21 de junho Sábado

Os Incompreensíveis Caminhos de Deus

Salmom gerou de Raabe a Boaz; este, de Rute gerou a Obede; e Obede, a Jessé; Jessé gerou o rei Davi; e o rei Davi, a Salomão, da que fora mulher de Urias; Salomão [...] e [...] Jacó gerou a José, marido de Maria, da qual nasceu Jesus, que Se chama o Cristo. Mateus 1:5-16

Ontem, dissemos que Deus nos aceita assim como somos, mas, logo a seguir e no momento oportuno, Ele dá início a um trabalho de aprimoramento espiritual através da obra regeneradora do Espírito Santo. Assim foi com Raabe e, talvez, tenha sido também comigo e com você.

É desnecessário falar da vida pregressa dessa mulher. Ela foi tudo o que você, talvez, esteja pensando a seu respeito, mas Deus a transformou e seu nome, hoje, faz parte da galeria de pessoas ilustres mencionadas em Hebreus 11, como heroína da fé.

Quando ela escondeu os espias, mentindo aos soldados que eles já tinham ido embora, salvando, assim, a vida daqueles dois homens, não havia tempo de doutriná-la sobre as normas da religião. Mas, quando Jericó já havia sido conquistada e a normalidade voltou ao arraial, chegou o momento da doutrinação. Tanto Raabe como seus familiares tiveram que passar por uma espécie de quarentena, fora do acampamento (Js 6:23), e ali eles foram instruídos na religião de Jeová. Abandonaram as práticas pagãs, inclusive a mentira, sendo então, recebidos como integrantes da comunidade hebraica, ou seja, recebidos como membros da igreja de Deus.

Segundo o Comentário Bíblico Adventista, tudo indica que só então Raabe casou-se com Salmom, príncipe de Judá, tornando-se mãe de Boaz e passando a prefigurar entre os antepassados de nosso Salvador.

Eis outra lição sobre Raabe: Se ela quisesse se salvar, deveria colocar, na mesma janela por onde os espias desceram, um fio de escarlata, que ali deveria permanecer até a destruição de Jericó. Seria uma demonstração de confiança numa promessa. Quem estivesse dentro da casa onde estava o cordão de escarlata não seria morto (Js 2:18, 19), à semelhança do sangue colocado nos batentes da porta das casas dos israelitas quando foi instituída a Páscoa, ao saírem do Egito. Ninguém deveria sair da casa até o dia seguinte, para não morrer ao passar o anjo destruidor (Êx 12:22). Tanto num caso como no outro, o simbolismo apontava para o sangue de Cristo, como segurança, proteção e salvação.

REFLEXÃO: “Então, os despediu; e eles se foram; e ela atou o cordão de escarlata à janela” (Js 2:21).


22 de junho Domingo

O Aparentemente Impossível

De longe se me deixou ver o Senhor, dizendo: com amor eterno Eu te amei; por isso, com benignidade te atraí. Jeremias 31:3

Sabino era um sertanejo valente, temido e respeitado por aqueles sertões. Morava às margens do Rio Urucuia, afluente do Rio São Francisco, não muito distante da pequena cidade de Buritis, estado de Minas Gerais, próximo à divisa com o estado de Goiás. Isto foi lá pelos idos de 1965.

Conheci-o na ocasião em que tive o privilégio de batizá-lo, juntamente com a esposa e filhos, dez ao todo. Todos foram batizados na mesma ocasião, nos fundos de sua casa, nas claras e refrescantes águas do Rio Urucuia.

Sabino foi alcançado pela graça e amor de Jesus, colocando-se sem reservas nos braços de seu Salvador. Ele foi evangelizado por um leigo, o irmão Cícero, um sertanejo itinerante que prestava serviços avulsos naqueles sítios e fazendas e que era bastante versado nas Escrituras. Na cidade de Buritis, as pessoas comentavam a transformação na vida de Sabino. De homem valente e agressivo que era, desses que não levam desaforo para casa, tornou-se uma pessoa mansa, humilde e temente a Deus.

Esse nosso querido irmão sabia ler sofrivelmente, mas o suficiente para ler a Bíblia e explicá-la, dentro de suas limitações, aos seus familiares, parentes e amigos. Era tido como o homem mais “sabido” daquele sertão e, não poucas vezes, as pessoas vinham à sua casa para tomar seus conselhos. Quando ia à cidade, sempre trazia consigo a Bíblia para ler aos amigos. A conversão de Sabino e seu testemunho foi, por muito tempo, um ponto de referência entre as pessoas de Buritis, de como um homem, temido como Sabino, pôde se transformar num manso e humilde filho Deus. Ele foi uma prova de como o aparentemente impossível pode se tornar possível.

Tenho muitas saudades daquele povo simples e humilde. Pela graça de Deus, quero encontrá-los todos, inclusive o irmão Sabino, lá no Céu.

Jesus nasceu numa estrebaria, porém, não pôde ficar escondido dos pastores de Belém, dos magos do Oriente, do irmão Sabino, de você e de mim. Os cegos o veriam e a cruz, naquele momento oportuno, O colocaria em evidência aos olhos da humanidade, para que todos os que O vissem e O aceitassem como seu Salvador tivessem vida eterna.

Nosso grande Deus continua incentivando gente, como você e eu, a levar outros aos pés de Jesus Cristo!

REFLEXÃO: A pregação do Evangelho muda a vida das pessoas: “Ide [...] e pregai o evangelho a toda criatura” (Mc 16:15).


23 de junho Segunda-feira

A Conversão do Irmão Sabino

Seca-se a erva, e caem as flores, mas a Palavra de nosso Deus subsiste eternamente. Isaías 40:8, ARC

Na meditação de ontem falei da transformação do irmão Sabino. Hoje vou contar como as coisas aconteceram e como e porque Sabino tomou a decisão de aceitar a Jesus.

Ele era um homem valente e temido naquela região do Rio Urucuia e, na cidade de Buritis, MG, ninguém queria se envolver em problemas com Sabino. Mas Deus estava acompanhando seus passos, pois desejava alcançá-lo com a Palavra. Deus o queria para Si. Essa pedra bruta seria trabalhada e ainda brilharia diante dos homens.

Em algum momento, alguém lhe deu uma Bíblia. Sabino recebeu aquele livro, mas, não tendo nenhum interesse por assuntos religiosos, resolveu desfazer-se dela, doando-a a um parente seu que morava às margens do Rio Urucuia a uns vinte quilômetros rio acima de onde ele morava. Como esse seu parente também não se interessasse pela Bíblia, procurou desfazer-se dela jogando-a no rio.

Alguns dias depois, o inusitado aconteceu: Um dos filhos de Sabino, pescando próximo dos fundos de sua casa, percebeu, talvez pelo comportamento da linha, que havia fisgado alguma coisa estranha. Quando puxou essa “coisa estranha” para a margem, o rapaz viu que havia fisgado um livro, a mesma Bíblia que seu pai ganhara tempos antes e que havia dado ao seu parente que, por sua vez, jogara no rio. Correu para casa e contou ao pai o que havia acontecido, entregando-lhe a Bíblia molhada, mas em bom estado. Sabino tomou em suas mãos aquela Bíblia, mas agora com uma atitude de pasmo e reverência. Então, disse: “Este livro só pode ser de Deus, é a voz de Deus!”

A essa altura dos acontecimentos, apareceu por lá o irmão Cícero, um adventista leigo de Brasília bastante versado na Bíblia, que, não sabemos como, ficou conhecendo o Sr. Sabino. Cícero o instruiu na doutrina e Sabino aceitou a Jesus. Como já disse, na meditação anterior, tive o privilégio de batizar o irmão Sabino, a esposa e todos os filhos nas águas do Rio Urucuia, ali mesmo, nos fundos de sua casa, onde aquela Bíblia lhe foi devolvida, cumprindo-se a declaração do profeta: “Assim será a palavra que sair da Minha boca; ela não voltará para Mim vazia; antes, fará o que Me apraz e prosperará naquilo para que a enviei” (Is 55:11, ARC). Essa Bíblia está sob custódia do irmão Roberto Cornete que, na ocasião, era o obreiro distrital de Brasília.

REFLEXÃO: “Ouvi, Senhor, a Tua palavra e temi” (Hc 3:2, ARC).


24 de junho Terça-feira

Água da Fonte – 6

Vós, com alegria, tirareis águas das fontes da salvação. Isaías 12:3

Quando éramos crianças, moramos por vários anos num sítio no município de Pederneiras, interior do estado de S. Paulo. Uma coisa que havia nesse sítio e que fazia parte do nosso cotidiano era uma fonte de águas cristalinas. Essa fonte estava situada a uns cem metros de nossa casa.

O reservatório ficava num ponto mais alto e a água corria por uma bica de bambu, o que facilitava o enchimento das vasilhas que levávamos sobre os ombros para casa. Era tudo rudimentar, mas nos lembramos com muitas saudades desses bons tempos. Durante vários anos, nosso suprimento de água era proveniente dessa fonte, mesmo porque não havia eletricidade para se colocar uma bomba a motor.

Essa fonte nunca secou e nunca diminuiu a intensidade, apesar de suas águas correrem dia e noite, sem interrupção. Eram águas vivas, refrescantes e límpidas. Elas faziam parte da nossa sobrevivência e jamais passou pela nossa cabeça que em algum momento elas pudessem parar de correr.

Ao ler a passagem bíblica do início desta meditação, logo me veio à lembrança a fonte lá do sítio da nossa infância que, além de suprir nossas necessidades cotidianas, embelezava a nossa propriedade.

É maravilhoso como da superfície da terra brotam águas sem parar. E não importam quantas vasilhas são enchidas até transbordar, como acontecia ao apanharmos águas daquela fonte. Eram águas inesgotáveis e abundantes como são as misericórdias de Deus que não têm fim. Eram como um emblema de movimento, de atividade constante e de trabalho desinteressado. Retratavam muito bem a graça de Cristo que alcança, sem cessar, corações sedentos da água da vida.

No fim de tudo, as águas da fonte se evaporam ao calor do sol, voltando ao céu, formando as nuvens, depois de haver semeado o bem, dando vida por toda a parte para, logo em seguida, cair de novo sobre a terra em forma de chuva, alimentando outra vez as fontes, seguindo novamente seu ciclo de vida.

Assim são as abundantes águas da graça de Deus, fonte de verdade, de justiça, de amor e de salvação, jorrando sem cessar. Cristo é a Fonte que permanece. Essa Fonte tem águas inesgotáveis.

Nas Escrituras, a água é símbolo dos dons de Deus. Para a natureza é um poder de renovação. Para o homem é vida. E assim, como a natureza física, a alma humana necessita da água que Jesus dá. Esse é o dom que satisfaz e que jorra para a vida eterna.

REFLEXÃO: “O Cordeiro [...] os guiará para as fontes da água da vida” (Ap 7:17).


25 de junho Quarta-feira

O Pecado da Omissão

O que recebera um, saindo, abriu uma cova e escondeu o dinheiro do seu senhor. Mateus 25:18

Um talento não usado significa possibilidades perdidas, dores não amenizadas e auxílio negligenciado. Naquele momento de prestação de contas, o ato irresponsável daquele servo levantou-se como protesto de todas as dores humanas que solicitam simpatia, cuidado e amparo.

Diz Ellen White: “As capacidades não utilizadas serão levadas em conta, tanto quanto as que empregamos. Deus nos tem como responsáveis por tudo que nos poderíamos tornar pelo bom uso de nossos talentos. Seremos julgados de acordo com o que nos cumpria fazer, mas que não executamos por não usar nossas faculdades para glorificar a Deus” (Parábolas de Jesus, p. 363).

Pessoas que perecem, consciências que dormem sob o jugo do pecado, vidas naufragadas, dores e sofrimentos de um mundo sem Cristo clamam contra a negligência dos que enterram seus talentos. Um talento escondido sob o chão de nossa irresponsabilidade é uma tragédia inominável para a qual Cristo não teve complacência, não encontrou uma palavra de misericórdia e nem um gesto de simpatia, chamando aquele servo de “mau e infiel”.

Temos que nos conscientizar de que nada é nosso. Nada recebemos como herança ou por compra. Tudo que temos, seja pouco ou muito, recebemos pelo amor de Deus. Somos os servos que receberam os talentos e a ordem: “Use-os até que eu volte.” Entretanto, temos falhado em compreender desse modo a revelação da vida cristã. Que acontecerá com alguns quando Jesus voltar? Parece não haver uma visão ampla das necessidades ao nosso lado, num mundo que reclama as bênçãos que foram enterradas deslealmente, e para quê? Elas pertencem à Eternidade. Elas precisam satisfazer as necessidades materiais e espirituais do coração humano. Como receberão, porém, essas bênçãos se estão sendo escondidas egoisticamente, debaixo da nossa insensibilidade?

Haverá um julgamento final que dará valor à vida e a tornará compatível ao esforço e ao sacrifício realizados. A falta de ideal, o plano sempre horizontal e acanhado desagrada a sensibilidade de Jesus, sempre ansioso de tornar melhor o mundo e salvar a humanidade. Pense nisto!

REFLEXÃO: “Muito bem, servo bom e fiel; foste fiel no pouco, sobre o muito te colocarei: entra no gozo do teu Senhor” (Mt 25:21). Tenho certeza de que essas palavras soarão bem aos seus ouvidos naquele dia. Que assim seja!


26 de junho Quinta-feira

O Resultado de Livros Não Vendidos

Podemos muito bem fazer planos para o futuro, mas o resultado final é o Senhor que produz. Provérbios 16:1, BV

Deus utiliza todos os meios para criar, nas pessoas, convicção da necessidade de um Salvador e disponibiliza Seus representantes para irem ao seu encontro. É o que demonstra a narrativa a seguir.

Na cidade de Sorocaba, interior de São Paulo, o colportor Natalino Del Chiaro ofereceu seus livros na casa do Sr. Pacífico Mazaro. Na ocasião, estava em casa somente a esposa, dona Maria. Ela apreciou os livros, mas não tinha condições financeiras para comprá-los. Por uma coincidência, Natalino estava de mudança para Sorocaba e alugou uma casa próximo à do Sr. Pacífico.

Num determinado dia, ao sair para o trabalho, Natalino viu o Sr. Pacífico em frente de sua casa, cumprimentou-o e foi logo perguntando pela saúde. Vendo que ele estava fumando, ofereceu-lhe um curso para deixar de fumar, o que foi aceito. Com o passar dos dias, com muita prudência, ofereceu-lhe também um curso bíblico, dispondo-se a explicar a Bíblia Sagrada para toda a família, aos sábados à tarde.

Os estudos começaram em março de 1969. Após seis meses, no dia 31 de agosto, o Sr. Pacífico e a esposa, dona Maria, foram batizados. Nos meses de setembro e dezembro, respectivamente, os dois filhos do casal, Laércio e Lindolfo, também foram batizados.

Os resultados foram além: Laércio cursou o seminário de Teologia e hoje é pastor. Fez mestrado em Teologia, foi pastor distrital, secretário de departamentos, presidente da antiga Missão Sul Mato-Grossense e, atualmente, é secretário de comunicação da União Central Brasileira. Lindolfo é auditor na Associação Paulista Central.

Os livros não vendidos foram o meio usado por Deus para que o colportor-evangelista entrasse em contato com essa família e a ajudasse a conhecer a Bíblia e o Salvador Jesus. Na verdade, podemos fazer nossos planos, “mas o resultado final é o Senhor que produz”. O colportor-evangelista em ação é apenas o instrumento humano usado por Deus que vai ao encontro das pessoas onde elas estão.

Nas palavras de Paulo (reflexão abaixo), vejo retratadas em letras fortes e vivas a realidade do evangelismo moderno, quando declarou:

REFLEXÃO: “A mesma Boa Nova que chegou até vocês está saindo pelo mundo todo e transformando vidas em toda parte” (Cl 1:6, BV).


27 de junho Sexta-feira

Ninguém Será Esquecido – 1

Atraí-os com cordas humanas, com laços de amor. Oséias 11:4

Conheci o pastor H.S.M. Richards, o fundador do programa mundial radiofônico A Voz da Profecia. Isso foi em 1975, por ocasião da assembléia da Associação Geral da Igreja Adventista realizada em Viena, Áustria. Que homem extraordinário! Irradiava simpatia e consagração. A Bíblia fazia parte da sua vida como o respirar e o comer. Cumprimentei-o, conversamos por alguns instantes e nos despedimos.

A história que vou procurar sintetizar em três partes, uma por dia, a partir de hoje, é uma história que ilustra como Deus dirige aqueles que são Seus, desde que estejam dispostos a aceitar Sua orientação. O pastor Richards conta que, quando vivia em Montreal, Canadá, foi chamado para visitar uma pequena colônia às margens do rio Vermont, para batizar um homem que tinha encontrado a Cristo de maneira incomum.

Ao cair da tarde, chegou à casa de Shepherd, e esta foi a história que ouviu dele. Havia mais de cinqüenta anos, logo após seu casamento, tinha ido morar na casa onde estava vivendo. Aquela casa ele a havia construído para estabelecer seu novo lar.

Sua noiva era muito jovem e fiel cristã. Ela buscava conduzi-lo a Cristo, por meio de sua maneira singela de ser. Isso, sem dúvida, o impressionava muito, mas ele não queria saber de religião e seu obstinado coração não se rendeu.

Em menos de um ano, a esposa de Shepherd foi, inexplicavelmente, colhida pela morte, e ele ficou com o coração partido não somente pela perda da esposa, mas por haver causado tristeza a ela, recusando-se a aceitar seu Salvador.

Então, perdeu todo o interesse na casa, em seu trabalho e começou a vaguear pelo mundo, ocupando-se na sua profissão e gastando a maior parte do seu tempo em viagens de trabalho. Assim, ganhou muito dinheiro; e os anos se passaram.

Finalmente, já velho, com a saúde debilitada e o corpo definhado, resolveu voltar à vila onde namorou, casou e perdeu o lindo amor de seus sonhos.
Isso foi numa tarde de outono. De longe, viu uma luz brilhar na casa que uma vez havia sido sua. Não sabendo onde se hospedar, resolveu bater à porta que uma vez havia sido a do seu antigo lar. Para surpresa dele, foi recebido amavelmente por pessoas estranhas, que ali viviam e disseram ser adventistas. Amanhã, continuaremos a história.

REFLEXÃO: “Eu te formei, tu és Meu servo [...] não Me esquecerei de ti” (Is 44:21).


28 de junho Sábado

Ninguém Será Esquecido – 2

Acaso, pode uma mulher esquecer-se do filho que ainda mama [...]? Mas ainda que esta viesse a se esquecer dele, Eu, todavia, não Me esquecerei de ti. Eis que nas palmas das Minhas mãos te gravei. Isaías 49:15, 16

Continuando a história de ontem: aquela família nunca havia ouvido nada a respeito daquele homem, mas o recebeu em seu lar e, por vários meses, ele ficou ali como hóspede.

Cedo, começaram a falar àquele senhor idoso sobre Cristo e o Seu significado para eles. Por fim, aquela família ficou muito feliz quando ele aceitou o evangelho da salvação em Cristo. Sua vida foi completamente transformada e ele pediu para ser batizado.

Quando estávamos assentados na sala conversando, e ouvindo a história, ele disse: “Pastor Richards, assim como estamos aqui nesta noite, onde o senhor me deu este estudo bíblico, minha esposa e eu nos assentávamos quando nos casamos. Aqui ela fez muitos apelos para que eu aceitasse a Jesus e eu sempre recusei. Daqui saiu o caixão, após sua morte. E agora, neste mesmo lugar, eu me encontro com Jesus, após cinqüenta anos. Oh! Por que não O aceitei naquela ocasião? Por que não atendi Seu convite, quando minha querida esposa pregava para mim com tanta bondade e amor?
Agora, penso nisso, depois de cinqüenta anos de sua amorável companhia! Mas terei o privilégio de encontrá-la na presença de Jesus!”

No dia seguinte, enquanto ambos andavam às margens do caudaloso rio para a realização do batismo, o irmão Shepherd sussurrou aos ouvidos do pastor Richards: “Pastor, quero que o senhor me segure debaixo da água até eu contar quinze. Como tenho andado nos passos de Satanás por cinqüenta anos, quero estar bem batizado, para devotar minha vida inteiramente a Jesus.”

Richards lhe disse que isso não era necessário. Porém, o pastor viu que Shepherd levava no bolso sua carteira com dinheiro, e disse-lhe que ele deveria deixá-la com alguém enquanto entrava na água. “Não!”, respondeu ele, “isso é para ser batizado também.”

Aquele homem alto manquejava ao caminhar no meio das pedras, enquanto entrava nas águas do rio para ir ao encontro do pastor Richards. Mas, ao ser batizado nas claras águas daquele rio, O Espírito Santo caiu com grande poder sobre ele. Quando ele voltou da imersão, todos os que ali se encontravam se comoveram.

REFLEXÃO: “Já estão esquecidas as angústias passadas, e estão escondidas dos meus olhos” (Is 65:16).


29 de junho Domingo

Ninguém Será Esquecido – 3

Ah, [...] como é que vou abandoná-lo! Nunca seria capaz de fazer isto! Oséias 11:8, BV

Esta é a terceira e última parte de nossa história. Vejam o que aconteceu.

Tão logo Shepherd saiu das águas, uma jovem senhora, trajada com seu melhor vestido, voltou-se para o pai e disse: “Meu pai, tenho esperado o senhor por sete anos. Já estou pronta para o batismo há muito tempo e o senhor sempre me pede para esperar, esperar, esperar, e nunca toma uma decisão. Não vou esperar mais. Quero ser batizada agora, assim como estou.”

Então, ela entrou nas águas e o pastor Richards a batizou. Oh que felicidade se estampou em sua face ao sair das águas! O pai, ao ver a filha batizada, caiu em pranto, e disse: “Por que eu tenho esperado tanto? Sei que este é o caminho de Deus. Devo seguir o meu Salvador. Ele morreu por mim.” Depois que ele deu seu testemunho diante das pessoas que ali estavam, entrou nas águas e também foi batizado.

Antes que percebesse, Richards já havia batizado oito pessoas. Todas estavam preparadas. Conheciam a doutrina bíblica, criam na verdade como realmente ela é em Cristo, fizeram sua pública confissão de fé. Todas se tornaram fortes esteios da igreja naquele lugar.

Depois que voltaram para casa, o irmão Shepherd mostrou ao pastor Richards uma caixinha dependurada no pescoço por uma correntinha. Disse-lhe que nunca a tirara dali. Então, ele a abriu para que o pastor pudesse ver o que estava ali dentro. “Isto tem estado no meu pescoço por cinqüenta anos”, disse Shepherd. Ali estava uma pequena fotografia da esposa falecida, ainda uma bela jovem. Então, acrescentou: “Agora, pela graça e pela misericórdia de Deus, irei encontrar-me com ela novamente, não é verdade?” E as lágrimas corriam em sua face.

Ele tinha, realmente, encontrado a Jesus, juntamente com as outras pessoas que foram batizadas com ele. Será que em algum lugar desse nosso imenso e querido Brasil não há pessoas esperando, esperando, esperando e adiando a entrega do coração a Jesus? É possível que sim. Se você está entre esses, reflita na letra deste hino:
“Mui terna e doce é do Mestre a voz, / Chamando-me com amor: / ‘De braços aberto te espero, vem! / Ó, vem ao teu Redentor!’” (Hinário Adventista, no 170).

REFLEXÃO: “Com amor eterno Eu te amei; por isso, com benignidade te atraí” (Jr 31:3).


30 de junho Segunda-feira

A Bíblia é a Verdade

Santifica-os na verdade; a Tua Palavra é a verdade. João 17:17

Hoje, vamos falar da Bíblia Sagrada, não para dizer que precisamos lê-la ou estudá-la, mas para alertar de uma grande tragédia de nossos dias que é a falta de apreço pela Palavra de Deus. Isso está ligado a um erro dos cristãos modernos, que consiste em minimizar a Bíblia, considerando-a apenas uma boa palavra, cheia de bons conselhos, mas não a autoridade absoluta.

Com isso, seu conteúdo é nivelado a outros escritos ou ensinos de homens considerados sábios, como Buda e Confúcio, reconhecidos por seus bons conceitos, mas cuja autoridade não é divina.

Vejamos só um exemplo para esclarecer. Jesus disse: “Novo mandamento vos dou: que vos ameis uns aos outros.” Sem dúvida, é um bom conselho, não é verdade? Mas não apenas isso, é um preceito que requer obediência sem questionamento: exige de todos amor fraternal. Está nos dizendo para não cultivarmos ressentimentos. A obediência a essa ordem de Cristo implica reparação de erros, arrependimento, confissão, reconciliação e fortalecimento dos relacionamentos.

É um preceito que não admite respostas negativas. É possível que esse mandamento exija uma reviravolta em algumas igrejas ou comunidades em que existem divisões, facções e mal-estar. Enquanto considerarmos esse mandamento do Senhor apenas como um bom conselho, nada vai acontecer. Deve ser encarado como uma ordem que exige ação. Podemos até ignorar um bom conselho, mas ignorar uma ordem é diferente.

Um evangelista escreveu a um amigo seu acerca de um reavivamento espiritual que estava acontecendo em sua cidade. Ele disse: “Estamos experimentando um grande ‘reabibliamento’.” Não sei se existe essa palavra no dicionário, acho que não, mas creio que entendemos bem o que ela quer dizer. Será que nossa igreja, nosso lar, eu e você, individualmente, não estamos necessitando de um “reabibliamento”?

A Bíblia, a Palavra de Deus, deve ser obedecida porque é a verdade absoluta, e não simplesmente por ser uma boa palavra com bons conselhos.

REFLEXÃO: “Do preceito de Seus lábios nunca me apartei e as palavras da Sua boca prezei mais do que o meu alimento” (Jó 23:12, ARC).