Perguntai [...] qual é o bom caminho; andai por ele e achareis descanso para a vossa alma. Jeremias 6:16
Conheci a família Alves da Costa há muitos anos. Otávio Alves da Costa, o chefe da família, a esposa, a irmã Ubaldina, pessoas bondosas e maravilhosas, foram nossos vizinhos quando morávamos em Goiânia.
A mensagem adventista os alcançou, quando ainda viviam na Fazenda Palmital, município de Jaraguá, GO.
Aconteceu assim. O senhor Otávio contratou um carpinteiro por nome Pedro Aprígio de Melo para fazer alguns trabalhos na fazenda. Ele era adventista do sétimo dia.
Enquanto trabalhava, ele cantava hinos evangélicos e falava ao Otávio sobre a volta de Jesus, a Lei de Deus, o sábado e outras doutrinas mais. E Otávio foi demonstrando interesse e cada vez queria saber mais.
Quando a mãe do Otávio soube o que estava acontecendo, ficou muito enraivecida. Sendo muito católica, levou o padre de Jaraguá para conversar com o filho e tirar aquelas idéias da sua cabeça.
No dia e hora marcados, o religioso chegou. Falou contra os crentes, contra o sábado e outras verdades bíblicas. Quando o padre deu por encerrado o “sermão”, Otávio pediu licença, saiu e voltou com a Bíblia que Aprígio lhe havia dado, e foi logo lendo Êxodo 20, sobre os Dez Mandamentos, com destaque para o sábado. O padre, irritado, levantou-se e disse que precisava ir embora e que noutra ocasião conversariam sobre o assunto. A mãe do Otávio ficou muito decepcionada com a atitude do padre.
Dois anos depois, todos os que estavam em idade para batismo foram batizados pelo pastor Allen, ex-professor no Colégio Adventista, e os demais familiares foram sendo batizados no decorrer dos anos seguintes. Daquela localidade e dessa família saíram dois médicos, um pastor, dois professores, duas professoras e uma secretária. Todos receberam educação cristã em nossos colégios.
Conversando com o pastor Otávio Alves da Costa, que leva o mesmo nome do pai, ele disse: “Nosso pai teve muitos reveses financeiros por ter confiado em pessoas, que se diziam amigas; não deixou herança para os filhos, mas morreu feliz e realizado por ver os frutos dos seus esforços – todos os filhos fiéis à igreja, estudados e úteis a Deus e à sociedade.”
E não nos esqueçamos: por trás de toda esta linda história está um simples carpinteiro que, enquanto trabalhava, testemunhava falando e cantando de sua fé e esperança.
REFLEXÃO: “Guardemos firme a confissão da esperança, sem vacilar, pois quem fez a promessa é fiel” (Hb 10:23).
Estas coisas diz o Amém, a Testemunha fiel e verdadeira, o princípio da criação de Deus. Apocalipse 3:14
Essa palavra, composta de apenas quatro letras, há muito que os homens a proferem em suas orações. Ela é repetida nos Evangelhos, nas epístolas e no Apocalipse.
Amém significa “assim seja!”, “sim, sim!” É uma confirmação. Aceitamos tudo sem questionamentos. O Amém, proferido de maneira leal, forte e consciente, é o mesmo que uma assinatura no fim de um documento, um atestado de que estamos plenamente de acordo com suas cláusulas.
Proferimos o Amém na oração de dedicação de uma criança, na cerimônia batismal, na bênção matrimonial, num serviço fúnebre e em muitas outras situações. Pode ser um Amém soluçante, um Amém de regozijo, um Amém angustioso, um Amém vitorioso. As circunstâncias em que o proferimos podem variar, mas o objetivo é sempre o mesmo: submissão. Dito o Amém, no fim da oração, nada mais se acrescenta, pois acabamos de “assinar um documento” com Deus. Ele vai agir conforme Sua soberana vontade.
Há muito que os homens proferem essa pequena palavra. Mas o uso do Amém, com toda força e significado, na maioria das vezes, é mencionado em relação com a Eternidade, como por exemplo: “Criador, que é bendito para sempre. Amém” (Rm 1:25).
Entretanto, há um significado maior para o Amém. Ele destaca a fidelidade e a confiabilidade de Deus (Ap 3:14), de modo que Jesus é denominado “O Amém, a Testemunha fiel e verdadeira, o princípio da criação de Deus”.
Há algo mais: essa pequenina palavra, tão plena de significado, ressoará no Céu, resumindo a adoração de todos os salvos (Ap 7:9-12). O Amém sintetiza ainda a esperança de todos os cristãos na volta de Jesus: “Certamente venho sem demora. Amém! Vem, Senhor Jesus” (Ap 22:20).
Ao proferir “Amém”, saibamos que estamos assumindo um compromisso com Deus. É nossa afirmação audível de que cremos no Pai que nunca falha. E por que não dizer “Amém” com mais força e confiança, em nossas orações particulares e coletivas? O Amém expressa toda convicção e esperança que temos nas promessas de Deus.
REFLEXÃO: “Disse, pois, Jeremias, o profeta: Amém! Assim faça o Senhor; confirme o Senhor as tuas palavras, com que profetizaste” (Jr 28:6).
Pensem no sofrimento dEle e como suportou com paciência o ódio dos pecadores (NTLH), assim, vocês não desanimem, nem desistam. Hebreus 12:3
Li uma história que falava do compositor austríaco Franz Joseph Haydn conversando com dois amigos de infância que se demonstravam desanimados.
Um deles disse: “Quando me sinto triste e depressivo, procuro distrair-me com a bebida.” O outro, por sua vez, afirmou: “Como gosto de música, ponho-me a tocar para espantar a tristeza.”
A essa altura da conversa, Haydn deu sua opinião: “Pois eu, quando me sinto triste e desanimado, oro ao Senhor. Não há ninguém como Ele para consolar e dar forças quando estou cansado.”
Qual dos irmãos e companheiros de jornada, rumo à Nova Jerusalém, que já não sentiu cansaço e até desânimo, inclusive na vida espiritual? Seria, porventura, motivo para desistir quando o esgotamento de nossas forças, diante das lutas da vida e de todas as frustrações e incertezas, nos levar ao “fundo do poço”?
Não podemos evadir-nos de nossa fraqueza humana, nem proceder como se ela não existisse. Ela faz parte do nosso dia-a-dia, da vida. O Filho do Homem se assemelhou a nós em nossas fadigas. Ele experimentou em Si mesmo cada uma de nossas lutas. Temos que reconhecer o lado abençoado da fadiga cristã. Ela é útil, pois nos ajuda a reconhecer nossa constante dependência de Deus.
Lembre-se de que Cristo estava muito cansado quando Se assentou à beira do poço de Jacó, e quando dormiu no assoalho do barco açoitado pela tempestade. Cansaço é algo que temos em comum com Jesus. Quando viveu como humano, aqui na Terra, Ele se revigorava através da oração.
Essa fadiga, cheia de perplexidade, desânimo e incertezas, tem a finalidade de operar em nós o desejo de orar e buscar poder do Alto. Basta que a aceitemos a turbulência sem amarguras e dúvidas, mas seguros de que ela é mais uma oportunidade que estamos tendo para desenvolver um caráter mais semelhante ao de Jesus e mais resistente à provação.
Não desanimemos nem desistamos da fé, mesmo que a jornada seja difícil. Em breve, pela graça de Deus, poderemos caminhar pelas ruas da cidade celestial.
REFLEXÃO: “Vê se há em mim algum caminho mau, e guia-me pelo caminho eterno” (Sl 139:24).
Aguardando a bendita esperança e a manifestação da glória do nosso grande Deus e Salvador Cristo Jesus. Tito 2:13
A espera caracteriza nossa existência sobre a Terra. Enquanto vivermos estaremos sempre à espera e a caminho. O verso devocional diz: “Aguardando a bendita esperança”. Enquanto Deus é Aquele que vem nas nuvens para nos buscar, nós somos os que vamos ao Seu encontro nos ares para estar sempre com o Senhor.
Alguns perguntam: “Onde está a promessa da Sua vinda? Porque, desde que os pais dormiram, todas as coisas permanecem como desde o princípio da criação” (2Pe 3:4). Até mesmo alguns cristãos estão pondo em dúvida o sentido e a realidade dessa expectativa.
É bastante comum ouvir entre muitos crentes certas frases-chavão, como: “Aguardamos aquele maravilhoso dia!”, “Estamos fartos deste mundo!”, “Quando aquele dia chegar, estejamos preparados!”, “Já antevemos aquele dia que todos aguardamos ansiosos!”, etc. Mas, será que estamos conscientes do que elas significam? Ou apenas as proferimos por hábito? Não desconheço que muitos são sinceros ao proferi-las, mas, infelizmente, não posso dizer o mesmo a respeito de todos porque a vida de muitos não condiz com o que elas significam.
A segunda carta de Pedro, no capítulo 3, nos esclarece o motivo dessa aparente demora que tem desanimado até mesmo alguns membros da igreja. Primeiro, mostra que o conceito de Deus para tempo é bem diferente do nosso (v. 8) e, segundo, apresenta essa demora como um dos muitos gestos magnânimos de Deus, que concede mais tempo de preparação para aqueles que ainda não se conscientizaram da urgência do tempo. É que Ele não quer que ninguém se perca, mas que todos se arrependam (v. 9).
Por outro lado, a proximidade da segunda vinda de Cristo sem a justa e devida preparação, corre o risco de não ser percebida (v. 10, 11). Corremos ainda um outro perigo, o de cairmos num ritualismo rico em formalidades, mas vago em sua essência. Deus não Se encontra onde há indiferença e apatia espiritual, por mais que Ele seja invocado.
Se realmente cremos que Jesus está para vir, as coisas não podem continuar como estão. Ele só poderá vir se Lhe abrirmos espaço em nosso coração e em nossa vida.
REFLEXÃO: “Por essa razão [...] empenhai-vos por serdes achados por Ele em paz, sem mácula e irrepreensíveis” (2Pe 3:14).
Tendo eles orado, tremeu o lugar onde estavam reunidos; todos ficaram cheios do Espírito Santo, e, com intrepidez, anunciavam a palavra de Deus. Atos 4:31
Eu estava num hotel na cidade de Itapema, Santa Catarina, participando de um Seminário Maranata com pastores e líderes de igrejas. À noite, no meu quarto, liguei a televisão exatamente no momento em que estava indo ao ar um conhecido programa pentecostal. O orador, com voz pungente, incitava seus ouvintes a dar glórias, aleluias e muitas graças a Deus pelas maravilhas operadas entre o povo pelo Espírito Santo. “Ele está em nosso meio”, dizia. “Eu O invoco para que Ele Se manifeste... Glória ao Espírito de Deus!” E o povo respondia: “Amem! Amém!”
Eles, ao seu jeito, falam muito sobre o Espírito Santo, enquanto outros crentes vão a outro extremo, falam pouco. Temos de convir que há, entre nós, certo preconceito ao falar sobre a pessoa do Espírito Santo e Sua obra, pois logo O relacionamos com as chamadas “línguas estranhas” e com aquele barulho peculiar das igrejas carismáticas. Então, nos encolhemos, a igreja é privada de tão grande bênção e o inimigo ganha terreno.
Este é o objetivo dele: colocar-nos longe da presença do Espírito Santo. Com tudo isso, o Espírito de Deus Se entristece, pois a Sua augusta e divina imagem está sendo desvirtuada. Que acha de, durante alguns dias, nas próximas meditações diárias, com toda a humildade, procurarmos conhecer um pouco mais sobre a Terceira Pessoa da Trindade – Deus, Espírito Santo?
Diz Ellen White: “A promessa do Espírito Santo é assunto em que pouco se pensa; e o resultado é o que é de esperar – aridez, trevas, decadência e morte espirituais. Assuntos de menor importância ocupam a atenção, e o poder divino que é necessário ao desenvolvimento e prosperidade da igreja e que traria após si todas as outras bênçãos, esse falta, conquanto oferecido em sua infinita plenitude” (Testemunhos Seletos, v. 3, p. 211, 212).
Temos necessidade de conhecer melhor a atuação do Espírito Santo, não apenas do ponto de vista teológico ou doutrinário, mas especialmente do ponto de vista experimental, como por exemplo: o que significa Ele para a nossa vida? Como podemos privar da Sua companhia e amizade cada dia? Esse assunto tão importante e vital para a salvação deve ser estudado com muita devoção à luz da Palavra de Deus.
REFLEXÃO: “E lhes concedeste o Teu bom Espírito, para os ensinar” (Ne 9:20).
O Espírito Santo desceu sobre Ele em forma corpórea, como pomba; e ouviu-se uma voz do Céu: Tu és o Meu Filho amado, em Ti Me comprazo. Lucas 3:22
O versículo acima descreve a cerimônia solene do batismo e unção de Jesus. Nessa ocasião, vemos de maneira inequívoca a presença triúna da Divindade: Deus Espírito Santo descendo em forma corpórea, como uma pomba; Deus Filho, dentro da água; e Deus Pai falando dos altos Céus. Ali estavam: O Espírito Santo que ungiu; o Filho que foi ungido; e o Pai que, lá do Alto, deu Sua aprovação àquela cerimônia e ao ministério da redenção que Seu Filho daria início logo após a unção.
Se pudéssemos resumir o significado de todas as declarações bíblicas sobre a Divindade, eu diria: A Divindade única é uma trindade, coexistindo nela três Pessoas idênticas desde a eternidade e coeternas. Um mistério, não é verdade? E por ser um mistério espiritual, nossa mente finita não tem condição de a assimilar e muito menos de a explicar, pois, está além do finito. O que a Bíblia revela sobre o assunto já é o suficiente para a nossa satisfação espiritual.
De acordo com Ellen White, há “três Pessoas viventes” no trio celestial: “O Pai é toda a plenitude da Divindade corporalmente, e invisível aos olhos mortais. O Filho é toda a plenitude da Divindade manifestada. [...] O Consolador, que Cristo prometeu enviar depois de ascender ao Céu, é o Espírito em toda a plenitude da Divindade, tornando manifesto o poder da graça divina a todos quantos recebem e crêem em Cristo como um Salvador pessoal” (Evangelismo, p. 614, 615).
Parte de uma das crenças fundamentais de nossa Igreja diz assim: “Há um só Deus: Pai, Filho, e Espírito Santo, uma unidade de três Pessoas coeternas” (Nisto Cremos, p. 16). Isso quer dizer que essas três Pessoas existem juntas desde a eternidade.
Resumindo, geralmente se atribui ao Pai a obra da criação; ao Filho, a da redenção; e ao Espírito Santo, a da santificação. Em outras palavras: o Pai elege, o Filho redime, e o Espírito Santo regenera. Isso, porém, não exclui as outras duas Pessoas da função de participar de todo o processo da salvação, vendo-se em todas as etapas a presença da Divindade.
A Igreja Adventista do Sétimo Dia crê em um Deus triúno, isto é, um Deus que Se manifesta em três Pessoas distintas que atuam em perfeito entrosamento e harmonia entre Si.
REFLEXÃO: “A graça do Senhor Jesus Cristo, e o amor de Deus, e a comunhão do Espírito Santo sejam com todos vós” (2Co 13:13).
Eu pedirei ao Pai e Ele dará a vocês outro Consolador, que nunca deixará vocês. É o Espírito Santo, o Espírito que conduz a toda a verdade. João 14:16, 17, BV
O Espírito Santo Se preocupa com nosso estado espiritual e com nosso relacionamento com Deus, mas também está atento às coisas que são de importância prática para nós, como a saúde, o trabalho, a sobrevivência, a segurança e a nossa proteção. Ele, que é Deus na Terra, quer participar da solução dos nossos problemas e satisfazer as nossas necessidades diárias.
Não vai aqui nenhuma pretensão de definir o Espírito Santo. Não podemos entender Deus e Sua natureza. Apenas podemos sentir Seu amor por nós e conhecer aquilo que Ele mesmo quis nos revelar em Sua Palavra. E isso é o bastante.
Jesus havia prometido “outro Consolador” que assumiria Seu lugar na administração da igreja nascente logo após Sua ascensão. Finalmente, chegou o Dia do Pentecostes e o Espírito Santo inaugurou uma nova era na história da igreja. “O Pentecostes foi o dia de emposse do Espírito Santo como divino administrador da Igreja [...] E toda a administração da Igreja está entregue a Ele até que Cristo volte na glória do segundo advento” (E. Froom, A Vinda do Consolador, p. 90). O Pentecostes foi a vinda do Espírito Santo para residir na Terra, habitando nos crentes, cujos corpos se tornaram santuário de Deus. Sem exaltar-Se, a Terceira Pessoa da Santíssima Trindade está no mundo, hoje, para revelar o amor do Pai e a eficácia da obra redentora do Filho, colocando-a ao alcance de todas as pessoas que aceitarem Seu sacrifício expiatório.
O Espírito Santo quer falar a nós. Precisamos familiarizar-nos com Ele para conhecermos a Sua voz. E essa familiaridade só poderá acontecer mediante a oração, o estudo da Bíblia, a meditação e a reconsagração diária.
Diz Ellen White: “E se consentirmos, Ele por tal forma Se identificará com os nossos pensamentos e ideais, dirigirá nossos corações e espírito em tanta conformidade com o Seu querer, que, obedecendo-Lhe, não estaremos senão, seguindo nossos próprios impulsos” (O Desejado de Todas as Nações, p. 668).
Realmente, nada irá nos convencer mais do terno amor de Deus e de Seu interesse por nós, até mesmo de detalhes de nossa vida, do que esse andar diário no Espírito.
REFLEXÃO: “Ele vos dará outro Consolador” e “vós O conheceis, porque Ele habita convosco e estará em vós” (Jo 14:16, 17).
Ora, nós somos testemunhas destes fatos, e bem assim o Espírito Santo, que Deus outorgou aos que Lhe obedecem. Atos 5:32
Nos dias da igreja primitiva, o Espírito Santo era tão familiar aos discípulos que temos a impressão de que apesar da Sua invisibilidade Ele era quase que visível para eles. Atentem para alguns exemplos:
– A experiência de Filipe (At 8:29): “Então disse o Espírito a Filipe: aproxima-te desse carro, e acompanha-o.” Não posso dizer como foi que o Espírito falou a Filipe, se foi de maneira audível, se foi através do seu subconsciente, se foi por constrangimento ou por qualquer outro método de comunicação. Só sei que Filipe recebeu uma ordem que sabia ser de origem divina e a obedeceu: aproximou-se da carruagem e cumpriu a missão que o Espírito lhe dera.
– A experiência de Pedro (At 10:19, 20): “Enquanto (Pedro) meditava acerca da visão, disse-lhe o Espírito: estão aí dois homens que te procuram; levanta-te, pois, desce e vai com eles, nada duvidando; porque Eu os enviei.” E o que fez Pedro? Notem: “E, descendo Pedro para junto dos homens, disse: aqui me tendes; sou eu a quem buscais? A que viestes?” (v. 21).Pedro entendeu as palavras do Espírito Santo, tanto assim que imediatamente foi ter com aqueles visitantes.
– A experiência de Paulo e Silas (At 16:6-10): “E percorrendo a região frígio-gálata, tendo sido impedidos pelo Espírito Santo de pregar a Palavra na Ásia [...] tentavam ir para a Bitínia, mas o Espírito de Jesus não permitiu.” O Espírito Santo agiu como o divino administrador da igreja, impedindo que eles evangelizassem esses lugares, nessas ocasiões, pois naquele momento, a urgência maior e mais necessária era a Macedônia (v. 9). Agora, é impossível saber como foi que Paulo e Silas receberam a comunicação do Espírito Santo para não fazer isto e fazer aquilo. Mas eles receberam a comunicação, entenderam-na e a executaram como o Espírito determinou. Tudo isso mostra como o Espírito Santo era bem familiar aos apóstolos. “Paulo conhecia o pensamento do Espírito de Deus” (Ellen G. White, Atos dos Apóstolos, p. 200).
Temos que permitir que nosso relacionamento com a maravilhosa Pessoa do Espírito Santo seja bastante íntimo e familiar, assim como sucedia com os apóstolos. Ele deseja ser nosso amigo e companheiro de todos os momentos. Precisamos conhecer Sua voz.
REFLEXÃO: “O Consolador, o Espírito Santo [...] vos ensinará todas as coisas e vos fará lembrar de tudo o que vos tenho dito” (Jo 14:26).
Ao cumprir-se o dia de Pentecostes, estavam todos reunidos no mesmo lugar; de repente, veio do céu um som, como de um vento impetuoso, e encheu toda a casa onde estavam assentados. Atos 2:1, 2
O Pentecostes era uma festa muito importante para a nação judaica, pois, essa ocasião atraía a Jerusalém judeus devotos de “todas as nações debaixo do céu”. Esse era um momento bastante oportuno e apropriado para a vinda do Consolador.
Os discípulos estavam numa reunião de oração quando tudo aconteceu. Durante aqueles dias de espera e de oração abraçaram-se fraternalmente e perdoaram-se. A cada dia, perguntavam entre si: será hoje? Que tempo solene foi aquele!
Finalmente, raiou o décimo dia, quando, de repente, o silêncio foi quebrado. Será?... Suspense na sala! Eram as primeiras horas da manhã, quando ouviram um som como o rugido de uma tempestade prestes a desabar. “Não vinha do norte, sul, leste ou oeste, mas do Céu, como se fora um furacão.”
Certa ocasião, eu estava na cidade de Heidelberg, Alemanha, ainda na época da chamada “Guerra Fria”. Naquela cidade havia uma base militar da OTAN, e eram freqüentes os treinamentos militares com aviões supersônicos. Numa manhã, estava eu observando esses aviões voando sobre a cidade quando um deles aumentou a velocidade e, em poucos segundos, ultrapassou a barreira do som provocando um estrondo ensurdecedor. Creio que aquele som que os discípulos ouviram, e todo o povo também, devia ser algo parecido com esse estrondo.
A multidão correu para o lugar de onde parecia ter vindo aquele som misterioso; e ali, atônitos, ouviram os discípulos falando em seus próprios idiomas. Línguas como que de fogo fixaram-se sobre cada discípulo e podiam ser vistas pelas pessoas. “Raiara um novo dia para a humanidade [...] e uma nova era no relacionamento entre Deus e o homem” (E. Froom, A Vinda do Consolador, p. 112).
A descida do Espírito Santo revelou para o mundo e o Universo que havia, daquele momento em diante, uma nova harmonia íntima entre o Céu e a Terra e que passamos a viver sob a dispensação do Espírito Santo. No Pentecostes, o Espírito Santo veio para ficar, inaugurando uma nova fase da Sua obra de regeneração. E Ele ficará conosco até a segunda vinda de Cristo. Já não mais temos que esperar pela vinda do Espírito. Ele já está entre nós! Estará, porém, em nós?
REFLEXÃO: “Eu rogarei ao Pai, e Ele vos dará outro Consolador [...] vós O conheceis, porque Ele habita convosco e estará em vós” (Jo 14:16, 17).
Recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis Minhas testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria e até aos confins da Terra. Atos 1:8
Durou vários dias aquele festival espiritual de fé que marcou oficialmente a solenidade inaugural do ministério do Espírito Santo como Consolador, nesta dispensação, enriquecido com sermões poderosos, orações fervorosas, cânticos de louvor e batismos.
Apesar de, do ponto de vista histórico, ser um acontecimento único e de âmbito internacional, pois estavam presentes judeus e gentios que viviam em outros países, não foram convidados para participar do evento grandes oradores, renomados evangelistas ou filósofos eruditos. Não! Os evangelistas eram os mesmos de sempre, mas com um novo poder. Os mesmos, entretanto diferentes.
Após a descida do Espírito Santo, uma das coisas importantes que aconteceu foi a transformação que se operou na vida e comportamento da igreja e dos discípulos. Antes do Pentecostes, eram vacilantes, indecisos, impotentes, incapazes, egoístas, tímidos e medrosos. Eram tanto assim que, dias antes, após a ressurreição de Jesus, Ele os encontrou dentro de uma casa com as portas trancadas, com medo dos judeus. Assim não poderiam testemunhar. Impossível!
Depois do Pentecostes tudo mudou. Com a vinda do Espírito Santo, os Céus abriram as comportas e as forças do mundo invisível inundaram os discípulos e eles foram agraciados com nova vida e poder. O Espírito Santo mudou-lhes os motivos, o estilo de vida, a conduta, os métodos e os conceitos de como realizar um serviço verdadeiro e eficaz para Deus.
Como conseqüência, após o Pentecostes vemos homens corajosos, intrépidos e ousados. “Antes do Pentecostes [...] eram devotos, porém vencidos. No entanto, depois do Pentecostes, os covardes tornaram-se corajosos, os corações antes inflados de rivalidade e suspeita, foram cheios de humildade e amor” (E. Froom, A Vinda do Consolador, p. 114, 115).
Quando o Espírito Santo toma Seu devido lugar em nossa vida e na vida da nossa igreja, tudo muda. Por isso, digo a você, nesta manhã: Devemos ter o nosso pentecostes individual cada dia. Basta nos atrevermos a testemunhar e pregar quando estivermos convictos e seguros da presença do Espírito Santo em nossa vida.
REFLEXÃO: “Todos ficaram cheios do Espírito Santo e, com intrepidez, anunciavam a Palavra de Deus” (At 4:31).
Ele vos batizará com o Espírito Santo e com fogo. Mateus 3:11
A partir do Pentecostes, quando o prometido Consolador veio a cada genuíno crente nascido de novo, foi-lhe dada a garantia do Espírito Santo em sua vida. Ele foi, então, batizado com o Espírito Santo. Segundo o Dr. A. V. Wallenkampf, “qualquer pessoa que se tenha rendido em fé e obediência ao Senhor Jesus Cristo foi batizada no Espírito Santo”.
Quanto aos discípulos, de antes e depois do Pentecostes, o Espírito Santo Se revelou de duas maneiras: antes, Ele estava com eles; depois, Ele estaria neles, residindo dentro deles, transformando-os em templos de Deus. Portanto, o batismo do Espírito Santo é a maneira da qual Deus Se serve para transmitir Sua vida a nós, produzindo em nós energia como se fosse um fogo divino que purifica todo o nosso ser, aperfeiçoa nosso caráter e consome todas as nossas tendências pecaminosas.
A declaração bíblica é: “com o Espírito Santo e com fogo”. Essas duas expressões, “com o Espírito Santo” e “com fogo”, é a maneira que João Batista encontrou para enfatizar a mesma verdade. A segunda expressão fortalece a primeira, querendo dizer que a obra do Espírito Santo é completa tanto na sua realização como nos seus resultados.
Ser batizado com o Espírito Santo é o mesmo que ser batizado com fogo divino. “O Espírito Santo consumirá o pecado em todos quantos se submeterem a Seu poder [...] Quando alguém é batizado por Jesus com o Espírito Santo e com fogo, é então revelado tão grande acervo de orgulho, egoísmo, suspeita, amor a posição, irritabilidade e evidente ignomínia que ele fica espantado” (E. Froom, A Vinda do Consolador, p. 267, 268). São essas coisas e muitas outras mais que esse “fogo” espiritual deve consumir.
O fogo do Espírito Santo separa o bom do ruim, como o ouro e a escória são separados no cadinho da fundição. O fogo do Espírito Santo amolece o duro coração e abranda a nossa natureza má e pervertida. O fogo do Espírito Santo gera poder para vencer as tentações.
Só é batismo do Espírito Santo quando sacramentado com fogo divino. E o fogo é santo quando purifica, santifica e produz arrependimento. Se isso não acontece é fogo falso “aceso pelo diabo”.
Oremos: Senhor, meu Deus e Pai, queima o pecado que ainda existe dentro de mim. Envia do Teu altar uma brasa chamejante para purificar meus lábios e meu coração e minha igreja. Amém!
REFLEXÃO: “Ora, já me aquentei, já vi o fogo” (Is 44:16, ARC).