11 de novembro Terça-feira

E Houve Luz

Disse Deus: “Haja luz.” E a luz apareceu. Gênesis 1:3, BV

Deus falou antes que a vida na Terra existisse e algo estupendo aconteceu. Esse mundo tão belo, que veio a existir, não passava de uma massa informe, um vazio imenso, um nada envolvido numa impenetrável noite.

Foi neste momento que a voz de Deus se fez ouvir pela primeira vez ao dar início à Sua maravilhosa obra da Criação. Posso imaginar que dessa vez não foi uma voz suave, mas uma voz poderosa, forte como o mais forte trovão e estrondeou pelos espaços longínquos: “Haja luz!” E tudo ficou claro. Assim, Deus separou a claridade da escuridão.

A luz brilhou por algumas horas, depois escureceu de novo. O dia era a luz; a noite era a escuridão. O dia e a noite juntos formaram o primeiro dia completo. Desde então, até hoje e pelo futuro afora, o tempo será identificado por uma sucessão de dias e noites, luz e trevas. Nossa existência vai caminhando dentro desses limites estabelecidos por Deus. Até quando? Não sabemos.

Nesta minha reflexão, desejo partilhar com você algumas lições sobre a luz. Esse foi o primeiro dos grandes atos de Deus na Criação. Se você me perguntar de onde ela se originou, posso apenas dizer: Deus disse “haja luz” e ela apareceu. Se Deus a fez logo no início é porque “no mundo que nos cerca não pode haver vida sem luz”, declarou Ellen White. Deus, que é vida, é a fonte da luz. Jesus a tomou por Seu emblema, quando disse: “Eu sou a luz do mundo” (Jo 8:12).

A luz é absolutamente pura. Alguém já viu uma luz suja, manchada ou encardida? A luz não se mistura com a impureza. Ela incide seus raios sobre os lugares mais imundos sem que a sua pureza fique comprometida. Ninguém é capaz de adulterar a natureza da luz. Ela é imune à contaminação. É assim com Jesus. Quando esteve na Terra, Ele foi tão puro quanto Deus no Céu. Ele entrou em contato com um mundo contaminado pelo pecado, mas esse não O contaminou.

A luz é agradável aos olhos. Sem luz não há beleza; sem a luz o Sol perderia o brilho e o arco-íris, o encanto. Assim como a luz do Sol comunica vida a este mundo, a luz do Sol da Justiça comunica vida eterna quando atinge os pecadores com os raios do Seu amor e misericórdia.

REFLEXÃO: “Se tiver de viver na escuridão, o Senhor mesmo será a minha luz” (Mq 7:8, BV).


12 de novembro Quarta-feira

Tu És Galileu!

Pouco depois, os que ali estavam disseram a Pedro: Verdadeiramente, és um deles, porque também, Tu és galileu. Marcos 14:70

O verso devocional desta manhã fala da nossa identidade como cristãos. Como somos conhecidos?

Certa vez, visitei um crente, membro da alta sociedade local, que havia recentemente aceitado a Jesus. Durante a conversa, que girava em torno da sua conversão, ele disse: “Pastor, quando eu era descrente, fazia parte daqueles que riam e debochavam dos crentes que, às vezes, passavam por nós levando a Bíblia debaixo do braço, ao irem para a igreja. Hoje, eu e minha família somos adventistas. Agora, sou eu que vou à minha igreja levando a Bíblia e o hinário na mão ou debaixo do braço, e pouco me importa o que as pessoas dizem ou pensam de mim. Realmente, o que importa é que nos sentimos bem e felizes.” Se fosse nos dias de Cristo, alguém poderia dizer a esse homem: “Você é um galileu!” E ele poderia responder: “Sim, um discípulo de Cristo!”

Em contrapartida, noutra ocasião, conversando com outro adventista que havia se afastado da igreja, fiquei sabendo que, por longo tempo, ele seguiu pelos caminhos do pecado, dando asas a caprichos errantes e a divagações absurdas, subindo escarpadas perigosas, ao sabor de sua indiferença espiritual. Era um “galileu” negando o Mestre. Então, ele me revelou: “Certa noite, numa danceteria, um indivíduo que fazia muito tempo que eu não o via e que jamais pensava encontrá-lo naquele ambiente, aproximou-se de mim, dizendo: ‘Mas..., você por aqui? Escuta, você não é adventista?’ (Em outras palavras, “você não é galileu?”) E completou: “Pastor, eu me senti um Pedro negando a Jesus, e Jesus olhando para mim... Caí em mim e chorei... Saí dali disposto a voltar para a igreja... Deus não Se cansou de mim, nem mesmo quando minhas covardias aviltantes tiravam toda a dignidade de minha vida!”

Sim, esse nosso querido irmão voltou. Voltou como Pedro, um “galileu” arrependido e transformado. Mesmo que alguém tenha negado seu Mestre em algum momento da vida, e esteja envergonhado pelo que fez, a marca divina ainda está nele, sendo impossível escapar do amor de Jesus e do Seu olhar de misericórdia e perdão. Você é “galileu” e eu também!

REFLEXÃO: “Ou desprezas a riqueza da Sua bondade, e tolerância, e longanimidade, ignorando que a bondade de Deus é que te conduz ao arrependimento?” (Rm 2:4).


13 de novembro Quinta-feira

O Semblante de Jesus

Deus [...] nos fez compreender que é o brilho da Sua glória que se vê no rosto de Jesus Cristo. 2 Coríntios 4:6, BV

É no rosto que se lê toda a escala dos sentimentos humanos. No semblante pode transparecer desde a indiferença até à paixão fulminante, do amor ao ódio. Num leve movimento de sobrancelha pode-se perceber o que vai no interior da pessoa.

No entanto, o que vemos em Jesus? O que nos transmite a expressão acolhedora do Seu rosto? Não seria, com certeza, a glória do próprio Deus?

Quem, porventura, poderá esquecer o semblante de Jesus ao ter uma criança em Seus braços? (Mc 10:16). Olhemos para a expressão do Seu rosto quando Ele, com Sua harmoniosa voz, chamou Talita de volta à vida! (Mc 5:41). Também podemos visualizar a alegria estampada em Sua face quando a samaritana testemunhou dEle e voltou da cidade trazendo muitas outras pessoas para ouvir as palavras do Mestre! (Jo 4:28-30). E o que dizer da expressão do Seu semblante quando, manietado, virou-Se para Pedro com olhar de amor e compaixão, após ter sido por ele traído?

Mas esse rosto foi desfigurado. Isaías profetizou: “Como pasmaram muitos à vista dEle (pois o Seu aspecto estava mui desfigurado)” em vez de radioso e triunfante, ao verem o Messias maltratado. Na sua profecia, Isaías continuou descrevendo os Seus sofrimentos físicos e morais, que têm arrancado lágrimas de muitos olhos. “E nós O reputávamos por aflito, ferido de Deus e oprimido” (Is 52:14; 53:4).

Observemos, detalhadamente, o semblante desfigurado de Jesus lá no Calvário. Apesar de triste, fala de esperança. Aquele rosto, que Ele mostrou no dia da Sua aflição, ali na cruz, era “como o Sol quando na sua força resplandece” (Ap 1:16). O eterno passar do tempo jamais apagará a glória de Deus no rosto de Jesus, quando proferiu o brado da vitória: “Está consumado!”

Agora, vamos imaginar o rosto de Jesus por ocasião da ressurreição, da ascensão, da chegada ao Céu e da Sua entronização. Um dia, veremos Jesus face a face! Veremos Seu lindo rosto quando Ele voltar em glória e quando Ele abrir os portais da Nova Jerusalém para a entrada dos remidos. Então, Ele “verá o fruto do penoso trabalho de Sua alma e ficará satisfeito” (Is 53:11), e o Seu rosto brilhará de felicidade, porque Ele reconciliou, salvou e glorificou Sua Igreja.

REFLEXÃO: “Naquele dia, o Renovo do Senhor será de beleza e de glória; e o fruto da terra, orgulho e adorno para os [...] que forem salvos” (Is 4:2).


14 de novembro Sexta-feira

As Minhas Algemas

Lembrai-vos das minhas algemas. Colossenses 4:18

Paulo escreveu a epístola aos colossenses durante seu primeiro período de prisão em Roma. Ao concluí-la, tomou a pena da mão do escrevente e de seu próprio punho escreveu as saudações finais, acrescentando: “Lembrai-vos das minhas algemas”. Por que os colossenses deveriam lembrar-se de suas algemas?

  1. Porque as algemas de Paulo lembravam sua fidelidade a Jesus. Ele jamais trairia Aquele que o chamou (Cl 1:24, 25).
  2. Porque as algemas de Paulo falavam de renúncia e sacrifício. Ele jamais trocaria aquelas algemas por liberdade passageira, prestígio e riqueza. Tudo isso já havia renunciado, após seu encontro com Jesus na estrada de Damasco (At 9:3-8, 16).
  3. Porque as algemas de Paulo falavam de seu amor pelos pecadores. “Tudo suporto”, declarou, “por amor dos eleitos para que também eles obtenham a salvação” (2Tm 2:10).
  4. Porque as algemas de Paulo falavam do seu amor ao seu Salvador, “o amor de Cristo nos constrange”, disse ele (2Co 5:14).

Um jovem japonês que tinha ao seu lado um amigo cristão, narrou-lhe um fato que ocorreu por ocasião da guerra Russo-Japonesa.

Em algum momento da ofensiva, os soldados japoneses se depararam com uma cerca de arame farpado, colocada ali pelos soldados russos, para dificultar o avanço das tropas inimigas. Diante daquele obstáculo, o comandante, num apelo dramático, convocou voluntários para remover aquela cerca, dizendo-lhes: “Esta é uma chamada de morte... Vocês não levarão consigo fuzis, apenas tesouras. É possível que, quando estiverem removendo o obstáculo, a metralha do inimigo os dizime... Mas tenham a certeza de que os exércitos japoneses passarão por cima dos seus cadáveres para a vitória.” Então, fez o apelo: “Todos aqueles que amam seu imperador, que estão dispostos ao sacrifício, dêem um passo à frente.” Emocionado, o moço disse-lhe: “Todos os soldados deram um passo à frente”.

Concluindo a narrativa, aquele jovem japonês olhou para seu amigo cristão e fez esta tocante declaração: “Se vocês, cristãos, amassem seu Comandante Jesus Cristo como amamos nosso imperador, há muito que já teriam ganho o mundo para Ele”.

Concluindo essa meditação, rogo a Deus que ela nos motive a uma dedicação mais completa de nossa vida e talentos ao serviço do nosso Comandante Jesus. Amém!

REFLEXÃO: “Ai de mim se não pregar o Evangelho” (1Co 9:16).


15 de novembro Sábado

Deus Busca, Não Importa Onde – 1

Assim diz o Senhor Deus: Eis que Eu mesmo procurarei as Minhas ovelhas e as buscarei. Ezequiel 34:11

Foi na década de 50, na cidade de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, que Carlos Rodolfo Wallauer e sua família tiveram os primeiros contatos com a Igreja Adventista. Primeiro, assistindo a algumas conferências do pastor Walter Schubert e, depois, pela leitura do livro O Grande Conflito.

Anos se passaram e a sua esposa Wilma e os filhos Dulci, Lecy e Eloy aceitaram a pregação adventista. Carlos, porém, não a aceitou e até se opôs aos que foram batizados.

Tempos depois, Wilma, a esposa, veio a falecer e ele, talvez desgostoso, resolveu deixar o Rio Grande do Sul, mudando-se para Mato Grosso, na região do rio das Mortes, afluente do rio Araguaia, fixando-se às margens do lago das Tabocas, onde adquiriu terras e passou a criar gado. Construiu uma casa simples e rústica e ali passou a viver e trabalhar.

Entretanto, verificou ser muito difícil viver em meio àquela solidão e resolveu fazer uma viagem ao Rio Grande do Sul. Naquela ocasião conheceu uma excelente senhora que se chamava Margarida, com quem veio a se casar. Em companhia de sua nova esposa, voltou para o Mato Grosso, e ambos passaram a viver a vida simples do sertão, junto ao verde, às águas, aos animais, às aves e ao gado de sua fazenda.

E foi ali, em meio ao sossego da natureza, mais perto de Deus que, à semelhança de Moisés no deserto de Horebe, Carlos passou a pensar mais seriamente na sua vida espiritual. Por certo, lembrou-se do exemplo da antiga esposa e o exemplo das filhas. Pensou no filho caçula, o Eloy, que foi professor em um colégio adventista e pastor na cidade de Jaú, interior de São Paulo. Ele faleceu num acidente de lambreta. Somando-se a tudo isso, marcava-lhe a impressão que a leitura do livro O Grande Conflito deixara em sua mente.

Não mais podendo resistir aos apelos do Espírito Santo, Carlos Rodolfo Wallauer e a esposa Margarida tomaram a decisão de entregar o coração a Jesus e receber o batismo tão logo fosse possível. Certamente, os invisíveis anjos celestiais testemunharam a decisão desses dois filhos de Deus.

O Senhor estava procurando e buscando aquelas Suas ovelhas e as encontrou naquele lugar distante, no interior da selva, às margens do lago das Tabocas, no Mato Grosso.

REFLEXÃO: “Como o pastor busca o seu rebanho [...] assim buscarei as Minhas ovelhas” (Ez 34:12).


16 de novembro Domingo

Deus Busca, Não Importa Onde – 2

Eu mesmo apascentarei as Minhas ovelhas e as farei repousar, diz o Senhor Deus. Ezequiel 34:15

Era uma tarde de agosto, quando um senhor loiro, usando chapéu de abas largas, chegou à sede da Missão em Goiânia, e pediu para falar comigo. Era Carlos Rodolfo Wallauer.

Entrou na minha sala e foi logo dizendo por que viera. Entregou-me uma quantia em dinheiro que, segundo ele, era o dízimo acumulado durante algum tempo e uma oferta para A Voz da Profecia. Contou-me sua história e pediu o batismo.

Foi uma agradável conversa, mesmo porque eu conheci alguns familiares seus em São Paulo, inclusive o Dr. Heber Maia de Matos, que era seu genro. Marcamos a data para o batismo e ele voltou alegre para seu rincão.

Um mês e meio depois, numa sexta-feira, juntamente com o irmão Alvino Xavier e sua esposa Maria José, ambos enfermeiros missionários, saímos de Santa Izabel, na Ilha do Bananal, com a lancha “Pioneira” e viajamos pelo rio Araguaia e rio das Mortes, entrando no estado de Mato Grosso, até alcançar o lugar onde passaríamos a noite. No dia seguinte, que era sábado, navegamos com um barco de alumínio a motor de popa, pois dali até ao lago das Tabocas só era possível navegar com barco pequeno.

Atravessando “furos” e igarapés, depois de duas horas e meia chegamos ao nosso destino.

Realizamos a Escola Sabatina, fizemos um culto e procedemos os votos batismais. Em seguida, entramos nas águas do Tabocas onde ambos, Carlos e Margarida, foram batizados.

Depois do almoço, realizamos a Santa Ceia e, em seguida, nos despedimos. À distância, nossos queridos irmãos ainda lá estavam acenando para nós. Deus os encontrou ali naquele “fim de mundo”, longe de tudo e de todos, e os convidou para fazer parte de Sua família.

Finalmente, Carlos e Margarida se mudaram para a cidade de Aparecida de Goiânia, onde colaboraram significativamente para a construção de uma igreja. Ali, Carlos passou seus últimos anos. Foi sepultado aos 84 anos de idade e, agora, aguarda o dia da ressurreição.

REFLEXÃO: “No tempo aceitável, Eu te ouvi e te socorri no dia da salvação” (Is 49:8).


17 de novembro Segunda-feira

O “Viajante” Ameaçado

Bem-aventurados os perseguidos por causa da justiça, porque deles é o reino dos Céus. Mateus 5:10

Nos altos dos Andes Venezuelanos está situada a pequena aldeia El Cobre, onde, num pequeno cemitério rodeado por singelas muralhas brancas, descansam os restos mortais daquele que em vida foi considerado “o melhor colportor do mundo”, Rafael López Miranda, um missionário adventista que vendia livros religiosos e era, na região, conhecido como “Viajante”.

Rafael López Miranda foi covardemente assassinado por bandidos contratados supostamente pelo padre de San Cristóbal que não tolerava a presença do “Viajante” naquelas cercanias, distribuindo literatura adventista, especialmente o livro O Grande Conflito.

Logo ao chegar a San Cristóbal, Rafael López passou a experimentar o amargo fel da intolerância promovido pelo pároco local. Poucos dias após ter começado seu trabalho, “Viajante” foi intimado a responder pelo crime de distribuir “literatura imoral” entre os habitantes da localidade, segundo a acusação do padre. O juiz, porém, o declarou inocente. Quando ia saindo do tribunal, o padre, descontrolado em seu ódio, aproximou-se de Rafael e sussurrou em seus ouvidos: “Do tribunal você se livrou, mas não vai se livrar das minhas mãos.”

Semanas depois, Rafael López deixou essa cidade com a alegria de ter cumprido seu dever como mensageiro de Deus, tendo deixado muitos livros entre o povo e evangelizado a dona da pensão em que se hospedara.

No dia seguinte, chegou a Tovar. Ali estava o padre, outra vez, para dificultar seu trabalho, como em San Cristóbal.
Certo dia, Rafael foi a um restaurante, dirigiu-se a uma das mesas, assentou-se e pediu ao moço que servisse um prato com ovos, pão de milho e feijão verde frito. Em seguida, o rapaz voltou com o prato solicitado, colocando-o diante do “Viajante”. O moço, muito inquieto, passou a observá-lo. Quando López abaixou a cabeça para orar, o rapaz tirou rapidamente o prato e se foi. Num instante, voltou com outro prato e disse-lhe: “Perdão, senhor. É que... (o rapaz olhou ao redor e continuou em voz baixa) ... me pagaram para colocar veneno em sua comida. Mas, quando o vi rezando com tanto fervor, fiquei aterrorizado e tirei o prato.”

Numa carta dirigida ao coordenador regional da colportagem, pastor B. F. Wagner, ele escreveu: “Sigo para outro lugarejo de fanáticos preparados pelo padre. Já sei que tenho que batalhar [...] mas não posso deixar o campo para Satanás, pois ele iria rir gostosamente.”

REFLEXÃO: “Irei [...] se perecer, pereci” (Et 4:16).


18 de novembro Terça-feira

A Morte do “Viajante”

Sê fiel até à morte, e dar-te-ei a coroa da vida. Apocalipse 2:10

Seguiremos o missionário “Viajante”, mas não por muito tempo. Após ter saído de Tovar, onde escapou de ser envenenado, Rafael escreveu o seguinte em uma de suas cartas: “Já estou em Táchira com a artilharia adventista” (a artilharia, a que ele se referia, eram os livros que vendia com destaque para O Grande Conflito).

Ele voltou a San Cristóbal para visitar um amigo comerciante, em cuja casa alguns convidados o aguardavam para ouvi-lo. Seu espírito se enchia de alegria ao ver a fome daquelas pessoas pela Palavra de Deus.

Era madrugada de 14 de maio de 1922, ali pelas cinco, quando Rafael carregou seu animal para a viagem. Antes, porém, Rafael, a dona da pensão (que já guardava o sábado) e mais alguns crentes se ajoelharam. Rafael sentiu-se transportado ao Céu, ao invocar a presença do Todo-poderoso. A dona da pensão disse nunca ter ouvido uma oração tão comovente e tão fervorosa como aquela.

Ele saiu de San Cristóbal e passou a noite seguinte em La Raya. Na madrugada seguinte, continuou viagem em direção de La Grita. Eram 7h30 da manhã, quando Rafael resolveu parar perto de um riacho para tomar o desjejum. O que ele não sabia era que bandidos estavam ali de tocaia, esperando por ele. Comeu pães de milho com queijo e manteve o livro O Grande Conflito aberto ao lado, talvez para ler alguns parágrafos. De repente, o livro caiu de suas mãos; elas pareciam congeladas e ele sentiu uma contração dolorosa. Rafael fora atingido pelos projéteis de uma arma de fogo, caindo sobre o solo úmido e pedregoso. Era 15 de maio. Rafael López Miranda, o “Viajante”, estava morto! (Essas últimas informações foram dadas por um dos bandidos presos).

Alguns sitiantes da redondeza ouviram os tiros e correram para ver o que havia acontecido. Um deles, por nome Bernardo Roa, reconheceu o cadáver e exclamou: “É o Viajante!” Então, levaram seu corpo até o cemitério de El Cobre, o povoado mais próximo.

A notícia já havia chegado à aldeia. O corpo de Rafael foi deixado aos cuidados do encarregado do cemitério, e Roa e seus companheiros foram avisar à polícia sobre o ocorrido. Antes de regressarem, o padre já havia determinado ao encarregado que não sepultasse o “herege” dentro do cemitério. Então, quando chegaram, Pitalúa, o encarregado do cemitério, já estava cavando uma cova do lado de fora e nela o “Viajante” foi sepultado.

REFLEXÃO: “Preciosa é aos olhos do Senhor a morte dos Seus santos” (Sl 116:15).


19 de novembro Quarta-feira

Escrito no Livro da Vida

Bem-aventurados os mortos que, desde agora, morrem no Senhor: Sim, diz o Espírito, para que descansem de suas fadigas, pois a suas obras os acompanham. Apocalipse 14:13

Ali em El Cobre, pequena aldeia dos Andes Venezuelanos, está a sepultura de um dos mártires da Igreja Adventista do Sétimo Dia. Sua coragem e heroísmo na propagação do evangelho eterno deixaram suas marcas e abençoados resultados.

Sobre a lápide da tumba modesta está um livro aberto com as seguintes palavras: “Escrito está no livro da vida.” E logo abaixo: “Em memória de Rafael López Miranda de Porto Rico; morreu em 15 de maio de 1922.”

Pelos olhos da imaginação, posso ver anjos celestes se revezando ao velar a sepultura desse servo de Deus até o dia da ressurreição. Ele é mais um dos salvos que desejo conhecer no Céu.

Agora descrevo um fato pitoresco. Em 1962, houve uma grande enchente que fez transbordar o rio que passa junto do cemitério. A violência das águas derrubou os muros do cemitério e vários túmulos foram totalmente devastados. Com a mesma fúria, as águas passaram sobre a sepultura de Rafael López, mas foi como se nada tivesse acontecido. Logo correu a notícia de que a tumba do “Viajante” havia ficado intacta. Então, por insistência dos moradores da cidade, o padre da aldeia determinou que, ao serem reconstruídos os muros, contornassem a tumba do “Viajante”, para que ela ficasse dentro do cemitério.

Onze dias depois da morte de Rafael López, prenderam dois dos assassinos. Pela confissão desses bandidos, soube-se que o assassinato havia sido tramado em San Cristóbal e que o principal instigador havia sido o padre que o ameaçara à saída do tribunal.

Sobre os outros dois criminosos correm algumas histórias. Alguns afirmam que um deles fugiu para o Chile e, em seguida, para a Argentina, onde viveu até o fim da sua vida, após ter-se convertido ao adventismo pela leitura de O Grande Conflito.

Neste tempo, próximo ao fim do mundo, é possível que Deus não nos chame para ser mártires. Mas, certamente, Ele espera que também divulguemos o evangelho para que outras pessoas alcancem em Cristo a salvação. Esse tem sido o propósito dos corajosos colportores.

REFLEXÃO: “O justo, ainda morrendo, tem esperança” (Pv 14:32).


20 de novembro Quinta-feira

Educação Cristã, Patrimônio da Igreja

O Senhor dá a sabedoria, e da Sua boca vem a inteligência e o entendimento. Provérbios 2:6

Sabedoria é algo que se adquire. A educação cristã é a oportunidade que Deus nos dá para adquirirmos sabedoria e conhecimento a fim de vivermos de maneira mais compatível com os dias atuais e, ao mesmo tempo, para servirmos melhor a Deus e à Sua Igreja.

Posso dizer que sou fruto da visão que meus pais tiveram do valor da educação cristã. Ao se tornarem adventistas, ampliou-se a visão deles, quanto à educação dos filhos.

Visto que morávamos na fazenda, meus pais solicitaram à sede da Missão Adventista o envio de uma professora para atender os próprios filhos, os filhos dos colonos e também dos amigos e vizinhos.

Tudo era muito simples. A princípio, durante a semana, a sala da casa em que morava a professora servia de sala de aulas e, aos sábados, era usada para as reuniões infantis da igreja.

Foi nessa escola que tive o privilégio de cursar o antigo primário, no qual professores cristãos nos ensinavam, além das matérias curriculares, a conhecer e amar Jesus. As histórias contadas por aqueles professores fizeram marcas indeléveis em minha mente que, ao seu tempo, me ajudaram a fazer escolhas sábias e decisões acertadas. Ali, tomei minha decisão para o batismo. Eu tinha apenas doze anos de idade, mas já sabia o que o batismo significava para mim.

Outros crentes se mudaram para lá por causa da escola. O trabalho cresceu e a luz do evangelho começou a brilhar em toda aquela região.

Meu pai, José Garcia Filho, construiu numa área de terra doada para a Missão um pequeno colégio com salas de aulas, dormitórios, cozinha e refeitório. Ele funcionou durante alguns anos. Como as acomodações foram se tornando pequenas para um internato, o colégio foi transformado num lar para crianças. Ali, hoje, com instalações modernas e confortáveis, funciona uma igreja rural e um centro de treinamento.

Com esta narrativa, meu objetivo é mostrar o valor e os resultados da educação cristã. Valeu a pena! – EGS

REFLEXÃO: “Instrui o menino no caminho em que deve andar, e, até quando envelhecer, não se desviará dele” (Pv 22:6).