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10-17 de março de 2012


Lição 11 – Deus como artista

 

Introdução

Falar sobre os atributos de Deus deve sempre deixar a criatura maravilhada. Deus não apenas possui atributos diretamente identificados com aspectos religiosos, tais como santidade, pureza, verdade, imutabilidade, amor, etc. Nosso Deus é Deus de tudo! Assim sendo, Ele é o Deus perfeito em todas as esferas, imagináveis e inimagináveis do Universo. O Criador Se revela à criatura por aquilo que Ele faz e o que faz é perfeito. Sua criação foi perfeita e em todos os campos. Hoje, a despeito da existência do pecado que nos limita e que também se estendeu à criação, podemos observar o que Deus é. Mesmo que não O levemos em conta como Criador, Deus é perfeito em tudo e em todas as circunstâncias e conhecimentos. Ele é o Deus sem limites de tudo o que existe: astronomia, botânica, genética, informática, física, química, razão, lógica. É o Deus de todas as ciências, do macro e do micro, do que é reduzido e das maiores extensões. É o Deus de todas as áreas: esporte, medicina, direito, trabalho, família, lazer, descanso, etc. Ele é muito mais que o Deus da religião.

 

Onde quer que Deus Se manifeste, Ele sempre Se revela em perfeição. O que Ele faz é harmônico, pleno, equilibrado, de bem, cheio de graça, tem conteúdo e essência. NEle se encontram as perfeições éticas e estéticas. O que Deus faz sempre é belo, bom e perfeito. Como músico, é a essência da mais sublime melodia, das polifonias, dos acordes, dos harmônicos, das vozes, timbres, instrumentos, etc. Como artista plástico, Deus é e manifesta pureza, equilíbrio, sensibilidade, beleza, etc. Como médico, é o mais profundo conhecedor de todas as estruturas humanas. É o cirurgião dos milagres; é o neurologista que conhece todos os escaninhos do cérebro; é o geneticista que consegue decifrar (e determinar) as cadeias do DNA de cada ser vivo. É o arquiteto e engenheiro que consegue colocar em seus projetos todas as virtudes do prático, útil, funcional, estruturalmente equilibrado e simétrico. É o professor de todas as disciplinas e o único capaz de realmente compreender todas as ciências... Onde vamos parar? Não é possível limitar a extensão do conhecimento e ações de nosso Deus.

 

Tudo o que Deus faz não é somente necessário, proveitoso, conveniente e moralmente bom, mas é também estético e belo. Deus criou tudo e com beleza pura.

 

Mesmo que não consigamos definir com precisão o que é beleza, não implica que ela não esteja, em sua plenitude, nas obras divinas. Se há um lugar em que realmente existe o belo é nas ações criativas de Deus.

 

Nosso conceito de beleza poderá variar no tempo e depender da cultura. “A dificuldade de conceituar o belo acompanha a história da filosofia, desde a Grécia Antiga. ‘Toda beleza é difícil’, indica Sócrates.” Platão entendia a beleza de maneira subjetiva e sensorial. Para ele, beleza era o prazer gerado no observador pelas coisas belas. Expondo uma visão objetiva da beleza, Aristóteles afirmou que "as principais formas de beleza são a ordem, a simetria e a definição clara." De lá para cá, as definições de beleza têm pendularmente se alternado entre concepções subjetivas e objetivas.

 

O que é belo para uns é exótico para outros. Depende do que chamamos “gosto”. Ricos e pobres têm gostos diferentes. Brasileiros e ingleses têm percepções próprias do que é belo. A “Mona Lisa” (La Gioconda) retrata uma beleza romântica radicalmente distinta da sociedade consumista pós-moderna definida pela “magreza” feminina. Uma obra de Michelângelo passa por um juízo estético distinto de um quadro de Salvador Dali. De fato, o que define a beleza é a preconcepção filosófica adotada. O romanticismo medieval define e vê o belo diversamente do minimalismo contemporâneo. O que muda é a forma de pensar, a filosofia. No caldeirão filosófico do séc. 21, é tarefa complexa determinar o que é belo. Nunca foi tão verdade o ditado que diz que “há gosto para tudo”. Tomemos como exemplo apenas as manifestações musicais de nossos dias que variam do clássico ao funk neurótico e sensual.

 

Assim, o que é considerado bonito pode variar cultural, social ou historicamente, mas no contexto da beleza divina ela é sempre beleza. O belo revelado pelo divino é eternamente belo. Não é uma beleza estática, mas uma beleza que frui da perfeição. O belo divino é essencialmente reconhecido como belo e assombroso, é maravilhoso demais e está além de nossa percepção natural (Sl 139:6). Só a mente desestruturada pelo pecado não é capaz de identificar o que Deus fez e faz como belo.

 

Por que Deus Se revela no belo?

A beleza das coisas criadas por Deus, o Supremo Artista, existem para poder ser contempladas pelas criaturas racionais. Assim, o belo existe para que o contemplemos e nos assombremos com a grandiosidade do Criador. Não que Deus seja alguém de caráter exibicionista, que produz o belo para satisfazer Seu ego. A beleza é uma irradiação do Seu caráter perfeito, puro e misericordioso. Nem podemos imaginar o que seria do ser humano sem que esse estive exposto à beleza manifestada por Deus. O Criador é o artista do amor revelado, isto é, do belo, da vida. A vida é a manifestação plena da beleza!

 

É curioso observarmos que, ao falarmos de Deus e Suas obras, todas se enchem de tamanha complexidade funcional que nos deixa atônitos. Deus é engenheiro, arquiteto, físico, químico, médico, pastor, pedreiro, psicólogo, pintor, escultor, músico, escritor, cientista, advogado, astrônomo (etc.) tudo ao mesmo tempo e com total conhecimento e perfeição. Como somos limitados, mesmo em nossa mais alta especialidade!

 

É igualmente curioso quando o ser humano quer “fazer um pouco o papel de Deus” e tenta recriar os grandes “cenários” da natureza. Já viram como um escultor tenta criar a figura humana a partir do barro? O máximo que consegue é revelar a disposição exterior, sem vida de um corpo. Na maioria das vezes o resultado é um boneco. Com Deus não é assim. De acordo com Salmo 139:13-16, Deus ainda nos cria no ventre de nossa mãe e “tece” cada um de nossos detalhes genéticos. A criação de Adão não foi como se Deus fosse um Da Vinci esculpindo a estátua de Moisés. Com Suas mãos, Deus criou cada estrutura do corpo humano, os ossos, os órgãos, os sistemas. Havia beleza perfeita no interior e no exterior do “barro” Adão. Ele não era um mero boneco... Ao observar como um apaixonado por peixes em aquários tenta recriar o ecossistema equilibrado de rios e oceanos, podemos entender a grandiosidade da criação. Como é difícil controlar a temperatura, luminosidade, densidade da água, ph, equilíbrio entre oxigênio e gás carbônico, metais, plantas e o famoso ciclo do nitrogênio para fazer com que os peixes vivam como na natureza.

 

O “mundo” produz naturalmente o mal e o feio. Lúcifer, que fora o agente maior da beleza e perfeição, se tornou o artífice do imoral, antiético e “inestético”. O feio e a degradação do que foi belo faz parte da degradação provocada pelo pecado.

 

A morte é a representação mais evidente dessa “feiura”. Contudo, foi no quadro mais feio e tétrico que jamais poderíamos imaginar, a cruz de Cristo, que o belo venceu a feiura e o horror. Na cruz houve o confronto do pecado com a santidade, da morte com a vida. A Vida triunfou! O Belo venceu!

 

A história do grande conflito é o drama do retorno da beleza a um universo que foi subvertido pelo pecado. Assim, o cristão deve ser o agente da beleza.

 

É impressionante perceber, contudo, como foram corrompidas nossas percepções para a contemplação do belo. Qual foi a última vez que você parou para observar a beleza de uma flor? Ou quando foi que você observou uma trilha de formigas na sua tarefa de alimentar o formigueiro e não teve a vontade de esmagá-las com os sapatos?

 

Temos muito mais facilidade em identificar como “belo” as invenções e maquinações humanas. Achamos bonito um carro, uma moto, uma casa ou mesmo um quadro que retrata um buquê, mas temos dificuldades em perceber a beleza harmônica e simétrica de um simples arbusto ou pássaro. As fabricações humanas, como seu computador, seu celular, seu blue-ray, e uma tv 3d parecem nos impressionar mais que a beleza natural. Espantamo-nos com a tecnologia incorporada em um avião ou num tablet e nos esquecemos de como fomos criados (Sl 136:13-15).

 

Vamos analisar a beleza exterior do ser humano por um instante. O rosto da mulher sempre irradia beleza e raramente sensualidade (somente quando o rosto é elaborado com o objetivo de “chamar a atenção”). O problema quanto à sensualidade do corpo feminino se evidencia quando há exposição provocativa por parte dela ou quando a mente do homem se enche de egoísmo e a deseja (Mt 5:28). O corpo humano foi criado à imagem de Deus e por Deus (Gn 1:26), portanto, revela beleza, a despeito do pecado. Um bebê é belo na sua ternura, um casal jovem revela o frescor da beleza e a matriarca, já curvada pelos anos, mostra a beleza da sabedoria acumulada pela existência. Deus nos criou únicos. Não existe ninguém que exponha a beleza que você poderá demonstrar. O próprio Cristo não atraía Seus seguidores por ter a aparência de um artista global. Não há registro de que Seus discípulos e “discípulas” O seguiam por ter sido Ele um galã. Ao contrário, Isaías 53:2 afirma que “Ele não tinha qualquer beleza ou majestade que nos atraísse, nada havia em Sua aparência para que O desejássemos”.

 

Muito se fala da beleza interior em comparação com a exterior. Existem virtudes da alma, também oriundas da beleza criadora de Deus, que mostram que a alma humana pode ser igualmente bela. Os frutos do Espírito são evidências dessa beleza de caráter incomparável (Gl 5:22-23). De forma inversa, os frutos da carne (vs. 19-21) indicam uma feiura de alma capaz de quase deslustrar totalmente a imagem de Deus no ser humano. Você acredita no dito popular que diz “por fora, bela viola, por dentro, pão bolorento”?

 

Um dos propósitos pelo qual fomos criados é observar as coisas criadas por Deus e dela cuidarmos. A natureza oferece lições inimagináveis! A natureza testifica de Deus. “Para a criancinha, ainda incapaz de aprender pela página impressa, ou tomar parte nos trabalhos de uma sala de aulas, a natureza apresenta uma fonte infalível de instrução e deleite. O coração que ainda não se acha endurecido pelo contato com o mal, está pronto a reconhecer aquela Presença que penetra todas as coisas criadas. O ouvido, ainda não ensurdecido pelo clamor do mundo, está atento à Voz que fala pelas manifestações da natureza. E para os mais idosos, que necessitam continuamente desta silenciosa lembrança das coisas espirituais e eternas, as lições tiradas da natureza não serão uma fonte inferior de prazer e instrução” (Ellen G. White, Educação, p. 100). “Todas as coisas, tanto no Céu como na Terra, declaram que a grande lei da vida é a lei do serviço em favor de outrem. O Pai infinito atende à vida de todo ser vivente. ... A mesma lei do serviço está escrita sobre todas as coisas na natureza. Os pássaros do ar, as bestas do campo, as árvores da floresta, as folhas, as flores, o Sol no céu e as estrelas luzentes, tudo tem seu ministério. O lago e o oceano, o rio e as fontes, cada um tira para dar” (p. 103). A própria instituição do sábado nos chama a atenção para a observação da natureza. Ellen G. White sugere inúmeras vezes que os pais deveriam levar seus filhos à natureza no sábado à tarde. O que nossos filhos têm feito no sábado enquanto dormimos?

 

O que gostamos de observar? É impressionante analisar os “gostos” de nossa geração. Uns gostam de se exibir e outros se deleitam nessa exposição. Existem veículos de mídia especializados em “mostrar” o que gostamos de ver. Desde os que expõem a sensualidade e a pornografia até os sofisticados que falam da fama, das riquezas e do prazer. É chocante perceber que existem milhões de “voyeurs” viciados a observar e financiar as indiscrições de um grupo de “espécimes” que se vendem às câmaras num programa de tv, como o BBB. Quais são as revistas que vendem mais? Mesmo os programas que exploram o lado horroroso da sociedade são campeões de audiência (como exemplo, o programa apresentado pelo popular Datena). E a internet? As chamadas redes de relacionamento social como Orkut e Facebook, entre outros, evidenciam a fragilidade de nossos desejos. Há os que gostam de exibir suas viagens, seu corpo, dinheiro e bens. E há os que gastam horas por semana observando obcecados pelas mazelas dos que se expõem, como se a vida fosse uma festa interminável. “Sabe quem eu encontrei no Facebook?” Essa é a frase mais falada hoje. O espiritualmente correto diria: Sabe quem eu encontrei ao observar a natureza hoje? A preocupação de milhões é seguir os passos “twítticos” de alguém em vez de seguir a Cristo. Não somos contra os internautas nem as redes sociais, contudo, temos que manter nossa mente focalizada no que é realmente importante.

 

Vamos dar “uma espiada” em algumas coisas que Deus, o Artista, fez?

 Ao olharmos para cima, para o céu, numa noite qualquer, não observamos quase que nada. Por estarmos blindados pela grande luminosidade e poluição das cidades, o céu estrelado se tornou raridade. Mas, independentemente de onde estivermos, lá está o “espaço exterior” com suas proporções incomensuráveis.

 

O Sol, a estrela de nosso sistema, de cuja luz e calor tornam possível a existência da vida na Terra, possui a temperatura média de 6 mil graus centígrados. Sua luz nos atinge em apenas 8 minutos. Contudo, seu tamanho é assombroso: ele é um milhão de vezes maior que a Terra. Caberiam 960 mil “terras” dentro do Sol. Se a Terra tivesse o tamanho de uma bola de pingue-pongue, o Sol seria representado por uma bola de quatro metros de diâmetro.

 

Deixando para traz o sistema solar vamos encontrar o mundo estelar. A diversidade é surpreendente (1Co 15:41). As estrelas podem ser simples, binárias ou múltiplas. Sempre constituem sistemas complexos, divergindo em tamanho, massa, densidade, cor, velocidade de rotação, composição química, brilho campo magnético, temperatura, etc. As estrelas também se agrupam, formando maciços estelares com dezenas de milhões de estrelas. Nosso Sol e a maioria das estrelas que vemos a olho nu fazem parte do maciço de Órion.

Betelgeuse, uma das estrelas mais brilhantes em nosso firmamento, possui o tamanho de dois sistemas solares e está c. 640 anos luz da Terra. Isto é, para lá chegarmos, teríamos que andar à velocidade de 300 mil quilômetros por segundo, durante 640 anos. E essa é uma das estrelas mais próximas de nós! A estrela VY Canis Majoris, na constelação Cão Maior (algumas estrelas dessa constelação representam estados no céu da bandeira brasileira), é a maior estrela que conhecemos. Dentro dela caberiam sete quadrilhões de “terras”. Se a Terra fosse do tamanho de uma bola de golfe, Canis Majoris teria o tamanho do monte Everest.

 

As galáxias, por sua vez, são verdadeiros sistemas estelares, constituídas por bilhões de estrelas, de um incalculável número de planetas e satélites, nuvens de hidrogênio e poeira cósmica. A forma mais comum das galáxias, como a nossa Via Láctea, é espiralada, mas ocorrem em formas variadas como as elípticas. Uma das mais próximas de nós, a 24 milhões de anos-luz da Via Láctea, é a galáxia Whirpool, com cerca de 300 bilhões de estrelas. O curioso é que nela há um “buraco negro” no formato de uma cruz. O que é surpreendente é o número de galáxias que existem no Universo. Hoje se fala na existência de 2 bilhões de galáxias, caminhando num Universo aparentemente em expansão, sendo cada vez mais separadas por “espaço negro”, também chamado de “matéria negra”, da qual os astrônomos ainda não têm compreensão. Salmo 33:6 afirma: “Mediante a palavra do Senhor foram feitos os céus, e os corpos celestes, pelo sopro de Sua boca”. Nosso Deus não é indescritivelmente maravilhoso e assombroso? “Quão grande és Tu!” Faça uma pequena pesquisa no Google e encontre centenas de fotos do firmamento que ilustram a grandiosidade e perfeição do Artista que arquitetou o Universo. Não deixe de buscar o site do telescópio orbital Hubble (www.hubblesite.org).

 

Vamos dar uma “espiada” também no micro, no átomo que, por definição seria indivisível. Não sendo exaustivo, vejam em quantas partículas o átomo pode ser dividido: prótons, elétrons, nêutron, neutrino, posítrons, mu-mésons, pi-mésons, k-mésons, antiprótons, antineutrons, partícula lambda, partícula sigma, partícula xi, partícula ômega. Há alguns anos se fala de partículas mais fundamentais, como o quark. Hoje, os físicos nucleares discutem a existência do chamado “boson de Higgs”, ou a invisível “partícula de Deus” presente em cada átomo.

 

Do átomo à galáxia encontramos o Deus artista, que evidencia Sua grandeza mediante ordem, desígnio, diversidade e hierarquia. Das geleiras às profundezas dos oceanos observamos uma quantidade extraordinária de vida, cada qual existindo com propósito e beleza. Por exemplo, olhe para o esplendor de uma orquídea. Existem cerca de 60 mil espécies de orquídeas na natureza, não contando as híbridas. Cada uma em seu habitat específico, com cor, forma, textura, matizes e cheiro diferentes...

 

Agora, vamos dar uma pequena “espiada” dentro de nós mesmos. Louie Giglio, conhecido palestrante cristão, depois de explorar o tema da grandiosidade de Deus por meio da astronomia, tem se dedicado a perceber as maravilhas de Deus na criação do ser humano. Do macro galáctico, para o micro dentro de nós, Giglio tem exposto a complexidade assombrosa presente no DNA de cada uma das células dos seres vivos. Nosso corpo possui, em média, 75 trilhões de células. Nos seres humanos, o DNA é constituído pela combinação de quatro tipos de nucleotídeos apenas, formando três bilhões de caracteres. Isto é, cada um em cada uma das células, existe uma sequência de DNA que é única. O genoma humano revela que fomos criados por Deus à Sua imagem e beleza. Na sua palestra “How Great Is Our God”, Giglio também fala sobre o milagre da “laminina" cujo clip já foi visto por mais de três milhões de pessoas somente no YouTube. Cada uma de nossas células possui uma molécula proteica chamada “laminina”. Procurando ser objetivo, é ela que determina o tipo específico de proteína que cada célula irá produzir. Em outras palavras, a “laminina” é a molécula da “adesão celular”, é ela que mantém a estrutura das células de nosso corpo. O mais incrível é que essa molécula tem a forma de uma cruz. Busque no Goggle uma imagem da “laminina” e você ficará atônito.

 

Parece-me que Agostinho ainda continua certo ao afirmar que “os seres humanos se surpreendem com a altura das montanhas, com as imensas ondas dos mares, com o longo curso dos rios, com o movimento circular das estrelas... mas passam por eles mesmos e não se notam.”

 

E o ser humano cristão como artista?

Quando lemos sobre a origem da arte na Bíblia, ficamos atônitos ao descobrir que os primeiros artistas e músicos eram descendentes de Caim (Gn 4:19-22). Assim, a arte parece ter começado num ambiente de incredulidade, imoralidade e violência. Deveríamos, então, repudiar qualquer forma de manifestação estética (artística) como tendo origem no povo inimigo de Deus?

 

Paradoxalmente, foi o próprio Deus que concedeu dons artísticos a Bezalel para que construísse o tabernáculo (Êx 31:1-7). Certamente, foi Deus quem inspirou as composições musicais e instrumentais representadas no livro de Salmos. A arte sempre acompanhou o povo de Deus.

 

O que fica evidente é que sempre houve uma clara distinção entre a arte produzida pelos filhos de Deus (judeus) com propósitos dignos e a arte produzida pelos pagãos. Deus proibiu definitivamente que fossem feitas imagens de escultura, mas Ele mesmo capacitou artistas para compor imagens de querubins que estavam no santuário. Assim, quando a arte está a serviço do bem ela é manifestação dos dons do Espírito e serve de enlevo e para a adoração do Deus verdadeiro. O outro lado da moeda é também evidente. Existem artistas dissociados da virtude e suas obras estéticas distanciam o ser humano da verdade, do bem, do belo divino.

 

No templo de Salomão podemos encontrar exemplos de arquitetura apropriados para a adoração. Que mal haveria hoje em ter igrejas arquitetonicamente preparadas para o louvor comunitário? O livro de Apocalipse é cheio de arte do primeiro ao último capítulo.

 

A música e a poesia estão incontestavelmente presentes nas Escrituras. Há até certa representação encenada no livro de Ezequiel.

 

Embora seja complexa a questão das manifestações artísticas, especialmente no século 21, necessitamos fazer a distinção entre aquilo que o “mundo” considera belo e o belo que tem como inspiração a beleza divina.