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Lição 4
17 a 24 de julho

 


 

Justificados pela fé

 

Lição 432010


 

Sábado à tarde

Ano Bíblico: Pv 28–31

 

Verso para Memorizar: “Concluímos, pois, que o homem é justificado pela fé, independentemente das obras da lei” (Romanos 3:28).

 

Leituras da semana: Rm 3:19-28

 

Nesta lição, vamos entrar no tema básico da epístola aos Romanos: justificação pela fé. Essa expressão é uma figura baseada na lei. O transgressor da lei comparece diante de um juiz e é condenado à morte por suas transgressões. Mas um substituto aparece e toma sobre si mesmo os crimes do transgressor, inocentando assim o criminoso, que – caso seja aceito o substituto – permanece perante o juiz não só absolvido de sua culpa mas considerado como se nunca houvesse cometido os crimes pelos quais foi levado ao tribunal. E isso porque o substituto – que tem um histórico perfeito – oferece ao criminoso perdoado sua própria perfeita observância da lei. Assim, o culpado está diante do juiz como se nunca houvesse transgredido.


Ninguém está dizendo que a pessoa é inocente. Ao contrário, sua culpa é clara. As boas-novas são que, apesar da culpa, ela está perdoada.


No plano da salvação, cada um de nós é o criminoso. O substituto, Jesus, tem um histórico perfeito, e Se posta diante do tribunal em nosso lugar, sendo Sua justiça aceita em lugar de nossa injustiça. Consequentemente, somos justificados diante de Deus, não por causa de nossas obras, mas por causa de Jesus, que nos concede Sua justiça quando a aceitamos “pela fé”. Vem daí a expressão “justificação pela fé”. Não importa nosso passado. Quando aceitamos Jesus, nos apresentamos diante de Deus em Sua justiça, a única justiça que nos pode salvar.


Que grandes boas-novas! De fato, as novas não poderiam ser melhores que estas!

 



Domingo

Ano Bíblico: Ec 1–4

 

As obras da lei

 

1. Qual é o real objetivo da lei? O que ela não pode fazer? Rm 3:19, 20. Por que este ponto é tão importante para todos os cristãos?

 

Paulo usa a palavra lei em seu sentido amplo, como os judeus de seus dias a entendiam. Pela palavra Torah (a palavra hebraica traduzida como “lei”), até hoje, um judeu pensa particularmente na instrução de Deus nos primeiros cinco livros de Moisés, mas também mais amplamente, em todo o Antigo Testamento. A lei moral, mais sua amplificação nos estatutos e juízos, bem como nos preceitos cerimoniais, era parte dessa instrução. Por causa disso, neste verso, podemos pensar na lei como o sistema do judaísmo.


Estar sob a lei significa estar sob sua jurisdição. No entanto, a lei revela as negligências e culpas de uma pessoa diante de Deus. A lei não pode remover essa culpa; o que ela pode fazer é levar o pecador a buscar um remédio para isso.


Na aplicação do livro de Romanos em nossos dias, quando a lei judaica não mais é um fator, pensamos na lei especialmente em termos da lei moral. Essa lei não pode nos salvar mais do que o sistema do judaísmo podia salvar os judeus. Salvar o pecador não é a função da lei moral. Sua função é revelar o caráter de Deus e mostrar ao povo onde este deixa de refletir esse caráter.


Qualquer que seja essa lei – moral, cerimonial, civil ou todas combinadas – a guarda de qualquer ou de todas, em si mesma, não tornará ninguém justo à vista de Deus. De fato, a lei nunca foi planejada para fazer isso. Ao contrário, a lei deve assinalar nossas negligências e nos levar a Cristo.


Assim como os sintomas de uma doença não podem curar a doença, também a lei não pode salvar. Os sintomas não curam; eles assinalam a necessidade de cura. É assim que a lei funciona.

 

Você tem sido bem-sucedido em seus esforços de guardar a lei? O que a resposta diz sobre a inutilidade de tentar ser salvo pela guarda da lei?

 



Segunda

Ano Bíblico: Ec 5–8


Fé e justiça

 

2. Em contraste com a justiça humana, como ensina Deus que o cristão recebe a justiça? Rm 3:21

 

Essa nova justiça é contrastada com a justiça da lei, que era a justiça com a qual os judeus estavam familiarizados. A nova justiça é chamada de “justiça de Deus”; isto é, uma justiça que vem de Deus, que Deus fornece, e a única que Ele aceita como verdadeira.


Evidentemente, esta é a justiça que Jesus trouxe enquanto viveu como ser humano, justiça que Ele oferece a todos os que a aceitarem pela fé, que a buscarem para si mesmos, não porque merecem mas porque precisam dela.


“Justiça é obediência à lei. A lei requer justiça, e esta o pecador deve à lei; mas ele é incapaz de apresentá-la. A única maneira em que pode alcançar a justiça é pela fé. … A justiça de Cristo é aceita em lugar do fracasso do homem, e Deus recebe, perdoa, justifica o arrependido e crente, trata-o como se fosse justo e o ama tal qual ama Seu Filho” (Ellen G. White, Mensagens Escolhidas, v. 1, p. 367).

 

3. Como você pode aprender e aceitar essa maravilhosa verdade? (Veja também Rm 3:22.)

 

Como opera na vida cristã, a fé é muito mais que o assentimento intelectual; é mais que um mero reconhecimento de certos fatos sobre a vida de Cristo e Sua morte. Mais que isso, a verdadeira fé em Jesus Cristo é a aceitação dEle como Salvador, substituto, segurança e Senhor. É a escolha de Seu estilo de vida.

 



Terça

Ano Bíblico: Ec 9–12


Graça e justificação

 

4. Tendo em vista o estudado até agora sobre a lei e o que ela não pode fazer, o que Paulo diz sobre a fonte de nossa redenção? Rm 3:24. Que significa “a redenção que há em Cristo Jesus?

 

O que é essa ideia de justificar, encontrada no texto? A palavra grega dikaioo, traduzida como justificar, pode significar fazer justo, declarar justo ou considerar justo. A palavra vem da mesma raiz de dikaiosune, justiça, e a palavra dikaioma, requisito justo. Somos justificados quando somos “declarados justos” por Deus.


Antes dessa justificação, a pessoa é injusta e, deste modo, inaceitável a Deus; depois da justificação, ela é considerada justa e, portanto, aceitável a Ele.


E isso só acontece por meio da graça de Deus. Graça significa favor. Quando um pecador se volta para Deus em busca de salvação, é um ato de graça considerar ou declarar que essa pessoa é justa. É favor não merecido, e o que busca a Deus é justificado sem nenhum mérito de sua parte, sem nenhuma alegação para apresentar a Deus em seu favor a não ser seu absoluto desamparo. A pessoa é justificada pela redenção que há em Cristo Jesus, a redenção que Jesus oferece como substituta e segurança do pecador.


A justificação é apresentada em Romanos como um ato ocorrido em um tempo determinado. Em um momento, o pecador está fora, injusto e não aceito; no momento seguinte, após a justificação, a pessoa está dentro, aceita e justificada.


A pessoa que está em Cristo considera justificação um ato passado, ocorrido quando se rendeu completamente a Cristo. Portanto, a melhor leitura para “justificados” (Rm 5:1) é, literalmente, “tendo sido justificados”.


Obviamente, se o pecador justificado cair novamente e, então, voltar a Cristo, a justificação ocorrerá novamente. Da mesma forma, se a reconversão é considerada uma experiência diária, existe um sentido em que a justificação pode ser considerada uma experiência repetitiva.

 

Se as boas-novas de salvação podem ser consideradas tão boas, o que impede as pessoas de aceitá-las? Em sua própria vida, o que o impede de aceitar tudo o que o Senhor promete e lhe oferece?

 



Quarta

Ano Bíblico: Ct 1–4


“Sua justiça”

 

Em Romanos 3:25, Paulo se aprofunda nas boas-novas de salvação. Ele usa uma figura de linguagem: propiciação. A palavra grega, hilasterion, ocorre no Novo Testamento só aqui e em Hebreus 9:5, onde é traduzida como propiciatório. Como é usada em Romanos 3:25, descrevendo a oferta de justificação e redenção em Cristo, propiciação parece representar o cumprimento de tudo o que era simbolizado pelo propiciatório no santuário do Antigo Testamento. Então, isso significa que, por meio de Sua morte sacrifical, Jesus é erguido como o meio de salvação e é representado como aquele que fornece a propiciação. Em resumo, significa que Deus fez todo o necessário para nos salvar.


O texto também fala sobre a “remissão dos pecados” (RC), ou que Deus havia “deixado impunes os pecados” (NVI). São os nossos pecados que nos tornam inaceitáveis a Deus. Por nós mesmos, nada podemos fazer para cancelar nossos pecados. Mas, no plano de redenção, Deus proveu um meio para que esses pecados sejam redimidos pela fé no sangue de Cristo.


A palavra assim traduzida do grego é paresis, literalmente “passar sobre” ou “passar por alto”. O “passar sobre” em nenhum sentido significa ignorar os pecados. Deus pode passar por alto os pecados do passado porque, por Sua morte, Cristo pagou a penalidade dos pecados de todos. Portanto, qualquer pessoa que tenha “fé em Seu sangue” pode ter seus pecados redimidos, pois Cristo já morreu por eles (1Co 15:3).

 

5. Tendo sido salvos pela fé, mediante a graça, que motivo temos para nos orgulhar? Rm 3:26, 27

 

As boas-novas que Paulo estava ansioso para compartilhar com todos os que o ouvissem eram que “a Sua justiça” [isto é, de Deus] está disponível a todos, e que essa justiça nos vem, não por meio de obras, não por nossos méritos, mas pela fé em Jesus e no que Ele fez por nós.


Por causa da cruz do Calvário, Deus pode declarar justos os pecadores e ainda ser considerado justo aos olhos do Universo. Satanás não pode apontar seu dedo acusador sobre Deus, pois o Céu fez o sacrifício supremo. Satanás acusou Deus de pedir da raça humana mais do que Ele próprio estava disposto a dar. A cruz refuta essa acusação.

 

Satanás esperava que ­Deus destruísse o mundo depois do pecado; ao contrário, Ele enviou ­Jesus para salvá-lo. O que isso nos diz sobre o caráter de Deus? Como o conhecimento de Seu caráter deve afetar nossa vida? Como sua vida vai mudar nas próximas 24 horas como resultado direto de saber como é Deus?

 



Quinta

Ano Bíblico: Ct 5–8

 

Fé e obras

 

6. “Concluímos, pois, que o homem é justificado pela fé, independentemente das obras da lei” (Rm 3:28). Isso significa que não se exige que obedeçamos à lei, visto que ela não nos salva? Explique sua resposta.

 

No contexto histórico, em Romanos 3:28, Paulo estava falando da lei em seu sentido mais amplo do judaísmo. Por mais conscienciosamente que um judeu tentasse viver sob esse sistema, se deixasse de aceitar Jesus como o Messias, essa pessoa não poderia ser justificada.


Este verso é a conclusão de Paulo à afirmação de que a lei da fé exclui a jactância. Se a pessoa fosse justificada por suas próprias ações, poderia se jactar disso. Mas quando é justificada porque Jesus é o objeto de sua fé, então, o crédito pertence claramente a Deus, que justifica o pecador.


Ellen G. White dá uma resposta interessante à pergunta “O que é justificação pela fé?” Ela escreveu: “É a obra de Deus ao lançar a glória do homem no pó e fazer pelo homem aquilo que ele por si mesmo não pode fazer” (Ellen G. White, Testemunhos Para Ministros e Obreiros Evangélicos, p. 456).


As obras da lei não podem expiar os pecados passados. A justificação não pode ser comprada. Só pode ser recebida pela fé no sacrifício expiatório de Cristo. Então, neste sentido, as obras da lei não têm nada que ver com a justificação. Ser justificado sem obras significa ser justificado sem haver nada em nós que mereça a justificação.


Mas muitos cristãos têm entendido mal e distorcido esse texto. Dizem que tudo o que uma pessoa tem que fazer é crer, ao mesmo tempo em que subestimam as obras ou a obediência, até mesmo a obediência à lei moral. Assim procedendo, eles fazem uma leitura completamente equivocada de Paulo. No livro de Romanos, e em outros lugares, Paulo dá grande importância à observância da lei moral. Jesus também certamente fazia o mesmo, assim como Tiago e João (Mt 19:17; Rm 2:13; Tg 2:10, 11; Ap 14:12). O ensino de Paulo é que, embora a obediência à lei não seja o meio da justificação, a pessoa que é justificada pela fé ainda observa a lei de Deus e, de fato, é a única que pode guardar a lei. Uma pessoa não regenerada, que não foi justificada, nunca poderá cumprir os requisitos da lei.

 

Por que é tão fácil ser apanhado pela armadilha de achar que, porque a lei não nos salva, não precisamos nos preocupar em guardá-la? Alguma vez você já racionalizou o pecado apelando para a justificação pela fé? Por que essa é uma posição muito perigosa? Ao mesmo tempo, onde estaríamos sem a promessa de salvação, mesmo quando tentados a abusar dela?

 



Sexta

Ano Bíblico: Is 1–4


Estudo adicional

 

Leia Ellen G. White, Mensagens Escolhidas, v. 1, p. 236-239: “A Justiça de Cristo na Lei”; p. 331-335: “Vinde, Buscai, e Encontrareis”; p. 373, 374: “Obediência Perfeita por Meio de Cristo”; Parábolas de Jesus, p. 128, 129: “Onde Encontrar a Verdade”.

 

O caráter de Cristo substituirá o seu caráter, e você será aceito diante de Deus exatamente como se não houvesse pecado” (Ellen G. White, Caminho a Cristo, p. 62).


“Graça é favor imerecido. Os anjos, que nada conhecem de pecado, não compreendem o que seja a aplicação da graça para com eles; mas nossa pecaminosidade requer a concessão da graça por parte de um Deus misericordioso” (Ellen G. White, Mensagens Escolhidas, v. 1, p. 331, 332).


“A fé é a condição sob a qual Deus escolheu prometer perdão aos pecadores; não que exista na fé qualquer virtude pela qual a pessoa mereça a salvação, mas porque a fé pode prevalecer-se dos méritos de Cristo, o remédio provido para o pecado. A fé pode apresentar a perfeita obediência de Cristo em lugar da transgressão e rebeldia do pecador. Quando o pecador crê que Cristo é seu Salvador pessoal, então, de acordo com as Suas promessas infalíveis, Deus lhe perdoa o pecado e o justifica livremente. Aquele que se arrepende reconhece que sua justificação vem porque Cristo, como seu substituto e penhor, morreu por ele, e é sua expiação e justiça” (Ellen G. White, Mensagens Escolhidas, v. 1, p. 366, 367).


“Embora a lei não possa perdoar a pena do pecado, mas responsabilize o pecador por toda a sua dívida, Cristo prometeu perdão abundante a todos os que se arrependem e creem em Sua misericórdia. O amor de Deus se estende, abundante, ao que se arrepende e crê. O estigma do pecado só se pode apagar com o sangue do sacrifício expiatório. Não se requereu nenhum sacrifício menor do que o sacrifício daquele que era igual ao Pai. A obra de Cristo – Sua vida, humilhação, morte e intercessão pelo homem caído – engrandece a lei e a torna gloriosa” (Ellen G. White, Mensagens Escolhidas, v. 1, p. 371).

 

Perguntas para consideração


1. Leia os textos desta semana e então, em suas próprias palavras, escreva um parágrafo resumindo o que eles dizem. Compartilhe seu parágrafo com os outros em sua classe.
2. Pense no custo de nossa salvação: a morte do Filho de Deus. O que isso deve nos dizer sobre a gravidade do pecado? Afinal, se deixássemos de pecar e nunca fizéssemos isso novamente, por que isso ainda não seria suficiente para nos tornar justos diante de Deus? Como esse fato pode nos motivar a resistir à tentação de pecar?
3. De que modos podemos ser tentados a abusar dessas maravilhosas novas sobre a salvação unicamente pela fé? Em que armadilha alguém pode cair nesse tipo de pensamento? (Veja 2 Pe 3:16; 1Jo 3:7.)