Tudo depende do tempo e do acaso. Eclesiastes 9:11
Eugene Durand, que foi editorialista da Review and Herald, narra uma série de coincidências na sua vida e na de seu amigo de infância, Tom Green. Ambos se criaram na mesma igreja adventista e foram batizados pelo mesmo pastor. Uma vez recoltaram juntos após cada um ter comprado seu primeiro carro. Sem que tivessem planejado, casaram-se no mesmo dia. Depois de se formarem juntos em Teologia, tornaram-se pastores distritais da mesma Associação.
Alguns anos mais tarde, suas esposas tiveram bebês do sexo feminino, no mesmo dia, e as duas receberam o mesmo nome – novamente, sem que eles houvessem combinado. Doze anos depois, após terem ficado separados por milhares de quilômetros, Eugene se mudou para uma casa, apenas para descobrir que Tom morava quatro casas adiante, na mesma rua, já que agora ambos eram obreiros da mesma União. E Eugene termina dizendo: “Eu agora sou membro de uma igreja que fica a 45 milhas de distância, e que por acaso, foi Tom quem construiu!”
As coincidências ou casualidades têm intrigado as pessoas desde os tempos antigos. Os matemáticos alegam que muitos desses estranhos eventos podem ser atribuídos à Lei das Probabilidades. Mas, mesmo os cientistas acreditam que nem tudo pode ser explicado por essa lei.
Coincidência ou providência divina? Podemos estabelecer a diferença? O sábio Salomão reconheceu a existência do acaso, quando escreveu que “tudo depende do tempo e do acaso”.
Jesus, ao relatar a parábola do Bom Samaritano, usou, em Lucas 10:31, praticamente a mesma palavra que Salomão, ao dizer: “Casualmente, descia um sacerdote por aquele mesmo caminho.” Ou seja: nada havia sido combinado, planejado ou predeterminado.
Rute havia retornado da terra de Moabe com sua sogra Noemi. Ao procurar trabalho nos campos de cevada, “por casualidade entrou na parte que pertencia a Boaz” (Rt 2:3). Toda a história de Rute gira em torno dessa casualidade. Se ela tivesse entrado em outro campo, não só a história de sua vida, mas a própria história da humanidade teria sido diferente, pois, graças àquela casualidade, Rute se tornou ancestral de Cristo.
Existe casualidade, coincidência, Lei das Probabilidades e também providência divina, esta última muitas vezes operando através de todas essas circunstâncias, pois Deus gosta de operar no anonimato, por meios que parecem casuais. Lembremo-nos de que “o complicado jogo dos acontecimentos humanos acha-se sob a direção divina” (Educação, p. 178).
Eu repreendo e disciplino a quantos amo. Apocalipse 3:19
Morávamos numa casa de madeira. Em uma noite tempestuosa, minha mãe me repreendeu por alguma travessura e me advertiu dizendo:
– Se você desobedecer, Deus vai castigá-lo!
Sua ameaça, porém, não surtiu o efeito desejado. Eu devia ter quatro ou cinco anos de idade, e imaginava que Deus estava muito distante para me castigar fisicamente. Por isso, perguntei-lhe em tom desafiador:
– E como é que Ele pode me castigar?
Nesse exato momento, como que em resposta ao meu desafio, um trovão ensurdecedor fez a casa toda estremecer.
Pálida de susto, minha mãe apontou para mim e disse:
– Viu só? Viu como Ele pode castigá-lo?
Mudo de terror, não tive como contestar sua afirmação. E fiquei convencido de que, apesar da distância, Deus poderia alcançar-me aqui embaixo com os Seus raios e trovões, se quisesse. Essa experiência me acompanhou até a idade adulta, fazendo-me pensar que Deus às vezes age como um ser bravo, que castiga criancinhas e adultos desobedientes.
Deus tem emoções. Ele ama, respeita, Se ofende, Se regozija, Se entristece, sente compaixão. E Se ira também. Na Bíblia encontramos várias referências, tanto a um Deus que ama como a um Deus que Se ira e castiga: Dois exemplos:
“Aquele que não ama não conhece a Deus, pois Deus é amor” (1Jo 4:8).
“O Senhor é Deus zeloso e vingador, o Senhor é vingador e cheio de ira; o Senhor toma vingança contra os Seus adversários e reserva indignação para os Seus inimigos” (Na 1:2).
Podemos harmonizar esses dois sentimentos no mesmo Deus? Um Deus que ama, mas também Se ira e castiga? Sim, pois o amor e a ira não são sentimentos opostos: são complementares. Somente quem ama de verdade pode experimentar genuína ira. O pai que ama extremosamente o filho será tomado de grande ira ao vê-lo maltratado e abusado por outros, e fará tudo que estiver ao seu alcance para livrá-lo dos malfeitores. Assim também Deus: como Pai amoroso que é, Ele não pode contemplar a ação do mal contra Seus filhos sem irar-Se.
Por isso, Ele muitas vezes pune nossos inimigos a fim de proteger-nos de sua crueldade. E disciplina também a nós, a fim de nos corrigir e levar-nos a mudar o rumo de nossa vida. Quando compreendemos que Deus é amor, não mais sentimos medo dEle, sabendo que Ele nos ama e quer o nosso bem.
Replicou-lhe Jesus: Se falei mal, dá testemunho do mal; mas, se falei bem, por que Me feres? João 18:23
Jesus estava perante Anás e acabara de levar uma bofetada de um dos guardas, porque este não gostou da resposta que Cristo dera ao sumo sacerdote. Nessa ocasião, Cristo não ofereceu a outra face, como havia recomendado anteriormente a Seus ouvintes, no Sermão do Monte (ver Mt 5:39; Lc 6:29). Mas também não perdeu o controle nem Se deixou arrebatar pela ira.
Entretanto, por Suas palavras mostrou que há momentos em que o cristão deve protestar, da maneira correta, contra a violência e o abuso de autoridade. Se aceitar passivamente a agressão, estará dando a entender que a merece, e ao mesmo tempo incentivará a perversidade. Ele deve se opor a isso com base na lei.
Foi o que Cristo fez. Segundo a lei judaica, um prisioneiro só poderia ser maltratado fisicamente após sua condenação. E esse episódio foi apenas uma das muitas irregularidades do julgamento de Cristo.
O apóstolo Paulo passou por experiência semelhante: levou uma bofetada na boca por insinuar que o Sinédrio era hipócrita. Paulo dissera que havia “andado diante de Deus com toda a boa consciência” (At 23:1). Sua conduta havia sido irrepreensível, tanto na observância da vontade de Deus como da lei e dos escritos dos profetas (At 24:14). Se Paulo estava certo, era óbvio que seus acusadores estavam errados. Eles entenderam o recado. Como resultado, “o sumo sacerdote, Ananias, mandou aos que estavam perto dele que lhe batessem na boca” (At 23:2).
Paulo reagiu dizendo: “Deus há de ferir-te, parede branqueada! Tu estás aí sentado para julgar-me segundo a lei e, contra a lei, mandas agredir-me?” (v. 3).
Em outra ocasião, Paulo estava sendo amarrado para ser açoitado, quando perguntou ao centurião presente: “Ser-vos-á, porventura, lícito açoitar um cidadão romano, sem estar condenado?” (At 22:25). Ao invocar seus direitos como cidadão romano, Paulo evitou sofrimento desnecessário.
O cristão não deve se deixar espancar, se puder evitá-lo. Ele tem todo o direito de invocar a lei em seu favor. Não adquirimos méritos para a salvação através de maus tratos, penitências ou sofrimentos. É verdade que alguns de nós seremos chamados a participar dos sofrimentos de Cristo, como prova de nossa fé. Mas o que nos salva é a fé, e não o sofrimento.
Não acumuleis para vós outros tesouros sobre a terra, onde a traça e a ferrugem corroem e onde ladrões escavam e roubam. Mateus 6:19
À medida que este velho mundo se encaminha para seu fim e os homens maus vão de mal a pior, vai também se reduzindo o número de pessoas que ainda não passaram pela desagradável experiência de serem roubadas.
Se há uma classe universal, essa é a dos ladrões, pois não há país que não os tenha. A diferença está na maneira como são tratados aqui e em outros lugares. Em países onde o roubo é severamente punido, sua incidência é menor. Onde há impunidade, os ladrões se multiplicam e se tornam cada vez mais ousados. Salomão já dizia: “Visto como se não executa logo a sentença sobre a má obra, o coração dos filhos dos homens está inteiramente disposto a praticar o mal” (Ec 8:11).
A legislação mosaica era bastante severa com os ladrões: se alguém furtasse um boi ou ovelha, deveria restituí-los em dobro (Êx 22:4). Se, porém, o abatesse ou vendesse, por um boi pagaria “cinco bois, e quatro ovelhas por uma ovelha” (Êx 22:1). O princípio geral estabelecido aqui é que o roubo deveria ser punido, sempre que possível, através de uma multa.
Mas a legislação da época também contemplava os casos de roubo seguido de morte. Se um ladrão fosse morto ao tentar arrombar uma casa à noite, quem o ferisse não seria culpado, pois se pressupunha que um ladrão que atacasse à noite poderia abrigar intenções homicidas para obter o que quisesse. Se, porém, atacasse durante o dia, não seria considerado um homicida em potencial, e não deveria ser morto (Êx 22:2, 3). Se isso acontecesse, o que o feriu seria acusado de “homicídio doloso”, para usar um termo moderno.
A lei, portanto, protegia a propriedade, ao mesmo tempo que procurava proteger a vida do próprio ladrão, evitando derramamento desnecessário de sangue.
Séculos mais tarde Cristo deu às coisas materiais a sua dimensão correta, ao aconselhar-nos a não depositar nosso tesouro naquilo que pode se estragar ou ser roubado. Não há segurança nos bens materiais. A felicidade dos seres humanos não deve depender de suas propriedades ou conta bancária.
Segundo Jesus, o homem sábio é aquele que constrói sua felicidade em tesouros permanentes, os quais jamais poderá perder. Daí o conselho: “Mas ajuntai para vós outros tesouros no Céu, onde traça nem ferrugem corrói, e onde ladrões não escavam, nem roubam” (Mt 6:20).
Vê que proponho, hoje, a vida e o bem, a morte e o mal. Deuteronômio 30:15
“Ligue já!” “Peça hoje mesmo o seu.” “Compre agora.” Através de anúncios com esse tom de urgência, somos instados a comprar, ver, viajar e desfrutar imediatamente os produtos ou serviços oferecidos. Os vendedores sabem que quando um comprador em potencial adia a sua decisão de adquirir algo, as possibilidades de fechar o negócio se reduzem drasticamente.
Em outros aspectos da vida verifica-se o mesmo fato: a pessoa que resolve abandonar um vício, mas não já, está condenando sua decisão ao fracasso. O Pastor Siegfried J. Schwantes já dizia: “Quanto maior o intervalo entre a resolução e a sua execução, tanto menor a probabilidade de êxito” (Colunas do Caráter, p. 34).
Uma das maiores tragédias da natureza humana, é que todos nós nos sentimos propensos a adiar o tempo para a tomada de decisões. A criança diz: “Quando eu crescer...” O rapazinho diz: “Quando eu casar...” Depois a frase muda: “Quando eu me aposentar...” E, assim, não decide nunca.
Mas quando chega a aposentadoria, o indivíduo olha para trás, para o caminho percorrido, e sente um vento gelado na alma. Depois de passar a vida inteira preocupado com o futuro, ele agora pensa no passado. E só então descobre que desperdiçou a vida. Porque vida real é aquela vivida no presente – cada momento, cada hora, cada dia.
O mesmo se dá com a vida espiritual. Deixar para amanhã o preparo espiritual é arriscado, porque ninguém sabe se estará vivo amanhã. O dia da salvação é hoje. Notem o tom de urgência do apóstolo Paulo: “Assim, pois, como diz o Espírito Santo: Hoje, se ouvirdes a Sua voz, não endureçais o vosso coração” (Hb 3:7, 8). E dentro do dia de hoje, há um momento ainda mais específico: “Eis agora o tempo sobremodo oportuno, eis, agora, o dia da salvação” (2Co 6:2). A salvação e a vida eterna começam, portanto, aqui, agora, e não depois, em outro tempo ou lugar.
Porém, alguém poderá dizer: “Mas eu já aceitei a salvação. Já sou batizado há 20 anos!” Acontece que a salvação não é assunto do passado. É do presente. É preciso converter-se diariamente.
O profeta Elias obteve uma estrondosa vitória em um dia – vitória sobre os adoradores de Baal, no Monte Carmelo – para, no dia seguinte, sofrer uma vergonhosa derrota, fugindo de uma mulher pagã. No dia anterior Elias havia confiado em Deus sem reservas. E Deus lhe deu a vitória. No dia seguinte ele não fez o devido preparo espiritual e foi derrotado.
Por isso, peça a graça de Deus para o dia de hoje. Converta-se hoje. Esteja salvo hoje.
Não vos enganeis: de Deus não se zomba; pois aquilo que o homem semear, isso também ceifará. Gálatas 6:7
Todos sabem, quer sejam agricultores ou não, que só se pode colher aquilo que foi semeado. A semente que se lança na terra determina o tipo de planta que nascerá. Às vezes, a gente planta milho e não colhe nada, por falta de chuva ou devido a outro problema. Mas o que nunca vai acontecer é se plantar milho e colher soja, por exemplo.
O mesmo ocorre na vida social, conjugal, financeira, física e espiritual. Nossa vida é o resultado de nossas decisões e ações, e não um jogo, em que fazemos o que bem entendemos, esperando que no fim tudo dê certo. Deus criou leis de causa e efeito que controlam a existência. E o resultado não depende do acaso. É consequência do que decidimos e fazemos. Vou dar um exemplo trágico, através da carta que um amigo me escreveu:
“Rubem, tenho uma má notícia para dar. Fumar por tantos anos finalmente produziu um resultado sobre mim: desenvolvi um câncer de língua (entre outros) que só um transplante de pescoço poderia ajudar. Infelizmente o problema não é operável, mas fique tranquilo que eu aceito isto como o resultado de muitos anos de agressão a meu próprio corpo. Não estou desesperado, nem deprimido, e até agradecido a Deus por me estar dando uma chance de terminar uma ou outra coisinha em minha vida. Venho sentindo muita dor que é controlada e aliviada com codeína, a segunda droga analgésica mais poderosa que existe. Já há muito tempo não consigo engolir nada sólido – apenas bebo vitaminas e sopas, e até agora quase consegui manter meu peso.
“Inicio na semana que vem algumas sessões de quimioterapia que deverão me ajudar quanto à dor e me permitir adiar o inevitável por mais algum tempo. Muito obrigado por sua amizade, e se rezar por mim, peça a Deus para me dar muita força para enfrentar o fim com coragem e dignidade.”
Esta carta, de meu amigo Gabriel, me comoveu, bem como a notícia de seu falecimento, um mês depois. E ilustra esta verdade bíblica: o que o homem semear, isso também ceifará. Ou seja: nós temos de arcar com as consequências de nossos atos e decisões. É verdade que Deus perdoa nossos erros, quando nos arrependemos, mas Ele geralmente não remove as consequências.
Vamos pedir a Deus que ilumine nossas decisões neste dia, para que colhamos saúde e vida abundante.
Declarou-lhes Jesus: Em verdade vos digo que publicanos e meretrizes vos precedem no reino de Deus. Mateus 21:31
No tempo de Cristo publicanos e meretrizes eram desprezados pela sociedade, especialmente pelos fariseus. Os publicanos, ou cobradores de impostos, eram considerados como estando além da possibilidade de arrependimento, o que os excluía totalmente da salvação.
As meretrizes estavam mais ou menos no mesmo nível, pois a lei de Moisés estabelecia penas severas para as praticantes (Lv 21:9, Dt 22:21).
Agora imagine o espanto e a ira dos fariseus – tidos como exemplos de moralidade – ao ouvirem Jesus dizer que essas duas classes abominadas entrariam no Céu antes deles! Estaria Cristo elogiando os pecadores e condenando os observadores e intérpretes da Lei?
O significado desta parábola é claro: Jesus não está prometendo a salvação nem aos fariseus cheios de justiça própria, nem aos pecadores impenitentes. Ele não está elogiando ninguém aqui; está apenas dizendo que um grupo é menos pior do que o outro. Vejam: os versos precedentes falam de dois filhos: um prometeu ao pai que iria trabalhar na sua vinha, mas não foi. O outro disse que não iria, mas foi.
O primeiro representa os líderes judaicos, que não creram na pregação de João Batista nem aceitaram a mensagem de Jesus. Cumpriam com exatidão e zelo os ritos e cerimônias, mas rejeitavam a verdade, deixando assim de fazer a vontade de Deus. E Jesus deixou claro que sua desobediência lhes impediria a entrada no reino de Deus.
Assim como na parábola nenhum dos dois filhos trouxe satisfação completa ao seu pai, Jesus quis ensinar também que nem os fariseus nem os publicanos e meretrizes representavam o grupo ideal. Os fariseus, porque diziam e não faziam (Mt 23:3). E palavras belas e piedosas não são substituto para boas ações. Os publicanos e meretrizes também não representavam o filho ideal, pois eram materialistas e mundanos, embora suas ações fossem, às vezes, mais piedosas do que as de muitos seguidores de Jesus. O filho ideal é aquele cuja profissão de fé é coerente com a prática. É o que diz e faz. É esse que traz alegria completa ao Pai.
Mas, é importante frisar que no reino de Deus encontraremos fariseus como Nicodemos, prostitutas como Raabe, e publicanos como Zaqueu. Todos convertidos e salvos pela fé em Jesus.
Quanto a mim, porém, quase me resvalaram os pés; pouco faltou para que se desviassem os meus passos. Salmo 73:2
Peter Marshall, famoso pastor presbiteriano escocês, falecido em 1949, conta que, quando jovem, passou um verão trabalhando em Bamburgh, uma cidadezinha da Inglaterra. Numa noite escura e sem estrelas, ao voltar de uma aldeia vizinha, ele se perdeu em meio aos pântanos, ao procurar um atalho. “Sabia haver uma jazida de calcáreo funda e abandonada perto de Glororum Road, mas achava que podia evitar o lugar perigoso.
“Repentinamente ouviu alguém chamar: ‘Peter!’ Havia urgência na voz. Parou para responder: ‘Sim, quem é? O que quer?’
“Durante um segundo esperou a resposta, mas só o som do vento lhe respondia. O pântano parecia deserto. Julgando que se tivesse enganado, andou mais alguns passos. Então ouviu com mais urgência ainda: ‘Peter!’
“Parou imediatamente, imóvel, tentando vislumbrar alguma coisa naquela escuridão impenetrável; contudo, repentinamente, tropeçou e caiu de joelhos. Estendendo a mão para se levantar, não encontrou nada. Investigou cuidadosamente, passando a mão em semicírculo ao redor de si, e descobriu que estava bem na beira da pedreira abandonada. Mais um passo, e cairia no abismo, voando para a morte certa.”
Peter Marshall afirma que “nunca houve em sua mente dúvida quanto à origem daquela Voz. Sentiu que Deus deveria ter um grande alvo para sua vida, para intervir assim tão claramente” (Para Todo o Sempre, p. 24, 25).
O salmista Asafe conta, no Salmo 73, que correu um risco semelhante em sua vida espiritual, ao ver a prosperidade dos ímpios. Ele esteve à beira da incredulidade, pouco faltando “para que se desviassem os seus passos”. E como é que Asafe escapou da tragédia? A resposta está no verso 17: “Até que entrei no santuário de Deus”. Ali ele teve um vislumbre da final destruição dos maus. Percebeu, uma vez mais, que os problemas da vida só podem ser solucionados através da comunhão com Deus.
É possível que você, também, já tenha se perdido em meio aos pântanos desta vida e chegado à beira do abismo. Talvez ainda sinta, de vez em quando, o desejo de “jogar tudo para o alto” e “sumir do mapa”.
Não deixe seus pés resvalarem. Siga o exemplo de Asafe. Entre no santuário de Deus e ouça-Lhe a voz, chamando-o pelo nome. Ele tem grandes planos para você.
Nem olhos viram, nem ouvidos ouviram, nem jamais penetrou em coração humano o que Deus tem preparado para aqueles que O amam. 1 Coríntios 2:9
Os saduceus não acreditavam na ressurreição, e um dia, tentaram armar uma cilada para Jesus, apresentando-lhe o caso absurdo de uma mulher que teria desposado sete irmãos (ver Mt 22:23-33). Eles já haviam silenciado os fariseus com esse argumento, e pensavam que poderiam repetir a façanha com Jesus. Seu propósito era demonstrar que a ressurreição era uma ideia ridícula, pois a qual dos sete maridos pertenceria ela quando todos ressuscitassem?
Para os fariseus o problema não tinha solução. Mas Jesus não Se deixou intimidar e respondeu aos intelectuais da época que eles não conheciam as Escrituras, pois estas apresentam relatos de ressurreições (1Rs 17:20-23; 2Rs 4:34-37; 13:20, 21), nem o poder de Deus, que pode resolver todas as situações, por mais complicadas que sejam.
Os saduceus erravam ao imaginar o Céu como uma continuação melhorada da vida na Terra. Os homens geralmente pensam assim, pois não têm ideia do que Deus está preparando para aqueles que O amam. Os índios peles-vermelhas, que eram caçadores por natureza, imaginavam o Céu como um lugar de caça abundante. Os vikings, que eram um povo guerreiro, pensavam no Valhalla (a morada dos heróis mortos), onde lutariam o dia todo e beberiam vinho no oco do crânio de seus inimigos. Os muçulmanos, que viviam originalmente no deserto, onde não havia sensualismo, ainda hoje concebem o Céu como uma espécie de harém, onde todos os desejos sexuais serão satisfeitos. Por outro lado, muitos cristãos imaginam o Céu como um lugar tedioso, em que os remidos passarão a eternidade sentados numa nuvem, tocando harpa.
Nada mais distante da realidade futura. Aqueles que têm ou tiveram um casamento feliz, neste mundo, poderão ficar frustrados ao pensar que no Céu não haverá relacionamento conjugal, mas seremos todos “como anjos”. Outros podem achar que se não houver sexo, não terá graça.
Entretanto, como diz Ellen White, não “devemos medir as condições da vida futura pelas condições desta vida” (Mensagens Escolhidas, v. 1, p. 173).
Pela fé, podemos ter a certeza de que Deus está preparando para aqueles que O amam um tipo de relacionamento infinitamente superior ao do mais feliz dos casamentos. Porque o Céu é um lugar onde a felicidade é total. E permanente.
Toda a autoridade Me foi dada no céu e na Terra. Mateus 28:18
Há algumas décadas o mundo se horrorizou diante das atrocidades cometidas por Adolf Hitler. Idi Amin massacrou cerca de 300 mil ugandenses. O rei Bokassa, à semelhança de Herodes, mandou matar crianças. Pol Pot, Baby Doc, Ferdinand Marcus, Pinochet são outros nomes bem conhecidos, mostrando que a tirania continua viva e ativa, fazendo manchetes e vítimas.
Esses exemplos mostram que os regimes absolutistas não são os melhores, pois concentram demasiado poder nas mãos de um só homem. E se o poder por si só já corrompe, não é difícil imaginar o que acontece quando um indivíduo já corrupto tem poder absoluto.
Entretanto, é preciso lembrar que nem todos os tiranos estão assentados no trono de uma nação. Muitos exercem sua tirania em escalões inferiores: em nível de estado, de município, na presidência de empresas, na chefia de seções, no próprio lar, e onde quer que possam exercer seu autoritarismo, praticar arbitrariedades e oprimir os que se acham sob seu comando.
Certa vez, Ellen White enviou dura mensagem ao presidente da Associação Geral, o pastor A. G. Daniells, dizendo-lhe que ele possuía um espírito dominador sobre os irmãos, em questões administrativas, não lhes dando liberdade de pensamento e expressão a que tinham direito. O Pastor Daniells, após avaliar e refletir sobre sua conduta, reconheceu e confessou o fato diante de Deus e passou a vigiar-se constantemente contra todo e qualquer espírito dominador.
Conta-se que um irlandês foi promovido a chefe de seção de uma fábrica. Na manhã seguinte, a primeira coisa que fez foi reunir os funcionários sob seu comando. Então, chamou um deles: “Timóteo, venha cá!” Quando o homem se aproximou, o novo chefe lhe disse: “Timóteo, você está despedido! Não que eu tenha alguma coisa contra você, mas isto é para mostrar que eu agora tenho autoridade.”
A autoridade motivada pelo desejo de poder conduz à tirania, e submete, pela força, os que lhe estão sujeitos. Mas a autoridade cristã deriva do amor, não do poder. Jesus disse: “Toda a autoridade Me foi dada no céu e na Terra” (Mt 28:18). E essa autoridade Ele a exerce com amor. Nosso modelo de liderança, portanto, é Cristo. É nEle que devem se espelhar os líderes, sejam eles presidentes, governadores, diretores, chefes ou pais.