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Subsídios Para a Lição da Escola Sabatina |
Lição 13 – Padrões de discipulado |
Dr. Berndt Wolter
Professor de Missiologia no SALT-Unasp Campus 2
e-mail: berndt.wolter@unasp.edu.br
Vamos entender a natureza de Deus? Quais são as características de Seu Ser? Sua essência é amor (1Jo 4:7-8), Ele é grandioso (2Sm 7:22), criador (Is 40:28), onipotente (Sl 89:8), onipresente (Sl 139), onisciente (Sl 139), eterno (Jr 10:10), ... Termine a lista! Procure descobrir características de Deus. Você vai ficar impressionado(a)!
Aquele que deseja seguir este Deus precisa contemplá-Lo, pois ao contemplá-Lo somos transformados à Sua semelhança. Estudar a pessoa de Deus, meditar em Suas características, impregnar nossa mente com a revelação que Deus faz de Si mesmo, imaginar vividamente o Deus encarnado vivendo estas características no dia a dia aqui neste mundo, querer crescer à Sua semelhança e conversar com Ele sobre os avanços e retrocessos desse processo de assemelhamento, isto é ser um seguidor-aprendiz da divindade, isto é ser discípulo de Jesus. Ser seguidor-aprendiz é receber aos poucos a mente de Cristo, como Paulo disse (1Co 2:16), é entender a lógica pela qual Deus funciona, sabendo que será apenas a lógica revelada (as coisas encobertas pertencem ao Senhor nosso Deus, mas as reveladas nos pertencem a nós e a nossos filhos para sempre, para que observemos todas as palavras desta lei. Dt 29:29), e se decidir diariamente, em obediência vinda do amor, viver por esta lógica.
As filosofias deste mundo são de tal modo penetrantes e presentes em cada momento e espaço de nossa vida que, muitas vezes, tenho a impressão de que concordamos intelectualmente com a lógica revelada de Deus mas, como estamos muito menos expostos à influência de Deus que à filosofia deste mundo, o que acaba regendo nossa vida são as máximas e valores da filosofia do mundo. Exemplo: um jovem vai à igreja, concorda com tudo o que é dito ali, procura se envolver mas, no sábado à noite, vive como um ímpio. Por que isto acontece? Veja: em média, um jovem, em sua adolescência, das 168 horas semanais, usa 68 horas para dormir e comer. O que ele faz com as restantes 100 horas por semana? Pesquisas americanas mostram que ele gasta 39 horas assistindo TV, 12 na internet ou assistindo filmes/vídeos, 33 horas recebendo uma educação secular que, se não nega a Deus, trata-O com indiferença. Sobram 16 horas... Em média, esse mesmo jovem vai 2,2 vezes ao mês à igreja (não conheço a realidade brasileira), onde passa em média uma hora e vinte minutos. Levando em consideração que as pessoas guardam em média 6% daquilo que ouvem em um sermão, vem a pergunta esmagadora: como competir? Como influenciar a vida desse jovem cuja mente está tomada pelo bombardeio das filosofias deste mundo? E, pior ainda, essas filosofias são apresentadas em um formato tão atrativo, que soam como verdade absoluta.
Os sinais que damos como igreja são muito importantes. Quando jovem, eu não era adventista. Um amigo me convidou para um congresso de jovens cristãos em Ijuí, RS. A oração e a entrega foram a tônica desse congresso. Havia um clima no qual os jovens ali presentes se dedicaram por cinco dias, de maneira intensiva, às coisas espirituais, à meditação, à oração, ao estudo da Palavra. Lembro-me de como fiquei impressionado com a mensagem não falada ao ver jovens espalhados pelo campo de futebol, nas áreas de lazer e demais dependências daquele lugar, em grupos, estudando a Bíblia, orando, expondo-se à influência de Deus para que a mente fosse transformada pela contemplação.
Muitos dos acampamentos de que participei em meu tempo de jovem na igreja adventista eram marcados por meditações de manhã e à noite e, no que restava do tempo, os jovens queriam brincar e jogar. O foco espiritual era diluído pelas atrações esportivas e distrações da mente. Se conseguíssemos reverter o sentimento de canseira em relação às coisas espirituais, e os membros fossem confrontados por toda uma cultura corporativa que estimula e busca a Deus de maneira saudável, milagres ocorreriam, onde hoje há mornidão e indiferença.
É claro que não quero generalizar, pois conheci pessoas maravilhosas e muito consagradas que exerceram influência decisiva em minha vida. Dou graças a Deus por elas. Vi líderes consagrados fazendo as igrejas funcionarem, inspirando-as com sua vida devotada em sinceridade e amor.
Toda esta introdução ao estudo desta semana é para dizer que características como compaixão e perdão, misericórdia e justiça, amor e paciência são qualidades derivadas da contemplação do divino. Elas não vêm por si. Não estão esperando em algum canto mágico, onde você tem que ir e elas penetram involuntariamente seu coração. Somos transformados somente quando entendemos o Deus generoso e compassivo e O contemplamos como Ele agiria se estivesse em uma situação de mesquinhez e insensibilidade.
Medite diariamente, muitas vezes neste Mestre maravilhoso e você vai sendo transformado à Sua semelhança.
Compaixão e perdão
Muitos têm a mórbida idéia de que compaixão e perdão são coisas paradas, estáticas, passivas. Pelos versículos expostos na lição, você percebe como estas características em Jesus eram ativas? Na verdade, vou ter tanta compaixão quanto a do meu Mestre, quanto minha prática de vida for idêntica à que meu Mestre praticou. Os conceitos bíblicos são ativos, dinâmicos e pressupõem sempre o transporte da ação divina através da nossa.
Não posso ter compaixão como simples sentimento sem ação por aquele de quem me compadeço, pois isto é filosofia barata do mundo que entrou em nossa mente por meio dos filmes que assisto e músicas que ouço. Você percebe que perdão é ação? Você percebe que compaixão é ação?
Há duas maneiras pelas quais perdão e compaixão podem se tornar ativos:
Percebe que não há espaço para um sentimento de dó, que não empreende nada por aquele que esta sofrendo?
Você entende que a igreja surgiu da ação? Ação preparada em oração e comunhão com Deus. Não surgiu de sentimentalismo estático. Ação salvadora foi levada com risco da própria vida do discípulo que agia. Os discípulos sabiam que, ao agir pelo Senhor em compaixão e amor, nem aquele por quem estavam agindo nem aquele que estava agindo ficariam iguais depois da ação. Transformação ocorria no coração do agente e daquele que recebia a ação de compaixão.
Você entende que a própria vinda do Filho de Deus, foi a Palavra (o Verbo) se tornando carne para agir em nosso meio. "E o Verbo Se fez carne, e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade; e vimos a Sua glória, como a glória do unigênito do Pai" (Jo 1:14). Esta graça era graça ativa que procurava resgatar, transformar e renovar. A glória era toda ação de Cristo, que elevava Deus no coração daquele que recebia a ação acima de onde Deus Se situava antes na escala de valores. Antes da ação, Deus Se situava num valor menor do que depois da ação e isto dava glória a Deus.
Você sabia que os países em que a igreja está estagnada ou diminuindo têm uma característica comum? Durante tempo suficiente, eles ficaram preocupados consigo mesmos, apenas com os assuntos internos da igreja e com seu bem-estar interno como membros (programas melhores, mais atenção pastoral, melhores prédios, mais conforto, etc...).
Não entendo como os chamados discípulos de Cristo de hoje conseguem se chamar por este nome sem mostrar as características ativas do Mestre.
Os excluídos e marginalizados
Presenciei uma cena grotesca certa feita em Berlim, no centro da cidade. Ali foi construído um monumento majestoso para a memória do holocausto dos judeus que sofreram perseguição e morte na segunda guerra mundial. A intenção em ocupar quase um hectare de terra em um dos locais mais valorizados do mundo, ao lado do portal de Brandenburgo (que é o símbolo da Alemanha cunhado em quase todas as moedas alemãs), era a de mostrar ao mundo, e principalmente aos alemães, o poder de devastação da discriminação, segregação e marginalização. O paradoxo que vi é que, ao lado deste monumento, dois turcos (que não são muito bem-vindos na capital alemã) eram espancados por um grupo de neonazistas. Maior paradoxo ainda era que a mensagem do monumento parecia não fazer diferença na mente e no coração da multidão que passava e via o ataque e ficava passiva assistindo, como se fosse na TV, àquele ato de vandalismo contra a dignidade humana.
Como já expressei em outra lição, apenas quem foi discriminado por sua posição pessoal, raça, cor, nível sócio-econômico ou cultural sabe o sentimento amargo de impotência que se tem diante da discriminação. Nossa função talvez seja a de ajudar com as reformas sociais que auxiliam com a diminuição da discriminação. Mas com plena certeza, nossa função é de ajudar os discriminados e marginalizados a encontrarem seu espaço no reino de Deus e em Sua igreja aqui na Terra, servindo de lenitivo para sua vida, mesmo que não seja uma solução definitiva para o estado social.
O amor de Deus restaura corações e cura as feridas das brutalidades sofridas anteriormente.
Minha compreensão de um discípulo de Cristo é: