Terça-feira 1º de janeiro

Água da Fonte

[O justo] será como a árvore plantada junto a ribeiros de águas, a qual dá o seu fruto na estação própria, e cujas folhas não caem, e tudo quanto fizer prosperará. Salmo 1:3, ARC

O salmista fala que o justo deve ser como a árvore plantada junto a ribeiros de águas, porque elas são uma fonte de sustento sem limites. Pela obra silenciosa do Espírito Santo, nossas raízes vão buscar a seiva, aquele sustento espiritual oculto, que sobe pelo tronco e alcança os ramos, desabrochando em verdes folhagens e lindas flores de uma vida cristã exemplar, culminando na produção de frutos dignos da apreciação de Deus.

Thomas Kempis, teólogo alemão, disse: “Não consigo descansar se não for para um canto com o Livro.” Para ele, a comunhão com Deus, pela leitura
e meditação das Escrituras, junto à Fonte, era como água refrescante, dando-lhe paz e descanso em meio às lutas e exigências da vida.

Verdadeiramente, as águas correntes que passam por esse Livro Sagrado são águas quejorram da Fonte e alimentam nossa vida espiritual. A meditação diária na Palavra de Deus, durante todos os dias do novo ano, dará água para as raízes da nossa árvore espiritual que leva os nutrientes para fortalecer nossa fé, saúde para a alma e forças para lutar contra o mal.

Um período regular cada dia durante o ano, em nosso “canto com o Livro”, vai nos proporcionar paz à alma, alegria de viver e motivação para continuarmos nossa caminhada cristã rumo ao Céu.

O cristão que não tem raízes molhadas pela água da Fonte, que não absorve os nutrientes necessários para seu crescimento espiritual, é como a palha dispersada pelos ventos das provações. É leve demais para resistir às tentações.

O salmista nos estimula a regar, cada dia, nossas raízes na água da Fonte. E esta Fonte é Cristo. Ali, no nosso canto de paz e sossego, com o Livro aberto, dia a dia, durante todo este novo ano, vamos nos saciar com as “correntes artesianas” que, através da Bíblia Sagrada, alcançam nosso coração.

Esses momentos de confraternização e euforia, tão próprios do começo de um novo ano, não devem parar por aí. Temos que antegozar desde já as alegrias daquele momento em que, na Nova Terra, beberemos “da fonte da água da vida”. Então, sim, a nossa alegria será completa. Pela graça de Deus estaremos lá, não é verdade?

REFLEXÃO: “Isto sucederá se diligentemente ouvirdes a voz do Senhor, vosso Deus” (Zc 6:15). Feliz e abençoado ano novo!


2 de janeiro Quarta-feira

A Segunda Página

O Senhor [...] usará de compaixão segundo a grandeza das Suas misericórdias. Lamentações 3:31, 32

O dia de ontem já passou. Mas foi ontem que Deus entregou para cada um de nós um livro com 365 páginas em branco para que possamos escrever nelas as memórias vividas por nós durante este ano, dia a dia, até 31 de dezembro.

Ontem escrevemos a primeira página. Fomos honestos em reproduzir no papel, fielmente, tudo o que falamos e fizemos? Ao navegarmos pela internet, por exemplo, por que “mares” navegamos? Por quais “águas” singramos? Por águas límpidas e claras em que se pode ver o fundo ou por águas poluídas que, se as bebermos, colocarão em risco nossa saúde f ísica e espiritual?

Como será o diário de nossa vida hoje, nesta segunda página e nos demais dias deste ano? Não podemos nos esquecer de que cada dia o “anjo relator” leva para o Céu o relatório de nossa vida, que vamos escrevendo dia após dia, durante o ano, e que tais relatórios serão transferidos fielmente para os grandes “computadores” celestiais e ali permanecerão até o dia da prestação de contas.

Se ontem não fomos fiéis como deveríamos, Deus nos oferece, “segundo a grandeza das Suas misericórdias”, uma nova página, que significa nova oportunidade, nova chance para um novo compromisso.

“No livro do anjo relator, volve-se uma nova página. Qual será o registro de suas páginas? Será ele manchado com negligências para com Deus, com deveres não cumpridos? Deus não o permita. Que aí se grave um registro que não o envergonhe ao ser revelado aos olhos dos homens e dos anjos” (Testemunhos Para a Igreja, v. 2, p. 268).

Faz já bom tempo que tive a oportunidade de visitar, na Califórnia, Estados Unidos, a casa em que a escritora Ellen G. White viveu seus últimos anos de vida. Numa das paredes da sala, estava afixado um quadro com alguns dizeres, sob o título “Normas Para Hoje” e cuja mensagem era a seguinte: “Não faça nada que você não gostaria de estar fazendo quando Jesus voltar. Não vá a nenhum lugar em que você não gostaria de ser encontrado quando Jesus voltar. Não fale nada que você não gostaria de estar falando quando Jesus voltar.” Será assim conosco? Deus permita que sim!

REFLEXÃO: “Esquadrinhemos os nossos caminhos, provemo-los e voltemos para o Senhor” (Lm 3:40).


Quinta-feira 3 de janeiro

A Coisa Mais Importante

Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo propósito debaixo do céu. Eclesiastes 3:1

Estando ainda no início do ano novo, desejo fazer-lhe uma pergunta para reflexão: Que coisa você tem considerado a mais valiosa no decorrer da sua vida? Dinheiro, saúde, caráter, casa, carro? Vejamos: riquezas, casa ou outros bens que tenhamos adquirido podem, por algum imprevisto, fugir de nossas mãos. Com trabalho e habilidade, porém, podemos reconquistar tudo de novo. O caráter, ainda que maculado, pode ser restaurado com a graça de Deus, oração e força de vontade. Igualmente a saúde, que, mesmo debilitada temporariamente, pode ser recobrada mediante cuidados médicos e empenho de nossa parte.

Mas, então, o que pode superar a tudo isso em valor e importância? Com todas as letras maiúsculas, eis a resposta: o TEMPO! Diferente das demais coisas, o tempo perdido é irrecuperável. O tempo que passou só servirá para lembranças de oportunidades aproveitadas ou perdidas, mas jamais para o seu reaproveitamento.

Por outro lado, o futuro ainda não existe. Ele virá, mas ainda não nos está disponível para vivermos. O presente é o único espaço de tempo ao nosso alcance para aprimorarmos nosso caráter. Assim, os anos são uma contínua sucessão de momentos e dias que fazem nosso hoje, amanhã e depois, até o fim de nossa vida. São as oportunidades que Deus nos dá para tomarmos decisões importantes. O que faremos?

Paulo deu ênfase ao valor desse momento único, quando disse: “Hoje, se ouvirdes a Sua voz, não endureçais o vosso coração. [...] Pelo contrário, exortai-vos mutuamente cada dia, durante o tempo que se chama Hoje” (Hb 3:7, 8, 13).

Assim sendo, entesoure cada momento desse novo ano que lhe está disponível. Use-o sabiamente à medida que ele for passando e faça um emprego
bastante criterioso e sempre melhor de cada hora que passa, desde a manhã até à noite, pois o tempo é o maior tesouro que Deus nos dá.

Tenhamos, pois, um ano muito abençoado e cheio de esperança. Rendamos nossa vida ao Senhor de forma absoluta e irrevogável, certos de que Ele irá à nossa frente para nos guiar pelo caminho por onde tivermos que andar.

REFLEXÃO: “Ensina-nos a contar os nossos dias, para que alcancemos coração sábio” (Sl 90:12).


4 de janeiro Sexta-feira

O Amigo do Ano

Se alguém está em Cristo, é nova criatura. 2 Coríntios 5:17

Continuamos, ainda, a respirar o clima dos últimos dias festivos das festas natalinas e do ano novo. As luzes continuam piscando em muitos lugares, lembrando o nascimento de Jesus, na manjedoura de Belém. Sim, é verdade, Ele nasceu numa manjedoura, ao lado de dóceis animais que Lhe fizeram companhia, porque não havia lugar para Ele nas hospedarias da cidade.

Jesus, hoje, quer fazer morada no seu e no meu coração. “Eis que estou à porta e bato”, diz Ele. O que faremos? Abriremos a porta ou vamos deixá-Lo de fora, como fizeram os moradores de Belém? “Ontem como hoje, e como sempre”, escreveu o padre Leonel França, “Cristo é a solução do enigma humano.”

Se quisermos ser felizes, gozar paz e segurança, não podemos deixar de privar a amizade diária com Jesus Cristo.

Num sábado à tarde, peguei alguns folhetos para distribuir, um livro para ler e me dirigi a uma das praças do centro de Curitiba. Sentei-me num banco próximo a um grupo de senhoras. Elas falavam sobre alguns problemas que estavam acontecendo no lar de um casal amigo. Uma delas disse mais ou menos o seguinte:

– Depois do casamento com Eduardo, Marilice tem passado por momentos muito dif íceis. Em alguns fins de semana, entram em depressão e despencam a chorar... Passam o fim de semana numa profunda tristeza.

E acrescentou:

– Depois de conversar bastante com ela e dar-lhe alguns conselhos e orientações para ajudá-los a sair daquela situação, eu disse: “É a falta de Cristo no lar de vocês a causa de tudo isso. Essa situação pela qual vocês estão passando é própria daqueles que não se importam com as coisas espirituais. A propósito, quanto tempo faz que vocês não vão à igreja?” Não faz muito encontrei-me com Marilice. Ela me disse que ambos aceitaram os meus conselhos e tudo está voltando à normalidade.

Tenhamos a certeza de que esse Amigo, no silêncio da Sua graça, vem para ser o Confidente de nossas angústias e o Consolador que inspira e conforta dando ânimo e paz ao coração atribulado. Em 2008, Ele estará junto do aflito e pronto para reerguê-lo da queda. Cristo tem que ser experimentado em nossa vida pela grandeza do Seu amor. Este é o Jesus da manjedoura, o amável Salvador.

REFLEXÃO: “Então, Me invocareis, passareis a orar a Mim, e Eu vos ouvirei” (Jr 29:12).


Sábado 5 de janeiro

“Eu Quero me Salvar”

O Filho do homem veio buscar e salvar o perdido. Lucas 19:10

O verso básico da meditação de hoje faz-me lembrar de uma viagem que fiz pelo antigo norte de Goiás, hoje estado do Tocantins.

Nessa viagem, estávamos indo à Ponte Alta do Bom Jesus, quando o nosso carro parou por falta de combustível, justamente numa passagem estreita, dentro de um riacho de águas rasas.

Quando estávamos reabastecendo o veículo, pois o combustível era transportado num tambor, parou atrás de nós um jipe. O pastor Altamir de Paiva, nosso companheiro, exclamou: “Não posso acreditar!” Acontece que estávamos obstruindo o único caminho existente.

Os ocupantes do jipe desceram com disposição de nos ajudar. E que espírito de solidariedade demonstraram! Cumprimentos, apresentações e, em poucos minutos, ali estava um grupo de novos amigos. Um deles era o prefeito de Ponte Alta.

Conversa vai, conversa vem, e o assunto enveredou para a situação de nossos dias, com suas incertezas e insegurança, quando alguém exclamou: “São coisas do fim do mundo!”

O prefeito, que participava da conversa, a certa altura declarou: “De religião eu não entendo nada, mas quero me salvar.”

“Eu quero me salvar” é o desejo de milhões de pessoas, mas ser religioso apenas não é suficiente. Somente o que Deus fez por você e por mim, há quase dois mil anos, na cruz do Calvário, provê salvação.

Que plano maravilhoso!Que manifestação assombrosa! Jesus veio à Terra para trazer o dom da salvação aos famintos, solitários e abatidos de coração (Is 61:1). Porém, somente os que se dão conta de suas necessidades chegarão a conhecer e experimentar essa graça. Jesus disse: “Não vim chamar justos, e sim pecadores, ao arrependimento” (Lc 5:32). Graças a Deus por isso!

Você pode ser um bom crente, fiel dizimista, observador do sábado, pode participar das ordenanças e demais atividades; pode ser um oficial zeloso, um obreiro consagrado, pode estar em todos os cultos, orando, cantando e testemunhando. Se você, ou qualquer outro membro da igreja,
fizer tudo isso na esperança de receber em troca a salvação, está enganado. A salvação não é o resultado daquilo que você faz para Deus, mas sim daquilo que Ele fez por você através de Cristo. A salvação por Cristo é somente para pecadores, como eu e você. Felizmente!

REFLEXÃO: “Pela graça sois salvos [...]; e isto não vem de vós; é dom de Deus” (Ef 2:8).


6 de janeiro Domingo

Gratidão

Sede agradecidos, [...] louvando a Deus, com salmos, e hinos, e cânticos espirituais, com gratidão, em vosso coração. Colossenses 3:15, 16

Hoje é comemorado o Dia Mundial da Gratidão. Isso, porém, não significa que devemos ser gratos apenas um dia por ano. Gratidão
é um aspecto da vida cristã que deve fazer parte constantemente da nossa personalidade.

Se pudéssemos perceber os caminhos e as intenções de Deus, veríamos que “todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus” (Rm 8:28, ARC). Não seríamos, então, gratos ao Senhor? A gratidão é uma graça divina e, por isso, Paulo aconselha os fiéis: “Sede agradecidos.”

Uma senhora cristã (anônima), assim escreveu, ao meditar sobre o quanto devia ao seu Criador: “Hoje, viajando de ônibus, vi uma jovem amável com seus lindos cabelos loiros. Invejei-a... Ela parecia tão alegre!... Então, tive o desejo íntimo de ser tão bela quanto ela. Quando se levantou para descer, percebi o cruel aparelho que mantinha nos membros inferiores ao se arrastar com dificuldade pelo corredor do ônibus. Era uma vítima da paralisia. Mas, ao passar junto de mim, que sorriso lindo ela esboçou! Ó meu Deus, perdoa-me quando lamento. Tenho dois pés sadios. O mundo é meu!

“Então, desci para comprar alguns doces. O moço que servia no balcão era tão simpático! Disse-me: – É muito agradável falar com a senhora...
Como pode ver, eu sou cego. – Ó Deus, perdoa-me quando me queixo da vida. Tenho dois olhos. O mundo é meu!

“Descendo a rua, deparei-me com uma criança de olhos azuis a observar as outras crianças que brincavam. Perguntei-lhe: – Meu bem, por que você não vai brincar com elas? – Não disse nenhuma palavra e nem olhou para mim. Compreendi que não ouvia. Ó Deus, perdoa-me quando me queixo da vida. Tenho dois ouvidos. O mundo é meu!

“Com pés que me levam aonde quero, com olhos que podem contemplar a beleza de um pôr-do-sol, com ouvidos que podem ouvir todos os sons... Ó meu Deus, perdoa-me quando me queixo da vida... Sou de fato abençoada! O mundo é meu! Obrigada, meu Deus!”

Deus Se alegra quando recebe de Seus filhos palavras de agradecimento e reconhecimento.

REFLEXÃO: “Louvando a Deus[...]com gratidão, em vosso coração”(Cl 3:16).


Segunda-feira 7 de janeiro

Fonte de Realização

Se alguém te obrigar a andar uma milha, vai com ele duas. Mateus 5:41

Iniciei meu ministério evangélico sendo instrutor bíblico numa série de palestras evangelísticas do saudoso pastor Geraldo G. de Oliveira, lá pelos
idos de 1956, na cidade de São Carlos, interior do estado de São Paulo.

Éramos nove instrutores bíblicos e foi com grande expectativa que tivemos a primeira reunião, quando o pastor Geraldo nos transmitiu todas
as instruções necessárias. De tudo o que ele nos disse, uma coisa ficou bem gravada na minha memória: “Vocês devem ser missionários da segunda milha, saindo da rotina e indo além do dever.”

“Nos tempos bíblicos”, continuou, “muitas pessoas envolveram-se com a obra de Deus, mas não foram além dos limites da primeira milha e seus nomes permanecem no anonimato. Em contrapartida, os que foram além das exigências do dever, que desprezaram a mediocridade da rotina e avançaram pelos caminhos da segunda milha, tiveram seus nomes registrados na Bíblia como exemplo para a posteridade.”

Na verdade, as alegrias de uma vida de realizações, no âmbito dos compromissos profissionais ou espirituais, são percebidas somente quando
começamos a palmilhar a senda da segunda milha, ao se descortinarem diante de nós os vastos horizontes das possibilidades além. Tudo o que realizamos até chegar aos limites da primeira milha o fazemos por obrigação. Mas Jesus não Se impressiona com o mínimo necessário porque até aí não se exige muito esforço e não vamos além do vulgar e do comum das coisas. Jesus nos sugere manifestar amor prático para com nosso semelhante, manter o fardo nas costas e prosseguir.

Sobre o genuíno espírito da segunda milha, o pastor Siegfried J. Schwantes, em seu livro Colunas do Caráter, evoca o exemplo de Ana Nery que, nos campos de batalha da Guerra do Paraguai, ao socorrer “os soldados feridos, fazia-o no espírito da segunda milha. Aliviar-lhes apenas o sofrimento f ísico seria tão-somente caminhar a primeira milha, cumprir o dever. Tentar minorar-lhes o sofrimento moral com um sorriso a toda prova, uma palavra oportuna, um gesto de amor incansável, doando de si mesma para que outras vidas prestes a extinguir-se recebessem o impulso vitalizador de sua simpatia exuberante, era ir além do dever”.

Deus quer que experimentemos as alegrias da segunda milha, a motivação do amor e o motivo da real felicidade!

REFLEXÃO: “Tudo quanto fizerdes, fazei-o de todo o coração, como para o Senhor” (Cl 3:23).


8 de janeiro Terça-feira

Os Encontros da Noite

Bendigo o Senhor, que me aconselha; pois até durante a noite o meu coração me ensina. Salmo 16:7

Nnossa viagem de Damasco a Bagdá fora feita de ônibus. No meio do caminho, lá pelas tantas da noite, paramos junto de um posto militar, em pleno coração do deserto. Descemos.

Caminhei uns cem metros sobre a areia sentindo a brisa da madrugada. Que firmamento! No meio da escuridão sem fim subiram ao meu pensamento
as palavras do Salmo 46:10: “Aquietai-vos e sabei que Eu sou Deus.”

A noite revela um admirável cenário: a abóbada incomensurável, coberta de estrelas e astros luminosos que nos acenam com seus mistérios e atrações distantes. O homem extasia-se nessa contemplação cósmica.

É à noite que a pessoa, sem as preocupações rotineiras, faz um balanço do dia que passou e, dejoelhos dobrados, coloca-se diante de Deus para agradecer as vitórias, confessar as faltas e pedir perdão. E como isso traz alívio!

Na quietude da noite temos ocasião bastante propícia para buscar, através da oração particular e fervorosa, um encontro pessoal e íntimo com o Mestre. Na sua sinceridade, Nicodemos buscou Jesus nas silenciosas horas da noite; e encontrou o Caminho. Em uma noite sombria e triste, Pedro chorou arrependido por ter negado seu Mestre; recebeu perdão e alívio. Jacó, após uma noite de intensa agonia, remorsos e incertezas, e lutando desesperadamente com Alguém junto ao Jaboque, venceu e recebeu um novo nome – a insígnia de vencedor.

Foi numa visão da noite que a Daniel foi revelado o mistério do sonho de Nabucodonosor e, com ele, as grandes verdades proféticas de Daniel 2.

“Naquela noite”, diz o relato bíblico, “o rei não pôde dormir; então, mandou trazer o Livro dos Feitos Memoráveis, e nele se leu diante do rei” (Et 6:1). Sem dúvida, aquela noite de insônia foi mandada por Deus para que a atenção do rei Assuero fosse dirigida a Mordecai e, como resultado, o povo judeu foi salvo do extermínio.

Quantas coisas aconteceram para o bem de pessoas e povos as quais tiveram o seu ponto de partida nas silenciosas horas da noite!

No silêncio da noite, você também pode encontrar-se com seu Deus para lutar, pedir, vencer, alcançar a paz interior e agradecer.

REFLEXÃO: “A minha boca Te louva, no meu leito, quando de Ti me recordo e em Ti medito, durante a vigília da noite” (Sl 63:5, 6).


Quarta-feira 9 de janeiro

Apagar as Luzes Para Ler Melhor

O povo que jazia em trevas viu grande luz. Mateus 4:16

Viajando algumas vezes à noite na lancha médico-missionária “Pioneira” pelo rio Araguaia, pude aprender que, quanto mais escura for a noite, melhor é para o piloto. Devido à claridade tênue e difusa dos astros, ele pode divisar com mais nitidez as silhuetas das copas das árvores, dos morros e de outros acidentes geográficos de ambas as margens do rio, que servem como pontos de referência para uma navegação noturna mais segura.

Dentro da cabine de comando não deve ter nenhuma luz acesa. É preciso apagar todas as luzes para se poder divisar além e avançar com segurança.

As trevas, portanto, podem ser de muita utilidade em certas circunstâncias e nos ensinam preciosas lições para nossa vida espiritual.

Foi em meio à escuridão do deserto, tendo o céu estrelado por sobre a cabeça, o solo frio por leito, uma pedra por travesseiro, somados ao temor da solidão e ao desespero da insegurança a oprimirem-lhe a alma, que Jacó viu uma escada brilhante cujo topo tocava o Céu, pela qual anjos gloriosos e magníficos subiam e desciam.

E o Senhor, que estava no cimo daquela escada mística, olhou ternamente para Seu filho em aflição e, com amor de Pai, falou-lhe: “Eis que Eu estou contigo, e te guardarei por onde quer que fores [...], porque te não desampararei” (Gn 28:15).

“Nas tormentas da vida, quando andamos pela sombra do vale ou nos debatemos num mar de dúvidas e desespero, é a luz de Jesus que nos dá esperança e nos ajuda a encontrar o caminho de volta para Seu porto seguro”, escreveu Francis Charles.

Às vezes, Deus precisa revelar-Se para você e para mim nos dias mais escuros e tristes da nossa vida, como fez com Jacó.

Ele tem que apagar algumas luzes que brilham sobre nós e que nos impedem de ter uma visão mais nítida do caráter dEle e do Seu amor. São as luzes da nossa auto-suficiência, da justiça própria, do egoísmo, do orgulho, da hipocrisia, da crítica, da presunção e de tantos outros pecados.

Só quando permitirmos que Deus apague todas essas luzes ofuscantes é que, do meio das trevas que agora nos envolvem, poderemos ver essa “grande luz” que emana da pessoa de Jesus Cristo. Só então os traços do Seu caráter se tornarão mais vivos e definidos aos nossos olhos.

REFLEXÃO: “Venham [...] vamos caminhar na luz que o Senhor nos dá” (Is 2:5, NTLH).


10 de janeiro Quinta-feira

Encontrado Numa Construção

Tanto o judeu como o gentio são a mesma coisa a este respeito: todos eles têm o mesmo Senhor, Aquele que dá generosamente de Suas riquezas a todos quantos Lhe peçam. Qualquer um que chamar pelo nome do Senhor será salvo. Romanos 10:12, 13, BV

Deus não faz diferença de pessoas, sejam ricas ou pobres, ilustres ou humildes. Para Ele não há distinção. Busca os que são Seus onde estão e como são. Ele recebe com amor todos os que O invocam.

A história de hoje mostra exatamente isso. Em 1946, quando meu esposo e eu éramos instrutores bíblicos numa série de conferências em Santo André, SP, recebi o endereço de alguém por nome Firmo que gostaria de receber nossa literatura. Ao procurar o tal endereço pensei ter havido algum equívoco. O local era apenas uma construção. As paredes ainda estavam sendo levantadas. Bati no tapume e um dos pedreiros me atendeu. Perguntei-lhe, então, pelo Sr. Firmo. Ele e os colegas acharam engraçado o tratamento de “senhor” dado ao rapaz e, mesmo fazendo gozação, foram chamá-lo.

Firmo era umjovem bem novo, de cor negra,tímido e agradável. Ele era servente e morava no galpão da obra. Não perdia nenhuma conferência.

Semanalmente, meu esposo dava-lhe os estudos sob a luz de uma lamparina, porque na construção não havia luz elétrica. No primeiro batismo o Firmo foi batizado.

Depois de um ano, fomos transferidos de Santo André. Fizemos várias mudanças e, com essas idas e vindas, os anos se passaram e perdemos o contato com muitas dessas pessoas.

Certo sábado, quando era presidente da Associação, meu esposo foi pregar numa das igrejas da Grande S. Paulo e, à saída, ao se despedir dos irmãos após o culto, um senhor com uma simpática família, disse: “Pastor Wilson, eu sou o Firmo, aquele a quem o senhor deu estudos naquela construção, em Santo André.” E apresentando a esposa, acrescentou: “Essa é a minha esposa, que ganhei para Jesus, e estes são os meus filhos.”

Essa é a melhor recompensa. Encontrar pessoas que conduzimos aos pés de Jesus traz muita alegria e satisfação. Essas pessoas não nos esquecem e são eternamente gratas.

Quando fazemos a obra de Deus, não sabemos quais serão os resultados, mas uma coisa é certa: nós mesmos somos abençoados ricamente, porque nada substitui a felicidade por uma pessoa ter aceito a Jesus. – EGS

REFLEXÃO: “Semeia pela manhã a tua semente e à tarde não repouses a mão, porque não sabes qual prosperará; se esta, se aquela ou se ambas igualmente serão boas” (Ec 11:6)