11 de abril Domingo

O grande ausente

Ora, Tomé, um dos doze, chamado Dídimo, não estava com eles quando veio Jesus. João 20:24

Jesus havia sido crucificado na sexta-feira. O sábado havia passado e, no domingo, ao entardecer, dez discípulos se reuniram a portas fechadas no cenáculo – o mesmo aposento onde já haviam se reunido alguns dias antes para celebrar a última ceia.

Duas cadeiras estavam vazias. Uma delas pertencera a Judas. Por isso, ele não estava sendo esperado. Todos sabiam que ele, após trair o Mestre, levando-O à morte de cruz, não resistira ao desespero e sentimento de culpa e, retirando-se, foi se enforcar. Judas nunca mais viria às reuniões.

A outra cadeira vazia pertencia a Tomé, chamado Dídimo. Os demais apóstolos o esperavam, pois ele era um dos doze. Mas Tomé não compareceu. Onde estava ele e por que não viera? Teria ele alguma coisa mais importante para fazer? Teria assumido algum outro compromisso?

Ali estavam dez apóstolos, confusos, frustrados e temerosos quanto ao futuro. Mas Jesus veio e infundiu-lhes ânimo. Foi uma pena que Tomé, justamente o mais triste e amargurado de todos, não estivesse presente.

Ele não foi porque havia perdido a esperança. Acreditava firmemente que Jesus estava morto e que a causa pela qual havia lutado estava perdida para sempre. Ele achava que o encontro com seus colegas não lhe faria bem . Por isso, preferiu ficar em casa.

Mas Tomé estava redondamente enganado, pois a reunião, em vez de ser um lamento pela glória do passado, foi uma ocasião de regozijo. Foi maravilhosa, porque Jesus esteve presente. E Ele promete estar presente ainda hoje, “onde estiverem dois ou três reunidos” em Seu nome (Mt 18:20). Onde quer que haja corações sedentos da Sua presença, ali Ele também está.

“Disseram-lhe, então, os outros discípulos: Vimos o Senhor. Mas ele respondeu: Se eu não vir nas Suas mãos o sinal dos cravos, e ali não puser o dedo, e não puser a mão no Seu lado, de modo algum acreditarei” (Jo 20:25).

E o que é que esse incrédulo fez, oito dias depois? Compareceu a uma nova reunião com os discípulos! Ele duvidava, mas procurava a resposta para suas dúvidas. Desta vez ele viu Jesus, apalpou-O, e creu. “Disse-lhe Jesus: Porque Me viste, creste? Bem-aventurados os que não viram e creram” (Jo 20:29).

Consideremo-nos bem-aventurados, porque não O vimos, mas cremos.

E estejamos presentes nas reuniões em que Cristo está presente.


12 de abril Segunda

Tudo ou nada

Tudo quanto te vier à mão para fazer, faze-o conforme as tuas forças. Eclesiastes 9:10

O Dr. Bowditch, famoso fisiologista de Boston, descobriu, há anos, que no mundo natural há uma lei, à qual chamou de “lei do tudo ou nada”. As funções de todos os seres vivos, tanto de plantas como de animais, obedecem a este princípio: ao serem estimuladas a agir, elas respondem com o melhor de sua capacidade. Ou simplesmente não reagem.

Ele demonstrou que, quando a fibra de um músculo cardíaco é estimulada por um impulso nervoso suficiente para provocar uma reação, ela se contrai o máximo que pode. A contração não poderia ser melhor. Em todo o mundo natural, os seres vivos reagem sempre a um estímulo com o nível máximo de desempenho. Só há uma exceção: o ser humano. Somos o único organismo biológico que tende a fazer as coisas com o coração dividido.

Daí a necessidade do conselho divino: “Tudo quanto te vier à mão para fazer, faze-o conforme as tuas forças”. Os seres irracionais não precisam deste conselho, pois seguem o princípio. Mas o homem, que é o único ser dotado de livre-arbítrio, pode escolher transgredir a lei do “tudo ou nada”. Pode escolher fazer as coisas pela metade.

Assim, muitos não se entregam a Deus “com todas as forças”, porque há alguns “pecadinhos” que ainda tencionam cometer e algumas tentações das quais esperam ser vítimas logo que possível: um dinheirinho ganho rapidamente, sem muito esforço e... sem muita honestidade; uma mulher há anos desejada, sem sucesso; e tantos outros pecados acariciados que se acham em estado latente, aguardando apenas a oportunidade de consecução.

Por outro lado, o indivíduo de coração dividido – que a Bíblia chama de “morno” – não se entrega ao mundo com todas as forças porque não consegue abandonar de todo suas convicções religiosas. Em suma: não goza os prazeres deste mundo, devido ao seu vínculo com a igreja, mas também não desfruta as bênçãos da comunhão com Deus, devido ao vínculo com o mundo. E por isso não aproveitará nem este mundo nem o vindouro, já que ambos exigem dedicação integral.

Um piloto, se quiser decolar, precisa acelerar seu avião a toda velocidade. É tudo ou nada. Não pode sair capengando, indeciso. E nós também não podemos “acender uma vela para Deus e outra para o diabo.” Ou decolamos para o Céu, ou ficamos por aqui mesmo. Ou nos salvamos ou nos perdemos. Não há meio-termo. É tudo ou nada.


13 de abril Terça

Música divina

Instruí-vos e aconselhai-vos mutuamente em toda a sabedoria, louvando a Deus, com salmos, e hinos, e cânticos espirituais, com gratidão, em vosso coração. Colossenses 3:16

Tiago White estava, certa vez, presidindo uma sessão da Associação Geral. A reunião não estava indo bem, pois havia um clima de pessimismo e desânimo. Repentinamente, ele interrompeu a reunião e convidou Ellen White para um dueto. Quando eles terminaram a primeira estrofe, todos os delegados se uniram ao casal White para cantar o coro. Daí em diante houve um outro espírito na reunião.

Além do poder para reanimar espíritos abatidos, renovar forças e produzir tantos outros efeitos terapêuticos, a música sacra tem também um extraordinário poder de conversão. Um exemplo disto é a música do maior compositor sacro que já existiu: Johann Sebastian Bach.

Segundo o autor Philip Yancey, Bach se tornou o “compositor mais identificado com a igreja. O propósito de sua música era dar glória a Deus e recrear a mente”.

A Paixão de Nosso Senhor Segundo São Mateus é considerada a maior obra para coral que ele escreveu, mas não causou muito impacto em seus dias e deixou de ser apresentada por mais de 100 anos. Então, em 1829, Félix Mendelssohn recebeu uma cópia desse manuscrito e começou a preparar essa obra para ser apresentada. Antes de terminá-la, o jovem Mendelssohn, de apenas 20 anos, havia se convertido à fé em Cristo. Ele se converteu sem um único estudo bíblico! Sua conversão foi devida à música inspiradora de Bach.

O objetivo da música para Bach é, coincidentemente, o mesmo objetivo dos adventistas do sétimo dia: louvar e glorificar a Deus e edificar o ser humano. Ela é um meio pelo qual Deus pode comunicar-Se com o homem e revelar alguns aspectos de Sua natureza divina. Como tal, pode ser usada para promover a saúde física, mental e emocional do indivíduo.

Jesus “exprimia frequentemente o contentamento que Lhe ia no coração, cantando salmos e hinos celestiais. Muitas vezes ouviam os moradores de Nazaré Sua voz erguer-se em louvor e ações de graças a Deus. Entretinha em cânticos comunhão com o Céu; e quando os companheiros se queixavam da fadiga do trabalho, eram animados pela doce melodia de Seus lábios” (O Desejado de Todas as Nações, p. 73).

Cantemos mais, e com entusiasmo, os hinos celestiais, para dissipar o desânimo e as sombras que possam estar envolvendo nossa vida.


14 de abril Quarta

Passarinho solitário

Não durmo e sou como o passarinho solitário nos telhados. Salmo 102:7

Wolfgang Dircks morava em um apartamento alugado em Bonn, Alemanha. Em 1998, quando o banco deixou de descontar de sua conta o valor do aluguel, por falta de fundos, o dono entrou no apartamento para ver o que estava acontecendo.

Para sua surpresa e horror, ele encontrou apenas um esqueleto sobre uma cadeira, em frente à televisão. O aparelho de TV, embora quebrado, ainda estava ligado. Mais incrível ainda é que junto à cadeira estava um guia com a programação de TV para 5 de dezembro de 1993. Dircks provavelmente morrera naquele dia, e cinco anos depois, ninguém sentira sua falta!

Em Chicago, nas primeiras horas da manhã de seu último dia de vida, a Sra. Woodrum viu o porteiro do edifício onde morava trabalhando no apartamento em frente e o saudou com um cordial sorriso. Alguns segundos depois lançou-se do décimo andar daquele edifício, suicidando-se.

Sobre um móvel do seu apartamento a Sra. Woodrum havia deixado o seguinte bilhete: “Não posso mais tolerar esta terrível e enfadonha solidão. O telefone continua em silêncio. Não mais recebo cartas. Não tenho amigos.”

Episódios semelhantes têm acontecido em Sydney, Rio de Janeiro, Nova York, e em muitas outras cidades, grandes e pequenas. É com razão, portanto, que os especialistas classificam a solidão como sendo “a doença mais devastadora de nossa época”.

Davi enfrentou muitas vezes a dor da solidão no deserto, em cavernas e rochas, onde ia se refugiar para escapar de seus inimigos. Em sua solidão e abandono, o cantor de Israel exclamou: “Não há quem me reconheça, nenhum lugar de refúgio, ninguém que por mim se interesse” (Sl 142:4). “Volta-Te para mim e tem compaixão, porque estou sozinho e aflito” (Sl 25:16).

Solidão é falta de amor. A pessoa solitária ou não ama, ou não é amada, ou ambas as coisas. E o vazio infinito que todo ser humano possui na alma só pode ser preenchido por algo também infinito: o amor de Deus.

Felizmente, existe remédio: “Muitos estão sofrendo muito mais de males da alma do que de enfermidades do corpo, e não encontrarão alívio enquanto não forem a Cristo, o manancial da vida. Os queixumes de fadiga, solidão e descontentamento cessarão então” (Conselhos Sobre Saúde, p. 241).

Quando solitários e aflitos, vivendo as tristezas próprias das manhãs nubladas ou as angústias das tardes escuras, podemos confiar na promessa de Cristo: “Eis que estou convosco todos os dias” (Mt 28:20).

Derrame sua alma em oração e sinta a presença e o amor desse Amigo “mais chegado do que um irmão” (Pv 18:24).


15 de abril Quinta

Hábitos recebidos por herança

Porque ouvistes qual foi o meu proceder outrora no judaísmo, [...] sendo extremamente zeloso das tradições de meus pais. Gálatas 1:13, 14

Nos dias da Rússia imperial, o czar caminhava, uma tarde, pelos belos parques de seu palácio, quando viu uma sentinela montando guarda próximo a um canteiro de ervas daninhas. Surpreso por encontrar um guarda naquele lugar, ele perguntou:

– O que você está fazendo aí?

– Não sei exatamente – respondeu a sentinela. – Estou simplesmente obedecendo às ordens do capitão.

O czar então perguntou ao capitão:

– Por que você mantém uma sentinela junto àquele canteiro de tiriricas?

– Porque esse sempre foi o regulamento – respondeu o capitão. – Mas eu não sei por quê.

Após investigar a questão, o czar descobriu que ninguém na corte sabia. Recorreu, então, aos arquivos e descobriu que cem anos antes, Catarina, a Grande havia plantado ali uma roseira e designara uma sentinela para cuidar dela. A planta já havia morrido fazia muito tempo, mas os guardas continuavam a proteger algo que não sabiam o que era.

Episódio semelhante ocorreu nos tempos de Napoleão Bonaparte. Os ingleses estavam com medo que Napoleão organizasse uma esquadra, atravessasse o Canal da Mancha e invadisse a Inglaterra. Para evitar que isso acontecesse, o governo criou um sistema de alarme que consistia em manter um homem de vigia na costa sul da Inglaterra, tendo a sua disposição um enorme sino.

Se esse vigilante solitário visse navios franceses no horizonte, deveria tocar o sino o mais alto que pudesse, alertando os habitantes das vilas próximas, os quais também badalariam os sinos de suas igrejas. Quando outras vilas do litoral ouvissem esses sinos elas também se apressariam a tocar seus sinos. E, assim, o alarme se espalharia de vila em vila, fazendo soar a advertência e permitindo que o exército se preparasse para enfrentar os invasores.

O mais curioso de tudo é que o governo britânico continuou mantendo uma sentinela no mesmo lugar e com a mesma atribuição até 1947, ou seja, 126 anos após Napoleão ter morrido!

Talvez você também tenha hábitos e crenças que recebeu por herança e mantém por tradição. Procure descobrir como se originaram e verifique se eles continuam fazendo sentido hoje. Precisamos conhecer as razões de nossa fé, e estar “sempre preparados para responder a todo aquele que vos pedir razão da esperança que há em vós” (1Pe 3:15).


16 de abril Sexta

Beleza física não é tudo

Vendo os filhos de Deus que as filhas dos homens eram formosas, tomaram para si mulheres, as que, entre todas, mais lhes agradaram. Gênesis 6:2

A beleza física é o atributo pessoal mais altamente valorizado em nossa e em outras culturas. E este fator acompanha o ser humano do nascimento à morte. Por essa razão, muitas mães ficam um tanto deprimidas, na maternidade, ao verem o filho recém-nascido. Elas esperavam dar à luz um verdadeiro “bebê Johnson”, com cabelos loiros, encaracolados, grandes olhos azuis, faces rechonchudas e coradas, e sorridente, mostrando já quatro dentinhos.

Em vez disso, trouxeram-lhes um pedaço de gente todo avermelhado, desdentado, careca, e berrando a plenos pulmões. A aparência é, em geral, decepcionante nos recém-nascidos.
Moisés, entretanto, parece ter sido uma exceção à regra, pois a Bíblia declara três vezes que ele era um bebê formoso: “E a mulher concebeu e deu à luz um filho; e, vendo que era formoso, escondeu-o por três meses” (Êx 2:2; ver também At 7:20; Hb 11:23).

É claro que sua mãe, Joquebede, o teria amado fosse qual fosse sua condição, pois as mães, com frequência, devotam seu mais profundo amor a crianças fracas e doentias. Mas ela sentiu que as qualidades observadas no seu bebê eram um sinal de que Deus lhe estava reservando uma tarefa especial no futuro, e por isso decidiu salvá-lo, com risco da própria vida.

Em muitos casos, porém, quando a beleza física não esteve associada à beleza de caráter e à fé em Deus, ela contribuiu para a ruína de heróis da Bíblia, como aconteceu com Sansão. A beleza de Dalila, “que agradava aos seus olhos”, custou-lhe, literalmente, “os olhos da cara”. Davi, atraído pela beleza proibida da mulher de Urias, foi levado a cometer adultério e homicídio. Quando os filhos de Sete se uniram às filhas de Caim, atraídos unicamente por um rosto bonito e um corpo esbelto, o mundo antediluviano descambou para a corrupção generalizada que resultou no dilúvio.

Se você é bonito, não se orgulhe. Louve a Deus por isso, pois o mérito é dEle, não seu. Lúcifer orgulhou-se de sua formosura e caiu. Se não é bonito, lembre-se de que é dito que Cristo “não tinha aparência nem formosura; olhamo-Lo, mas nenhuma beleza havia que nos agradasse” (Is 53:2).

“Aos olhos do mundo, não possuía beleza para que O desejassem; e não obstante era o encarnado Deus, a luz do Céu na Terra” (O Desejado de Todas as Nações, p. 23).


17 de abril Sábado

O pior pecado

Quem és tu que julgas o servo alheio? Para o seu próprio senhor está em pé ou cai; mas estará em pé, porque o Senhor é poderoso para o suster. Romanos 14:4

Apesar de haver falta de juízes para julgar os volumosos processos que se amontoam nos fóruns, o número de pessoas com vocação para a magistratura, mesmo dentro da igreja parece ser muito grande. Com que facilidade se julga um irmão pelo que come, bebe, veste ou faz! E isto não é novo, pois quase dois mil anos atrás o apóstolo Paulo já perguntava: “Quem és tu que julgas o servo alheio?”

Boa pergunta. Quem és tu? Um padrão de conduta, cujo exemplo todos deveriam seguir? Então, pelo menos uma coisa te falta: não julgar os outros, especialmente considerando o verso anterior: “Quem come não despreze o que não come; e o que não come não julgue o que come, porque Deus o acolheu” (Rm 14:3). Outra tradução diz: “Pois Deus o aceitou” (NVI). A conclusão é óbvia: Se Deus o aceitou, por que você não o aceitaria?

Paulo não está falando somente de dieta, neste passo. Está falando também de atitudes. A dieta aqui é apenas uma ilustração. Poderia ser vestuário, lazer, esportes, etc. Mas ele fala de dieta porque este sempre foi o principal motivo de polêmica e divisão dentro da igreja. Por isso ele insiste, neste mesmo capítulo: “Porque o reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, e paz, e alegria no Espírito Santo” (Rm 14:17).

O que fica implícito naquele que julga é o seguinte: “Sou mais santo do que tu” (Is 65:5). E isto é arrogância. Julgar um irmão é o pior pecado, porque o juiz se coloca acima de Deus, o qual já o aceitou com todas as falhas e pecados que tem.

Nos primeiros cinco capítulos de Romanos, Paulo está tentando transmitir o fato de que somos todos pecadores e carentes da misericórdia de Deus (Rm 3:10, 12, 23). Consequentemente, ninguém tem moral para apontar o dedo para alguém.

Gosto do que Ellen White diz sobre este assunto: “Em questões de consciência, a alma deve ser deixada livre. Ninguém deve controlar o espírito de outro, julgar por outro, ou prescrever-lhe o dever. Deus dá a toda alma liberdade de pensar, e seguir suas próprias convicções. [...] No reino de Cristo não há nenhuma orgulhosa opressão, nenhuma obrigatoriedade de costumes” (O Desejado de Todas as Nações, p. 550, 551).

Creio que a mensageira do Senhor não poderia ter sido mais clara.


18 de abril Domingo

Estudar causa enfado?

Não há limite para fazer livros, e o muito estudar é enfado da carne. Eclesiastes 12:12

O passo mais importante para a popularização do livro e da cultura foi a invenção da imprensa. Até então os livros eram manuscritos, raros e caros. Ter livros e saber ler era privilégio de uma minoria elitista, alfabetizada, em uma sociedade de analfabetos.

Hoje a situação é outra. Não ter livros e não saber ler é uma condição estranha, minoritária, no seio de uma sociedade alfabetizada. A cultura não é mais privilégio de poucos, pois os livros estão aí, às pilhas, nas livrarias e bibliotecas, à disposição de quantos queiram manusear suas páginas e sorver seu conteúdo.

Cada ano são publicados milhões de livros, que são acrescentados a outros milhões já existentes no mundo. Numa existência inteira não conseguiríamos ler sequer seus títulos! Daí a importância de lermos apenas os melhores, e não tudo o que nos cair às mãos.

O sábio Salomão, que foi ávido leitor dos escritos de sua época, declarou: “Não há limite para fazer livros, e o muito estudar é enfado da carne.” Talvez Salomão tenha lido todos os livros que lhe caíram às mãos, inclusive a vasta literatura cananeia e a chamada “sabedoria dos egípcios”, que abrangia as áreas de astronomia, medicina, arquitetura, matemática, música, pintura, embalsamamento, e filosofia mística.

É provável que Salomão também tenha lido livros sobre as práticas idólatras desses povos, suas artes mágicas e as especulações filosóficas de escritores pagãos. Como resultado, grande parte do estudo ao qual Salomão se dedicou, em vez de trazer-lhe deleite intelectual, lhe trouxe enfado. Isto é o que acontece quando o que se lê não merece ser lido, ou quando o estudo se torna um fim em si mesmo. O estudo só traz real prazer quando é um meio para se alcançar um fim mais elevado.

Até mesmo o estudo da Bíblia pode se tornar enfadonho se o leitor não tiver como motivação maior o aprender “as sagradas letras, que podem tornar-te sábio para a salvação pela fé em Cristo Jesus” (2Tm 3:15), e procurar saber qual é a “boa, agradável e perfeita vontade de Deus” (Rm 12:2). Tendo estes objetivos em mente, não nos cansaremos jamais de estudá-la.

Hoje é o “Dia do Livro”, no Brasil. Mas para o cristão, todo dia deve ser o dia do Livro que nos pode tornar sábios para a salvação.


19 de abril Segunda

Contendas entre irmãos

Se possível, quanto depender de vós, tende paz com todos os homens. Romanos 12:18

Um jovem, recém-formado em teologia, foi chamado para trabalhar em um Campo, e para lá dirigiu-se a fim de iniciar o seu pastorado. Chegou à sede do distrito num domingo à tarde. No domingo à noite foi conhecer aquela que seria sua primeira igreja. Apresentou-se ao ancião, dizendo: “Eu sou o novo pastor!” “Ah, pois não! Então o senhor vai pregar hoje à noite.”

O pastor pregou seu primeiro sermão e, ao terminar, foi para a porta a fim de cumprimentar os irmãos. Mas apenas uns poucos saíram. Os demais ficaram lá dentro, divididos em dois ou três grupos.

Estranhando o fato, o pastor perguntou ao ancião: “O que está acontecendo? Por que o povo não sai?”

O ancião aproximou-se mais do pastor, e lhe disse em voz baixa: “O senhor está vendo aquele irmão ali, com um curativo na testa? Pois é, aquele é o chefe dos diáconos, e alguns dias atrás os jovens quiseram usar o salão de jovens da igreja para jogar pingue-pongue, mas ele não deixou. Os jovens, irritados, bateram nele, machucando-o. E agora a igreja está dividida, como o senhor vê. Eles estão aí, esperando que o senhor vá fazer a reconciliação.”

Que começo de ministério, não? Que recepção para um jovem ministro, cheio de ideais!

Nem todo pastor enfrenta o problema da contenda entre irmãos logo na primeira igreja. Mas, certamente, irá encontrá-lo no decorrer de sua carreira.

Recém-conversos, em geral, ficam decepcionados ao descobrir que na igreja de Deus também há controvérsias e discussões acaloradas, que eles julgavam fosse uma característica somente das pessoas mundanas, e que agora, ao pertencerem a uma comunidade cristã, amorosa, não veriam mais esse tipo de coisas.

Há igrejas onde existe permanente discórdia e tensão. Há irmãos que não conseguem viver em paz com os outros. Estão sempre brigando, o que é um mau sinal. Por outro lado, é muito sintomático que igrejas ou grupos passem anos a fio sem terem o menor desentendimento. Será que eles pararam de crescer ou pararam de pensar? Não é possível concordar em tudo, com todos, o tempo todo. Cada um tem suas opiniões sobre o regime alimentar, vestuário, usos e costumes, sobre as pessoas que devem ou não ocupar determinados cargos, e mil outras coisas.

As divergências são um indício de que a igreja pensa, cresce, tem vitalidade. A uniformidade passiva é um sinal de morte, de que ninguém se importa com nada.

Mas os cristãos devem aprender a divergir com amor, respeitando os pontos de vista alheios.


20 de abril Terça

Dependência de Deus

Andou Enoque com Deus e já não era, porque Deus o tomou para Si. Gênesis 5:24

Um marido, cansado de problemas familiares, desabafou para a esposa: “É incrível! Sempre temos um problema familiar pelo qual orar. Parece que isso não acaba nunca!” A esposa ponderou: “E o que você queria? Ser independente de Deus?”

A vida cristã é isto – dependência diária de Deus, tanto na paz como na tempestade.

Nos escritos inspirados encontramos revelações muito francas sobre os defeitos de grandes homens de Deus, como Abraão, Isaque, Jacó, Davi, Moisés e outros. Mas sobre Enoque não encontramos nenhuma referência desabonadora, embora, como ser humano, ele tivesse “intuição de sua própria fraqueza e imperfeição” (Patriarcas e Profetas, p. 85).

Um dos aspectos que se salientam na vida desse gigante da fé, o primeiro a ser trasladado para o Céu sem ver a morte, é o fato de que, em meio a uma geração perversa, “andou Enoque com Deus” (Gn 5:22, 24). E não foi por pouco tempo – ele andou com Deus durante trezentos anos! Estava tão próximo à Cidade Celestial, que um dia Deus lhe abriu as portas e o convidou a entrar.

Como é que Enoque atingiu essa grandeza espiritual? Ellen White responde: “O andar de Enoque com Deus não foi em arrebatamento de sentidos ou visão, mas em todos os deveres da vida diária. Não se tornou um eremita, excluindo-se inteiramente do mundo, pois que tinha uma obra a fazer para Deus no mundo. Na família e em suas relações com os homens, como esposo e como pai, como amigo, cidadão, foi ele um servo do Senhor, constante e inabalável [...] Enoque [...] passava muito tempo na solidão, entregando-se à meditação e oração” (ibid.).

A vida de Enoque é, sem dúvida, um exemplo para os crentes de todas as épocas. Nosso andar com Deus não deve ser alcançado através de experiências místicas ou afastamento da sociedade, “mas em todos os deveres da vida diária”. Em meio à correria desenfreada da vida moderna, precisamos encontrar tempo para ficar a sós com Deus, entregando-nos à meditação e oração e, então, voltar ao convívio social, refletindo a imagem divina obtida nesses momentos de comunhão.

Quem experimenta o novo nascimento, precisa crescer na graça e no conhecimento de Cristo, o que não ocorre da noite para o dia, mas é obra de uma vida inteira. Basta entregar-se diariamente à Fonte dessa transformação.