1º de novembro Sábado

Noite e Manhã

Gritam-me de Seir: Guarda, a que hora estamos da noite? Guarda, a que horas? Respondeu o guarda: Vem a manhã, e também a noite. Isaías 21:11, 12

Edom estava apreensivo quanto ao seu futuro. Será um futuro como a manhã ensolarada ou como as aterradoras trevas da noite?

Do silêncio das trevas vinha a pergunta: “Guarda, a que hora estamos da noite?” Para Edom, tratava-se de uma longa e insuportável noite, cheia de ansiedades e interrogações. Por isso, ansiavam pela chegada do dia para acalmar seus temores.
Havia, porém, poucas esperanças para Edom. Os edomitas iriam colher o que semearam. Os tempos que se avizinhavam eram incertos e aterradores. “Como te alegraste com a sorte da casa de Israel, porque foi desolada, assim também farei a ti; desolado serás, ó monte Seir e todo o Edom, sim, todo” (Ez 35:15).

Esses fatos apontam para o fim da história deste mundo, “porque eis que as trevas cobrem a Terra, e a escuridão os povos; mas sobre ti aparece resplendente o Senhor, e Sua glória se vê sobre ti” (Is 60:2). No fim dos tempos, vai acontecer com o povo de Deus como aconteceu com os israelitas, quando os edomitas se alegraram com a sua desgraça.

À medida que o fim se aproxima, os arautos do advento, os proclamadores das três mensagens angélicas, os santos perseverantes, devem estar atentos para dar respostas de esperança a quem perguntar: “A que hora da longa noite da Terra estamos, e quando chegará o amanhecer do dia eterno?”

“Ao serem consultadas as sentinelas: ‘Guarda, que houve de noite’? é dada sem vacilação a resposta: ‘Vem a manhã, e também a noite’ [...] Brilha a luz nas nuvens, sobre o cume das montanhas. Revelar-se-á em breve a Sua glória. O Sol da justiça está prestes a raiar. A manhã e a noite estão ambas às portas – o iniciar de um dia intérmino para os justos, e o baixar de eterna noite para os ímpios” (Ellen G. White, O Grande Conflito, p. 632).

Para este primeiro de novembro, esta é a nossa mensagem de ânimo para todos os santos que aguardam ansiosamente a chegada daquele novo dia: “Glorioso será o livramento dos que pacientemente esperaram pela Sua vinda, e cujos nomes estão escritos no livro da vida” (ibid., p. 634). Será noite para os ímpios e manhã para os santos! A manhã dos santos logo raiará!

REFLEXÃO: Pergunta: “A que hora estamos da noite?” (Is 21:11). Resposta: Está na “hora de vos despertardes do sono; porque a nossa salvação está, agora, mais perto do que quando no princípio cremos” (Rm 13:11).


2 de novembro Domingo

Talitá Cumi

[Jesus] tomando-a pela mão, disse: Talitá cumi! que quer dizer: Menina,. Eu te mando, levanta-te! Marcos 5:41

Hoje é dia de “finados”, quando grande parte da humanidade vai aos cemitérios homenagear seus mortos, levando-lhes flores e lágrimas. Mas, além dessas manifestações de saudade, junto da morte existe uma mensagem de esperança: o dia da ressurreição.

Para mim e para muitos dos meus irmãos e irmãs, a ressurreição da filha de Jairo, a que faz alusão o verso desta meditação, traz uma bendita mensagem, porque fala do poder de Jesus para ressuscitar nossos queridos que já dormem no Senhor.

Devido à multidão, a caminhada de Jesus tornava-se muito demorada, o que aumentava o desespero de Jairo. Não demorou muito e alguns familiares seus chegaram para lhe dizer que sua filha já estava morta. Mas o Senhor, olhando para Jairo, disse-lhe: “Não temas, crê somente.” Para Jairo, agora era só confiar!

Finalmente chegaram. O alvoroço na casa de Jairo era grande, o que não agradou a Jesus. “Por que estais em alvoroço e chorais? A criança não está morta, mas dorme”, disse-lhes. Então, riram-se dEle. Mas Jairo estava confiante. E, em meio à descrença de muitos e a confiança de Jairo, Jesus ressuscitou a menina, para assombro de todos os presentes, dizendo: “Talitá cumi! Eu te mando, levanta-te.”

Tudo pode mudar em nossa vida com a presença e o poder de Jesus. Quando Deus nos faz esperar, é porque Ele tem melhor e mais preciosa dádiva a nos oferecer, além daquela que pedimos. Com a presença de Jesus, aqueles momentos de angústia de Jairo se transformaram em momentos de alegria e felicidade.

Nenhuma desgraça do passado ou acontecimento triste do momento ou uma possível visão trágica do futuro deve minar nossa fé nas promessas de Deus. “Não temas, crê somente.”

Aguardo com muita expectativa o dia da ressurreição dos santos, quando o mesmo Senhor que disse à filha de Jairo: “Talitá cumi! Eu te mando, levanta-te”, vai dizer à minha filha: “Wínie cumi! Eu te mando, levanta-te.”

Esta meditação é uma homenagem a Wínie; a Tamie, filha de Glória Shirai, e a todos os que, descansando em paz, aguardam o retorno do Senhor. Em breve, as famílias do povo de Deus estarão reunidas outra vez, e para sempre! Aleluia!

REFLEXÃO: “Não temas, crê somente” (Mc 5:36).


3 de novembro Segunda-feira

Ciro, o Ungido de Deus

Assim diz o Senhor ao Seu ungido, a Ciro, a quem tomo pela mão direita. Isaías 45:1

Quero ter a oportunidade de conhecer Ciro no Céu, esse homem de quem Deus disse: “Ele é Meu pastor e cumprirá tudo o que Me apraz” (Is 44:28). Para alguns historiadores e estudiosos da Bíblia “Ciro sempre disse e fez o que era correto.”

Deus o chamou de “Meu pastor” e o identificou como “o Seu ungido”, a quem “tomo pela mão direita”. A “mão direita” significava segurança, lugar de privilégio e destaque. Tomar pela mão direita era uma deferência especial da parte de Deus para com Ciro, Seu servo. Não fosse a mão guiadora de Deus, e Ciro jamais teria chegado aonde chegou. Com a morte de Dario, dois anos depois da conquista de Babilônia, Ciro o sucedeu no trono, tornando-se governante do vasto Império Medo-Persa, como “Ciro, o Grande – Rei das Nações”. Ciro, com sincera gratidão no coração, numa proclamação escrita e enviada a “todo o seu reino”, reconheceu que “o Senhor Deus dos Céus me deu todos os reinos da Terra”.

Deus é que lhe havia dado o nome e o sobrenome, que o havia escolhido, que o ungira e que mais de um século antes do seu nascimento o havia separado para um propósito específico: ele conquistaria Babilônia, libertaria os hebreus do cativeiro e os ajudaria a restaurar o templo do Senhor.

Quando jovem, Ciro era correto na sua maneira de viver. Entre várias coisas, era abstêmio. Certo dia, ele foi visitar o avô, que era rei da Média. Pediu-lhe, então, para trabalhar no palácio como copeiro-mor do rei. O rei-avô apreciou o trabalho do seu neto Ciro, mas observou que ele deixara de provar o vinho que lhe era servido, como todo copeiro de confiança devia fazer e que era parte do cerimonial real.

Ciro, que omitira o procedimento propositadamente, disse ao rei, seu avô, que não experimentou o vinho porque ele acreditava que vinho continha veneno e ele não queria se arriscar. Então, o rei perguntou por que ele pensava assim. Ciro, respondeu: “Alguns dias atrás, observei que o rei, meu avô, bebeu muito vinho, e depois se tornou ridículo no seu comportamento e em suas palavras. Para mim, toda bebida que produz esse efeito deve conter veneno. Eu não gostaria de servir bebida venenosa para ninguém, muito menos para o rei, meu avô.”

Deus conhecia as virtudes de Ciro, mais de cem anos antes do seu nascimento, por isso o escolheu para dele declarar: “Meu pastor”.

REFLEXÃO: “Eu, na Minha justiça, suscitei a Ciro e todos os seus caminhos endireitarei” (Is 45:13).


4 de novembro Terça-feira

Nabucodonosor, Servo de Deus

Agora, Eu entregarei todas estas terras ao poder de Nabucodonosor, rei da Babilônia, Meu servo. Jeremias 27:6

Deus amava a Nabucodonosor. Ele o chamou de “Meu servo”. Nabucodonosor ficou sabendo da existência do Deus do Céu quando Daniel interpretou seu sonho, relatado em Daniel 2. Nessa ocasião, Daniel era ainda um jovem recém-formado na Universidade de Babilônia, mas não hesitou em declarar ao rei e a todos os presentes que “há um Deus no Céu”. No fim daquela audiência, Nabucodonosor declarou: “Certamente, o vosso Deus é o Deus dos deuses, e o Senhor dos reis” (Dn 2:47).

Estima-se que nove anos depois dos acontecimentos narrados em Daniel 2, no episódio da fornalha ardente, quando os três hebreus saíram a salvo do meio do fogo, Nabucodonosor reconheceu mais uma vez a soberania do Deus Altíssimo, quando declarou: “Não há outro deus que possa livrar como este.”

Passaram-se mais 26 anos, e o rei foi atingido por uma forma de loucura, e passou a pensar que fosse um animal, talvez um boi.

Sete anos depois, Deus lhe devolveu a razão. O capítulo 4 de Daniel foi escrito por Nabucodonosor. É a sua confissão. Ele o termina com estas palavras: “Agora, pois, eu, Nabucodonosor, louvo, exalço e glorifico ao Rei do Céu, porque todas as Suas obras são verdadeiras, e os Seus caminhos, justos, e pode humilhar aos que andam na soberba” (Dn 4:37). “Essa proclamação pública, em que Nabucodonosor reconhecia a misericórdia, a bondade e autoridade de Deus, foi o último ato de sua vida registrado na história sacra” (Ellen G. White, Profetas e Reis, p. 521). Finalmente, depois de longa e dolorosa experiência, Nabucudonosor “converteu-se completamente”. Desejo conhecê-lo lá no Céu e conversar com ele. Será fantástico!

A história de Nabucodonosor fala do poder do bom exemplo de um jovem. Durou aproximadamente 35 anos, desde o primeiro contato com o Deus do Céu, apresentado por Daniel, até a sua conversão. Deus o alcançou. Naquele início, Daniel tinha pouco mais que vinte anos de idade. Agora, estava com mais de cinqüenta, mas durante todo esse tempo ambos foram bons amigos e a boa influência de Daniel foi decisiva para a conversão do rei. Como será quando os dois se encontrarem em algum lugar na Nova Jerusalém? O rei talvez diga a Daniel: “Por causa do seu exemplo de fidelidade e firmeza, estou aqui hoje!” Que testemunho!

REFLEXÃO: “Ao fim daqueles dias, eu Nabucodonosor [...] bendisse o Altíssimo” (Dn 4:34).


5 de novembro Quarta-feira

Proteção nas Viagens

O Senhor tomará conta de todos os teus passos, indo e vindo; Ele te protegerá até o fim da vida. Salmo 121:8, BV

Na Escócia, o Salmo 121 é tido como o salmo do viajante. Quando uma pessoa querida se prepara para empreender uma viagem longa, no momento da partida, todos os membros da família se reúnem e recitam em conjunto, em forma de oração, o Salmo 121.

O Dr. Guilherme Murdoch, que foi reitor do Seminário Teológico da Universidade Andrews, disse que, quando deixou o lar para estudar em um dos nossos colégios, seus pais se despediram dele com a leitura desse salmo e uma oração.

Qualquer viagem sempre é um risco. Eu viajava de avião de Orlando para São Paulo. Sobrevoava a região do Caribe, quando o comandante pediu pelo alto-falante que todos se acomodassem em suas poltronas, pois iríamos fazer um pouso em Santo Domingo, República Dominicana, para um reparo técnico. Foram feitas várias tentativas, mas o avião não conseguia perder altura. Ficamos sabendo, então, que um dos lemes estava com problema de comando. Dentro do avião havia silêncio e suspense.

Ao meu lado, estava uma senhora brasileira. Ela soube que sou adventista, e perguntou-me se eu não estava com medo. Eu lhe disse que havia feito uma oração pedindo a proteção de Deus sobre a nossa viagem e que agora era só confiar e aguardar.

Na quinta tentativa, depois de derramar parte do combustível no ar, o comandante conseguiu aterrissar em segurança. Mais tarde, no saguão do aeroporto, aquela senhora me disse: “Eu estava nervosa, mas quando o senhor disse que havia feito uma oração e que era só confiar e aguardar, eu me tranqüilizei. Graças a Deus estamos salvos!”

Minha irmã Esther, que havia ficado em Miami com minha esposa, contou-me posteriormente, quando lhe narrei esse fato, que naquele dia, mais ou menos por aquelas horas, ela teve um pressentimento de que deveria orar por mim para que Deus me protegesse na viagem. E ela o fez. Deus, realmente, “toma conta dos nossos passos indo e vindo”.

Caso você faça constantes viagens, em decorrência de suas atividades profissionais, seja rotina para você, coloque sua segurança nas mãos de Deus. Tenha a certeza de que o Senhor guarda constantemente seus passos, “indo e vindo”. Faça desse salmo sua oração. Não nos esqueçamos: O meu e o seu socorro vêm do Senhor!

REFLEXÃO: “O Senhor é quem te guarda; o Senhor é a tua sombra à direita” (Sl 121:5).


6 de novembro Quinta-feira

Sair Para Entrar

Dali nos tirou, para nos levar, e nos dar a terra que jurara a nossos pais. Deuteronômio 6:23, ARC

O verso bíblico desta meditação pode nos ensinar que o plano divino para a santificação está em sair para entrar. A tradução francesa de Ostervald, desse texto, assim diz: “Fez-nos sair de lá para nos fazer entrar no país.”

Santificação é um estilo de vida que se processa saindo e entrando: sair da antiga maneira de viver para entrar num relacionamento íntimo com Deus; sair do Egito para entrar em Canaã; sair da terra da escravidão para entrar na terra do descanso, da liberdade, das bênçãos e da eternidade. Entre a saída do “Egito” e a entrada em Canaã, com a atuação do Espírito Santo, passamos pelo processo da santificação que nos habilita a entrar na Canaã celestial.

Santificação implica numa alienação total do “Egito”. O Egito personifica os costumes, hábitos, atitudes e pensamentos do mundo.

Não são muitos os cristãos de hoje que estão dispostos a enfrentar uma avaliação de Deus quanto à santificação de sua vida. O resultado dessa negligência é que não poucos que se consideram salvos ainda estão no “Egito”, presos aos seus pecados que, há muito, já deveriam ter sido abandonados. Em outras palavras, não saíram do “Egito”; seus hábitos, atitudes e pensamentos ainda permanecem em seu coração.

Só entraremos em Canaã se sairmos do “Egito”. Moisés, literalmente, entrou no Céu porque saiu do Egito (Hb 11:27).
Antes de Israel sair do Egito, o povo se santificou. Depois de se santificar pela celebração da Páscoa, com os lombos cingidos, sapatos nos pés, e cajado à mão, o povo de Israel permanecera em pé, silenciosos, com respeitoso temor, mas expectantes, aguardando o mandado real que lhes ordenaria para que saíssem. Antes que a manhã raiasse, estavam a caminho (Ellen G. White, Patriarcas e Profetas, p. 281). Quarenta anos depois, passando por muitas dificuldades e provações, chegaram! Chegaram e entraram!

Também já saímos do “Egito” e estamos a caminho de Canaã. Que Deus nos ajude para que, ao longo da jornada, nosso caráter seja transformado pelo processo da santificação e, então, chegaremos e entraremos! Isso pela graça de Deus!

REFLEXÃO: “Porquanto a graça de Deus se manifestou [...] educando-nos para que [...] vivamos, no presente século, sensata, justa e piedosamente, aguardando a bendita esperança e a manifestação da glória do nosso grande Deus e Salvador Cristo Jesus” (Tt 2:11-13).


7 de novembro Sexta-feira

O Fim Virá e Não Tardará!

Se aquele servo mau disser consigo: O meu senhor tarde virá; e começar a espancar os seus conservos [...] virá o senhor daquele servo num dia em que o não espera, e à hora em que ele não sabe. Mateus 24:48-50, ARC

Li numa publicação religiosa uma declaração em que o articulista procura ridicularizar Guilherme Miller, pioneiro do movimento adventista, em relação à sua crença na volta de Jesus para 1844. Nas conferências sobre o ameaçador fim do mundo, dizia o artigo, contavam-se até 15 mil ouvintes. “Mas Miller errou feio, em seus cálculos, como tantos ‘profetas’ de antes e depois dele.”

Esse “servo mau” continua dizendo que os cientistas que estudaram e estudam o Universo bem mais que Miller, também concordam que o mundo vai ter um fim. Mas esse dia está muito distante. Descartando o fim do mundo relacionado com a volta de Jesus, esse “servo mau” diz que não há como fugir do fim que se dará “daqui a 6,5 bilhões de anos”, quando a Terra, pelo excessivo calor do Sol, se fundirá. “Pelo visto”, acrescenta ele, “é tolice alimentar o medo do fim do mundo neste e nos séculos vindouros”.

Concluindo a desastrada declaração, ele diz: “Se pessoas me perguntarem se há algo de verdadeiro em todos esses anúncios do fim dos tempos, responderei, para tranqüilizá-las, que este ainda está longe.” O “servo mau” da parábola também disse: “O meu senhor tarde virá.”

Quem, na lucidez de sua inteligência, pode acreditar em tamanha insensatez, se a cada momento estamos nos defrontando com o fantasma do suicídio ecológico em todos os sentidos? A contaminação do ar, a contaminação da água, a poluição do meio ambiente, o desaparecimento dos recursos naturais não renováveis, a ameaça do famoso “buraco” na camada de ozônio, a ameaça do aquecimento global e o derretimento das geleiras, a falta de alimento e de água potável. Essas são apenas algumas das calamidades que nos aguardam e nos assustam, caso esse mundo dure não bilhões de anos, mas poucas décadas, como prevêem alguns cientistas conscientes.

Mantenhamos esperança e fé inabaláveis na promessa de que o reino de nosso Senhor Jesus Cristo virá logo. Sua vinda será fatal para os ímpios e motivo de felicidade para os salvos. Jesus será o Soberano universal que reinará com Seus súditos, pela graça de Deus!

REFLEXÃO: “Ainda um poucochinho de tempo, e O que há de vir virá, e não tardará” (Hb 10:37, ARC).


8 de novembro Sábado

Ser Diferente

O mesmo Daniel se distinguiu destes príncipes e presidentes, porque nele havia um espírito excelente. Daniel 6:3, ARC

No episódio de Daniel e a cova dos leões, aqueles presidentes e príncipes procuraram um motivo para denegrir a imagem de Daniel diante do rei. Não podendo acusá-lo de nenhum procedimento desonesto no tocante aos negócios do reino, buscaram motivos na sua religião. Aí, sim, encontraram um “gancho”. Não porque houvesse algo de errado em Daniel, mas porque ele adorava um Deus diferente dos seus deuses pagãos. Nisso Daniel era diferente, e muito.

Se você é uma empregada doméstica, operário, viajante, tesoureiro, empresário, industrial, administrador, político, profissional liberal, pastor, professor, estudante, etc., e tiver que passar pela avaliação de “um anjo relator”, qual será o relatório de seu procedimento? Achado fiel como Daniel, em quem não foi encontrado “nenhum erro e nem culpa”? Lembre-se, você deve ser diferente dos demais. Daniel foi diferente!

Em Provérbios 20:7 é apresentada uma grande motivação aos que são fiéis: “O justo anda na sua integridade; felizes lhe são os filhos depois dele.” É bom ser diferente diante do mundo quando se trata de princípios e idoneidade. Os filhos receberão os bons resultados.

Um “casal” resolveu fazer um passeio no parque, mas antes entrou em um supermercado para comprar o lanche. Ao passar pelo caixa, ambos não perceberam que a sacola que haviam recebido não era a deles.

Ao chegar a hora do lanche, perceberam o engano. Em lugar da sacola com o lanche, receberam uma sacola com dinheiro, que estava ao lado do caixa.

Assustados, voltaram para devolver o dinheiro. Agradecido, o gerente que já havia chamado a polícia, fazia todo o empenho de convocar repórteres e fotógrafos para registrar a atitude daquelas pessoas “tão honestas”.

Então, o rapaz chamou o gerente à parte e confessou: “Por favor, não façam publicidade. Sou casado, mas esta não é minha esposa.”

Temos que ser como Daniel, em cuja vida e comportamento não havia “culpa alguma, porque ele era fiel e nele não se achava erro”. Naquele jogo sujo de seus colegas, a vida de Daniel foi como que exposta a um raio X, mas não foi detectada nenhuma sujeira escondida, nada de errado. Daniel era Daniel!

REFLEXÃO: “Daniel [...] três vezes no dia se punha de joelhos, e orava [...] diante do seu Deus, como também antes costumava fazer” (Dn 6:10, ARC).


9 de novembro Domingo

O Cristo de que Necessito

Vós sois dEle, em Cristo Jesus, o qual Se tornou, da parte de Deus, sabedoria, e justiça, e santificação, e redenção. Aquele que se gloria, glorie-se no Senhor. 1 Coríntios 1:30, 31

O caráter e a missão de Jesus Cristo podem ser apreciados sob dois aspectos distintos: o de Cristo como Salvador e o de Cristo como Senhor. O primeiro é a revelação do amor de Deus; o segundo é a revelação da Sua justiça. O primeiro agrada, o segundo não.

Amar para ser amado é natural. Porém, não é natural amar para ser mandado. Enquanto o senhorio de Cristo contraria a índole humana, Seu amor a satisfaz plenamente porque oferece aparente fuga para as faltas e atua como bálsamo suavizante para a consciência atribulada.

Um pregador encontra simpatia entre os ouvintes quando apresenta a ternura, a misericórdia e o amor de Deus. Porém, já não é um pregador tão apreciado se enfatizar a soberania de Deus, a doutrina da santidade e da obediência, reforçando os princípios da honestidade, da fidelidade e da pureza. Acontece o mesmo, se ele apresenta Cristo como Salvador e também Mestre e Senhor de nossa vida.

Cristo é Amigo e Salvador, mas é também Mestre e Senhor. Não basta receber amor. É preciso conhecer as condições pelas quais esse amor pode ser manifestado, apreciado e sentido pela alma transformada.

Assim, o evangelho completo é o evangelho do amor e da justiça, dos privilégios e responsabilidades, do Cristo Salvador e do Cristo Senhor.

Um belo caráter é forjado pela combinação de dois elementos gêmeos: o amor e a obediência. As flores se tornam mais apreciadas quando combinam a beleza de suas cores com a estrutura do seu caule. A flor é agradável de se apreciar, o caule não tanto, especialmente se tiver espinhos. Mas, mesmo assim, não deixa de ser necessário.

A pessoa de Cristo tem sido identificada e apresentada mais como Amigo e Salvador do que como Senhor e Mestre. É a flor sem o caule capaz de apoiar-se? Não se forma um caráter para o Céu com um preparo unilateral. O evangelho é o poder de Deus que nos induz à adoração e à submissão, que aproxima o homem da Pessoa de Cristo como Amigo, para ajoelhar-se na Sua presença e obedecê-Lo como Mestre e Senhor.

O caráter do cristão é uma espécie de tecido feito com os fios do amor e da obediência, manipulados pelas mãos de Cristo, o grande Tecelão de nossa vida.

REFLEXÃO: “Assim, se alguém está em Cristo, é nova criatura” (2Co 5:17).


10 de novembro Segunda-feira

Água da Fonte – 11

Vendo Jesus que tudo já estava consumado, para se cumprir a Escritura, disse: Tenho sede! João 19:28

A Fonte, a nossa Fonte, estava sendo ameaçada. Sobre o monte Calvário, naquele momento crucial para o destino de toda a humanidade, Satanás arregimentou todas as hostes das trevas para, num último e desesperado esforço, tentar destruir a Fonte da nossa salvação e das nossas esperanças. Ele queria lançar por terra o plano da redenção elaborado amorosamente por Deus.

Para Satanás, era o “agora ou nunca”. “Satanás torturava com cruéis tentações o coração de Jesus”. Logo em seguida, para seu desespero, o diabo ouviu a sentença de sua irreversível derrota: “Está consumado!” A vitória foi nossa.

Satanás tentou impedir que continuasse jorrando água da Fonte. Ele queria fazê-la secar. Secaria? Se isso acontecesse, ele sairia vitorioso e nós estaríamos perdidos em “nossos delitos e pecados” para sempre.

Aquele clamor de Jesus “tenho sede”, era o clamor físico de Sua humanidade. “Quando as trevas se ergueram do opresso espírito de Cristo, reavivou-se-Lhe o sentido do sofrimento físico, e disse: ‘Tenho sede!’” (Ellen G. White, O Desejado de Todas as Nações, p. 754). Era a Fonte pedindo água! A humanidade de Jesus sentindo sede! Aquele que disse ao povo: “Se alguém tem sede, venha a Mim e beba” (Jo 7:37), agora pedia água!

A sede física de Jesus não teve como objetivo somente partilhar da nossa sorte, mas também nos motivar a buscar a água da Fonte para saciar a nossa sede espiritual. Somente Jesus pode satisfazer a sede espiritual que existe dentro de nós e preencher o vazio da alma.

Seu clamor por água, lá na cruz, foi um grito pedindo alívio físico em meio ao sofrimento. No Oriente era considerado um dever sagrado dar água a quem pedisse, pois a água era considerada uma dádiva de Deus e ninguém devia recusar um copo de água a ninguém. Qualquer beduíno se desviaria do caminho para atender a um sedento. Mas, para Jesus, ninguém de dispôs a mitigar Sua sede. Nem por isso a Fonte se secou.

Escreveu Ellen White: “As cisternas esvaziar-se-ão, os poços se hão de secar; nosso Redentor, porém, é uma fonte inesgotável. Podemos beber, e beber mais, e sempre encontraremos novo abastecimento.” E mais: “A divina graça que só Ele pode comunicar, é uma água viva, purificadora, refrigerante e revigoradora da alma” (ibid., p. 187). Por quê? Porque é Água da Fonte!

REFLEXÃO: “Os ribeiros de Deus são abundantes de água” (Sl 65:9).