11 de maio Terça

Apenas um olhar

E a mulher de Ló olhou para trás e converteu-se numa estátua de sal. Gênesis 19:26

A vida transcorria serena e feliz em Sodoma, para aquela família de “adventistas”. Até o dia em que Ló, repentinamente, disse à esposa:

– Precisamos ir embora daqui, imediatamente!

– O quê!? Ir para onde? Tenho aqui todo o conforto, o supermercado fica aqui pertinho, a cabeleireira também. E, além disso, tenho minhas amigas, com as quais tomo chá às quatro horas da tarde. Vá você! Eu fico.

Ló insistiu, falando no que os anjos lhe haviam dito. A cidade seria destruída. Mas a mulher de Ló apontou para o céu azul, dizendo que não havia o menor sinal de tempestade. Depois apontou para os móveis da casa, e falou no conforto que gozavam.

– E você quer que eu abandone tudo isso, de repente, por causa do que dois desconhecidos disseram? Sabe lá se isso não é uma cilada para se apoderarem de nossa propriedade! Não, eu fico aqui com minhas filhas e genros.

Mas, apesar dos protestos da mulher, Ló finalmente conseguiu convencê-la a sair. É possível que os dois tivessem passado a noite toda discutindo, pois “ao amanhecer apertaram os anjos com Ló dizendo: Levanta-te, toma tua mulher e tuas duas filhas, que aqui se encontram, para que não pereças no castigo da cidade. Como, porém, se demorasse, pegaram-no os homens pela mão, a ele, a sua mulher e as duas filhas, sendo-lhe o Senhor misericordioso, e o tiraram, e o puseram fora da cidade” (Gn 19:15, 16).

Mas a certa altura, a mulher de Ló não aguentou, e olhou para trás, contrariando a categórica ordem de um dos anjos. Foi apenas um olhar, num segundo. Mas aquele olhar custou-lhe a vida.

Basta um olhar, numa fração de segundo, para arruinar uma vida inteira. Foi apenas um olhar que trouxe miséria e dor à vida de Davi. Do terraço de seu palácio ele viu uma mulher se banhando, e a esse olhar se seguiu adultério e homicídio. E depois o remorso e o sofrimento. Um único olhar, num breve momento, pode ser decisivo para a vida ou para a morte.

Há muitas lições espirituais a serem extraídas da experiência da mulher de Ló, cujo nome nem sequer sabemos. Mas fiquemos com a principal delas: a de não olharmos para trás. Cristo repetiu essa mesma verdade com outra figura, ao dizer: “Ninguém que, tendo posto a mão no arado, olha para trás, é apto para o reino de Deus” (Lc 9:62). O segredo da vitória na vida espiritual está em manter o olhar fixo em Jesus, pois na contemplação da Sua formosura, seremos transformados à Sua imagem.


12 de maio Quarta

Jesus em papel de embrulho

As raposas têm seus covis, e as aves do céu, ninhos; mas o Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça. Lucas 9:58

O pastor George Vandeman, já falecido, conta que um dia, o Sr. Ari Winston, famoso avaliador de diamantes, estava muito agitado. E agitada estava também a multidão que se havia aglomerado em volta dele. Ele havia comprado um dos mais famosos diamantes do mundo. E esperava a entrega da valiosa pedra a qualquer instante.

Em meio à multidão achavam-se amigos, repórteres e curiosos, todos ansiosos por ver pela primeira vez o famoso diamante. Todos aguardavam o carro blindado e a escolta policial que faria a entrega. A segurança seria, sem dúvida, a maior possível.

Um homem, em uniforme de carteiro, tentou abrir caminho por entre a multidão, mas foi empurrado para fora. Ninguém queria que lhe desviasse a atenção da chegada da fabulosa gema. E a multidão crescia. Algumas pessoas mantinham olhares vigilantes na rua, prontas para anunciar a chegada da escolta armada.

O carteiro tentou novamente abrir caminho em meio ao povo. Segurava nas mãos um pacote enrolado em papel de embrulho e amarrado com barbante. Disse que precisava entregá-lo ao Sr. Winston. Imaginem! Quem era ele? Algum idiota querendo que seu nome saísse no jornal?

Finalmente, mais por irritação do que por cortesia, eles deixaram que o teimoso carteiro passasse. O Sr. Winston tomou o pacote nas mãos, olhou o remetente, e soltou um grito. Com as mãos trementes, rasgou o papel de embrulho que envolvia uma pequena caixa. Então abriu-a e suavemente ergueu o precioso diamante para que todos o vissem.

Por alguns instantes todos permaneceram em silêncio. Como é que uma maravilha dessas podia chegar desse jeito, em papel de embrulho?

Há dois mil anos ocorreu algo semelhante. O povo estava aguardando ansiosamente o Messias. Eles esperavam que Ele chegasse em glória e majestade, acompanhado por uma escolta de anjos, Se assentasse no trono de Davi e sacudisse o jugo romano. Mas eles não podiam imaginar que Ele viesse em papel de embrulho!

E como o povo estava mais interessado na beleza da embalagem do que na beleza de caráter, eles “não O receberam” (Jo 1:11).

Aceitemos agora, pela fé, o sacrifício do “homem de dores”, para que Ele nos receba quando vier “na glória de Seu Pai, com os Seus anjos” (Mt 16:27).


13 de maio Quinta

O preço da libertação

O Senhor Me ungiu para pregar boas novas aos quebrantados, enviou-Me a curar os quebrantados de coração, a proclamar libertação aos cativos e a pôr em liberdade os algemados. Isaías 61:1

Quando a princesa Isabel assinou a Lei Áurea, em 13 de maio de 1888, abolindo a escravidão no Brasil, o senador João Alfredo lhe disse: “Vossa Majestade libertou um povo, mas perdeu um trono!”

Suas palavras foram proféticas, pois os senhores de escravos, furiosos, passaram a conspirar contra a monarquia. Um ano depois, Dom Pedro II foi destituído do trono, proclamada a República, e toda a família real banida para a Europa.

A escravidão é muito antiga, e existia mesmo entre o povo de Israel. Mas, embora reconhecida pelas leis do Antigo Testamento, é preciso entender este fato no contexto da imaturidade dos hebreus e do baixo nível de paganismo das nações vizinhas. Deus foi paciente com o Seu povo em tempos de ignorância. Assim, em vez de proibir a escravidão, Deus emitiu leis a favor dos escravos, regulamentando sua utilização, e evitando os abusos cometidos pelos pagãos.

Graças a isso, as condições de um escravo hebreu eram bem melhores do que as de um escravo estrangeiro: era alforriado após seis anos de serviço, se o quisesse (Êx 21:2-6); não podia ser tratado com crueldade, nem despedido de mãos vazias (Lv 25:39-55).

Vejamos agora como os pagãos tratavam seus escravos. Quando Cristo veio ao mundo “a escravidão era instituição estabelecida em todo o império romano [...] Um romano rico possuía não raro centenas de escravos [...] Se um deles por vingança ou autodefesa ousasse levantar a mão para seu proprietário, toda a família do ofensor poderia ser cruelmente sacrificada” (Atos dos Apóstolos, p. 459).

Numa ocasião, quando um senador romano foi assassinado por um escravo, sua morte foi vingada com o assassinato de todos os 400 escravos de sua casa (SDA Bible Commentary, v. 8, p. 1022).

O Céu sempre repudiou toda forma de escravidão, pois seus princípios procedem de Satanás. Cristo veio ao mundo para quebrar esses grilhões e trazer ao homem libertação física, mental e espiritual. Por Sua morte, Cristo libertou o homem da escravidão do pecado, e os princípios do evangelho, que Ele implantou em vida, “atingiam o próprio fundamento da escravatura, os quais, se postos em execução, minariam seguramente todo o sistema” (Atos dos Apóstolos, p. 460).

Nossa gratidão a todos os abolicionistas, especialmente a Jesus, que nos libertou da escravidão do pecado!


14 de maio Sexta

O toque da fé

E eis que uma mulher, que durante doze anos vinha padecendo de uma hemorragia, veio por trás dEle e Lhe tocou na orla da veste. Mateus 9:20

Jesus e Seus discípulos estavam viajando de uma cidade para outra. Ele estava ensinando e curando as pessoas. Multidões afluíam a Ele.

E no meio dessa multidão estava uma mulher que sofria de uma hemorragia. Ela havia tentado de tudo, mas sem êxito. Havia gasto seus poucos recursos com os médicos da época, mas em vez de melhorar, havia piorado. Essa mulher ouviu falar de Jesus e, cheia de esperança, se enfiou no meio da multidão. Mas seu problema era constrangedor e ela não teve coragem de declarar publicamente o mal de que sofria, de modo que decidiu tocá-Lo secretamente. Então, abriu caminho por entre o povo, e quando ninguém parecia estar olhando, ela, temerosamente, tocou na orla do vestido de Jesus. E pela primeira vez, em 12 anos, o fluxo de sangue parou.

Jesus simultaneamente sentiu que algo especial havia ocorrido. Aquele toque havia sido diferente. E notou que dEle havia saído poder. Imediatamente parou e perguntou: “Quem tocou nas Minhas vestes?” Os discípulos ficaram espantados, em meio a todos aqueles puxões e empurrões. “Como, quem Te tocou? Todos estão Te tocando!”

É que os discípulos não sabiam diferenciar um toque de um empurrão. Mas Jesus podia. Ele sabia a diferença. Notou que havia sido um toque suave que Lhe extraíra poder.

A mulher não esperava ser descoberta, mas quando Jesus Se voltou e fez a pergunta, ela percebeu que Ele sabia de tudo. Então se aproximou tremendo, prostrou-se aos Seus pés e confessou que fora ela quem Lhe tocara as vestes. Explicou numa torrente de palavras por que O tocara e como havia sido instantaneamente curada. Jesus então a ergueu e lhe disse: “Tem bom ânimo, filha, a tua fé te salvou. E desde aquele instante, a mulher ficou sã” (Mt 9:22).

Notem como Jesus foi bondoso com ela. Ele não a repreendeu por tê-Lo interrompido. Não criticou suas crenças supersticiosas. Não a reprovou por tê-Lo procurado em última instância, depois de tudo o mais haver falhado. Após ter tentado todos os recursos que o mundo de então podia oferecer, ela finalmente apelou para Jesus. E muitos fazem isso ainda hoje. Só vão a Jesus em último caso, quando todas as suas demais esperanças já falharam. E mesmo assim, Jesus não despacha ninguém de mãos vazias.

Se você ainda não tentou nada para resolver seu problema, vá a Jesus em primeiro lugar. Se já tentou de tudo, sem solução, experimente Jesus.


15 de maio Sábado

Antes que venha o reumatismo

Não me rejeites na minha velhice; quando me faltarem as forças, não me desampares. Salmo 71:9

Em nossa sociedade ninguém quer envelhecer, pois isso significa pertencer a um grupo marginalizado, que “já deu o que tinha que dar”, voltado para os “velhos tempos”, quando muita coisa era melhor.

A conversa do velho gira quase sempre em torno do passado. O jovem, por sua vez, tem interesse no presente e no futuro. Daí por que o diálogo entre esses dois grupos é muitas vezes difícil. E por essa e outras razões os nossos velhos se sentem frequentemente incompreendidos, rejeitados e inúteis. Um escritor contemporâneo chegou a dizer que havia nascido na época errada. “Quando eu era jovem”, explicava ele, “não se dava valor aos jovens. Agora que sou velho, não se respeita os velhos.”

Salomão, em sua velhice, escreveu um dos mais belos livros da Bíblia: Eclesiastes (o que prova que os velhos podem continuar sendo úteis). E em Eclesiastes 12:1 o velho sábio diz: “Lembra-te do teu Criador nos dias da tua mocidade, antes que venham os maus dias, e cheguem os anos dos quais dirás: Não tenho neles prazer.”

Salomão está dizendo, em outras palavras: “Lembra-te de Deus enquanto és jovem e forte, enquanto tens saúde e entusiasmo. Lembra-te de Deus antes que venham as dores reumáticas, as enxaquecas, os achaques da velhice. Antes que venham os maus dias e cheguem os anos dos quais dirás: Acabou-se a alegria.”

O que Salomão aconselha, contraria frontalmente o que o mundo pensa a esse respeito, ou seja, que religião é coisa para velhos. Por que não devemos esperar até a velhice para nos dedicarmos a Deus? Não teria Deus um plano para as pessoas idosas?

Não há dúvida de que há lugar para todos no plano de Deus. Mas Ele quer o nosso melhor. Poderemos ser úteis à Causa do Evangelho no crepúsculo de nossa vida, mas não devemos esperar este período da vida para nos dedicarmos a Deus, pois nossa contribuição nessa fase da vida será bem menor do que o que podemos Lhe oferecer no período áureo da vida, que é a mocidade.

A Palavra de Deus aconselha os jovens a serem submissos aos mais velhos (1Pe 5:5) e promete que os justos “na velhice darão ainda frutos” (Sl 92:14).

Os idosos devem se consagrar a Deus para terem uma velhice mais feliz. E os jovens se lembrem agora do seu Criador.


16 de maio Domingo

A carreira cristã

Não sabeis vós que os que correm no estádio, todos, na verdade, correm, mas um só leva o prêmio? Correi de tal maneira que o alcanceis. 1 Coríntios 9:24

Quando os Jogos Olímpicos foram abertos, em abril de 1896, na cidade de Atenas, doze países estiveram representados. Os americanos se destacaram em praticamente todas as modalidades, e conquistaram o primeiro lugar em nove, dentre as doze competições.

E à medida que as medalhas iam sendo ganhas pelos americanos, ingleses e outras nações, crescia o desânimo e a consternação dos gregos, os anfitriões dos jogos. A Grécia possuía a maior equipe, mas depois de terem perdido a competição de lançamento de disco, um esporte tipicamente grego, parecia que a obtenção de uma medalha de ouro seria agora impossível. Restava uma última esperança: a grande e famosa Maratona.

25 atletas se alinharam para a grande corrida à pé, de 40 km, que terminaria no Estádio de Atenas. Na metade da prova, o francês Lermusiaux havia se tornado o favorito, pois levava uma vantagem de três quilômetros sobre o competidor que estava em segundo lugar. Mas ao correr 32 km não aguentou mais e foi obrigado a desistir. O inglês Flack ficou então em primeiro. Mas caiu exausto antes do final, e teve de ser levado numa ambulância para Atenas.

Então, mensageiros a cavalo correram ao estádio para avisar a multidão delirante que o grego Spiridon Louis, estava agora à frente. O estádio, superlotado com cem mil pessoas, virou um pandemônio, tal foi a emoção. E quando o jovem Spiridon entrou no estádio, os reis da Grécia saltaram de seus tronos e correram ao lado do vencedor.

Mulheres jogaram braceletes e joias na pista por onde ele deveria passar. Uma banda começou a tocar, seguindo a cavalo o pequeno pastor de ovelhas das regiões montanhosas da Grécia, que estava encerrando os Jogos Olímpicos com tanta honra e glória para o seu país.

Mas, Spiridon havia conquistado uma coroa corruptível. Para alcançar um prêmio perecível, os corredores gregos não mediam esforços e disciplina. Nós, porém, estamos lutando por um prêmio infinitamente mais valioso: a coroa da vida eterna. Quão mais cuidadosa deveria ser nossa luta e disposição para o sacrifício e renúncia!

A carreira cristã só pode ser vitoriosa se cultivarmos a fé em Jesus, pois é Ele quem nos dá força para vencer.


17 de maio Segunda

Deixe sua mensagem após o sinal

Clamei, e ninguém respondeu, falei, e não escutaram. Isaías 66:4

Estamos vivendo na era das secretárias eletrônicas, em que as pessoas, não querendo ser perturbadas por chamadas telefônicas incômodas, seja de telemarqueteiros, vendedores, solicitadores de doações e outros, deixam na secretária eletrônica a seguinte mensagem gravada: “Você ligou para 4800-5699. No momento não podemos atender. Deixe sua mensagem após o sinal.”

O escritor Hal Shymkus diz que na Flórida há uma casa em que a secretária eletrônica contém a seguinte mensagem: “Não, nós não estamos precisando consertar o telhado; as paredes também estão boas. Não estamos querendo comprar aparelho de ar-condicionado ou geladeira. E já temos seguro de saúde. Se ainda assim você quiser deixar uma mensagem, aguarde o sinal.”

As coisas estão assim, hoje em dia. E podem piorar. Pode ser que um dia o marido ligue para casa e ouça a voz da esposa, na secretária: “Alô, aqui é a sua esposa. Para saber o cardápio do jantar, disque 1. Para se desculpar pelo que você disse ontem à noite, disque 2. Para dizer ‘eu te amo’, disque 3. Se quiser falar comigo pessoalmente, disque 0 e aguarde. Logo irei atendê-lo.”

Um dia, ao entardecer, Adão recebeu um chamado de Deus: “Adããão, onde você está?” Mas Adão estava escondido atrás de um arbusto, e não queria conversa com Deus.

Um dos trágicos resultados do pecado, é que ele bloqueia a comunicação do homem com Deus. Adão certamente preferia que a secretária eletrônica atendesse o chamado, com sua voz gravada: “Aqui é a residência de Adão e Eva. No momento estamos nus e não podemos atender. Deixe Sua mensagem após o sinal.” Mas Deus queria falar com ele pessoalmente.

Às vezes, atendemos um chamado divino com a mesma má vontade como o faríamos com uma pessoa importuna, que liga fora de hora. “Não, Senhor, eu não pretendo mudar de vida, no momento.” “Não, eu ainda não estou preparado para abandonar alguns pecados.” “Não, eu não quero ir à igreja.” “Dízimo? Ah, eu acho que 8% está bom.”

O livro de Hebreus começa dizendo que Deus falou muitas vezes, e de diversas maneiras, no passado. Mas “nestes últimos dias, nos falou pelo Filho”. É como se Deus tivesse Se cansado de deixar mensagens na secretária e finalmente decidisse descer até aqui para conversar conosco pessoalmente.

E o que Ele veio nos dizer? Não só dizer, mas mostrar que, apesar dos nossos pecados, Ele nos ama e quer nos salvar. E isso Ele demonstrou supremamente na cruz.


18 de maio Terça

Como tomar decisões

E os lançaram em sortes, vindo a sorte recair sobre Matias, sendo-lhe, então, votado lugar com os onze apóstolos. Atos 1:26

O grande evangelista John Wesley, fundador do Metodismo, estava noivo de uma jovem e não conseguia decidir se deveria ou não se casar com ela. Então orou sobre isso. Em seguida abriu a Bíblia ao acaso e procurou a orientação divina na página aberta. Não se sabe exatamente o que leu, mas o fato é que ele terminou o noivado.

É este um bom método de tomar decisões? A pergunta deriva de nosso texto devocional. Os discípulos precisavam escolher um homem para substituir Judas Iscariotes no apostolado. Eles queriam alguém que tivesse acompanhado todo o ministério de Jesus, do Seu batismo à ascensão.

Havia dois candidatos para a vaga: José Barsabás e Matias. Ambos estavam qualificados para o cargo. Qual dos dois deveria ser escolhido? Primeiro eles oraram: “Tu, Senhor, que conheces o coração de todos, revela-nos qual destes dois tens escolhido” (v. 24). Então lançaram sortes. E Matias se tornou o décimo segundo discípulo.

Deveria a igreja, hoje, escolher os seus oficiais através deste método? O Comentário Bíblico Adventista diz que “aparentemente, após o Pentecostes, a orientação direta do Espírito Santo tornou desnecessário o lançamento de sortes (At 5:3; 11:15-18; 13:2; 16:6-9)” (SDA Bible Commentary, v. 6, p. 131). O caso de Ananias e Safira é um exemplo disso: a culpa deles foi revelada não por meio de sorteio, como no caso de Acã, mas por revelação direta do Espírito Santo.

Ellen White escreveu: “Não tenho fé em lançar sortes [...] Lançar sortes para os oficiais da igreja não está no plano de Deus” (Mensagens Escolhidas, v. 2, p. 328).

Para o crente moderno o uso de sorteios para determinar a vontade divina não é recomendável. Se Deus não nos responder através da oração, precisamos apelar para a razão, que também é um dom divino. “Deus dotou o homem com inteligência, e Ele espera que eles desenvolvam esta faculdade de modo a tomarem decisões por si próprios. Se em cada decisão da vida os homens precisassem de um sinal para saber qual é a vontade de Deus, se tornariam mentalmente incapacitados e deixariam de desenvolver adequadamente sua mente e caráter. Os que constantemente se valem de sorteios enfraquecerão sua vida religiosa” (SDA Bible Commentary, v. 2, p. 210).

Primeiro ore. Daí analise cuidadosamente as opções. E então decida, na certeza de que Deus abençoará sua decisão.


19 de maio Quarta

Riqueza e cobiça

Porque o amor do dinheiro é raiz de todos os males; e alguns, nessa cobiça, se desviaram da fé e a si mesmos se atormentaram com muitas dores. 1 Timóteo 6:10

Ananias e Safira eram dois crentes que se revestiam de uma falsa aparência de piedade. Quiseram dar a impressão de ser muito generosos ao venderem uma propriedade e doarem o dinheiro para ser administrado pelos apóstolos. Mas, secretamente, retiveram uma parte do dinheiro.

Eles não precisavam ter vendido a propriedade e, caso a vendessem, não eram obrigados a doar um centavo sequer para a igreja. O que Deus não tolerou, porém, foi o terem mentido à igreja e ao Espírito Santo. E ao pecarem contra o Espírito Santo selaram seu destino eterno, quer morressem imediatamente ou alguns anos depois. Mas Deus preferiu tirar-lhes a vida no ato, para com isto dar uma lição à igreja.

A Bíblia também relata a experiência de Acã, Jacó, Labão, Balaão, Judas e outros personagens que pagaram elevado preço por seu desejo incontido de conseguir bens materiais por meios escusos ou em detrimento dos interesses eternos.

Todos desejamos prosperar física, mental, material e espiritualmente. Não há nada de errado com a prosperidade em si. Se o indivíduo, ao aceitar o evangelho, piorasse de vida, que recomendação seria isto para o evangelho? Os princípios divinos contidos na Palavra de Deus, se seguidos, conduzem naturalmente o indivíduo ao caminho da saúde, de uma vida mais longa, próspera e feliz. O problema é querer enriquecer por qualquer meio e a qualquer preço, movido pela cobiça, pelo orgulho, passando os outros para trás e sacrificando os interesses eternos nessa corrida desenfreada para ficar rico.

A cobiça e o orgulho estão geralmente ligados ao materialismo. E foi o materialismo que Cristo condenou ao dizer: “Filhos, quão difícil é para os que confiam nas riquezas entrar no reino de Deus” (Mc 10:24).

Qual deve ser a atitude do cristão para com a riqueza? Em primeiro lugar, devemos nos lembrar de que a vida na Terra é transitória. Se tivermos sempre em mente que não somos mais do que uma pulsação da eternidade, isto nos ajudará a ver as coisas materiais sob uma perspectiva mais real.

Somos passageiros na embarcação da vida. Nossa cabina pode estar entulhada de bagagem de grande valor temporal, mas quando chegarmos ao porto final, teremos de desembarcar de mãos vazias. “Porque nada temos trazido para o mundo, nem coisa alguma podemos levar dele” (1Tm 6:7). Só o que tiver sido investido na eternidade é que permanecerá.


20 de maio Quinta

Quando o silêncio é eloquência

Depois daquela voz, achou-Se Jesus sozinho. Eles calaram-se e, naqueles dias, a ninguém contaram coisa alguma do que tinham visto. Lucas 9:36

Os historiadores contam que, na noite que precedia uma grande batalha, os oficiais de Napoleão iam todos, um a um, à tenda de seu comandante. Era uma estranha procissão aquela, pois ninguém dizia uma palavra na presença de Napoleão. Cada homem apenas olhava nos olhos de seu comandante, apertava-lhe a mão, e então saía da tenda pronto a depor a vida por seu amado general.

Um dia, Jesus subiu ao Monte Tabor, acompanhado de Pedro, Tiago e João. Os discípulos, com certeza, não estavam preparados para o que iria acontecer ali. Embora estivessem com muito sono, conseguiram ficar de olhos abertos e viram algo do qual jamais se esqueceriam. Eles viram a glória em que apareceram Moisés e Elias, e então foram todos envolvidos por uma nuvem. “E dela veio uma voz, dizendo: Este é o Meu Filho, o Meu eleito; a Ele ouvi” (Lc 9:35). Quando a voz falou e a nuvem se retirou, Moisés e Elias haviam desaparecido. Lucas então nos diz que os discípulos se calaram e não contaram a ninguém do que tinham visto.

Há certas experiências para as quais as palavras são inadequadas. Como traduzir em palavras, por exemplo, o que os pais sentem ao ver o seu primeiro filho recém-nascido?

Que palavras poderão ser ditas para confortar alguém que perdeu o marido, a esposa ou um filho? E ainda mais impressionante: o que dizer após estar na presença do Deus vivo? Os discípulos se calaram, e esta foi a reação apropriada.

Ralph Harper escreveu: “As coisas sérias precisam ser feitas em silêncio. Em silêncio os homem amam, oram, compõem, pintam, escrevem, pensam, e sofrem.”

Muitos de nós tememos o silêncio. Sentimo-nos desconfortáveis quando a conversa acaba. Mas há certas situações em que o silêncio é eloquência. Algumas delas são assim descritas por Ellen White:

“O Senhor quer que Seu povo enterre as questões políticas. Sobre esses assuntos, o silêncio é eloquência” (Fundamentos da Educação Cristã, 475).

“Se vos forem dirigidas palavras impacientes, nunca respondais no mesmo tom. Lembrai-vos de que ‘a resposta branda desvia o furor’ (Pv 15:1). Há um poder maravilhoso no silêncio” (A Ciência do Bom Viver, p. 486).

“As coisas reveladas são para nós e nossos filhos, mas quanto às não reveladas, e que não têm que ver com nossa salvação, o silêncio é eloquência” (Mensagens Escolhidas, v. 2, p. 25).

Há tempo de parar de falar e ouvir em silêncio a voz de Deus.