| Lição 2 | 5 a 12 de janeiro |
Discipulado naquele tempo e agora |

| Sábado à tarde | Ano Bíblico: Gn 16–19 |
VERSO PARA MEMORIZAR: "E eles, tendo partido, pregaram em toda parte, cooperando com eles o Senhor e confirmando a palavra por meio de sinais, que se seguiam" (Mc 16:20). |
LEITURAS DA SEMANA: Mt 24:14; 28:19 e 20; Mc 16:20; Jo 3:21-30; At 5:34-39
O discipulado existia mesmo antes do tempo do ministério terrestre de Jesus. Vários séculos antes de Sua vinda a este mundo em carne humana, havia mestres que formavam discípulos, influenciando a vida de outros com suas instruções. Isso acontecia com gregos, judeus, chineses e outras culturas antigas. Vários desses mestres se recusavam a aceitar o uso do termo mestre em referência a si mesmos ou de discípulos em referência aos seus alunos, visto que era tão íntimo o laço entre eles. Nesta semana, vamos comparar o discipulado daquele tempo com o discipulado de Jesus, e examinaremos as implicações com os discípulos de Jesus que vivem no século 21.
Prévia da semana: Como era o discipulado entre os gregos e os judeus? Qual era a diferença com o discipulado de João Batista e o de Jesus de Nazaré? Que aplicações para a tarefa contemporânea do discipulado podemos obter do discipulado no tempo de Jesus?
| Domingo | Ano Bíblico: Gn 20–22 |
Discipulado entre os gregos
"Ora, entre os que subiram para adorar durante a festa, havia alguns gregos; estes, pois, se dirigiram a Filipe, que era de Betsaida da Galiléia, e lhe rogaram: Senhor, queremos ver Jesus" (Jo 12:20, 21).
O fato de que esses gregos foram adorar na festa já deve nos dizer algo sobre eles. Os versos também revelam antecipadamente que estava acontecendo tanta coisa que a atitude dos gregos não deve ser surpreendente.
1. O que podemos descobrir sobre o que estava acontecendo no ministério de Jesus? Jr 29:13; Jo 1:9; 6:44; At 10:34, 35
Na semana passada, vimos que Jesus sempre escolheu Seus próprios discípulos. À primeira vista, os textos acima podem indicar algo diferente. Mas esse não é o caso. Mesmo aqui, o Espírito estava atraindo esses gregos.
Na cultura grega, o discipulado tomava muitas formas diferentes. Embora alguns mestres gregos fizessem o chamado ao discipulado, a tradição era que os estudantes escolhessem o mestre. Os estudantes, e não o mestre, iniciavam a relação. Da mesma forma, era comum que os mestres cobrassem uma taxa de seus alunos.
Neste caso, sob a direção do Espírito Santo, esses gregos estavam buscando Jesus, para aprender dEle. Visto que Deus usa o que conhecemos para nos ensinar o que precisamos conhecer, essa é uma noção viável. Realmente, Ellen G. White nota que "os gregos anelavam conhecer a verdade quanto a Sua missão." – Ellen G. White, O Desejado de Todas as Nações, p. 622. Ela também disse que Jesus atendeu ao pedido.
Se alguém lhe aparecesse, como esses gregos fizeram a Filipe, dizendo: "Queremos ver Jesus", o que você responderia? Como você lhe apresentaria Jesus? |
| Segunda | Ano Bíblico: Gn 23–25 |
Discipulado entre os judeus
As relações entre aluno e mestre são mencionadas nos escritos de estudiosos judeus como Filo e Josefo. Também houve dois rabinos famosos, Hillel e Shammai, que mantinham escolas rivais em Jerusalém e que atraíam seguidores. Também somos informados em Atos de que Saulo de Tarso foi aluno do Rabino Gamaliel, outro famoso mestre judeu do primeiro século (At 5:34-39; 22:3).
2. O que podemos aprender sobre Gamaliel nos textos acima?
Esses mestres eram muito conceituados entre os judeus do primeiro século. Do mundo inteiro, eles atraíam alunos a Jerusalém, o centro do conhecimento teológico e jurídico do judaísmo, a fim de assentar-se aos pés desses mestres. Um jovem judeu que desejasse tornar-se rabino começava sua educação como aluno em idade muito tenra, talvez logo que fizesse quatorze anos. Ele estava em contato pessoal com seu mestre, ouvindo suas instruções, imitando seus gestos e aprendendo dele na sala de aula e na vida prática. Na sala de aula, ele assumia a postura de estudante, assentando-se aos pés do mestre. Quando dominava a matéria tradicional, ele era nomeado erudito não ordenado. A ordenação vinha mais tarde, em uma idade prefixada. Nessa ocasião, o título de rabino lhe era dado, bem como o poder de ligar ou desligar sobre os judeus de todos os tempos e em todos os lugares.
3. O que vimos nos parágrafos anteriores é coerente com os conceitos judaicos de relações entre mestre e aluno que obtemos no Novo Testamento. Que luz eles trazem para a compreensão das seguintes passagens? Mt 16:19; 18:18
Existe algum professor que você admirava e que causou um grande impacto para o bem em sua vida? Quais foram os aspectos desse professor que o impressionaram tanto? Como você pode imitar essas características em sua vida? |
| Terça | Ano Bíblico: Gn 26, 27 |
Discipulado com João Batista
4. Qual era a atitude de João Batista em relação ao discipulado? Ele também era um mestre formador de discípulos? Embora não tivesse educação rabínica, ele também era chamado de rabino. O que este fato revela sobre a consideração que seus alunos tinham para com ele? Jo 3:21-30
É evidente que alguns judeus pensavam ser João Batista o Messias. Isto está implícito nas perguntas dos mensageiros que os sacerdotes e levitas enviavam de Jerusalém a João Batista (Jo 1:19-28). Essas perguntas são significativas, especialmente quando se considera que havia se desenvolvido um conceito de dois Messias entre os judeus durante esse período entre o Antigo e o Novo Testamento. Alguns esperavam um Messias sacerdotal da tribo de Levi e um Messias real da tribo de Judá. O fato de que sacerdotes e levitas foram enviados é notável, visto que eles pertenciam à tribo de Levi.
É possível que os discípulos de João o considerassem como um messias sacerdotal; afinal, ele era da tribo de Levi. Essa convicção também podia motivar as visitas de Jerusalém, que o questionaram a respeito de sua missão. Alguns estudiosos acreditam que foi essa a razão de o autor do quarto Evangelho haver registrado tantas coisas que o Batista disse sobre Jesus. Ele queria deixar absolutamente claro que João Batista considerava Jesus, e não ele mesmo, como o Messias. Talvez seja a partir desse conhecimento que devamos entender João 3:25 e 26.
5. Qual era o motivo de preocupação dos discípulos de João? Jo 3:21-30. O que a resposta de João nos diz sobre seu caráter?
| Quarta | Ano Bíblico: Gn 28–30 |
Discipulado com Jesus
Desde o início de Seu ministério público, Jesus teve discípulos. Ele apareceu na cena judaica do primeiro século como um mestre que congregava discípulos, conforme a tradição tanto dos mestres gregos como dos judeus. Também havia pontos de contato com João Batista, visto que João O batizou em preparo para Sua missão.
Como na tradição judaica e na grega, Jesus tinha discípulos que O seguiam em todos os lugares, que ouviam Seus ensinos e que O imitavam (Mt 5:1, 2; Jo 1:35-40; 2:1, 2).
6. Compare a forma de recrutamento dos discípulos de Jesus com a dos mestres gregos e rabinos judeus, conforme as lições de domingo e segunda-feira. O que eles tinham em comum? O que era diferente? Mt 4:18-20
"Até então, nenhum dos discípulos se havia inteiramente unido a Jesus como colaborador Seu. Tinham testemunhado muitos de Seus milagres e Lhe escutado os ensinos; não haviam, porém, abandonado de todo sua anterior ocupação. O encarceramento de João Batista fora a todos amarga decepção. Se esse devia ser o resultado da missão do profeta, pouca esperança podiam ter quanto a seu Mestre, com todos os guias religiosos unidos contra Ele. Sob essas circunstâncias, era-lhes um alívio tornar por algum tempo à sua pesca. Mas agora Jesus os convidava a abandonar a vida anterior, unindo aos dEle os seus interesses. Pedro aceitara o chamado. Ao chegar à praia, Jesus pediu aos outros três discípulos: ‘Vinde após Mim, e Eu vos farei pescadores de homens.’ Imediatamente deixaram tudo, e O seguiram." – Ellen G. White, O Desejado de Todas as Nações, p. 246-249).
O que Jesus chamou você a deixar a fim de segui-Lo? Qual foi sua resposta a esse chamado? Você ainda pode estar se apegando a algo que o impede de assumir pleno compromisso para com o Senhor? |
| Quinta | Ano Bíblico: Gn 31–33 |
Discipulado contemporâneo
"E eles, tendo partido, pregaram em toda parte, cooperando com eles o Senhor e confirmando a palavra por meio de sinais, que se seguiam" (Mc 16:20).
7. De acordo com o verso acima, qual era uma característica importante nos discípulos de Cristo? Que mensagem existe também para nós? Veja também Mt 24:14; 28:19 e 20; Ap 14:6-12.
Ao lado do fato de que os discípulos estavam pregando em todos os lugares, Marcos disse que o Senhor cooperava com os primeiros discípulos depois de Sua partida e confirmava Sua palavra entre eles pelos sinais que os acompanhavam. Os discípulos contemporâneos estão vendo a confirmação da Palavra de Deus entre eles por meio de sinais e milagres? Quais são alguns dos sinais e milagres que devemos ver? Como definimos sinais e milagres? Devemos esperar o mesmo tipo de sinais e milagres em cada cultura, tempo e sociedade?
8. Existem outros modos, além dos sinais e milagres, para Deus confirmar Sua palavra entre nós? Como?
Jesus não espera menos de Seus discípulos hoje do que esperava dos primeiros. Ele exige o mesmo compromisso para com a tarefa. Porém, Ele diz: "Que lhes seja feito conforme a fé que vocês têm" (Mt 9:29, NVI). Além disso, Ele diz: "E tudo quanto pedirdes em Meu nome, isso farei, a fim de que o Pai seja glorificado no Filho. Se Me pedirdes alguma coisa em Meu nome, Eu o farei" (Jo 14:13 e 14).
Até que ponto você está envolvido na obra de semear o evangelho? Quais são os seus dons espirituais, e como eles podem ser usados nessa obra? Qual foi a última vez que você fez alguma coisa a fim de ajudar outros a conhecerem as verdades maravilhosas que lhe foram confiadas? O que sua resposta diz sobre você mesmo? |
| Sexta | Ano Bíblico: Gn 34–36 |
Estudo adicional
Leia, de Ellen G. White, O Desejado de Todas as Nações, p. 442.
"Durante algum tempo, a influência do Batista sobre a nação fora maior que a de seus principais, sacerdotes e príncipes. Houvesse ele se anunciado como Messias, e fomentado um levante contra Roma, sacerdotes e povo se teriam reunido em torno de seu estandarte. Todas as atenções que falam à ambição dos mundanos conquistadores, Satanás se apressara em dispensar a João Batista. Mas, tendo embora diante de si as provas de seu poder, permanecera firme em recusar o deslumbrante preço do suborno. As atenções nele fixadas, encaminhara para Outro.
"Agora, via a onda de popularidade a desviar-se de si para o Salvador. Dia a dia, diminuíam as multidões em torno dele. ... Os discípulos de João, porém, olhavam com ciúmes a crescente popularidade de Jesus." – Ellen G. White, O Desejado de Todas as Nações, p. 178.
Perguntas para consideração
1. O que envolve deixar tudo para trás a fim de seguir a Jesus? De que diferentes maneiras esse compromisso pode se manifestar em nossa vida? Esteja preparado para comentar em classe, no sábado, o que significa isso.
2. Que papel nossas instituições educacionais devem ter em ajudar a fazer discípulos? Como nossas igrejas e nossas escolas podem cooperar melhor com relação a esse desafio importante?
3. Mesmo no tempo de Jesus, havia rivalidade entre os discípulos. Por que uma coisa dessas é tão comum, mesmo em meio a uma trabalho que é, idealmente, tão exaltado, um trabalho que por sua própria natureza deveria nos manter humildes e ansiosos pelo sucesso dos outros? Que coisas práticas podemos fazer para evitar essa armadilha?
4. Que dizer de toda essa questão de sinais, maravilhas e milagres? Acreditamos nisso? Neste caso, o que acreditamos a esse respeito? O que os sinais e maravilhas provam? O que não provam? Por que devemos sempre encarar essas coisas com precaução, humildade e firme confiança na Palavra de Deus?