Download do programa Acrobat Reader
Arquivo para Palm, formato iSilo
| |
Subsídios Para a Lição da Escola Sabatina |
Lição 3 – Adoração e dedicação |
Márcio Dias Guarda
Editor de Livros
Casa Publicadora Brasileira
Introdução
Não são muitas as pessoas que gostam de números, por isso, quando olham para o título do livro que estamos estudando neste trimestre, e julgam que ele tenha 36 capítulos recheados de cifras ou estatísticas, podem se sentir tentadas a não dar a devida atenção ao estudo dessa importante parte da Bíblia.
Quem ultrapassa esse preconceito inicial e começa a estudar o livro de Números percebe que ele nem tem tantas estatísticas, mas se compõe de uma mistura de leis com narrativas. As narrativas são em geral movimentadas e curiosas, mas a transcrição de diversas leis, regras e rituais pode se constituir numa parte difícil e cansativa para as mentes que tanto prezam a liberdade, a espontaneidade e a criatividade características dos tempos atuais.
O desafio proposto neste trimestre é entender como a regra, a ordem e a estrutura facilitam o relacionamento com Deus, ajudam no progresso espiritual, revelam importantes lições do plano da salvação e não necessariamente aprisionam numa rotina insossa.
Quando Deus estabeleceu as regras e rituais para o povo de Israel, logo depois de sair do Egito, Ele estava mais do que colocando ordem e transformando uma multidão em nação. Ele estava propondo um sentido de direção, um progresso, um caminhar, que havia começado na escravidão e caos do Egito e deveria terminar na Terra Prometida.
Para quem havia passado séculos imerso numa cultura adversa, desagregadora e politeísta, os rituais expressavam a verdade religiosa de maneira visual (equivalente à TV, em nossa cultura!) e não de maneira verbal (equivalente ao rádio). Por isso, eles têm muito a dizer a uma geração como a nossa, individualizada, e perigosamente informal.
Através das cerimônias, tanto o ser humano se comunicava com Deus pedindo perdão, purificação, poder, vitória, salvação, quanto Deus falava ao adorador que ele fora aceito, purificado, perdoado, etc. Elas estabeleciam formas, parâmetros, canais de comunicação, e oportunidades frequentes e repetidas para facilitar nossa aproximação de Deus.
Além de lições diárias sobre o interesse de Deus por Seu povo e de Sua presença contínua, serviam ainda como fator de identidade do povo de Deus: quem os praticava estava dentro, era companheiro de jornada, era mais confiável; quem não os praticava era gentio, não andava na mesma direção, e podia ser até um inimigo.
Tenha tudo isso em mente, não só ao estudar e ao apresentar a lição desta semana, mas sempre que se aproximar do livro de Números, que fornece importantes revelações do caráter de Deus e também da pecaminosidade humana, enquanto Deus conduzia Seu povo, desde o Egito ao Sinai, do Sinai a Cades, e finalmente às planícies de Moabe.
I. Dedicação do altar
Nesta parte de domingo, a lição nos coloca diante do capítulo mais longo do Pentateuco (89 versículos) e, à primeira vista, um dos mais cansativos, pois repete os procedimentos e as ofertas dos 12 príncipes, líderes de cada uma da 12 tribos de Israel, os quais trouxeram os mesmos objetos e animais para oferecer na cerimônia de inauguração do santuário portátil, que deveria acompanhar o povo de Israel em sua jornada até Canaã.
Esse evento ocorreu entre os dias 1 e 12 do primeiro mês, do segundo ano depois da saída do Egito, portanto, cronologicamente vem depois de Lv 8:10.
Cada príncipe trouxe:
Algumas lições que podemos extrair:
II. Comunhão com Deus
Na parte de segunda-feira, a lição destaca o último verso, 89, desse memorável capítulo da dedicação do altar e do santuário, para mostrar a reação de Deus, a forma maravilhosa como Deus respondeu. Adoração e sacrifício nos aproximam de Deus e nos preparam para ouvir Sua mensagem.
Esse verso diz que Moisés entrou no santuário, foi ao encontro de Deus, no local previamente combinado, e Deus foi ao seu encontro, de forma gloriosa, solene, mas também apresentando uma mensagem audível e clara. Comunhão com Deus é isso: uma comunicação nos dois sentidos, Deus nos ouve e nós atendemos e obedecemos.
Afinal, como disse Gordon Whenham: “O tabernáculo não era um santuário vazio, mas o palácio do Deus vivo.”
Tanto ao estudar quanto ao expor esta parte, sugiro relembrar os conceitos de transcendência e imanência (que foram estudados na parte de segunda-feira da lição 1), pois são muito bem ilustrados pelos textos bíblicos das perguntas 2 e 3 desta lição.
A pergunta 3 deve levar a uma reflexão sobre nossos privilégios (e correspondentes responsabilidades), pois hoje podemos ir até a presença de Deus diretamente, pelos méritos de Cristo, e não temos que parar na porta do santuário e ficar dependendo do sumo sacerdote ou de Moisés para ter acesso ao Lugar Santíssimo ou Santo.
Com que frequência e com que espírito temos exercido essa vantagem, e quais os resultados evidentes de nossos colóquios com a Divindade?
III. Luz no santuário
O capítulo 8 de Números descreve o cerimonial da inauguração do altar de sacrifícios, a partir da qual o fogo jamais deveria ser apagado e termina relatando como o shekiná, a glória de Deus se manifestava sobre o propiciatório, no Lugar Santíssimo. Isso ocorria quando Moisés entrava no tabernáculo. O autor de Números encaixou na passagem seguinte o relato de como foi acesso (e deveria ser assim mantido) o fogo das lâmpadas do Lugar Santo. Assim se completou a relação: havia fogo contínuo no pátio, haveria luz contínua (menorá) no Lugar Santo e a manifestação da glória divina (shekiná) no Santíssimo.
Luz e fogo representam a presença e bênção vivificadoras de Deus.
A localização do candelabro (menorá) projetando sua luz sobre a mesa dos pães asmos (que representava o povo de Deus sendo continuamente iluminado e assistido pelo Espírito Santo), conforme se depreende do verso 2, essa é outra lição para ser explorada.
A lição descreve muito bem como era o menorá (com suas 7 lâmpadas a óleo) estabelece o simbolismo desse óleo como sendo o Espírito Santo, através das passagens de Zacarias e Apocalipse.
IV. Dedicação dos levitas
Nas partes de quarta e quinta-feira, a lição aborda a parte principal do capítulo 8, que trata da consagração dos levitas.
Talvez seja bom relembrar alguns fatos que foram apresentados na parte de quarta-feira da lição 1 e também as informações que estão no quadro abaixo, para entender os seguintes aspectos:

A cerimônia de consagração incluiu:
Na parte de quinta-feira, a lição destaca o momento mais profundamente significativo da dedicação dos levitas, quando se menciona que eles foram separados “para fazerem expiação pelos filhos de Israel”, ou seja foram colocados como “para-raios”, protegendo o povo para que não fossem atingidos pela ira divina. Mais do que auxiliar, ensinar e guiar, os levitas deveriam proteger o povo sob todos os aspectos. Pensemos nisso, você e eu que somos os levitas modernos!