1º de agosto

Poder no Sangue

Estes são os que vieram da grande tribulação e lavaram as suas vestes e as alvejaram no sangue do Cordeiro. Apocalipse 7:14, NVI.

Era só um lance de escadas e eu carregava apenas uma valise, mas quando cheguei ao topo sabia que estava a ponto de desmaiar. Também sabia por que me sentia desfalecida: perda de sangue. Depois de alguns minutos minha mente começou a clarear e senti que podia continuar caminhando. Precisava chegar ao portão de embarque para tomar o vôo para casa e consultar meu médico a fim de saber o que estava acontecendo.

O aeroporto Charles de Gaulle em Paris é enorme, e enquanto caminhava senti uma sede incrível. Parei num quiosque. “Quanto custa a água?” O preço parecia exorbitante, mas alegremente juntei os euros. Mais tarde fiquei sabendo que eu estava com tanta sede porque entraria em choque.

Eu estivera num vôo noturno para a África quando de repente começou uma hemorragia com quantidades impressionantes de sangue. Quando o avião pousou, abortei meu itinerário e procurei socorro médico. Depois de examinar alternativas de tratamento, decidi tentar voltar para casa. Mas isso não foi fácil, e quando cheguei a Paris já haviam se passado mais de 35 horas e meu cólon ainda sangrava. Continuei tomando água e suco de laranja e tive a confiança de que Deus me ajudaria a chegar à minha casa.

E cheguei. Mas precisei ser hospitalizada na unidade de terapia intensiva e receber sete unidades de sangue antes de poder circular por aí de novo. E ah! como passei a apreciar ainda mais o sangue!

As Escrituras nos dizem que sem sangue não há vida, nem vida eterna, nem esperança. Essa lição começa no Jardim do Éden, com a morte do primeiro cordeiro. O derramamento de sangue continuou por meio de Abel, Abraão e adiante, no serviço do santuário no deserto. Os serviços no santuário e nos templos construídos por Salomão e Herodes eram sangrentos. Sangue por toda parte! Milhões de cabritos, ovelhas, touros e pombas sacrificados até que o sistema culminou na morte de Jesus. Ele derramou Seu sangue por mim. Por você.

Ah, como sou grata pelo sangue – o sangue que outros deram para minhas transfusões e, mais importante, o sangue de Jesus! É pelo sangue do Cordeiro que podemos vencer e sobreviver cada dia (Apocalipse 12:11, NVI); e é pelo sangue do Cordeiro que nossos pecados são perdoados e nós somos redimidas (Apocalipse 5:9). “Há poder, sim, força sem igual só no sangue de Jesus.”

Ardis Dick Stenbakken


2 de agosto

Tesouro

Pois onde estiver o seu tesouro, ali também estará o seu coração. Lucas 12:34, NVI.

Minhas férias foram uma experiência maravilhosa, mas essa experiência desafortunadamente se abalou quando retornei e descobri que minha casa havia sido assaltada e praticamente esvaziada. Chamei a polícia, mas nada se podia fazer exceto colher as impressões digitais e relacionar os objetos roubados.

Dias passaram; meu coração doía só de pensar em todas as coisas que eu teria de comprar pela segunda vez. O estranho é que nenhuma peça havia sido roubada de minhas roupas de ir à igreja. Orei muito por um milagre, mas os dias passavam e nada acontecia. Várias outras casas no Colégio Betel também haviam sido assaltadas. Então dois dos ladrões voltaram ao campus para vender objetos que tinham roubado, e foram apanhados pela segurança. Eu estava tirando uma soneca à tarde quando ouvi uma turma de alunos e outras pessoas vindo para minha casa com aqueles dois homens, a fim de que demonstrassem como haviam entrado e para onde haviam levado as coisas. Algumas horas mais tarde a polícia chegou. Nem todos os objetos foram recuperados, mas ficamos contentes pelos que foram.

Poucos dias antes eu estava caminhando pela rua num lugar chamado Zizamele, e um adolescente se aproximou de mim e pediu meu telefone celular. Quando recusei, ele ameaçou matar-me. Duas semanas mais tarde, quando fui à delegacia fazer a relação escrita dos bens roubados, passei pela recepção e vi um rosto familiar. Rapidamente me lembrei daquele rosto e de imediato chamei o policial, dizendo-lhe que havia visto o garoto que levara meu celular parado na frente da recepção. Com o policial ao meu lado, olhei dentro dos olhos do rapaz e disse: “Você levou meu celular algumas semanas atrás em Zizamele.” Ele ficou tão chocado, que simplesmente o admitiu. Embora eu não conseguisse meu celular de volta, a satisfação que tive ao encarar aquele rapaz foi suficiente. Só espero que ele tenha aprendido que o crime não compensa.

Às vezes, enquanto jornadeamos pela vida, perdemos coisas. Algumas podem ser substituídas; outras não. Porém, o mais importante a recordar é a fonte de tudo em nossa vida. Quando temos o Salvador, temos tudo. Nossa fé não se deve basear em coisas materiais que estão aqui hoje e se vão amanhã. Quando saímos em férias, é sábio verificar se todos os sistemas de segurança estão em ordem, porém a coisa mais importante que podemos fazer é colocar a vida nas mãos dAquele que não dorme nem cochila.

Deborah Matshaya


3 de agosto

Meu Céu Estrelado

Vi novo céu e nova terra, pois o primeiro céu e a primeira terra passaram. Apocalipse 21:1.

Desde o tempo em que eu era jovem, o céu sempre me encantou – especialmente as estrelas. Ainda conservo estrelas auto-adesivas no teto do meu quarto, representando brilhantes constelações e planetas. Gosto de olhar para elas enquanto cintilam no escuro. Melhor ainda são as estrelas de verdade que sempre observo antes de ir dormir. Nessas noites quando o céu está claro e não há nuvens, há sempre uma estrela que gosto de contemplar até que meus olhos se fechem. Aquela é a minha “estrela de estimação”.

Em agosto de 2003 fiquei muito feliz ao saber que o planeta Marte se aproximaria da Terra e poderia ser visto sem o uso de telescópio ou qualquer outro instrumento especial. Pareceria uma segunda Lua, mas com um tom avermelhado.

Foi difícil esperar que esse dia chegasse! Então, um pouco antes de Marte chegar à sua maior aproximação, começou a chover. A chuva continuou por vários dias. Eu não queria que chovesse naquele dia! Mas choveu, o céu estava escuro e as estrelas foram cobertas pelas nuvens. Quando fiz minha oração antes de dormir, insisti (embora as nuvens continuassem cobrindo as estrelas): “Senhor, Tu sabes o quanto eu desejo ver Marte. Por favor, abre as nuvens e limpa o céu. Amém!” Meu despertador tocou à meia-noite, o melhor horário para observar Marte. Acordei e olhei o céu novamente. Para meu espanto, o céu estava claro – nem uma única nuvem!

Embora o céu estivesse claro, não pude ver Marte, talvez por causa da posição do prédio onde moro. Mas tive certeza de que Deus ouvira minha oração. Algumas noites depois, quando o planeta estava mais distante e parecia pequeno, pude vê-lo da sacada.

Senhor, criaste todos os planetas, as estrelas, galáxias e tudo o que existe neste Universo infinito! Muito obrigada por encheres o céu de estrelas. Muito obrigada, Senhor, por me fazeres saber que um dia poderei viver contigo e ouvir-Te dizer o nome da minha “estrela de estimação”. Isso me faz saber que estás comigo cada noite, porque conheces cada estrela por nome, assim como conheces a cada um de nós pelo nome. Graças Te dou porque me permites continuar vendo planetas e estrelas, até aquele dia em que viverei contigo no meu novo lar no Céu!

Thaís Rainha de Souza


4 de agosto

Venha, Corra Comigo!

Quão formosos são sobre os montes os pés do que anuncia as boas-novas, que faz ouvir a paz. Isaías 52:7.

O ano de 2004 será sempre lembrado na Grécia como um ano de celebração, pois em agosto os Jogos Olímpicos voltaram ao país que lhes deu origem. Embora muitos pensassem que a Grécia de maneira alguma estaria pronta na hora certa, a “febre olímpica” se espalhou rapidamente e os preparativos se completaram antes da impressionante cerimônia de abertura em Atenas.

Mais cedo, em janeiro, apareceram anúncios convocando voluntários para carregar a tocha olímpica pelas principais cidades e pelos importantes sítios arqueológicos da Grécia. Isso acendeu minha imaginação, e a esperança de carregar a tocha despertou quando vi que havia poucas exigências quanto à idade.

Corri para apresentar meu formulário de inscrição, já sonhando em ser escolhida. Mas eu precisava me preparar. Com chuva ou com sol, na escuridão das madrugadas de inverno, eu corria três ou quatro vezes por semana. Com boa vontade, vigiei o meu regime alimentar.

Semanas transcorreram. Quando passei pela primeira seleção, intensifiquei meu esforço. Então um dia chegou o amargo desapontamento da rejeição. Não fui escolhida. Os Jogos Olímpicos vieram e se foram. Para cada atleta que recebeu o bem-merecido reconhecimento, houve muitos outros que não o receberam. Isso é triste, mas é a vida.

Ocorre um programa de treinamento para um evento muito mais emocionante do que correr com a tocha olímpica e, louvado seja Deus, todos os que se inscrevem são aceitos. Não há limite de idade, nem restrições de tempo, embora por vezes você tenha de treinar sob circunstâncias adversas ou mesmo negar-se algum conforto. Você também precisa completar o percurso se quiser ser uma vencedora.

Venha correr comigo, e vamos carregar a tocha do evangelho eterno. Nós a seguraremos alegremente hoje, amanhã e todos os dias até chegarmos àquela espetacular cerimônia de abertura, diante da qual qualquer outra celebração desaparece na insignificância. A música dos corais de anjos e das trombetas de ouro, luzes além da imaginação e um som tão intenso que penetra nos ouvidos de cada santo que dorme – tudo isso anuncia o glorioso retorno de Jesus.

As coroas dos vencedores serão muito mais belas do que a simples coroa de ramos de oliveira com a qual os campeões olímpicos são coroados, e teremos o inefável privilégio de lançá-las aos pés de Jesus, porque na verdade são dEle. Seremos vitoriosos somente por Sua graça.

Revel Papaioannou


5 de agosto

Rosas e Espinhos

A resposta calma desvia a fúria, mas a palavra ríspida desperta a ira. Provérbios 15:1, NVI.

Ultimamente tenho trabalhado bastante com rosas, o que é lindo porque elas estão entre minhas flores favoritas. Invariavelmente, quando trabalho com flores, lembro-me de pessoas. As rosas são muito bonitas, e nos dias de hoje há variedades cultivadas de modo que não tenham espinhos. Seus caules são retos e lisos. Por outro lado, algumas têm pequenos espinhos afiados, enquanto outras ainda têm grandes farpas que cortam as mãos e causam uma dor aguda.

Anos atrás, a maioria das pessoas que faziam arranjos de flores possuía um pequeno instrumento que podia ser esfregado no caule de uma rosa e removia todos os espinhos, deixando o caule bem liso, fácil de ser manuseado. Infelizmente se descobriu que essa remoção dos espinhos prejudicava a flor e lhe abreviava a vida. Hoje em dia somos aconselhados a simplesmente cortar a extremidade do espinho. Assim, embora o espinho permaneça, a ponta aguda é removida, a flor não se danifica, pode ser mais facilmente manuseada e permite que lhe apreciemos a beleza. De modo semelhante, éramos aconselhados a martelar caules lenhosos, para que assimilassem água mais facilmente. Agora se provou que esse tratamento era duro demais e que os caules se danificavam.

Às vezes encontramos pessoas espinhosas, com as quais é difícil trabalhar. Podemos ter filhos que nos complicam a vida. A tentação é tentar mudá-los, “cortar” as partes que achamos difíceis. Por vezes, uma disciplina rígida parece a única maneira de conseguir com que as pessoas entendam. O problema é que nesse processo podemos danificar-lhes a essência. Em vez de melhorar a situação, nós a pioramos. Talvez tenhamos de aprender uma lição com a rosa, tentando suavizar as extremidades agudas, conservando ao mesmo tempo seus singulares atributos. Em vez de martelá-los, devemos fazer um discreto corte.

Como aconselha o Sábio, usar palavras bondosas em vez de ásperas desvia a ira, e, ao aplicar uma disciplina gentil, invariavelmente extrairemos o melhor das pessoas. Todas somos flores no jardim de Deus. Com freqüência tem Ele precisado remover espinhos da minha vida, mas isso foi sempre feito ternamente e com amor. Assim, se você encontrar hoje uma “rosa” com espinhos, trate-a com gentileza!

Audrey Balderstone


6 de agosto

Seus Misteriosos Caminhos

Porque és a minha ajuda, canto de alegria à sombra das Tuas asas. Salmo 63:7, NVI.

Eu nunca havia pensado que Deus tivesse um senso de humor tão refinado. Um evento simples me fez pensar acerca do senso de humor de Deus e de Sua bondade para comigo. Eu estava estudando para um teste de qualificação como candidata a um curso de mestrado. Minha mente ia a mil por minuto, considerando que eu me inscreveria numa área diferente daquela do meu grau de bacharelado e que eu não tinha idéia do número de pessoas que concorreriam àquela única vaga. Eu queria desesperadamente ingressar no programa do mestrado. Alguns dias antes, eu havia ido à universidade para obter informações acerca do processo de seleção. Enquanto estava lá, conheci uma moça que já fazia o programa de mestrado. Ela me deu várias dicas a respeito do teste, do pré-projeto obrigatório e de como seria o curso. Também me deu seu número de telefone e endereço de e-mail.

Três semanas mais tarde, eu tinha uma idéia a respeito do assunto que abordaria no meu pré-projeto e desejei entrar em contato com ela. Onde estava o papel no qual eu havia anotado o número do seu telefone? Para meu completo desespero, aquele era o dia em que a faxineira viria fazer a limpeza semanal no meu apartamento enquanto eu trabalhava. Eu a imaginei jogando fora o pedaço de papel com o telefone anotado. Procurei aquele papel por dois dias, mas não o encontrei.

Sabendo que o tempo se esgotava, uma noite orei: “Senhor, Tu sabes que preciso daquele pedaço de papel. Mostra-me onde ele está.” Aguardei que Ele me fizesse lembrar de onde estava o papel com o número do telefone. Achei que me lembrava de onde o havia deixado. Fui procurar, mas não estava lá. Desisti!
Depois de algum tempo resolvi ir para a cama. Então olhei para a mesinha de cabeceira ao lado da minha cama, e ali estava um pedaço de papel dobrado em cima do meu livro devocional. Eu o reconheci imediatamente e sorri enquanto pensava nas maneiras criativas que Deus tem de responder às nossas orações.
Concluí que a faxineira havia encontrado o pedaço de papel e o colocara naquele lugar. Como eu não o havia visto? Já teria estado ali antes? De uma coisa eu sei: senti a bondade de Deus – bem como o Seu senso de humor – muito perto de mim.

Iani Lauer Leite


7 de agosto

Amor que Cresce

Que o Senhor faça crescer e transbordar o amor que vocês têm uns para com os outros e para com todos, a exemplo do nosso amor por vocês. 1 Tessalonicenses 3:12, NVI.

Toda vez que uso xampu, coloco uma pequena quantidade na palma da minha mão e a esfrego no cabelo. Aquela pequena quantidade satura a cabeça toda, cobrindo-a com uma espuma que limpa cada fio. Da mesma forma, uma pequena quantidade de condicionador deixa o meu cabelo macio e brilhante. Com uma única pressão do meu dedo, a musse se expande para fora da lata num volume suficiente para deixar meu cabelo mais dócil. A pasta de dentes dura além da minha expectativa. Pela aparência externa, o tubo contém apenas a pasta suficiente para só mais uma vez, então eu o aperto e posso usar a pasta por três ou quatro vezes antes que o conteúdo finalmente acabe por completo.

O amor de Deus atua de maneira semelhante. Cresce no meu coração à medida que participo continuamente do estudo da Bíblia, da oração, de amizades cristãs, até que meu coração transborde e eu não possa evitar partilhá-lo com outros. Muitas vezes aqueles com quem me comunico testificam por sua vez de como o Seu amor tem afetado a vida deles, e, ao contrário dos meus artigos de toalete, que por fim acabam, esse amor perdura.

Por ser incondicional, o Seu amor está disponível a todo ser humano, sem exceção. Às vezes, precisam de alguém como eu para tomarem consciência dele. Assim como o xampu limpa todos os fios de cabelo da minha cabeça, o Seu amor me purifica da imundície de minha injustiça. Meu cabelo continua ficando sujo, e preciso usar xampu vez após vez. Não importa quantas vezes eu retroceda para os velhos caminhos pecaminosos, sujando minha alma, posso ir a Ele com arrependimento e pedir perdão, e Seu amor me purifica novamente. Está sempre à espera de que eu o aceite e o partilhe com outros.

O xampu, o condicionador, a musse e a pasta de dentes nada resolvem se permanecerem na prateleira. Para experimentar o resultado desejado, devo fazer o esforço necessário para usá-los. Assim é com o amor de Deus. Está sempre acessível, mas devo tomar a decisão consciente de aceitá-lo e permitir que me limpe, modele e ajeite a fim de que eu reflita eficazmente o Seu amor.

Marian M. Hart


8 de agosto

As Gaivotas

Não te apresses em irar-te, porque a ira se abriga no íntimo dos insensatos. Eclesiastes 7:9.

Um dia subi a pequena elevação sobranceira ao porto Harrisville para observar as gaivotas que faziam travessuras perto da via pública arborizada abaixo. Vi uma das aves mascando o que pareciam ser pedaços de peixe, aparentemente jogados de um dos barcos atracados na marina próxima. A gaivota continuou comendo e foi logo acompanhada por uma segunda ave, depois por outra e mais outra, até que dentro de poucos segundos uma dúzia ou mais de famintas gaivotas competiam pelos três bocados de comida que jaziam no pavimento.

O lanche silencioso de uma ave solitária de repente se transformou num ruidoso “pode pegar que é grátis” de um bando de gaivotas indisciplinadas que tentavam invadir a festa particular.

Mas que criaturas impetuosas vocês são! pensei, pois parecia que algumas não se satisfaziam em ter apenas o seu lugar à mesa – queriam o bufê inteiro. Guinchando a plenos pulmões, voaram diretamente sobre a gaivota que comia ali perto.

Quando terminaram a invasão, passaram à sua vítima seguinte, repetindo o mesmo ritual barulhento, aparentemente decididas a expulsar qualquer ave que lhes cruzasse o caminho. O alvoroço continuou por algum tempo; então notei que os três volumes que haviam constituído o almoço das gaivotas sumiam, e sem dúvida em pouco tempo não existiriam mais. Somente então as gaivotas decidiram encerrar tudo e voar em busca de outro ponto atraente – algumas para o topo dos altos postes de luz do porto, outras pairando sobre as calmas ondas do Lago Huron e o restante planando com o vento.

Perguntei a mim mesma: O que acaba de acontecer aqui? Então entendi. Eu havia visto um pouco de mim mesma e de outros seres humanos na atitude daquelas aves – arroubos de temperamento, empurrando e acotovelando-nos para conseguir o que queremos. Tive de admitir que não era uma cena agradável. Quando por fim a última gaivota se afastou voando, tudo o que ficou para trás foram três lugares sujos no caminho.

Senhor, ajuda-me a sempre me erguer acima da agressividade ou de outro comportamento que se revele na minha vida, a fim de que Jesus brilhe por meu intermédio.

Clareen Colclesser


9 de agosto

Uma Bênção Prometida

Não temas, porque Eu sou contigo; não te assombres, porque Eu sou o teu Deus; Eu te fortaleço, e te ajudo, e te sustento com a Minha destra fiel. Isaías 41:10.

Quando minha filha Irytta se matriculou num educandário cristão com internato, Deus a levou a ingressar no programa da colportagem, no qual os estudantes vendem revistas e livros religiosos. Depois de ter estado longe durante o ano letivo, eu queria que ela passasse o verão em casa, mas Deus me fez lembrar de que ela é em primeiro lugar filha dEle. Eu me perguntava como, com seu jeito tímido, ela conseguiria vender livros. Eu sabia que Deus é suficientemente grande para proteger e auxiliar, e tentei confiar minha menina aos Seus cuidados, mas sentia muita falta dela.

Num sábado, na igreja, pedi uma oração especial por Irytta, desejando fazer um pedido de oração por mim mesma também. Eu lutava contra temores e solidão. Deixei meu pedido de lado. Ninguém parecia interessado no anseio da minha alma. Todos tinham suas próprias preocupações. O culto naquele dia não estava suprindo minhas necessidades, e então abri a Bíblia em busca de uma mensagem de Deus. Ele conhecia a necessidade do meu coração e, sendo o Deus amoroso que é, dispôs-Se a atendê-la.

Simplesmente “aconteceu” de eu abrir a Bíblia em Isaías 44 e ler estas palavras: “Porque derramarei água sobre o sedento e torrentes, sobre a terra seca; derramarei o Meu Espírito sobre a tua posteridade e a Minha bênção, sobre os teus descendentes” (v. 3). Ansiosa, continuei a leitura: “Não vos assombreis, nem temais; acaso, desde aquele tempo não vo-lo fiz ouvir, não vo-lo anunciei? Vós sois as Minhas testemunhas. Há outro Deus além de Mim? Não, não há outra Rocha que eu conheça” (v. 8). Deus estava cuidando da minha filha, derramando Seu Espírito sobre ela, capacitando-a como testemunha Sua. Além disso, Ele satisfaria minha alma sedenta, e recebi a garantia de que Ele é Deus. A paz me inundou o coração enquanto eu Lhe expressava gratidão pela maneira amorável como nos tranqüiliza.

Durante nossas conversas por telefone e visitas pessoais em duas ocasiões durante o verão, Irytta me contou suas experiências relacionadas com a atuação e as bênçãos de Deus. Histórias de milagres. Deus vendia livro após livro. No fim das férias, ela era a campeã de vendas no seu grupo. Deus cumprira abundantemente Sua promessa para mim, abençoando minha menina e cuidando de sua segurança. Não foi um verão fácil para nenhuma de nós duas, mas crescemos no Senhor e, olhando para trás, vejo que foi uma rica experiência. A oração e as promessas de Deus são poderosas!

Bárbara Ann Kay


10 de agosto

Código Azul

Orai uns pelos outros, para serdes curados. Tiago 5:16.

“Código azul, quarto 373. Código azul, quarto 373.” É terrível ouvir essas palavras, especialmente se você é mãe do paciente no quarto 373. Nosso menininho de seis dias de idade estava morrendo. Meu esposo e eu o havíamos levado à emergência bem tarde na noite anterior, com sintomas de respiração rápida e uma febre que subia. Depois de horas sendo espetado, picado e submetido a exames, ele foi colocado no quarto 373.

Agora eu segurava o bebê Elias enquanto ele parava lentamente de respirar. Esse é o pior pesadelo de uma mãe. Sendo enfermeira, eu sabia pela instrução recebida e por olhar a face do meu bebê que ele estava muito mal. Na minha mente não restava dúvida de que durante aqueles poucos minutos acabávamos de perder nosso bebê.

Momentos após o anúncio do código azul, a enfermeira correu de volta ao quarto e colocou nosso Elias no seu leito. Eu estava ao seu lado, mas não sabia se devia começar a fazer a respiração nele ou deixar que a enfermagem assumisse. Segundos depois, quinze pessoas irromperam quarto adentro, trazendo equipamento de emergência.

Meu esposo e eu fomos empurrados para um canto, onde ficamos juntos. Comecei a pleitear com Deus: “Ó Deus, ajuda-o; por favor, ajuda-o”, implorei. A equipe de enfermagem colocou-nos então junto a um telefone para que pudéssemos fazer ligações. As palavras que falei a seguir, espero não repetir jamais.

“Mamãe?” tentei encontrar as palavras enquanto fazia a ligação: “Ligue para todos os que puder. Comecem a orar. Elias está morrendo.” Meu esposo telefonou para sua mãe com uma mensagem semelhante.

À medida que os minutos passavam, as enfermeiras nos informavam acerca da condição dele. Devagar, diante dos nossos olhos, um lindo e maravilhoso milagre se operou. Nosso bebê Elias começou lentamente a sair de sua falência respiratória. Antes que se realizassem maiores procedimentos, nosso amoroso Pai celeste havia respondido a muitas das nossas orações. Que Deus atento!

Elias permaneceu no hospital por cinco noites – as noites e os dias mais longos da minha vida. Hoje Elias é um menino saudável e alegre. Toda vez que olho para ele – e para meus outros filhos – não tenho dúvidas de que Deus os ama ainda mais do que posso imaginar.

Mandy LaFave-Vogler