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Subsídios Para a Lição da Escola Sabatina
1º Trimestre de 2008


Lição 11: Mais Lições sobre o Discipulado

Dr. Berndt Wolter
Professor de Missiologia no SALT - Unasp Campus 2

"Não tema!" soa como uma ordem, um mandamento. Seria possível dominar um sentimento tão forte, apenas pelo poder da obediência? Em certas circunstâncias, o medo não é benéfico?

É claro que, se você está em situação de perigo, um precipício ou um animal venenoso, o medo ajuda você a ficar alerta e evitar um mal que lhe possa ocorrer.

Quero concentrar-me mais no medo espiritual, tecendo alguns comentários que, acredito, ajudarão principalmente aqueles que, há algum tempo, têm procurado mais significado para a vida cristã e sentem que precisam daquela ousadia e intrepidez destemida, típica dos discípulos de Cristo.

  1. Um versículo sempre me impressiona e desafia cada vez que o leio: "Aquele que não ama não conhece a Deus, pois Deus é amor" (1Jo 4:8). Seguindo o raciocínio de João: "A vida eterna é esta: que Te conheçam a Ti, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste" (Jo 17:3). Posso entender que quem não ama não herdará a vida eterna? Seguindo ainda João: "No amor não existe medo; antes, o perfeito amor lança fora o medo...; aquele que teme não é aperfeiçoado no amor" (1Jo 4:18). Posso entender aqui que o antônimo bíblico para o amor seja o ódio? Parece-me que, na Palavra de Deus, o contrário do amor é o medo. Entende agora a razão da ordem clara, o mandamento, "não tema!"? A vida eterna de quem cultiva o medo está em perigo!!! Deus Se preocupa com isso e ordena que você não cultive o medo como base de sua vida cristã.

    Algum tempo atrás, ouvi um palestrante cujo foco não era correr em amor para Jesus, mas correr de medo de Satanás! A vida de muitos é dirigida mais pelo medo do inimigo que pelo amor atrativo e libertador de Jesus. Medo de errar, medo de fazer uma oração por alguém que precisa ou na igreja, medo de pregar, medo de aparecer em público...

  2. O medo procede invariavelmente de crenças erradas e produz reações físicas, mentais e psicológicas. O medo também pode servir de diagnóstico para que você perceba em que crê.

    Deixe-me dar um exemplo: Você está acampando em um bosque com um grupo de jovens. Alguém conta uma história tenebrosa e fala dos tantos animais ferozes que existem naquela floresta. Você adormece e acorda assustado com o barulho de um galho seco se partindo. Você nem viu o que é, mas o coração dispara, você começa a suar frio, a tremer... Um medo quase incontrolável petrifica suas ações...

    Você nem sabe se é um animal selvagem perigoso, ou se é alguém saindo da barraca para tomar um ar e todo o seu corpo e psique já estão transtornados pelo medo. Por quê? Simplesmente por crer em algo errado. Por antecipar algo que não ocorreu ainda.

    Outro exemplo: Os discípulos estavam no barco e, andando sobre a água, Jesus vai ter com eles. Leia o texto e veja como eles pensaram tratar-se de um fantasma e ficaram aterrorizados a ponto de gritarem de medo (Mt 14:25-27).

    Depois, quando entenderam tratar-se do próprio Jesus (a percepção e a crença mudaram), Pedro até pôde sair do barco e andar alguns passos sobre a água. Muitos criticam Pedro por ter ele afundado na água. Mas ele foi o único que, mediante a nova percepção da situação, ao entender que era Jesus, teve coragem (intrepidez e ousadia pela fé da qual estou tanto falando em meus comentários), de sair do barco e fazer algo considerado loucura, devido a uma crença errada. Veja como Pedro mudou rapidamente do medo para a coragem e fé verdadeira (ainda que vacilante, veja o "se"): "Se és Tu, Senhor, manda-me ir ter contigo, por sobre as águas" (Mt 14:28).

  3. O medo espiritual pode ser superado por meio da decisão persistente e da oração. Se entendo que amor também é decisão, não fica difícil entender que ter medo também é uma decisão. Se o medo fosse apenas uma questão de sentimento, como Jesus ordena: "não tema!"? Seria possível despertar um sentimento por meio de um mandamento?

    Ter uma coragem movida pelo amor, é sintoma de fé saudável e da percepção real de quem é Deus.

  4. Há um alerta dramático, que de maneira nenhuma deve despertar medo, apenas deve exortar aqueles que se deixam facilmente enredar pelo medo. "Mas, quanto aos medrosos, e aos incrédulos, e aos abomináveis, e aos homicidas, e aos adúlteros, e aos feiticeiros, e aos idólatras, e a todos os mentirosos, a sua parte será no lago ardente de fogo e enxofre, que é a segunda morte" (Ap 21:8). Aqueles que persistem em deixar sua vida ser guiada pelo medo, têm um encontro final marcado com os outros membros desta lista macabra...

  5. Medo é fé errada, como já vimos, ou ausência da confiança em Deus e na guia de Sua mão amorosa e justa.

Lições no mar

Seis mil anos de pecado têm arruinado nossas percepções e sensibilidades espirituais, bem como nossa memória. Na verdade, todo o nosso ser foi prejudicado. Não mais funcionamos bem. Todos estamos em estado de mau funcionamento (Rm 3:23). Mas este estado não é irremediável. O plano da salvação e a ação contínua de Deus em nossa vida podem e vão reverter estas tendências quando crermos nas experiências que já tivemos com Jesus e delas nos lembrarmos.

Jesus estava no barco quando a tempestade se abateu sobre eles. Quantos milagres e manifestações de poder Jesus já havia manifestado até aquele momento? Quanta confiança o Mestre já lhes havia instilado ao coração? Quantas provas havia dado de que Ele domina sobre Sua própria criação? Como seria bom se levássemos a sério as célebres palavras inspiradas: "Nada temos que recear quanto ao futuro, a menos que esqueçamos a maneira em que o Senhor nos tem guiado" (Ellen G. White, A Igreja Remanescente, p. 27)!

Memória, percepção espiritual e projeção

– Percepção espiritual é ver e entender o significado de cada ação de Deus em nossa vida no momento em que elas acontecem. Memória é lembrar as ações de Deus em nosso passado e projeção é levar a sério as ações de Deus do passado e entender que, se naquela ocasião Deus fez assim (em determinado contexto), então, Ele pode fazê-lo agora também (em novo contexto).

É impressionante como estas três características se abalam nas tempestades da vida. Jamais ficaríamos abalados se apenas mantivéssemos em mente que Jesus está sempre com você, em meio à tempestade e já tem a solução.

Não podemos entender as soluções de Jesus, pois, em quase todas as ocasiões, são completamente diferentes daquelas que empreenderíamos se pudéssemos escolher.

Há pessoas que acham que cristãos não deveriam jamais sentir-se desesperados ou aflitos e dizem que isso é falta de fé. O fato é que, depois de seis mil anos de desintegração da criação de Deus, há coisas que não entendemos.

A tentativa destes comentários não é fazer de você alguém intocável, que nunca mais sofrerá com as perdas e lutas desta vida. Você vai sofrer, vai passar por lutas e tempestades. A afirmação clara de Jesus é: "no mundo tereis aflições!" (Jo 16:33).

Esta é uma declaração tão esclarecedora como qualquer outra que Jesus fez para o nosso crescimento. Aprender a não negar esta realidade é parte da solução. Há pessoas, que parecem andar desprevenidas quanto ao sofrimento. Quando este lhes "belisca a carne", ficam tão surpresas como se organizassem a vida sem levar em conta o sofrimento.

Parece que falar de sofrimentos possíveis (morte, acidentes, doenças, etc.) tornou-se politicamente incorreto, e a maioria das pessoas evita falar sobre esses assuntos.

Mas deixe-me falar de confiança em Deus. A lição pede a definição entre fé e crença. Uma crença pode ser algo real ou irreal, pode estar certa ou errada. Os demônios também crêem e tremem diante de Deus (Tg 2:19).

Deus pode ser apenas uma crença. A fé, no entanto, é confiança. Confiar em Deus, naquilo que Ele realmente é, e não apenas algo que se ouve falar dEle.

Vamos descobrir como se forma uma confiança mais robusta e completa em Deus. A Bíblia ordena que não façamos imagens de Deus e que não as adoremos. Sabe por quê? Pois qualquer imagem que fizermos de matéria palpável e visível, vai limitar a imagem mental que vamos formando a respeito de Deus, pela influência do Espírito Santo.

Há pessoas que, por sua herança da religião medieval, têm visões de Deus que não conferem com o que Deus revela acerca de Si mesmo na Bíblia. Elas receberam estudos bíblicos e conseguiram mudar muitas de suas impressões e compreensões sobre Deus, mas se a revelação não continuar constantemente a impregnar a mente destas pessoas, essa (muitas vezes muito breve) introdução às coisas de Deus cede às impressões supersticiosas cultivadas e confirmadas durante os anos anteriores.

Uma imagem errada de Deus em nossa mente nos impede de confiar em Deus da maneira corajosa e livre que Deus espera de nós. Essa imagem distorcida de Deus, essa "careta com traços deformados" que muitos cultivam em suas convicções a respeito de Deus, leva ao medo (que já estudamos acima).

Por isso, a Bíblia insiste que "a fé vem pelo ouvir, e o ouvir vem pela palavra de Cristo" (Rm 10:17 – TB).

O apóstolo Paulo, depois de tantos anos exposto à influência da revelação de Deus, ousa nos convidar a participar desta experiência: "...nós, porém, temos a mente de Cristo" (1Co 2:16).

Sim, todos aqueles que constantemente se expõem àquilo que Deus de Si mesmo revela e se expõe à Sua lógica divina, vão, pouco a pouco, adquirindo a mente de Cristo. A visão do Deus amoroso, misericordioso, justo, salvador, Pai cuidadoso, poderoso e infinito em poder, que agiu ontem, age hoje a agirá sempre, a visão desse Deus vai tomando conta de nosso coração, mente, emoções mais sensíveis e de toda a nossa vida a ponto de conseguirmos confiar muito mais plenamente nEle.

Testemunhando

Há pessoas que defendem a fé como os que defendem seu time de futebol ou algo de que sejam partidários. A Bíblia é clara: "Nada façais por partidarismo ou vanglória..." (Fp 2:3). A propagação do evangelho não deve ser feita para se ter razão ou para ganhar uma boa discussão. Deus não chamou advogados para defendê-Lo, mas sim testemunhas que digam o que viram.

O conceito de testemunhar, foi sendo deturpado ao longo dos anos. Na tentativa de ressaltar o fato de que pessoas podem dar a mensagem sem palavras, pelo seu reto proceder, a palavra testemunhar recebeu um sentido que não lhe pertence por definição: "declarar ter visto, ouvido ou conhecido".

Num julgamento são chamados testemunhas aqueles que presenciaram e/ou viram algo acontecendo. Eles têm que falar diante daquele grupo de pessoas o que presenciaram ou sabem.

Quando você testemunha de Jesus, você fala daquilo que vivenciou, viu, experimentou. Há uma máxima no ensino de evangelismo: Você não pode dar o que não tem. Se você não tem a vivência, a experiência, se você não viu nada, como você vai testemunhar?

O problema de experiências de segunda mão se multiplica conforme um movimento vai sendo transformado em uma igreja institucionalizada, pré-programada em que a religião apenas é admitida em certos trilhos aceitos pela cultura corporativa que se instalou...

Experiência de segunda mão é aquela que você ouviu alguém contando. Esta é impressionante, mas não foi você que passou pela situação de salvação ou de experiência com Deus. É claro que o testemunho de outros motiva e fortalece a sua fé, mas imagine sua própria experiência com Jesus.

É esta experiência através de Sua Palavra e das vivências diárias que se torna a experiência da qual você vai testemunhar.

Dê seu testemunho pessoal, irmão(ã), você vai ver como vai crescer a sua experiência com Cristo!