração após geração. O que foi, será feito novamente; o que será, já foi no passado. "Nada há, ... novo debaixo do Sol" (Ec 1:9).

No entanto, seu tom sugere que algo está errado em tudo isso e que as coisas não devem ser assim. Sua atitude é vista claramente nos primeiros versos do capítulo.

6. De acordo com Salomão, qual é a condição da existência humana, em contraste com os ciclos infinitos da natureza? Ecles. 1:1-4

A Terra continua a existir indefinidamente; mas nós, não. Nada somos além de vapor, hebel. Estes pensamentos chegam ao dilema final da humanidade: somos capazes de entender a idéia de eternidade, de transcendência, de algo maior que nós mesmos, mas vemos que isso está fora de nosso alcance. O Sol, os rios, o vento – todos estavam aqui antes de nós e estarão aqui muito depois de voltarmos ao pó. Chegamos, e vamos embora; os rios, o Sol e o vento permanecem. Não é de admirar que a vida possa parecer, como Shakespeare escreveu: um conto "cheio de som e fúria, mas não significando coisa alguma".

7. Que resposta dão os textos seguintes ao dilema que Salomão levantou no primeiro capítulo de Eclesiastes? I Cor. 15:26, 51-55; Heb. 2:14; Apoc. 21:4

Tem havido muitos grandes pensadores, grandes filósofos, com todos os tipos de sistemas lógicos e elaborados, todos tentando responder às perguntas difíceis da vida. Mas, a menos que possam resolver a questão da morte, eles não têm resposta alguma para as questões da vida, pois, no fim, toda vida termina em morte. Como se pode adivinhar, nenhum desses filósofos explicou o problema (a maior parte deles já morreu). Só Jesus, por Sua morte e Sua ressurreição, tem a resposta. Jesus mostrou que a morte não é o fim e que, realmente, podemos um dia estar vivos, muito depois que deixarem de existir ou mesmo serem lembrados os ciclos infinitos de vida neste planeta caído (Is 65:17). A não ser por essa esperança, Salomão estaria justificado em seu pessimismo.


Quinta

Ano Bíblico: Gên. 34–36

Sabedoria "debaixo do Sol"

Os versos 12-18 de Eclesiastes 1 permitem entender melhor o autor. Ele não só enfatiza seu papel como rei, mas menciona que tem mais sabedoria que todos antes dele em Jerusalém; esta é mais uma evidência que aponta para Salomão como autor do livro. Isso faz sentido, considerando que o reinado de Salomão teve grande paz e prosperidade. O rei, não se preocupando com invasores, rebelião ou colapso econômico, teve tempo para buscar conhecimento e sabedoria "debaixo do Sol".

Note a expressão usada aqui: "debaixo do céu" (v. 13). Este é outro modo de dar a mesma idéia da expressão "debaixo do Sol" (v. 3, 9 e 14), que aparece mais de 20 vezes, e só em Eclesiastes.

8. O que significa essa expressão, e como nos ajuda a entender o que Salomão estava dizendo?

Debaixo do céu, debaixo do Sol, é outro modo de falar sobre o que se passa aqui, na Terra. O que vemos aqui é, novamente, outro exemplo da futilidade de todo conhecimento e sabedoria terrestre. O mundo, e tudo que nele existe, não pode responder às questões difíceis da vida; realmente, o mundo e tudo que nele existe levanta muitas das questões difíceis da vida. A resposta precisa vir de algo maior que o mundo, acima do mundo, algo que venceu o mundo (João 16:33). Naturalmente, esse "algo" é Jesus. Caso contrário, como declara Salomão aqui, o mundo nos deixa frustrados, zangados, amargurados. Salomão recebe toda a sua sabedoria e, para ele, isso só lhe traz pesar e mais tristeza.

O filósofo alemão Arthur Schopenhauer, ecoando Salomão, escreveu: "Tudo na vida ["debaixo do Sol"] mostra que a felicidade terrestre tende a ser frustrada."

9. Que coisas, especialmente, Salomão achava frustrantes e vãs? Ecles. 1:12-18. Compare com II Timóteo 3:7.

Note Eclesiastes 1:15: "Aquilo que é torto não se pode endireitar; e o que falta não se pode calcular." Que coisas tortas ou quebradas em sua vida não podem ser corrigidas agora? Que coisas lhe faltam e o mundo não pode fornecer? Como essas coisas o fazem desejar ainda mais a volta de Jesus?


Sexta

Ano Bíblico: Gên. 37–39

Estudo adicional

Certa vez, Ludwig Wittgenstein disse: "O mundo daquele que é feliz é diferente do mundo do homem infeliz." Leia em Provérbios outra visão de Salomão, em um período diferente de sua vida. Que diferenças de atitude você vê? Como este fato mostra por que é tão importante o relacionamento adequado com Deus para compreendermos o mundo como um todo?

"Salomão não estava se queixando dos incessantes ciclos da natureza, mas os considerava um paralelo dos ciclos da vida humana (Ec 1:4). Será que a vida do homem, geração a geração, é mera questão de repetição, sem objetivo mais sublime à vista? Não haverá um clímax para a vida humana? Não tem Deus um propósito eterno que, um dia, haverá de sobrepor-se à aparente repetição infinita da atividade humana, geração após geração?

"A precisão científica da descrição dada aqui quanto ao movimento das massas atmosféricas sobre a superfície da Terra é inigualável na literatura antiga e revela uma percepção nas leis da natureza muito superior à da maioria dos homens da antigüidade." – SDA Bible Commentary, vol. 3, pág. 1064.

Perguntas para consideração

1. Faça planos com sua classe para passar algum tempo junto à natureza e, então, tentem responder às perguntas: Que revelação de Deus encontramos na natureza? O que a natureza pode nos dizer sobre Deus? O que ela não pode dizer? Que lições erradas podemos tirar da natureza? O que tudo isso nos diz sobre a importância da revelação para um quadro mais completo de Deus?

2. Por que é tão fácil alimentar a atitude de ceticismo sobre a vida? Um pouco de ceticismo é útil? Afinal, este é um mundo caído, destinado à destruição. Como podemos atingir o equilíbrio correto, a fim de, embora cautelosos sobre o mundo, não cairmos no negativismo extremo encontrado no primeiro capítulo de Eclesiastes?