21 de abril Quarta

Crescimento espiritual

Antes, crescei na graça e no conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. 2 Pedro 3:18

Mais de trinta anos após a morte de Cristo, o autor da Epístola aos Hebreus escreveu a cristãos judeus, que estavam se dasanimando na fé, a ponto de pensar em uma volta ao judaísmo.

O autor não escondeu sua frustração ao dizer que, pelo tempo decorrido, esses crentes já deviam ser mestres na Palavra e no conhecimento de Jesus Cristo. No entanto, eles haviam retrocedido a um estágio espiritual infantil, estando ainda “necessitados de leite e não de alimento sólido” (Hb 5:12).

Anos depois de sua conversão, eles sabiam muito pouco sobre Cristo, e agora corriam o perigo de apostatar e voltar às suas antigas práticas. Mensagem semelhante foi enviada por Paulo aos coríntios, referindo-se à sua primeira visita: “Eu, porém, irmãos, não vos pude falar como a espirituais, e sim como a carnais, como a crianças em Cristo. Leite vos dei a beber, não vos dei alimento sólido; porque ainda não podíeis suportá-lo. Nem ainda agora podeis, porque ainda sois carnais” (1Co 3:1, 2).

Infelizmente, esta é a realidade de muitas igrejas e membros, que continuam se alimentando dos rudimentos da doutrina, sem poderem suportar o alimento sólido, que representa os ensinamentos mais profundos. E é importante notar que a falta de progresso intelectual e espiritual conduz, não à estagnação, mas ao retrocesso e apostasia.

A conversão é representada pela figura do novo nascimento, em que o indivíduo permite a operação do Espírito Santo em sua vida, tornando-o nova criatura em Cristo. A partir daí ele passa a viver em “novidade de vida” (Rm 6:4), crescendo espiritualmente, tendo sempre como alvo a perfeição de Cristo.

Alguém comparou a caminhada cristã a um navegador que, para não perder o rumo, mantém a proa da embarcação na direção de uma estrela. Agindo dessa maneira, se manterá na direção certa. Assim também nós, se mantivermos os olhos fixos em Jesus, nos manteremos no rumo certo até a Sua vinda, quando “seremos transformados” e revestidos “da incorruptibilidade” (1Co 15:52, 53).


22 de abril Quinta

A fé dos nossos pais

Todos estes morreram na fé, sem ter obtido as promessas. Hebreus 11:13

Minha avó paterna, a “Vó Elisa”, dizia ao meu pai, quando este era criança, que ele não se tornaria adulto, nem se casaria, nem teria filhos, porque Jesus voltaria antes.

A convicção da Vó Elisa refletia o pensamento da Igreja nas décadas de 1920 e 1930. E também na década de 1940, quando a Segunda Guerra Mundial foi interpretada como o Armagedom e o prenúncio do fim.

Nossos antepassados viviam a expectativa do breve advento de Jesus, sem fazer grandes planos para esta vida e, muitas vezes, desestimulando os próprios filhos a entrar para uma faculdade, simplesmente porque não haveria tempo de se formarem. Jesus voltaria antes, e o tempo a ser gasto com preparo acadêmico poderia ser melhor empregado no preparo espiritual e trabalho em favor dos perdidos.

Ellen White, na década de 1870, manifestava um senso de urgência ainda mais aguçado: “Visto que o tempo é breve, devemos labutar com diligência e redobrada energia. Nossos filhos talvez não ingressem numa escola superior” (Testemunhos Para a Igreja, v. 3, p. 159).

“Na realidade não é prudente ter filhos agora. O tempo é curto, os perigos dos últimos dias estão sobre nós, e as criancinhas, em grande parte, serão levadas antes disso” (Eventos Finais, p. 36).

Entretanto, devido à “imprudência” de nossos ancestrais em ter filhos é que estamos aqui hoje. Nossa permanência neste mundo está se prolongando bem mais do que se poderia imaginar.

Se recuarmos nossos pensamentos até a igreja apostólica, notaremos um senso de urgência ainda maior com relação à volta de Cristo. Esta parecia tão iminente, que os discípulos e demais conversos “perseveravam unânimes em oração”, “vendiam as suas propriedades e bens, distribuindo o produto entre todos, à medida que alguém tinha necessidade”, e iam diariamente ao templo (ver At 1:14; 2:45).

Exatamente o contrário do que estamos fazendo hoje: adquirindo propriedades e deixando de ir à igreja! Pregamos e cantamos que Jesus em breve virá, mas vivemos como quem crê que “meu Senhor tarde virá”. Parece que, quanto mais nos aproximamos do dia final, menos nos preocupamos com ele. Os primeiros cristãos esperavam Jesus para muito breve, nossos pais para breve, e nós para algum tempo no futuro.

Nossos pais morreram sem ter visto o cumprimento das promessas. Mas talvez elas se cumpram em nosso tempo. Não podemos esmorecer. Cristo vem!


23 de abril Sexta

Santos ou pecadores?

Mas os santos do Altíssimo receberão o reino e o possuirão para todo o sempre, de eternidade em eternidade. Daniel 7:18

Muitos cristãos não se consideram nem santos nem pecadores. Eles acham que estas são posições extremas. Para eles, o pecador é um indivíduo indesejável, que se deleita no seu mundanismo e recusa entregar-se a Deus.

Por outro lado, o santo é um “desmancha-prazeres”, que vive no mundo da Lua, procura se afastar dos pecadores e se esforça para ser salvo. É um indivíduo sem vida, que reprova os divertimentos e olha com desconfiança para quem é alegre demais.

O problema, porém, é que se você não é nem santo nem pecador, ou seja, nem frio nem quente, é morno – uma condição intermediária condenada na Bíblia, pois é melhor ser santo ou pecador do que tentar conciliar as duas coisas.

O que é um santo, segundo a Bíblia?

Moisés transmitiu ao povo de Israel as palavras divinas: “Eu sou o Senhor, vosso Deus; portanto, vós vos consagrareis e sereis santos, porque Eu sou santo” (Lv 11:44). Davi fez a exortação: “Temei o Senhor, vós os Seus santos, pois nada falta aos que O temem” (Sl 34:9). Daniel afirmou que só os santos possuirão o reino de Deus (Dn 7:18, 22, 27).

Na Bíblia, um santo é tudo menos um “desmancha-prazeres”. É antes uma pessoa que deixa Deus dirigir completamente sua vida. E uma tal pessoa está longe de ser alguém deprimido ou sem vida. Cristo disse que o cristão deve se regozijar até mesmo quando é perseguido: “Regozijai-vos naquele dia e exultai, porque grande é o vosso galardão no Céu” (Lc 6:23).

Além disso, Cristo deixou claro que um santo não deve evitar contato com os pecadores, pois Ele mesmo comia com os publicanos e pecadores e Se hospedava na casa deles (Mt 9:11, Jo 4:10-26, 40).

Quando Paulo escreveu aos coríntios, ficou perturbado com a condição daquela igreja. Havia divisão entre os membros, casos de adultério, confusão sobre doutrinas e outros problemas. No entanto, como Paulo os considerou? Santos! (1Co 1:2).

O santo, portanto, pode ou não ser um cristão maduro. Quando o indivíduo se arrepende dos seus pecados, ele ingressa na família de Deus, sendo então investido com os atributos de Deus.

Se já aceitou a Jesus Cristo como seu Salvador, você é um dos Seus santos. Tenha certeza disso.


24 de abril Sábado

Fiador de dívidas

Não estejas entre os que se comprometem e ficam por fiadores de dívidas, pois, se não tens com que pagar, por que arriscas perder a cama de debaixo de ti? Provérbios 22:26, 27

Rudi havia montado uma firma de oxigênio hospitalar. Para conseguir o financiamento bancário de que necessitava, pediu ao cunhado Eugênio que fosse seu fiador. Eugênio aceitou.
Aparentemente as coisas iam bem, e Rudi ostentava sinais de progresso: construíra uma mansão e estava sempre de carro novo. Eugênio não lhe perguntou se estava pagando o financiamento. Mas um dia chegou um oficial de justiça à sua casa, comunicando que Rudi não havia pago a dívida e que o Banco estava acionando o avalista.

Eugênio empalideceu. Precisou vender seus imóveis e o carro, e passou a morar em casa alugada. Um dia, transtornado com esse golpe, apanhou um revólver e saiu de casa decidido a matar Rudi. Mas, no caminho, pensou nos filhos, que não teriam onde morar e como sobreviver, se fosse preso. E isto o fez mudar de ideia. Decidiu lutar para se recuperar do prejuízo.

Rudi mora em sua mansão, com elevado padrão de vida. Continua aplicando golpes em outras pessoas. Tem um único filho, que é seu inimigo de morte e mau caráter também.

Eugênio continua morando em casa alugada. Mas, aos poucos, está se recuperando, pois os filhos, que já se formaram em medicina, o estão ajudando a se reerguer. Ele diz que aprendeu a lição e nunca mais será fiador de ninguém.

Não é sem razão que Salomão faz repetidas advertências a esse respeito. E Ellen White alerta especialmente contra ser fiadores de incrédulos: “Vi que Deus estava desgostoso com Seu povo por se tornarem fiadores de incrédulos. Minha atenção foi dirigida para estes textos: ‘Não estejas entre os que dão as mãos, e entre os que ficam por fiadores de dívidas’ (Pv 22:26). ‘De certo sofrerá severamente aquele que fica por fiador do estranho, mas o que aborrece a fiança estará seguro’ (Pv 11:15). Mordomos infiéis! Empenham aquilo que pertence a outro – seu Pai celeste – e Satanás está a postos para ajudar seus filhos a arrebatá-lo de suas mãos. Os observadores do sábado não devem ser sócios dos incrédulos” (Testemunhos Para a Igreja, v. 1, p. 200).

Aí estão os conselhos inspirados. Fiador de incrédulos, nunca. Fiador de irmãos na fé, talvez, após exame minucioso e tendo os necessários recursos financeiros.


25 de abril Domingo

Famílias em crise

Portanto, o que Deus ajuntou não o separe o homem. Mateus 19:6

Em determinada cidade da Califórnia, uma professora da sexta série, de uma escola de classe média alta, ficou espantada com os resultados da redação que pedira aos alunos. O título era: “Eu gostaria...”

A professora imaginava que os meninos e meninas expressassem seus desejos de ganhar bicicletas, animais de estimação, videogames e viagens ao litoral. Mas, em vez disso, vinte dentre os trinta alunos, escreveram composições referindo-se às suas próprias famílias em desintegração. Algumas das frases escritas foram as seguintes:

“Eu gostaria que meus pais não brigassem, e quero que meu pai volte.”

“Eu gostaria que minha mãe não tivesse um namorado.”

“Gostaria de tirar boas notas, para que meu pai goste de mim.”

“Gostaria de ter um pai e uma mãe, para que os outros meninos não caçoassem de mim. Tenho três mães e três pais e isso estraga toda a minha vida.”

“Gostaria de ter um revólver para atirar nos que dão risada de mim” (James Dobson, O Amor Tem que Ser Firme, p. 8, 9).

Essa última frase me fez pensar que a delinquência infantil e juvenil está, muitas vezes, relacionada à falta de um lar estável, onde reine o amor. Milhões de crianças enfrentam o caos gerado pela desintegração familiar.

E por que ocorrem esses terremotos na vida das crianças? Porque seus pais se esqueceram de que, no dia de seu casamento, na presença de Deus e dos homens, prometeram amar, proteger e honrar o cônjuge, na doença e na saúde, na riqueza e na pobreza... até que a morte os separe. Infelizmente, muitos mudam de ideia em algum ponto do caminho.

Se você é casado e está enfrentando dificuldades, procure um conselheiro matrimonial. Não deixe a situação se deteriorar até não haver mais remédio.

Esteja disposto a mudar seu comportamento. O seu cônjuge, seja lá quais forem as circunstâncias, não é 100% culpado por todos os problemas do seu casamento.

Leia o que a Bíblia diz sobre o assunto em Mateus 5:31, 32; 19:3-9; Marcos 10:2-12; Lucas 16:18; Romanos 7:1-3; Malaquias 2:13-16; e 1 Coríntios 7:10-17. Leia também O Lar Adventista, capítulo 56; e Mensagens Escolhidas, v. 2, capítulo 41.

Ore a Deus pedindo orientação, paciência, sabedoria e coragem.

As famílias em crise devem procurar a ajuda de profissionais qualificados, aliada à ajuda divina. Deus, o Autor do casamento, tem todo interesse em ver as famílias unidas e felizes.


26 de abril Segunda

Morte por afogamento

Assim, o Senhor livrou Israel, naquele dia, da mão dos egípcios; e Israel viu os egípcios mortos na praia do mar. Êxodo 14:30

Bem cedo, pela manhã, homens, mulheres e crianças viram centenas de corpos espalhados na praia do Mar Vermelho. Não houve um só sobrevivente. Os mortos pertenciam ao exército egípcio.

A Bíblia revela que aquela catástrofe não foi acidental. Antes que o povo de Israel atravessasse o mar, Deus disse a Moisés: “Não temais; aquietai-vos e vede o livramento do Senhor que, hoje, vos fará; porque os egípcios, que hoje vedes, nunca mais os tornareis a ver” (Êx 14:13). Portanto, os corpos dos soldados do Faraó foram jogados na praia devido a um plano premeditado de Deus. Ele avisou a Moisés que faria isso.

Mas esse não era o objetivo de Deus para aqueles egípcios. Através de Moisés Deus deu a Faraó a oportunidade de cooperar com Ele, e ajudá-lo a libertar Israel. E para lhe dar um vislumbre do Seu poder, começou a operar maravilhas pela mão de Moisés.

Não adiantou. Faraó não quis se deixar convencer. Então seguiu-se uma série de pragas, de gravidade progressiva, que devastaram o Egito. Através de rãs, piolhos, moscas, pestes, úlceras, saraiva, gafanhotos, trevas, Deus tentou afastar Faraó e seu exército do Mar Vermelho. Deus estava fazendo o possível para evitar que o exército de Faraó perecesse no mar.

Finalmente Deus fez um último esforço para convencer o Faraó a libertar os israelitas: obrigou-o a ajoelhar-se diante do caixão de seu filho mais velho. Junto à sepultura do príncipe herdeiro ele resolveu deixar o povo ir. E o povo de Israel saiu.

Mas, em seguida, ele voltou à sua incredulidade. Convocou o seu exército e mandou-o atrás do povo de Israel. Foi somente então, depois de Faraó ter desperdiçado todas as oportunidades divinas e ter pecado contra o Espírito Santo, que Deus fez com que os soldados desse governante se afogassem nas águas do Mar Vermelho. Deus não queria que houvessem essas mortes. Mas a dureza de coração do Faraó levou a essa perda de vidas.

O laudo do Instituto Médico Legal da época, sobre a morte dos soldados do Faraó, pode ter sido: Morte por Afogamento. Já o veredito divino sobre a conduta desse monarca foi: Persistente endurecimento do coração à voz do Espírito Santo.

“Hoje, se ouvirdes a Sua voz, não endureçais o vosso coração” (Hb 3:7, 8).


27 de abril Terça

Por quem os sinos dobram

Tornarei o seu pranto em júbilo e os consolarei; transformarei em regozijo a sua tristeza. Jeremias 31:13

Hoje o meu amigo Heber Pintos estaria completando 68 anos de idade. Mas ele não está mais entre nós para comemorarmos o seu aniversário. Ele dormiu em Cristo em janeiro de 2008 e, desde então, está descansando nos braços do Pai, aguardando o momento de despertar.

Quem morre em Cristo tem uma vantagem sobre os vivos: já passou por este vale de lágrimas e agora está fora de perigo, aguardando a ressurreição. Neste sentido, portanto, a morte é como uma cidade de refúgio. Quem está ali está seguro, sob a proteção do Doador da vida. O inimigo não pode mais arrebatá-lo.

Em minha cidade natal há algumas igrejas católicas e uma luterana. Quando criança, ouvi muitas vezes o sino dessas igrejas badalando de forma cadenciada e solene, anunciando a morte de alguém. E pela direção de onde partiam aqueles sons plangentes a população sabia se o morto era católico ou luterano.

O poeta John Donne escreveu: “Nenhum homem é uma ilha isolada; cada homem é uma partícula do continente, uma parte da terra; se um torrão é arrastado para o mar, a Europa fica diminuída, como se fosse um promontório, como se fosse a casa dos teus amigos ou a tua própria. Sou parte do gênero humano. E por isso não perguntes por quem os sinos dobram; eles dobram por ti.”

O Heber, como tantos outros, era um torrão que foi arrastado para o mar, diminuindo o continente da humanidade. Sua morte me diminui, porque sua vida fazia parte da minha. Eu poderia acrescentar aqui uma lista de nomes de pessoas que também fizeram parte de minha vida, e já se foram, deixando em meu coração um vazio imenso: meus pais, tios, avós e tantos outros parentes e amigos. Você também tem entes queridos que já descansam. São torrões que foram arrastados para o mar, diminuindo aqueles a quem amaram. Estão todos mortos. Mas Cristo vive. E porque Ele vive quebrará em breve os grilhões das sepulturas e trará os Seus amados de volta, da terra do inimigo.

Os sinos continuam dobrando por mim e por ti, anunciando nossas perdas. Mas a promessa divina, a se cumprir em breve, é: “Tornarei o seu pranto em júbilo e os consolarei; transformarei em regozijo a sua tristeza” (Jr 31:13).


28 de abril Quarta

Sogras e noras

Pois vim causar divisão entre o homem e seu pai; entre a filha e sua mãe e entre a nora e sua sogra. Mateus 10:35

O livro de Juízes narra a história de Jefté, o qual fez um voto prometendo a Deus que, se Ele ajudasse Israel a vencer os amonitas, o primeiro que saísse de casa ao seu encontro, seria oferecido em holocausto (Jz 11:30, 31). Voltando vitorioso da peleja para casa, Jefté ficou angustiado quando sua filha única saiu para lhe dar as boas-vindas. Há quem pense que Jefté esperasse ser recepcionado pela sogra.

Com efeito, ao longo da história, o conceito que se formou a respeito das sogras não tem sido muito positivo, especialmente no que tange ao seu relacionamento com as noras. O problema parece residir no fato de que as duas se acham unidas pelo amor ao mesmo homem. Mas, como ambas vêm de famílias diferentes, tanto uma como a outra possuem valores, hábitos e crenças diferentes, que podem ser incompatíveis e gerar competição. E se vivem debaixo do mesmo teto, o relacionamento entre elas (e mesmo entre o casal) tende a se deteriorar.

O conflito pode ser superado se elas crescerem emocionalmente e entenderem que cada uma deve ter o seu próprio espaço. Para haver uma boa convivência é indispensável haver tolerância, aceitação e respeito. Só assim serão preservados os laços amorosos que deverão unir o filho à mãe e o marido à esposa.

A Bíblia menciona o caso de Rebeca, que se sentia desgostosa por ter como noras as filhas de Hete (casadas com Esaú), que eram idólatras (ver Gn 27:46). Mas também narra o belo exemplo deixado por Noemi e Rute. Quando Noemi decidiu retornar à sua terra natal, “Rute se apegou a ela” e lhe fez uma comovente declaração de lealdade: “Não me instes para que te deixe e me obrigue a não seguir-te; porque, aonde quer que fores, irei eu e, onde quer que pousares, ali pousarei eu; o teu povo é o meu povo, o teu Deus é o meu Deus. Onde quer que morreres, morrerei eu e aí serei sepultada; faça-me o Senhor o que bem Lhe aprouver, se outra coisa que não seja a morte me separar de ti” (Rt 1:14, 16, 17).

A lealdade de Rute a Noemi e ao Deus de sua sogra foi, portanto, maior do que o apego aos próprios parentes e aos seus deuses. O exemplo de Noemi havia permitido a operação do Espírito Santo no coração de Rute, levando-a a adorar o verdadeiro Deus.

Hoje é o Dia da Sogra. Em vez de lhe mandar uma vassoura, envie-lhe flores, ou um cartão. Você vai ver que um gesto de carinho pode realizar milagres.


29 de abril Quinta

A pombinha do coração de Cristo

Mas uma só é a minha pomba, a minha imaculada, de sua mãe, a única, a predileta daquela que a deu à luz. Cantares 6:9

Nos países ocidentais o casamento se centraliza na noiva. Ninguém se importa muito com o pobre do noivo, que já está na igreja há tempo, torcendo as mãos de angústia, sem saber como encarar o tradicional atraso da noiva. Será que ela desistiu na última hora? Mas estava tudo certo!

Finalmente um sussurro percorre a multidão: “A noiva chegou!” O noivo suspira aliviado. Ela veio. E como está bonita! E se ele antes tremia de preocupação pelo atraso dela, agora treme de medo pelo que terá de enfrentar.

Chegou o grande momento. A pianista executa os primeiros acordes da Marcha Nupcial e a cerimônia tem início. Assim são os casamentos nos países ocidentais.

Mas nos países orientais, onde a Bíblia foi escrita, não é assim. Lá a grande atração num casamento é o noivo! A noiva fica em casa aguardando a chegada do seu amado. Lá é ela quem fica torcendo as mãos de aflição e olhando a todo instante pela janela para ver se o seu noivo ainda não despontou na curva da estrada.

Finalmente, alguém dá o aviso, tal e qual se acha registrado na parábola das dez virgens: “Eis o noivo! Saí ao seu encontro!” (Mt 25:6).

O livro Cantares de Salomão (ou Cântico dos Cânticos) apresenta, de modo poético, essa situação de expectativa da noiva, que aguarda ansiosa a chegada do amado. E quando ele vier, os dois se unirão para sempre. Não haverá mais separação.

Temos aqui uma figura da vinda de Cristo. A igreja, o povo de Deus, é essa noiva, que aguarda ansiosa a breve vinda do noivo – Jesus Cristo. E quando Ele vier, eles não mais se separarão.

O livro de Cantares foi escrito por Salomão quando este ainda era jovem. O rei declara possuir 60 rainhas e 80 concubinas (Ct 6:8, 9). Mas só você é a minha pombinha, diz o apaixonado Salomão. Só você é a dona do meu coração!

Temos aqui outra bela figura de Cristo, o qual possui muitos outros súditos, em mundos não caídos. Mas o interesse de Cristo se centraliza nos santos da Terra. A igreja é Sua favorita. É a pombinha do Seu coração.

Quem é essa jovem, a quem é dedicado esse poema? Provavelmente uma camponesa. Mas um rei casar-se com uma camponesa? Uma tal união só poderia ser por amor. E isso ilustra a relação entre Cristo e Sua noiva, que pertence a uma classe inferior à de Seu noivo. E se o Rei dos reis está disposto a desposar a igreja, fraca e cheia de defeitos como possa ser, essa união só pode ser motivada pelo mais puro e desinteressado amor.

Retribuiremos a Cristo tão grande amor?


30 de abril Sexta

Você já matou alguém?

Ouvistes que foi dito aos antigos: Não matarás; e: Quem matar estará sujeito a julgamento. Mateus 5:21

Quando Deus escreveu, com o Seu próprio dedo, o sexto mandamento do Decálogo, nas tábuas de pedra, não davam muito valor à vida humana. E nos dias atuais a situação não é muito diferente. Quem não ouviu falar de Isabela, a menina que teria sido jogada do sexto andar de um prédio pelo próprio pai? E da garota que, junto com o namorado, planejou a morte dos próprios pais? O mandamento, portanto, continua mais atual do que nunca. A vida é um dom de Deus, e o ser humano não tem o direito de tirar o que ele não pode repor.

O mandamento tem por objetivo proteger a vida em todas as suas formas, mas sua aplicação primordial é quanto à vida humana. Tanto esta quanto a vida animal são mantidas pela vida vegetal, que precisa morrer para que as formas superiores de vida continuem a existir. Em nosso mundo de pecado, mata-se animais e plantas para a sobrevivência de animais irracionais e do ser humano. Se o sexto mandamento proibisse matar todo e qualquer tipo de vida, sua estrita obediência resultaria em morte por inanição.

Ellen White, em seu tempo, já dizia: “A Terra foi amaldiçoada devido ao pecado, e nestes últimos dias multiplicar-se-ão insetos de toda espécie. Essas pragas precisam ser mortas, senão elas irão incomodar-nos e afligir-nos, e até matar-nos, e destruir a obra de nossas mãos e o fruto de nossa terra. [...] As árvores frutíferas precisam ser pulverizadas, para que sejam mortos os insetos que estragariam as frutas” (Mensagens Escolhidas, v. 3, p. 329).

Entretanto, é preciso ter em mente que as práticas danosas à saúde, e que provoquem morte prematura, também são uma transgressão do sexto mandamento.

Jesus ampliou ainda mais a lei, mostrando que a transgressão já começa com as intenções (Mt 5:21, 22). Insultos e expressões de ódio, os quais contêm o espírito e as sementes do homicídio, são violações da Lei, tornando o transgressor um homicida em potencial. Diante disso, quantos poderiam dizer, em sã consciência, que nunca quebraram o sexto mandamento? Isto seria afirmar que nunca usaram violência verbal contra alguém, nunca sentiram ódio, e nunca desejaram mal a ninguém.

Se formos culpados, não é de mais esforço que necessitamos. Precisamos é de uma entrega sem reservas a Cristo, para que Ele, ao habitar em nós, nos ajude a cumprir, não só o sexto, mas todos os outros nove mandamentos.