Lição 10
1º a 8 de março

Desvios no discipulado

Lição 1012008


Sábado à tarde

Ano Bíblico: Dt 14–17


VERSO PARA MEMORIZAR: "Se te fatigas correndo com homens que vão a pé, como poderás competir com os que vão a cavalo? Se em terra de paz não te sentes seguro, que farás na floresta do Jordão?" (Jr 12:5).

LEITURAS DA SEMANA: 1Rs 18; Mt 26:56; Lc 9:51-56; Jo 6:1-15; 12:1-6; 18:1-11; 21:15-19

Você já ouviu falar da lei de Murphy? Ela é considerada por alguns como uma das leis fundamentais da natureza, tão onipresente quanto a gravidade e o eletromagnetismo. Expressa resumidamente, ela diz: tudo o que pode dar errado, certamente vai dar errado.Todos já tivemos momentos, ou mesmo dias (ou mais tempo, ainda), que parecem seguir a lei de Murphy. Às vezes, nossas experiências como discípulos também parecem seguir essa lei. Sem dúvida, temos as promessas de Deus que devem nos ajudar a não desanimar, mas como, às vezes, é fácil ser tentados a cair em desespero, mesmo diante das promessas. Claro, não importa o que aconteça, nunca devemos desanimar.

Nesta semana, vamos estudar alguns discípulos e ver o que podemos aprender de suas dificuldades.

Prévia da semana: Que advertência devemos aprender da busca dos discípulos pelo poder político? Que lições Judas tem para nós? O que existia por trás da vontade de Tiago e João de destruir os que haviam rejeitado Jesus? O que podemos aprender da precipitação e do arrependimento de Pedro? Por que, depois de ter visto tanto, todos os discípulos abandonaram Jesus na hora de Sua maior necessidade?


Domingo

Ano Bíblico: Dt 18 e 20

O modelo do poder

fé religiosa pode ser uma ferramenta muito poderosa, para o bem ou para o mal. O mesmo tipo de impulso que motiva alguém a "perder a vida" (Mt 16:25) pela causa de Cristo, em outras circunstâncias, pode levar outros a se explodir em nome de Deus. Afinal, se você crê que Deus o está chamando a fazer algo, quem vai permitir que algum tipo de consideração terrestre ou mundana o impeça? É por isso, por exemplo, que alguns governos procuram suprimir a religião entre o povo, porque não querem que as pessoas tenham submissão a uma autoridade mais elevada, e você não pode chegar a nada mais elevado que a Divindade. Por outro lado, os governos não estão imunes à tentativa de atrair a cumplicidade do incrível poder da religião e usá-la para seu proveito. O discípulo de Cristo precisa estar ciente dos vários perigos envolvidos no abuso do poder da religião.

1. Que lição Jesus deixou sobre o uso do poder político pelos Seus discípulos? Jo 6:1-15

Muito embora, evidentemente, o propósito de Jesus na Terra não fosse tornar-Se rei terrestre, é claro que o exercício do poder político terrestre não deve ser comparado com a obra do discipulado. Uma coisa é reconhecer que Deus pode pôr as pessoas no poder, ou que pode usar as pessoas no poder; outra é achar que o exercício do poder político é a própria obra de Deus. Nada no Novo Testamento apresenta esse modelo de poder do evangelho. Infelizmente, até mesmo Seus discípulos mais próximos perderam este ponto importante: "Os discípulos unem-se à multidão em declarar que o trono de Davi é a legítima herança de seu Mestre. É a modéstia de Cristo, dizem, que O faz recusar essa honra. ... Tomam ansiosamente providências para executar seu desígnio." – Ellen G. White, O Desejado de Todas as Nações, p. 378. Confiando na ansiosa expectativa e no entusiasmo da multidão, eles tentaram tomar Jesus à força e fazê-Lo rei sobre a nação (Jo 6:14, 15). Isso era discipulado a seu modo. Em reação a essa tentativa, Jesus despediu a multidão, enviou os discípulos a cruzar o lago e foi sozinho para o monte a fim de orar.

Mesmo em nível mais pessoal, de que maneiras podemos abusar da religião e utilizá-la para nossos fins egoístas?


Segunda

Ano Bíblico: Dt 21–23

O modelo da cobiça

Alguém certa vez disse: "Se quiser ficar rico, funde uma religião." Desgraçadamente, existe muita verdade nessa declaração sarcástica. Afinal, quando se trata de fé religiosa, estamos lidando com alguns dos aspectos mais importantes da existência humana. Estamos lidando com o significado da vida, com a esperança da eternidade, com a convicção de que nossos pecados são perdoados por Deus. Por mais que o próprio Jesus, por preceito e exemplo, haja vivido em abnegação e pobreza, por mais que Ele nos haja advertido do perigo de nos apegarmos às coisas deste mundo, a história da igreja está repleta de exemplos de pessoas que usaram o poder da religião e das idéias religiosas para adquirir riquezas para si mesmos, freqüentemente, às custas dos pobres.

Leia João 12:1-6 e, depois, responda às seguintes perguntas:

2. Que simbolismo existe no ato de Maria? Em outras palavras, como ele representa as atitudes do verdadeiro discípulo de Cristo? Veja também Mt 13:46; Fp 3:8.

3. O que essa história nos diz sobre a importância dos motivos de nossas ações?

4. Os textos dizem que Lázaro ressuscitado estava à mesa com eles. Por que esse fato torna as ações de Judas ainda mais repugnantes, indicando como ele estava cego ao próprio pecado?

Foi com razão que Paulo fez a famosa declaração: "O amor do dinheiro é raiz de todos os males" (1Tm 6:10). Mais tarde, Judas perdeu a salvação por amor ao dinheiro. Ao que parece, desde o começo, ele estava tentando ser o número um; ele mesmo, e o desejo de ganhar coisas para si mesmo, estava entretecido em todo o seu discipulado. Evidentemente, os outros discípulos também não eram totalmente abnegados, mas com Judas, era o espírito dominante.

Como você pode estar certo de que a ganância não é o motivo que está envenenando seu papel como discípulo de Cristo? E se você descobriu algum motivo impuro, como obter a purificação dele?


Terça

Ano Bíblico: Dt 24–25

O modelo do trovão

Havia pelo menos dois pares de irmãos entre os doze discípulos de Jesus. Em Seu convite, Jesus chamou Tiago e João de Boanerges, ou "filhos do trovão" (Mc 3:17). Alguns comentaristas acreditam que Jesus lhes deu este nome por causa de seu temperamento veemente e impetuoso. Então, escolhemos chamar essa abordagem do discipulado como o modelo do trovão.

5. Que razões os discípulos teriam para reagir de forma tão impulsiva? Lc 9:51-56 Em outras palavras, o que eles ouviram Jesus dizer, ou que outros exemplos do Antigo Testamento eles podem ter tido, para reagir dessa forma? Veja, por exemplo, Gn 6, 7; Mt 8:12; 13:42; Mc 6:11.

Existem diversos problemas na reação dos discípulos. Aqui há zelo pelo Senhor, o que é bom, e que todos os discípulos deveriam ter. Mas zelo sem entendimento, mesmo por uma boa causa, pode produzir mais dano que bem. Por exemplo, Tiago e João usaram a história de Elias como seu modelo. O único problema é que eles abusaram dela. Elias chamou fogo do Céu para consumir sacrifícios (1Rs 18), não pessoas obstinadas (elas morreram de outro modo).

Ainda pior, evidentemente, foi sua atitude severa e crítica perante os pecadores. A obra de todo discípulo de Cristo deve ser a de buscar maneiras de levar os pecadores ao pé da cruz, mostrar-lhes a incrível misericórdia e graça de Deus, que levou sobre Si mesmo a punição de seus pecados. Assim, não importando quão pecadores eles foram, em Jesus, eles podem ter pleno perdão e uma nova vida nEle. Essa é nossa obra como discípulos; podemos deixar o juízo com o Senhor.


Quarta

Ano Bíblico: Dt 26–28

O modelo de Pedro arrependido

Pedro é conhecido como aquele discípulo impetuoso que sempre tinha algo a dizer sobre tudo. Lucas 22:33, 34 diz que ele estava tão seguro de si mesmo e de seu discipulado que prometeu ir com Jesus até a prisão e a morte. Claro, não muito depois, ele teve que se retratar dessas palavras (Mt 26:69-75).

6. O que podemos dizer sobre a personalidade e o caráter de Pedro? Jo 18:1-11. Agora compare com Mateus 26:69-75.

Todos sabemos sobre o fracasso de Pedro. Existe uma lição poderosa para todos os discípulos de Cristo. Não podemos trabalhar para o Senhor em nossas próprias forças. É importante nos rendermos dia a dia a Jesus. Ele é a videira, nós somos os ramos; sem Ele, não podemos fazer nada, especialmente ser discípulos fiéis. Novamente, zelo pelo Senhor e Sua causa é maravilhoso, mas deve estar sob o senhorio de Jesus Cristo.

7. O que Jesus pode fazer por Seus discípulos que, arrependendo-se de seus erros, não abandonam Cristo? Jo 21:15-19

"Aí se dá uma lição a todos os seguidores de Cristo. O evangelho não transige com o mal. Não pode desculpar o pecado. Os pecados secretos devem em segredo ser confessados a Deus; mas o pecado público requer pública confissão. ... Dando provas de arrependimento, deve o discípulo remover a injúria, tanto quanto esteja ao seu alcance. ... Três vezes negara Pedro abertamente o Senhor, e três vezes tirou Jesus dele a certeza de seu amor e lealdade, insistindo naquela penetrante pergunta, seta aguda ao seu ferido coração. Jesus revelou perante os discípulos reunidos a profundeza do arrependimento de Pedro, e mostrou quão completamente humilhado se achava o discípulo outrora jactancioso." – Ellen G. White, O Desejado de Todas as Nações, p. 811, 812.

Note o que Jesus disse a Pedro em João 21:18 e 19. Basicamente, Jesus estava dizendo a Pedro que, no fim, ele acabaria morrendo pelo Senhor a quem amava tão fervorosamente. As palavras de Pedro, mais tarde, se cumpriram, mas só depois que ele aprendeu algumas difíceis lições sobre o discipulado.

Você fez promessas jactanciosas, só para, vez após vez, falhar no seu cumprimento? O que você pode aprender da história de Pedro para não desistir?


Quinta

Ano Bíblico: Dt 29–31

O modelo da fuga

"Então, os discípulos todos, deixando-O, fugiram" (Mt 26:56).

Os discípulos passaram três anos e meio com Jesus. Tiveram privilégios que poucos no mundo tiveram. Viram coisas que poucos humanos viram. Afinal, entre todos os bilhões do mundo, quantos viram Jesus em carne? E mais ainda, quantos viveram dia após dia com Ele, enquanto este vivia aqui em carne? Esses discípulos estiveram entre os seres humanos mais privilegiados que já viveram.

Evidentemente, essa era uma parte do problema – eles eram humanos, caídos e, deste modo, não importava o que o Senhor lhes tivesse feito, as lições não eram aprendidas facilmente.

8. Folheie rapidamente um Evangelho, qualquer Evangelho. Que coisas surpreendentes Jesus disse e fez à vista de Seus discípulos? Quanta prova incrível Ele lhes deu a respeito de quem Ele era? Depois de examinar cuidadosamente esses incidentes, examine o texto de hoje. Que mensagem terrível, até mesmo de advertência, podemos tirar desse episódio para nós mesmos?

Sabendo que em breve os deixaria, Jesus preparou os discípulos para Sua partida, mas eles não ouviram. Sabendo o que aconteceria em Jerusalém, Ele os preparou para Seu sofrimento, mas eles não ouviram. Chegaram a Jerusalém totalmente desprevenidos.

Durante o ministério de Jesus, os discípulos pareciam prestar atenção apenas ao que Ele fazia, e não ao que dizia. Suas ações confirmavam suas esperanças messiânicas, e aquilo os alegrava muito. Na Transfiguração, a voz divina os incitou a ouvir Jesus, mas eles não se beneficiaram de Suas instruções sobre a paixão.

Após a refeição da Páscoa, Jesus tentou mostrar a Seus seguidores o que viria a seguir, mas eles não ouviram. No jardim, Ele tentou levá-los a orar para obter força, mas eles dormiram.

Medite em tudo o que Jesus fez para você: as promessas, a esperança, os dons que lhe deu, as mudanças feitas em sua vida, as evidências para sua fé, tudo por meio de Cristo. Como podemos evitar os enganos dos discípulos?


Sexta

Ano Bíblico: Dt 32–34

Estudo adicional

Ellen G. White, O Desejado de Todas as Nações, p. 364-380, 437, 438, 547-551, 559-565, 809-817; Atos dos Apóstolos, p. 539-543.

"O amor ao dinheiro no coração de Judas crescia com o exercício de suas inteligentes capacidades. Sua habilidade prática em finanças, se exercida, iluminada e modelada pelo Espírito Santo, teria sido de grande valia para a pequena igreja e, pela santificação de seu espírito, ele teria tido compreensão clara e discernimento correto para apreciar as coisas divinas. Mas os planos da prática mundana eram constantemente valorizados por Judas. Não havia nenhum pecado de revolta de sua parte, mas suas espertas intrigas, o espírito egoísta e avarento que tomou posse dele, finalmente o levaram a vender seu Senhor por uma pequena soma. ...

"Judas esteve com Cristo em todo o período de ministério público do Salvador. Teve tudo o que Cristo lhe poderia dar. ... Tivesse ele buscado ser uma bênção, em vez de um homem questionador, crítico e egoísta, o Senhor o teria usado para avançar Seu reino. Mas Judas era um especulador. Pensava que poderia administrar as finanças da igreja e, por sua esperteza no negócio, auferir algum lucro. Tinha o coração dividido. Amava o louvor do mundo. Recusava abrir mão do mundo em favor de Cristo. Nunca submeteu a Cristo seus interesses eternos. ... Judas era uma fraude religiosa." – Ellen G. White, SDA Bible Commentary, v. 5, p. 1.101, 1.102.

Perguntas para consideração

1. Se discípulos são seguidores, os que seguem suas próprias idéias e programas ainda são discípulos? Pense nesta pergunta e em sua resposta.

2. Em que outros modelos de discipulado sob pressão você pode pensar, e que lições podemos aprender deles?

3. Embora possamos achar em Pedro alguém que saltava à frente muito rapidamente, só para tropeçar e cair, quais são os perigos de ser muito cauteloso? Como podemos ir muito longe em sentido oposto? Pense sobre isso e traga alguns pensamentos para a classe. Ao fazer assim, pense em sua igreja local como um todo. Sua igreja é muito pronta para saltar à frente do Senhor, ou tende a ser muito tímida para seguir a guia do Senhor? O que vocês podem fazer, como classe, para ajudar sua igreja a alcançar o equilíbrio correto?