Clamarei, pois, ao Senhor, e dará trovões e chuva [...] Então invocou Samuel ao Senhor, e o Senhor deu trovões e chuva naquele dia; pelo que todo o povo temeu em grande maneira ao Senhor e a Samuel. 1 Samuel 12:17, 18
O inverno tinha sido rigoroso. As pastagens secaram. Na terra calcinada, o fogo surgia aqui e ali, como que por encanto, queimando o que sobrara da vegetação ressequida. O gado faminto mugia. Os riachos iam minguando, dia a dia, e quase não havia água para os animais. Era o caos.
Andores seguidos de pequenas procissões eram levados por fiéis ao alto dos montes, onde rezas eram feitas pedindo a Deus que enviasse a tão ansiada chuva. Mas o céu parecia de bronze e não respondia.
Naquela manhã, como de costume, meu pai reuniu a família para o culto matutino e, após os cânticos e a leitura da Bíblia, percebi que a oração de meu pai fora diferente dos dias anteriores; era mais um clamor de angústia, pedindo que Deus cumprisse, naquela hora tão aflitiva, as Suas preciosas promessas.
O dia transcorria normalmente. À tarde, porém, o tempo mudou. Começou a ventar forte. Os céus se escureceram. Nuvens pesadas cobriram a terra. Raios cruzaram os céus e trovões assustadores ecoaram nas montanhas ao redor da sede da nossa fazenda.
Um misto de alegria e pavor tomou conta das pessoas. Estavam temerosas por causa do temporal, mas, ao mesmo tempo, davam graças a Deus pela chuva abundante que caía trazendo vida e esperança para todos. Só que, horas depois, ficamos sabendo que havia chovido apenas na fazenda do Sr. José Garcia, meu pai. A chuva de bênçãos, como que num milagre, molhou cada palmo das nossas terras. Logo, tudo começou a brotar e, em pouco tempo, já podíamos socorrer os vizinhos que ainda aguardavam a chuva, que só viria dias depois.
A vizinhança comentava o ocorrido e questionava. Uns, mais revoltados, achavam que era uma injustiça da parte de Deus. Outros diziam que foi apenas um acaso. Mas houve um lavrador da região que, apesar de não ser religioso, afirmou categoricamente: “Deus abençoou o senhor Garcia, porque ele é fiel em devolver-Lhe os dízimos.”
Nos versos bíblicos desta meditação, o povo ficou deveras impressionado com os trovões e a chuva que caiu fora de época, como resposta de Deus à oração de Samuel. Deus ainda responde às orações daqueles que Lhe são fiéis. – EGS
REFLEXÃO: “Tão-somente, pois, temei ao Senhor, e servi-O fielmente de todo o vosso coração; pois vede quão grandiosas coisas vos fez” (1Sm 12:24).
Ele tem dito: De maneira alguma te deixarei, nunca jamais te abandonarei. Hebreus 13:5
Hoje, dois de julho, é um dia de tristes recordações para nós, porque foi nesse mesmo dia, há seis anos, que sofremos um trágico acidente de carro, quando uma de nossas filhas perdeu a vida. Mas foi também nessa ocasião que minha esposa e eu experimentamos bem de perto a confortadora promessa de nosso bom Deus, contida no verso básico desta meditação.
Estávamos internados no Hospital Adventista de São Paulo, quando o Dr. Natanael Costa, além de tudo um grande amigo, foi ao nosso quarto para nos dar a notícia da morte de nossa querida filha Wínie. Ele falou dos seus ferimentos e, então, disse: “Ela não resistiu e veio a falecer.” O mundo pareceu desabar sobre nós. De repente, a vida para nós pareceu ter perdido o significado. Sentimo-nos de coração partido e aniquilados.
Esse é o momento que alguns denominam de “a escura noite da alma”, quando toma conta de nosso ser um inexplicável e angustiante sentimento da ausência de Deus. São ocasiões difíceis na vida de um cristão. É quando Satanás lança a dúvida e a fé pode vacilar.
Jesus também passou por experiência semelhante quando, na cruz, exclamou: “Deus meu, Deus meu, por que Me desamparaste?” (Mt 27:46).
Passados aqueles primeiros momentos de profunda tristeza e perda, sentimos Deus muito presente ao nosso lado. Apesar da saudade e da ausência, pouco a pouco, a paz voltou ao nosso coração. Aprendemos que Deus permite passarmos por tempos de angústia e aflições para que nossa fé fraca e vacilante se torne mais estável e firme, e que tais ocasiões, de extrema escuridão e aridez, se tornem em tempos de bênçãos, de esperança e de feliz expectativa.
Tenhamos a certeza de que o amor de Deus nos alcança em qualquer circunstância da nossa vida, mesmo na morte de um filho ou filha, pois Ele sabe o que isso significa por experiência própria, quando Seu Filho morreu no Calvário.
Com o exercício da fé, todos nós podemos antecipar aquele dia do reencontro, quando teremos de novo a companhia de nossos queridos, irmãos e companheiros de fé que já descansam no Senhor. Eu sei que este dia está muito perto e que esta será uma experiência indescritível para mim, para minha família e para todos os que confiam no Redentor. Até aquele dia, pela graça de Deus!
REFLEXÃO: “Ao anoitecer, pode vir o choro, mas a alegria vem pela manhã” (Sl 30:5).
Mas Deus lhe disse: Louco! Você esta noite morrerá. E então, quem ficará com tudo isso? Lucas 12:20, BV
Quais são as prioridades da nossa vida? Porventura, seria ganhar dinheiro? Não há nenhum inconveniente em desejar possuir posses e riquezas. O perigo é que isso se torne a principal razão da vida.
O rico louco da parábola (Lc 12:13-21) falava sozinho, apenas com suas faculdades pensantes, não com a faculdade da razão. Sua auto-segurança procedia do seu interior, e tinha origem em si e terminava em si. Era o eco do seu incontrolável egoísmo. Quando ele estava no auge de suas reflexões, a voz de Deus interrompeu seu auto-elogio, dizendo-lhe: “Louco! Nesta noite você vai morrer. E então, quem ficará com tudo isso?”
Li, não faz muito, a narrativa de uma parábola. Falava de um bem-sucedido homem de negócios, que um dia estava em seu escritório pensando em como investir sem riscos na Bolsa de Valores, quando apareceu na sua frente um ser misterioso que lhe disse: “Qual é o seu maior desejo?”
Ele pensou rapidamente e disse: “Quero que você me traga um exemplar de um jornal datado daqui a quinze dias”. Aquele ser estranho se retirou e logo voltou com o jornal datado de quinze dias no futuro, e desapareceu. Então, o hábil financista, um tanto excitado, foi direto à página de cotação da Bolsa para verificar os valores das ações. Viu as que iriam subir e as que iriam cair. Com isso, ficou sabendo em quais deveria aplicar e em quais não aplicar. “Fabuloso! Dentro de duas semanas serei muitas vezes mais bilionário!”, pensou.
Então, curioso, começou a folhear outras páginas do jornal: política, esportes, etc. Quando chegou à seção de necrologia, encontrou seu nome, acompanhado da seguinte nota: “Com pesar noticiamos a morte do Sr. HN, bem-sucedido homem de negócios, acometido de um enfarto fulminante.”
E agora? Com quinze dias apenas de vida, quais seriam as suas prioridades? Seriam as mesmas? Que alteração drástica houve em sua hierarquia de valores! Querer mais dinheiro passou a ser menos interessante para quem tinha apenas quinze dias para viver.
É apenas uma parábola, mas ninguém está livre de circunstância semelhante. Portanto, nossa prioridade deve ser sempre o reino dos Céus. Entreguemos ao Senhor o que somos e peçamos a Ele que nos ajude a usar com sabedoria o dinheiro que Ele nos dá.
REFLEXÃO: “Buscai primeiro o Reino de Deus, e a Sua justiça, e todas essas coisas vos serão acrescentadas” (Mt 6:33, ARC).
Ó Deus, eu Te peço apenas duas coisas para a minha vida nesta Terra: não me deixes ser um mentiroso! Este é o primeiro pedido. Além disso, não me deixes ficar nem muito rico nem muito pobre! Dá-me somente aquilo de que realmente preciso. Eu não quero ser ingrato, confiando somente nas riquezas e Te deixando de lado; também não quero ficar tão desesperado por causa da pobreza a ponto de me tornar um ladrão e manchar o Teu santo nome. Provérbios 30:7-9, BV
Muito pouco ou quase nada sabemos a respeito de Agur. Não sabemos ao certo onde Agur vivia e a que povo pertencia. Uma coisa, porém, é quase consenso entre os estudiosos da Bíblia: ele não era israelita. Possivelmente, fosse de origem ismaelita e, portanto, descendente de Abraão.
Mesmo não sendo israelita, conhecia o Deus de Israel. Mas ele queria mais. Ao contemplar as estupendas obras da Criação, ele confessou sua ignorância sobre esse maravilhoso Deus (v. 3). Ele não conseguia entender esse Deus que estava por trás de toda a deslumbrante natureza (v. 3-6).
Mas Agur era sábio, um pensador. Era um profundo conhecedor da natureza humana, das relações sociais e dos valores incorporados pelos indivíduos que compõem uma sociedade. (Leia toda a oração, Pv 30:1-33.) Ele era um sociólogo daquele tempo.
Quero tocar em apenas dois dos seus pedidos a Deus:
1) “Não me deixes ser um mentiroso.” Por acaso, você já fez esse pedido a Deus? Nos dias atuais, a mentira é um pecado comum e repetitivo em quase todas as esferas da sociedade: é a colisão entre o dever e o desejo – o dever de falar a verdade e o desejo de inverter os fatos para tirar vantagens. É o pregador abafando suas convicções; o político prometendo e não cumprindo; é o comerciante vendendo mercadorias falsificadas, etc. “Fora [da cidade santa] ficam os cães [...] “e todo aquele que ama e pratica a mentira” (Ap 22:15).
2) Agur, na sua oração, fala também do perigo tanto da pobreza como da riqueza. Tinha visto homens ricos, na sua presunção, negarem a Deus e pessoas pobres O maldizerem em seu desespero. Então, Agur pediu a Deus que não o deixasse nem muito rico nem muito pobre. “Dá-me somente aquilo de que realmente preciso”, longe da presunção e distante do desespero.
REFLEXÃO: “Os justos odeiam a maldade dos perversos. Os perversos odeiam a justiça dos justos” (Pv 29:27).
Não muito depois, desencadeou-se, do lado da ilha, um tufão de vento, chamado Euroaquilão. Atos 27:14
Íamos passar a noite ancorados com a lancha Pioneira numa das praias de Santa Izabel, no rio Araguaia, e, no dia seguinte, começaríamos uma viagem missionária e de atendimento aos ribeirinhos da região.
Era fim de tarde. Tudo parecia normal e sem aparente novidade. O casal de enfermeiros, Alvino e Maria José, o ajudante e eu andávamos sobre as areias da praia quando passamos a sentir um vento vindo em nossa direção e que foi aumentando de intensidade. Inesperadamente, uma rajada muito forte veio contra nós e a lancha, rompendo a primeira amarra. Corremos para socorrer a embarcação e, a partir daí, foi uma luta titânica de quase duas horas para impedir, o que parecia inevitável, uma catástrofe com a Pioneira. A noite chegou e com ela uma chuva muito forte que parecia deixar tudo fora de controle.
Inexplicavelmente, do ponto de vista humano, o vento forte deu uma parada instantânea por alguns segundos. Alvino, num grande esforço, conseguiu subir e ligar o motor, dando alívio para todos nós, pois estávamos no limite das nossas forças. O vento forte voltou, mas logo em seguida se acalmou. O céu ficou limpo, as estrelas apareceram e o temporal se foi.
Tempos depois ao relembrar esse fato, lembrei-me da viagem do apóstolo Paulo para Roma. Entre Creta e Malta, um vento muito forte chamado Euroaquilão soprou em cheio contra o navio que passou a navegar à deriva. Então, os marinheiros, temendo ir contra as rochas, lançaram quatro âncoras para segurar o barco.
Que âncoras serão capazes de estabilizar a embarcação da nossa alma ao enfrentarmos a fúria do vento “Euroaquilão” que pode nos destruir? Paulo lançou as quatro verdadeiras âncoras da sua vida: (1) a âncora da confiança na ajuda presente de Deus: “nenhuma vida se perderá entre vós”; (2) a âncora da salvação: “Um anjo de Deus me disse: Deus te deu todos quantos navegam contigo”; (3) a âncora da certeza: “nenhum de vós perderá nem mesmo um fio de cabelo”; (4) a âncora da vitória: “E foi assim que todos se salvaram.”
Quando o “Euroaquilão” vier contra nós e a embarcação de nossa vida correr perigo, Deus poderá prover âncoras de salvação para nos suster naqueles momentos de luta e desânimo, até que rompa a aurora de um novo dia pleno de esperança e de paz.
REFLEXÃO: “Deus é o nosso refúgio e fortaleza, socorro bem presente nas tribulações” (Sl 46:1).
Jesus prometeu voltar, não foi? Então, onde está Ele? Ele não virá nunca! Ora, até onde qualquer um pode lembrar-se, tudo tem permanecido exatamente como era desde o primeiro dia da criação. 2 Pedro 3:4, BV
“Servos de Deus, a trombeta tocai: Breve Jesus voltará!” Assim começa o tão cantado e tradicional hino, marca registrada do programa radiofônico A Voz da Profecia, desde os tempos do saudoso Pastor Roberto Rabelo até os nossos dias. E isso já faz sessenta e seis anos e Jesus ainda não veio. Ele virá?
A mensagem deste hino é uma realidade que, mesmo sendo aceita quase que universalmente por todos os cristãos e particularmente pelos adventistas do sétimo dia, para a maioria não é uma verdade muito real. Cremos porque a Bíblia afirma inequivocamente. Porém, é algo vago sua aplicação à nossa própria vida e às prioridades que regem nosso comportamento em nosso dia-a-dia. Quantos dos nossos amigos, colegas de estudos nas universidades e companheiros de trabalho sabem que estamos nos preparando para a volta de Jesus? Será que eles percebem, pelo nosso exemplo, que nossa vida é compatível com essa realidade?
A segunda vinda de Cristo é algo mais do que necessário para a própria sobrevivência da humanidade. É incontestável a necessidade de uma reforma da Terra, pois o ser humano está pondo tudo a perder! Quando observamos o desastre ecológico, a que a natureza de Deus está sendo submetida, para mim pelo menos, a segunda vinda de Cristo tem um novo significado.
Quanto mais contemplamos a ruína e o aviltamento de nosso planeta, a contaminação de suas águas e a destruição do nosso verde, coisas imprescindíveis para a vida, tanto mais grata e desejada é a perspectiva da breve volta de Jesus.
No Novo Testamento, não há outra doutrina da qual se fale com maior insistência. “Mas se é assim, por que Jesus está demorando tanto?” alguns questionam. Acredito que, com essa aparente tardança, Deus está brindando os habitantes da Terra concedendo a todos uma oportunidade extra de chegar a Ele e alcançar misericórdia. Quem sabe você e eu ainda estejamos precisando desse tempinho. Pense nisso!
Breve Jesus voltará! Essa é uma esperança segura e bendita!
REFLEXÃO: “Não retarda o Senhor a Sua promessa, como alguns a julgam demorada; pelo contrário, Ele é longânimo para convosco, não querendo que nenhum pereça, senão que todos cheguem ao arrependimento” (2Pe 3:9).
Está alguém entre vós aflito? Ore. Tiago 5:13, ARC
Hoje vou narrar mais uma experiência vivida pela irmã Ernestina Pereira Leite e pelas crianças do seu orfanato, lá de Araguacema, estado do Tocantins, como resposta à sua oração da fé. Ernestina já descansa no Senhor e o seu orfanato não mais existe.
Logo que a irmã Ernestina tomou posse do orfanato, após a morte do marido, sofreu toda sorte de privações, por ela ser adventista. Todos os auxílios e verbas foram cortados, bem como os créditos nas casas comerciais da cidade.
Então, chegou o dia crítico. Toda a comida havia acabado e dezenas de crianças não tinham o que comer. Nesse dia, almoçaram muito mal. Para o jantar não tinham mais nada e, conseqüentemente, não jantaram. No dia seguinte, não tomaram a refeição matinal. As horas foram passando e chegou a hora do almoço. Mas, comer o quê?
A irmã Ernestina não desanimou. A mesa foi arrumada como de costume. Tudo estava em ordem. Cada criança tomou seu lugar, só que faltava o principal: o alimento... onde estaria? Então, todos se ajoelharam e a irmã Ernestina, com toda a fé e confiança em Deus, orou fervorosamente. Na oração, ela pediu que Deus tivesse compaixão daquelas crianças, pois elas estavam famintas. Não haviam jantado no dia anterior e de manhã não tiveram nada para comer. Que Deus não Se esquecesse delas. Que Ele lhes desse o pão de cada dia, pois, somente Ele poderia valer-lhes naquela hora de angústia. Estavam sem dinheiro, sem crédito, sem nenhum recurso e não tinham mais a quem recorrer em busca de socorro. E que aquelas crianças pudessem crer que há no Céu um Pai amoroso e bondoso que atende às orações de Seus filhos.
Terminada a oração, todos se levantaram e a irmã Ernestina pediu que todos permanecessem em seus lugares aguardando a resposta de Deus, porque ela estava certa de que algo iria acontecer e Ele iria mandar o alimento tão esperado.
Como agiria você numa hora assim? Teria fé suficiente para esperar pela providência divina? Por um pouco ainda, Deus provou a fé daquela nossa querida irmã, mas não por muito tempo mais. Amanhã, você saberá o que aconteceu e como Deus é maravilhoso.
REFLEXÃO: “Amo o Senhor, porque Ele ouve a minha voz e as minhas súplicas” (Sl 116:1).
Não me desampares, Senhor, Deus meu, não Te ausentes de mim. Apressa-Te em socorrer-me, Senhor, salvação minha. Salmo 38:21, 22
Ontem, eu disse que Deus ainda provou a fé da irmã Ernestina, mas não por muito tempo. Todos estavam ali ao redor da mesa, aguardando uma resposta à oração da fé, quando, em menos de uma hora, alguém bateu à porta. Era um sobrinho de Ernestina que acabava de chegar com um barco carregado de alimentos para o orfanato.
Contou que estava navegando rio acima, em direção a Araguacema, com o barco vazio quando, naquela manhã, ao passar próximo de uma charqueada sentiu dentro de si um impulso inexplicável de contar ao seu dono, que era seu amigo, sobre as necessidades de sua tia em manter aquelas crianças e que, às vezes, nem comida suficiente havia para alimentá-los. Sem pensar muito, desviou o barco, ancorando-o na frente daquele estabelecimento comercial.
Ao ouvir a história, aquele senhor sentiu que devia ajudar as crianças e mandou carregar o barco com alimentos. E, justamente no momento da oração da irmã Ernestina, menos de uma hora antes de sua chegada, o sobrinho dessa bondosa senhora já estava navegando em direção ao orfanato com a carga preciosa. Ainda estavam ao redor da mesa aguardando a resposta da oração, quando ele chegou e pediu que as crianças e outras pessoas o ajudassem a descarregar o barco.
Que alegria para as crianças e para a irmã Ernestina! Depois de uma oração de gratidão a Deus, começaram a descarregar a embarcação: sacos de farinha de mandioca, sacos de arroz, polvilho, carne seca, açúcar, latas de bolachas, feijão, sabão e uma peça de roupa para cada criança. E o dono da charqueada ainda mandou dizer à irmã Ernestina que, quando estivesse em dificuldades, mandasse avisá-lo, pois ele estava pronto a ajudá-la em outras ocasiões.
Aquela carga de mantimentos, que veio como resposta à oração da fé, foi suficiente para alimentar aquelas quarenta crianças por mais de um mês.
Um dos fatores mais importantes quanto à oração autêntica é a paciência, isto é, a capacidade de esperar. Quem espera a resposta a suas orações e está aberto às orientações de Deus, verá a maneira maravilhosa como Ele prepara a sua ajuda. E quase sempre muito melhor do que esperamos.
REFLEXÃO: “Não vos inquieteis com nada; mas apresentai a Deus todas as vossas necessidades, pela oração e pela súplica, em ação de graças” (Fp 4:6, Edição Paulina).
Filipe correu, ouviu o que ele estava lendo e perguntou: “O senhor entende isso?” “Claro que não [...] como posso entender, se não há ninguém para ensinar? [...]” Então Filipe começou com esta mesma Escritura a falar a respeito de Jesus [...] “Veja água! Por que não posso ser batizado?” Atos 8:30, 31, 35, 36, BV
Aquele etíope foi verdadeiramente instruído antes de ser batizado. O Espírito Santo não enviou Filipe para apenas batizar aquele homem e em seguida acrescentar seu nome no rol de membros da igreja. Ele precisava ser instruído para depois ser batizado.
Não sei quanto tempo Filipe viajou com o etíope, se foram horas ou se foram dias, mas quando eles chegaram onde havia água e ele falou da possibilidade de ser batizado, veja a resposta de Filipe: “É lícito, se crês de todo o coração.” Então, ele fez ali a sua profissão de fé de maneira consciente, quando confessou: “Creio que Jesus Cristo é o Filho de Deus.” Ele ficou convicto porque alguém o instruiu de maneira responsável, e não às pressas. Aquele etíope foi, verdadeiramente, instruído. E não podia ser diferente, pois Filipe foi enviado pelo Espírito Santo.
Essa história pode servir de modelo para as congregações modernas que introduzem em seu rol de membros pessoas não devidamente instruídas nas doutrinas bíblicas. Tal descuido pode gerar igrejas fracas e grande número de apostasia. Será que estamos, de fato, zelando pela pureza da fé, pelo doutrinamento responsável e pela beleza da vida cristã de nossos candidatos ao batismo?
Diz Ellen White: “A aquisição de membros que não foram renovados no coração nem reformados na vida é uma fonte de fraqueza para a igreja. Esse fato é muitas vezes passado por alto. Alguns pastores e igrejas acham-se tão desejosos de assegurar um aumento de membros, que não dão testemunho fiel contra hábitos e costumes não cristãos. Aos que aceitam a verdade não é ensinado que eles não podem, sem perigo, ser mundanos em sua conduta, ao passo que de nome sejam cristãos [...] Daí muitos se unem à igreja sem primeiro se haverem unido a Cristo” (Testemunhos Para a Igreja, v. 5, p. 172).
Muitos candidatos ao batismo são batizados com água como se fosse uma limpeza exterior, em vez de ser uma demonstração da transformação interior já operada pela atuação do Espírito Santo. A mudança desse procedimento é mais que desejável para conservarmos igrejas fortes e dinâmicas.
REFLEXÃO: “Quando saíram de dentro da água, o Espírito do Senhor levou Filipe para outro lugar, e o oficial não o viu mais” (At 8:39, BV). A missão estava cumprida!
Porei nas nuvens o Meu arco. Gênesis 9:13
O arco-íris é um dos mais belos espetáculos em cores da natureza. Sentimos um certo encanto todas as vezes que o vemos.
Quando eu administrava a Missão Brasil-Central, o Dr. Clayton Rossi, nosso irmão em Cristo que já descansa no Senhor, doou para a Missão uma linda área de terra numa das mais belas regiões do Distrito Federal, para ser a sede de acampamentos culturais da juventude adventista.
Próximo desse local, há uma elevação de onde se descortina um maravilhoso cenário. Certo dia, resolvi subir essa colina para contemplar a soberba paisagem, mesmo percebendo que nuvens pesadas prenunciavam chuva para bem logo. Em pouco tempo, a chuva, lá bem distante, começou a cair e o vento a soprar.
Foi então que se formou, por inteiro, de um ao outro lado do horizonte, um belo arco-íris com cores bem definidas, uma amostra do que o Deus das coisas belas é capaz de fazer. Além da beleza, aquele arco-íris trouxe uma mensagem de Deus para mim. As brilhantes cores, tendo como pano de fundo nuvens escuras e ameaçadoras, falaram-me da manifestação do braço protetor de Deus.
O pastor H. M. S. Richards, citou este pensamento de alguém: “A alma não teria arco-íris, se os olhos não tivessem lágrimas.” E continuou: “Quantas vezes deixamos de pensar nas promessas de Deus, até que nos encontramos em algum dos ensombrados dias da vida!... Quando o céu se escurece, iguais a um arco-íris resplandecem as preciosas promessas de Deus acima das nossas aflições” (Promessas de Deus [MD 1957], p. 9).
Embora as tempestades da vida estejam constantemente nos ameaçando e os fortes ventos das lutas diárias tentem continuamente desestabilizar nossa confiança em Deus, olhando para Cristo podemos sentir paz em meio às tempestades, pois o arco da promessa fala que dias melhores virão para o povo de Deus.
Ao surgir um arco-íris num dia de chuva, enfeitando o céu, lembremo-nos de que em torno do trono de Deus também há um arco-íris (Ap 4:3). Ele comunica uma mensagem de conforto e esperança para nós.
REFLEXÃO: “Como o aspecto do arco que aparece na nuvem em dia de chuva, assim era o resplendor em redor [do trono de Deus]. Esta era a aparência da glória do Senhor” (Ez 1:28).