11 de março Quinta

O evangelho da segunda chance

E, levantando-se, foi para seu pai. Vinha ele ainda longe, quando seu pai o avistou, e, compadecido dele, correndo, o abraçou, e beijou. Lucas 15:20

Um dia, ao ultrapassar um caminhão, li o que estava escrito no parachoque traseiro: “Na estrada da vida não há retorno.”

Uma verdade nua e crua. Muitos gostariam que houvesse retorno. Gostariam de dar marcha-à-ré na roda do tempo, para poderem evitar os erros cometidos no passado, aproveitar oportunidades perdidas, evitar negócios malfeitos, relacionamentos impróprios e tantas outras coisas. Retorno, na estrada da vida, não existe. Mas pode haver uma segunda saída, se você perdeu a primeira.

A Bíblia conta a história de vários personagens que tiveram uma segunda oportunidade na vida. Uma dessas histórias é a do filho pródigo – uma história sublime e maravilhosa, porque deu ao mundo uma nova concepção do inigualável amor de Deus pela humanidade perdida. É um evangelho dentro do evangelho.

E que evangelho é esse? O que foi que o filho pródigo recebeu quando deixou à terra longínqua, onde havia desperdiçado seus bens, e voltou para a casa do pai? Um abraço de boas-vindas! O pai, que estava de plantão, olhando o horizonte, esperançoso de que o filho voltasse, viu, nesse dia, uma figura andrajosa ao longe. Seria o filho esperado?

De repente, o pai o reconheceu. Correu ao seu encontro e lhe perguntou: “Mas onde é que você andou? O que você fez com todo aquele dinheiro que lhe dei? E que cheiro de porco é esse? Filho, faça o seguinte: Vá para casa, tome um bom banho, ensaboe-se bem, ponha umas roupas limpas, e daí a gente conversa.”

Foi isso que o pai fez? Não! Lançou-se-lhe ao pescoço e o beijou. Além disso, o filho recebeu perdão total por tudo que havia feito de errado. Foi restaurado à sua condição de legítimo membro da família. E o mais importante: recebeu uma segunda oportunidade para endireitar a vida.

Aqui está o coração do evangelho. Ao constatar o fracasso humano e as trágicas consequências do pecado, Deus provê uma segunda chance para que homens e mulheres possam ter êxito. Esta é a mensagem central da parábola do filho pródigo. Nós servimos a um Deus que nos ama tanto, que apesar dos nossos fracassos, está disposto a nos dar uma segunda e, às vezes, terceira, quarta ou quinta oportunidades de reencontrar o caminho que conduz à vida.

O evangelho da segunda chance é um amoroso convite de Deus para voltarmos à casa paterna.


12 de março Sexta

O dilúvio vem aí

Livra-te, salva a tua vida; não olhes para trás, nem pares em toda a campina; foge para o monte, para que não pereças. Gênesis 19:17

A represa de Saint Francis foi construída de 1924 a 1926, a 64 quilômetros de Los Angeles, próximo à cidade de Santa Clarita. A barragem media 55 metros de altura e 183 metros de largura, e era considerada uma obra-prima da engenharia, mas tinha uma falha da qual ninguém suspeitara: havia sido construída com um tipo de rocha permeável pela água. Em apenas dois anos a água, silenciosamente, atuou sobre a estrutura das pedras até amolecê-las.

Nesses dois anos, várias rachaduras e vazamentos haviam aparecido, mas o engenheiro responsável, William Mulholland, as considerou normais para uma represa de concreto daquele tamanho. No dia 12 de março de 1928 o inspetor da represa descobriu novas fendas e vazamentos e avisou outra vez Mulholland, o qual novamente as considerou normais.

Naquele mesmo dia, faltando apenas três minutos para a meia-noite, a represa se rompeu com um estrondo semelhante a um terremoto, e uma muralha dágua de quarenta metros de altura se projetou sobre o desfiladeiro e então sobre o vale, onde residiam muitos fazendeiros.

Um vigia viu a catástrofe e avisou a polícia, a qual em meio às trevas da noite, procurou avisar os que não possuíam telefone. Além das fazendas, havia muitos acampamentos temporários, de mexicanos, que não falavam inglês. Então o intérprete adiantou-se para receber a mensagem. O oficial bradou: “Fujam para os montes! Aí vem uma inundação!”

Mas o intérprete, que se orgulhava de sua lógica e bom-humor, olhou para o céu, onde brilhavam as estrelas e riu-se dizendo: “Grandes tolos, hoje não vai chover!” E voltaram todos para os seus leitos.

Quarenta minutos depois, uma onda gigantesca varreu o acampamento daqueles infelizes, arrastando-os até o mar. Cerca de 600 pessoas morreram.

O mundo apresenta várias rachaduras, anunciando a catástrofe iminente. Tão certo como o mundo antigo pereceu sob as águas do Dilúvio, o atual está reservado para um dilúvio de fogo, “no qual os céus passarão com estrepitoso estrondo, e os elementos se desfarão abrasados” (2Pe 3:10).

O povo de Deus, porém, deve ser sábio e prudente para atender aos sinais do fim e abrigar-se na Rocha da Salvação, que é Cristo Jesus.


13 de março Sábado

O sábado – deleite ou fardo?

Se desviares o pé de profanar o sábado e de cuidar dos teus próprios interesses no Meu santo dia; se chamares ao sábado deleitoso e santo dia do Senhor, digno de honra, e o honrares não seguindo os teus caminhos, não pretendendo fazer a tua própria vontade, nem falando palavras vãs, então, te deleitarás no Senhor. Isaías 58:13, 14

A guarda do sábado é o maior problema que os adventistas enfrentam no mundo. E as dificuldades surgem principalmente em três áreas: serviço militar, estudos e trabalho. Mas há também as pressões e tentações para esportes, música, leitura e lazer indevidos nesse dia.

Entretanto, Deus não instituiu o sábado para ser um fardo para o ser humano. Ao contrário, o sábado deveria ser um dia útil e valioso para a humanidade. E realmente seria, se todos o observassem, não de modo legalista, mas como dia de repouso espiritual e restauração, como uma oportunidade de reflexão e de comunhão pessoal com o Criador.

No entanto, sabem quem foi que rejeitou e finalmente crucificou a Jesus? Foram pessoas que observavam o sábado com todo o rigor, de pôr-do-Sol a pôr-do-Sol! Saduceus, escribas, fariseus, sacerdotes e outros guardadores do sábado rejeitaram e entregaram o Senhor do sábado para ser crucificado pelas mãos dos romanos, já que, legalmente, os judeus não podiam fazer isso.

Esse fato nos mostra que a guarda do sábado não nos coloca automaticamente em uma relação espiritual e amorosa com o Criador. Porque o sábado, em si mesmo, não tem mais valor do que o domingo ou qualquer outro dia da semana, se não for observado como uma resposta de amor a Jesus, O qual disse: “Se Me amais, guardareis os Meus mandamentos” (Jo 14:15).

Guardar o sábado, ou qualquer outro mandamento, sem ter amor por Aquele que deu a vida para nos salvar, não tem valor algum. É guardar um símbolo vazio, como fizeram os legalistas do tempo de Jesus. Aceitavam o sábado, mas rejeitavam o Senhor do sábado.

Digamos que você perca um vestibular ou uma oportunidade de emprego por causa do sábado, e fique amargurado por causa disso, dizendo: “Ah, como é difícil ser adventista do sétimo dia! Quantas oportunidades já perdi por causa do sábado!” Se tiver essa atitude, é melhor fazer o vestibular ou trabalhar no sábado, porque você já transgrediu o espírito do sábado. Deus quer que esse dia seja uma bênção, e não uma maldição. Que seja um dia deleitoso, e não de sofrimento. Por isso é essencial que o observemos por amor, e não por obrigação.


14 de março Domingo

Memória curta

Cedo, porém, se esqueceram das Suas obras e não Lhe aguardaram os desígnios. Salmo 106:13

A mídia tem afirmado, com insistência, que a memória coletiva do brasileiro é curta, e as pessoas se esquecem das coisas muito depressa. Um exemplo é o caso do Mensalão, ocorrido em 2005, e que muitos já não se lembram bem. Isso para não falar de outros escândalos, como o dos “anões” do orçamento federal, o escândalo da mandioca, os dólares na cueca, e outros, já relegados ao esquecimento.

O problema da memória curta não é peculiaridade dos brasileiros. A imprensa em Portugal usa o mesmo termo para qualificar muitos dos seus cidadãos. Esta é, na verdade, uma característica da humanidade, cujos registros remontam aos tempos antigos.

Vejam, por exemplo, o caso do copeiro-chefe de Faraó, que teve um sonho, na prisão, e José, após dar a interpretação correta, lhe pediu: “Porém lembra-te de mim, quando tudo te correr bem; e rogo-te que sejas bondoso para comigo, e faças menção de mim a Faraó, e me faças sair desta casa” (Gn 40:14).

Mas tão logo o copeiro foi reintegrado ao cargo, esqueceu-se completamente de José. Só se lembrou dele dois anos depois, quando o próprio Faraó teve um sonho e ficou perturbado.

O povo de Israel foi libertado da escravidão egípcia pelo poder de Deus. Vários milagres foram operados, como a passagem em seco pelo mar Vermelho, a água que saiu da rocha, o maná, a coluna de nuvem durante o dia e a coluna de fogo à noite. No entanto, enquanto Moisés se demorava no monte Sinai, recebendo as tábuas da lei e outras instruções, Deus lhe disse após quarenta dias: “Vai, desce; porque o teu povo, que fizeste sair do Egito, se corrompeu e depressa se desviou do caminho que lhe havia Eu ordenado” (Êx 32:7, 8).

Memória curta. Depressa se esqueceram das maravilhas operadas por Deus. São inúmeras as referências bíblicas que narram o mesmo fato nas seguintes palavras: “Os filhos de Israel fizeram o que era mau perante o Senhor e se esqueceram do Senhor, seu Deus” (Jz 3:7). “Porém esqueceram-se do Senhor, seu Deus” (1Sm 12:9). “Porquanto te esqueceste do Deus da tua salvação e não te lembraste da Rocha da tua fortaleza” (Is 17:10). “Porque Israel se esqueceu do seu Criador e edificou palácios” (Os 8:14). Por isso são igualmente abundantes as admoestações: “Lembra-te” e “não te esqueças”.

Você também tem memória curta? Pois lembre-se de não esquecer de nem um só dos benefícios divinos.


15 de março Segunda

Ouro no cofre

Amo os Teus mandamentos mais do que o ouro, mais do que o ouro refinado. Salmo 119:127

Certa vez, um grupo de índios apaches capturou um cofre do exército americano. O cofre pesava 200 quilos e tinha um segredo – uma combinação de números na fechadura.
Os índios haviam observado o cofre sendo transportado de um posto do exército a outro, e tinham certeza de que havia ouro dentro dele. Mas como abri-lo?

Primeiramente golpearam a fechadura com pedras, esperando que de tanto bater, ela se abrisse. Como isso não adiantou, eles atacaram a porta de aço com suas machadinhas. Depois de destruírem as machadinhas nessa tentativa, eles decidiram testar o cofre no fogo. Acenderam uma fogueira e assaram o cofre durante horas a fio. Mas não conseguiram obter o que queriam, pois o cofre apenas esquentou, mas não se abriu.

Daí os índios arrastaram o cofre pela encosta de uma montanha, e lá de cima o empurraram por um penhasco, esperando que, ao cair pesadamente sobre as rochas lá embaixo, ele se abrisse como uma melancia. Nada. Só as rodinhas do cofre se quebraram e caíram. A seguir, eles apelaram para a tecnologia do homem branco, tentando explodi-lo com pólvora. Mas o cofre resistiu.

Então resolveram deixá-lo de molho dentro do rio, para ver se ele amolecia. Mas uma semana depois, o cofre continuava duro como sempre.

Quando a paz voltou a reinar na região, um ou dois anos mais tarde, o governo enviou uma tropa armada para resgatar o cofre. E eles o encontraram no fundo de um riacho, com o topo para fora dágua, e rodeado de pedaços de troncos. Foi trazido de volta para o forte, e ao ser aberto, ali estavam intactos, 7.000 dólares em moedas de ouro. No século 19 isto era muito dinheiro.

O verdadeiro caráter cristão se assemelha a esse cofre indestrutível. Você pode jogar um indivíduo de caráter como Daniel, numa cova de leões, ou numa prisão, como Paulo, Silas ou José, e eles sairão de lá com o seu tesouro intacto.

José tinha apenas 17 anos e era um moço cheio de energia e sonhos, quando seus irmãos o venderam como escravo para o Egito. No caminho, passaram perto das tendas de seu pai. José tinha tudo para se desesperar. Mas “sua alma fremiu ante a elevada resolução de mostrar-se fiel a Deus” (Patriarcas e Profetas, p. 214).

Tal e qual esse velho cofre, o caráter de José resistiu a todas as provas. E Deus o recompensou, alçando-o da prisão para o palácio de Faraó.


16 de março Terça

Tropeçando em palavra

Porque todos tropeçamos em muitas coisas. Se alguém não tropeça no falar é perfeito varão, capaz de refrear também todo o corpo. Tiago 3:2

O que significa “não tropeçar no falar”? Estaria o apóstolo se referindo às pessoas que pronunciam bem as palavras, sem cometer qualquer erro de dicção, como alguns repórteres do noticiário da televisão? Teria ele em mente aqueles que têm perfeito domínio da língua materna, e não cometem erros de concordância ou regência verbal? Os que não dizem palavrões nem usam gíria? Ou será que o texto tem a ver com palavras ríspidas, ofensivas, dirigidas a outrem?

Ora, a palavra é o nosso principal veículo de comunicação interpessoal e tem o poder de influir sobre o nosso estado de ânimo, interferir em nossas emoções e provocar reações físicas. Daí por que as Escrituras dão tanta importância às palavras. Vejamos alguns exemplos:

“A resposta branda desvia o furor, mas a palavra dura suscita a ira” (Pv 15:1). “A morte e a vida estão no poder da língua” (Pv 18:21). “Tens visto um homem precipitado nas suas palavras? Maior esperança há para o insensato do que para ele” (Pv 29:20).

Tanto os salmistas quanto os profetas suplicaram ao Senhor que pusesse um “guarda” à sua boca e vigiasse “a porta” dos seus lábios (Sl 141:3) para ajudá-los a “não pecar com a língua” (Sl 39:1).

Ao receber o chamado do Senhor, Isaías se lamentou por ser um “homem de lábios impuros”, que habitava “no meio de um povo de impuros lábios” (Is 6:5). Até mesmo Moisés, o homem mais manso que havia sobre a terra, um dia perdeu a paciência com o povo de Israel, em Meribá, e “falou irrefletidamente” (Sl 106:33).

O próprio Cristo encareceu o valor das palavras, ao advertir: “Digo-vos que de toda palavra frívola que proferirem os homens, dela darão conta no Dia do Juízo; porque, pelas tuas palavras, serás justificado e, pelas tuas palavras, serás condenado” (Mt 12:36, 37).

Tomando por base tudo o que os autores da Bíblia falaram, conclui-se que a afirmação do apóstolo Tiago, com certeza, não tem por objetivo enaltecer o uso correto do vernáculo, embora isto seja louvável. Ele está falando dos pecados da língua e do dever de refreá-la.

E como se consegue isso? Jesus disse que “a boca fala do que está cheio o coração” (Lc 6:45). Logo, a primeira coisa que um homem deve fazer é entregar o coração a Deus, pois o controle da língua só será possível quando Cristo controlar o coração.


17 de março Quarta

Tudo no mesmo dia

Disse o Senhor a Satanás: Eis que tudo quanto ele tem está em teu poder; somente contra ele não estendas a mão. Jó 1:12

O patriarca Jó é descrito em seu livro como o maior de todos os homens do Oriente, sendo possuidor de sete mil ovelhas, três mil camelos, quinhentas juntas de bois, quinhentas jumentas, e um enorme contingente de servos e servas. Além disso, era pai de sete filhos e três filhas.

Entretanto, a mais importante característica de Jó é dada no verso 1, e proclamada pelo próprio Deus: “Homem íntegro e reto, temente a Deus e que se desvia do mal.” Essa avaliação é vital para a compreensão do drama que se seguiu. Quão digno de confiança era Jó? Seria justificável a absoluta confiança que Deus tinha nele?

Em um concílio celestial Satanás pôs em dúvida os motivos dessa lealdade, insinuando que Deus havia comprado a fidelidade de Jó com bênçãos: “A obra de suas mãos abençoaste, e os seus bens se multiplicaram na terra”(1:10). E então o maligno lançou um desafio: “Estende, porém, a mão, e toca-lhe em tudo quanto tem, e verás se não blasfema contra Ti na Tua face” (1:11).

Tal desafio exigia uma completa refutação. Então, para provar a todos os habitantes do Universo que Satanás estava errado, Deus consentiu que uma tremenda injustiça fosse cometida contra um dos Seus santos: “Eis que tudo quanto ele tem está em teu poder; somente contra ele não estendas a mão.”

De repente a vida abundante, calma e tranquila de Jó sofreu vários golpes ao mesmo tempo, pois as provações de Satanás são geralmente simultâneas, para, se possível, derrubar de modo irremediável um filho de Deus.

E assim, no mesmo dia, Jó perdeu as jumentas, os bois, camelos, servos, pastores, e o pior de tudo – os dez filhos. Ele agora não tinha mais nada. E como não sabia que estava no meio de um fogo cruzado entre Deus e Satanás, atribuiu resignadamente seus males a Deus, dizendo: “O Senhor o deu e o Senhor o tomou; bendito seja o nome do Senhor!” (v. 21).

Muitos santos de Deus, com a alma cheia de dor causada por perdas, têm exclamado como Jó: “O Senhor o deu e o Senhor o tomou”, mal sabendo que esta é apenas uma meia-verdade, pois o Senhor é quem dá, mas Satanás quem tira.

Jó sobreviveu a este primeiro turno, mantendo intacta sua fé em Deus. Ele é um exemplo de lealdade para todos nós. E então veio o segundo teste, ainda mais cruel.


18 de março Quinta

O segundo teste

Disse o Senhor a Satanás: Eis que ele está em teu poder; mas poupa-lhe a vida. Jó 2:6

No segundo concílio celestial Satanás não parece impressionado com a fidelidade de Jó, após ter perdido tudo, e diz com desprezo a Deus:

– Ora, isso não é nada! Um homem aguenta qualquer coisa para salvar a vida. Faze-o sofrer um pouco e blasfemará contra Ti na Tua face!

Novamente Deus permitiu que Satanás afligisse Jó ainda mais, com a ressalva de não lhe tirar a vida.

Então Satanás saiu da presença de Deus decidido a causar tanto sofrimento a Jó a ponto de este desejar a morte. Feriu-o “de tumores malignos, desde a planta do pé até ao alto da cabeça” (2:7).

Para garantir sua vitória, Satanás usou também algumas pessoas. Os amigos de Jó, em vez de lhe trazerem conforto, procuraram levá-lo a crer que ele era o culpado de tudo. Sua esposa, que deveria ser a primeira a dar-lhe apoio, aconselhou-o a amaldiçoar a Deus e morrer.

E se Jó, num momento de desespero e fraqueza, amaldiçoasse a Deus, Satanás se proclamaria vitorioso. Então Deus teria de admitir, perante todos os habitantes do Universo, que se enganara a respeito de Jó. O que pensariam eles? Ficariam boquiabertos e diriam: “O Grande Soberano do Universo Se enganou! O Criador cometeu um erro de avaliação! E se isto aconteceu uma vez, não poderia acontecer mais vezes?”

Veja em que situação ficaria a presciência divina. Se Jó falhasse, Deus também falharia! Nós temos duas opções aqui: se acreditamos que Deus não sabia qual seria o resultado desse desafio, teremos de admitir que Ele cometeu uma verdadeira loucura, ao apostar Seu caráter e reputação no comportamento de um homem. A segunda opção é a de acreditar que Deus sabia o resultado, pois Ele conhece o fim desde o princípio. Nesse caso, Ele não Se arriscou, mas teremos de concluir que Ele conhecia Jó tão bem que foi capaz de prever qual seria sua reação em meio ao sofrimento.

Eu fico com a segunda opção. Deus nos conhece perfeitamente, conforme nos diz Sua palavra: “Antes que Eu te formasse no ventre materno, Eu te conheci” (Jr 1:5). Deus “conhece os segredos dos corações” (Sl 44:21). Ele nos conhece pelo nome (Êx 33:12). “O Senhor conhece os pensamentos do homem” (Sl 94:11).

Por outro lado, a experiência de Jó mostra que Satanás comete erros de avaliação, pois “não pode ler os nossos pensamentos” (Mensagens aos Jovens, p. 328).

Deus nos deu o livro de Jó para advertir-nos quanto ao poder do maligno. E especialmente para que saibamos que, quando confiamos em Deus e nos entregamos sem reservas a Ele, podemos ser vencedores.


19 de março Sexta

Conversão instantânea

Mais tarde, Jesus o encontrou no templo e lhe disse: Olha que já estás curado; não peques mais, para que não te suceda coisa pior. João 5:14

Um homem começou a frequentar reuniões religiosas e disse ao pastor que gostaria de se tornar cristão.

– Muito bem. E qual é o problema?

O homem ficou agitado, e finalmente confessou:

– O problema é que saquei mais dinheiro do que podia – uma maneira polida de dizer que havia roubado.

– Você sacou o dinheiro do seu patrão?

– Sim.

– Quanto?

– Não sei. Nunca fiz as contas.

– Bem, você acha que roubou em torno de cinco mil reais no ano passado?

– É, creio que é mais ou menos isso.

– Então preste atenção: eu não acredito em mudança instantânea. Não roube mais de três mil reais este ano, e no próximo ano não mais de dois mil. No decorrer dos próximos cinco anos vá diminuindo o desfalque até não roubar mais nada. Se o seu patrão o pegar, diga-lhe que você está se convertendo gradualmente.

Vejamos outro exemplo: um homem assistiu às reuniões e admitiu que ficava bêbado e batia na esposa uma vez por semana. Ele desejava se converter. O pregador então lhe deu o seguinte conselho: “Não tenha pressa. Acredito que as coisas devam ser feitas aos poucos. A partir de agora, só fique bêbado e bata na esposa uma vez por mês.” Não seria animador para sua esposa ser nocauteada apenas uma vez por mês, ou doze vezes por ano?

Isso não existe. Essas ilustrações são fantasiosas. A Bíblia diz: “Vai e não peques mais” (Jo 8:11). A mudança tem de ser imediata. A conversão é instantânea e a mudança de vida também. Um homem pode ser criminoso num momento e santo no outro. É verdade que o crescimento espiritual é gradativo, assim como o crescimento físico. A santificação é obra de uma vida inteira. Mas a pessoa passa da morte para a vida tão rápido quanto sua decisão de seguir a Cristo. Quando Zaqueu se converteu, Cristo declarou: “Hoje, houve salvação nesta casa” (Lc 19:9).

Mude já.


20 de março Sábado

É preciso provar para saber

Oh! Provai e vede que o Senhor é bom. Salmo 34:8

Eugene Lincoln conta que em 1820 uma multidão se aglomerou com curiosidade e expectativa ao redor do Palácio da Justiça em Salém, Nova Jersey. Havia ali uma feira, e as pessoas se acotovelavam e empurravam cheias de tensão, pois iriam testemunhar um ato de coragem.

Logo um homem apareceu na escadaria, segurando em uma das mãos um belo fruto vermelho que havia feito parte da decoração da feira. Pessoas no meio da multidão cochichavam com agitação, enquanto o homem erguia o fruto para que todos o vissem.

– Será que ele realmente vai comê-lo? – indagavam alguns com incredulidade.

O homem era o coronel Robert Gibbon Johnson, e o fruto era um tomate, chamado naquele tempo de “maçã do amor” e considerado extremamente venenoso. As maçãs do amor serviam para galanteios ou decorações. Os rapazes as presenteavam às namoradas, as quais usavam depois as sementes em bolsinhas ao redor do pescoço. O fruto era admirado por sua beleza, mas ninguém se atrevia a comê-lo.

A multidão suspirou horrorizada quando o coronel colocou cuidadosamente o tomate na boca e o comeu com visível satisfação. Todos esperaram com a respiração suspensa que ele logo se contorcesse em agonia e morresse ali mesmo, na escadaria do palácio.

Mas nada aconteceu. Ele começou a comer um segundo tomate, explicando, enquanto comia, que os tomates eram uma delícia, tanto crus como cozidos. Elogiou a cor e textura deles. Então convidou os presentes a participar de sua refeição, e alguns dos mais corajosos foram à frente. Logo eles também confirmaram que os tomates eram saborosos.

A notícia se espalhou rapidamente e em pouco tempo os tomates passaram a fazer parte do cardápio no mundo todo.

Se o coronel Johnson não tivesse comido aqueles primeiros tomates, é possível que as pessoas continuassem a admirá-los como “maçãs do amor”, se encolhendo de horror ante o pensamento de ingeri-los.

A vida cristã é muito semelhante. É possível passar a vida toda admirando o amoroso Jesus, sem saber realmente quão bom Ele é, enquanto não experimentarmos o Seu amor. Por isso, Davi conclamou a todos a provar e ver que o Senhor é bom.