
| Sábado à tarde | Ano Bíblico: Rm 14–16 |
VERSO PARA MEMORIZAR: “Ele o cobrirá com as Suas penas, e sob as Suas asas você encontrará refúgio; a fidelidade dEle será o seu escudo protetor” (Salmo 91:4, NVI).
Leituras da semana: Dt 30:19; 2Sm 3:6-11; 21:1-9; Mc 13:13
A história de Rispa mostra uma mulher estranha desempenhando o papel de uma pessoa mais íntima. Só duas passagens bíblicas a mencionam explicitamente, e as duas estão relacionadas com o início do reinado de Davi, provavelmente antes de seu caso com Bate-Seba (2Sm 11). A maioria dos comentaristas da Bíblia concordam que 2 Samuel 21–24 não é uma sequência cronológica de 2 Samuel 20, mas traz informações adicionais que não se ajustam à linha histórica geral da vida de Davi.
Rispa existiu à margem da história do rei Davi. Sendo mulher e, ainda mais, sendo concubina de um rei anterior, poucas opções lhe restavam. De fato, suas perspectivas pareciam desoladoras e tristes. Seu dois filhos estavam mortos, a família estendida de seu falecido “marido” estava à beira da extinção. Apesar disso, em vez de ficar em um canto, lamentando sua má sorte, ela agiu com nobreza. Sua presença em dois momentos cruciais da história de Davi a tornaram alguém que fez um rei e edificou sua nação. Com Rispa, todos podemos aprender algo incrivelmente importante: a fidelidade não é condicionada por circunstâncias nem por boa (ou má) sorte. A fidelidade é o compromisso incondicional de fazer o que é certo, não importando o custo.
| Domingo | Ano Bíblico: 1Co 1–4 |
1. No Antigo Testamento, existem muitas referências a concubinas (Gn 25:5, 6;
Jz 8:30, 31; 2Sm 5:13-16; 1Rs 11:2, 3). Que podemos aprender sobre elas?
Frequentemente, as concubinas eram tiradas de entre as servas ou empregadas de uma família. Seu propósito expresso era produzir herdeiros, e, se produziam descendentes masculinos, seu status e posição social eram semelhantes às das esposas legítimas. Os homens eram considerados maridos de suas concubinas (Jz 20:4), e seus filhos apareciam nas genealogias (Gn 22:24) e recebiam parte da herança (Gn 25:5, 6). É interessante notar que as concubinas apareciam principalmente no período patriarcal. Durante a primeira monarquia, as concubinas estavam relacionadas com as casas reais.
2. Que podemos aprender sobre Rispa e sobre suas circunstâncias naquele tempo específico? 2Sm 3:6-11
Rispa, cujo nome significa “brasa viva” (veja Is 6:6), fazia parte da casa real de Isbosete (“homem de vergonha”), o único filho restante de Saul, que, com a ajuda de Abner, tinha sido feito rei sobre Israel e se mudara para o outro lado do Jordão, em Maanaim (2Sm 2:8-10). O simples fato de que o autor bíblico incluiu informações sobre o pai de Rispa (“filha de Aiá”) sugere que a família dela deve ter sido importante e que ela não era uma simples escrava. Ironicamente, o nome do filho de Saul aparece com outra forma na genealogia de Saul, como Esbaal, “homem de Baal” (1Cr 8:33).
A forma usada em 2Sm 2:8-10 parece ser um sutil insulto do autor bíblico: o homem de Baal era um embaraço para a casa de Saul e, assim, um “homem de vergonha”.
As circunstâncias pessoais de Rispa estavam longe do ideal. Ela pertencia à casa de Saul e, embora o hábil general Abner estivesse sustentando Isbosete – o fraco descendente de Saul – sendo concubina de Saul, Rispa não tinha segurança. Seu destino parecia totalmente fora de suas mãos, determinado por forças e circunstâncias além de sua autoridade ou controle.
Jesus nos disse que, se um homem cobiçar uma mulher, em seu coração, já terá cometido adultério com ela (Mt 5:28). Porém, no Antigo Testamento, muitos homens de Deus tiveram concubinas. Como reconciliar esse fato com o que Jesus disse? (Enquanto pensa em uma resposta, lembre-se de que só porque a Bíblia menciona que algo era praticado não significa que Deus aprovava nem que era o melhor caminho para se viver.)
| Segunda | Ano Bíblico: 1Co 5–7 |
As coisas não estavam indo bem para Isbosete na guerra entre a casa de Saul e a casa de Davi (2Sm 3:1). Em contraste com a decadência na corte de Isbosete, o texto bíblico insere nesse momento da história uma lista dos filhos de Davi que nasceram em Hebrom (2Sm 3:2-5). A lista reflete a força crescente de Davi, visto que filhos significam futuro e segurança.
Como vimos (2Sm 3:7-10), Isbosete, o “homem de vergonha,” acusou seu general, Abner, de ter dormido com a concubina de seu pai, Saul. A julgar pela forte
reação de Abner, essa foi uma ofensa muito séria.
3. Leia os versos seguintes e explique o que significava dormir com a esposa ou concubina de um homem poderoso nos tempos do Antigo Testamento. 2Sm 16:21, 22; 20:3; 1Rs 2:21, 22
Rispa não é muito ativa na história, que se concentra em Abner e Isbosete. Afinal, ela era apenas uma concubina. Parecia ser outro peão no jogo de poder entre dois homens. O texto bíblico não esclarece se Abner realmente dormiu com Rispa a fim de tentar usurpar o trono. O fato de que ele mudou tão depressa de lado sugere que esse foi só um boato que circulou na improvisada corte real em Maanaim. Se realmente quisesse ser rei de Israel, teria ele tanta disposição de se unir às forças de Davi, o “ungido do Senhor”?
Abner cumpriu a ameaça de desertar para Davi (2Sm 3:9, 10, 12). A acusação de Isbosete induziu o importante mantenedor do poder da casa de Saul a jurar lealdade à casa de Davi, que assegurou o desaparecimento da casa de Saul. Esse fato ocorreu logo depois (veja 2Sm 4). Foi realmente a menção do nome de Rispa que provocou essa mudança. Embora Rispa não seja ativa no relato, ela é altamente significativa.
Sem a reação de Abner à acusação de Isbosete, provavelmente, a guerra entre as duas partes teria durado muito mais. Não sabemos o que aconteceu a Rispa em seguida. Ela só reaparece nas lembranças de Davi em 2 Samuel 21:1-14, onde ela desempenha um papel sutil mas incrivelmente importante para reunir as tribos e facções.
Frequentemente, nos vemos apanhados por circunstâncias que não podemos controlar. Ainda assim, o que sempre podemos controlar, e por que, no fim, é isso o mais importante? Veja Dt 30:19; Mc 13:13.
| Terça | Ano Bíblico: 1Co 8–10 |
Houve uma terrível fome em Israel. O texto hebraico enfatiza o longo período sem nenhuma chuva (“por três anos consecutivos”). Isso não era normal. O povo considerava que Deus era diretamente responsável por dar chuva e reter chuva. Davi consultou ao Senhor. Não sabemos por que meios ele recebeu a resposta de Deus, mas seu conteúdo é muito claro: “Há culpa de sangue sobre Saul e sobre a sua casa” (2Sm 21:1).
4. Leia 2 Samuel 21:1-6. Por que os descendentes de Saul deveriam sofrer pela culpa de seu antepassado? Isso não contradiz Deuteronômio 24:16, Jeremias 31:29, 30 e Ezequiel 18:1-4?
Esse é um assunto difícil e provoca debates entre os estudiosos. Onde está a justiça de Deus aqui? A justiça é algo coletivo ou individual? Alguns comentaristas sugerem que Davi usou a fome como desculpa conveniente para se livrar de possíveis rivais ao trono e que a resposta do Senhor em 2 Samuel 21:1 tenha sido uma espécie de manipulação inteligente das mensagens divinas para o interesse próprio de Davi; mas, no texto bíblico, não existe nenhuma indicação de que essa tenha sido sua motivação. O que o texto claramente afirma é que Saul procurou aniquilar os gibeonitas, que estavam ligados com os “amorreus”, os habitantes originais de Canaã antes de Israel tomar posse da Palestina.
O texto destaca um princípio muito importante das Escrituras: embora a salvação dependa de nossas decisões, nossas ações e escolhas afetam muitos ao
nosso redor e nunca ocorrem em isolamento. Quando reis fiéis reinavam em Jerusalém, Judá seguia a lei de Deus e buscava viver de acordo com a vontade de Deus; por outro lado, reis infiéis derrubavam muitos em Israel.
Nos textos históricos do Antigo Testamento, não existe referência à tentativa de Saul de destruir os gibeonitas. Porém, o exemplo de vingança de Saul na cidade sacerdotal de Nobe (1Sm 21) sugere que Saul era capaz disso. Aparentemente, o zelo de Saul parece bom (afinal, os gibeonitas eram estrangeiros), mas a
avaliação divina desse ato destaca a elevada consideração de Deus para a fidelidade
(Js 9:15-21). espera que honremos nossas promessas. Como veremos, Rispa nos dá (e ao rei Davi!) um exemplo de fidelidade.
Embora não entendamos completamente por que deveria haver fome por causa dos pecados de Saul, devemos nos lembrar de que nossas ações trazem consequências – sempre. Mas, como cristãos, devemos evitar cometer erros, não pelas potenciais consequências do ato, mas pela injustiça do ato em si. O que mantém você mais em linha: o medo das consequências de suas ações erradas ou o desejo de não agir de forma errada?
| Quarta | Ano Bíblico: 1Co 11–13 |
Davi consentiu com o pedido dos gibeonitas, e sete descendentes de Saul foram encontrados. É aqui que encontramos Rispa novamente. Seus dois filhos com o rei Saul estavam entre os selecionados para execução a fim de que fosse alcançada a “expiação”. 2 Samuel 21:3 usa a palavra hebraica expiação, que aparece também em contextos como o Dia de Expiação em Levítico 16. Em 2 Samuel 21:1-9 há um exemplo de textos nas Escrituras que não conseguimos explicar completamente, mas ainda assim precisamos simplesmente confiar no Senhor.
5. Que outros exemplos como esse (de coisas que não entendemos completamente) você encontra em situações na Bíblia em que, apesar de não compreendermos, precisamos confiar na bondade e misericórdia de Deus,
ainda assim? (Leia 2Sm 21:1-9.)
Davi se lembrou da promessa feita a seu amigo Jônatas (1Sm 20:12-17, 42) e, consequentemente, não entregou o filho de Jônatas, Mefibosete, aos gibeonitas. Isso enfatiza um ponto importante no texto bíblico: embora Saul houvesse quebrado um voto de Israel aos gibeonitas, Davi honrou seu voto a Jônatas, mesmo depois de sua morte.
6. Que fez Rispa quando seus filhos foram mortos? 2Sm 21:9, 10. O que isso nos diz sobre ela?
O autor enfatiza sua elevada consideração pelos atos de Rispa mencionando novamente o nome do seu pai (cf. 2Sm 3:7), em contraste com Davi, que não é chamado de rei nem por sua linhagem. Só podemos imaginar a dor e o pesar de Rispa ao vigiar os corpos dos sete executados. Ela construiu uma cabana provisória de pano de saco, e lá, a céu aberto, acampou perto dos corpos em decomposição e os protegeu da profanação por pássaros e animais. Rispa não fez isso nem por um nem por sete dias, mas parece que vigiou os corpos por muitas semanas, até começarem as chuvas do outono. Rispa foi não apenas mãe dedicada, mas se distinguiu como exemplo de fidelidade em uma história dominada por homens que nem sempre foram fiéis.
| Quinta | Ano Bíblico: 1Co 14–16 |
O exemplo de fidelidade de Rispa chamou a atenção de Davi. O autor bíblico inclui novamente a genealogia completa de Rispa quando Davi foi informado de sua ação. Ela não era uma mãe qualquer. Ela era filha de Aiá e concubina de Saul. O fato de ela estar na montanha “perante o Senhor” perto dos sete corpos, parece ter motivado Davi a considerar isso um ato muito importante: ele ordenou o sepultamento apropriado de Saul, de Jônatas e dos descendentes de Saul.
7. Como Davi foi afetado pelas ações de Rispa? 2Sm 21:11-14
Muitos dos vizinhos de Israel consideravam que um enterro apropriado era essencial para a habilidade do falecido de chegar a um lugar em que os deuses distribuiriam justiça. As pirâmides do Egito eram tumbas enormes, testemunhando sobre a importância do sepultamento na cultura egípcia. Em contraste, as práticas de sepultamento de Israel não eram elaboradas, porque os autores bíblicos consideravam que a morte era um estado de inconsciência (Ec 9:5, 6). Esse enterro, porém, foi muito significativo, pois marcou o fim das lutas entre as tribos e lançou o fundamento de um Israel unido.
8. De acordo com o texto de hoje, o que causou o fim da fome? 2Sm 21:1-14
A fome não terminou logo que os sete descendentes de Saul foram executados. Deus respondeu ao apelo em favor da terra só depois que Davi proveu um lugar respeitável de descanso para os restos de Saul e seus descendentes. Em outras palavras, embora justiça e retidão sejam elementos importantes de nossa interação uns com os outros, requer-se também reconciliação. O exemplo de fidelidade de Rispa, mesmo sob condições desesperadoras, parece ter provocado fidelidade e reconciliação em escala muito maior, resultando em um Israel preparado para começar a curar as feridas da guerra entre as tribos. O papel de Rispa nessa parte crucial do reinado de Davi ensina uma lição importante que perdura ao longo dos séculos: as circunstâncias, apenas, não fazem nem destroem um filho de Deus; ao contrário, por nossas escolhas, para o bem ou para o mal, determinamos se seremos um fator de pouca importância ou se nossa fidelidade ainda influenciará poderosamente as pessoas ao nosso redor. Mediante uma vida fiel, Rispa influenciou sutilmente a conduta de uma nação.
Pense no poder do exemplo: por suas ações, Rispa, a concubina de um inimigo, influenciou grandemente Davi. O que isso deve nos dizer sobre o poder de nossa influência, não importando quem somos? Pense naqueles a quem você está influenciando. Como você pode ser uma influência melhor do que é atualmente?
| Sexta | Ano Bíblico: 2Co 1–4 |
O evangelho é uma mensagem de paz. O cristianismo é um sistema religioso que, recebido e obedecido, espalha paz, harmonia e felicidade por toda a Terra. A religião de Cristo liga em íntima fraternidade todos os que lhe aceitam os ensinos. Foi missão de Jesus reconciliar os homens com Deus, e assim, uns com os outros” (Ellen G. White, O Grande Conflito, p. 47).
“Uma coisa é ler e ensinar a Bíblia, e outra coisa é ter gravados na mente, mediante a prática, seus princípios vivificantes e santificantes. Deus está em Cristo, reconciliando o mundo consigo mesmo. Se aqueles que afirmam ser Seus seguidores agem independentemente, não mostrando interesse afetuoso ou compassivo de uns para com os outros, é porque não são santificados para Deus. Não têm Seu amor no coração” (Ellen G. White, Review and Herald, 17 de março de 1910).
Perguntas para consideração
1. Em sua classe de Escola Sabatina, pense em maneiras de demonstrar a fidelidade de Deus às pessoas de sua comunidade que ainda não O conhecem por experiência.
2. Que é fidelidade? Peça que diferentes membros da classe definam fidelidade, usando personagens bíblicos como exemplos.
3. Muitas vezes, parece que somos impotentes e não temos escolha em nossas dificuldades. Que podemos aprender de uma mulher como Rispa, que, apesar das circunstâncias, agiu tão fielmente diante do Senhor?
4. Pense mais no poder do exemplo. Quem são os exemplos poderosos em sua cultura e sociedade? São bons ou maus exemplos? Que dizer de seu próprio exemplo? Que influência você acha que tem sobre os que observam seu comportamento? Qual é a diferença entre seu exemplo em casa e em público ou na igreja? Aqueles que admiram seu exemplo em público ficariam chocados se vissem seu exemplo em casa?
Respostas sugestivas:
Pergunta 1: No tempo patriarcal, era um aspecto cultural geralmente aceito. No tempo dos reis, eram estes que mais frequentemente tomavam para si muitas mulheres.
Pergunta 2: Rispa estava inteiramente à mercê de seus senhores, sem muito espaço próprio para decisões.
Pergunta 3: Quando alguém tomava o poder em determinada cidade ou reino, para afirmar sua supremacia, tomava para si as mulheres do governante anterior.
Pergunta 4: Leia a nota a seguir.
Pergunta 5: Resposta pessoal.
Pergunta 6: Protegeu os corpos de seus filhos e dos outros cinco, para que não fossem consumidos pelas aves de rapina nem por outros animais.
Pergunta 7: Davi mandou sepultar os ossos de Saul e de Jônatas, juntamente com os dos sete que tinham sido enforcados.
Pergunta 8: A reconciliação, simbolizada pelo sepultamento dos restos de seus adversários.