1º de março Segunda

Tristeza não tem fim?

Os meus olhos choram, não cessam, e não há descanso. Lamentações 3:49

A letra de um velho samba brasileiro diz: “Tristeza não tem fim, felicidade sim.” Olhando as coisas do ponto de vista estritamente humano e terreno, temos de admitir que essa letra apresenta uma verdade incontestável: enquanto vivermos neste mundo de pecado, teremos como companheiros inseparáveis a tristeza, o sofrimento, a dor, e a sua consequência inevitável: lágrimas, muitas lágrimas. O ser humano nasce, vive e morre chorando. Ninguém passa pela vida sem sofrer.

A Bíblia registra a experiência de muitos de seus heróis, que sofreram e choraram pelos mais variados motivos. Davi jejuou e chorou durante sete dias pelo filho que teve com Bate-Seba, o qual, após adoecer gravemente, morreu, como havia predito o profeta Natã (2Sm 12:15-19). Em outra ocasião, Davi expressou sua angústia mental ao exclamar: “Estou cansado de tanto gemer; todas as noites faço nadar o meu leito, de minhas lágrimas o alago” (Sl 6:6).

Os filhos de Israel choravam de saudades da pátria, “às margens dos rios de Babilônia” (Sl 137:1). Os amigos de Jó, ao saberem do seu infortúnio, foram visitá-lo e choraram. Jacó, Esaú, José, Rute, Orfa, Noemi, Ezequias, Maria (irmã de Lázaro) e tantos outros choraram, cada qual com seus motivos.

É importante salientar que o choro, especialmente entre os homens, não é demonstração de fraqueza, como ensina a cultura machista. É antes uma necessidade para enfrentar uma situação dolorosa e expulsar a tristeza e a dor. O choro traz alívio. Portanto, se você, homem ou mulher, precisar chorar, chore. Sem constrangimento.

Lembre-se de que Cristo, nosso exemplo supremo, chorou em pelo menos duas ocasiões: Quando viu Maria e seus amigos chorarem a morte de Lázaro (Jo 11:33, 35), e em Sua entrada triunfal em Jerusalém (Lc 19:41), quando, com visão profética, contemplou a destruição da bem-amada cidade. Jesus, portanto, chorou em público. Mas se você quiser chorar às escondidas, tudo bem. O importante é não reprimir o poder curativo das lágrimas.

Através de Cristo, que por nós derramou não apenas lágrimas, mas também Seu sangue redentor, podemos ter a certeza de que, quando Ele vier, nosso pranto se converterá em alegria, pois “na Sua salvação exultaremos e nos alegraremos” (Is 25:9) – para sempre!


2 de março Terça

Quando a santidade faz mal

E por que o assassinou? Porque as suas obras eram más, e as de seu irmão, justas. 1 João 3:12

Meu avô materno, além de dentista, era também plantador de arroz. Toda quarta-feira ele abandonava o consultório e ia em seu calhambeque para o arrozal, distante cerca de 20 quilômetros da cidade. Lembro-me de tê-lo ouvido contar, certa vez, que um de seus empregados costumava dormir, à noite, ao lado do motor que bombeava água para o arrozal. Quando o motor parava, o moço acordava.

O ser humano é assim. Quem se acostuma a dormir com o barulho, acorda com o silêncio. Quem se acostuma com o mau cheiro, estranha o ar puro. Isto acontece especialmente com quem mora perto de curtumes, frigoríficos ou fábricas de papel. Os moradores das redondezas sentem falta do ar fétido quando a empresa está fechada.

Este é o problema. Quem se acostuma com a poluição, se sente mal com a pureza. Quem se habitua com a escuridão, sofre com a chegada da luz. Quem se habitua com o pecado se sente mal com a santidade. Já viram contadores de piadas sujas se calarem na presença de um crente? Eles se sentem mal. Assim como os irmãos de Jesus se sentiam mal na presença dEle, pois Sua vida irrepreensível lhes era uma constante reprovação.

Caim se sentia tão mal na presença de Abel, que, para se livrar desse mal-estar constante, em vez de imitar o bom exemplo de seu irmão, assassinou-o. E por ocasião da segunda vinda de Cristo, os ímpios ficarão tão aterrorizados em Sua santa presença, que rogarão aos montes e rochedos que caiam sobre eles para escondê-los da Sua face (Ap 6:16). “Não é um decreto arbitrário de Deus que exclui os ímpios do Céu; eles ficam do lado de fora por se sentirem inadequados na companhia dos santos. Para eles, a glória de Deus seria um fogo consumidor. Prefeririam que logo viesse a destruição para que não tivessem de enfrentar o encontro com Aquele que morreu para redimi-los” (Caminho a Cristo, p. 18).

Em face disso, cabe perguntar: Como nos sentimos na igreja? Ao ouvir um sermão ou música sacra? Ao ler a Palavra de Deus? Na presença de um genuíno filho de Deus? Bem ou mal?

Se a santidade nos faz mal, devemos repensar nossa vida. Caso contrário, como pretendemos viver, um dia, na presença de um Deus santo? Busquemo-Lo diariamente e, aos poucos, o mal-estar desaparecerá e dará lugar a uma paz que o mundo não conhece – a paz de Deus, que excede todo o entendimento.


3 de março Quarta

Enquanto há vida, há esperança

E acrescentou: Jesus, lembra-Te de mim quando vieres no Teu reino. Lucas 23:42

Há várias lendas sobre o ladrão arrependido, chamado Dimas. Uma delas o considera uma espécie de Robin Hood judaico, que roubava dos ricos para dar aos pobres. As Escrituras, porém, silenciam sobre sua vida criminosa.

O que teria levado esse criminoso a se arrepender na hora undécima e a clamar a Cristo, reconhecendo-O como Salvador, enquanto seu colega continuava blasfemando contra Ele? Ellen White lança alguma luz sobre esse malfeitor, ao afirmar que ele havia sido companheiro de Barrabás (O Desejado de Todas as Nações, p. 741), mas “não era um criminoso endurecido; extraviara-se por más companhias, mas era menos culpado que muitos dos que ali se achavam ao pé da cruz, injuriando o Salvador. Vira e ouvira Jesus, e ficara convencido, por Seus ensinos, mas dEle fora desviado pelos sacerdotes e príncipes” (ibid., p. 749).

Pendente da cruz, o ladrão arrependido lembra-se de tudo o que ouvira de Jesus e, iluminado pelo Espírito Santo, se convence de que Cristo, não apenas era inocente, mas era também o Filho de Deus. Com um fio de esperança em seu coração, lança ao Salvador um apelo: “Senhor, lembra-Te de mim, quando vieres no Teu reino.” Essa súplica foi um “raio de conforto” para Cristo, após sofrer tantas injúrias e escárnios (ibid.).

Enquanto os discípulos, temerosos, haviam fugido, exclamando com desânimo: “Ora, nós esperávamos que fosse Ele quem havia de redimir a Israel” (Lc 24:21), este homem rude e cruel, de modo inesperado, manifestou sua fé no Filho de Deus, dEle recebendo a certeza da salvação eterna.

Algumas lições a serem aprendidas com esse ladrão:

1. Nunca é tarde para se arrepender. A salvação oferecida por Cristo vale enquanto o coração bater.

2. Cristo lhe prometeu vida eterna, o que indica que os seus pecados foram perdoados. Mas não o mandou descer da cruz. Os crimes pelos quais havia sido condenado teriam de ser pagos. É como se Cristo lhe tivesse dito: “Olha, Dimas, como você se arrependeu, Eu pago, na Minha cruz, as consequências eternas dos seus crimes e pecados. Mas as consequências temporais, você terá de pagar, na sua cruz!” Dimas, portanto, não ficou impune.

3. O arrependimento que ocorre pouco antes da morte, raramente é genuíno. Na maioria dos casos trata-se de medo da morte e apreensão pelo juízo vindouro.

Enquanto há vida, há esperança. Mas adiar a decisão de se entregar a Cristo para o derradeiro momento é muito arriscado. Não há tempo a perder. Decida-se já. Você talvez não tenha outra chance.


4 de março Quinta

Um país de todos

Mas, agora, aspiram a uma pátria superior, isto é, celestial. Hebreus 11:16

Você já deve ter visto e ouvido o slogan criado pelos marqueteiros do Governo Federal, e veiculado pelos órgãos de imprensa: “Brasil, um país de todos”. Aparentemente, o governo brasileiro deseja vender a imagem de que o Brasil é um país onde todos têm um lugar ao sol, independentemente de sua origem, raça, credo, etnia ou posição social.

Se isto é verdade na prática, não nos compete analisar aqui. O fato é que o lema pinta um país ideal, desprovido de preconceitos, onde representantes de todos os povos encontram guarida e têm oportunidade de viver uma vida digna.

Esse lema se aproxima bastante do ideal que Deus tinha para Seu povo na Terra. Deus queria que Israel fosse um modelo de país para todos os povos. Para tanto, prometeu-lhe o território mais estratégico do mundo, na confluência de três continentes. Sob a direção divina, Israel se tornaria uma nação poderosa, eventualmente abrangendo o mundo todo, e levando todos os povos a se submeterem de livre e espontânea vontade ao bondoso governo de Deus. Nação após nação, ao observar como a obediência às leis de Deus havia enobrecido e elevado Israel, seria levada a dizer: “Iremos convosco, porque temos ouvido que Deus está convosco” (Zc 8:23).

Em 1 Reis 10:1-9 temos uma ilustração do que poderia ter ocorrido em escala mundial, caso Israel tivesse se submetido ao governo divino. No tempo de Salomão, a nação israelita havia atingido o auge de sua prosperidade e se tornara um centro de atração. A rainha de Sabá veio de seu país para conhecer Israel. E saiu de lá encantada com tudo o que viu. Ao despedir-se, proferiu uma bênção. Este era o plano de Deus para a nação israelita. Através dela o plano de salvação poderia ter sido levado a todas as pessoas.

Que destino! Que gloriosa oportunidade! No entanto, ao rejeitar Cristo, Israel desprezou sua eleição e colheu, nos séculos subsequentes, amargos frutos (O Grande Conflito, p. 28-35). O grande erro dos judeus foi pensar que a salvação era só para eles, e que sua eleição, como povo escolhido, era incondicional. Eles queriam os privilégios, mas não as obrigações.

Hoje, o povo de Deus se caracteriza não por uma raça ou nação, mas pela igreja de Cristo, à qual foi confiada a missão de pregar o evangelho e aguardar o cumprimento da promessa feita a Abraão, de uma pátria superior e celestial, de um novo céu e uma nova Terra, onde todos serão felizes.


5 de março Sexta

Brigando por água

Cavaram os servos de Isaque no vale e acharam um poço de água nascente. Mas os pastores de Gerar contenderam com os pastores de Isaque, dizendo: Esta água é nossa. Gênesis 26:19, 20

Gilberto e Eduíno eram dois grandes fazendeiros vizinhos. Um açude dividia suas terras e fornecia água para os arrozais de ambos. Para irrigar melhor seu arrozal, Eduíno resolveu um dia abrir uma brecha na barragem. Gilberto se achou prejudicado e mandou um empregado fechá-la. Eduíno abriu-a novamente. Gilberto mandou fechá-la outra vez. O desentendimento durou anos. Um arrombava a barragem e o outro ia lá e fechava. A situação foi se deteriorando entre eles, e um jurou o outro de morte.

Um dia Gilberto fechou a barragem e Eduíno foi lá com um empregado para reabri-la. Gilberto armou-se com um revólver e foi sozinho até onde estavam os dois. Houve uma discussão acalorada, e o empregado, percebendo que o vizinho ia matar seu patrão, desferiu-lhe vários golpes com uma pá, matando-o. No velório, o filho jurou vingar-se. Cerca de vinte anos mais tarde, conseguiu cumprir sua ameaça, baleando mortalmente Eduíno.

Certamente esses dois fazendeiros não foram os únicos que brigaram por causa de água. Segundo o relato bíblico, os servos de Isaque cavaram um poço, no vale de Gerar. Mas os pastores locais contenderam, alegando que aquela água era deles. Se os servos de Isaque fossem como Gilberto e Eduíno, por certo teriam se envolvido em discussão e luta que poderia haver terminado em morte.

Eles, porém, pacificamente se afastaram e cavaram outro poço! Novamente os adversários reclamaram a posse daquela água. Desta vez aqueles chatos mereciam uns bofetões, não é mesmo? Mas novamente os servos de Isaque foram embora e cavaram o terceiro poço. Eles agora estavam tão longe que os pastores não reclamaram.

Pessoas que “não levam desaforo para casa”, podem pensar que os servos de Isaque tinham “sangue de barata”. Mas não deixa de ser uma prova de sabedoria abrir mão dos próprios direitos em favor da paz. Isaque não resistiu ao mal, pondo em prática um princípio que seria ensinado por Jesus, séculos mais tarde (Mt 5:39). Afastando-se para longe da contenda, evitou hostilidades. E a bênção de Deus o acompanhou.

Gilberto e Eduíno são exemplos modernos a serem evitados. A atitude de Isaque é um modelo antigo a ser seguido.


6 de março Sábado

Becos sem saída

Pela fé, ruíram as muralhas de Jericó, depois de rodeadas por sete dias. Hebreus 11:30

Conheci um homem que trabalhava como autônomo, mas nunca quis pagar o INSS, por julgar que seria “dinheiro jogado fora”. Ele simplesmente não acreditava que um dia poderia ter o retorno dessa despesa. Mas o tempo foi passando, a velhice chegou, e ele não pôde mais trabalhar. Sem rendimentos nem aposentadoria, precisou ser amparado por familiares, tornando-se um peso para eles. Havia se metido em um “beco sem saída” devido a sua própria imprevidência.

Muitas vezes cavamos o buraco em que caímos, como consequência de decisões erradas. Mas é possível, também, que, uma vez ou outra na vida, Deus nos leve a uma situação sem saída, do ponto de vista humano, para que invoquemos Seu auxílio, pois “as perplexidades do homem são as oportunidades de Deus” (Mensagens Escolhidas, v. 2, p. 297).

O relato bíblico nos dá vários exemplos desse fato. Quando Deus tirou os israelitas do Egito, conduziu-os através de um desfiladeiro rochoso, rumo ao Mar Vermelho. Então o povo viu, horrorizado, atrás de si, o brilho das armaduras dos egípcios. Não havia como escapar por seus próprios recursos. Foi quando Deus deu a ordem a Moisés: “Por que clamas a Mim? Dize aos filhos de Israel que marchem” (Êx 14:15). Moisés estendeu seu bordão, o mar se abriu, e com ele o meio de escape provido por Deus.

E, após 40 anos de murmurações e vagueações pelo deserto, eles chegaram a Jericó, uma das cidades mais fortificadas da região, e impossível de ser conquistada pela força das armas israelitas. E novamente Deus lhes mostrou que, quando o arsenal humano é insuficiente, é preciso apelar para os recursos divinos. Assim, pela fé, eles rodearam a cidade em silêncio por seis dias. No sétimo dia Deus lhes ordenou que tocassem as trombetas e gritassem.

E os muros caíram, não pelas vibrações dos gritos e das trombetas, mas pela fé. Ellen White diz: “Quão facilmente os exércitos do Céu derribaram os muros de Jericó”. E nos dá a seguinte certeza: “Deus fará grandes coisas por aqueles que nEle confiam. [...] Ele auxiliará os Seus filhos crentes em toda a emergência, se nEle puserem toda a confiança, e fielmente Lhe obedecerem” (Patriarcas e Profetas, p. 493).

Um dia, em nossa vida, chegaremos a um beco sem saída humana. Então terá chegado o momento de olhar com fé para cima e aguardar o livramento do Senhor. Ele não falhará.


7 de março Domingo

Convivendo com o barulho

O Senhor, porém, está no Seu santo templo; cale-se diante dEle toda a terra. Habacuque 2:20

O mundo está cada vez mais barulhento. Mesmo em nosso lar pode haver barulho em excesso. Os ruídos combinados dos eletrodomésticos, mais os de cachorros latindo, gatos miando, crianças berrando (e talvez o papagaio também resolva meter o bico na conversa), fazem com que o nível de ruído em nossa própria casa seja muito elevado.

Nas grandes cidades a poluição sonora é ainda maior, em virtude de buzinas, sirenes, marteletes abrindo o asfalto, motos, camelôs anunciando em alta voz os seus produtos, e muitos outros. Mas, embora o barulho esteja muito ligado à vida moderna e aos grandes centros, já existia também na antiguidade, embora em menor proporção.

No primeiro século antes de Cristo, cidadãos de Roma reclamaram tanto contra o barulho das rodas das carruagens romanas, que César proibiu o tráfego noturno dessas carruagens. No décimo sexto século, na Inglaterra, a bondosa rainha Elizabeth promulgou um decreto proibindo que os maridos surrassem as esposas depois das dez horas da noite, por causa da gritaria provocada por essa prática.

Há pessoas que não podem viver sem barulho. A solidão, o silêncio, a meditação são insuportáveis para elas. Precisam falar com alguém, e, se não há com quem falar, ligam o aparelho de som ou a televisão. Parece que o barulho causa dependência, tal e qual as drogas.

Um professor conta que certa vez foi à igreja. O ambiente convidava à meditação. Mas, de repente, os ouvintes foram sacudidos por estridentes acordes vindos do órgão. Era o organista, que executava uma fuga de Bach em volume tão elevado que quase pôs em fuga o auditório. Quando terminou, o orador transmitiu sua mensagem com tal eloquência que o professor, em vez de sair da igreja revigorado espiritualmente, saiu meio zonzo. E ficou se perguntando se a poluição sonora teria se tornado uma parte tão integrante da sociedade moderna, a ponto de invadir até mesmo os momentos de meditação e adoração.

Podemos nos aproximar de Deus quando os decibéis se aproximam dos níveis de tolerância? Será que nossa espiritualidade se eleva paralelamente à elevação do volume de som? É claro que não. Como povo que busca uma comunhão íntima com Deus, precisamos ter períodos de calma e quietude em que possamos ouvir Sua voz falando ao nosso coração. Procuremos encontrar hoje esses momentos para estar a sós e em silêncio com Deus.


8 de março Segunda

Como Jesus tratava as mulheres

Neste ponto, chegaram os Seus discípulos e se admiraram de que estivesse falando com uma mulher. João 4:27

No Oriente, um homem não aborda uma mulher estranha na rua e começa a conversar com ela. Os judeus consideravam extremamente impróprio que um homem, especialmente se se tratasse de um rabi, conversasse com uma mulher em público. Uma de suas regras estipulava que “nenhum homem deveria falar com uma mulher na rua, nem mesmo com a própria esposa”. Daí a surpresa dos discípulos, que, ao voltarem da cidade, encontraram o seu Mestre envolvido em conversação com uma mulher, junto ao poço de Jacó.

Mas Jesus era assim mesmo: Ele não tinha preconceitos, nem contra os samaritanos, nem contra as mulheres, nem contra ninguém. Em Seu grande amor pelos seres humanos, Ele elevou a posição das mulheres de Seu tempo, vítimas de preconceito e discriminação. Os judeus as consideravam seres inferiores, e não permitiam que elas adentrassem o templo além do átrio das mulheres, e menos ainda que tomassem parte ativa no culto, quer falando ou orando em voz alta. Os mais radicais diziam que era melhor queimar a lei do que ensiná-la a uma mulher.

Cristo quebrou esses padrões, tratando as mulheres como iguais, pois nas reuniões em que Ele pregava, tanto homens como mulheres tinham o privilégio de ouvi-Lo. O ensinamento judaico prescrevia também que a mulher ficasse em casa, e só saísse à rua com permissão do marido. No ministério de Jesus, porém, as mulheres acompanhavam o grupo apostólico ao se deslocar de um lugar para outro (Lc 8:1-3). Várias delas foram objeto de Seus milagres e compaixão, como a mulher siro-fenícia, a filha de Jairo, a viúva de Naim e outras.

Ao assim proceder, Cristo estava, na verdade, restituindo à mulher a igualdade com o homem que lhe havia conferido na Criação: “Eva foi criada de uma costela tirada do lado de Adão, significando que não o deveria dominar, como a cabeça, nem ser pisada sob os pés como se fosse inferior, mas estar a seu lado como igual, e ser amada e protegida por ele” (Patriarcas e Profetas, p. 46).

Vamos devolver à mulher o seu lugar de honra, não só hoje, o Dia Internacional da Mulher, mas em todos os dias de nossa vida.


9 de março Terça

Importante demais para não ser partilhado

Muitos outros creram nEle, por causa da Sua palavra, e diziam à mulher: Já agora não é pelo que disseste que nós cremos; mas porque nós mesmos temos ouvido e sabemos que este é verdadeiramente o Salvador do mundo. João 4:41, 42

A Mercedes-Benz tem, ao longo dos anos, introduzido em seus carros muitos dispositivos de segurança que foram copiados por outros fabricantes e se tornaram comuns nos veículos modernos.

Certa vez perguntaram a um engenheiro da Mercedes-Benz por que eles não exigem que sua patente seja respeitada. Ele respondeu: “Porque há coisas, na vida, que são importantes demais para não serem partilhadas.”

Grande conceito! Importante demais para não partilhar! O mesmo princípio deveria ser aplicado a qualquer outro produto que salve vidas.

Como cristãos, o produto salvador que precisamos partilhar é o evangelho. E hoje quero lhes apresentar uma mulher que se dispôs a fazer isso. Na verdade, as mulheres têm sido grandes evangelistas, mas só recentemente têm recebido reconhecimento na igreja.

Essa mulher, no entanto, não era de boa reputação em sua vila. Seria possível que uma mulher que tivera cinco maridos, e estava agora amasiada com o sexto, se tornasse um instrumento de salvação? A Bíblia diz que sim, em João 4.

Jesus sabia tudo sobre a vida de pecados dessa mulher. Ela se entregara às paixões, mas estas somente lhe deixaram um vazio muito grande. Desprezada pela vizinhança, ela veio ao poço ao meio-dia para não se encontrar com as fofoqueiras de Sicar.

No entanto, Jesus viu grandes possibilidades nessa mulher. E o resultado desse encontro com Cristo, foi que ela, apesar de mal falada, se tornou evangelista. Voltando à cidade, disse aos homens: “Vinde comigo e vede um homem que me disse tudo quanto tenho feito. Será este, porventura, o Cristo?!” (Jo 4:29). E muitos samaritanos creram nEle “em virtude do testemunho da mulher” (v. 39).

Pense nisto: Se Deus foi capaz de usar uma mulher de má reputação para espalhar as boas novas de salvação, não poderia Ele usar pessoas como você e eu? Sim, Ele pode. Basta querermos.


10 de março Quarta

Preconceito e racismo

Perguntou-lhe Natanael: De Nazaré pode sair alguma coisa boa? Respondeu-lhe Filipe: Vem e vê. João 1:46

De acordo com a Lei nº 9459, de 13 de maio de 1997, basta chamar alguém de “negro”, “preto”, “negão”, “turco”, “judeu”, “baiano”, etc., para que o autor fique sujeito a uma pena de um ano de reclusão, além de multa, se ficar provada a intenção de ofender a honra alheia relacionada com cor, religião, raça ou etnia.

Preconceito é uma opinião formada antes de se conhecerem os fatos. É sempre preconceito aplicar as ações de um ou dois indivíduos a todo um grupo, como por exemplo: “Índio é preguiçoso”, “mineiro é desconfiado”, “gaúcho é papudo”, “judeu é pão-duro”.

O preconceito é tão velho quanto a humanidade. Em Números 12:1 lemos: “Miriã e Arão criticaram Moisés, porque ele tinha se casado com uma mulher cusita” (BV).

Este é um exemplo de preconceito racial, pois os cusitas tinham a pele escura e eram estrangeiros. A punição divina por esse preconceito não se fez esperar: “Miriã achou-se leprosa, branca como neve” (v. 10). Que ironia! Por causa de seu preconceito de cor, Miriã foi castigada com a alvura da lepra!

Vários tipos de preconceito são mencionados na Bíblia. Havia o preconceito contra certas profissões (Gn 46:34), em relação à aparência pessoal (1Sm 16:7), ao lugar (2Rs 5:12, Jo 1:46), à classe social (Lc 18:9-14), e aos aspectos sexual e étnico (Mt 15:21-28, Jo 4:9).

Um exemplo positivo de ausência de preconceito racial foi citado por Jesus na parábola do Bom Samaritano, em Lucas 10. Qual dos três viajantes teve compaixão? Quem demonstrou ser o próximo do homem ferido? Não foi o sacerdote, que representava a liderança religiosa, nem o levita, que era um assistente leigo do sacerdote, mas um samaritano, que era estrangeiro e do qual não se esperava simpatia para com os judeus.

Jesus também foi alvo de preconceitos quanto à Sua origem (Jo 8:19), aparência (Is 53:2, 3), intenções (Lc 7:39; 15:1, 2; 19:7), e pelo fato de ter sido criado em Nazaré. Natanael, um de Seus futuros discípulos, ao ser chamado a seguir o Mestre, reagiu com a pergunta preconceituosa: “De Nazaré pode sair alguma coisa boa?”

A resposta que Filipe lhe deu é a melhor que se pode dar a pessoas preconceituosas: “Vem e vê.” Natanael aceitou o convite de Filipe e, ao ver e ouvir a Jesus, reconheceu ser Ele o Filho de Deus.

Antes de julgar os fatos e as pessoas por antecipação, vá até lá e veja. Tome conhecimento da realidade. Só então você poderá ter um conceito. Antes disso, será mero preconceito.