11 de julho Sexta-feira

Água da Fonte – 7

Chegaram a Elim, onde havia doze fontes de água e setenta palmeiras; e se acamparam junto das águas. Êxodo 15:27

Em Elim, nos dias de Moisés havia doze fontes e setenta palmeiras. Atualmente, esse oásis que leva o nome de Wadi Gharandel, é um lugar de parada e descanso das caravanas. E nós também, por ocasião de nossa viagem ao Monte Sinai, em 1962, paramos ali para descansar.

Na sua caminhada pelo deserto, o povo hebreu acampou em Elim, permanecendo ali por vários dias, sendo esse o segundo lugar de descanso em sua jornada pelo deserto. Tomaram novo alento para continuar a longa jornada rumo à Terra Prometida. Aquela água era fonte de vida. Se ela lhes faltasse, toda a nação estaria condenada a desaparecer no deserto. Mas, sob a proteção de Deus, os descendentes de Jacó vaguearam ao longo do deserto de fonte em fonte, de oásis em oásis, de milagre em milagre, durante quarenta anos.

Quando falamos em fonte de água, falamos em vida. E de onde vem a vida senão de Deus? Ele é a fonte! Tudo o que temos e somos é dádiva de Deus. A sobrevivência daquele povo dependia exclusivamente de Deus. Onde não havia água, como no caso de Horebe, e o povo começou a se desesperar, Deus ordenou a Moisés que ferisse a rocha e jorrou água em abundância. Aquela Rocha era Cristo (1Co 10:4).

Um fazendeiro queria canalizar a água de uma nascente até a sede de sua fazenda. Contratou um trabalhador rural para limpar o terreno por onde passaria o encanamento. Feita essa parte, começou a limpar o lugar onde estava a nascente. Removeu todo o mato que a envolvia e a água cristalina e refrescante borbulhava livre vindo do fundo da terra. Então, apoiado no cabo da sua enxada e observando aquela água que vinha do fundo da terra com tanta fartura, comentou com o dono da fazenda: “Não posso entender como tem gente que não acredita em Deus. Será que essas pessoas não entendem que é Deus quem faz essa água brotar do fundo da terra para matar a sede e trazer vida?”

Na verdade, da superfície da terra brotam as fontes sem parar e com fartura. Essas águas representam bem a graça e a misericórdia de Deus que destroem barreiras para alcançar todas as pessoas, cujo anseio do coração e da consciência é beber na fonte da água que satisfaz “para a vida eterna”. A água que Jesus dá é dom inesgotável. É Água da Fonte!

REFLEXÃO: “No deserto, abriu as rochas e deu ao povo muita água para beber, como se a água brotasse de uma fonte. Das rochas quentes do deserto Ele fez correrem verdadeiros rios de água” (Sl 78:15, 16).


12 de julho Sábado

Cristianismo Acomodado

Eu conheço a sua fama de igreja viva e ativa, mas você está morta. Portanto, acorde! Fortaleça o pouco que resta – porque até mesmo o que restou está a ponto de morrer. As suas obras estão longe de ser corretas aos olhos de Deus. Apocalipse 3:1, 2, BV

Essa é uma melancólica radiografia da igreja de Sardes. Como igreja cristã ela estava acomodada. Cristo disse que ela estava morta (v. 1). A igreja de Sardes descansava na reputação externa e na aparência de piedade, mas sem o correspondente poder para transformar pecadores em santos. Havia no seio da igreja contaminação mundana e decadência espiritual.

Sardes vivia num clima de “auto-satisfação”. Estava confortavelmente acomodada. “Essa igreja se caracterizava pela hipocrisia; não era o que pretendia ser. Em vez de estar viva em Cristo, como pretendia, em verdade estava morta”. Essa comunidade cristã da Ásia Menor tinha fama de boas obras perante o mundo cristão, mas não perante Deus. Sua reputação ultrapassava seus merecimentos. Sardes representa a condição de muitas igrejas que se dizem cristãs. A verdade é que sempre desejamos parecer melhores do que realmente somos.

Sardes se desviou da fonte da vida, e Deus não aceita esse comportamento. Deus quer fidelidade, autenticidade e produtividade. O sinal de uma igreja viva são membros levando outros a Cristo. Só há reprodução onde há vida.

A igreja de Sardes pode representar a fase da igreja cristã que deu início e continuidade à Reforma Protestante, que se tornou em alguns lugares uma grande e poderosa organização religiosa, mas que, em seu desempenho como comunidade cristã, não correspondeu à expectativa dos princípios bíblicos.

Esse é um dos perigos que rondam as igrejas evangélicas, inclusive a nossa: a institucionalização. Isso ocorre quando a igreja perde o foco, a meta, o objetivo da sua existência. Podemos nos envolver de tal maneira com a organização, ao ponto de esquecer a missão e a razão de ser da igreja.

Temos que estar atentos para que a igreja de hoje não se transforme numa instituição acomodada à semelhança de Sardes, amando mais o sucesso que a Cristo, tornando-se uma grande e bem estruturada organização, mais institucional que missionária.

REFLEXÃO: “Mesmo aí em Sardes alguns não mancharam suas roupas com a imundícia do mundo; eles andarão Comigo vestidos de branco, porque são dignos” (Ap 3:4, BV).


13 de julho Domingo

O Vale de Acor

E lhe darei, dali, as suas vinhas e o vale de Acor por porta de esperança. Oséias 2:15

Foi num domingo de manhã, quando o sol oriental inundava de luz os montes e vales da Palestina, que nós seguimos o acidentado trecho de Jerusalém a Jericó, atravessando partes do deserto da Judéia.

Sob um céu azul, límpido e inclemente, estendiam-se diante de nossos olhos as ondulações de um panorama singular. No trajeto, passamos pela aldeia de Betânia, rica em lembranças de amor e devoção. Essa estrada nos levaria a Jericó e ao Mar Morto, depois de curvas e declives íngremes em meio a uma árida paisagem. Antes, porém, passamos próximo de uma depressão profunda, por onde corre por entre pedras calcárias um riacho de águas cristalinas, em cujas margens, de um e de outro lado, crescem capins e outros arbustos para alimentação dos animais, palmeiras frondosas e outras espécies de árvores. Esse é o Vale de Acor que, na Bíblia, é rico em simbolismos.

A justiça de Deus, bem como Seu perdão para aqueles que se arrependem de seus pecados, encontram um símbolo no Vale de Acor. A ele refere-se a Bíblia três vezes. A primeira vez, quando Acã foi punido pelo seu pecado e ali, naquele vale, ele com toda a sua família foram apedrejados a fim de que a ordem moral de Deus fosse restabelecida (Js 7:20-26). Deparamos com o Vale de Acor pela segunda vez na Bíblia, quando Isaías o apresenta como lugar de refúgio e repouso para o gado, símbolo das providências divinas e uma alegoria da paz e da fartura (Is 65:9, 10). A terceira e última alusão a esse vale encontra-se na profecia de Oséias (Os 2:14, 15), quando ele recebe de volta, para uma vida nova, a esposa infiel que o abandonara, mas que o seu amor a salvou.

O Vale de Acor nos recorda: (1) o pecado, a desobediência e o castigo daqueles que não deram ouvidos às ordens de Deus; (2) a perpétua vigilância e cuidado de Deus sobre Seus filhos; (3) a bem-aventurança para o pecador que, por mais fundo que tenha ido, sempre encontrará uma “porta de esperança” aberta para ele, quando se arrepende.

O Vale de Acor pode estar, hoje, em toda parte inclusive em muitas vidas individualmente. E pode ser que, em nossa experiência cristã, tenhamos que passar pelos três aspectos desse vale para chegar à “porta da esperança”: primeiro, pelo castigo; depois, pelo perdão e as bênçãos; para, finalmente, alcançar a redenção.

REFLEXÃO: “Lá, eu lhe darei de volta os vinhedos e transformarei o Vale da Desgraça em uma Porta de Esperança” (Os 2:15, BV).


14 de julho Segunda-feira

As Tormentas da Vida

De repente levantou-se uma terrível tempestade com ondas mais altas do que o barco [...] Então, Ele Se levantou, repreendeu o vento e as ondas, a tempestade passou e tudo ficou calmo. Mateus 8:24, 26, BV

Jesus e Seus discípulos entraram no barco e, antes que chegasse à outra margem, levantou-se uma grande tempestade. Os discípulos não podiam entender que, enquanto eles estavam lutando contra a tormenta para impedir que a embarcação naufragasse, Jesus dormia.

Que quadro sublime do Filho de Deus! Depois de um dia de trabalho, ajudando pessoas, Ele dormia... E dormia porque estava cansado. Estava tão exausto que nem mesmo o barulho da tempestade e as sacudidas do barco O despertaram.

Os discípulos temeram e clamaram pelo Mestre: “Salva-nos, vamos todos morrer!” Jesus acordou, olhou para eles e, sem Se preocupar com a tormenta, os acalmou, dizendo: “Por que sois tímidos, homens de pequena fé?” Em outras palavras, Jesus quis dizer: “Por que temer se o Eu Sou a Vida está aqui com vocês no barco?”

Se as tempestades da vida e as ondas ameaçarem nos tragar, não tenhamos medo, ainda que Ele pareça dormir, porque “não tosquenejará nem dormirá o Guarda de Israel” (Sl 121:4, ARC). Os ventos e as ondas das provações obedecem a Sua voz.

Porventura, já surgiu em sua mente o pensamento de que Ele não Se importa conosco e que vamos perecer? Não duvidemos. Não percamos a fé! Os discípulos tiveram “pequena fé”, e nós? Nem sempre Deus interfere para impedir os acidentes que surgem durante nossa peregrinação rumo ao Céu, mas Ele está no controle e não nos deixa sozinhos. Ele está presente em meio às nossas lutas e sofrimentos. Deus não Se omite.

“Ele está presente para consolar os que choram, para animar os desanimados, fortalecer os fracos e para dar esperança aos desalentados. Em meio à dor, pela fé, podemos segurar Sua mão, deixar que Sua luz penetre a escuridão que nos envolve, e que Suas promessas tragam alento ao nosso coração”, são palavras do pastor Mark Finley.

Quando nos sentirmos frágeis, debilitados, impotentes, incapazes de continuar navegando “sobre as ondas desta vida”, Ele, em meio às nossas ansiedades, nos dirá: “Eu não Me esqueci de Ti”. Tenha fé em Deus!

REFLEXÃO: “Tens tu fé?” (Rm 14:22, ARC).


15 de julho Terça-feira

O Pecador Revestido

Fez o Senhor Deus vestimenta de peles para Adão e sua mulher e os vestiu. Gênesis 3:21

Adão e Eva caíram em pecado, desobedecendo às instruções do Criador. E agora, o que fazer? Então, Cristo resolveu tomar “sobre Si a culpa e a ignomínia do pecado”, atingindo “as profundidades da miséria para libertar a raça que fora arruinada” (Patriarcas e Profetas, p. 63).

Assim como não há senão um só Deus, também não há senão um só caminho que a Ele conduz. Desde o princípio até o fim do mundo, todos os filhos de Deus em peregrinação para o Céu não se apoiaram senão em um único ponto de apoio, e todos os que atravessam o oceano da vida não chegam ao porto do descanso eterno senão guiados por uma única bússola. Essa única bússola e o único caminho é Cristo. O caminho rumo ao Céu começou lá no Éden.

Se o Jardim do Éden foi testemunha do triste espetáculo da inocência perdida, ele testemunhou também um espetáculo muito maior, o da inocência restaurada. O caminho do Céu lhes foi mostrado por Jesus, sob as mais vivas cores. As túnicas feitas por Deus para nossos primeiros pais, com as quais os cobriu, eram um anúncio das boas-novas. Na hora da angústia, Deus veio em seu socorro, fez-lhes túnicas de peles e os vestiu.

Será que já pensamos detidamente no significado dessas vestes? Não foi simplesmente para dar abrigo aos seus corpos desnudos. O sentido é muito mais extenso. Elas representam a vestidura da justiça oferecida por Deus aos homens para lhes garantir a salvação.

Observamos também que, no Éden, foi derramado o sangue da vítima inocente e que um cordeiro, que nada tinha que ver com o pecado de Adão, teve que curvar-se sob o golpe da morte. Entendemos, ainda, que a primeira gota de sangue a manchar a terra e o primeiro gemido de agonia que se ouviu proclamaram de modo significativo que o salário do pecado é a morte e que sem derramamento de sangue não há remissão de pecados.

Como é admirável a simplicidade dessa figura! Jamais poderemos exprimir a extensão e a profundidade da verdade que ela transmite. Esse é o caminho do evangelho e a estrada da salvação. Nela está implícita toda a doutrina da cruz. Essa estrada teve início no Éden perdido e terá seu fim no Éden restaurado. Caminhemos por ela com as vestes espirituais da justiça e da santidade.

REFLEXÃO: “O salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor” (Rm 6:23).


16 de julho Quarta-feira

O Senhor, Justiça Nossa

Justificados, pois, mediante a fé, temos paz com Deus, por meio de nosso Senhor Jesus Cristo. Romanos 5:1

Estar no Céu é estar com Deus. Tudo ali é beleza e santidade; tudo é pureza . Todos os que ali estão acham-se radiantes de luz. Deus os contempla com alegria porque em nenhum deles há qualquer mancha de pecado.
Onde buscaram eles vestiduras sem qualquer “mancha”? O pastor Arthur G. Daniells, declarou: “Nossa natureza pecaminosa, corrupta, é apresentada com cores lúgubres para que se apele a Cristo por limpeza, e para que Ele nos seja em realidade “o Senhor justiça nossa” (Cristo Nossa Justiça, p. 12).

É, pois, evidente que, se quisermos habitar na mansão em que reina a justiça, devemos estar justificados; e quem será capaz de nos revestir com vestiduras puras e imaculadas, próprias dos remidos, de modo que sejamos considerados dignos de entrar em tão santa morada? Tudo foi previsto para nós na Pessoa de nosso Salvador Jesus, por meio de Sua morte vicária no Calvário. Ele fez por nós aquilo que nunca seríamos capazes de fazer, a fim de que sejamos nEle o que nunca poderíamos ser sem Ele. Jesus deve ser para nós tudo o que Seu santo nome exprime: “O Senhor, justiça nossa”!

Imaginemos este quadro: um Ente nascido de uma mulher atravessou a vida humana sem Se desviar um momento dos caminhos de Deus. A Terra teve a oportunidade de ver nos Seus dias um Homem puro, como Deus é puro; santo, como Deus é santo; perfeito, como Deus é perfeito; sem pecado, como Deus é sem pecado! Ele atendeu a todos os reclamos da Lei, sem dela Se afastar um só passo. Os olhos de Deus, o Pai, sempre fixos sobre Ele, nem uma única vez puderam encontrar ausência de amor divino, em uma de Suas ações, em uma de Suas palavras, em um dos Seus pensamentos, condição imprescindível para a execução de Sua missão redentiva.

No meio dos homens, aqui na Terra, Ele viveu como se estivesse no Céu. Suportou todas as provas, mas não cometeu falta alguma; todas as tentações, e as mais pesadas, mas não Se deixou contaminar por um só pecado. Que exemplo Ele deixou para nós! O que mais poderíamos desejar? Temos a dignidade de Cristo para a nossa indignidade e a Sua perfeita justiça para o nosso nada. É feliz quem pode exclamar: “Eu me volto inteiramente para Ti, o Deus da minha justiça!”

REFLEXÃO: “Regozijar-me-ei muito no Senhor, a minha alma se alegra no meu Deus; porque me cobriu de vestes de salvação, e me envolveu com manto de justiça” (Is 61:10).


17 de julho Quinta-feira

Como Tratamos os que nos Antecederam?

Não há ainda alguém da casa de Saul para que use eu da bondade de Deus para com ele? 2 Samuel 9:3

Se havia alguém que tinha razão de sobejo para ficar satisfeito com a morte de Saul, era Davi. Entretanto, ele pranteou sua morte (2Sm 1:17-27) e, tão logo foi consolidado no trono de Israel, Davi quis demonstrar toda a bondade para com o único sobrevivente direto da casa de Saul – Mefibosete, filho de Jônatas. Davi recebeu o jovem na corte com consideração e bondade, devolveu-lhe as propriedades que haviam pertencido a Saul e convidou Mefibosete a participar da mesa do rei, diariamente, pelo resto da sua vida.

Que exemplo de dignidade e respeito para com aquele que o antecedera no trono de Israel! Além de outros motivos, Davi tinha profundo respeito para com um “ungido do Senhor”. Isso foi patente em sua vida, a ponto de mandar executar o jovem amalequita que matou Saul, dizendo: “Como não temeste estender a mão para matares o ungido do Senhor?”

E hoje, quando alguém é substituído numa determinada função de uma empresa, como são considerados os antecessores por aqueles que chegam? Com respeito e consideração ou com desdém?

Apenas um exemplo: um homem bastante dedicado no exercício de suas funções, honesto e responsável, que tive o prazer de conhecer, e que deu muitos anos de sua vida à organização a que serviu, foi substituído por outro administrador. Até aí, nada de mais. Alguém, então, perguntando para este a respeito do seu antecessor, teve como resposta do novo titular da função a seguinte expressão desdenhosa: “Ah!... Eu dei um chega pra lá nele.”

Davi não deu um “chega pra lá” ao único sobrevivente da casa de Saul. Substituições, no momento certo, são necessárias. Fazem parte do processo de qualquer empresa; porém, que seja feito tudo com ética, respeito e consideração para com aqueles que dedicaram boa parte de sua vida à organização.

Ellen G. White sempre manifestou respeito para com os líderes de mais idade e experiência. Aqueles que “cometeram erros, mas dos fracassos aprenderam a sabedoria [...] Suportaram trabalhos e provas, e embora tenham perdido parte de seu vigor, não devem ser empurrados para a margem por obreiros menos experientes que bem pouco sabem acerca da obra e do sacrifício desses pioneiros. O Senhor não os põe à margem” (Mente, Caráter e Personalidade, v. 2, p. 751).

REFLEXÃO: “Não te furtes a fazer o bem a quem de direito, estando na tua mão o poder de fazê-lo” (Pv 3:27).


18 de julho Sexta-feira

Honestidade nas Coisas Grandes e Pequenas

Se vocês não forem honestos nas coisas pequenas, não serão nas grandes. Se vocês enganam um pouquinho só, não serão honestos nas responsabilidades maiores. Lucas 16:10, BV

Honestidade é uma questão de caráter. Este, por sua vez, é produto do meio em que se vive, pois é nele que o ser humano recebe influências positivas ou negativas, físicas, morais ou intelectuais. As mentalidades variam de indivíduo para indivíduo. Para alguns, o bem é atrativo; para outros, o mal é sedutor. Assim, pois, o meio ambiente tem influência poderosa na formação do caráter.

Os bons princípios são de grande utilidade para o desenvolvimento do bom caráter. Eles auxiliam muito na prática de qualidades positivas, como a prática da honestidade, da fidelidade e da honradez.

Temos que nos conscientizar, porém, de que não somos nós que vamos dizer às pessoas que temos um bom caráter. São elas que vão tirar essa conclusão. O caráter de uma pessoa se revela no seu dia-a-dia com outros indivíduos, no trabalho, na escola, na igreja e em outros ambientes. Em nosso dia-a-dia, nossas palavras, atos e comportamento são observados. Sem sentir, deixamos transparecer como reagimos diante de certas situações. E as pessoas que nos vêm e nos ouvem, nessas ocasiões, tiram conclusões negativas ou positivas a nosso respeito.

É interessante o fato de o nosso caráter se revelar não somente pela nossa reação às grandes tentações, como também pela maneira como reagimos diante das pequenas tentações. “Porque se vocês não forem honestos nas coisas pequenas, não serão nas grandes.”

Diz Ellen White: "É subestimada a importância das coisas pequenas, justamente por serem pequenas; mas a influência das pequeninas coisas para o bem ou para o mal é grande. Elas encerram boa parte da presente disciplina da vida, para todo ser humano. Fazem parte do preparo da alma, na santificação de todos os nossos talentos para Deus. A fidelidade nas coisas pequenas, no que respeita ao dever, faz que o obreiro no serviço de Deus reflita mais e mais a semelhança de Cristo" (Para Conhecê-lo [MM 1965}, p. 331).

REFLEXÃO: “Quem é fiel no pouco também é fiel no muito” (Lc 16:10).


19 de julho Sábado

Cuidado, ele é Alemão!

O homem mau vive espiando o justo, fazendo planos para tirar-lhe a vida, mas o Senhor não permitirá que o justo caia nas mãos do perverso. Salmo 37:32, 33, BV

O pastor Luiz Braun foi um dos grandes missionários que o Brasil conheceu. Durante as primeiras décadas do século passado, ele pregou, evangelizou e batizou centenas de conversos nos estados do Paraná, S. Paulo e Minas Gerais. Eram tempos difíceis aqueles, em que os pregadores protestantes eram perseguidos e ameaçados constantemente.

Na meditação de 16 de abril, narrei a experiência que passou o pastor Braun ao realizar uma série de conferências em Teixeira Soares, estado do Paraná. Que, apesar das ameaças, Deus o protegeu e tudo saiu bem.

Como os planos de violência contra o pastor Braun e sua família não deram certo naquela noite de conferência, organizou-se um outro bando de pessoas para atacar o pastor e sua família em sua casa, em outra ocasião.

Certa noite, altas horas, o pastor e sua família acordaram com uma algazarra e gritaria próximo de sua casa. Percebendo quais eram as intenções daquelas pessoas e prevendo o que poderia acontecer, toda a família se ajoelhou em oração. Cercaram a casa, bateram nas janelas e portas e gritando, diziam: “Abram! Caso contrário vamos arrombar a porta!”

O pastor, que estava orando com a família, continuou a rogar a Deus, dizendo: “Senhor, Tu que puseste o instinto nos animais para proteger as suas crias dos tigres, colocando os touros ao redor do rebanho, protege-nos destes malfeitores. Tenho que defender minha família, mas como?”

Quando bateram novamente, exigindo que abrissem a porta, o pastor Braun abriu a porta e disse: “Ai da primeira meia dúzia que se atrever a entrar!” Nisso, alguém do meio do bando gritou: “Cuidado, ele é alemão e deve estar armado até aos dentes!” Todos se puseram a fugir, deixando aliviados o pastor e sua família.

No dia seguinte, alguém relatou a um membro da igreja, por nome Felizbino, o que havia acontecido. E nosso irmão lhe disse: “O pastor não possui arma nenhuma, exceto uma que vou lhe mostrar.” Entrou na casa e trouxe uma Bíblia, e acrescentou: “É esta, a Bíblia Sagrada!”

Na verdade, o pastor possuía uma arma poderosíssima – a espada inflamada do Espírito, que é a Palavra de Deus! – EGS

REFLEXÃO: “O Senhor salva os justos; no dia da dificuldade Ele é a proteção de quem o ama! Ele ajuda e livra os justos dos planos perversos dos homens maus, porque confiaram nEle” (Sl 37:39, 40, BV).


20 de julho Domingo

Cães de Caça, Cães de Guarda

Aos Seus anjos dará ordens a teu respeito, para que te guardem em todos os teus caminhos. Salmo 91:11

Valeu a pena os esforços que o pastor Luiz Braun fez para ajudar na evangelização da cidade de Teixeira Soares, Paraná. Hoje existe ali uma igreja organizada por ele. Mas, não foi fácil.

Num sábado à tarde, o pastor Luiz Braun e sua família fizeram o culto do pôr-do-sol, jantaram, e quando iam fechar as portas, notaram que os cães do irmão Felizbino, que gostava de caçar, estavam todos deitados à volta da sua casa. Pensando que os cachorros estivessem com fome, providenciaram comida para eles. Mas eles não comeram. Nem saíram do lugar.

Pouco antes das dez horas, a família se recolheu para dormir. Novamente, já de madrugada, os mesmos indivíduos maus apareceram para cometer algum ato de violência e vandalismo. Mas aconteceu o que eles não esperavam. Aqueles cães avançaram contra eles com toda fúria, chegando a rasgar a roupa de alguns. E todos tiveram que fugir novamente.

No outro dia, o irmão Felizbino ficou sabendo o que aconteceu e como os seus cães saltaram como onças sobre aqueles homens. Admirou-se porque não era costume dos seus cães saírem de casa e também porque eles eram mansos. Eram apenas cães de caça e não de guarda.

Então, Felizbino explicou a algumas dessas pessoas que o pastor não havia mandado os cães atacarem ninguém, mas que o anjo do Senhor, esse sim, é que havia dado ordens aos cães para atacarem. E acrescentou: “Não adianta vocês insistirem. O anjo do Senhor é quem protege o pastor. Vocês não poderão fazer nada.”

O pastor e sua família permaneceram naquela cidade por três meses. Terminaram as conferências, realizaram o batismo de aproximadamente trinta pessoas e organizaram a igreja. Durante as últimas semanas que o pastor Braun permaneceu na cidade, algumas pessoas ainda tentaram fazer-lhe mal, e sempre à noite. Quando eles planejavam ir, os cães chegavam antes.

Deus é o mesmo que operou milagres no passado para proteger Seus filhos. Se, nos dias de Balaão, Ele Se manifestou enviando um anjo para falar a uma jumenta, seria impossível a Ele determinar a um anjo para que usasse aqueles cães para guardar a casa do pastor Luiz Braun?

REFLEXÃO: “O Senhor guardará a tua saída e a tua entrada, desde agora e para sempre” (Sl 121:8).