11 de maio Domingo

Dia das Mães

"Pedi ao Senhor que me desse este filho, e Ele atendeu a meu pedido. Agora eu o trago, como se estivesse devolvendo ao Senhor, por todos os dias em que ele viver." Assim, ela deixou o menino ali no Tabernáculo, para servir ao Senhor. 1 Samuel 1:26-28, BV

Por meio de Ana, a mãe do profeta Samuel, uma das mais extraordinárias mães mencionadas na Bíblia, desejo homenagear todas as mães da igreja.

Ela pediu um filho e Deus atendeu sua oração. "Era o seu único filho, uma dádiva especial do Céu; mas recebera-o como um tesouro consagrado a Deus, e não queria privar o Doador daquilo que Lhe era próprio" (Ellen G. White, Patriarcas e Profetas, p. 570, 571). Então, ela entregou sua preciosa dádiva ao serviço do Senhor.

Louvado seja Deus pelas mães exemplares de ontem e de hoje! Que Ana, uma das mais dedicadas mães do Israel antigo, sirva de exemplo para as boas mães do Israel moderno.

Você que está lendo esta meditação e é mãe, não se esqueça de que também é filha. Lembre-se, pois, de que hoje é o seu dia e da sua mãe também.

Cada ano, a celebração deste dia encerra uma significação toda nova com sentido mais vasto e profundo como nunca antes. É que mãe é sempre mãe e para cada ano que passa o sentido afetivo aumenta.

Que doença sofremos que ela não se afligisse? Que erro cometemos que não lhe entristecesse o coração? Que vitórias alcançamos sem que não lhe provocasse um santo orgulho de nós? Triunfa o filho, e cobre-se de glória a mãe! Cai ele em fracasso, ela é a primeira a estar ao seu lado. Assim, é um privilégio dispensar honra especial à nossa mãe no Dia das Mães.

Num acampamento de jovens, ao redor da fogueira, rapazes e moças resolveram fazer um concurso de frases que representassem melhor a coisa mais bela do mundo. Várias frases foram apresentadas, como: "o murmúrio de um riacho", "macieiras em flor", "um cisne branco dando voltas num lago de águas cristalinas", etc. Todas mereceram aplausos.

Nisto, um menino de doze anos, um tanto inibido, vencendo a timidez, levantou-se e disse: "Eu já vi a coisa mais linda do mundo, é o sorriso da mamãe." Foi feliz na interpretação. Foi aplaudido em pé. Recebeu o prêmio!

Sejamos gratos a Deus pelas nossas mães, pois todas as boas qualidades que vemos nelas são apenas uma amostra das qualidades que existem em nosso amorável Pai celeste. Às vezes, as mães podem até falhar, esquecer e decepcionar. Deus nunca!

Honremos também a Deus nesse dia. Foi Ele que nos deu nossas mães!

REFLEXÃO: "Filho meu, [...] não deixes a instrução de tua mãe" (Pv 1:8).


12 de maio Segunda-feira

A Recompensa da Lealdade

Havia um homem na terra de Uz, cujo nome era Jó; homem íntegro e reto, temente a Deus e que se desviava do mal. Jó 1:1

Diz a Bíblia que esse fazendeiro oriental possuía milhares de ovelhas, camelos, gado e jumentas. Era pai de sete filhos e três filhas, e muitos servos cuidavam da manutenção de seus extensos domínios. Era, sem dúvida, um empresário bem sucedido. Mas, além de possuir bens materiais, Jó amava a Deus e O servia com inteireza de coração.

Um dia, de modo inesperado, toda a desgraça do mundo parece ter batido à sua porta. Em pouco tempo perdeu tudo o que tinha. Suas propriedades foram queimadas, seus servos foram mortos, seus animais roubados e, para completar tamanho infortúnio, seus filhos morreram sob os escombros da casa que caiu em cima deles!

Da noite para o dia, Jó se converteu de príncipe em mendigo. A história é bem conhecida, porém, a maior lição que podemos tirar dela é o comportamento desse servo do Senhor diante da provação. "Em tudo isto Jó não pecou, nem atribuiu a Deus falta alguma" (Jó 1:22).

Finalmente, após as provações bem suportadas, as coisas mudaram. Como resultado de sua lealdade a Deus, seu último estado foi melhor que o primeiro, pois Deus lhe devolveu tudo em dobro menos os filhos, que foram em número igual ao anterior: sete filhos e três filhas. Mesmo do ponto de vista material se comprovou ter sido conveniente ao fazendeiro Jó servir fielmente ao Senhor.

Para Jó, a vida de negócios era a sua vida religiosa na prática. Uma não estava dissociada da outra. E mais: ele se manteve fiel na prosperidade bem como na adversidade.

Hoje, algumas pessoas parecem ter dois conceitos de valores. Para as coisas da igreja, vale um comportamento; para as suas transações comerciais, outro. Mudam de um para o outro tão facilmente como mudam de trajes.

Aquele que reconhece sua responsabilidade diante de Deus no exercício de suas atividades, longe da igreja, o seu exemplo de integridade e honestidade falará bem alto de sua religião. Assim, sua vida profissional, em todos os ramos, será a vida religiosa posta em prática diante das pessoas. Essa é a melhor maneira de um cristão enaltecer sua fé perante o mundo.

REFLEXÃO: "Assim, abençoou o Senhor o último estado de Jó mais do que o primeiro [...] Depois disto, viveu Jó cento e quarenta anos. [...] Então, morreu Jó, velho e fartos de dias" (Jó 42:12, 16, 17).


13 de maio Terça-feira

A Cada Um o Que É Seu

"Então", disse Ele, "dêem a moeda a César se é dele, e dêem a Deus tudo quanto pertence a Deus." Mateus 22:21, BV

Jesus usou expressões fortes e muito claras nesse verso. Numa linguagem bem familiar e própria para nossos dias, poderíamos interpretar essa declaração de Cristo da seguinte forma: "Dai ao governo os tributos que lhe são devidos, e os dízimos, a Deus."

Entretanto, há uma diferença de motivos entre ambos: ainda que o governo tenha direitos de recolher tributos, os cidadãos, por motivos bem conhecidos, pagam os impostos não porque têm prazer nisso, mas por temerem as conseqüências da sonegação. O cristão, no entanto, paga os impostos por obediência às autoridades constituídas e devolve os dízimos a Deus, voluntariamente e por amor, reconhecendo que eles Lhe pertencem.

Por outro lado, há também aqueles cristãos que pagam fielmente seu imposto, mas não devolvem o dízimo ao Senhor, talvez por temerem mais as autoridades do que a Deus. É tendo em consideração o seu próprio bem espiritual e material que coloco diante de você esta exortação da Sra. Ellen G. White: "Rogo aos meus irmãos e irmãs de todo o mundo que despertem quanto à responsabilidade que sobre vocês repousa de devolverem fielmente o dízimo [...] Mantenham conta fiel com seu Criador. Reconheçam completamente a importância de ser justo para com Aquele que tem previsão divina. Diligentemente esquadrinhe cada um o seu coração. Examine suas contas e verifique em que pé estão suas relações para com Deus" (Conselhos Sobre Mordomia, p. 74, 75).

Voltemos aos irmãos da Fazenda das Panelas, história mencionada na Meditação de 13 de abril. Ao final da nossa visita, o querido irmão José, líder daquele grupo, nos chamou para a sala a fim de nos entregar os dízimos e as ofertas que eles haviam acumulado durante todo aquele ano. Tudo estava guardado dentro de uma lata bem fechada. Foi com emoção que recebemos de suas mãos o dinheiro, que não era muito, mas que representava a fidelidade de irmãos pobres, simples e humildes. As notas estavam emboloradas, cheirando a mofo, mas falavam bem alto do amor e fidelidade deles para com Deus.

O Senhor Se deleita em pôr Seu ouro em mãos honestas. Para Ele não é a quantidade que conta, mas a sinceridade do propósito.

REFLEXÃO: "Os dízimos [...] são do Senhor; [...] Essa parte é santa ao Senhor. O dízimo pertence ao Senhor" (Lv 27:30-32, BV).


14 de maio Quarta-feira

Dar com Alegria

O povo se alegrou com tudo o que se fez voluntariamente; porque de coração íntegro deram liberalmente ao Senhor. 1 Crônicas 29:9

Davi sabia que ele não seria o construtor do templo, mas sim seu filho Salomão. De uma forma ou de outra, ele desejava fazer algo que pudesse facilitar o trabalho do filho. Então, Davi liderou uma das maiores campanhas de arrecadação de fundos que a história bíblica já registrou.

Para motivar o povo a contribuir, o rei saiu na frente oferecendo sua contribuição pessoal. Ele disse: "Por causa do meu grande amor ao templo de Deus, vou dar toda a minha riqueza para ajudar na construção. Tudo isto é além dos materiais de construção que já reuni. Estas contribuições que faço estão assim constituídas: 90 mil quilos em ouro de Ofir e 210 mil quilos em prata da mais pura qualidade para cobrir as paredes do edifício." E Davi, então, apelou ao povo: "Quem, agora, quer seguir o meu exemplo? Quem dará a si próprio e tudo quanto possui, ao Senhor?"

Foi então que "os chefes de famílias, os chefes das tribos, os oficiais do exército e os administradores do rei prometeram dar 150 mil quilos em ouro; dez mil dáricos em dinheiro estrangeiro; 300 mil quilos de prata; 540 mil quilos em bronze; três milhões de quilos de ferro. Além disso, eles deram grande quantidade de jóias. [...] Todos estavam alegres e felizes por ter esta oportunidade de servir, e o rei Davi se encheu de grande alegria" (1Cr 29, BV).

Sem considerar que, três mil anos atrás, o ouro e a prata não possuíam o imenso valor monetário que possuem hoje, um matemático calculou que o ouro doado pelo rei e pelo povo equivaleria, aproximadamente, a 6 bilhões de dólares; e a prata a 270 milhões de dólares.

Nessas doações, porém, não estava o dízimo do povo. O dízimo era santo ao Senhor, com finalidades estabelecidas por Deus, portanto, não podia ser usado para a construção do templo que deveria contar, apenas, com as ofertas voluntárias.

Por que não seguir o exemplo dos israelitas: liberalidade, ao contribuirmos com ofertas voluntárias; e fidelidade, ao devolvermos o dízimo conforme as prescrições divinas?

REFLEXÃO: "Tudo o que temos veio de Deus, e nós somente damos ao Senhor o que já é Seu!" (1Cr 29:14, BV).


15 de maio Quinta-feira

Repreendendo o Devorador

Por vossa causa repreenderei o devorador, para que não vos consuma o fruto da terra. Malaquias 3:11

Para muitos crentes, Deus está no Céu e eles estão num vale de lágrimas. Não estão inteiramente convictos da atuação divina em sua vida e de que Deus fica satisfeito quando gozamos dos resultados do nosso trabalho.

Seremos inconseqüentes se, após tantas evidências, deixarmos de dar ao Senhor oportunidade para executar Seus planos em nós.

Minha esposa, Eny, que tem colaborado comigo na preparação dessas meditações, ouviu do irmão Pedro Ananias de Oliveira, hoje morador em Ribeirão Preto, interior de S. Paulo, a narração de um fato testemunhado por ele:

O irmão Otávio Targas, já falecido, pai dos pastores Horácio e Dimas, trabalhava, como agricultor, em terras arrendadas perto da cidade de Populina, extremo oeste do estado. Ele havia feito uma grande plantação de algodão que, com as chuvas copiosas que caíam na região, prenunciava uma farta colheita.

De repente, aconteceu o imprevisto, exatamente aquilo que os agricultores temiam. Uma praga de lagartas começou a devorar os algodoais da região. O irmão Targas temeu pela subsistência da sua família. Teve a impressão de que todas as esperanças daquele ano de trabalho iriam se desmoronar. Não havia nada que ele pudesse fazer para deter o "devorador".

Então, lembrou-se das palavras do Senhor em Malaquias 3:11, onde Deus promete proteger da destruição as plantações dos fiéis dizimistas. Tomou a Bíblia, foi até o algodoal e leu o Salmo 91. Depois se ajoelhou no meio da plantação e orou, reclamando o cumprimento da promessa: pediu ao Pai celestial que não permitisse que as lagartas destruíssem aquela plantação.

E foi o que aconteceu. Todas as plantações da região foram devoradas, menos a do irmão Targas. Então, ele teve a oportunidade de testemunhar para os vizinhos e amigos sobre o poder desse Deus maravilhoso que cumpre Suas promessas.

Nós só podemos reclamar as bênçãos de Deus se formos fiéis, se demonstramos irrestrita obediência e lealdade a Ele e fé inabalável nas Suas promessas, dando ao Senhor a oportunidade de executar Seus planos. "Dêem-Me uma oportunidade!", diz o Senhor. O irmão Targas deu-Lhe uma oportunidade e comprovou que Deus não falha.

REFLEXÃO: "O Senhor Deus [...] nenhum bem sonega aos que andam retamente" (Sl 84:11).


16 de maio Sexta-feira

Deus Atende Com Prontidão

Todo o que pede recebe; e o que busca encontra. Lucas 11:10

Deus ouve nossas orações mesmo antes de as proferirmos, pois Ele conhece nossos pensamentos e sabe das nossas necessidades. Isso é maravilhoso.

A professora Abdel Neves, que lecionou em escolas adventistas durante muitos anos, depois de aposentada, resolveu fazer algo em favor dos mais necessitados. Ela, o esposo, professor Luís, e suas duas filhas alugaram um imóvel na periferia da cidade de Hortolândia, SP, e fundaram uma entidade filantrópica à qual deram o nome de "Núcleo". Ali são atendidas diariamente cem crianças carentes, com duas refeições diárias. Elas aprendem trabalhos manuais, recebem orientação religiosa e são auxiliadas nas tarefas escolares. Aliás, um dos requisitos para a criança ser aceita no Núcleo é estar matriculada e freqüentando regularmente uma escola.

Perto do Natal, a professora Abdel e seus colaboradores resolveram oferecer um almoço aos pais e familiares das crianças que freqüentavam o Núcleo. Um dos pratos principais seria uma saborosa salada de batata, mas, ao fazerem os cálculos, perceberam que o dinheiro disponível não seria suficiente.

O professor Luiz saiu em busca de alguém que pudesse doar as batatas ou vendê-las por um preço razoável. De repente, viu um caminhão de batatas diante dele! Então, perguntou ao motorista se ele poderia doar algumas batatas para uma entidade filantrópica. O motorista respondeu: "Algumas não, só se for a carga toda!" Em seguida, ele acompanhou o professor até o Núcleo e despejou toda a mercadoria no chão.

Os moradores da favela foram convidados a participar do presente, e logo estavam carregando batatas em baldes, cestas e sacos, além das que foram levadas para a salada do almoço de Natal. Era tanta batata que as famílias levaram mais de duas horas para esgotar o "estoque".

Não tenhamos outra ambição senão a de fazer parte do grande exército dos benfeitores do Senhor. Na vida coletiva, temos o dever de demonstrar espírito de solidariedade para com os mais necessitados. Deus responde e ajuda prontamente.

"Quando alguns, unidos os seus esforços humanos com os divinos, procuram alcançar as profundezas dos ais e misérias humanos, sobre eles repousará ricamente as bênçãos de Deus" (Ellen G. White, Beneficência Social, p. 249). – EGS

REFLEXÃO: "E será que, antes que clamem, Eu responderei; estando eles ainda falando, Eu os ouvirei" (Is 65:24).


17 de maio Sábado

O Irmão "Emburrado"

Olhe, meu filho querido [...] é justo comemorarmos, pois ele é o seu irmão; estava morto e voltou a viver! Estava perdido e foi achado. Lucas 15:31, 32, BV

Qual teria sido a história se, ao aproximar-se da casa paterna, o pródigo tivesse encontrado o irmão mais velho, o "emburrado", em lugar do pai? Nessa parábola do Filho Pródigo estão retratadas duas classes de pessoas na igreja: as alegres e as emburradas.

Quando o filho pródigo voltou para o lar, o velho pai e os criados se associaram de coração e alma à alegria do momento. Porém, alguém colocou "água na fervura". É que o irmão mais velho não quis se associar aos festejos em homenagem ao irmão mais novo, que voltava para casa.

Não podendo conter a revolta, seu coração frio e egoísta o isolou da alegria do lar. Nem mesmo quis reconhecer o irmão como irmão e, de maneira desdenhosa, fria e desrespeitosa para com o pai, tratou-o como "teu filho". E, obstinado, resistiu aos apelos do pai que não se conformava com a atitude agressiva do filho mais velho. Aquele irmão pensava apenas no pecado e não na possibilidade de arrependimento.

Gosto de pensar que a parábola do Filho Pródigo não terminou. Ela continua em nossos dias. Quantos "filhos pródigos" que, ao tentarem voltar para o aconchego da igreja, são tratados de idêntica maneira!

Naquele sábado, eu deveria pregar numa das mais representativas igrejas da Associação. Em algum momento, antes do culto, fui procurado por irmãos que demonstravam na fisionomia alegria e, ao mesmo tempo, preocupação.

Contaram-me que um irmão afastado da igreja estava demonstrando desejo de retornar. Aquele era o primeiro sábado que vinha à igreja após sua decisão. Então, quando um dos anciãos (um "irmão mais velho", emburrado) viu o "pródigo" com a família na igreja e soube da sua decisão, enraivecido disse: "Se esse indivíduo voltar para esta igreja, eu peço demissão do meu cargo e me mudo para outra. Aqui não fico."

Diz Ellen G. White: "Quando o gelo do amor próprio se derreter de seu coração, você estará em simpatia com Deus, e partilhará de Sua alegria na salvação do perdido [...] Negue seu parentesco com ele (o pródigo), e mostrará que você é apenas jornaleiro na casa paterna, não um filho da família de Deus" (Parábolas de Jesus, p. 211).

Essa parábola é uma solene advertência para a igreja.

REFLEXÃO: "O juízo é sem misericórdia para com aquele que não usou de misericórdia" (Tg 2:13).


18 de maio Domingo

Deus e o Comum

Ao que Deus purificou não consideres comum. Atos 10:15

Deus tinha um modo de olhar para os gentios; Pedro, outra. A atitude de Deus dignificava o gentio, ao passo que a atitude de Pedro o desprestigiava, considerando-o pessoa comum.

A lição que Deus nos ensinou, porém, foi que não devemos desprezar as pessoas ou coisas consideradas comuns, mas que por Ele são tidas como importantes e necessárias.

Recebemos de Deus a vida para participarmos dela. Os trabalhos mais comuns e considerados mais humildes representam, na vida social, tanto valor quanto os mais elevados e devem ser realizados com o mesmo sentimento de dignidade.

Pela sua humildade, o menino Samuel nos ensina preciosas lições. Ele realizava os trabalhos mais simples da "Casa do Senhor", como o abrir das portas cada manhã, enquanto Deus o estava preparando para grandes responsabilidades no futuro.

A presença de Jesus na Terra nos mostra como Deus valoriza as coisas comuns da vida diária. "O Salvador condescendeu em ser pobre, para ensinar quão intimamente podemos nós, em uma vida humilde, andar com Deus" (Ellen G. White, O Desejado de Todas as Nações, p. 74).

A encarnação de Cristo, portanto, prestigia as coisas comuns do cotidiano. Ele viveu numa casa humilde, trabalhou num banco de carpinteiro, atendeu aos convites para jantar, misturou-se com os publicanos e com as pessoas comuns nas ruas, nas lojas, e observava com interesse todas as novidades e ações dos homens do Seu tempo. Ele viveu a vida das pessoas simples.

Impressiona fortemente a dignidade que Cristo deferiu às pessoas comuns. Transformou pescadores em apóstolos; um fabricante de tendas em apóstolo dos gentios; um coletor desprezado em discípulo e escritor de fama; um discípulo tímido, vacilante que O negou, numa rocha. E ainda hoje, para nosso estímulo, Ele procura transformar as vidas comuns, desprezadas e desconhecidas em vidas dignas e de serviço abnegado para o reino de Deus.

Se você faz um trabalho comum como o de Samuel quando menino, faça-o com dignidade e esmero. Para Samuel, abrir cada dia as portas da "Casa do Senhor", era motivo de grande alegria. Quem faz um serviço humilde com zelo e dignidade, recebe a aprovação de Deus.

REFLEXÃO: "Deus deliberadamente escolheu valer-Se de idéias que o mundo considera absurdas e desprezíveis para envergonhar aqueles indivíduos que o mundo considera sábios e grandes" (1Co 1:27, BV).


19 de maio Segunda-feira

Mistura Inconveniente

Que tem o povo de Deus em comum com o povo do pecado?[...] Como pode um cristão ser companheiro de alguém que não crê? 2 Coríntios 6:14, 15, BV

O rio Amazonas apresenta alguns fenômenos curiosos. Um deles, que ocorre nas proximidades de Manaus, desataca-se pela singularidade, quando as águas turvas do rio Negro se encontram com as águas barrentas do rio Solimões, passando a formar o majestoso rio Amazonas.

Quem chega a Manaus de avião pode ver de cima, nitidamente, a linha divisória entre as duas águas: uma escura e a outra barrenta. Elas vão descendo juntas por vários quilômetros. Aos poucos misturam-se e a linha divisória entre as duas, finalmente, desaparece.

Temos algumas lições a aprender desse caprichoso fenômeno da natureza. Uma delas é a mistura inconveniente.

Temos chegado mais perto de Cristo ou estamos nos afastando dEle? Por acaso, não estamos nos sentindo confortáveis com as coisas deste mundo? Não estaria ocorrendo em nosso cristianismo a mistura inconveniente?

Saiba que há diferença entre estar no mundo e ser do mundo. Jesus traçou uma linha divisória entre estar e ser. Onde estamos? Ela já foi bem mais definida, mas parece que, aos poucos, está se diluindo à semelhança dos dois rios amazônicos.

Diz Ellen White: "A massa dos cristãos professos tem removido a linha divisória entre os cristãos e o mundo, e, ao passo que professam viver para Cristo, estão vivendo para o mundo" (Testemunhos Seletos, v. 1, p. 154).

Chegamos a um ponto em que não precisamos deixar nosso lar para buscar o mundo e seus prazeres. Sempre somos cuidadosos procurando evitar que ladrões assaltem nossa casa, mas como estamos tratando nossos valores espirituais?

Precioso tempo para a oração, meditação, estudo da Bíblia e leitura dos livros do Espírito de Profecia é perdido pelos cristãos quando gastam horas e horas diante da tela da televisão ou do computador, muitas vezes navegando nas águas turvas deste mundo.

Você e eu temos que escolher entre dois caminhos, o caminho do Alto ou o caminho da queda. O primeiro nos levará às águas da vida, o outro nos levará ao mar da destruição. Não deve existir mistura inconveniente em nossa vida cristã. Temos que respeitar a linha divisória, permanecendo do lado em que estarão as ovelhas do Senhor.

REFLEXÃO: "Não peço que os tires do mundo, e sim que os guardes do mal" (Jo 17:15).


20 de maio Terça-feira

Lá e Aqui

Assim diz o Alto, o Sublime, que habita a Eternidade, o Qual tem o nome de Santo: Habito no alto e santo lugar, mas habito também com o contrito e abatido de espírito, para vivificar o espírito dos abatidos e vivificar o coração dos contritos. Isaías 57:15

Palavras lindas, poéticas, inspiradas, com profundo significado, essas escritas pelo profeta Isaías.

Para ele, Deus está lá, bem distante, no "santo lugar", no "terceiro Céu", no "paraíso" (2Cr 12:2, 4), mas também está aqui, bem perto de nós, por meio do Seu Santo Espírito, para nos animar e nos ajudar em nossas lutas e dificuldades.

Em nossas reflexões, especialmente quando nos assaltam a dúvida e as incertezas da vida e desejamos um ponto de apoio em que nos firmar, logo desejamos a presença de Deus. Mas, Deus nos parece Alguém muito distante do nosso dia-a-dia, quase que alheio às nossas lutas e ansiedades, como que Se preocupando conosco apenas de quando em quando.

Alguns cristãos, nos momentos escuros da vida, quando tudo parece desabar, chegam a pensar que a responsabilidade de Deus em relação ao mundo resume-se unicamente ao ato da criação e à formação de leis físicas para sua manutenção; não Se preocupando mais com esse planeta, abandonando-o à sua própria sorte.

Às vezes, concluímos que Ele é tão grande e nós tão pequeninos que chegamos ao ponto de colocá-Lo longe de nossas cogitações em relação ao cotidiano, achando que Deus Se preocupa mais com a parte espiritual de nossa vida em detrimento de nossos afazeres diários.

Não nos esqueçamos, porém, de que Ele está lá e aqui também. "É verdade que sobrevirão decepções; temos de esperar tribulações; mas cumpre-nos entregar tudo, pequeno ou grande que seja, a Deus... Seu vigilante cuidado estende-se a cada família, circunda cada pessoa; Ele Se interessa em todos os nossos negócios e dores. Observa cada lágrima; é tocado pelo sentimento de nossas enfermidades... ‘une-te pois a Ele e tem paz’" (Ellen G. White, Exaltai-O [MD 1992], p. 280).

Tenha certeza de que o amor de Deus, tendo-se manifestado aqui na Terra na pessoa de Seu Filho, está constantemente entre nós. A revelação que a pessoa de Jesus Cristo nos traz é a mesma que nos garante o cuidado e a proteção do Céu. Deus faz parte do contexto humano. Ele está lá, mas está aqui também.

REFLEXÃO: "Deus é a nossa proteção e nossa força. Ele é aquela ajuda na qual se pode confiar no dia da angústia" (Sl 46:1, BV).