Pois não me envergonho do evangelho, porque é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê. Romanos 1:16
Tudo teve seu início em meados de 1959, numa série de conferências evangelísticas que realizei em Guaianás, pequena localidade do interior do estado de S. Paulo. Entre os assistentes estava um jovem de 15 anos, de família humilde, órfão de mãe fazia pouco – era o Flávio Reti.
Segundo ele, "aquelas conferências eram algo inusitado para o povo de Guaianás. As músicas diferentes e as projeções coloridas chamavam a atenção. Isso sem falar no sonho da estátua de Nabucodonosor... Lembro-me ainda do belo hino "Jardim de Oração" reproduzido por um enorme gravador do pastor Sarli que deveria pesar uns vinte quilos, tudo ilustrado com projeções coloridas... Era uma atração!"
Meses depois, as conferências terminaram. Mas Flávio continuou a receber orientação religiosa dos irmãos Aparecido de Assis e Antônio Malta, esse último batizado no primeiro batismo das conferências.
Devido a problemas familiares, Flávio teve que sair de casa e foi morar com a família do irmão Aparecido de Assis. No fim de 1960, Flávio Reti foi batizado pelo pastor Antônio de Oliveira, distrital na cidade de Marília.
Flávio foi para o Ginásio Adventista Campineiro (mais tarde IASP), como aluno bolsista. Sete anos depois, terminou o curso de Contabilidade. Trabalhou dois anos na Superbom e, em seguida, cursou Letras na antiga OSEC, hoje UNISA, indo lecionar no colégio Luzwell.
Cinco anos depois, ingressou em escolas paroquiais adventistas, lecionando Inglês e Português. Após quatro anos, foi chamado para o IASP e ali permaneceu por seis anos. Então, foi para o IAE, hoje UNASP campus I, onde permaneceu por dezessete anos, lecionando Inglês, Português e Latim. Foi ali que, após as conferências de Guaianás em 1959, reencontrei-me com o, então, professor Flávio Reti.
Hoje, ele está aposentado e reside em Hortolândia. É casado com Madalena Reti. Um filho é engenheiro civil, uma filha é professora e a outra é fisioterapeuta.
Seu testemunho final sobre esse seu roteiro de vida foi: "Nas conferências de Guaianás, fui tocado por Deus e Ele fez de mim um obreiro em Sua causa... Algo inconcebível! Um garoto de Guaianás, sem perspectivas de vida, vir a ser professor em curso superior no IAE, campus S. Paulo! Só mesmo pelo poder de Deus. Verdadeiramente, o poder do evangelho fez a diferença em minha vida!"
REFLEXÃO: "Posso todas as coisas nAquele que me fortalece" (Fp 4:13).
Ai! Meu senhor! Que faremos?[...] Não temas, porque mais são os que estão conosco do que os que estão com eles. 2Reis 6:15, 16.
Emília Braun, filha do pastor Luiz Braun, contou-me várias experiências maravilhosas vividas por seu pai durante seu longo ministério. Através desses fatos, podemos ver como a história do passado se repete hoje, só que em circunstâncias diferentes. Mas, em meio às tempestades e à oposição dos inimigos da Palavra, os intrépidos servos de Deus não perdiam o ânimo.
Já narrei aqui, em dias anteriores, algumas experiências ocorridas com o pastor Luiz Braun, e vou contar mais um episódio que mostra que o Deus que protegeu os apóstolos de ontem é o mesmo que protege os ministros do Evangelho de hoje.
O pastor Braun fora transferido para a cidade de S. João da Boa Vista, interior do estado de S. Paulo, a fim de realizar uma série de conferências. O catolicismo sempre foi muito atuante nessa cidade, não aceitando influências evangélicas entre a população. Assim, em cada conferência havia um emissário clerical presente para levar informações aos seus superiores.
A certa altura, os católicos foram proibidos de assistir às reuniões, mas sempre havia bom número de pessoas. Então, começaram as ameaças e eram pesadas. Uma delas era a de matar o evangelista e sua família, colocar fogo na sua casa e no salão e expulsar da cidade os adventistas.
Foram contratados alguns capangas e uma procissão foi programada para a noite fatídica, mas o padre saiu da cidade. Naquela noite, estavam reunidas umas sessenta pessoas. A procissão cercou o salão e a casa do pastor que estava ao lado. Uma pessoa saiu e pediu que eles não perturbassem a reunião e fossem embora. Mas ninguém arredou o pé e começaram as ameaças, gritarias, palavrões... Então, o pastor resolveu interferir, pois a situação estava se agravando.
Quando o pastor Braun apareceu na porta do salão e diante do povo, a multidão apavorada recuou de uma só vez, e ficou silenciosa. Viram o que o pastor e seus ouvintes não viram: os anjos de Deus. Ali estavam eles a postos para guardar Seu servo, sua família e os ouvintes.
Depois desse incidente, o evangelismo continuou sem oposição, e hoje em S. João da Boa Vista há uma igreja adventista, florescente e firmemente estabelecida. – EGS
REFLEXÃO: "Não to mandei Eu? Sê forte e corajoso; não temas, nem te espantes, porque o Senhor, teu Deus, é contigo por onde quer que andares" (Js 1:9).
O que anda em justiça e fala o que é reto [...] e fecha os olhos, para não ver o mal, este habitará nas alturas. Isaías 33:15, 16
Estou pensando nos jovens da igreja. Pelos versos bíblicos acima, há recompensas jamais sonhadas na busca de um alto ideal para a vida. Vocês precisam sonhar alto e, ao mesmo tempo, vigiar. Vigiar no trabalho, por causa da influência dos colegas levianos; nas escolas e universidades, por causa de mestres ateus, incrédulos e gozadores que, com seu sarcasmo e desrespeito às suas convicções, procuram solapar os fundamentos da sua fé e de seus ideais. Eles podem mudar as tabuletas que indicam o caminho e o rumo certo.
Para enfrentar essa onda de impiedade que campeia pelo mundo, a melhor coisa é colocar-se acima dela. Acima dos vícios, do materialismo, das más companhias, do sexo indevido, da infidelidade e da descrença. Essas coisas são todas cá de baixo, no nível da poluição moral e espiritual.
Alguém já viu ossos de águias esparramados pelo chão ou nos sacos de lixo? E de galinhas, já? Bem, eu sei o que vocês estão pensando... É isso mesmo, por quê? As águias vivem nas alturas e se desenvolvem no alto das montanhas. As galinhas, ao contrário, vivem sempre no chão e ciscando. A águia é uma ave nobre; a galinha é ave banal. A lição é óbvia.
"Deus colocou perante nós a altura do privilégio cristão, e isto para que... Cristo habite pela fé nos nossos corações" (Mensagens Escolhidas, v. 2, p. 222).
Numa de suas viagens, o comandante de um avião desceu em Cobar, na Arábia. Quando tornou a entrar no avião, ouviu um ruído: rec... rec... rec..., nada agradável. Finalmente, descobriu-se... Era um rato que havia embarcado clandestinamente. O que fazer? Então, o comandante se lembrou de que o rato não vive em grandes alturas, mas só na superfície da terra. Resolveu subir o máximo possível. Quando, horas depois, desceu no aeroporto do destino, lá estava o rato, morto.
Jovens, se com a ajuda do Espírito Santo vocês subirem bem alto rumo à perfeição do caráter, nenhum "rato" conseguirá minar seu objetivo de alcançar o ideal da sua vida e das suas aspirações.
Todos estamos entre duas escolhas: "habitar nas alturas" e ver "a terra que se estende até ao longe" (Is 33:15-17), ou morrer na planície. Dessa escolha depende nossa vitória ou nosso fracasso.
REFLEXÃO: "Fujam! [...] Não fiquem no vale. Vão para as montanhas e só parem quando chegarem lá. Só assim escaparão com vida" (Gn 19:17, BV).
O Senhor está observando Seus filhos, atento às suas orações. 1 Pedro 3:12, BV
Li no livro Eu Sei que Deus Responde às Orações, de Catherine Marshal, que ela desenvolveu um tal relacionamento com Deus, a ponto de colocar diante dEle pedidos aparentemente simples, mas que para ela eram muito necessários como, por exemplo, um lugar para estacionar o carro quando ia ao centro da cidade.
Isso me impressionou bastante, pois achava que deveria levar a Deus apenas pedidos relevantes e não coisas corriqueiras do nosso dia-a-dia.
Então, comecei a ter uma nova experiência com Deus ao fazer as minhas orações. Passei a levar-Lhe pequenos problemas e necessidades e fiquei maravilhada, ao perceber que Ele Se importava com meus pedidos, até os mais insignificantes.
Vou citar apenas um fato que, por simples que pareça, estava me levando ao estresse por ser, para mim, uma coisa muito necessária. Tratava-se de um documento que eu deveria levar ao cartório naquele mesmo dia. Pensei que estava em determinado lugar, mas não estava. Procurei em todos os lugares e estantes do escritório onde eu achava que poderia encontrá-lo, e nada.
Então, orei sobre o assunto mais ou menos assim: "Senhor, não consigo encontrar esse documento e Tu sabes que ele é importante para mim. Por favor, mostra-me onde ele está!"
Ainda ajoelhada, fui impressionada a procurá-lo na prateleira de cima de uma das estantes, numa pasta vermelha. E lá estava o documento tão procurado e tão necessário. Coincidência? Se sim, foi uma coincidência preparada por Deus. Não importava o que era. O importante foi que, após aquela oração, Deus me mostrou onde estava o documento e isto, para mim, foi o bastante. Só tinha que Lhe agradecer e foi o que fiz.
Deus é um Pai amoroso e, como Pai, Ele deseja ouvir nossa voz, mesmo que peçamos coisas aparentemente insignificantes. Se for para nosso bem, sem dúvida, Ele nos atenderá. O que Deus realmente quer é que tenhamos com Ele um relacionamento íntimo de Pai para filho. Ele nunca Se cansará de ouvir nossos pedidos. "Mas a oração que parte de um coração sincero," diz Ellen White, "quando são expressos os desejos simples da alma, tal qual como pediríamos um favor a um amigo terrestre, esperando ser atendido – essa é a oração da fé" (Minha Consagração Hoje [MD 1989], p. 19). – EGS
REFLEXÃO: "Ó Senhor dos Exércitos, feliz o homem que em Ti confia" (Sl 84:12).
Eu vos dei o exemplo, para que, como Eu vos fiz, façais vós também. João 13:15
Um dos procedimentos que têm impressionado positivamente alguns visitantes a uma cerimônia de Santa Ceia em nossa igreja, é o lava-pés. A simplicidade do ato e o significado que dele emana falam alto ao coração.
Estávamos numa determinada igreja, num sábado, para oficiar a Ceia do Senhor. O pastor nos informou que estaria presente o prefeito da cidade com sua família.
Iniciados os trabalhos e após o sermonete, nos retiramos do templo, e o prefeito nos acompanhou ao recinto do lava-pés. Ele disse que queria acompanhar tudo bem de perto. Ali estava a irmandade, um lavando os pés do outro, todos cantando e abraçando-se.
Num dado momento, o prefeito perguntou ao pastor se ele poderia também participar do lava-pés e da ceia. O pastor providenciou um parceiro e, enquanto lavava os pés do prefeito, ele ia-lhe explicando o significado daquela cerimônia e do que viria depois.
Terminados os trabalhos da ceia, o prefeito revelou que o que mais o impressionou foi a cerimônia do lava-pés.
O padre Paulo H. Gozzi, autor do livro Como Lidar com as Seitas, ao falar sobre os adventistas, entre outras coisas, escreveu:
"Um gesto lindo que fazem, e que nós deveríamos imitar é a cerimônia do lava-pés cada vez que celebram a Ceia do Senhor [...] Antes da Ceia, feita com pão e suco de uva, cada crente lava os pés de um irmão e deixa que o outro lhe lave os pés [...] Isto é tão bonito e rico de simbolismo que todas as comunidades deveriam fazer igual. Em vez de dar aquele espetáculo teatral e cansativo de lavar os pés de doze crianças ou adultos, representando os doze apóstolos, onde as pessoas ficam assistindo sem qualquer compromisso e envolvimento, poderíamos arrumar umas vinte bacias, jarras de água, toalhas e cadeiras. [...] Cada um iria à frente, lavaria os pés de um irmão sentado e depois trocaria de lugar com ele, deixando que lhe lavasse os pés [...] As experiências já realizadas em várias comunidades católicas deram resultado extraordinário. E isso aprendido com os adventistas." Não faz bem um testemunho assim?
REFLEXÃO: "Vós sois a nossa carta, escrita em nosso coração, conhecida e lida por todos os homens" (2Co 3:2).
Agora existem estas três coisas: a fé, a esperança e o amor. Porém, a maior delas é o amor. 1 Coríntios 13:13, NTLH
Desejo falar-lhe daquilo que há de maior na Terra, no Céu e no Universo – o amor! Sim, porque Deus é amor e Ele é o que de maior existe nesta vasta e infinita imensidão cósmica.
Uma jovem adolescente jazia no leito de um hospital. Seu braço repousava sobre um travesseiro, sendo "acariciado" por um raio de sol que entrava no quarto por uma fresta da janela entreaberta. Então, agitando a mão, a menina começou a brincar com a sombra dos dedos que se projetava sobre o assoalho. Ela viu que novos raios de sol iam penetrando no quarto. Então, disse para sua mãe, que estava ali: "Mamãe, não é interessante pensar que, se pudéssemos subir por esses raios até o lugar de sua origem, todos eles nos levariam ao Sol?"
Deus é a fonte do amor, cujos raios nos alcançaram por meio de Seu Filho, comunicando-nos vida eterna. E, se pudéssemos subir através dos raios do amor divino até o lugar de sua origem, todos eles nos levariam a Deus, porque Deus é amor.
Imaginemos a extensão desse amor: é tão alto que alcança o trono de Deus; é suficientemente profundo para alcançar o coração do mais vil pecador. Sua amplitude é tão abarcante que circunda a Terra na busca da ovelha perdida. O amor de Deus é o fundamento do plano da Redenção.
"Deus com justiça reclama o amor e obediência de todas as Suas criaturas [...] Muitos, porém, se esquecem de seu Criador [...] Pagam com inimizade o amor que é tão alto quanto o Céu e tão amplo quanto o Universo" (Atos dos Apóstolos, p. 425).
Da mesma forma, como a base do nosso relacionamento com Deus é o amor, a base do nosso relacionamento com os semelhantes também deve ser o amor. "Assim como Eu vos amei, que também vos ameis uns aos outros" (Jo 13:34). O Senhor não pode Se servir de alguém que não tenha um coração amoroso.
É a falta de amor que tem ocasionado muitas inimizades entre irmãos de fé. Na igreja em que existe amor fraternal não têm lugar as disputas, as dissensões, as divisões, as críticas, as calúnias, o falar mal e as apostasias, porque o amor fala mais alto.
REFLEXÃO: "Amai-vos cordialmente uns aos outros com amor fraternal" (Rm 12:10).
Entra na arca, tu e toda a tua casa, porque reconheço que tens sido justo diante de Mim no meio desta geração. Gênesis 7:1
Aos poucos, a maldade na Terra se tornou tão grande e a corrupção chegou a tal ponto que o Senhor teria que tomar medidas severas. O pecado estava chegando ao limite do tolerável.
Mas, antes que isso pudesse acontecer, Deus tinha em mente duas coisas muito importantes: uma, era tomar providências para proteger Seu servo Noé e sua família, homem honesto, íntegro e bom, entre os homens de seu tempo. Mas também Ele queria dar uma oportunidade àquela geração, porque a índole de Deus é não querer que "nenhum pereça, senão que todos cheguem ao arrependimento" (2Pd 3:9).
Deus teve uma conversa com Noé, e apresentou-lhe Seu plano. Mas, caso isso realmente acontecesse, Ele iria providenciar um lugar de refúgio, em que Noé e sua família estariam seguros. Porém, antes disso, os habitantes da Terra teriam a última oportunidade para abandonar seus pecados e mudar de vida.
Então, Deus apresentou a Noé o projeto da arca. Noé obedeceu a todas as ordens divinas. Levou cento e vinte anos para construir a arca. Enquanto trabalhava, pregava e advertia. Suas obras testificavam da sua sinceridade. "Assim foi que sua fé se aperfeiçoou, e se evidenciou [...] Tudo quando possuía, empregou na arca", pois, ali estava a sua salvação e segurança.
No momento indicado por Deus, sob o desdém e o escárnio popular, entrou na arca com toda a família. Ali estava a recompensa da fidelidade a Deus. Aquela porta, pesada como era, sob os olhares da multidão irreverente, girou vagarosamente por mãos invisíveis. Passou-se a oportunidade e o tempo da graça. Noé e sua família, salvos do lado de dentro; e os que rejeitaram a misericórdia divina, excluídos para sempre.
"Assim, quando Cristo terminar Sua intercessão pelo homem culpado, antes de Sua vinda [...] fechar-se-á a porta da misericórdia" e "como Noé [...] os justos estarão escudados pelo poder divino" (Patriarcas e Profetas, p. 95, 98).
No mar só há segurança dentro do navio; no dilúvio, só houve segurança e salvação dentro da arca. Neste mundo, só há segurança e salvação se buscarmos refúgio em Cristo, que pode nos abrigar em Sua igreja antes do fechamento do tempo da graça. Quando chegarem as provações, onde estaremos? A decisão é minha e sua, individualmente.
REFLEXÃO: "Foram exterminados todos os seres que havia sobre a face da Terra [...] ficou somente Noé e os que com ele estavam na arca" (Gn 7:23).
Pela fé, Noé, divinamente instruído acerca de acontecimentos que ainda não se viam e sendo temente a Deus, aparelhou uma arca para a salvação de sua casa. Hebreus 11:7
Quando Noé e sua família entraram na arca, "viu-se um lampejo de luz deslumbrante, e uma nuvem de glória, mais vívida que o relâmpago, desceu do céu e pairou diante da entrada da arca" (Patriarcas e Profetas, p. 98). Por que será que Deus Se manifestou dessa forma? Certamente, porque dentro daquela arca estava guardada uma família que Ele amava.
Noé e seus familiares eram tudo de mais precioso que Deus tinha na Terra naqueles dias de crise. Eram o Seu tesouro e por isso Ele mesmo quis fechar a "porta do cofre", colocando Seu selo naquela porta. Isso significava que ninguém poderia violar aquele "cofre". Ali dentro estava um tesouro muito valioso – a família de Noé. Da descendência dessa pequena família guardada ali naquela arca, qual preciosa pérola protegida em sua concha, seria repovoada a Terra e dessa descendência viria o Salvador do mundo.
Satanás sabendo disso, sem sombra de dúvida, torcia para que aquela frágil embarcação se esfacelasse em meio à fúria da natureza, indo de encontro às rochas, agora desnudas e ameaçadoras, "mas, por entre os elementos em luta", escreveu Ellen White, a arca "continuou a flutuar com segurança. Anjos ‘magníficos em poder’ foram comissionados para a guardar" (Patriarcas e Profetas, p. 100). Aquela arca jamais afundaria; ali dentro estava a igreja de Deus em miniatura, o objeto de Seu esmerado cuidado.
Satanás sabia da fragilidade daquela embarcação e tudo faria para destruí-la, matando seus ocupantes, tentando frustrar os planos de Deus quanto à redenção da humanidade através de Seu Filho, a semente da mulher.
Noé é um exemplo de pai que investe tudo o que tem na salvação de seus filhos e demais familiares. "Como recompensa de sua fidelidade e integridade, Deus salvou com ele todos os membros de sua família" (Patriarcas e Profetas, p. 98).
Continuemos orando em favor de nossos filhos e investindo na salvação deles. Não nos esqueçamos, porém, de que o bom exemplo e nossa integridade de caráter falam alto ao seu coração.
"Estão já dentro todas as crianças?" Vamos, pois, pela graça de Deus, estar com eles dentro da arca de nossos dias que é a igreja, que também flutua por águas revoltas. Jesus está na direção. Deus nos ajude. Amém!
REFLEXÃO: "Herança do Senhor são os filhos" (Sl 127:3).
Os Céus e a Terra tomo, hoje, por testemunhas contra ti, que te propus a vida e a morte, a bênção e a maldição; escolhe, pois, a vida, para que vivas, tu e a tua descendência. Deuteronômio 30:19
São muitos os aspectos do comportamento humano ao se defrontar com um dilema que demanda uma importante decisão.
Em alguma ocasião da nossa vida, Deus poderá fazer chegar a nós o momento de escolhermos entre a pregação de Noé e a aparente segurança que o mundo oferece.
Ali estava a arca que Noé havia construído; um absurdo aos olhos dos antediluvianos que nunca haviam visto chuva e muito menos inundação. Mas, mesmo parecendo um absurdo, Deus estava apresentando diante da humanidade, através da pregação de Noé, duas alternativas.
Como seria, então, se a vasta população da Terra, antes do dilúvio, se arrependesse e buscasse segurança na arca? Comportaria a arca tanta gente? Claro que não. Além do mais, Deus não ordenou a Noé que construísse uma arca para a salvação de todos os antediluvianos. A arca era para a salvação de Noé e sua família. A salvação do povo estava no arrependimento e no abandono dos seus pecados e não na arca.
Acontece que Deus tomou duas providências de antemão: uma, caso os habitantes da Terra se arrependessem, e a outra, caso não se arrependessem. No livro Patriarcas e Profetas, p. 97, lemos: "Se os antediluvianos tivessem acreditado na advertência, e se houvessem arrependido de suas más ações, o Senhor teria desviado Sua ira, como mais tarde fez em relação a Nínive." Diante dessa alternativa, não teria ocorrido o dilúvio e a arca perderia seu objetivo, permanecendo ali apenas como uma lembrança da justiça de Deus e do Seu amor.
Como Deus é misericordioso, deu aos habitantes daqueles dias, cento e vinte anos de oportunidade para escolher entre a vida e a morte. Mas, Deus é onisciente também. Ele viu que, apesar de todas as advertências, aquele povo continuava na impiedade contumaz. Então, ordenou a construção da arca para a proteção de Noé e sua família.
Eles foram protegidos e salvos. A porta da arca foi fechada, selando a salvação dos justos e a destruição dos ímpios. Noé fez a boa escolha.
Nos últimos dias, acontecerá coisa semelhante. Os justos serão protegidos e salvos pela graça de Deus.
REFLEXÃO: "Escolhei hoje a quem sirvais [...] porém, eu e a minha casa serviremos ao Senhor" (Js 24:15, ARC).
Passou a cega, findou o verão, e nós não estamos salvos. Jeremias 8:20
Essa passagem fala de oportunidades perdidas para sempre. Isso aconteceu com os antediluvianos e pode acontecer com qualquer pessoa que rejeita o convite da misericórdia divina.
Para as meditações de hoje e de amanhã vou me valer do Espírito de Profecia, pois dificilmente encontraria linguagem mais adequada e convincente para descrever os juízos que caíram sobre aquela geração impenitente do que as que foram inspiradas à profetisa Ellen White e registradas como aviso e alerta para nós que vivemos às vésperas da volta de Jesus.
Os pecados dos antediluvianos foram a causa da destruição do mundo pelas águas do dilúvio. Igualmente, os pecados e as abominações da geração atual serão a causa da destruição do mundo nestes últimos dias, pelo fogo. E nós, onde estaremos? Dentro da "arca" ou do lado de fora? O lugar em que estivermos determinará nosso destino.
Quantas vezes temos nos demonstrado descuidados e negligentes em nossos deveres para com Deus e a igreja! "Professos seguidores de Cristo", diz Ellen White, "estão hoje comendo e bebendo com os ímpios, enquanto seus nomes permanecem nos honrados registros da igreja [...] Multidões não se sentem sob qualquer obrigação moral de reprimir seus desejos sensuais, e tornam-se escravos da luxúria.
"Quando os raciocínios da filosofia houverem banido o temor dos juízos de Deus; quando ensinadores religiosos estiverem a apontar no futuro para longas eras de paz e prosperidade, e o mundo estiver absorto em sua rotina de negócios e prazeres, plantando e construindo, banqueteando-se e divertindo-se, rejeitando as advertências de Deus e zombando de Seus mensageiros, então é que súbita destruição lhes sobrevirá, e não escaparão" (Patriarcas e Profetas, p. 101, 102, 104).
Damos graças a Deus porque ainda estamos em tempo de graça, no qual o Senhor nos convida ao arrependimento e reforma de vida. Hoje é o tempo aceitável, o dia da oportunidade. Não o deixemos passar.
REFLEXÃO: Façamos desta reflexão uma mensagem bem pessoal, trocando o nome de Noé pelo nosso: "Noé achou graça diante do Senhor [...] Noé era homem justo e íntegro entre os seus contemporâneos; Noé andava com Deus" (Gn 6:8, 9). Que essa seja a sua e a minha experiência!
Ora, o fim de todas as coisas está próximo. 1 Pedro 4:7
Enquanto Noé e sua família permaneciam abrigados dentro da arca, os dias se passavam e nada de anormal acontecia. Para aquele povo, a mensagem de Noé havia sido um grande embuste. "Manifestavam seu desprezo pela advertência de Deus" como se nada fosse acontecer. Então, "continuaram com suas festas e banquetes [...] comiam, bebiam" e zombavam de Noé, a quem eles consideravam "um fanático extravagante".
Eles não sabiam que "seu tempo de graça estava prestes a expirar". Desconheciam que, dentro de poucas horas, o castigo de "um Deus irado" cairia sobre uma geração de homens e mulheres ímpios.
No oitavo dia as coisas começaram a mudar. "Nuvens negras se espalharam pelo céu. Seguiram-se o murmúrio do trovão e o lampejo do relâmpago. Logo, grandes gotas de chuva começaram a cair [...] Cada vez mais negros se tornavam os céus, e mais rápida vinha a chuva [...] Então, ‘se romperam todas as fontes do grande abismo e as janelas dos céus se abriram’. A água parecia vir das nuvens em grandes cataratas. Os rios romperam os seus limites [...] Jatos de água irrompiam da terra, com força indescritível, arremessando pedras maciças a muitos metros para o ar."
"Aumentando a violência da tempestade, árvores, edifícios, pedras e terra eram arrojados a todos os lados. Por sobre o estrondo da tempestade, ouvia-se o pranto de um povo que tinha desprezado a autoridade de Deus. O próprio Satanás, que fora obrigado a permanecer no meio dos elementos em fúria, temeu pela sua existência."
"Mas, por entre os elementos em luta", (a arca) "continuou a flutuar com segurança. Anjos ‘magníficos em poder’ foram comissionados para a guardar". Ali dentro estava o "tesouro" de Deus – a Sua igreja.
"Semelhantemente, quando os juízos de Deus caírem sobre a Terra, antes do dilúvio de fogo, os impenitentes saberão precisamente onde pecaram, e em que consiste seu pecado: o desprezo à Sua santa lei". Porém, em meio às duras provações dos dias finais, a igreja de Deus será preservada com todos os que buscarem abrigo em Cristo. O seguro, portanto, é estar do lado de dentro.
Os trechos entre aspas são de Ellen G. White, Patriarcas e Profetas, p. 96, 97, 99, 100.
REFLEXÃO: "O Senhor sabe livrar da provação os piedosos e reservar, sob castigo, os injustos para o Dia de Juízo" (2Pd 2:9).