| Lição 2 | 4 a 11 de outubro |
Crise cósmica: ruptura da ordem universal |

| Sábado à tarde | Ano Bíblico: Vista geral sobre o Antigo Testamento |
Verso para Memorizar: “Ele é antes de todas as coisas. NEle, tudo subsiste” (Cl 1:17). |
Leituras da semana: Gn 3:4, 5; Ez 28:14-17; Is 14:13, 14; Jó 1:8-11; Ap 12:7-9
Pensamento-chave: Mostrar a origem da queda de Satanás e como ele trouxe a batalha para a Terra.
Não importava quanto possuía Lúcifer, não importava quão exaltado ele era, não era suficiente. Ele queria mais. Assim, começou o “mistério da iniqüidade” (2Ts 2:7), a origem do pecado no Universo de Deus.
A origem do mal dentro desse ser perfeito continuará sendo um mistério, porque não havia razão para isso. Se pudesse ser explicada, poderia ser justificada. Começou com o primeiro pequeno passo que Lúcifer deu ao acariciar uma emoção e um desejo em particular. As emoções contraditórias dentro de Lúcifer, juntamente com o abuso de sua liberdade dada por Deus, resultou em um conflito cósmico, rebelião aberta contra Deus e resultou em sofrimento e morte de inumeráveis criaturas. Hoje, cada um de nós vive com os resultados desse conflito.
Mas não se desespere. Como veremos em lições futuras, Cristo veio para trazer uma solução justa para estas questões que provocaram essa crise cósmica.
| Domingo | Ano Bíblico: Mt 1–4 |
Pecado: sua origem
1. O que Ezequiel 28:14-17 diz sobre a origem do pecado? Qual era a função de Lúcifer antes de cair?
Ao contrário de Deus, que é eterno, o mal e o pecado tiveram um início; isto é, houve um tempo em que eles não existiam. Por ser Deus amor e santidade, e tudo o que Ele criou ser bom, o pecado não se originou nEle. Ezequiel deixa claro que o pecado começou misteriosamente em uma criatura que foi criada boa: “Você era inculpável em seus caminhos desde o dia em que foi criado até que se achou maldade em você” (Ez 28:15, NVI). “Inculpável” (Heb. tamim, “completo”) descreve a integridade dessa criatura quando saiu das mãos do Criador.
Note, também, que o pecado começou em um querubim, um ser exaltado. Os querubins estavam mais próximos de Deus que quaisquer outros dos seres angelicais. Dois deles foram colocados como guardiões junto à entrada do Éden (Gn 3:24). Um par, feito de ouro, foi colocado sobre a arca da aliança (Êx 25:18-20). A posição dos querubins na arca ilustra a posição elevada desses seres, que permaneciam à luz da presença de Deus na Sua habitação (Ellen G. White, O Desejado de Todas as Nações, p. 758). Portanto, o pecado se originou em um ser celestial que estava muito próximo ao trono de Deus. A expressão “no monte santo” de Deus” se refere ao templo celestial, em que Deus habita entre Suas criaturas, o centro do governo celestial.
A corrupção desse querubim, Lúcifer, estava arraigada em um egoísmo que abusara dos dons da beleza e da sabedoria que Deus lhe dera. Misteriosamente, ele permitiu que suas emoções e sentimentos prevalecessem sobre a razão e, conseqüentemente, sua integridade foi corrompida. “Corrompeste a tua sabedoria” (Ez 28:17); Deus colocou a culpa justamente sobre o próprio Lúcifer. Em vez de apegar-se à ordem divina, de acordo com a qual seus dons deviam ser usados para enriquecer os outros, Lúcifer percebeu sua superioridade sobre todos os outros em beleza, esplendor e sabedoria. “Pouco a pouco Satanás veio a condescender com o desejo de exaltação própria” e a ordem de Deus foi desfeita (Ellen G. White, A Fé Pela qual Eu Vivo [Meditações Matinais, 1959], p. 66.
Com que freqüência tem acontecido que, não importa o que tenha, você sempre quer mais? O caráter de quem você está manifestando? Por que esse é o contrário do caráter de Cristo? |
| Segunda | Ano Bíblico: Mt 5–7 |
Ataque contra Deus
2. Como Isaías descreveu as verdadeiras intenções do querubim rebelde? O que estava em seu coração? Qual era seu motivo real? Is 14:13, 14
Conforme os sentimentos e emoções estranhos e egoístas do querubim conquistavam predomínio sobre seus poderes e razão mais elevada, ele ficava mais corajoso. Ele perverteu a liberdade que Deus lhe confiara e abusou dela, a ponto de deseja usurpar autoridade do próprio Deus.
Em Ezequiel 28:15, existe um contraste entre a condição do querubim como uma boa criatura saída das mãos do Criador e no que ele se tornou. A princípio, ele era “inculpável” (NVI), íntegro, a quem nada faltava, mas algo novo se havia formado em seu íntimo: O verso diz que nele foi encontrada “iniqüidade”, ou “maldade” (NVI). Essa palavra no Antigo Testamento pode ser usada para representar duplicidade, ambição profana, mentira e apostasia.
Ezequiel também disse: “Seu coração tornou-se orgulhoso” [Heb. gabah, ‘ser elevado’, ‘ser exaltado’ (Ez 28:17, NVI). Ser orgulhoso inclui imaginar-se maior do que realmente se é, ou considerar-se superior aos outros. Também pode levar a um comportamento que ignora a vontade de Deus (Sl 10:4; Jr 13:15) e que se opõe ao próprio Deus (Ez 28:2). Pode-se facilmente concluir que o querubim caído estava sendo desleal a Deus, atacando-O, dizendo mentiras e agindo de maneira enganosa.
3. Como a serpente enganou Eva a respeito de Deus? Gn 3:4, 5
A fim de persuadir Eva a desobedecer a Deus, Satanás buscou atacar o caráter de Deus. Ele disse, basicamente, que Deus era um ser fundamentalmente egoísta, que limitava o desenvolvimento de Suas criaturas inteligentes, mantendo-as em involuntária submissão através da ameaça de morte. Ele não era o que afirmava ser, um Deus de amor, mas estava camuflando Sua verdadeira natureza pela aparência de uma atitude amorosa. Satanás estava projetando sobre Deus sua própria natureza enganosa e as reais intenções de seu coração corrompido. Seu ataque no Céu contra Deus e Sua natureza amorosa estava agora sendo transferido a este planeta.
“Houvesse na verdade Lúcifer desejado ser semelhante ao Altíssimo, e nunca teria perdido o lugar que lhe fora designado no Céu; pois o espírito do Altíssimo manifesta-se em abnegado ministério. Lúcifer desejava o poder de Deus, mas não o Seu caráter” (Ellen G. White, O Desejado de Todas as Nações, p. 435.
| Terça | Ano Bíblico: Mt 8–10 |
O pecado e a lei de Deus
A lei é uma expressão do caráter e da vontade do legislador. O salmista escreveu: “Agrada-me fazer a Tua vontade, ó Deus meu; dentro do meu coração, está a Tua lei” (Sl 40:8). Aqui a vontade de Deus havia sido interiorizada e se tornado parte do caráter do salmista. Em outras palavras, o caráter de Deus estava sendo apropriado pela submissão à vontade divina expressa na lei.
4. Qual é a relação entre o amor de Deus e Sua lei? Mt 22:37-40; Jo 3:16; 14:15, 21; 1Jo 5:3
Quando João escreveu: “O diabo vive pecando desde o princípio” (1Jo 3:8), Ele estava dizendo que Satanás, no Céu, se rebelou contra a amorosa vontade de Deus.
Em contraste com a obediência amorosa, existe a ilegalidade (veja 1Jo 3:4). A palavra ilegalidade (anomia) se refere a uma atitude profundamente arraigada no coração dos rebeldes. Fala de caos e anarquia como substitutos da lei divina e o que ela representa, o caráter divino. O conflito cósmico se dirige contra Deus e contra o que Ele é em Si mesmo. Paulo descreve o anticristo escatológico do tempo do fim como “o homem da ilegalidade” (2Ts 2:3, NIV), e se refere ao fenômeno do pecado como o “mistério da anomia” (v. 7).
5. Leia a ordem de Deus e as palavras de Satanás para Adão e Eva (Gn 2:17; 3:4, 5). Que é possível entender dessa contradição?
Gênesis 2:17 é uma clara expressão do amor de Deus por Adão e Eva, e Seu intenso desejo de desfrutar seu companheirismo para sempre. É claro que Ele não queria que eles passassem pela morte; do contrário, por que alertá-los para essa possibilidade? Criados como seres livres, Adão e Eva precisavam demonstrar sua disposição em desfrutar a eternidade com o Criador. Sua obediência à ordem divina mostraria que eles estavam escolhendo livremente a vida eterna com Ele. Foi essa vontade divina claramente expressa que Satanás atacou e a que se opôs, oferecendo, em seu lugar, total “independência” de Deus. Essa foi sua meta básica no Céu: independência da vontade divina, ser sua própria lei, sem responsabilidade para com ninguém.
De que modos sutis Satanás ainda tenta nos convencer a declarar “independência” de Deus? Como podemos nos proteger desse engano mortal? |
| Quarta | Ano Bíblico: Mt 11–13 |
Pecado e rebelião
6. Como Paulo descreve o papel cósmico de Cristo? Cl 1:16, 17
O que integra a criação em uma unidade harmoniosa não são as leis da natureza, embora sejam importantes, mas o poder de um Deus amoroso na pessoa de Cristo. O amor não é apenas o laço que mantém unidos os cristãos (Cl 3:14) mas o laço que mantém a integridade do Universo. Não é uma força impessoal, mas a própria essência de Deus. Um ataque contra Deus é um ataque contra a maneira de Ele governar o Universo e, então, é uma tentativa para subverter a ordem divina da criação.
7. Na história de Jó, como Satanás demonstrou seu antagonismo a Deus? Jó 1:8-11
As acusações de Satanás tanto contra Jó como contra Deus refletem as acusações que ele ergueu contra Deus no Céu. De acordo com ele, Jó servia a Deus por interesses egoístas, não por amor. Ele servia a Deus a fim de obter dEle coisas, e Deus as fornecia a Jó a fim de obter seu serviço. Satanás argumentou que o governo de Deus era caracterizado por egoísmo – não pelo amor abnegado, como Deus afirmava. De acordo com ele, a verdadeira natureza dos seres humanos é revelada em meio ao caos, e se tivessem a oportunidade, eles se rebelariam contra Deus.
“Todas as coisas Cristo recebeu de Deus, mas recebeu-as para dar. Assim nas cortes celestiais, em Seu ministério por todos os seres criados: através do amado Filho, flui para todos a vida do Pai; por meio do Filho ela volve em louvor e jubiloso serviço, uma onda de amor, à grande Fonte de tudo. E assim, através de Cristo, completa-se o circuito da beneficência, representando o caráter do grande Doador, a lei da vida.
“No próprio Céu foi quebrantada essa lei. O pecado originou-se na busca dos próprios interesses. Lúcifer, o querubim cobridor, desejou ser o primeiro no Céu” (Ellen G. White, O Desejado de Todas as Nações, p. 21).
Como você pode melhor se enquadrar nesse “circuito da beneficência”?
| Quinta | Ano Bíblico: Mt 14–16 |
Guerra no Céu
Existem duas palavras, usadas por Ezequiel, que podem nos ajudar a entender a estratégia do ataque de Lúcifer contra Deus.
A primeira é comércio (“seu amplo comércio” [Ez 28:16, NVI] ele estava envolvido em um “amplo comércio”. A palavra traduzida por comércio também pode ser traduzida como calúnia, sugerindo que no Céu Lúcifer estava envolvido em erguer falsas acusações contra Deus e, provavelmente, contra outros seres celestiais. Calúnia é o ato de falar mal com a intenção de prejudicar a reputação de outros, e pode descrever o comportamento de uma pessoa que escolheu ignorar a vontade de Deus e que se põe sob o juízo divino (Lv 19:16; Jr 6:28-30). “Resulta em divisão e desordem (2Co 12:20). Satanás é descrito na Bíblia como o acusador ou caluniador do povo de Deus, o adversário (Zc 3:1; Ap 12:10). Satanás não se manteve “na verdade, porque nele não há verdade. Quando ele profere mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso e pai da mentira” (Jo 8:44).
Essa calúnia levou Satanás à violência, a segunda palavra importante (Ez 28:16). A violência se refere a um comportamento anti-social que viola a ordem estabelecida de Deus. É motivada pelo ódio ou egoísmo e pode levar a ataques físicos e sociais. Em alguns casos, termina em assassinato ou na exploração dos outros para benefício pessoal (Gn 49:5; Mq 6:12). Satanás foi um “homicida desde o princípio” visto que introduziu a violência e a morte na criação de Deus (Jo 8:44).
8. Qual foi o resultado final do comportamento contra Deus manifestado por Lúcifer no Céu? Ap 12:7-9
Vagarosa e lentamente, os sentimentos egoístas de Satanás se transformaram em um comportamento de ataque aberto contra Deus e Seu Filho. O que, a princípio, estava escondido, logo se tornou visível, criando confusão e desordem. Houve guerra no Céu. Esse foi o início do conflito cósmico em que todos nós estamos envolvidos. Satanás e seus partidários foram derrotados no Céu, na cruz, e serão extintos do Universo no tempo apropriado. A solução do problema do pecado não só restaura a raça humana caída a uma união perfeita e permanente com Deus, mas restaurará perfeita harmonia moral ao longo de toda a criação de Deus.
Primeiro existem maus pensamentos, que levam a palavras más, que levam a maus atos. Isso aconteceu a Satanás, e a menos que sejamos cuidadosos, acontecerá também a nós. Qual é nossa melhor defesa (veja Fp 4:8)? |
| Sexta | Ano Bíblico: Mt 17–20 |
Estudo adicional
"Houve um ser que perverteu a liberdade que Deus concedera a Suas criaturas. O pecado originou-se com aquele que, abaixo de Cristo, fora o mais honrado por Deus, e o mais elevado em poder e glória entre os habitantes do Céu. Lúcifer, ‘filho da alva’, era o primeiro dos querubins cobridores, santo, incontaminado. Permanecia na presença do grande Criador, e os incessantes raios de glória que cercavam o eterno Deus, repousavam sobre ele” (Ellen G. White, Patriarcas e Profetas, p. 35).
Fez a Escolha Final: “Lúcifer pecara, no Céu, em face da glória divina. A ele, como a nenhum outro ser criado, se revelou o amor de Deus. Compreendendo o caráter do Senhor, conhecendo-Lhe a bondade, preferiu Satanás seguir sua própria vontade independente e egoísta. Essa escolha foi decisiva. Nada mais havia que Deus pudesse fazer para o salvar” (Ellen G. White, O Desejado de Todas as Nações, p. 761, 762.
Perguntas para consideração
1. Pense no fato de que Lúcifer era um ser “perfeito”, mas se achou iniqüidade nele. O que isso nos diz sobre o tipo de liberdade que Deus deu a Suas criaturas inteligentes? Que tipo de responsabilidade moral essa liberdade impõe sobre nós?
2. Tendo em mente a idéia de nossa liberdade, comente o papel da lei. Por que a lei seria tão importante para seres humanos livres? Se não fôssemos livres, por que não haveria necessidade da lei? Isto é, para começar, qual é o propósito de uma lei para seres que não têm escolhas morais?
3. Volte para a pergunta final de terça-feira. De que diversas maneiras Satanás procura manifestar seu caráter em nós, como indivíduos e como igreja? Será que fizemos coisas que mostram, às vezes, como ele conseguiu seu intento?
Resumo: Lúcifer, um ser livre, abusou da liberdade que Deus lhe dera, e alimentou maus pensamentos até que esses pensamentos entraram em ação contra o governo de Deus e contra o próprio Deus. O resultado foi uma ruptura da ordem estabelecida no Céu. É verdade que as questões do pecado e da rebelião têm conseqüências além do nosso mundo.
Respostas sugestivas
Pergunta 1: O pecado se originou na mente de Lúcifer, “querubim da guarda”.
Pergunta 2: Cobiçava a posição de Deus.
Pergunta 3: Como se Deus fosse mal-intencionado a respeito de Suas criaturas.
Pergunta 4: A lei expressa o cuidado amoroso de Deus.
Pergunta 5: Deus disse: “Certamente morrerás”. Satanás disse: “É certo que não morrereis”. Satanás baseia seu governo na mentira.
Pergunta 6: O Filho foi o criador de todas as coisas.
Pergunta 7: Alegou que Jó só servia a Deus por interesse, por ser abençoado por Ele.
Pergunta 8: Lúcifer e seus anjos foram expulsos do Céu.