
“Pois o pecado não os dominará, porque vocês não estão debaixo da lei, mas debaixo da graça” (Rm 6:14).
Prévia da semana: A morte de Cristo na cruz não somente perdoa, mas nos concede poder para não sermos escravos do pecado. O Espírito Santo atua em nossa vida para termos um caráter cada vez mais semelhante ao de Cristo. Isso não significa perfeccionismo, mas crescimento na graça.
Leitura adicional: Romanos 6; Caminho a Cristo, p. 98-104.
![]() |
|
Por que não abandonar o pecado? |
Ainda é tão real como se tivesse acontecido ontem. Quando eu era pequena, em minha escola, uma das atividades extraclasse era fazer trilhas. Eu treinava bastante até o dia do grande evento. O evento era o momento em que precisava provar minha competência para minha escola e meus amigos. Eu colocava naquilo toda a energia que tinha. Tudo aquilo compensava. Eu ficava orgulhoso de mim mesmo por causa do que conseguia realizar.
Jesus deseja que concentremos todos os nossos esforços em ser totalmente dedicados a Ele. Jesus Se sente orgulhoso quando vencemos o pecado com a ajuda do Espírito Santo. Pecado é uma ofensa cometida contra Deus, e há um preço a pagar por ele se continuarmos a viver em pecado. É por isso que Jesus foi à nossa frente, em forma humana, para nos mostrar que há esperança. Ele não consentia em pecar, nem mesmo por pensamento ou tentação. Ele veio nos mostrar como viver, e não apenas isso. Além de ser nosso exemplo, Sua morte na cruz nos dá poder para uma vida vitoriosa sobre o pecado. Logicamente, ainda vamos pecar, mas estaremos nos tornando cada vez mais semelhantes a Cristo. Se colocarmos nossa fé nEle, coisas maravilhosas acontecerão.
Romanos 6:4 nos ensina que parte do processo de dar nosso coração totalmente a Deus é morrer com Ele por ocasião do batismo. Isso simboliza a purificação do pecado e nosso desejo de andar com Ele. Além disso, Romanos 6:5 promete que “Se dessa forma fomos unidos a ele na semelhança da sua morte, certamente o seremos também na semelhança da sua ressurreição.”.
Nesta semana estudaremos profundamente como podemos ter vitória sobre o pecado. Que diferença essa vitória faz em sua vida?
Mãos à Bíblia |
1. Qual é a resposta de Paulo aos que argumentam que podemos viver “em pecado”? Rm 6:1-11
Apesar de, mesmo salvos por Jesus, ainda sermos pecadores, não devemos viver pecando como antes de conhecê-Lo, pois morremos para o pecado e o “velho homem” é sepultado, no batismo.
2. Por outro lado, podemos viver sem pecar? Como entender isso? Rm 3:23; 1Jo 1:10; 2:1
É impossível chegar a um estágio em que possamos dizer: “Não peco mais”. Isso seria uma mentira. Em vez de pensar em impecabilidade, deveríamos pensar em crescimento. E, quando errarmos em algum ponto, devemos nos levantar, sacudir a poeira e nunca deixar de seguir a Jesus (Pv 24:16).
|
Audia Johnson – West Bay, Ilhas Cayman
![]() |
|
Vencendo o pecado |
O símbolo da vitória sobre o pecado (Rm 6:1-11). Não há nenhum outro símbolo que descreva melhor a morte e sepultamento da velha vida pecaminosa do que o rito do batismo. A vida cristã consiste em morrer, pois em morrer há vida. Morrer para o velho eu pecaminoso resultará numa atitude transformada em relação à vida. Através da morte do velho eu, somos libertados do pecado para andar em novidade de vida, porque já não somos escravos do pecado. Portanto, o batismo não é o fim. É apenas o começo de nosso crescente relacionamento com Cristo. Em Romanos 6:1-11, Paulo menciona repetidamente a frase “com Cristo”. “Fomos sepultados com Ele” (verso 4), “morremos com Cristo” (verso 8), “viveremos com Ele” (verso 8). Isto sugere que a vitória sobre o pecado é um processo contínuo e pode ser alcançado somente através de Cristo.
A demonstração de vitória sobre o pecado (Rm 6:12-14).Uma vez que a vitória sobre o pecado é um processo contínuo, ela deve ser demonstrada de maneira concreta. Um exemplo mencionado no texto desta seção se relaciona ao nosso corpo. Somos encorajados a não pecar com nosso corpo. Paulo nos exorta a usá-lo total e completamente para a glória de Deus. Após termos a certeza de nossa salvação, podemos estar inclinados a abusar da graça de Deus. Talvez paremos de crescer em Cristo, ou talvez fiquemos desanimados, mas Deus promete que podemos perseverar através de Sua graça. Devemos obedecer-Lhe não por medo, mas por amor. E quando o amor é o princípio governante de nossa obediência, é fácil usarmos nosso corpo para a glória de Deus.
Outra analogia da vitória sobre o pecado (Rm 6:15-23). No texto desta seção, lemos a respeito da vitória sobre o pecado em termos do relacionamento entre um escravo e seu senhor. Ser liberto do pecado equivale a ser escravo da justiça. Os vencedores sobre o pecado são considerados escravos de Deus. Os escravos estão à disposição de seus senhores. O processo de sermos escravos de Deus leva à santificação (verso 19). E a santificação, em última análise, nos leva à vida eterna (verso 22) em Cristo Jesus. Não há outra maneira de recebermos a vida eterna exceto através dos méritos de Sua morte e graça. Precisamos estar ligados a Jesus Cristo. NEle, o dom da vida eterna é certo (verso 23). Ser escravo de Deus também significa ser liberto do pecado (verso 22). Esta ideia parece ser contraditória, porque ser um escravo subentende uma perda de liberdade. Mas o tipo de liberdade prometida é a liberdade para obedecer a Deus de coração (verso 17). É uma experiência libertadora obedecer a alguém, não porque somos forçados a fazê-lo, mas porque gostamos de fazê-lo. Isso também é uma experiência que liberta, em contraste com a vida desanimadora de sermos escravos do pecado. Essa vida só leva de um pecado a outro (verso 19). Assim, é muito melhor ser escravo de Deus.
O papel de Cristo em nossa vitória sobre o pecado (1Jo 1:8-2:10). O pecado é universal (Rm 3:23; 5:12). Todo ser humano é pecador. Isso pode pintar um quadro negativo de nossa capacidade para vencer o pecado. Contudo, há boas notícias. Primeiro João 1:8–2:10 descreve o caráter de Cristo – quem Ele é em relação ao pecado e aos pecadores. Também nos diz como Cristo lida com o pecado. Mas, como pecadores, também temos uma parte a desempenhar. Precisamos confessar nossos pecados a Cristo. Confessar não é apenas pedir o perdão de Deus em geral. Também envolve reconhecer diante dEle os pecados específicos que cometemos. Então, porque Jesus é fiel e justo, Ele pode cumprir fielmente Sua promessa de perdão a nós.
Quando pecamos, Jesus não passa a nos amar menos. Seu perdão ainda está disponível, pois Seu desejo é de purificar-nos. Quando pedimos perdão, Jesus suplica ao Pai em nosso favor. Esse é o significado de Sua obra no santuário celestial. Com fé nEle como nosso Sumo Sacerdote no Céu, o perdão dos pecados é garantido. Às vezes, podemos ficar desanimados porque, por nós mesmos, não podemos guardar a lei e porque nosso pecado é tão profundo. Porém, nosso Deus nos deu um Salvador que pode não somente nos salvar da culpa do pecado, mas também capacitar-nos a vencer o pecado. Que grande Salvador e Redentor!
Mãos à Bíblia |
3. Que advertência é dada em Romanos 6:12?
O pecado é representado nesse verso como um rei. O pecado está sempre disposto a assumir o governo de nosso corpo mortal e determinar nosso comportamento. Quando Paulo afirmou “não permitam que o pecado continue dominando os seus corpos mortais”, disse que aqueles que são justificados podem evitar a entronização do pecado como rei sobre sua vida. É aí que entra a nossa parte com a decisão, influenciada pelo Espírito Santo, assim como o poder para concretizar essa decisão.
4. É um abuso da graça de Deus quando uma pessoa repetidamente comete um pecado específico, mas sempre pede perdão? Por que sim ou por que não? 5. Explique como o pecado não tem domínio sobre nós porque não estamos debaixo da lei mas da graça (Rm 6:14).
|
Ferdinand O. Regalado – Montemorelos, México
![]() |
|
Triunfo sobre o pecado |
“Há esperança para o homem. Cristo diz: ‘Ao vencedor darei o direito de sentar-se comigo em meu trono, assim como eu também venci e sentei-me com meu Pai em seu trono.’” (Ap 3:21). Nunca nos esqueçamos, porém, de que os esforços que fazemos em nosso próprio poder são completamente sem valor. Nossa força é fraqueza, loucura é nosso juízo. Só podemos vencer no nome e poder do Vencedor. Quando somos pressionados pela tentação, quando desejos indignos de um cristão clamam pela soberania, façamos fervorosa e insistente oração ao Pai celestial, em nome de Cristo. Isso trará auxílio divino. Em nome do Redentor podemos obter a vitória” (Ellen G. White, E Recebereis Poder, MM 1999, p. 358).
“Cristo prometeu que o Espírito Santo habitaria naqueles que lutam pela vitória sobre o pecado, para demonstrar o poder da força divina, dotando o instrumento humano de poder sobrenatural, e instruindo o ignorante nos mistérios do reino de Deus. ... “Quando uma pessoa está inteiramente vazia do próprio eu, quando todo falso deus é expulso do coração, o vazio é preenchido com a comunicação do Espírito de Cristo. Essa pessoa possui a fé que purifica a alma de contaminação. Está em conformidade com o Espírito e pensa nas coisas do Espírito. Não confia em si mesma. Cristo é tudo em todos” (Ellen G. White, Maravilhosa Graça, MM 1974, p. 210).
Mãos à Bíblia |
6. Leia Romanos 6:14. Como devemos entender este texto? Significa que os Dez Mandamentos já não mais são obrigatórios para nós? Por quê?
Romanos 6:14 é uma das declarações-chave em Romanos. Geralmente, pessoas que dizem a nós, adventistas, que o Sábado foi revogado usam esse verso. Porém, não é isso o que texto diz. O contexto de Romanos 6:14 indica que os crentes em Cristo não estão debaixo da condenação da lei, mas sujeitos a ela como todo ser humano, e por isso não vão pecar só porque estão debaixo da graça (Rm 6:15). Em outras palavras, a graça de Cristo não é um cartão verde para praticarmos o pecado. Sobre esse assunto, devemos levar em conta Romanos 3:31: “Anulamos então a lei pela fé? De maneira nenhuma! Ao contrário, confirmamos a lei.”.
7. Que pecados estão “reinando” em seu corpo?
8. Quais são algumas formas em que podemos nos guardar contra o pecado?
|
Trisha Long – West Bay, Ilhas Cayman
![]() |
|
O que devo fazer? |
Muitas pessoas hoje creem que, uma vez que alguém aceite a Cristo, não há problema em continuar a pecar, porque já não estão sob a lei, mas sob a graça. O que é graça, senão favor imerecido de Deus? Se abolirmos os mandamentos, como podemos saber o que é pecado? Pecado é a transgressão da lei. Se não há lei, não há transgressão (Rm 4:15). Se não há nada para transgredir, não há pecado. Se não há pecado, não há necessidade de um Salvador. E se não há Salvador, não há graça.
Em sua carta aos cristãos de Roma, Paulo tentou deixar clara a ideia de que a graça não era licença para continuar a pecar. O objetivo da carta de Paulo era ensinar como podemos ser tornados justos pelo sangue de Cristo. Muito embora Paulo estivesse se dirigindo à igreja cristã de Roma daquele tempo, suas palavras soam verdadeiras para nós.
A vitória sobre o pecado vem ao sabermos que Cristo nos deu poder para vencê-lo (Rm 6:6). Esse poder vem através da graça de Deus que reside em nosso coração através da habitação do Espírito Santo.
“Aqueles que se revestiram de Cristo pelo batismo, mostrando por esse passo sua separação do mundo e que prometeram andar em novidade de vida não devem erguer ídolos no coração. Os que uma vez se regozijaram na evidência dos pecados perdoados, que experimentaram o amor do Salvador, e que depois persistem em se unir aos inimigos de Cristo, rejeitando a perfeita justiça que Jesus lhes oferece, escolhendo os caminhos condenados por Ele, serão mais severamente julgados do que os pagãos que nunca tiveram luz e nunca conheceram Deus nem Sua lei” (Ellen G. White, Testemunhos para a Igreja, v. 3, p. 365, 366).
Mãos à Bíblia |
9. Quais são os dois senhores referidos por Paulo? Rm 6:16. É possível haver terreno intermediário?
Paulo volta ao ponto de que a nova vida de fé não dá liberdade para pecar. A vida de fé torna possível a vitória sobre o pecado; de fato, unicamente através da fé podemos ter a vitória que nos é prometida
10. Qual é o motivo pelo qual Paulo dá graças a Deus? Rm 6:17
Note como a obediência é ligada à doutrina correta. A palavra grega traduzida como doutrina significa “ensino”. Os cristãos romanos tinham sido ensinados nos princípios da fé cristã, a que agora obedeciam.
|
Katie Euter – Grand Cayman, Ilhas Cayman
![]() |
|
Obtendo a vitória |
Nosso mundo hoje é cheio de mal e dor. Ninguém está isento dos ataques do diabo. Ele tem todas as armadilhas para fazer você sucumbir às tentações deste mundo. Muitas vezes, as pessoas se afundam tanto no pecado que não têm nenhuma esperança de vitória. Elas desistem sem lutar. Mas há esperança. Deus fez provisão para que todos tenham vitória sobre o pecado. A seguir estão alguns passos para alcançar essa vitória:
Reconheça que você pecou. “Pois todos pecaram e estão destituídos da glória de Deus” (Rm 3:23). Admita sua culpa e reconheça que Deus não nos leva ao pecado.
Confesse seus pecados. Deus sabe que você pecou. Então, por que você deve confessar? Quando você confessa, está mostrando a Deus que está consciente de seus pecados, se entristece por eles, e não mais deseja viver no pecado.
Ore e peça perdão. Não é suficiente simplesmente confessar seus pecados. Você precisa pedir perdão. Deus é justo, por isso está disposto a nos perdoar se Lhe pedirmos. “Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para perdoar os nossos pecados e nos purificar de toda injustiça” (1Jo 1:9). Ore para que você não caia em tentação.
Aceite o perdão de Deus. Quando você orar por perdão, deixe seu pedido e seus fardos aos pés da cruz. Quando Deus perdoa seus pecados, Ele os joga nas profundezas do oceano e não Se lembra mais deles; por isso, não procure por eles e não continue pensando neles.
Vá e não peque mais. A fim de resistir à tentação, você precisa guardar a Palavra de Deus em seu coração. “Guardo a Tua Palavra no meu coração para não pecar contra Ti” (Sl 119:11). Quando a Palavra de Deus se torna parte de sua vida, ela lhe dá a força e o vigor de que você precisa para vencer a tentação e o pecado.
Mãos à Bíblia |
11. Que dois tipos de frutos diz Paulo que é possível que todos colham? Rm 6:19-23. Como você pode tornar uma realidade em sua vida as importantes verdades que Paulo diz?
As palavras de Paulo aqui mostram que ele entendia perfeitamente a natureza caída da humanidade. Ele fala sobre a “fraqueza da carne”. Ele sabia do que a natureza humana caída, deixada sozinha, é capaz. Assim, novamente, ele apela para o poder da escolha – o poder que temos de escolher submeter a nós e nossa carne fraca a um novo Senhor, Jesus, que nos capacitará a viver de forma justa.
|
Jodian McLeod – West Bay, Ilhas Cayman
![]() |
|
A bela conjunção |
A palavra “mas” é uma conjunção. Falando de maneira geral, qualquer termo que venha após a palavra “mas” nega o que foi dito antes dela. “Essa foi uma bela tentativa, mas você devia ver como meu filho faz isso”. Ela também funciona de outra forma, e essa é a maneira em que ela funciona no último verso de nosso capítulo de estudo para esta semana. Se fôssemos ler a primeira parte deste verso sozinha, ficaríamos desesperados. “Pois o salário do pecado é a morte” (Rm 6:23). Mas então vem a bela conjunção: “mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor” (Rm 6:23).
Como seres caídos, somos circundados pelo pecado e seus efeitos. Por nós mesmos, não há maneira de evitá-lo, e a Bíblia nos diz que todos sucumbiram à tentação (Rm 3:23; 5:12). A boa notícia é que Jesus venceu a morte e o pecado e nos oferece essa mesma vitória. Simplesmente, temos de saber como ter acesso a ela.
A escritora Shelly Quinn escreveu: “Preciso reconhecer minha dependência absoluta e total de Jesus Cristo para que Ele realize em mim uma obra que me capacite a andar nos mandamentos de Deus.”1 Nosso papel é deixar as coisas acontecerem e permitir Deus agir. Não há nada tão simples e ao mesmo tempo tão difícil! Nós nos vemos tentando valentemente alcançar nossa própria vitória sobre o pecado tentando ser bons.
Entrega é a chave para a vitória. “A entrega constante dos pensamentos, sentimentos e ações significa liberdade na vida cristã.”2 A vitória é nossa se desejarmos reivindicá-la. Ao refletirmos sobre o estudo desta semana, que nosso cântico seja: “Vitória em Cristo, eterna vitória!”3
1. Shelley Quinn, Exalting His Word (Nampa: Pacific Press, 2006), p. 50.
2. Jim Hohnberger, Vida Plena de Poder (Tatuí: Casa Publicadora Brasileira, 2006), p. 30.
3. Letra de Eugene Monroe Bartlett, Hinário Adventista do Sétimo Dia, hino n° 437.
Mãos à obra |
1. Reúna-se com alguns amigos ou familiares num culto de pôr do sol para compartilhar vitórias que cada um de vocês experimentou pessoalmente em sua experiência com Deus. Participem de uma refeição leve, cantem alguns hinos e desfrutem a companhia mútua.
|
Abigail Parchment – Newlands, Ilhas Cayman